Verdazzo!

Palmeiras se arrasta rumo a 2012

30 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo

A reunião a portas fechadas, supostamente para lavar a roupa suja, que aconteceu na quarta-feira e que atrasou o treino do período, deveria ter servido para aparar arestas e começar a resolver os problemas, mas infelizmente não foi o que se viu. O clima na Academia de Futebol continua insuportável. Se o time não vencer e convencer amanhã no Canindé, a tendência é que haja um colapso.

As críticas feitas por Kleber ao esquema de Felipão tem fundamento, e intimamente é compartilhada por boa parte dos jogadores. Mas só o atacante, até pela pressão que vem recebendo pela falta de gols, acabou as externando. Os outros jogadores parecem ter medo de confrontar o chefe, mas sentem que desse jeito não vai. O clima é extremamente negativo, e como apenas Kleber mais uma vez foi quem se manifestou – e de forma burra, atacando a todos – acabou incorporando mais uma vez o papel de vilão. E tendo um vilão definido, a situação fica um pouco mais confortável para todos os outros, e ninguém se mexe realmente para resolver o problema.

Tudo está errado, desde o esquema proposto por Felipão, passando pela forma como os jogadores se relacionam com a comissão técnica e como usam a imprensa para tentar conseguir o que querem; mais a guerra de bastidores em busca de cargos que provoca um clima de intriga infinita – e tira o foco de Felipão, que passa a ter mais dificuldades para enxergar os erros que está cometendo; e a falta de comando de quem deveria estar dirigindo a situação mas não tem capacidade e/ou coragem para tomar as atitudes que deveria. Quem está levando a culpa sozinho é Kleber – que buscou por isso, diga-se.

Luxemburgo, campeão em 2008, logo em seguida à conquista perdeu a mão do time porque perdeu o foco – embora as razões tenham sido outras. Felipão precisa focar mais em dirigir o time. O descontentamento de nosso treinador com o vice-presidente Roberto Frizzo e sua quase obsessão por demitir Sergio do Prado estão fazendo estragos que já parecem irreversíveis na trajetória do grupo.

O ano de 2011 começou bem. O time evoluiu de forma satisfatória, e chegou forte para brigar por títulos no primeiro semestre – não levou por razões que extrapolam os limites da Academia de Futebol. No segundo semestre, o Palmeiras mais uma vez iniciou bem o Brasileirão. A hecatombe teve início com a tal proposta do Flamengo, que deflagrou uma longa novela, cheia de crises fora do campo, causou a ausência de Kleber por um bom período e coincidiu com mais uma contusão de Valdivia – tudo isso desviou a atenção de todos para vários focos, o que fez o time perder toda a evolução que vinha mostrando.

Hoje o esquema de Felipão não funciona. Sem um meia há muito tempo, o time se viu obrigado a recorrer a Marcos Assunção e suas bolas paradas. Isso obrigou Felipão a não prescindir de Luan, com seu fôlego infinito e sua obediência cega aos pedidos de voltar para marcar e preencher espaços deixados por Assunção, que já não tem toda aquela mobilidade. E assim o time ficou bitolado na presença dos dois.

Faltam doze jogos para o fim da temporada e ainda há tempo de se tentar algo diferente, voltando a fazer um jogo cadenciado, organizado, usando um meia, e aproveitando mais o potencial do jogo de Kleber. A esperança para amanhã seria Pedro Carmona, e a partir da semana que vem, a volta de Valdivia. São duas incógnitas. É pouco estimulante, e o ânimo dos jogadores em tentar alcançar qualquer objetivo é quase nulo.

O Palmeiras segue se arrastando, esperando pelo fim do ano. Kleber, mais uma vez no olho do furacão, “sentiu dores”, e não será nem relacionado. A determinação de não falar com a imprensa, que deveria ser uma medida de apoio à recuperação moral dos jogadores, deve ser suspensa no fim-de-semana, e nada além de uma mal-sucedida reunião foi feito para melhorar o cenário. Apenas não falar com a imprensa não resolve nada.

Só uma vitória com um futebol bastante vistoso contra o América, amanhã no Canindé, é que pode ajudar a reverter a tendência de colapso. O problema é fazer esse time jogar um futebol convincente, seria preciso alguma coisa diferente que desse um novo norte para os jogadores.

Com a palavra, nosso ídolo, o comandante Luís Felipe.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Amigos do Wanderney

29 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Matérias, Verdazzo

Matéria publicada hoje no portal iG revela que a Nova Arena já começou a sofrer atrasos por causa de um impasse causado pelo conselheiro Piraci de Oliveira. O gravíssimo problema, que o solerte pupilo de Mustafá Contursi está engajado em resolver, é a localização da sauna.

Este é o segundo problema inventado por membros da atual administração que influencia na execução dos trabalhos da WTorre. Antes, eram os malditos armários dos vestiários. Parece que a administração Tirone está mesmo determinada a atrasar o cronograma da Nova Arena. Com que intenção, nem eles sabem.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Bico calado

28 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo

A determinação partiu de Felipão e está mais do que certa: ninguém mais fala com a imprensa, nem em coletivas, pelo menos até sexta-feira. No sábado, dia do jogo contra o América, o time voltará a dar declarações.

A medida foi necessária diante de mais um tumulto deflagrado por declarações de Kleber, que reclamou dos companheiros após o empate contra o CAG, no domingo. Um dos mais irritados com a atitude foi Deola, que o rebateu. Num momento em que os nervos estão à flor da pele, a melhor coisa é se calar, para evitar que os problemas se tornem maiores ainda.

A atitude também revela o grau de maturidade dos jogadores profissionais de hoje: na prática, o clube admite que seus atletas não são capazes de controlar a língua, o que, de certa forma, transparece uma falha no comando.

A imprensa recebeu a notícia com revolta. Expressões apocalípticas, como “Lei da Mordaça”, “Censura” e “Lei do Silêncio” foram as mais usadas pelos profissionais para definir a medida adotada pelo Palmeiras. Os repórteres, principalmente através do Twitter, se colocaram, ora vejam, como vítimas da história: “quer dizer que a culpa é da imprensa?” – para em seguida destilarem todo o fel sobre as agruras em que vive o clube. Um dos esportes favoritos desses meninos é se referir de forma irônica, e até desrespeitosa, a Frizzo e Tirone. Eles têm que lembrar que só quem pode fazer isso é a comunidade palmeirense, não eles. É como família: só os membros podem falar mal. Ao se comportarem dessa forma, se mostram tão ou mais imaturos que os atletas que criticam. O trabalho da imprensa não é o cerne desta questão, e sim o clima entre os atletas.

