Verdazzo!

Palmeiras 0×1 Mirassol

31 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

E o Palmeiras conseguiu. O time abusou do direito de errar e acabou sendo derrotado pelo Mirassol, que estava em apenas 14° lugar no campeonato, e que não vencia havia cinco partidas. Foi também a primeira vitória do time do interior contra um grande desde 2008, quando subiu à série A1 do Paulista, e apenas a segunda derrota de um grande para um pequeno em todo o campeonato.

Felipão poupou Marcos Assunção da partida, e armou o meio-campo com Wesley na esquerda e João Vítor na direita, ambos apoiando Daniel Carvalho; Maikon Leite e Barcos mais uma vez fizeram o setor ofensivo. A formação não funcionou, principalmente pelo monstruoso volume de passes errados, tanto na saída de bola quanto no desenvolvimento da jogada. Wesley errou jogadas facílimas em que ficou mais do que nítida a falta de ritmo – e mesmo assim foi escalado exatamente no lado oposto em que atua. O cara joga em todas na direita, mas o Bigode mandou ele pra esquerda. Assim fica difícil.

Jogando contra um time relaxado, que não temia o rebaixamento nem aspirava mais à classificação, o Palmeiras encontrou muita dificuldade. A primeira chance foi de Wesley, que recebeu passe em profundidade pela esquerda, entrou livre mas nem chutou nem cruzou. Logo em seguida, o Mirassol encaixou um contra-ataque numa bobeada do nosso setor esquerdo, e Samuel escapou livre para bater forte, raspando o ângulo. Nossa resposta veio rápido: Daniel Carvalho acertou bela enfiada para Wesley, que dessa vez bateu certo, buscando o canto oposto, mas a bola saiu por muito pouco.

Era só questão de acertar a execução das jogadas e manter a atenção nos contra-ataques do Mirassol. Pois não aconteceu nem uma coisa nem outra. Além de abusar dos erros, o time dormiu na marcação, e por mais de uma vez o time do interior chegou com perigo ao gol de Deola, coisa muito rara em toda esta temporada. Assim, depois dessa pequena pressão, o Palmeiras não fez mais nada em todo o primeiro tempo, irritando os quase nove mil pagantes que foram ao Pacaembu.

O time voltou sem alterações, demorou cerca de dez minutos mas finalmente iniciou uma blitz sobre o gol de Fernando Leal. Num lance de escanteio, Wesley dominou e bateu, o goleiro defendeu, a bola resvalou em um zagueiro e Leal defendeu de novo; pouco depois, Wesley recebeu na meia-lua, em condições de marcar, mas tropeçou na bola e atrasou a jogada, mesmo assim conseguiu bater e Leal defendeu com agilidade. O gol tinha amadurecido e era só forçar mais um pouco.

Aí Felipão tirou Artur pra entrada de Chico, e Wesley, que estava começando a se achar em campo, foi para a lateral direita. Mudou tudo: até então, estávamos forçando pela esquerda, com Juninho e Wesley, com a mexida, desmontou o lado esquerdo, e o direito continuou não funcionando. E como diria o poeta Ramalho, a bola pune: três minutos depois, o Mirassol fez seu gol: a defesa estava toda desarrumada; embora a jogada não fosse veloz; quem ficou na direita foi Barcos, que foi fintado por Preto. Sem cobertura, ficou fácil: apenas com Deola pela frente, ele tocou com categoria por cima de nosso goleiro, e abriu o placar.

Aí Felipão abriu tudo, no desespero: trocou Wesley por Ricardo Bueno, e logo depois trocou Daniel Carvalho por Carmona. Depois de tomar uma pequena pressão do Mirassol, partiu com tudo pra cima tentando o empate, mas teve só uma chances, com Maikon Leite, que continua sem aprender que quando se entra em diagonal tem que bater cruzado. A sensação de impotência era flagrante, e com 37 minutos muita gente já deixava o estádio.

A derrota pode ser atribuída principalmente aos erros de passe, ao pouco interesse do time, e às más mexidas de Felipão. Não deve ser suficiente para causar nenhum rebuliço, mas é para ficar esperto. Temos um jogo de mata-mata na quarta, e esta postura não pode se repetir de forma alguma. Que se aprenda a lição.

A torcida ainda precisa ter paciência com Wesley, apesar do jogo ruim de hoje. Ainda dá para culpar a falta de ritmo, e os erros que ele cometeu são típicos. Além de tudo, Felipão o tratou como se já estivesse no time há anos, o que o prejudicou. Mais duas semanas e ainda dá pra aliviar, depois, aí sim, vai ter que performar.

Atuações:

Deola: o melhor do time. Não teve o que fazer no gol e evitou vários outros. Na melhor das defesas, uma falta na gaveta, cobrada por Xuxa. 8,5
Artur: partida medíocre, com muitos erros de passe. Mostrou bem que sua origem é zagueiro. 5
Mauricio Ramos: um horror, cometeu vários erros infantis e proporcionou uma coleção de chances ao Mirassol. 1
Henrique: não ficou muito atrás do parceiro, extremamente desconcentrado e até com alguma soberba: tentou sair driblando e deu contra-ataques perigosos. 3
Juninho: fechou a noite tétrica da linha defensiva com um índice de passes errados assombroso. 4
Marcio Araújo: sem Assunção do lado, parecia perdido, sem referência. 5
João Vítor: errou praticamente tudo o que tentou. 2
Wesley: partida absolutamente infeliz, mas será poupado pelos motivos já explicados no post. 5
Daniel Carvalho: mesmo com uma média alta de erros de passes, pelo menos eram passes ousados que buscavam deixar o companheiro em condição de arremate. 7
Maikon Leite: por onde anda Dario Leon Muñoz? 5
Barcos: jogou muito mais fora da área do que de costume. Tentou resolver tudo de qualquer jeito: pegava a bola, virava o corpo e batia, mesmo claramente bloqueado. 5,5
Chico: entrada incompreensível. Apesar de estar no elenco há muito tempo, sofre do mesmo mal de Wesley, porque não tem sequência. 4
Ricardo Bueno: veja bem… se você for ver o video dele no YouTube, ele até que é bom… 1
Carmona: entrou numa baita roubada, com o time desarrumado e desinteressado. Ele também não fez lá muita coisa. 4
Felipão: vai chegar em casa e lavar muita, mas muita louça. Capaz até de sujar umas de graça só pra ter que lavar. ZERO.


