Verdazzo!

A arte de apanhar em público e sorrir

30 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Política, Verdazzo

Mustafá Contursi continua batendo na atual administração do Palmeiras. Desta vez, em entrevista ao jornalista Marcelo Belpiede, reafirmou que não votaria novamente em Arnaldo Tirone, entre outras críticas pesadas.

Tirone, que vem fazendo uma gestão catastrófica, apanha em público e sorri. Ainda quer a reeleição, e sabe que precisa do padrinho. Por isso, aguenta as pancadas na esperança que, daqui um ano, consiga reverter a situação.

O atual mandatário do Verdão esperava que, com as demissões anunciadas há pouco mais de uma semana, Mustafá se sentiria agraciado e que voltaria a ter seu apoio. Julgava estar fazendo uma grande jogada política. Agora não tem mais nenhuma carta na manga e continua precisando do apoio, e não tem mais nada a dar em troca.

Na verdade, tem. Duas posições estratégicas na administração Tirone só estão lá por ordem de Mustafá: Piraci de Oliveira, no jurídico, e Marcos Bagatella, nas finanças. É hora de Tirone dar o ultimato a Mustafá: ou pára de bater em público, ou demite esses dois. Será que ele tem coragem?

A imagem do atual presidente do Palmeiras infelizmente é a pior possível. Dentro do próprio clube, já houve uma campanha com adesivos o chamando de banana – o que o deixou furioso.

É uma pena que a situação do time, diante de tudo o que aconteceu este ano, não o tenha deixado furioso da mesma forma.

Se Tirone quer mesmo mostrar que não é um banana, em vez de fazer declarações grosseiras aos sócios, deve agir como presidente. Por enquanto, só está apanhando… e sorrindo…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Ai que dor de barriga…

29 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

O atacante Adriano não apareceu no treino do SCCP hoje pela manhã. Mandou avisar que estava com uma “indisposição estomacal”…

Pois é… semana de Derby não é fácil, né Adriano?

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

A repressão está de volta?

28 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Política, Verdazzo

A jovem oposição do Palmeiras continua se mostrando bastante atuante após a grande manifestação de 24 de outubro. No último sábado foi feito um grande protesto a favor das eleições diretas nas dependências do clube. Os sócios carregaram faixas por todos os cantos que não se encontram em obras, e receberam sonoro apoio da maioria absoluta dos associados – inclusive aqueles já com idade um pouco mais avançada. Um dos comentários mais ouvidos era “pois é, já passou o tempo desse pessoal que está aí”… Surpreendente!

Seguranças do clube foram acionados para coibir a manifestação. Sem truculência, solicitaram que as faixas, que não eram indecorosas nem desrespeitosas contra ninguém, fossem recolhidas. Era nítida a situação de desconforto dos funcionários, que deixavam claro que só estavam fazendo aquilo por temerem por seus empregos. Os manifestantes, na base do diálogo, conseguiram manter o plano de serem vistos por todo o clube para só então enrolarem as faixas, que em hipótese alguma ferem qualquer artigo do estatuto.

A repercussão foi grande. No domingo, dia da semana que os situacionistas ainda conseguem circular pelo clube sem serem hostilizados pela imensa maioria, muitos conselheiros se mostravam indignados com as faixas. O conselheiro Eugênio Reynaldo Palazzi, diretor da sindicância, chegou a dizer a altos brados que “dez palhaços” ousaram carregar as faixas e que tinham que ser expulsos do clube. Associados que participaram do manifesto ouviram a bravata e foram tirar satisfação, e teve início um grande bate-boca.

O presidente Tirone entrou na conversa, e entre muitas cobranças e acusações, defendeu os maus resultados de sua gestão até agora dizendo que é culpa da gestão passada que deixou o clube numa situação muito ruim. Pressionado, quis saber quem andou espalhando adesivos pelo clube caracterizando-o como banana, referindo-se a um episódio que ocorreu há várias semanas. E desafiou: “Estão falando que eu sou um banana? Vou mostrar a banana aqui no meio das minhas pernas”.

O cenário, como os leitores podem perceber, é abaixo da crítica. Diretores, ao serem criticados, ameaçam com sanções disciplinares. O presidente mostra absoluto despreparo, tanto nas atitudes, quanto nas declarações.