Para o clube, mais uma semana intensa. Muita roupa suja deve ser lavada. Kleber, que há pouco mais de um ano chegou com pompa de popstar, cavou seu próprio inferno com a história da proposta do Flamengo e, hoje, a chance dele sair do clube é enorme – há quem diga que ele já voltou a sentir “dores” e não joga sábado, e há até quem diga que no Palmeiras ele não joga mais.

Kleber continua sendo um grande jogador, apesar da fase escassa de gols. Suas críticas ao time são pertinentes, taticamente falando. Seu jogo sem dúvidas rende muito menos pela forma com que o time é armado pelo treinador. Mas o atleta não pode tentar resolver as coisas colocando pressão pela imprensa. Ele já devia saber que com Felipão as coisas não funcionam assim.

Do jeito que as coisas caminham, o clube deve perder mais um grande jogador. Assim como Diego Souza, que depois de passar quase um ano aborrecendo os torcedores do Atlético-MG, finalmente voltou a jogar no Vasco o grande futebol que exibiu aqui em 2009, Kleber deve mostrar seu talento em outro clube. Assim como Vagner Love fez.

O Palmeiras é um barril de pólvora. E nos momentos de efervescência, sempre os mais cobrados serão os jogadores mais importantes. Aconteceu com Diego Souza, que não suportou a pressão e passou a andar em campo, cavando assim sua dispensa. Aconteceu com Love, que resolveu rapidamente sua saída sem criar muito caso após ser agredido por torcedores numa agência bancária. E está acontecendo com Kleber, que, de longe, parece ser o mais burro dos três, ao fomentar crises seguidas para tentar resolver seus problemas: uma hora é dinheiro, outra hora é sua falta de gols. Essa condição não apenas faz com que o clube perca grandes jogadores, como afasta futuras ótimas contratações. Os erros, idênticos, se sucedem, e nada é feito para estancar a sangria.

Tudo muda muito rápido no futebol e nada é irreversível. Kleber tem até o fim do ano para tentar mudar o quadro, ou resolver sua vida de uma vez. O que não podemos mais admitir é que crises e mais crises sejam deflagradas por esse atleta que, apesar de muito talentoso, não passa de um garotinho mimado – e olha que cresceu num bairro de classe média-baixa de Osasco, não é nenhum boyzinho…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Seu Ferrera e o Parmera

27 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo

Para contrabalançar o metal do início da semana, um sensacional samba do compositor Douglas Germano, contando a história de um jogo fictício da, quem diria, saudosa década de 80 entre Palmeiras e XV de Jaú.

      *agradecimentos ao leitor Pedro Ferrari pela dica

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Sãopaulinos fazem fila

27 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Ingresso a $10, pela sobrevivência do projeto 2012

26 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo

E a procura do setembro perfeito ficou para 2012. O mês prometia ser proveitoso, a tabela foi camarada e nenhum dos seis jogos permitia projetar perda de pontos.

Pois não aconteceu nada disso. Ganhamos apenas um – e quase que não conseguimos ganhar nem do Ceará, já que Luan fez questão de abrir o bração na área no último lance e fazer pênalti – que o juizão não teve coragem de marcar.

Dos dezoito pontos disputados, em seis partidas que eram perfeitamente ‘ganháveis‘, o Palmeiras conquistou apenas sete:

  • Palmeiras 1×1 Cruzeiro – 1 ponto, desperdiçando um pênalti aos 47 do segundo tempo;
  • Atlético-PR 2×2 Palmeiras – 1 ponto, permitindo o empate no segundo tempo com um jogador a mais;
  • Palmeiras 0×3 Inter – zero ponto, num jogo em que perdeu trezentos e catorze gols embaixo da trave e tomou dois gols nos dez minutos finais;
  • Avaí 1×1 Palmeiras – 1 ponto, empate na raça, com dois jogadores a menos;
  • Palmeiras 1×0 Ceará – 3 pontos, e implorou para levar o empate no fim;
  • CAG 1×1 Palmeiras – 1 ponto, levando o gol de empate a dez minutos do fim, com dois jogadores a mais.

Para não dizer que foram onze pontos jogados fora, vamos deixar como empates os jogos contra Avaí e Inter, e contando vitórias nos outros. Teriam sido sete pontos a mais na tabela.  Estaríamos com 46, a míseros 3 pontos do líder, contra quem teremos o confronto direto em casa. Todos esses pontos foram miseravelmente incinerados pela extrema incompetência que está assolando o time.

A vontade é de mandar tudo pro inferno, de seguir a vida longe do futebol, de nunca mais perder horas e horas da vida seguindo essa inutilidade, etc etc etc. Mas eu sei, e vocês também sabem, que isso não vai acontecer. Se não seremos campeões este ano, então já começamos a pensar nas contratações e dispensas para o ano que vem. É todo ano assim.

E imaginem se a perspectiva para o ano que vem for a de um time sem NENHUM jogador acima da média. Imaginem que o craque do time pode ser o Cicinho, e olha lá. Nem nos piores pesadelos dos anos 80 passamos por isso. Tá ruim o oitavo lugar? Pensem no Atlético-MG hoje. É o efeito Smirnoff: eu sou você, amanhã.

Para que 2012 seja minimamente digno, precisamos que o projeto do ano tenha algum foco. E para isso, precisamos, de todo o jeito, da vaga para a Libertadores, por mais improvável que pareça, por mais que esse time não nos dê nenhuma perspectiva de virada. Precisamos dar um jeito disso acontecer. Nós: torcida + diretoria + comissão técnica + atletas. Com essa vaga nas mãos, teremos condições de reiniciar o projeto, e torcer, mais uma vez, para dar certo. Chega de ser o time do ano que vem. – para isso, temos que fazer o projeto do ano que vem direito pelo menos uma vez.