E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Partidazzo: Colo-Colo 0×1 Palmeiras (2009)

31 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Partidazzo, Verdazzo

Partidazzo de Cleber Zerrenner

A Libertadores de 2009 começou decepcionante e terminou frustrante para nós, palmeirenses. Mas confesso que foi um dos recentes campeonatos que eu mais gostei de assistir, pois durante a competição o Palmeiras gravou momentos que ficarão pra sempre na minha memória, como o Partidazzo em que o São Marcos defendeu três pênaltis contra o Sport.

Aquele ano prometia muito. Luxemburgo recém Campeão Paulista, apesar do quase-fracasso no Brasileirão, nos botou na Libertadores, melhorou o CT do clube e conseguiu aquela parceria com a Traffic que parecia o paraíso. Investimos pesado naquele traidor do Keirrison, que chegou mostrando muito faro de gol no Paulistão. Até o Lenny deitou e rolou naquele começo de ano.

Porém, na primeira fase da Libertadores, as coisas não foram como esperávamos. Após perder as duas primeiras partidas, uma delas ridiculamente por 3×1 para o Colo-Colo em pleno Palestra, o Verdão ficou na corda bamba até o último jogo da primeira fase, justamente a volta contra o Colo-Colo lá no Chile. E graças a resultados alheios, o universo conspirou e deixou nosso time a uma vitória simples da classificação.

Eu, meu primo e minha namorada decidimos assistir ao jogo em um bar onde sabíamos que ia ter telão com o jogo do Palmeiras. Chegando ao bar tivemos uma surpresa desagradável: o espaço estava dividido com um telão exibindo Colo-Colo x Palmeiras e outro telão exibindo Atlético-PR X SCCP pelas oitavas-de-finais da Copa do Brasil, ambos sem o som da narração, o que deixou muita gente sem saber o que estava acontecendo nos jogos. Era um ambiente tenso, cheio de palmeirenses e gambás, cada um torcendo pelo seu time e torcendo contra o rival.

O Colo-Colo começou o jogo com a mesma cara que terminou a primeira partida do Palestra Italia: gastando tempo e catimbando muito. Estava na cara que enquanto eles não precisassem marcar, eles só iriam defender e enrolar. E o Luxemburgo mandou o Palmeiras pra tentar resolver logo. Uma surpresa muito grande foi a escalação do menino Souza, aquele volante ruivo com sardas, que jogou muuuuuuita bola nessa partida e dava toda a pinta de que seria nosso novo Pierre, esse que aliás fez uma de suas melhores partidas nesse dia. Com o time jogando pra cima, foi uma sequência impressionante de ataques velozes e chutes perigosos. Em dois deles o Judas9 meteu na trave. O Colo-Colo jogava na base do contra-ataque e bolas aéreas e não assustou muito. Enquanto aguardávamos o detalhe da bola entrar na rede, pudemos lá no bar comemorar três gols do Atlético-PR, que ia deixando o SCCP longe da Libertadores 2010.

A bola voltou a rolar no segundo tempo e o palmeirense sentiu na pele o que é ser palmeirense. Pierre que estava em partida monstra sentiu uma pancada e foi atendido. Voltou mancando pro jogo e milagrosamente salvou com o peito uma bola na pequena área que já tinha deixado São Marcos batido. Era um lance pra vibrar muito, mas ele caiu e pediu pra sair. Guerreiro demais, como foi nos bons tempos. Marcão, o zagueiro perna de pau, de forma infantil levou 2 cartões em 5 minutos e ficamos com um a menos. Diego Souza também deixou o time, depois de se sentir mal.

Pra piorar tudo, o SCCP, que tinha começado o jogo minutos antes do nosso, havia marcado dois gols após os 40 minutos do segundo tempo, diminuindo para 3 a 2 a diferença e levando aquela vantagem dos gols fora de casa para o segundo confronto. A gambazada explodiu lá no bar e com o fim do jogo deles, metade do bar virou uma torcida do Colo-Colo, com muitas provocações por verem o Palmeiras deixar a Libertadores de forma lenta e dolorosa. Esse momento foi tensão máxima com princípios de brigas. Tinha tudo pra dar errado.

A narração do José Silvério no fone de ouvido só deixava tudo mais dramático, porque a TV tinha um delay que mostrava a imagem uns 20 segundos depois do que ouvíamos no rádio do meu primo.

O Palmeiras continuou no “Deus nos acuda” até o finzinho. Até que aos 42 minutos do segundo tempo do rádio meu primo gritou gol, e começou a pular feito louco. Como eu já sabia que ele tava ouvindo o jogo com segundos antes da TV entrei na comemoração com muito desabafo! Palmeirenses e gambás no bar não sabiam o que estava acontecendo, rolou muita expectativa e poucos segundos depois no telão, Cleiton Xavier recebeu uma bola na intermediária; ameaçou um chute, brecou, foi pra lá, pra cá, tirou o marcador da jogada e mandou um petardo que fez muito palmeirense pensar em uma fração de segundo “nããão, trabalha a bola”. Mas o petardo foi com endereço certo, na gaveta do goleiro chileno que se esforçou muito mas não conseguiu evitar o golaço. Nesse momento eu já estava em cima da cadeira quebrando tudo e mandando todos os gambás praquele lugar. O bar veio abaixo.

Com muita secação gambá, ainda passamos um sufoco nos minutos finais e aí nosso Santo Goleiro, que não tinha trabalhado muito durante o jogo, mostrou que se garante mesmo debaixo de muita pressão. Tirou uma bola com a pontinha dos dedos que foi seguida pelo apito final e a vaga garantida pra enfrentar o Sport naquele jogo de oitavas-de-finais mágico que já foi retratado aqui no Partidazzo.