O movimento jovem de oposição vai tomando forma definitiva e está cada vez mais forte. Os associados vão se rendendo a essa condição e cada vez mais mostram apoio à causa. Há uma luz no fim do túnel. Entretanto, neste momento, diante das ameaças do conselheiro Palazzi de ressuscitar os métodos repressores tão vistos na época de Mustafá Contursi, essa luz está um tanto quanto encoberta. Vamos aguardar se realmente será aberta a sindicância contra os valorosos oposicionistas, que não fizeram nada a não ser exercer legitimamente o sagrado direito de emitir uma opinião.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Emburradinho

28 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

Vejam só quem ficou todo emburradinho após a conclusão da primeira fase da operação Espírito de Porco

Tchau, Libertadores…

Pânico

28 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Matérias, Verdazzo

O técnico do SCCP tem dado muita sorte nos últimos jogos. Tite é um grande perdedor, uma espécie de Cuca que estudou o dicionário. Desacostumado às vitórias, está confundindo a fase afortunada que vem atravessando nestas rodadas decisivas com o tal do “me-re-ci-men-to”. Em português claro: ele está se achando.

A entrevista que concedeu ontem ao final do jogo em Florianópolis foi absurda. Além da frustração por não ter conseguido o título antecipadamente, mesmo com a vitória, demonstrou ao mesmo tempo o verdadeiro pânico de perder o campeonato justo para o Palmeiras – e ele sabe o que vai acontecer com seu emprego se isso se confirmar. Pior, terá perdido para Felipão, a quem deve muito pelo início da carreira e a quem virou as costas, declarando-se inimigo.

A hipocrisia de Tite parece não ter fim. Todos se lembram que em 2008, quando o Inter disputava as finais da Sulamericana, ele enviou o time reserva para enfrentar o São Paulo, e tomou de 3 a 0, prejudicando a todos que disputavam aquele campeonato. Dois anos depois, em 2010, criticou Felipão e o Palmeiras por fazer o mesmo, usando palavras fortes.

Além de hipócrita, o técnico corintiano parece que, mesmo aos 50 anos de idade, não sabe ainda o significado da palavra rivalidade:

É muito pobre o cara o se motivar só para querer ferrar o adversário, para não falar outra palavra. Eu não tenho esse tipo de sentimento. Até porque eu já fui técnico lá um dia e tenho um respeito à entidade muito grande. Eu não fico contente com o sofrimento de quem for, seja o Palmeiras ou outro. É muito pequeno e um desrespeito do próprio trabalho e do nosso.

O que você quer, Tite? Que o Palmeiras entre com o pé mole? É assim que você quer ser campeão? É isso que você chama de me-re-ci-men-to?

Rivalidade, Tite! Se existe alguma coisa que mantém o futebol vivo, ela se chama rivalidade. Quem viu a reação da torcida do Palmeiras no Pacaembu ontem, no anúncio dos gols do Vasco, principalmente no segundo, teve a exata dimensão do significado desta palavra – inclusive a torcida do SPFC, que teve uma aula.

Logo você, Tite, não entende o que quer dizer uma palavra terminada em “lidade“?

Tite, você já demonstrou que não tem o menor apego a valores, manipulando as palavras com seu discurso rebuscado apenas para defender seus interesses. Mas nessa, além da hipocrisia, demonstrou absoluto PÂNICO.

Você está apavorado, Tite. Confessa aí, vai…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Durmam bem!

28 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

Verdazzo seleciona uma angelical imagem para embalar o sono dos gambás durante toda esta semana. Sweet dreams!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Palmeiras 1×0 SPFC

27 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

Domingo inesquecível no Pacaembu. O Palmeiras venceu o inimigo histórico, praticamente o tirou da Libertadores do ano que vem, e ainda acompanhou a vitória dramática do Vasco sobre o Fluminense no Engenhão, o que empurrou a decisão do título para a última rodada, semana que vem – e quem pode tirar o título do eterno rival somos justamente nós. Mesmo fazendo uma temporada ridícula, o Natal de 2011 ainda pode ser mais feliz para a torcida palmeirense do que para as dos outros dois times da capital paulista. Como o mundo do futebol dá voltas – e rápido…

Felipão escalou o time certo dentro do que tinha disponível, mas o posicionamento do time ainda não foi o mais adequado. Valdivia e Patrik se posicionaram muito distantes entre si, diminuindo a chance de envolver a marcação das meninas. Ricardo Bueno com isso se mexia muito, e Luan não conseguia produzir nada, quase sempre isolado.