O primeiro passo, obrigatório, será no sábado. O Palmeiras enfrenta o América, no Canindé. E o estádio tem que estar num clima favorável. Se os jogadores entrarem em campo já ouvindo as merecidas vaias, a chance de vencerem será menor ainda. O time agora precisa de um empurrão, na marra, de qualquer jeito. Temos que fazê-los querer ganhar os jogos que restam de toda a forma, por mais que os consideremos vagabundos, sem-vergonhas, mercenários, e tudo o mais que costuma se dizer de jogadores de futebol.

Por isso, fazemos um apelo à diretoria, que coloque o ingresso a R$10. Com o estádio cheio, e o torcedor se sentindo valorizado, o clima do estádio vai ficar favorável. O atleta vai sentir que tem um público que não tem tido muito a chance de ir aos jogos – e por isso, que não os xingou durante o ano –  e isso pode acender a faísca que está faltando. Uma boa vitória contra o América, de preferência sem nenhuma entrevista explosiva no fim do jogo, é o que esse time precisa para a retomada definitiva.

E depois? Sei lá. Um jogo por vez. O Palmeiras vai ter que pensar como é que vai se preparar para vencer também o jogo seguinte. Mas antes, precisa vencer o América, lanterna do campeonato, que ressuscitou até o Flamengo. E pra aumentar as chances da vitória, precisamos do público a favor. Ingresso a R$10 parece ser a melhor medida.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Setlist

26 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo

No embalo do post anterior, mais Metallica e Palmeiras. Parece que os títulos das músicas são inspirados no Verdão.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Sad But True

26 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo


O Metallica, dizem, arrebentou no Rock in Rio, esta madrugada. O rock and roll corre nas veias deste site, e o Verdazzo Classic Rock foi a mais perfeita tradução do apreço pelo Palmeiras e pelo rock que pudemos fazer num mesmo programa.

Mas admito, não tive ânimo para ligar a televisão e curtir o show. Antes do Metallica, tivemos Motörhead, Slipknot, Sepultura, mas nada foi capaz de dissipar a nuvem de tristeza pelo que acontece com o Palmeiras.

Futebol é uma coisa muito dinâmica, e as coisas dão guinadas de 180° rapidamente. A esperança que permeia a alma de todo torcedor costuma ser o maior combustível para que coisas impossíveis, no futebol, aconteçam.

Mas o problema no Palmeiras é tão profundo, tão crônico, tão insolúvel, que até a esperança dos torcedores parece estar se esvaindo. Ninguém aguenta mais. Até Felipão, que é uma rocha, parece estar sucumbindo.

Tivemos inúmeras chances nos últimos anos, de bater o pé no fundo do poço e emergir, triunfantes. Mas depois de tantas tentativas infrutíferas, temo concluir que estamos inapelavelmente amarrados no fundo deste maldito poço, e que nada que se faça dentro do campo dará jeito.

Se não tivermos um choque de gestão rapidamente, podemos começar a temer pelo pior. Triste, mas é a pura realidade.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

CAG 1×1 Palmeiras

25 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Matérias, Verdazzo

Como que vivendo uma maldição, de forma inexplicável, inacreditável, inaceitável, o Palmeiras permitiu ao CAG empatar o jogo a dez minutos do fim, mesmo contando com dois jogadores a mais em campo. Não tanto pelo resultado em si, mas mais pela forma como aconteceu, a tendência é o time jogar a toalha com mais de dez rodadas pela frente e a apenas dois pontos da zona da Libertadores. Alguns jogadores importantes, como Kleber, já acenaram durante a semana com uma despedida ao fim do ano, e este resultado deve apressar as coisas – e outros jogadores tendem a seguir o mesmo caminho. O golpe foi duro demais e deve haver consequências sérias.

Mais uma vez Felipão saiu jogando com Tinga, deixando Maikon Leite, Patrik e Carmona no banco. Marcio Araújo voltou ao meio-campo, ficando a cargo de João Vítor fazer a lateral-direita. O Atlético traçou a estratégia errada para tentar penetrar na defesa palmeirense: por baixo, através de Vítor Junior, e pelo meio, vez ou outra caindo pela direita, em cima de Gabriel Silva. Com a cobertura bem executada, principalmente por Luan, Deola praticamente não teve trabalho na primeira etapa. Coube ao Palmeiras criar as melhores chances do primeiro tempo.

Logo aos três minutos, tabela entre Kleber e Fernandão; o Gladiador apareceu livre, com um ângulo não muito bom, mas mesmo assim bateu bem, cruzado, obrigando Marcio a fazer uma ótima defesa. Após o início promissor, entretanto, o Palmeiras só conseguiu criar novas jogadas na bola parada. Aos 12, cruzamento de Assunção pela esquerda, Rafael Cruz resvalou contra e Marcio espalmou. Aos 23, o gol: falta mais uma vez pela esquerda, Kid jogou na área e Henrique desviou para as redes. E o Verdão só foi fazer outra jogada pelo chão aos 30, em mais uma tabela entre Fernandão e Kleber; desta vez foi Fernandão quem teve o gol à disposição, mas finalizou muito mal.

O Palmeiras abusou de rifar as bolas, buscando Kleber ou Fernandão de qualquer jeito, e torcendo para que as trocas de passes entre os dois, vez ou outra auxiliados por Luan ou João Vítor, desse certo. Tinga errou pouco; não acertou nenhuma. O primeiro tempo foi muito ruim, mas deu tudo certo para o Verdão, que ainda viu o zagueiro Anderson levar o segundo amarelo e deixar o campo após falta dura em Fernandão na meia-lua.

O time voltou para o segundo tempo com uma postura aparentemente mais lúcida. Aproveitando o homem a mais, cessaram as rifadas de bola, e assim o Verdão passou a valorizar mais a posse. Ironicamente, foi o CAG quem criou as duas primeiras boas chances, e tudo começou num belo chute de longe de Anselmo, que Deola espalmou para escanteio. Na cobrança, Agenor ganhou da zaga e cabeceou com muito perigo. Até então, essas chances do CAG tinham sido fortuitas e não traduziam a postura dos times – o Palmeiras continuava melhor e um empate àquela altura seria injusto.