Que pena que faltou raça e força ao Palmeiras nas partidas contra o Nacional (URU), que nos eliminaram nas quartas-de-finais, pois aquele time prometia muito. E ficou só na promessa mesmo, tanto no Paulista, quanto na Libertadores, quanto no Brasileirão. Uma pena.

Ainda sim, na minha cabeça guardarei memórias mágicas daquela Libertadores, que teve momentos inacreditáveis, como esse gol espírita do Cleiton-X.

Cleber Zerrener é palmeirense e lutador de MMA na categoria peso-pesado, e pleiteia um lugar junto a Dana White no UFC.


29/04/2009
COLO-COLO 0×1 PALMEIRAS
Libertadores da América – Primeira Fase

Estádio: Monumental (Santiago, Chile)
Árbitro: Carlos Torres (PAR)

Colo-Colo: Muñoz; Figueroa, Mena, Riffo e Salcedo; Sanhueza, Meléndez (Jara), Rodrigo Millar e Macnelly Torres (Caroca); Carranza (González) e Lucas Barrios. Técnico: Gualberto Jara
Palmeiras: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Marcão; Wendel (Willians), Pierre (Evandro), Souza, Cleiton Xavier e Armero; Diego Souza (Ortigoza) e Keirrison. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Gol: Cleiton Xavier aos 42 do segundo tempo..


Envie seu texto para a seção Partidazzo pelo e-mail conrado@verdazzo.com.br

Pré-jogo: Palmeiras x Mirassol

31 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

Novamente como mandante no Pacaembu, o Verdão encara o Mirassol pela 17ª rodada do Paulistão, ainda sob efeito de mais uma contusão de Valdivia. Como o chileno não vinha em boa fase, podemos atribuir o fato mais uma vez à providência divina, assim como foi com Luan, que não saía do time nem a pau e precisou de uma contusão para que Felipão o sacasse.

Na verdade, no caso de Valdivia, o importante não era nem a saída do chileno, mas sim o aproveitamento de Daniel Carvalho, que hoje é o cara que claramente assumiu a liderança técnica do time. Felipão até podia armar o time com os dois, mas como não se sentia muito confortável, acabava optando apenas por um – sempre Valdivia. Agora, é obrigado a escalar nosso barril. Ótimo. Maikon Leite volta da “indisposição estomacal”, e ao que parece, Román está ganhando a vaga de Leandro Amaro. Cicinho deve ser poupado e a provável escalação é Deola; Artur, Román, Henrique e Juninho; Marcio Araújo, Marcos Assunção, Wesley e Daniel Carvalho; Maikon Leite e Barcos. O argentino já é citado pela imprensa por estar num jejum de gols: dois jogos sem marcar. É mole?

O Mirassol é mais um time do interior que, a exemplo do Bragantino, decidiu apostar na estabilidade do treinador como trunfo. Ivan Baitello permanece à frente do time amarelo dese janeiro de 2011, e conhece muito bem todo seu elenco. O Mirassol, que está em 14º lugar na tabela – não aspira mais à classificação, nem teme o rebaixamento – está na Série A desde 2008, e desde então jamais conseguiu vencer um time grande. Vindo de cinco jogos sem vitória, nada indica que isso vai acontecer hoje. Baitello não terá o lateral Eric, mais um com os tais “problemas estomacais”, mas de resto poderá contar com força máxima: Fernando Leal; Samuel, Matheus Ferraz, Dezinho e Willian Simões; Sérgio Manoel, Alex Silva, Luciano Sorriso e Xuxa; Preto e Henrique Dias.

É fim de mês, e o público não deve ser grande no Pacaembu. O time também não deve jogar com o pé no fundo, e a vitória deve acontecer naturalmente, mais pelo desinteresse do adversário: 2 a 0, com gols de Juninho e Marcos Assunção. Barcos, com a chuteira zicada da contagem regressiva, vai ficar mais um jogo sem marcar e a imprensa vai começar o apavoro pra valer. Com o Palmeiras é assim…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Troféu Chinelo 2012

29 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Cala a boca, Justus!

29 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Roberto Justus, torcedor do SPFC e aspirante a cartola, resolveu falar mais besteiras. Até aí, nenhuma novidade: basta perder alguns preciosos minutos de nossas vidas assistindo aos programas de TV que ele participa para constatar que isso é uma tendência irreversível.

Só que agora ele resolveu falar do Palmeiras. Em entrevista ao repórter Renan Prates, disparou:

“O São Paulo é superavitário, o São Paulo não precisa fazer vaquinha para contratar jogador. Outros clubes fizeram e não deu certo. Espero que [o São Paulo] não tenha nunca que fazer”

O cidadão já está numa idade um tanto avançada e talvez já esteja sendo acometido por algum distúrbio na memória. Por mais que seu clube tente escamotear a História, ela está escrita, e se hoje o SPFC existe, foi graças a uma ação popular na década de 30, o famoso Jogo das Barricas, quando Palmeiras e SCCP jogaram um torneio amistoso, com participação da Portuguesa e do próprio SPFC, cuja renda foi arrecadada em barricas na porta do estádio Palestra Italia e foi toda destinada ao SPFC, às portas da falência. O recorte de jornal abaixo não deixa dúvidas.

UM APPELLO AO PÚBLICO

Como é do conhecimento público, a renda do torneio futebolístico de hoje será em benefício do SPFC. Dessa forma esse clube faz, por nosso intermédio, um appello a todos os sócios dos conjuntos que participarão do festival para contribuirem com sua ajuda, adquirindo ingressos, apesar de lhes assistir o direito de entrada franca.

A LIGA ABRIU MÃO DE SUA PERCENTAGEM

A Liga de Futebol do Estado de São Paulo, num gesto de louvável sentimento de solidariedade, abriu mão da percentagem que lhe cabia na renda do festival.

