Verdazzo!

O fantasma do bom e barato

4 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: Política, Verdazzo

A reformulação de elenco por que passa o Palmeiras, ao que parece, não tem fundo técnico, e sim financeiro. O clube, apesar de ter conseguido recentemente um empréstimo de R$15 milhões junto ao BMG, deve enfrentar nos próximos meses uma séria turbulência no fluxo de caixa, principalmente por investimentos em mobiliário para os prédios novos que estão em via de serem entregues. As dispensas de jogadores que compunham o elenco aparentemente aconteceram para que a diretoria pudesse amenizar as consequências.

Foram dispensados Gerley, Chico, Ricardo Bueno, Fernandão e ontem foi a vez de Pedro Carmona, que acertou com o São Caetano, onde tem a perspectiva de ser titular. O jogador recentemente teve um discreto aumento em seus vencimentos, num momento em que se valorizou pelo gol contra o Ajax. Daniel Carvalho era uma incógnita e não havia outros reservas para Valdivia além do limitado Patrik. Com a confirmação de que o Barril veio para jogar e a chegada do jovem Felipe, Carmona viu-se no limbo e topou uma tentativa de voltar à vitrine no time do ABC.

O fato é que nem todas essas dispensas tiveram reposições, e as que tiveram foram muito baratas: Mazinho no Ricardo Bueno, Fernandinho no Gerley e o já citado Felipe no Carmona. Fernandão e Chico são as peças que realmente necessitam de reposições – resta saber se serão também baratinhos ou se a diretoria ainda tem alguma vontade de que o time seja campeão de alguma coisa. O time não tem outro centroavante a não ser o Barcos, e um volante pegador, que saiba tocar a bola, é necessário para o time titular, já que Marcio Araújo há dois anos e meio mostra que não tem condições. As três mexidas já feitas liberaram algum dinheiro do fluxo. Que seja reaplicado em dois reforços de bom nível!

Se for para trazer as chamadas “apostas”, é muito mais digno prestigiar a base, a saída natural de qualquer clube em dificuldades financeiras. Um ou outro reforço do chamado celeiro do interior não faz mal a ninguém, desde que com critérios – o que não pode é fazer do clube um balcão de negócios por atacado. Quando se traz dois ou três de um mesmo time, o cheiro quase nunca é bom. Fizeram com o Oeste, e diz-se agora que será feito negócio com o Mogi Mirim – e a evidência ficou maior com esse jogo-treino-amistoso secreto de quarta-feira. Os nomes ventilados são Hernane (centroavante vice-artilheiro do Paulista, 26 anos) e Baraka (volante pegador, 25 anos) – exatamente as posições que ainda precisam de reposição. Convenhamos, não parecem ser uma reedição de Djalminha e Luisão.

Fernandinho, Mazinho, Hernane e Baraka não é um pacote de reforços digno para o Palmeiras ou para qualquer time que queira ser campeão brasileiro. Na reta final do contrato de Felipão, a atual diretoria, amadora, incompetente para levantar recursos através do marketing, vai trazendo de volta o bom e barato que consagrou Mustafá Contursi, padrinho de todos eles. Na falta de recursos, bota um timinho qualquer para jogar e pronto. O próximo passo tende a ser contratar o Jair Picerni ou o Estevam Soares em dezembro.

Ontem, Walter Munhoz (vice-presidente financeiro) e Jorge Vacarini (diretor financeiro) pediram afastamento das funções alegando, coincidentemente, no mesmo dia, excesso de atribulações na vida profissional. Ninguém acredita. Há quem diga que seja um prenúncio de péssimos ventos que devem soprar nas finanças do clube e que os demissionários tenham decidido sair quando perceberam que a corda vai arrebentar. Outra corrente sugere que foi uma manobra de Mustafá Contursi, que teria orientado seus aliados a pedirem o afastamento para enfraquecer mais ainda a atual diretoria, visando a eleição de janeiro. Enquanto isso, Piraci de Oliveira, o legítimo sucessor de Mustafá na política do clube, segue se fortalecendo, e já exerce a presidência de fato do clube, tomando todas as decisões importantes. Tirone e Vergamini não fazem nada sem as bênçãos de Piraci.

O clube segue com um time cada vez mais fraco, com as finanças indo a pique, e com os caciques políticos pensando muito mais em si, no “puder”, nas eleições, do que em montar um clube estruturado e um time forte. Quem sofre com isso? Nós, torcedores, que perdemos noites de sono após eliminações bizarras e vergonhosas, que estão cada vez mais corriqueiras mas que mesmo assim continuam consumindo nossa alma. E o pior é que agora nem ficar sócio para tentar mudar as coisas deve ser possível, já que a diretoria acena com um aumento substancial na taxa de admissão do clube. Quem ficou sócio, ficou; quem não ficou ainda, prepare o bolso… ou torça para quem já está na batalha lá dentro conseguir fazer alguma coisa. Mas não está fácil!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Crítica: Manual de Identidade Visual da SEP

4 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: Marketing, Verdazzo

Por Gustavo Cavalheiro*

Antes de começar a falar sobre o arquivo do Manual de Identidade Visual da Sociedade Esportiva Palmeiras que foi divulgado na última semana, gostaria de deixar claro alguns pontos:

- não se trata de uma crítica pessoal aos criadores e gestores da “marca” Palmeiras;
- não se trata de uma questão subjetiva de gosto ou afinidade visual ao estilo A, B ou C;
- este texto não está baseado em uma única opinião, pois foram chamados para o debate alguns profissionais do Branding, tanto na questão do Marketing, como principalmente no tocante ao Design.