Aos 15, veio a expulsão de Vítor Junior, numa bobeira do rapaz: João Vítor cometeu falta por trás e o juizão já estava com o amarelo na mão, o meia do CAG veio todo alterado exigindo uma advertência, e acabou levando o seu também. Incoformado, continuou com os impropérios, e praticamente pediu o vermelho. Foi atendido, e o Palmeiras ficou com dois a mais, com a vantagem no placar. Jogo resolvido, certo?

Nunca se pode dizer isso quando quem está em campo é o Palmeiras. Aquela postura consciente do início do segundo tempo foi sumindo aos poucos, como que por um feitiço. A bola começou a queimar nos pés dos jogadores, e do nada os atletas do CAG começaram a aparecer sem marcação. Felipão ainda colocou Maikon Leite para tentar abrir mais ainda a defesa deles, e o ponta já em seu primeiro lance fez boa jogada e cruzou para Fernandão, que não aproveitou.

Aos 26, João Vítor levou uma cotovelada criminosa de Pituca, que deveria ter sido expulso, mas o árbitro aparentemente não viu, ou não quis deixar o time da casa com três a menos. Teve que sair, e Felipão, que já preparava Pedro Carmona para entrar, hesitou, pensou em colocar Rivaldo, mas preferiu manter, para consertar em seguida. Era pra ser só por uns minutinhos: o time ficou num 4-3-3 com apenas Marcos Assunção na cabeça da área, com Carmona, Kleber, Maikon Leite, Fernandão e Luan. Uma formação ultraofensiva, mas com pouco treino e sem proteção.

E o Palmeiras teve a bola do jogo aos 32:  contra-ataque fulminante, Pedro Carmona conduziu pelo meio, e tinha Luan de um lado e Maikon Leite do outro, contra apenas dois atleticanos. Era fazer o passe e correr para o meio. Ele passou mal para Maikon Leite e deu a chance da defesa se recuperar. E aos 35 veio o castigo. Não só pelo posicionamento teórico, mas pela jogada em si, coube a Pedro Carmona deixar Thiago Feltri livre no lance do gol. Na cobrança de lateral pela direita, a zaga rebateu; Felipe, que tinha acabado de entrar, correu mais que todos e puxou pro meio, e Feltri apareceu livre, de frente para Deola, e executou.

Felipão colocou Ricardo Bueno no Fernandão, exausto, e o time continuou com a formação ultraofensiva, mas não teve capacidade para furar o bloqueio de oito jogadores que o CAG armou nos quinze minutos que se seguiram – a não ser por uma vez: Maikon Leite teve a gol da vitória em seus pés, aos 47, mas chutou em cima de Marcio. De forma inacreditável, o Palmeiras se comportou como Avaí e não conseguiu ganhar um jogo com dois atletas a mais, e com um agravante: permitiu ao adversário buscar o empate quando tinha a vantagem.

O Verdazzo agradece a toda a torcida o apoio ao time durante essa temporada, e deseja a todos um Feliz Natal e um ótimo 2012. Rumo ao bi da Copa do Brasil!

Atuações:

Deola: sem chances no gol, e no mais, sem trabalho. 7
João Vítor: um dos jogadores mais lúcidos do time, com um ótimo aproveitamento nos passes. 7
Maurício Ramos: três seguidas brilhando seria demais. Desta vez não foi bem, permitindo jogadas perigosas principalmente de Anselmo. 4
Henrique: deixou o dele lá na frente, mas também andou confuso no posicionamento com a rapidez dos atacantes do CAG. 6
Gabriel Silva: errou até cobrança de lateral. Um desastre. Daí a gente lembra que as opções são Gerley e Rivaldo. Volta, Armero! 4
Marcio Araújo: vinha sendo um monstro na proteção à zaga, até ter que ir para a direita para fazer o João Vítor, que levou a cotovelada. Foi o começo do fim. 7,5
Marcos Assunção: nas bolas paradas, só se salvou a do gol – o que não é pouco. Do meio para o fim, foi cansando, e ainda ficou sozinho na função depois da saída de João Vítor. 6
Tinga: é inacreditável a queda de rendimento desse rapaz em relação ao ano passado. Ele não era tão ruim assim. 3,5
Luan: que ele corre o campo todo, todos sabem. Que ele se esforça muito, também. Que ele é fraco tecnicamente, idem. Hoje ele fez tudo isso em intensidade dobrada. 6
Kleber: seu futebol se destaca diante dos companheiros, mas sempre fica a impressão que ele poderia ter feito mais. Precisamos que ele seja decisivo, mas ele não corresponde. 5,5
Fernandão: fez boas tabelas, principalmente o primeiro tempo, e vem mostrando valor com a bola nos pés. Não atingiu mesmo patamar físico dos demais, se escondeu no segundo tempo. 5,5
Maikon Leite: três jogadas: Numa, bateu pra fora, noutra, cruzou razoavelmente bem, e na terceira, perdeu a bola do jogo. 5,5
Pedro Carmona: estreia desastrosa, num momento coletivo hecatômbico. Só sai dessa se tiver muita personalidade. ZERO
Ricardo Bueno: teve sorte de ser colocado só no final, escapa de ser avaliado. Pelo pouco que jogou, certamente iria muito mal. S/N
Felipão: o momento da substituição de João Vítor foi crucial. Com os jogadores do CAG aparecendo livres sem bola a todo o momento, deixar Assunção sozinho como volante era arriscado e desnecessário, certo? Mas para isso, seria necessário chamar Carmona de volta para o banco e colocar o Rivaldo imediatamente. Nem ele teve coragem disso. E como é que nós podemos crucificá-lo por não colocar o Rivaldo? Não dá. Dessa vez, fica SEM NOTA.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

O imbróglio da final de 1978 e a demissão de Mustafá Contursi

25 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: História, Matérias, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Em recente post aqui no Verdazzo, o Conrado falou sobre o atacante Escurinho, que passou pelo Palmeiras em 1978 e enfrenta problemas de saúde em Porto Alegre. No mesmo post, foi citado o problema que o Verdão teve com a arbitragem de Arnaldo César Coelho no primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro, contra o Guarani:

“[Escurinho] Ficou marcado pela participação na primeira final do Brasileirão daquele ano, contra o Guarani, quando foi obrigado a ir para o gol aos 30 minutos do segundo tempo após Arnaldo César Coelho marcar pênalti de Leão sobre Careca, num lance controverso em que o goleiro deu um chega-pra-lá no então jovem centroavante bugrino que atrapalhava sua reposição de bola. Não foi pênalti, e o Palmeiras era roubado em casa contra um time do interior numa final de campeonato. Nem demos conta que aquilo seria apenas o início de uma longa sequência. Enfim, Escurinho foi para o gol, não defendeu o pênalti, e o Palmeiras acabou perdendo o jogo – e o campeonato, na partida seguinte”.