Mas nem é necessário voltar tanto no tempo para ver que o clube é useiro e vezeiro em passar o chapéu. Há pouco mais de dois meses, o clube ensaiou fazer exatamente a mesma coisa com Nilmar, mas nem chegou a lançar a campanha porque não conseguiu acordo com o jogador. Apenas dois meses depois, esse néscio tem a ousadia de provocar o Palmeiras com uma declaração dessas.

Justus, você  já havia sido demitido da minha televisão com cinco minutos de seu programa, por isso não posso demiti-lo de novo. Mas mandá-lo calar a boca, eu posso.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Paulista 0×1 Palmeiras

29 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

Foi no sufoco, mas no final o Verdão conseguiu mais uma vitória, e segue torcendo por apenas um tropeço dos concorrentes diretos pela liderança. O jogo em Jundiaí marcou a estreia de Wesley, mas o que mais saltou aos olhos foi que se alguém tinha alguma dúvida sobre quem deve ser o maior responsável pela armação de nossas jogadas, agora não tem mais.

Felipão mandou a campo a formação tradicional, com três volantes, um meia e dois atacantes. A novidade ficou por conta dos nomes: além do estreante Wesley, Vinicius saiu jogando, em mais um claro esforço de vender o rapaz antes que ele assine um pré-contrato e saia de graça, embora a desculpa oficial tenha sido uma indisposição estomacal de Maikon Leite. Outra surpresa ficou por conta da dupla de zaga: Mauricio Ramos e Román, no lugar de Henrique, sabidamente desfalque por estar suspenso, e Leandro Amaro, com uma gripe.

E o Palmeiras começou mal. Wesley estava nitidamente fora do jogo, tanto tecnicamente – a já manjada, porém real falta de ritmo – como taticamente. O novo reforço era um peso morto em campo, e com um a menos na prática, o time teve dificuldade em articular jogadas. Quem poderia compensar com o talento, não o fez: Valdivia estava muito mal, não buscava jogo, não distribuía a bola, não fazia nada. Assim, mais uma vez Barcos ficou isolado e coube a Vinicius, quem diria, criar a primeira chance de gol em jogada individual – mas a conclusão foi sem força e nas mãos do goleiro.

Na única boa participação de Valdivia no jogo, ele recebeu o toque de pivô de Barcos e deu um tapa para Wesley, que vinha na corrida; o estreante não ajeitou bem o corpo para a batida e mais uma vez a bola foi exatamente onde estava Vagner. E o jogo seguia em banho-maria, com o Paulista muito aplicado na marcação e com extremo cuidado para não fazer faltas, temendo o potencial de Marcos Assunção. Sem as bolas paradas, com Wesley fora do jogo e com Valdivia em noite apagada, as coisas estavam muito difíceis para o Verdão.

Felipão percebeu o problema e mexeu no time no intervalo, sacando Vinicius e colocando Daniel Carvalho, montando o time exatamente como pedimos neste post. Valdivia foi para a esquerda, Barril ficou no meio e Wesley pela direita, os três se aproximando da área. E foi o melhor momento do time no jogo. As tabelas ficaram mais fáceis, as faltas da defesa do Paulista tornaram-se inevitáveis. Houve mais chances na bola parada – mas foi na bola rolando mesmo que tivemos a melhor chance, em jogada individual de Daniel Carvalho, que enfiou o canudo para defesa de Vagner, que mandou para escanteio.

O gol parecia apenas questão de tempo, mas aí duas mexidas aos 15 desmontaram o time: Wesley deu lugar a João Vítor, e um minuto depois Valdivia aparentemente levou uma pancada na cabeça e teve que deixar o campo, para entrada de Ricardo Bueno. Como segundo atacante, mais pela esquerda, o camisa 9 deu ao time a mesma cara do primeiro tempo, e o ritmo mais uma vez caiu.

Daniel Carvalho, ao menos, mantinha vivas as esperanças de um lance mais agudo. Com a perna esquerda calibrada, arriscou vários bons lançamentos por trás da zaga. Mas surpreendentemente o melhor lance acabou saindo dos pés de Marcio Araújo, que em mais uma de suas arrancadas a la Mazinho conseguiu finalmente acertar o passe e deixou Barcos no mano a mano com o zagueiro. O primeiro corte, para a direita,  foi perfeito – era só bater no canto oposto e fazer a pose de pirata. Mas o argentino inventou de cortar de novo,  para a esquerda, aí perdeu ângulo e facilitou para Vagner, que defendeu a pedrada.

Sem mais alterações, o time agonizava. A torcida já se resignava com o empate, as cornetas nas listas de e-mails já soavam mesmo antes do apito final, até que Marcos Assunção ligou com João Vítor na intermediária; o volante dominou bem, puxou um pouco para a direita, o suficiente para tirar do zagueiro e achar uma brecha; e então bateu de chapa, buscando a gaveta esquerda de Vagner – a bola ainda bateu na trave e foi morrer beijando a rede lateral, no canto oposto. Chorado!

Aí foi só segurar alguns minutos de pressão do Paulista e comemorar a vitória. O time assim permanece a apenas dois pontos da liderança e evita um início de pressão negativa que poderia chegar caso o time ficasse dois jogos seguidos sem vencer. Além disso, evidenciou que Daniel Carvalho é titular absoluto. Se sai Valdivia, ou Maikon Leite, é problema do Felipão. Próximo jogo é sábado, às 18h30 no Pacaembu, contra o Mirassol, e então faltarão apenas mais dois jogos para o início do Campeonato Paulista.