Já o time de Leão, conforme o previsto, tinha extrema dificuldade em criar jogadas, já que veio para o jogo com três volantes no meio-campo, sem meias para alimentar o ataque com Dagoberto pela direita, Luís Fabiano pelo meio e Fernandinho pela esquerda. Se Cicinho levava vantagem sobre Fernandinho, o mesmo não se podia dizer de Gerley sobre Dagoberto, e tivemos problemas pelo setor. O inimigo abusou das faltas no primeiro tempo, e teve Denilson, Wellington e João Felipe amarelados – e Denilson não foi expulso por benevolência da arbitragem no lance final do primeiro tempo. O Palmeiras foi ligeiramente melhor nos primeiros 45 minutos, que teve uma bola na trave de cada lado.

O segundo tempo começou bastante aberto, com os ataques prevalecendo sobre as defesas. Foi uma sucessão de duas chances abertas de gol para cada lado, todas concluídas para fora: Luan, Luís Fabiano, Valdivia e Fernandinho. Até que aos 12, numa falta da intermediária, o Palmeiras finalmente marcou um gol numa jogada em que várias vezes já nos vitimou: Marcos Assunção bateu da esquerda a falta em diagonal, em direção ao canto oposto, vários jogadores do Palmeiras podiam chegar para cabecear, e o goleiro nunca sabe se alguém vai escorar ou não, ela passou direto, pingou na linha da pequena área e morreu no canto. Festa no Pacaembu.

Leão tentou reforçar a criação com Bibaldo e Marlos, tirando Dagoberto e Cícero. Mas foi Gerley quem quase ampliou, batendo forte de fora e obrigando o goleiro de hóquei a trabalhar. O jogo continuou quente, e Piris perdeu um lance claro, ao cabecear para fora, sem goleiro. Aí Leão pirou e colocou William José no Juan, deixando a esquerda bem mais frágil. Infelizmente Felipão não aproveitou a brecha e tirou Patrik, que poderia explorar bem aquele flanco, para colocar Chico – e o jogo ficou mais amarrado no meio-campo.

Àquela altura, a maioria dos palmeirenses já estavam muito mais preocupados com os outros jogos da rodada, principalmente depois que o placar eletrônico do Pacaembu anunciou o gol do lixo em Florianópolis. Uma tensão enorme diante da perspectiva da trágica definição do campeonato com uma rodada de antecedência, frustrando nossos planos para o Derby final.

Felipão colocou João Vítor no Cicinho, pela direita, e trocou o centroavante, colocando Fernandão no jogo. O inimigo teve sua última chance no jogo numa cabeçada de Luís Fabiano que Deola defendeu muito bem. Pouco depois, o anúncio do primeiro gol do Vasco fez a massa alviverde enlouquecer no Pacaembu. Os gritos da torcida não apenas saudaram o adiamento da definição do campeonato, como empurraram o Verdão pra cima do inimigo, e em grande jogada coletiva, Valdivia deixou Fernandão na cara do gol; ele bateu cruzado, no contrapé, mas a bola bateu na trave, nas costas da goleira e saiu em escanteio – inacreditável, mas tudo era festa – até que poucos minutos depois veio o banho de água fria: o anúncio do gol de Fred, que voltava a definir o título por antecipação.

Sofremos uma pequena pressão no final, mas o empate não esteve nem perto de acontecer. Vimos aquele que pode ter sido o fim da carreira de Bibaldo – que volta a ser o grande Rivaldo se confirmado, apesar da pequena mancha rosa no final da carreira – numa expulsão por um lance bobo com Gerley. A verdade é que nem estava dando para comemorar muito, principalmente com a informação do fim do jogo em Florianópolis. O Palmeiras ganhou o jogo, vencemos os bambis e complicamos demais a ida deles à Libertadores. Mas com poucos minutos para o fim do jogo no Engenhão, um sorriso amarelo e uma melancolia se abateu sobre a torcida.

De repente, um alarido, que como numa onda imediatamente se transformou num imenso estrondo revelava: era gol do Vasco! Campeão antecipado o cazzo, vão ter que jogar com a gente e vir buscar a faixa aqui! A vibração no Pacaembu foi de uma torcida que naquele momento teve a absoluta certeza que, se depender do Palmeiras – não dos jogadores, nem da comissão técnica, muito menos da diretoria, mas de uma coisa muito maior que é a instituição Palmeiras, o gambá não vai ser campeão. Foi uma espécie de transe coletivo onde nos projetamos uma semana à frente no tempo, com a certeza de que nossa parte será inexoravelmente cumprida, com direito a sentir toda a alegria desse momento que ainda está por vir, e ao som de “Doutor, eu não me engano, FDP é corintiano!” – Momento mágico, histórico.