Então vamos acionar a máquina do tempo e voltar a 1978, mais precisamente em agosto, quando aconteceram esses dois jogos, e relembrar (ou conhecer) alguns fatos que cercaram o início dessa longa sequência de erros contra nossa equipe e algumas consequências do que houve.

A Folha de S. Paulo de 10 de agosto de 1978, a data do primeiro jogo, que seria à noite, no Morumbi, destaca na reportagem “Palmeiras e Guarani iniciam decisão” tudo sobre a partida, alegando que o Guarani, apesar da melhor campanha, não poderia ser apontado como favorito absoluto, já que, em uma final, seria necessário prevalecer experiência e tradição, o que o Palmeiras tinha de sobra.

Na mesma página, a reportagem “Palmeiras enfrenta situação difícil, pela terceira vez”, indica que nem mesmo estando na final o time tinha paz. Isso porque dois diretores – ganha um prêmio quem adivinhar o nome de um deles – criaram confusão por causa da premiação.

“Ao invés da calma necessária a todo time que vai disputar um título, o Palmeiras viveu ontem um dia de tensão, constrangimento e revolta dos jogadores, simplesmente porque os diretores Humberto Gregnanin e Mustafá Contursi negaram-se a estabelecer o prêmio em caso de conquista do título ou mesmo de uma vitória hoje. Os jogadores esperaram, reunidos no vestiário, a presença dos diretores. Dois minutos após, saiam irritados com a resposta dos dirigentes – alguns mais exaltados, como Toninho: ‘Isto é uma desmoralização aos jogadores. Prova que a diretoria não confia no time. O prêmio deve ser estabelecido antes dos dois jogos, não depois. E faz tempo que isso vem acontecendo aqui dentro. Só que, agora, neste momento importante, queremos que todos os torcedores fiquem sabendo. Se por acaso eu ficar nervoso em campo e for expulso, todos ficarão sabendo o motivo: a diretoria não me deu tranqüilidade para jogar’”.

A matéria é boa para mostrar que as coisas já não eram fáceis, em virtude de tais influências, já em 1978. Então vamos continuar lendo:

“Leão não quis tomar parte da reunião, mas não porque estava desinteressado: como líder dos jogadores, queria deixar transparecer que não era o único interessado nos prêmios: ‘Quero deixar bem claro que a reunião foi decidida por todos, não apenas por um. Amanhã ou depois podem dizer que eu sou o responsável, que eu sou chefe de igrejinha. Não, a opinião de todos os jogadores foi ouvida’. Os jogadores prometiam levar o caso até o conhecimento do presidente Brício Pompeu de Toledo, que seria chamado para uma reunião na concentração, no Lord Hotel. Outra queixa dos jogadores: a falta de interesse pela renovação do contrato de Jair Gonçalves. (…) ‘Sabe por que eles não querem renovar meu contrato? Por causa de três mil cruzeiros”.

Ou seja, a política do bom (?) e barato começava a ser instalada no Palmeiras, com cortes desnecessários de gastos e brigas mesquinhas como essas, que geraram a fila interminável dos anos 1980.

Após o jogo…

Como todos já sabem (e está no começo da matéria), o Palmeiras perdeu por 1 a 0, o goleiro Leão foi expulso e o time seria obrigado a vencer por dois gols de diferença na segunda partida. Na Folha de S. Paulo de 12 de agosto de 1978, um dia antes da grande decisão, choveram reclamações contra Arnaldo César Coelho, mas Leão também foi criticado.

“O clube viveu ontem um dia aparentemente calmo, principalmente porque Jorge Vieira [o técnico] mostrou um ar de despreocupação por tudo o que acontecera na noite anterior e, também porque Leão não apareceu no Parque Antártica: foi dispensado pelo técnico e está descansando na fazenda de um amigo”.

A matéria também dizia que “o diretor Arnaldo Tironi (sic) era o mais exaltado”. Para quem não sabe, é o pai do nosso atual presidente. Vamos continuar lendo a reportagem:

“Jorge Vieira, sentado nas escadarias do vestiário, no meio de mais de uma dezena de repórteres, manteve-se tranqüilo ao responder às perguntas e só se exaltou com um deles, que havia dito que ‘Leão dirigia-se ao técnico com dedo em riste’: ‘Quero falar com este repórter, de homem para homem’”.

“A derrota para o Guarani é atribuída, em parte, pela expulsão de Leão, na opinião de Jorge Vieira. ‘Foi um erro que ele cometeu. Mas depois, no ônibus, ele começou a chorar e me pediu desculpas. Sinceramente, eu não vi o lance da expulsão, porque estava olhando para o ataque. Mas me parece que o juiz estava premeditando a expulsão do Leão. Pelo menos, foi o que o Leão me disse. Contou-me que o juiz, no intervalo, disse que iria expulsá-lo’”.

Pode isso, Arnaldo?

“E o técnico garante que, se Leão agiu erradamente ao agredir Careca, não foi por nervosismo. ‘Ora, vocês conhecem o Leão, sabem que é um jogador de personalidade. (…) Acostumado a grandes decisões. (…) Então, não poderia estar nervoso. Mesmo tendo problemas particulares”.

“A opinião de todos era a mesma: o juiz Arnaldo César Coelho foi o grande responsável pela derrota do Palmeiras. Todos estava preocupados em defender Leão e atribuir falhas à arbitragem: ‘Ainda bem que o José Roberto Wright vai apitar o jogo em Campinas. Este sim, é um grande juiz. O Arnaldo cismou de dar faltas só contra nós e ainda resolveu expulsar o Leão num lance em que não era necessária a expulsão. Está certo: o Leão deu uma ‘cotoveladinha’ no Careca, mas foi só pra proteger a bola. Isto, todo o goleiro faz quando sai do gol. Mas o juiz estava de marcação sobre o Leão’, dizia Marinho Peres”.