Atuações:

Deola: bastante exigido nas bolas aéreas, e foi bem em todas. 7,5
Cicinho: não desceu tanto quanto podia. Seria uma boa chance de desenvolver o entrosamento com Wesley. 6,5
Mauricio Ramos: não errou nem aquela famosa que tem todo jogo. Boa partida. 7,5
Román: também passou o jogo sem sustos, embora passe uma insegurança danada. No escanteio, ele não fica no bolo, marca o lateral do lado oposto. Nanico. 6,5
Juninho: também ficou mais preso do que de costume, mas quando subiu, fez boas triangulações com Barril e Barcos. Tem que ser mais acionado. 7
Marcio Araújo: recuperou-se parcialmente do Derby desastroso. Bem na marcação e razoável no apoio. 7
Marcos Assunção: teve poucas chances na bola parada, então resolveu com ela rolando mesmo: mais uma assistência. 7,5
Wesley: tímido, sem ritmo e desentrosado. 5,5
Valdivia: noite sem nenhuma inspiração. Aparentou estar muito incomodado quando foi filmado no banco. Está sentindo que sua batata está assando. 4
Vinicius: entrou para aparecer bem no jogo e subir o valor do passe. Bah… 5,5
Barcos: mais uma vez a bola chegou pouco. Mesmo assim, fez seus pivôs e encheu o saco da zaga. 6,5
Daniel Carvalho: sua entrada deu consistência ao time, com tabelas, lançamentos e jogadas individuais. O nome do jogo. 8,5
João Vítor: não vinha fazendo nada até ser iluminado na jogada do gol. Como diria José, E QUE GOLAÇO! 8
Ricardo Bueno: ele se esforça tanto quanto o Luan. Erra tanto quanto o Luan, e não marca como o Luan. 4
Felipão: os motivos para as alterações na escalação inicial são um mistério. Se ele não tinha se convencido no domingo que o Barril não pode ficar no banco, agora, se não o escalar, vai ser por pura teimosia. 6

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Pré-jogo: Paulista x Palmeiras

28 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

Começa a reta final da preparação para o Paulistão. Serão quatro jogos até a fase final, para a qual já estamos aritmeticamente classificados, embora a imprensa não tenha mencionado uma vírgula sobre o fato. O Verdão vai a Jundiaí enfrentar o Paulista, e a grande novidade será a presença de Wesley, no mínimo já no banco de reservas.

O time tem como maior missão ratificar que a derrota no Derby não fez maiores estragos e que segue tranquilo sua preparação. Daniel Carvalho está de volta, recuperado do edema na coxa. Henrique está suspenso pelo terceiro amarelo e é desfalque. Tinga, Patrik e Fernandão sequer foram relacionados. O provável time: Deola; Cicinho, Leandro Amaro, Román e Juninho; Marcio Araújo, Marcos Assunção, João Vítor (Wesley) e Valdivia; Maikon Leite e Barcos.

O Paulista, que começou bem o campeonato, sofreu uma queda brusca mas recuperou rendimento, e tenta voltar ao G8. O técnico Luís Carlos Martins terá os desfalques do meia Dener, suspenso, e do atacante Cassiano Bodini, vetado, e deve mandar a campo a seguinte formação: Vagner; Samuel Xavier, Diogo, Diego Ivo e Reinaldo; Madson, Wellington, Bruno Formigoni e Fabrizzyo; Renan Marques e Rychely.

Se Wesley não for escalado de início, a torcida no Jayme Cintra vai pedir por ele assim que começar o segundo tempo: UU-ÉSLEI! UU-ÉSLEI! Mas seria reamente bom se Felipão sacasse o Maikon Leite e colocasse o Barril ao lado do Valdivia, fazendo uma trinca com Wesley na aproximação a Barcos. Será? Para 9.500 pagantes no Jayme Cintra, o Verdão ganha por 2 a 1 e segue na contagem regressiva…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Assobia, Bigode!

28 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

No post anterior, escalamos uma das possíveis formações do time, após o anúncio da contratação de Wesley. A escalação proposta, no 4-5-1, tem uma enorme vantagem em relação a qualquer outra: com um único assobio do Felipão, pode virar um esquema completamente diferente, sem prejuízo técnico em nenhuma das posições.

Com Chico se convertendo num terceiro zagueiro, fazendo o papel do Edmílson na Copa de 2002, Cicinho e Juninho ficam completamente liberados para apoiar. Valdivia muda de lado, Barril cai para a esquerda, e Wesley recua para a marcação. Marcos Assunção também inverte o lado. E o técnico do adversário enlouquece.

Com um pouquinho de criatividade e algum tempo para treino, isso é perfeitamente possível.

Clique no Felipão para fazer ele assobiar e mudar o esquema; clique de novo para voltar ao anterior.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Pode escalar, Bigode!

27 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

Com a chegada de Wesley, que já podia estar treinando com o elenco há mais de um mês, o time dá um belo salto na qualidade. Confira que bela escalação.

Pode escalar, Bigode!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Agilidade e rapidez!

27 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

Wesley finalmente foi apresentado. Em sua apresentação, nada de periquito ou porquinho. Tivemos uma simpática tartaruga. Nada mais apropriado!

(em tempo: a tartaruga chama-se Tortuguita e é um dos mascotes da Arcor, nova patrocinadora dos omoplatas da camisa. Talvez a empresa tenha ajudado a inteirar o dinheiro dos direitos sobre o jogador – a conferir)

 

Créditos da imagem: César Greco, fotógrafo oficial do Palmeiras.
Caso o clube ou o fotógrafo se sintam prejudicados pelo uso da imagem, por favor, entrem em contato pelo e-mail abaixo e a postagem será retirada do ar imediatamente.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Oxigenação

27 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Política, Verdazzo

O Conselho Deliberativo da SEP realizou ontem assembleia ordinária, e o principal tema da pauta foi a eleição de conselheiros vitalícios para preencher as vagas dos que já tiveram direito a seus minutos de silêncio. Um conselheiro, ao se tornar vitalício, pela própria definição, fica dispensado de ter que disputar eleições de quatro em quatro anos.