Este texto é longo, mas importante e espero que ele possa ser considerado sem melindres.

Isto posto, primeiramente devo ressaltar que estamos falando de uma marca legendária – e do tipo mais legendário que poderia haver no Brasil: uma marca de time de futebol, o sonho de todo desenvolvedor e gestor de marca.

Não se trata de um logo de margarina, uma marca de empresa aérea ou o processo de gestão da imagem de um sabão em pó. Estamos falando de elementos identitários fundantes de uma nação de mais de 18 milhões de corações que vivem e (infelizmente) alguns morrem por essa bandeira, no sentido mais tribal da cultura e da sociedade do início de novo milênio.

O que causa um tremendo espanto aos olhos acostumados a lidar com manuais de marca de clientes e com trabalhos de alunos em término de curso é o nível técnico pouco apurado na feitura deste arquivo que demonstra uma falta de investimento do clube em algo vital para sua manifestação midiática.

Confidencio que ao iniciar conversa com o diretor de criação, palmeirense, Carlos Alves Júnior, para mostrar o arquivo, ele partiu de uma constatação que dá o tom da crítica que aqui se inicia:

“em primeiro lugar uma pergunta…isso é sério? é oficial? Jesus!”

Fica evidente que a técnica para layoutar o arquivo transparece o uso (de baixa capacidade) de softwares não indicados para um trabalho deste porte e importância. Sim, já ganhei um considerável dinheiro nesta vida às custas do bom e velho Corel Draw e não é agora que vou julgá-lo, mas estamos falando de Palmeiras, meu povo! Uma marca mais valiosa (em termos de potencial de mercado) que a Vale e a Petrobrás juntas. Este uso da ferramenta como o “meio de criação” e não “como um modo de materialização” do que foi criado pode gerar impactos em elementos importantes da marca, como, por exemplo, a tipologia.

As fontes da família Myriad são padrão do sistema operacional Windows; e ao desenvolver um manual para uma grande marca, um bom designer e/ou criador evitaria de toda forma esta escolha e buscaria as referências atuais, teria uma fonte primária e uma fonte secundária para grandes fluxos de texto. Estudaria a tipologia para que ela possa atender as diferentes demandas de quantidade de texto e de mídia a ser aplicada.

A fonte utilizada na tagline Campeoníssimo (p.3) tenta trazer um grafismo mais manuscrito e pessoal como em uma assinatura, mas outra vez acaba pecando na escolha de uma fonte padrão do computador que faz com que se torne algo comum, banal e muito visto por aí. Para Carlos Alves, “parece uma tipologia digna de uma cantina decadente de alguma esquina do Bexiga.”

A escolha da fonte em si até poderia ser encarada como boa ou má, dependendo do repertório e da subjetividade do cliente, mas antes de simplesmente sair pondo uma fonte, nós devemos nos perguntar: agrega algum valor? Remete a origem do clube? Aponta o futuro para onde queremos ir? Estas perguntas geram perguntas anteriores e mais importantes, que claramente não foram feitas para a realização deste arquivo:

- Qual é a intenção da marca ao ser usada?
- Existe um conceito ou tema primário ou secundário no uso da marca?

Este é um fator que também chamou a atenção dos profissionais consultados. A marca está “fria”, faltou um pouco mais da história do clube, seus elementos tangíveis e intangíveis, a descrição da sua alma, para então transmitir a pregnância dos seus valores em termos de design com imagens que ajudassem a traduzir o que é Palmeiras e construir um “Palestrismo” e/ou “Palmeirismo” enquanto visibilidade, além de expor e divulgá-los em termos de marketing em uma missão e visão.

Hoje em dia, os estudos sobre marca indicam que o nível de relacionamento entre o antigo cliente (atual usuário) e a marca é o principal fator de valoração (que é diferente de valorização) e um Manual de Marca deve apontar, explorar e conceituar essa relação.

Continuemos com a parte técnica do arquivo ao falar do grid, Carlos Alves esgota o assunto em:

“um grid ou ´malha construtiva´ que não ajuda ninguém a construir nada pois não possui nenhuma referência. 1X (ou um quadrado do grid), equivale ao quê? Nada…”

Realmente é um grid de 14×14 , mas que na sequência (página seguinte) se mostra como uma possibilidade sem regra. Faria mais sentido ter um 10×10 ou 20×20 ou necessariamente uma definição do grid de acordo com alguma proporcionalidade dentro do logo.

Na assinatura horizontal (p.5) temos 28×9 e na vertical 19×9 (!??) que não fazem qualquer relação matemática com 14. Seria uma proporcionalidade baseada nos números de Lost 9 14 19 28?