Tenho certeza de que você já leu declarações como essas nos anos 2000, especialmente nos últimos tempos. Seria algo como os juízes continuarem marcando faltas somente contra nós, implicando com Kleber, Felipão…

A palavra oficial da CBD

Aqui vai outro concurso que poderia valer prêmio: quem acha que a chefia de arbitragem elogiou Arnaldo César Coelho, que levante a mão. Todos que estão lendo acham, não? Então vamos confirmar isso:

“O presidente da Comissão Brasileira de Arbitragem, da CBD [Confederação Brasileira de Desportos, a CBF da época], João Boueri, considerou excelente a atuação de Arnaldo César Coelho no jogo Palmeiras e Guarani, disputado quinta-feira no Morumbi. Para o dirigente, o árbitro carioca teve pulso e soube levar a partida até o fim, apesar do jogo violento e das tentativas de tumultuá-la: ‘Arnaldo soube manter a disciplina. E tenho certeza que José Roberto Wright terá atuação semelhante, apesar de acreditar que a partida será mais calma, não obstante o seu caráter decisivo. Arnaldo simplificou o trabalho de Wright, com os cartões amarelos e a expulsão’”.

Nem vou fazer comentários, porque na mesma matéria, em outro box, o meia Zenon, do Guarani, que tomou cartão amarelo e não pode jogar a decisiva no domingo, também reclamou do árbitro, dizendo que a falta não era para cartão. Ou seja, não foi apenas o Palmeiras que ficou de #mimimi, como diriam hoje no Twitter.

A derrota e a demissão de Mustafá Contursi

Antes do jogo, no domingo, a Folha publicou que Escurinho queria sair do Palmeiras e voltar para o Internacional. Além disso, Leão e Toninho também afirmaram que queriam deixar o clube. Que beleza, hein, em pleno dia de decisão uma matéria assim, com declarações e tudo!

“Escurinho disse que está decepcionado com o Palmeiras: ‘Tinha fama de clube tranqüilo, mas é totalmente ao contrário’”.

Novamente, sem comentários…

Veio o jogo, o Palmeiras perdeu novamente por 1 a 0, o Guarani foi campeão e fez uma grande festa em Campinas. Essa história já é conhecida.

Mas, para fechar com ‘chave de ouro’, destaco uma matéria de rodapé da Folha, de 14 de agosto, o dia seguinte ao jogo. “Diretores acusam complô e pedem demissão do clube”. Vamos lá:

“Cada perda de um título tem o seu preço. E, desta vez, o Palmeiras ficou sem seus dois diretores de futebol: Humberto Gregnanin e Mustafá Contursi demitiram-se ainda no vestiário, alguns minutos depois da derrota para o Guarani. Se não fizessem isto, talvez tivessem sido mandados embora. Enquanto Jorge Vieira, chorando, passava cabisbaixo entre os repórteres (…) os diretores demissionários, dentro dos vestiários, apontavam a causa da perda do título: a indisciplina dos jogadores. Gregnanin e Mustafá não perdoam os que lideravam o movimento para exigir prêmio antecipado pela conquista de um título ainda não garantido. Não perdoam o que consideram ‘um complô armado contra eles’.

Na entrevista, Gregnanin disse que iria contar tudo ao presidente Bricio e que continuaria trabalhando extra-oficialmente pelo clube, dando nome aos bois. “Ele se referia a Toninho, Escurinho, Jorge Mendonça, enquanto isentava Leão de qualquer culpa”. Gregnanin não se dava com Jorge Vieira, que parecia que teria paz para trabalhar no clube se continuasse. Seria algo como acontece entre Felipão e Frizzo?

O presidente Bricio informou que assumia o departamento de futebol e que faria reformulações. A mesma matéria dizia que, ainda nos vestiários, dois “corneteiros”, como a publicação citou, também culparam os jogadores pela derrota: Afonso Della Mônica, então diretor de esportes amadores, que disse que Jorge Mendonça e Escurinho provaram não ser jogadores para o Palmeiras; e o conselheiro Orlando Ferri, que culpava Beto Fuscão.

Na terça, dia 15 de agosto de 1978, uma reportagem da Folha dizia que “amigos de Jorge Vieira contaram que o técnico foi por muito tempo pressionado por Humberto Gregnanin por causa de Arnaldo Tironi (sic): como Gregnanin não se dava com Tironi e sabia que ele havia contratado Vieira, fazia de tudo para derrubar o técnico. E ainda há uma corrente no Palmeiras favorável à contratação de Diede Lameiro”.

O final dessa história foi que Jorge Vieira saiu, Leão foi colocado à venda. O técnico disse que os diretores falavam mal dele nos jornais e ninguém o apoiava quando era necessário. O Palmeiras ainda fez um bom Brasileiro em 1979, chegando às semifinais, mas aí veio a década de 1980 e passamos por aquele martírio que terminou em 1993, assunto que abordamos na semana passada.

Conclusão: mudam os personagens – juízes, técnicos, jogadores, dirigentes –, mas tudo parece continuar na mesma até hoje.

Desta forma, quando você reclamar que o juiz nos roubou, não marcando faltas ou pênaltis a favor, e marca tudo contra; ou então que os dirigentes brigam entre si, que os jogadores reclamam do clube na imprensa, entre outras coisas do tipo, saiba que tudo isso já acontecia há mais de 30 anos.

Vou repetir aqui o mesmo ‘mantra’ que o Conrado e muita gente falam: fique sócio do Palmeiras, vote, ajude o clube. Só a renovação nos dará fôlego para extirpar alguns tipos nocivos que não querem o bem do clube – e não é de hoje, como se pode ver.

Antes que me perguntem, minha ficha de sócio já está a caminho, só não chegou ainda por causa da greve dos Correios. Mas, em outubro, se tudo correr bem (a data já está até marcada), eu serei mais um a lutar oficialmente pelo bem do nosso querido Palmeiras.

Venha você também!

Em pé: Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo Mostarda, Pires e Pedrinho;
agachados: Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa.