Na prática, sem precisar se submeter ao voto dos associados, o conselheiro se livra de manter, aos olhos dos palmeirenses, postura de defesa aos interesses da SEP, podendo fazer parte livremente do vergonhoso toma-lá-dá-cá da política do clube. É claro que não são todos os vitalícios que tomam essa postura, não se trata de uma generalização, mas de uma constatação da tendência diante do comportamento verificado ao longo dos anos. A vitaliciedade, destinada a absurdos 49,3% das cadeiras disponíveis, apesar de ter propósitos razoáveis, acaba sendo um dos maiores cânceres do clube.

Na eleição de ontem, o conselho rejeitou todos os candidatos, que precisavam de 50% dos presentes mais um voto para serem eleitos. Assim, as cadeiras felizmente permaneceram vagas, mantendo o Conselho, que ainda respira por aparelhos, com um mínimo de oxigenação. Parabéns a grupos como o Fanfulla, Famiglia Palestra e Nova Pró*, cujos conselheiros compareceram ao plenário para votar em branco, evitando assim que os votos válidos fossem suficientes para aumentar o número de cadeiras vitalícias ocupadas.

(*correção: nem todos os conselheiros dos grupos Famiglia e Nova Pró votaram em branco. O único grupo que votou em branco em bloco foi o Fanfulla)

Outra ação urgente para oxigenar o Conselho Deliberativo é afastar das funções os conselheiros que não comparecem às sessões por três vezes seguidas ou cinco alternadas, conforme reza o estatuto em seu artigo 87:

Art. 87 – O C.D. declarará a interrupção do mandato e perda dos direitos correspondentes, ao Conselheiro que deixar de comparecer a 3 (três) reuniões oficiais consecutivas ou 5 (cinco) alternadas, sem motivo justificado, durante um mandato. A justificativa far-se-á por escrito, ao Presidente do C.D. até 30 (trinta) dias a após a ausência, e será julgada na reunião seguinte do C.D.

Os conselheiros que encontram-se nessa situação atualmente são:

  • Antonio Laurenti
  • Antonio Manoel Alves Teixeira
  • Armando Butrico
  • Bernardo Oswaldo Francez
  • Dorival Malvezzi
  • Dorival Xavier de Oliveira
  • Eduardo Contador
  • Eduardo Oliva Pereira de Mello (correção – não tem nenhuma falta)
  • Estevam Magro
  • Fábio de Campos Lilla
  • Flávio Del Comuni
  • Francisco Paulo Ippolito Neto
  • Geraldo Bersani
  • João Baptista Lancellotti
  • João Marino
  • José Gimenez Lopes Junior
  • José Gomes Lemos
  • José Ítalo Pellegrini
  • Márcio Papa
  • Nelson Alvares Ricelli
  • Nelson Moyses Giuramo
  • Olavo Reale
  • Pedro Lagonegro
  • Pellegrino Giannoni Neto
  • Salvador Olavo Reale

Entre os citados, existem alguns que estão bastante adoentados, mas que não usaram da prerrogativa prevista no estatuto de fazer uma justificativa por escrito até 30 dias depois das faltas. Lamentamos por suas condições de saúde, mas não se pode rasgar e estatuto, e o Presidente do Conselho tem que cumprir suas obrigações.

José Ângelo Vergamini, além de não cumprir seu dever incluindo na pauta petição assinada por 81 conselheiros solicitando alteração estatutária para a realização das eleições diretas, também falta com suas obrigações ao não interromper o mandato dos colegas que flagrantemente desrespeitam o artigo 87 do estatuto do clube.

O Palmeiras precisa de conselheiros atuantes, que estejam constantemente em contato com os associados, e que façam por merecer dia após dia seus votos, não apenas comparecendo às sessões, mas efetivamente defendendo os interesses da SEP. O Conselho Deliberativo precisa de oxigenação, para a sobrevivência do clube.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Eu não tenho pena

26 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

Aprendi quando era criança a não desejar o mal para ninguém. Admito que, quando é com esse sujeito, isso não é tão fácil.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

SCCP 2×1 Palmeiras

25 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Verdazzo

O Palmeiras teve o resultado nas mãos, mas tomou dois gols bobos. O time sofreu com a arbitragem, mas também não fez sua parte para poder reclamar. No final, a derrota não foi injusta e deixou algumas lições bastante claras. Perder um Derby é sempre dolorido, e este ainda teve os agravantes de vir junto com a perda de uma invencibilidade de 22 jogos e da liderança do campeonato. Tanta pancada tem que ter um lado positivo, que só existirá se as lições forem aprendidas.

O Verdão começou o jogo muito melhor, dominando as ações no meio-campo e construindo as chances de gol até com certa facilidade, principalmente pelo lado direito do ataque, em cima dos fraquíssimos Castán e Fabio Santos. No primeiro lance claro, depois de triangulação entre Valdivia, Cicinho e João Vítor, este cruzou na medida para Barcos, livre. O argentino tentou o cabeceio direto, da marca do pênalti, mas errou o alvo – se tivesse tido mais calma, poderia ter colocado no peito e escolhido o canto.

Pouco depois, Valdivia arrancou pelo meio e foi derrubado por Chicão. O árbitro recuou o local da falta cerca de cinco metros. Mesmo assim, Assunção bateu muito bem, e a bola lambeu o ninho da coruja. Mas aos 17, ele foi pra rede ao receber um passe de Valdivia, e bater forte, da intermediária. A bola sofreu um leve desvio nas costas de Leandro Castán, e essa será a desculpa de Julio Cesar para a encolhida no braço. 1 a 0, merecido.

Aí o Palmeiras começou a errar e a perder o jogo: a maldita mania de apenas jogar no erro do adversário. Com a vantagem, o time não teve a disposição de ir pra cima para aumentar a diferença e o problema do inimigo. O Verdão simplesmente parou de agredir, e viu o adversário intensificar a pressão, na nossa saída de bola. E foi assim que o time permitiu ao SCCP assumir o controle do jogo.