“As assinaturas são apenas corretas, mas a tipologia escolhida nada tem a ver com o logo, seu estilo ou sua forma de design. Uma escolha no mínimo equivocada para não dizer preguiçosa.”
Carlos Alves

E ao falar de logo e logotipo, outro elemento que denuncia a falta de prática com o mercado está na página 11, onde bem apontou meu ex-aluno e designer, Ícaro Batista no uso da palavra LOGOMARCA. Termo banido até no manual da ADG por não fazer sentido (vide http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/529977_436235576392930_147422488607575_1889489_2049029359_n.jpg)

As cores são um caso à parte. Certa vez, creio que em 1992, no lançamento da primeira camisa da Parmalat, tive uma grande discussão com um amigo palmeirense sobre qual é o verde do Palmeiras. Para mim é evidente que o verde do Palmeiras é o tom conhecido como “verde bandeira”, mas qual bandeira, do Brasil ou da Itália? Segue a discussão e eu, ainda um estudante de segundo grau com desejo de ser publicitário, lá pelas tantas citei o vermelho Ferrari. Não há dúvidas que o vermelho Ferrari não é o vermelho do McDonald’s, do Mackenzie ou o vermelho do Bradesco. Anos depois descobri que a cor da Ferrari é amarela e o vermelho Ferrari é mais um produto e não sua marca, mas mesmo assim ele existe enquanto um patrimônio da marca.

Que cor é o verde do Palmeiras, se o Palmeiras pode usar o verde mais amarelado de 92, um mais escuro como nos 80 e um mais “fosco” como vem usando desde 2000? Qualquer verde colocado no Palmeiras deixa de ser o verde X e vira mais um “verde-Palmeiras“? O caso da camisa fosforescente é o dado a ser pensado. Podemos estar sendo mais realistas que o rei?

O que diz o estatuto do clube? No Título X – Dos Símbolos e Uniformes: Artigos 138 até 145 só utilizam a palavra VERDE e como um estatuto é a lei interna, tal qual o Manual de Identidade de Marca é a lei para uso da marca, estamos focados em compor em VERDE sem mais explicações.

Assim sendo, o Pantone Têxtil Verde 000 pode ser uma boa referência para definir a nossa cor, mas as traduções feitas para os demais padrões de cores mostram que foram feitas em algum programa de computador e não com as escalas de cores na mão (fato essencial) ou com a ajuda de algum produtor gráfico, visto que a escala CMYK quebra a cor em 100 – 0 – 91 – 42

Este é um erro comum, pois muitos acreditam na calibragem de telas/monitores (RGB) e scanners para definir uma cor em CMYK ou Hexacromia e Pantone. Tratam-se de lógicas de cor totalmente diferentes entre a cor por luz RGB (aditiva) é e a cor por pigmentação CMYK (decompostiva).

Pior: acredito seriamente que este arquivo não é o final, pois como apontou Carlos Alves, a escala de cores para vinil sequer foi citada. E se não foi feita, para que ela aparece no manual?

Nas regras de aplicação temos mais perguntas que respostas e em um manual de marca isto pode ser fatal entre o que estava “acertado” e o que foi “feito”. De início a área de proteção aponta o último fio branco, sem que ele apareça. A proporcionalidade da proteção e a divisão do distintivo não tem regra/motivo aparente. Em 6 partes, assim como o grid foi em múltiplo de 7 (14) e os demais números de Lost. Existe algum elemento gráfico no distintivo que possa ser a medida para quem não tem uma régua ver a proteção do logo? Use um símbolo, uma das letras, uma das estrelas ou qualquer coisa como a medida para demonstrar a reserva.

Carlos Alves aponta outros problemas:

“A página Comportamento em fundos diz ´Consulte a tabela de cores recomendadas ou entre em contato com a Sociedade Esportiva Palmeiras que poderá fornecer as informações necessárias´. Para que serve esta seção do Manual se ela não tira TODAS as dúvidas sobre a aplicação do logo em fundos coloridos? Devo ligar ou mandar e-mail para o Marketing toda vez que quiser saber como usar a marca em algum fundo colorido? E a aplicação da marca em fundos com cores múltiplas? É permitido? Proibido? Em quais circunstâncias?”

Por sinal é interessante ver na página 10 a exemplificação da exceção (e não excessão, como está escrito no manual) no fundo azul da página 9. Qual o motivo deste manual? Facilitar a compreensão do uso por parte dos fornecedores ou provar que quem manda é o departamento que o gerencia?

Depois da exceção com SS, gostaria de dizer que medidas não declinam em plurais. 1 cm, 1000 cm e nunca cms (p.11). Tomara Deus que este arquivo seja apenas um pré-pré-pré-estudo do assunto e que em algum momento algum responsável interferirá positivamente.

O fundo institucional está muito poluído de informação, vejam os fundos dos sites e papéis de parede do Milan, Barcelona e demais grandes clubes do mundo e pensem se aqueles fundos fazem sentido. Na nossa mídia palestrina temos imagens muito melhores que aquelas, que por sinal não parece em nada com um fundo, mas sim um papel de presente da lojinha do clube. Além do que, temos poucas opções de criação de fundos no manual e são apenas sugestões por que aqui também devemos entrar em contato com o departamento.

Na página Bandeira Oficial está definido que todas as proporções devem ser mantidas e respeitadas. Que proporções? Apenas esse 3×2, mas quanto é o 1? Onde estão especificadas? Qual a relação deste 1 com o distintivo?

A papelaria se restringe ao cartão de visitas, mas qual deles é o cartão correto? Não existe possibilidade de haver nove tipos diferentes de uma mesma peça. Quais as descrições de uso, acabamento gráfico, verso? Onde estão as demais peças?