Não existe corintiano no mundo que não esteja se borrando de medo. Muitos podem estar tentando demonstrar confiança externamente para diminuir a sensação de terror. Estão tentando se enganar. Eles sabem que vão precisar, e muito, da mãozinha do Flamengo e da CBF, de quem seu presidente acabou de virar diretor. Porque se depender de vencer o Derby do próximo domingo para ser campeões, eles estão lascados.

Atuações:

Deola: a queda abrupta de rendimento no fim do ano, principalmente nas bolas altas, preocupa demais. 5
Cicinho: parece ser um jogador que acompanha a fase do time. Quando o ambiente fica bom, joga bem. Este clássico foi um ótimo exemplo disso. 8,5
Leandro Amaro: as últimas boas atuações lhe deram auto-confiança em excesso, e errou bolas importantes por conta disso. Baixa a bola! 6
Henrique: assim como Cicinho, bastou o ambiente melhorar que voltou a exibir um grande futebol. 8,5
Gerley: atuação irregular, alternando ótimos desarmes e até boas participações no ataque, com passes bisonhos e erros pimários de marcação. 5,5
Marcio Araújo: boa atuação na marcação, mas sempre acompanhada de panes mentais inacreditáveis. 6,5
Marcos Assunção: além do gol, deu botes e carrinhos na marcação do meio-campo que levantaram a torcida – o que mascarou um pouco o fato de que ele continua dando espaços. 8
Valdivia: mais uma partida vistosa, com personalidade e passes para gol – se os caras erram, não é culpa dele. E ainda conseguiu passar sem levar cartão, mostrando foco. 9
Patrik: distante de Valdivia, não participou como poderia. Mesmo assim teve uma bola incrível nos pés, no fim do primeiro tempo, que acabou na trave. 6,5
Ricardo Bueno: taticamente foi bem, encaixando no esquema proposto por Felipão, mas esbarrou na execução, fazendo uma partida tecnicamente muito ruim. 4
Luan: depois de um primeiro tempo horrível, destacou-se no segundo, participando de jogadas coletivas e puxando contra-ataques impressionantes. Ele não cansa nunca. 7,5
Chico: fechou bem o meio, embora não tivesse sido a melhor opção no momento. Culpa do Felipão, não dele. 7
João Vítor: entrou para fazer a direita no Cicinho, que cansou. Jogou pouco. S/N
Fernandão: embora tenha jogado pouco, conseguiu criar uma jogada de gol e ainda mandou uma na trave – faltou muito pouco para se consagrar como artilheiro dos clássicos. 6,5
Felipão: mesmo tendo mexido errado, não aproveitando a avenida que Leão lhe ofereceu, tem o mérito de ter finalmente colocado o time para a frente desde o início – mesmo que tenha sido por não ter mais aspirações ou riscos. 6,5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

O dia em que o atacante Gaúcho pegou dois pênaltis

27 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Como aconteceu em toda a década de 1980, o Palmeiras sofria no Campeonato Brasileiro de 1988. O técnico Ênio Andrade tentava tirar leite de pedra, a equipe era muito inconstante, o ataque não funcionava, a torcida reclamava de nomes que entravam quase todo jogo, mesmo jogando mal; enfim, coisas que aconteceram normalmente com esse nosso time de 2011, por exemplo.

Teria sido mais um campeonato pífio daquela década para o time, a não ser por uma única lembrança positiva: o atacante Gaúcho, promessa do Flamengo, que veio do Santo André prometendo marcar 50% dos gols do time, mas que se destacou naquele ano por defender dois pênaltis. Isso mesmo!

Naquele Brasileirão, a CBF instituiu que todo jogo que terminasse empatado teria que ser decidido nos pênaltis. Além do ponto que cada time ganhava, o vencedor nos pênaltis ganharia mais um ponto.

O jogo contra o Flamengo aconteceu no dia 17 de novembro de 1988, uma quinta-feira, às 21h30, no Maracanã. No dia do jogo, a Folha destacava que o Palmeiras poderia vender o meia Edu, 21 anos, para o Atlético de Madrid, da Espanha. O jogador ficou irritado com o técnico Ênio Andrade, que o tirou da partida contra o São Paulo por indisciplina.