É verdade que o árbitro cumpriu o que se esperava dele, e fez vistas grossas para a pancadaria sobre nossos jogadores – e aí não estamos falando apenas de disputas duras, mas de agressões claras que mereciam expulsão: primeiro, Liedson entrou com a sola no abdômen de Deola, na pura maldade; depois Chicão quase quebrou a perna de Barcos. Além disso, amarrou o jogo enquanto tivemos o domínio, marcando uma série imensa de faltas inexistentes – a pior delas ainda viria no segundo tempo. Apesar do árbitro, o Palmeiras ainda perdia para si mesmo: mais uma vez, lance claro de gol, Barcos deixou Valdivia na cara de Julio Cesar, mas o chileno em vez de tocar no canto preferiu driblar o goleiro e acabou ficando sem ângulo. O Verdão ainda teria mais uma chance com Marcos Assunção, de falta, mas a arbitragem deixou que a barreira avançasse – a cobrança, que tinha o endereço certo, acabou parando no bloqueio.

Apesar do domínio, o Palmeiras precisaria retomar no segundo tempo a atitude do início do jogo se não quisesse tomar sufoco, pois ficou claro que o controle tinha mudado de mãos. Mas não foi o que se viu, quem voltou do intervalo com toda a iniciativa foi o adversário, que contou mais uma vez com a arbitragem e com um pouco de sorte para empatar o jogo: aos 4, numa disputa de bola normal pelo lado esquerdo de nossa defesa, o juizão viu falta. Jorge Henrique cobrou, a bola desviou na cabeça de Leandro Amaro e bateu no corpo de Marcio Araújo, se oferecendo limpa para Paulinho, que fuzilou, da linha da pequena área, empatando o jogo.

Dois minutos depois, um castigo, com falha dupla. Ainda sob efeito do gol de empate, em nova falta vinda do lado direito do ataque deles, a bola viajou e caiu dentro da pequena área. Marcio Araújo disputava com Liedson, levou azar e acabou tocando para dentro do gol. Gente Boa teve, obviamente, culpa no gol, mas 90% da responsabilidade deve ser atribuída a Deola – a bola era dele.

Tendo tomado a virada com seis minutos, o time ficou nocauteado, e virou presa fácil. Uma goleada podia ter se desenhado nos primeiros quinze minutos, com duas chances claríssimas: na primeira, Emerson judiou do Leandro Amaro e cruzou para trás, Deola tentou cortar e foi vencido; Liedson tocou para o gol mas Juninho salvou sobre a risca. Logo em seguida, o SCCP costurou uma boa tabela e Edenilson saiu na cara do gol, bateu bem, mas Deola fez grande defesa, de mão trocada, buscando uma bola que iria no ângulo.

O Palmeiras se recuperou das pancadas e voltou para o jogo. A primeira tentativa de Felipão foi tirar o inútil Maikon Leite para colocar o que tinha à disposição: Ricardo Bueno. Depois tirou Cicinho para colocar Pedro Carmona, puxando Marcio Araújo, que se revezou com João Vítor, para a direita. Com dois meias, o time melhorou, e as tabelas voltaram a acontecer. Quando Tite reforçou a marcação no setor, Felipão tirou João Vítor e colocou Artur, mandando Marcio Araújo de volta ao meio. O Palmeiras continuou mais ofensivo, mas a perda na qualidade no apoio na direita com essas trocas foram gritantes. Artur falhou em todas as tentativas de apoio, e o domínio até era traduzido em chances, que não chegavam à finalização porque o último passe, de Artur, não chegava redondo.

O árbitro continuava apitando de forma tendenciosa, e aos 25 deixou de dar um pênalti sobre Valdivia – após boa tabela com Carmona, o chileno foi derrubado por Leandro Castán. O domínio existia, mas era inócuo, parando na marcação do adversário. A chance seria mesmo na bola parada, e ela veio: aos 43, Assunção bateu falta na área, Henrique subiu mais que a zaga e testou firme, buscando o canto direito, mas a bola saiu por pouco. E ficou nisso. Fim da invencibilidade, perda da liderança. E pior que tudo: derrota num Derby.

Lições claras:
- time não pode se satisfazer com uma vantagem de um gol. Tem que continuar buscando marcar mais para ter uma vantagem mais confortável e manter o jogo sob controle.
- só temos um atacante, que é Barcos, e Fernandão é apenas seu reserva. O resto, pode embrulhar tudo. Não temos ninguém para jogar ao lado do argentino. Ou Felipão monta o time no 4-5-1 agora que Wesley será finalmente disponibilizado, ou a diretoria tem que ir às compras com urgência.
- Daniel Carvalho é titular absoluto. Se não for para jogar com dois meias, com o Barril à disposição, Valdivia é banco.
- não dá para contar com Artur no apoio quando o caminho é pela direita, o que estava muito claro desde antes do jogo começar, foi cantado no pré-jogo.
- continuamos à mercê das arbitragens bandidas e canalhas. E nosso conselheiro Marco Polo Del Nero, que manda na FPF, adquiriu muita influência na CBF, agora é conselheiro na FIFA.

Ainda dá para recuperar a liderança e ter o mando nas fases finais, estamos a um tropeço de distância de SPFC e SCCP e faltam quatro rodadas. A invencibilidade era legal mas na prática não significava nada. O que temos mesmo é que consertar o que precisa para chegarmos fortes nos jogos que valem troféu. Faltam quatro rodadas para começar o Campeonato Paulista.