Em qualquer busca mais aprofundada na rede encontra-se manuais de clubes do mundo todo, de diversas ligas e de diferentes esportes. Quando comentei na rede que até um aluno meu faria algo melhor, não estou mentindo. Este caso não foi meu aluno, mas elucida bem a diferença entre o que vergonhosamente o nosso clube apresenta como oficial e um trabalho de conclusão de faculdade: http://issuu.com/jeffsantos/docs/jefferson.santos_tcc

Sentiram a diferença? Façam essa lição de casa que os autores e gestores provavelmente não fizeram e busquem mais manuais de identidade (busquem pelas palavras: brand guidelines id) e encontrarão inúmeras marcas de eventos esportivos, federações, cidades, governos e muitas empresas que dariam a alma para ter “consumidores” tão dedicados como cada palestrino que nasce sobre o peso de ter de aguentar as ações mais simplórias do nosso grandioso clube.


*Gustavo Cavalheiro, publicitário, designer, mestre e doutorando em comunicação e semiótica, professor universitário (FMU e Uniesp), sócio remido e palestrino acima de tudo.

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Empresas de design e seus portifolios

Dicas para os autores e gestores do Palmeiras

Um líder nato

3 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

As coisas não andam nada bem por aqui, sabemos. Mas do lado de lá, a situação não está tão melhor.

Depois de uma sequência enorme de trapalhadas que envolveram a viagem ao Equador, após o jogo com o Emelec em que o resultado podia ter sido bem pior que o 0 a 0, o presidente do SCCP, um poço de serenidade e tranquilidade, um líder nato, solta essa:

O Palmeiras às vezes me decepciona. O SCCP, nunca!

Aproveite e adquira a camiseta “LIBERTADORES, EU TENHO” – clique no banner ao lado!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Aplicativo para Android

2 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

Os torcedores do Palmeiras já têm à disposição, desde a última segunda-feira, um aplicativo para Android com os principais sites da chamada mídia palestrina. Desenvolvido pelos palmeirenses Rafael Barrelo e Kristian Bengtson, o app Mídia Palestrina já está disponível no Google Play.

A ideia partiu de Kristian, que é sueco mas mora no Brasil já há muito tempo e fala português melhor que o Valdivia. Ele mantém o blog Anything Palmeiras, provavelmente o único blog de torcedor feito em língua estrangeira – já recomendado aqui no Verdazzo. Em contato com Rafael, que é desenvolvedor, colocaram a iniciativa em prática, e lançaram o aplicativo que tem como principal atração links para diversos sites e web rádios palmeirenses. Todos mantidos por torcedores – como o Verdazzo.

Kristian e Rafael avisam que uma versão para  iOS já está sendo desenvolvida, e que os macmaníacos tenham apenas um pouco de paciência.

É a torcida do Palmeiras, mais uma vez, mostrando que está à frente das outras. Pena que nossa diretoria, por outro lado, esteja anos-luz atrás das dos concorrentes.

Para contatar os desenvolvedores do aplicativo basta enviar um e-mail para app.midia.palestrina@gmail.com, ou acessar o Twitter @appmpalestrina, ou o site www.app-midiapalestrina.com.br.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Valdivia e a biópsia

2 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

Valdivia passou por uma biópsia recentemente, por iniciativa do fisiologista Paulo Zogaib. O resultado determinou que o jogador tem fibras musculares pouco adequadas à atividade aeróbica, o que requer mais tempo de recuperação entre uma atividade intensa e outra, e isso explicaria o alto número de lesões sofridas pelo jogador. Essa seria a consequência do ritmo intenso imposto pelo calendário brasileiro, com dois jogos por semana durante praticamente todo o ano.

O jogador explicou, em entrevista ao repórter Daniel Batista, do Estadão, que esse tipo de exame não é feito em todos os atletas porque é doloroso. De fato, não temos notícia que esse tipo de verificação seja feito nos atletas nos exames convencionais de admissão em nenhum clube do mundo, o que nos permite concluir que o Palmeiras deu um baita azar de ter investido num jogador com essa limitação a um preço tão alto.

Temos um problema, que é exatamente o que deixa o chileno tão irritado: o custo-benefício do jogador é muito elevado, e agora há evidências científicas disso. Valdivia não pode atuar plenamente no ritmo que o calendário onde o Palmeiras está inserido exige. E ele certamente não aceita ter o salário dividido por dois, nem seu pai deverá aceitar que a comissão que ainda recebe seja diminuída da metade.

Para esse problema, temos duas soluções. A primeira é a mais corriqueira no mundo do futebol: vende o jogador. A questão é que a divulgação do resultado do exame, se não desvalorizou o valor de seus direitos econômicos de forma absoluta, na melhor das hipóteses restringiu os mercados nos quais ele poderá atuar a pleno. Afinal de contas, que time que se submete a calendários intensos vai querer um atleta que não aguenta o ritmo, comprovado clínica e cientificamente? Ao candidamente divulgar à imprensa o resultado, mais uma vez o Palmeiras jogou contra o Palmeiras.

Enfim, é sabido que campeonatos dos países do Oriente Médio, e talvez Japão e China tenham tabelas mais amenas que, por exemplo, os campeonatos europeus. Talvez Valdivia aguente bem o ritmo desses campeonatos e o clube consiga recuperar parte do investimento, e ainda reaplicar os valores de seu alto salário em outros jogadores de nível.

A segunda saída é mais complicada. Seria preparar o time para jogar com um rodízio entre os meias, e fazer as engrenagens se acostumarem a rodar sob ritmos diferentes. Ora joga Valdivia; ora joga Daniel Carvalho – que também não é nenhum primor fisicamente e até tende a render mais se o ritmo de jogos não for tão puxado. Trabalho a mais para Felipão, que vai ter que se virar tendo que alternar entre um meia destro e um canhoto mantendo o time funcionando. Mesmo assim, grosso modo, estaríamos pagando dois jogadores para atuar como um só.