O Palmeiras ameaçava não jogar a partida, por conta de um imbróglio com o Clube dos Treze. Esse é um assunto complexo, que não vamos abordar aqui em virtude do espaço, em outra coluna eu falo sobre isso. O time resolveu em cima da hora que iria jogar e foi para o Rio de Janeiro, ‘reforçado’ por Tato e Lino, liberados pelo departamento médico.

Dois dias depois, em 19 de novembro de 1988, a Folha trazia uma manchete no caderno de esporte: O ‘goleiro’ Gaúcho quer marcar gols na França. Como tudo que acontece de inusitado no futebol ganha destaque por vários dias, Gaúcho era o assunto do momento. Os detalhes sobre o jogo e os dois pênaltis defendidos estão na matéria abaixo:

Ficar mais um ano no futebol brasileiro e depois tentar a sorte na Europa, de preferência na França. Depois de virar herói defendendo dois pênaltis na vitória contra o Flamengo, anteontem à noite, o centroavante palmeirense Gaúcho, 24, já está planejando o futuro. Vai até pedir para a TV Globo uma fita com seus gols e entrevistas para que um empresário francês o apresente para possíveis interessados.

“O Belenenses quis me contratar este ano, mas não pretendo ir para Portugal ou Itália. Tem muito brasileiro jogando por lá, queimando a fita”, disse ontem. Se os franceses não o quiserem, Bélgica, Suíça e até Turquia entram na sua lista de preferências. Seu passe pertence ao Santo André e custa 15.500 OTNs (cerca de Cz$ 60 milhões). Foi o preço fixado para o Palmeiras comprá-lo até dezembro.

Gaúcho só não sabe se vale a pena incluir também as defesas que fez, sem luvas, nas cobranças de pênaltis, depois do empate em um gol nos 90 minutos contra o Flamengo, no Maracanã. Ele espalmou os chutes de Aldair e Zinho.

Sua atuação serviu para dobrar o prêmio pago aos jogadores. Cada um vai receber Cz$ 300 mil pelos dois pontos ganhos. Ajudou também o atacante a reforçar o que vem dizendo para os colegas de equipe: “O Palmeiras perde para vários times na técnica, mas se usar a garra pode vencer os jogos”.

Gaúcho substituiu Silvio no intervalo do jogo. Aos 15min, o lateral-esquerdo Denys foi expulso e o centroavante teve de ajudar no meio-campo. “Teve um lance em que o Zico veio com a bola para cima de mim. Quando tentei cercá-lo, ele deu dois toques rápidos e passou direto. É craque”, disse.

O treinador nem queria que Gaúcho ficasse atrás. “Só quando o Flamengo tinha a bola nos pés”, explicou. Mas aos 43min, não hesitou em dizer “pode ir” para o artilheiro do time com seis gols. Zetti tinha fraturado a tíbia da perna direita e Ênio já havia feito as duas substituições permitidas. Gaúcho se ofereceu para o papel de dublê.

Ele brinca de goleiro nos ‘rachões’ do time. Autorizado, vestiu a camisa de Zetti. Nem bem se concentrou, viu Bebeto completar de cabeça um cruzamento de Zico e empatar o jogo aos 48min. “Achei que ele ia tocar a bola em cima de mim, mas o Bebeto só desviou. Não dava para pegar”, afirmou Gaúcho.

Na hora da decisão por pênaltis, obedeceu o conselho do treinador de goleiros Valdir de Moraes: “Jogador destro chuta no canto direito e o canhoto escolhe o lado esquerdo do goleiro”. Logo na primeira tentativa, Gaúcho descobriu que o macete de Valdir dá certo. “O Aldair bateu forte, mas no lado direito. Fui lá e defendi”, lembra.

Intuição

Confiante, o centroavante apostou também na intuição. Quando o ponta Zinho veio para a quinta tentativa do Flamengo, Gaúcho usou a memória e acertou em cheio. “Lembrei que vi o Zinho cobrar umas três vezes, sempre no canto direito e rasteiro”. Gaúcho defendeu. Só comemorou depois que o zagueiro Heraldo fez 4 a 3 e garantiu os dois pontos.

Para Gaúcho, o pior instante da partida foi mesmo quando teve de cobrar a penalidade vestido de goleiro. Ele gosta de olhar para a bola até o juiz apitar. “O barulho não me deixou ouvir o apito. Precisou olhar para o juiz e perdi a concentração”, explicou. Suspirou aliviado quando viu a bola entrar. “Já pensou se eu errasse?”, perguntou.