Atuações:

Deola: depois de ter falhado no segundo gol, fez uma excelente defesa – mas provavelmente essa pressão nem existiria se não tivéssemos tomado a virada. 3
Cicinho: só pode ter saído por cansaço ou por contusão. Não pode haver outra explicação. 7,5
Leandro Amaro: foi presa fácil para Emerson. Deu mais sustos do que soluções. 4
Henrique: só caiu de rendimento na hora da pane geral. Quase empatou o jogo no final. 7
Juninho: pouco acionado no apoio, acabou sendo importante ao evitar sobre a linha o terceiro gol, que poderia chamar uma goleada. 7
Marcio Araújo: teve azar no primeiro; o gol contra podia ser evitado. Pior que isso foi mesmo a atuação com bola rolando: o velho Gente Boa. Que pena. 2
Marcos Assunção: cumpriu uma função pouco vista até então: pressionou o juiz. No mais, a excelência de sempre nas bolas paradas, e uma certa irregularidade na marcação. 8
João Vítor: quando apareceu, foi importante para furar a defesa do adversário. Mas se omitiu, aparecendo menos do que podia. 5,5
Valdivia: hoje já é nítido que está abaixo de Daniel Carvalho. Pelo que se espera dele, ficou devendo. 6,5
Maikon Leite: mais uma partida ruim em sua trajetória irregular no clube. Jogar bem contra o Botinha é fácil. 4
Barcos: perdeu uma chance claríssima, mas participou da articulação de outras duas, desperdiçadas pelos companheiros. 6,5
Ricardo Bueno: outro que até tem seus bons momentos contra os pequenos. Precisamos de mais que isso. 4
Carmona: sua entrada melhorou o time, que voltou a mandar no jogo. 7
Artur: todo mundo sabe que seu forte não é o apoio, mas entrou com essa função. Aí não vira. 5
Felipão: a entrada de Bueno no Maikon Leite não tinha alternativas muito melhores. Mas sacar o Cicinho para por o Carmona, pra depois tirar o João Vitor e por o Artur não deu para entender. Era mais fácil mandar o Carmona no João Vítor, manter o Cicinho que vinha bem e ainda guardar uma mexida. 4,5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Alex nos deu pelo menos uma alegria em 2002

25 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Há exatamente 10 anos, como o Verdazzo enfatizou no último dia 20 de março, o meia Alex, ídolo do Palmeiras, hoje na Turquia, fez um golaço que entrou para a história do futebol brasileiro.

Pelo Torneio Rio-São Paulo, o Palmeiras venceu os bambis por 4 a 2, com direito à obra-prima de Alex, que passou pelos zagueiros, deu um chapéu em Rogério Ceni e completou para o fundo do gol.

O fato mereceu, claro, uma chamada de destaque na capa da Folha de S. Paulo do dia 21 de março de 2002, uma quinta-feira. “Alex comemora seu gol na vitória de 4 a 2 sobre o São Paulo no Morumbi, que garantiu ao Palmeiras a liderança isolada do Torneio Rio-SP; o meia passou por um zagueiro e deu um chapéu no goleiro Rogério Ceni antes de marcar”.

O feito, claro, abriu a capa do caderno de Esportes da edição. Vamos ler alguns trechos da matéria, que foi escrita por Eduardo Arruda e um jornalista ‘querido’ pelos palmeirenses, Ricardo Perrone.

Em um jogo de seis gols, belas jogadas, gol de placa de Alex, um começo surpreendente e um final dramático, o Palmeiras quebrou o encanto do São Paulo, que vinha de seis goleadas, embaladas por um futebol vistoso no Rio-SP.

O clássico mais badalado do torneio justificou ontem a expectativa que gerou. Graças a um início arrasador, os palmeirenses venceram por 4 a 2, diante de quase 50 mil pessoas, o melhor público no Morumbi neste ano.

O resultado recolocou o Palmeiras na liderança do Rio-SP, com 26 pontos, três a mais que o seu oponente de ontem, ex-líder – desde a última semana, os palmeirenses vinham mostrando ciúme do rival, que atraía a maior parte da atenção da mídia.

(…)

De tanto reclamarem que os holofotes estavam voltados para o clube do Morumbi e não para eles, os palmeirenses fizeram o rival provar de seu próprio veneno.

Acostumado a construir goleadas no primeiro tempo, a equipe de Nelsinho já perdia por 3 a 0 com 27 minutos de jogo. Considerado por sua própria torcida uma equipe eficiente, mas não brilhante, o Palmeiras enfim demonstrou um futebol empolgante.

A estratégia de Wanderley Luxemburgo, que havia prometido uma surpresa e escalou três volantes, funcionou, apesar de ser previsível. Magrão, Claudecir e Paulo Assunção impediram que as tabelinhas entre Souza, Kaká, França e Reinaldo acontecessem.

Bem marcados por Magrão e Paulo Assunção, Souza e Kaká tiveram dificuldade para se aproximar de seus atacantes. Dois volantes palmeirenses, aliás, marcaram os dois primeiros gols.

O time de Nelsinho se descontrolou e só assistiu à obra-prima de Alex, um gol em que zagueiro e goleiro foram chapelados.

Em outra matéria na mesma página, o técnico Luxemburgo pedia Alex na seleção.

O técnico do Palmeiras, Wanderley Luxemburgo, fez lobby para a convocação de Alex, melhor jogador em campo de ontem, para a seleção brasileira. Ele exaltou também o esquema de três volantes, que neutralizou o forte ataque são-paulino.

(…)

“Nós, dentro do nossos estilo, vencemos o São Paulo, um time de toque refinado, muito difícil de ser marcado. Meus jogadores estão de parabéns”, declarou Luxemburgo, voltando a admitir que a eliminação para o ASA, de Alagoas, na primeira fase da Copa do Brasil, ainda estava prejudicando a equipe.

(…)

“Eu falei para o Alex que ele é um atleta de alto nível, mas tinha de mostrar isso em campo. E o jogo de hoje era fundamental porque poderia ajuda-lo a ser convocado para a seleção. Ele teve uma atuação do Alex que eu conheço. Agora pode até confundir o Felipão”, declarou.

“Eu agradeço o Wanderley. Sei que posso atingir um nível melhor”, comentou o meia, que fez o gol mais bonito de ontem, ao aplicar dois chapéus – um no zagueiro Emerson e outro no goleiro Rogério.

Essa foi mais homenagem ao gol de placa de Alex, ainda mais em cima de quem – estamos esperando a placa no Morumbi até hoje.

Em dia de clássico, que isso sirva de incentivo para nosso jogadores. Independente do jogo valer algo ou não, já que ainda estamos na fase classificatória que não serve para muita coisa, tem que entrar para ganhar. Sempre!

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

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