A situação exige bastante tato, bastante conversa entre os três pontos: diretoria, atleta e comissão técnica. Todos deverão expor o que pensam ser o melhor para si e para o clube, até se chegar num denominador comum.

Particularmente, gostaria muito que o jogador se dispusesse a sair do Palmeiras e voltasse a encarar um mercado com um calendário mais ameno. Não consigo ver com bons olhos um esquema de alternância entre ele e Daniel Carvalho, por mais estruturado que seja. Nada contra Valdivia – ao contrário, tenho extrema gratidão pelo campeonato de 2008, e pelo que ele, na condição de ídolo, representou na renovação da torcida do Palmeiras durante suas duas passagens pelo clube.

Só que o Palmeiras precisa olhar para a frente, e Valdivia, hoje, não tem uma boa – mais uma vez a expressão que ele odeia – relação custo-benefício. Sua limitação física prejudica a evolução do grupo em campo. Desde que voltou ao clube, há quase dois anos, marcou apenas cinco gols e teve raros momentos de brilho. Sua contratação foi um ato de coragem do professor Belluzzo, que confiou que o investimento num ídolo da torcida renderia títulos, e que o retorno viria em forma de glórias – e do quanto essas glórias se reverteriam em prêmios e patrocínios. Deu errado.

Parece ser a hora de realizar a perda e seguir em frente, minimizando o prejuízo.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Aumentem nosso brasão na camisa!

1 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

Na semana passada, o companheiro Fabio Tatu publicou em seu blog uma foto divulgada numa lista de e-mails pelo conselheiro Gustavo Pereira. Na mensagem, o conselheiro chamava a atenção para a evolução do tamanho do brasão do clube na camisa com o passar do tempo. Veja aqui.

Já batemos nesta tecla informalmente há algum tempo, então não custava reforçar. Tirei minha coleção das caixas e fiz uma foto semelhante. Para termos um parâmetro exato de comparação, as medidas do diâmetro do brasão foram feitas a partir do círculo branco externo. Vejamos:

1. Padrão Adidas 1 (década de 80 até 1991): flocado, 9,3cm – um clássico
2. Padrão Adidas 2 (1992/1993): impresso, 9,6cm – o início da mais gloriosa era recente do Palmeiras tinha o maior brasão
3. Padrão Rhumell 1 (1993/1997): impresso, 9,6cm – seguiu o padrão anterior
4. Padrão Reebok (1997/1999): bordado, 7,9cm – a diminuição do tamanho foi encoberta pela novidade do relevo
5. Padrão Rhumell 2 (1999/2000): bordado, 5,6cm – “brilhantinho”, inserido num medonho escudo decorado com a logo da empresa
6. Padrão Rhumell 3 (2001/2003): bordado, 4,3cm – o time “bom e barato” veio acompanhado da diminuição do que já era feio. Brasão do tamanho do futebol.
7. Padrão Diadora (2003/2005): bordado, 7,1cm – cresceu um pouco, qualidade questionável – notem como os círculos não são concêntricos.
8. Padrão Adidas 3 (2005/2007): bordado, 6,8cm – diminuiu o tamanho mas manteve a falta de qualidade da Diadora.
9. Padrão Adidas 4 (2007/atual): bordado, 6,8cm – manteve o tamanho mas corrigiu as imperfeições do desenho, finalmente seguindo o considerado oficial de 1959 até 2011.
Os escudos 10, 11 e 12 constam apenas como curiosidade: a Cruz de Savoia, o distintivo dourado de São Marcos e o Grande P da Copa Rio.

Com o novo manual de identidade visual, é de se esperar que a Adidas mande confeccionar novos brasões para as próximas coleções, para adequação – seria uma afronta à diretoria o fato da empresa ignorar uma determinação oficial do clube em relação a um de seus símbolos sagrados. E já que esse processo ainda não teve início, seria de bom tom que a diretoria também determinasse à Adidas que o brasão na camisa tenha um diâmetro mínimo – sugerimos aqui algo em torno de 9cm, pelo menos.

Pode parecer bobagem, mas o futebol do time praticamente seguiu proporcional ao tamanho do brasão na camisa. Mas o mais importante é que o brasão do Palmeiras seja mais visível nas transmissões de TV e nas fotos que saem diariamente na internet, jornais e revistas. A identidade do clube, em tempos de patrocínio até no sovaco, deve ser valorizada.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Parabéns, goleirada!

30 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

No Dia do Goleiro, comemorado na última quinta-feira, o Verdazzo abriu o e-mail para que pelo menos três ou quatro leitores enviassem suas fotos defendendo suas metas. Pois foram mais de 20 fotos, fora os migués – o que teve de neguinho mandando foto com a camisa de goleiro sem nunca ter defendido nem chute do irmãozinho foi uma grandeza.

Vale a brincadeira. Muitos mandaram junto com as fotos seus relatos heroicos, as vitórias e os títulos. Confiram abaixo…

Parabéns, goleirada!




E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Em 1989, Verdão despacha o SCCP para mais de 100 mil pagantes

29 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Vamos relembrar hoje uma partida magistral do Palmeiras no Paulistão de 1989, quando vencemos o SCCP por 2 a 0. O time era favorito, mas o título não veio. Só que a torcida parecia prever o futuro

No jejum de títulos que perdurou de 1976 a 1993, o Palmeiras teve algumas equipes que chegaram perto de conquistar um título, sendo que, pelo menos de acordo com os torcedores, algumas mereciam o caneco.