Gaúcho chegou de manhã em São Paulo junto com a delegação do Palmeiras, pensando um dormir um pouco no apartamento que divide com Silvio. Acabou indo do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) para os estúdios da rádio Jovem Pan, onde deu entrevista para uma locutora da FM. Em seguida, participou de um programa esportivo. Foi quando descobriu que virou herói das crianças. “Alguns pais falaram pelo telefone dizendo que a criançada torceu por mim”. (…)

Nos dois últimos jogos, ficou na reserva de Silvio, e nem sabe se vai começar jogando contra o Atlético Paranaense, domingo à tarde, no Parque Antártica.

Na mesma página, uma matéria sobre Zetti, que deveria ficar de fora de dois a três meses após quebrar a tíbia direita aos 43 minutos do segundo tempo, ao dividir uma bola com Bebeto. “O Bebeto não fez de propósito, mas acho que ele colocou o pé daquele jeito por medo de receber uma entrada mais dura do Zetti”, disse Gaúcho.

Confira mais sobre a partida no vídeo abaixo, matéria de Marcelo Rezende para o Globo Esporte do dia seguinte:

O técnico Ênio Andrade teria que escolher entre Ivan ou o jovem Veloso, titular dos aspirantes. Ivan ganhou a vaga e Veloso teve sua chance somente em 1989. Zetti não jogou mais pelo Palmeiras.

Na mesma edição ainda, a Folha fez um gráfico mostrando como Gaúcho defendeu as cobranças e dedicou outra parte da página para o mestre Valdir de Moraes falar de sua teoria sobre os batedores. Veja na imagem abaixo:

Aos poucos, a vida de Gaúcho foi voltando ao normal. Ele ainda concedeu entrevistas, posou para fotos, mas, em época pré-Twitter e pré-Globo Esporte de Tiago Leifert, não saiu muito disso.

No domingo seguinte, foi escalado como titular por Ênio Andrade contra o Atlético-PR. O time jogou mal (pra variar), empatou e perdeu nos pênaltis. Posteriormente, não passou para a segunda fase e terminou o campeonato na zona intermediária.

O torcedor palmeirense prosseguiu em seu calvário nos anos 1980 – ainda faltavam quatro anos para a chegada da Parmalat e cinco anos para sair da fila, no Paulistão de 1993. Mas, pelo menos, o torcedor podia – e pode – falar, com orgulho, que nosso atacante foi para o gol e defendeu duas cobranças de pênaltis.

Essa é mais uma daquelas coisas, boas ou ruins, que só acontecem com o Palmeiras…

* Thell de Castro é jornalista e publica todos os domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Pré-jogo: Palmeiras x suspiro

27 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

O Palmeiras começa a missão espírito de porco esta tarde no Pacaembu, onde recebe seu inimigo e deve fazer de tudo para acabar com sua última aspiração em 2011. O fato é que se o Verdão conseguir frustrar seus planos de classificação para a Libertadores, o ano de 2011 terá sido igualmente nulo para os dois, em todos os sentidos, e o parâmetro de comparação ficará bem mais ameno – mesmo sendo a comparação de quem é pior, e não o contrário.

Leão acenou com uma formação ofensiva, e a provável escalação é: Rogéria Ceni; Pirisa, Joana Filipa, Rodholfa e Juana; Wellingta, Denilsa e Cícera; Fernandinha; Luísa Fabiana e Dagoberta. O meio-campo com três volantes terá dificuldades em abastecer o ataque, e tem tendência a bater bastante – o que deve comprometer o esquema com uma expulsão ainda no primeiro tempo, já que terão pela frente um Valdivia que aparenta estar com a inspiração e a motivação de volta.

O Palmeiras tem desfalques principalmente na zaga. Mauricio Ramos está de fora já há algum tempo, e Thiago Heleno sentiu uma lesão durante a semana e também não joga. Nossa zaga será formada por Leandro Amaro e Henrique, com o menino Wellington no banco. Com o time sem defender nenhuma grande responsabilidade a não ser a honra, Felipão tem a chance de colocar o time mais solto em campo. A formação também deve ser ofensiva, com Patrik e Valdivia abusando em cima das volantas. O time vai a campo com Deola; Cicinho, Henrique, Leandro Amaro e Gerley; Marcio Araújo, Marcos Assunção, Patrik e Valdivia; Ricardo Bueno e Luan.

Muita atenção numa provável marcação do árbitro para tirar Valdivia, pendurado, do jogo contra seu time do coração na semana que vem.