* Thell de Castro é jornalista e publica todos os domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Pré-jogo: CAG x Palmeiras

24 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Matérias, Verdazzo

O Verdão vai ao Serra Dourada enfrentar o CAG, às 18 horas deste domingo, em busca da segunda vitória fora de casa, e de construir uma sequência maior de vitórias, algo fundamental para se aspirar a qualquer objetivo sério no campeonato. O time deve jogar aliviado depois de vencer o Ceará e tirar a zica que perseguia o time desde o fim do turno – mesmo tendo implorado para que ela se fizesse presente de novo ao cometer um pênalti nos descontos.

Além de Dinei, Valdivia e Cicinho, lesionados, Felipão não vai poder cotar com Chico, suspenso. Assim, Scolari deve escalar João Vitor e Marcio Araújo como volante e lateral-direito, só não sabemos qual dos dois vai ficar na lateral e qual vai jogar ao lado de Assunção no meio. A ‘disputa’ entre Tinga e Carmona por uma vaga permanece, e quem fechará o meio-campo só será revelado minutos antes do jogo. Imploramos para que Felipão dê uma chance para Carmona estrear. Se ele for ruim, pelo menos acaba com a agonia de achar que poderia ter alguém melhor que o Tinga que não é aproveitado. #BotaMeiaFelipão!!! A provável escalação: Deola; Márcio Araújo (João Vítor), Maurício Ramos, Henrique e Gabriel Silva; João Vítor (Marcio Araújo), Marcos Assunção e Tinga (Carmona); Kleber, Fernandão e Luan.

O CAG teve um ótimo período de transição quando Hélio dos Anjos assumiu o time, há nove rodadas – foram quatro vitórias diretas. Em seguida, um momento de instabilidade: nas últimas cinco partidas, foram três empates, uma vitória e uma derrota. De certa forma acomodado na tabela, a nove pontos da zona do rebaixamento, o time tem uma certa tranquilidade para trabalhar. Dos Anjos terá os desfalques do zagueiro Gilson e do volante Bida; em seus lugares devem jogar Leonardo e Ernandes. O CAG deverá ir a campo com Márcio; Rafael Cruz, Leonardo, Anderson e Thiago Feltri; Agenor, Pituca, Ernandes e Vítor Júnior; Juninho e Anselmo. Este último deve ser o cara para tomarmos cuidado: além de vir marcando com frequência nos últimos jogos, é ex-Palmeiras.

No maldito estádio Serra Dourada, sob o apito de Francisco Carlos Nascimento, o Verdão volta à sina dos empates. Fernandão fará o gol solitário do Verdão no frustrante 1×1, e dá-lhe continha nos simuladores dos portais pra fazer o time classificar pelo menos para a Libertadores – o que não é nada mais que a obrigação.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Descobrimos o problema

23 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

Depois de uma vasta investigação, intensa pesquisa, e ampla série de debates, o Verdazzo finalmente descobriu a causa do mau rendimento do time.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Palmeiras 1×0 Ceará

22 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Matérias, Verdazzo

Fim da zica. Depois de um primeiro tempo muito bom, o time administrou a vantagem no segundo tempo, correu riscos desnecessários, não tomou a iniciativa para matar o resultado, mas desta vez deu certo – graças em muito à inoperância do adversário – e finalmente deixou o gramado com uma vitória. Mais que os pontos, o resultado  é muito importante para devolver a confiança ao grupo. Mas ainda falta jogar bem um jogo inteiro.

Felipão mandou Tinga a campo, deixando Maikon Leite e Carmona no banco, o que já deixou todo mundo pessimista antes mesmo do jogo começar. Aberto pela direita, Tinga foi pouco acionado. O time concentrou seu jogo pelo setor esquerdo, com Luan, Gabriel e até Chico chegando bastante. Mas a ligação era pobre, e o chutão de trás era a forma mais comum de se tentar iniciar um ataque. Irritante.

Mesmo assim, o time conseguia fazer a bola chegar, graças à fragilidade do Ceará. Kleber, Luan e Fernandão ganharam muitas bolas na base da disposição, e uma vez com a bola dominada no ataque, aos trancos e barrancos, as jogadas saíam. Fernando Henrique trabalhou demais, fazendo defesas de tudo quanto foi jeito.

O Ceará, a partir dos 25 minutos, equilibrou um pouco a partida ao apertar a marcação, não facilitando nem para os chutões que vinham lá de trás. Os erros de passes do Verdão ajudaram a construir esse panorama. Marcio Araújo não se achou na lateral-direita, deixando Roger escapar sem marcação muitas vezes. E na bola parada, por duas vezes, o Ceará poderia ter aberto o placar em mais vacilos de nossa defesa.

O árbitro Wagner do Nascimento Magalhães deixou de marcar dois pênaltis claros a favor do Palmeiras: no primeiro, Gabriel Silva deu mais um chute torto, Fabricio se jogou na frente da bola com os braços abertos e interceptou; e no segundo, Fernandão desceu pela esquerda, deu o corte em Thiago Mathias e tomou o rapa. A sorte desse juiz foi que, aos 43, Marcio Araújo, em uma de suas poucas descidas, cruzou no segundo pau, Luan cabeceou – torto; mas Thiago Mathias, que estava predestinado a fazer um gol no jogo, não decepcionou e meteu a chanca nela, matando Fernando Henrique.

Estevam Soares colocou Euzebio no Michel, deixando o Ceará um pouco mais ofensivo na volta do intervalo. E o Palmeiras aceitou, dando campo aos visitantes, e o que é pior: sem se armar para o contra-ataque. Com Luan e Kleber mais preocupados em tentar marcar no meio, acabou-se o poderio ofensivo do Palmeiras. O Ceará, por sua vez, também não tinha a capacidade de criar nada que não fosse nas bolas paradas, e vimos um segundo tempo pavoroso. Aos 10, Roger pegou Gabriel Silva por trás e deveria ter sido expulso, mas o juizão mandou seguir.

Mesmo dando campo ao Ceará, foi o Palmeiras quem teve as melhores chances: uma num escanteio em que Kleber pegou a sobra da primeira bola e deu uma puxeta, que pingou no travessão; e em dois chutes de fora, um de Chico e outro de Luan. João Vítor no Tinga deixou o meio um pouco mais congestionado, definitivamente não foi uma mexida para matar o jogo; e somente aos 37 Felipão resolveu colocar Maikon Leite no Fernandão. E o menino teve duas ótimas chances em que quase fez o segundo.