Há alguns dias, conversando com amigos na sede do Dissidenti, no lançamento da biografia de São Marcos, o pessoal estava falando do time de 1989, que foi um pecado essa equipe não ser campeã.

Eu tinha apenas cinco anos e não me lembro para discutir, mas consultei meu pai e outras pessoas e realmente todos falaram do time com um ar de decepção por não ter levado o título, mesmo com tudo a favor.

Quando ganhei uma coleção bem ampla de exemplares de Placar dos anos 1970 e 1980, doada por um tio, isso lá por 1995, lembro que um exemplar que mais me chamava atenção era do dia 21 de abril de 1989, que trazia a vitória do Palmeiras sobre o SCCP na capa e apontava que o título estava cada vez mais próximo.

O Palmeiras venceu por 2 a 0, deu um show de bola e o Panetone teve um público superior a 100 mil pessoas. Vamos relembrar essa reportagem.

Brilha, Verdão!

Fazia tempo que o futebol paulista não via uma cena tão impressionante. Movidas pela saudade de um grande clássico doméstico, as torcidas de Palmeiras e Corinthians coloriram as ruas da cidade e, num imenso cordão, foram chegando aos bandos ao Morumbi. O público de 102.187 pagantes acabou sendo apenas um prenúncio de que o Paulistão vai oferecer muitos momentos de emoção. Afinal, o segundo turno será pontilhado de clássicos que prometem mexer com o fanatismo da galera. E não há feriado prolongado que esvazie ou impeça esse fenômeno.

No caminho de volta, porém, o brilho era só alviverde. O resultado de 2 x 0 provou que o “Porco Mouche” – como provocaram os corintianos – não afundou em seu primeiro teste de fogo. Sinal de que o Palmeiras, independente da categoria do adversário, continua embalado no segundo turno. O oposto de um passado bem recente, quando adernava diante de alguma dificuldade. “Nem a derrota iria comprometer nosso trabalho”, acredita o volante Júnior.

Ainda não se sabe, no entanto, qual será a reação do Palmeiras após um fracasso no campeonato. Fazer o que? Invicto, o time parece ter incorporado a maturidade tão propagada pelo austero técnico Leão.

Um exemplo é o sempre controvertido Neto, que, substituído por Lino, disparou para o vestiário sem dar entrevista e com uma carranca de causar medo. “Uma atitude deselegante”, definiu o presidente do Corinthians, Vicente Matheus. Não é bem assim. Neto preferiu a mudez para evitar declarações comprometedoras de cabeça quente. “Resolvi me acalmar, antes de enfrentar os microfones”, explicou.

Autor do primeiro gol – numa jogada iniciada por Edu, que entortou Dida e cruzou na medida -, o falso ponta-esquerda reconheceu que esteve mal no primeiro tempo e culpou sua caneleira muito apertada, o que impedia de correr com desenvoltura. “Depois, eu tirei a caneleira e matei a pau. Por isso não queria sair”, choramingava.

Os resmungos do sorumbático Neto constatavam com a empolgação do vestiário repleto de torcedores, cartolas e ‘assessores’ da presidência.

Orgulhoso pela reportagem que mereceu da revista japonesa Soccer Digest, o centroavante Gaúcho cumpriu a promessa de deixar a sua marca. Mas não esperava ganhar, depois da partida, uma dolorida injeção antiinflamatória, para amenizar uma antiga e incômoda lesão nas costas. “O ideal seria Gaúcho sair do time para um tratamento intensivo”, adverte o médico André Pedrinelli. “Nem pensar”, bronqueou o atacante, que travou um duelo especial com o zagueiro Marcelo. “Você tá de palhaçada comigo”, esbravejou o zagueiro, que derrubou o inimigo depois de levar um drible e perdeu a cabeça ao ouvir um sonoro ‘olé’ da feliz torcida do Palmeiras.

O nervosismo de Marcelo refletia o estado de espírito do Corinthians, que se abateu principalmente em dois instantes: na saída de Wilson Mano – aos quinze minutos de jogo com uma contratura muscular de primeiro grau – e no gol de Neto. “Depois desse golpe, ficamos perdido em campo”, admitiu o meio-campista Barbiéri. “A contusão de Mano quebrou meu esquema”, desculpava-se o técnico Ênio Andrade. “Ele era uma peça fundamental porque iria explorar a lentidão de Neto”. No final das contas, o feitiço virou contra o feiticeiro Ênio. No segundo tempo, Neto aproveitou a demora na recuperação do substituto Ari Bazão e cruzou para Gaúcho marcar.

Vicente Matheus não quis saber de discutir frustadas táticas de seu time. Acusou o juiz José Roberto Wright por não descontar um “mísero segundo no final do jogo”. Na verdade, a arbitragem de Wright esteve beirando a perfeição desde o cara-ou-coroa. Só escorregou feio quando, acidentalmente, quase marca um gol para o Corinthians, depois que a bola resvalou em sua cabeça. Repetiria a fatalidade que envolveu José de Assis Aragão: em 1983, desviou um chute de Jorginho e assinalou gol para o Palmeiras contra o Santos, naquela mesma trave do Morumbi. Se Wright fosse o artilheiro corintiano, poderia até haver uma onda de protestos do lado contrário. E Cláudio Adão – considerado pelo próprio árbitro uma pedra em seu caminho – nem estava em campo…

A vitória do Palmeiras, que não perde para o maior arquiinimigo há seis jogos, agradou também à velha geração de craques do clube. “Gostei do sentido de marcação e aí tem, com certeza, o dedo do Leão”, elogiou José Altafini, o Mazola, comentarista da italiana Tele Montecarlo. Muito bem lembrado. Toninho e Dario Pereyra não deram moleza para o ataque corintiano e Abelardo mostrou competência no desarme, embora falhasse constantemente nos passes. “Eu avisei: contra o Corinthians, meu futebol cresce”, orgulhava-se Dario Pereyra.