Uma vitória no Pacaembu, além de igualar os resultados de 2011 entre nós e o inimigo – nenhum título e não-classificados para a Libertadores, renderá aos atletas um bicho bem reforçado, e elevará de forma muito significativa o moral do grupo para o jogo mais importante do campeonato, aquele que poderá sacramentar o fracasso do SCCP na busca pelo título. Senhores, todos ao Pacaembu!

E fiquem de olho em seus arredores. Se ouvirem algum suspiro, é bambi.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Suspiro???

25 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

O link foi enviado por um leitor e remete a um forum bambi.

Esses sãopaulinos são incrivelmente afeminados. Vejam essa:

“…nem cogite a possibilidade de ficar em outro lugar que não a torcida do SPFC. Você soltar um simples suspiro em um ataque do SPFC em qualquer setor da torcida palmeirense é pior do que circular no meio dela com uma camisa do Corinthians. Não é exagero. Esses caras nos odeiam. Eles levam muito a sério o dito que “Corinthians é rival, nós somos inimigos”.

E a numerada é ainda pior. Conselheiros e diretores porcos suportam torcedores do SPFC menos do que a Mancha em relação à TTI.”

Duvida? Ta aqui ó, bem no fim da página…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Green Friday

25 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

Judas no Grêmio

24 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

R.I.P. Avanti

23 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Marketing, Política, Verdazzo

Meu plano Avanti venceu este mês. Descobri isso ao tentar comprar o ingresso para o clássico de domingo pela Internet.

O site do programa indicou: “Você ainda não é usuário AVANTI. Clique aqui e associe-se já!“. Lá foi o tonto tentar clicar no “aqui“. O link é pegadinha, não funciona.

Depois de comprar ingressos através do programa para uns 830 jogos, descobri que meu extrato não existe mais, ou seja, qualquer benefício que eu poderia conseguir como em qualquer plano de fidelidade evaporou-se.

Sem problemas: ligo no número de atendimento ao associado e resolvo, certo?

O hino na guitarra de Marcos Kleine é a música de espera. Cheio de chiados, cortado no meio, o som irrita em vez de ser agradável – ainda mais depois de ser ouvido repetidamente por dezoito minutos. Até que a operadora finalmente atendeu.

Expliquei que gostaria de renovar meu plano. Depois de perguntar meu CPF, ela quis saber se era a primeira vez que eu ligava – até agora tento entender no que isso influenciaria no atendimento. Respondi que sim. Fiquei por mais dois ou três minutos na espera, e a menina me informou que não seria possível renovar o plano, que estava “passando por reformulações, por ter muitos pontos falhos e estar causando confusão nos usuários”.

Ainda tentei dialogar, dizendo que para a minha necessidade – comprar ingressos – o plano não deixava nenhuma dúvida, e que eu gostaria de continuar. A resposta continuou a mesma, as renovações estavam suspensas e a previsão para reativação do plano é de três meses.

Fiquei pensando qual seria a resposta da moça caso eu tivesse dito que é a décima-quinta vez que eu ligo. Será que o plano seria renovado, ou será que pelo menos ela responderia rápido que não seria possível, ou da mesma forma ainda faria a pausa de três minutos para consultar alguma coisa – ou talvez de terminar o capítulo dos emocionantes Contos Sabrina que ela poderia estar lendo?

O Avanti tinha de fato suas falhas. Mas isso não é motivo para suspender o plano, interromper as atividades. Na prática, o programa foi encerrado, mesmo que volte a ser oferecido no futuro, como prometeu a mocinha – embora eu não acredite nisso nem um pouco. O programa era lucrativo para o clube e, dependendo do perfil do torcedor, satisfatório.

Correntes no clube alegam que o programa era deficitário – o que é explicado pelo primário sistema de cobranças do clube: todas as receitas do programa vêm através de pagamento com cartão de crédito, e as operadoras fazem um depósito bruto, sem discriminar as contas de quem comprou uma coxinha na lanchonete de uma mensalidade do Avanti. Daí eles dizem que o programa dá prejuízo. Na verdade, a decisão de suspendê-lo tem a mesma origem das demissões noticiadas na noite de segunda-feira: política. Nada que venha das gestões passadas resiste, com exceção da Arena – e olha que eles tentaram.

E assim o Palmeiras joga mais dinheiro no lixo, deixa seus torcedores/consumidores mais insatisfeitos e enterra a credibilidade do plano de sócio-torcedor, já que é pouco provável que depois do Onda Verde e do Avanti, alguém ainda seja trouxa de se filiar a qualquer programa oferecido pelo clube.