O Ceará tentou uma pressão no final, e foi uma chuva de bolas na nossa área. No último lance, nossa defesa afastou duas vezes a bola com as mãos: na primeira, Mauricio Ramos, absolutamente involuntário, e na sequência, Luan abriu o bração e bloqueou um cruzamento; o juiz, novato, não meteu na cal porque não teve coragem. Fosse um desses medalhões, tipo Heber, Salvio, Abade, PCO, e já poderíamos estar contabilizando mais um empate. Enfim, ficou mesmo no 1 a 0, e o Verdão ainda contou com o empate do Vasco para diminuir a distância para o líder, de dez para oito pontos.

O próximo jogo do Palmeiras é contra o CAG, no maldito Serra Dourada. Apesar de não ter grandes valores individuais, o time vem num momento muito bom no campeonato, sendo responsável até pelo tropeço do líder em casa esta noite. A bipolarzada, em caso de vitória, já vai voltar a falar em título. Inclusive o cara que escreve neste site.

Atuações:

Deola: no único lance em que foi realmente exigido, borboletou, e podia ter dado zebra. 6
Marcio Araújo: foi destacadamente o ponto negativo do time no primeiro tempo, perdidinho entre Vicente e Roger. No segundo tempo, melhorou um pouco. 4
Maurício Ramos: pela segunda vez seguida fez uma grande partida – o que parece ser inédito. Se mantiver a boa fase, Felipão pode começar a pensar num esquema com três zagueiros. 8,5
Henrique: perdeu uma ou outra bola por cima que também poderiam ter dado problema. 6
Gabriel Silva: foi melhor que Gerley e Rivaldo juntos. E não é nenhum grande mérito, não fez nenhuma partida brilhante. 6
Chico: se empolgou um pouco no apoio, e deixou seu setor esburacado uma ou outra vez. Querem saber? Acho ótimo. Tem que ousar mesmo. 7,5
Marcos Assunção: mais uma daquelas más partidas na marcação, chegando muitas vezes atrasado – o que lhe rendeu um cartão bem cedo. Nas bolas paradas, não foi bem. 5,5
Tinga: pouco acionado no primeiro tempo, até que tentou alguns lances mais agudos no segundo. Pouco. Foi melhor que suas últimas dez ou quinze partidas. 5
Luan: mais uma partida típica, de muito esforço, muita dedicação, e muita participação. Por isso, erra muito e também acerta muito. 7
Kleber: bom primeiro tempo, lutando muito em todas as disputas, e apanhando bastante principalmente do tal de Heleno. No segundo tempo, se afundou com o time. 6,5
Fernandão: enquanto jogaram bola nele, foi bem. Arriscou até uma jogada de habilidade, com uma bela conclusão. Podia ter sido mais acionado. 7
João Vítor: preencheu o meio-de-campo de forma irritante – e não foi sua culpa, e sim de quem o mandou fazer isso. 5
Maikon Leite: entrou endiabrado, em pouco mais de cinco minutos teve duas chances de gol. 7
Thiago Heleno: só entrou pra matar o tempo e aumentar a altura no lance final. S/N
Felipão: ainda se mostra desconfiado para colocar Carmona como titular, e insiste em Tinga. Nas mexidas, não mostrou a ousadia, aquele algo a mais que prometeu há duas semanas. E por muito pouco não foi castigado novamente. 2

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Pré-jogo: Palmeiras x Ceará

22 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Matérias, Verdazzo

Não há outra alternativa para o Palmeiras. O jogo desta quinta à noite, no Canindé, só aceita a vitória como resultado. Os resultados das partidas da quarta-feira foram interessantes, com vários empates, e vencer o Ceará por dois gols nos levará de volta à sexta posição, a sete, oito ou dez pontos da liderança, dependendo do resultado do Vasco, que pega o CAG em casa. Por outro lado, uma derrota nos deixa em décimo, e mais um terremoto deve se abater sobre as estruturas da Academia de Futebol.

Felipão, ao que parece, vai colocar o time pra cima do Ceará. Embora tenha treinado nesta quarta com uma formação com quatro atacantes em determinada parte do treino, o esquema deve ser mesmo o 4-3-3. A expectativa é pela estreia de Carmona. Único meia clássico do elenco além de Valdivia, que segue lesionado, o atleta pode dar uma dinâmica mais clássica do que chutões em busca do jogo de pivô de Fernandão. A escalação do recém-chegado, no entanto, é pouco provável. Outro que treinou entre os titulares mas tem poucas chances de sair jogando é o lateral-direito Bruninho, da base. Com os desfalques de Rivaldo e Gerley, suspensos; além de Cicinho, Dinei e Valdivia, no DM; e Marcos, poupado, Felipão deve ir de Deola; Marcio Araújo (Bruninho), Thiago Heleno (Mauricio Ramos), Henrique e Gabriel Silva (Luan); Chico (Marcio Araújo), Marcos Assunção e Kleber; Maikon Leite (Patrik ou Carmona), Fernandão e Luan (Patrik ou Carmona). Notem a quantidade de jogadores entre parênteses.

O Ceará, comandado pelo objeto de desejo de boa ala de conselheiros, Estevam Soares, tem dois desfalques importantes: Diego Sacoman, zagueiro que está machucado, e Osvaldo, principal atacante do elenco. Com dois ex-palmeirenses em campo, o que significa que são candidatos fortes a marcarem algum gol, o Vozão vem para o jogo com Fernando Henrique; Boiadeiro, Fabrício, Thiago Matias e Vicente; João Marcos, Heleno, Michel e Thiago Humberto; Washington e Felipe Azevedo.

Sem nenhuma polêmica nos últimos dois dias, o time teve a chance de focar nos trabalhos dentro de campo, o que nos dá uma boa perspectiva. A atitude mostrada no segundo tempo em Florianópolis pode ter servido para elevar a confiança e aguçar a ambição dos atletas. É com essa esperança que esperamos um ótimo resultado no Canindé, para tirar a zica: Palmeiras 4×1, com gols de Kleber, Kid, Luan e Maikon Leite. O deles, claro, do Dumbo.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Próxima Página »