Por sua vez, o lateral Édson, o mais vulnerável na zaga, não se contentou com o resultado. “Poderíamos ter conquistado três pontos”, trovejou. E insistia que derrotar seu antigo clube não tinha um sabor especial.

Esgotada a dose mínima de empolgação que o transportou de volta aos tempos de jogador, Leão brecou a precipitada sensação do título, ainda distante. “Atingimos 60% da nossa capacidade”, avalia. A sequência de vitórias, entretanto, é sinônimo de um esperançoso verde lotando os estádios. E o diretor palmeirense Márcio Papa poderá até ganhar uma caixa de uísque na aposta com Vicente Matheus de que o Palmeiras será campeão de renda. Desde já, porém, a galera alviverde está se embebedando de alegria. Brilhantemente.

Na mesma revista, destaque para o jovem goleiro Velloso, que havia subido recentemente para os profissionais e fechou o gol nessa partida, tendo o devido foco da mídia naqueles dias.

O goleiro, depois do jogo, foi chamado pelo diretor de futebol Márcio Papa e ganhou seu primeiro carro, um Fiat Uno. “Mesmo que ele tomasse um frango, receberia o prêmio, porque já provou que é o titular do time”, explicou o cartola à revista. Velloso estava invicto há 578 minutos até então.

Outra reportagem da revista foi sobre Leão, que pedia calma, mas estava confiante. Leia abaixo.

Enfim, essa foi mais uma lembrança da história do Palmeiras. Não temos vergonha de relembrar fracassos. Ao contrário. Nunca fomos time de apito amigo ou que ganhou o jogo antes mesmo da partida começar.

Agora, pra fechar com chave de ouro, um achado presente na mesma revista. A Placar tinha uma seção logo na segunda página que trazia as fotos da semana. E olha como ela foi aberta!

Ninguém estava prevendo o futuro, mas bem que poderiam encontrar esse adereço para levar aos estádios nos dias de hoje…

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Partidazzo: Palmeiras 2×0 SPFC (2008)

28 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Partidazzo, Verdazzo

Partidazzo de Guilherme Garbi

Antes de contar sobre o partidazzo, quero contar um pouco da minha história. Infelizmente não tive a oportunidade de assistir ao vivo aos jogos dos nossos grandes times. Sou nascido em 92, e a primeira recordação 100% nítida de um jogo do Palmeiras que tenho é a da final da Copa do Brasil de 98, com o gol espírita do Oséas. Enfim, ter nascido nessa época acabou me privando de assistir in loco os nossos grandes times de 93, 94, 96 e 99 – desse último eu tenho recordações só pela televisão. Outro impasse foi minha mudança de São Paulo no final de 1998, o que me deixou 500 km mais longe do Palestra. Nada que me impedisse de ser doente pelo time.

No dia 20 de abril de 2008, com 16 anos, resolvi que iria ver a semi-final do paulistão. Palmeiras x Bambis, o inimigo histórico, valendo título, eu não podia perder. Convenci meu pai, sãopaulino assim como todo o resto da minha família (alguém tinha que se salvar), a me deixar ir a São Paulo pra isso. Foi fácil, e ele até quis ir junto.

Meu voo sairia da minha cidade às 11 da manhã, mas às 6h30 eu já estava acordado e nervoso, não conseguiria sossegar até que a partida acabasse, mesmo que ainda faltassem 10 horas pra que ela começasse. Assisti milhares de vídeos de nossas esquadras, decorei a narração do gol do César Sampaio contra as bibas, me arrepiei do começo ao fim assistindo o DVD da Libertadores pela centésima vez. Não via a hora de finalmente pisar no Palestra. Cheguei na capital por volta do meio dia e fui buscar os ingressos na casa de um amigo do meu pai, que tinha conseguido pra nós.

Ao chegar ao Palestra, foi como chegar em casa. A sensação de que aquele era o meu lugar, de que ali todo mundo tinha a mesma paixão que eu, que todos estavam tão nervosos quanto eu, que mesmo quem já havia estado lá outras 300 vezes tinha o mesmo frio na barriga que eu. As organizadas já faziam a festa do lado de fora com bandeiras e um caminhão de som, dando uma prévia de como seria quando passasse por aqueles portões da Turiaçu.

Já dentro do estádio, clima de guerra. A torcida gritava e cantava sem parar, a adrenalina tinha que passar para os jogadores dentro do campo, mas os primeiros minutos foram mornos. Dagobambi e Adriano Cachaça ameaçavam nossa zaga, mas nada de preocupante. Pelo nosso lado, Valdívia, Leo Lima e Diego Souza eram os que mais infernizavam a zaga colorida. E foi justo de Leo Lima o primeiro gol do Palmeiras que eu comemorei ao vivo. Pelo meio, num chute despretensioso, a bola pegou efeito e o goleiro de hóquei aceitou. O Palestra explodiu, e eu gritava feito maluco “CHUPA BAMBI” e comemorava com os torcedores que estavam à minha volta. O resto do primeiro tempo foi morno em termos de futebol, mas não paramos de cantar um só minuto.