Eu tenho vergonha da atual diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Facão

22 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Política, Verdazzo

O Palmeiras anunciou a demissão de profissionais que prestavam serviços ao clube desde a gestão passada. Sergio do Prado, gerente administrativo do futebol; André Sica, assessor jurídico, responsável pelos contratos dos atletas e pela nossa defesa no STJD; e a Líbero, que fazia a assessoria de imprensa foram comunicados no início da noite de ontem que não fazem mais parte dos planos da atual gestão.

Assim que Arnaldo Tirone assumiu a presidência, Mustafá Contursi sempre declarou ser contrário à presença desses profissionais, e já começou a cobrar a fatura, pressionando por suas demissões. O motivo é apenas vingança política: Mustafá não engole o fato do clube remunerar pessoas que não tenham sido colocadas lá sem suas bênçãos – e pior ainda: foram contratadas por Belluzzo. O grupo de demitidos junta-se a Juan Brito, gerente de marketing afastado há cerca de dois meses, outro profissional que sempre esteve na mira de Mustafá.

A um dos assessores de imprensa, Tirone teria dito que a causa das demissões foi a “pressão política dos grupos de apoio“. Pouco depois, em entrevista à Rádio Bandeirantes, talvez avisado da estupidez da declaração anterior, justificou a atitude com um prosaico e inacreditável “motivo nenhum” (!!!). Diante da insistência dos entrevistadores, emendou: “ninguém é eterno“. Esse é o presidente do Palmeiras.

Além da ordem de Mustafá, cada demissão envolve outros interessados. Para a assessoria de imprensa, estão cotados Acaz Fellegger, assessor pessoal de Felipão, odiado por dez entre dez jornalistas – mas o favorito é Olivério Junior, que presta serviços a Mustafá e tem boas ligações com Kia Joorabchian, que continua por trás do fundo que financia o futebol do SCCP. Já a assessoria jurídica do futebol tende a cair no colo de Piraci de Oliveira, que já é o diretor jurídico do clube e fiel escudeiro de Mustafá Contursi há quase uma década – o maior responsável pela lista negra que impediu dezenas de palmeirenses de se associarem ao clube na época pós-rebaixamento.

A saída de Sergio do Prado escancara o enfraquecimento de Roberto Frizzo, cada vez mais rainha da Inglaterra depois da chegada de César Sampaio. É o fim de uma longa queda de braço, que tinha como pivô Galeano, que convenceu a todos que Sergio do Prado, um profissional competente, tido como “caxias”, era nocivo ao grupo – na verdade, foi uma vendetta pessoal pelo fato de Galeano ter tentado encobertar da diretoria uma balada dos jogadores no Rio, ainda na época de Antonio Carlos Zago, e que Sergio do Prado relatou. O ex-gerente era uma das poucas resistências na Academia de Futebol ao tráfego livre das chamadas ratazanas. Se tínhamos vazamentos antes, agora a tendência é uma sangria desatada. Quem está cotado para a função é um velho conhecido dos tempos mustafistas: ninguém menos que Ilton José da Costa, torcedor do Santos, ex-árbitro, com passagens pelo próprio Palmeiras entre 2004 e 2006, e depois SCCP, Santos e Catanduvense (!).

Se há um lado bom na demissão de Sergio do Prado é que o clima deve ficar realmente mais leve, apesar da injustiça. Felipão, que andou tenso durante todo o ano pela simples presença do gerente administrativo na Academia de Futebol, o que o fez inclusive perder o foco no time por várias ocasiões, agora está feliz. Cada vez mais rodeado pelas verdadeiras ratazanas, envenenado, agora não vai ter mais justificativas para perder a mão do time.

O Palmeiras perde mais uma vez para sua política. O trabalho de André Sica no jurídico sempre foi tido como um dos mais competentes – basta nos lembrarmos das incontáveis vezes que ele absolveu Diego Souza quando o meia era vítima de feroz perseguição dos auditores do STJD. Já o trabalho de da Líbero é unânime entre os setoristas do Palmeiras e dos outros clubes: de longe, o mais competente. A organização das coletivas, a prontidão nas respostas e o relacionamento com os profissionais de imprensa influenciam no ambiente da Academia de Futebol – é fácil concluir que haverá prejuízo técnico com a saída desses profissionais. E tudo isso tem apenas uma causa: vingança pessoal de Mustafá Contursi contra a administração anterior.

Enquanto não tivermos eleições diretas no Palmeiras, isso sempre irá acontecer.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

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