No segundo tempo, São Marcos teve de trabalhar um pouco mais, mas podiam chutar quantas bolas quisessem, não ia passar nada. Ao vivo é nítido como São Marcos se impõe, como seus reflexos são coisa de outro planeta. E seu lance mais sensacional da partida veio justo na metade do segundo tempo, quando voltou pra buscar uma bola que parecia impossível, numa falta batida pela direita pelo Jorge Wagner. A única coisa que eu conseguia falar era “AQUI É SÃO MARCOS, PORRA”. Do nosso lado, Valdivia deitava e rolava no meio campo. E a cada drible a torcida se inflamava mais. O dia tinha que ser dele. Ele, que odeia tanto o time da Vila Sônia quanto nós da arquibancada, merecia fechar o caixão das meninas.

No fim do segundo tempo, o êxtase. Depois de um escanteio mal cobrado, o chileno recuperou a bola e tocou para Wendel, que levou e nem pensou duas vezes, tocou de lado para Valdívia que só empurrou pra dentro. Sinceramente, eu achei que já tinha comemorado um gol, mas aquela foi a prova de que não. A cena era a melhor possível. Gol do Palmeiras, contra as Bibas, com Valdivia dançando e Rogéria reclamando. Ao meu lado, um cacique da política palmeirense comemorava energicamente, pulávamos juntos e gritávamos, mas não eram palavras, era alegria pura. Gritei até não ter mais voz. Desse momento até o final do jogo, todos nós ali presente tínhamos a obrigação de fazer a maior festa possível. E conseguimos.

Voltei para casa com um sorriso de orelha a orelha, depois de um dia extenuante e duas viagens, e ainda custei a dormir. Assisti 400 vezes os melhores momentos, e mais 500 vezes o gol do Valdívia. E cada vez me arrepiava, só de lembrar o que senti na hora.

Depois disso, nunca perdi uma chance de ir ao Palestra. Então, quando me questionam o porquê de torcer pro Palmeiras, eu não preciso fazer esforço para me lembrar. Só não explico, porque isso só entende quem vive.

Guilherme Garbi é Palmeirense por opção e por herança do bisnonno, un vero parmerista. Nascido nos anos 90, descendente de italianos e criado no Bexiga, aprendeu a cantar o hino do Palmeiras antes de saber o alfabeto.


20/04/2008
PALMEIRAS 2×0 SPFC
Campeonato Paulista – Semifinais

Estádio: Palestra Italia
Público: 27.680 pagantes
Renda: R$ 1.144.355,00
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (SP)

Palmeiras: Marcos; Élder Granja, Gustavo, Henrique e Leandro; Martinez, Léo Lima, Diego Souza (Wendel) e Valdivia; J30 (Denilson) e Alex Mineiro (Lenny). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
SPFC: Rogério Ceni; Alex Silva, André Dias e Miranda; Joílson (Sérgio Mota), Hernanes, Fábio Santos, Jorge Wagner e Júnior (Hugo); Dagoberto (Borges) e Adriano. Técnico: Muricy Ramalho
Gols: Léo Lima aos 21 do primeiro tempo e Valdivia aos 38 do segundo tempo.


Envie seu texto para a seção Partidazzo pelo e-mail conrado@verdazzo.com.br

Sport Club Caça ao Pageview

27 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Humor, Imprensa, Verdazzo

A briga por pageviews na imprensinha atinge níveis lamentáveis. Enquanto alguns se dedicam a rasteiras campanhas pessoais contra desafetos, outros seguem a fórmula velha, mas batida, do sensacionalismo.

Só que desta vez eles passaram dos limites. Pep Guardiola acabou de se demitir do Barcelona, e eles já trataram de colocá-lo no SCCP. Deve se juntar a tantos outros contratados nos últimos anos.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Identidade visual

27 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Marketing, Verdazzo

O departamento de marketing do Palmeiras desenvolveu, ainda sob a gestão de Rubens Reis, um Manual de Identidade Visual a ser adotado pelas redações mundo afora. No dia 10 de fevereiro o Verdazzo publicou o visual final do brasão do clube readequado. Como não havia sido oficializado, ainda não foi possível até agora ver em nenhum jornal, revista ou canal de televisão o brasão em sua nova versão.

O novo manual foi finalizado e finalmente disponibilizado pela assessoria de imprensa. Todos os torcedores e profissionais podem ter acesso neste link: http://assessoria.palmeiras.com.br/IMAGENS/Palmeiras_Manual-Identidade-Visual.pdf.

Parabéns a todos os responsáveis por um passo importante na modernização do clube. Na verdade, trata-se de um passo básico, já precisaríamos estar bem mais à frente. Mas é um começo.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Dia do Goleiro

26 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Verdazzo

Para um site cujo objeto é o Palmeiras, é muito fácil fazer homenagens aos goleiros. Provavelmente não existe no mundo um clube por onde passaram mais goleiros extraordinários, embora a maioria deles, ao contrário do que se acredita, não foram exatamente forjados aqui.

A homenagem do Verdazzo foge do lugar comum “Oberdan, Valdir, etc”, e vai para todos os palmeirenses que se aventuram pelos campos do mundo debaixo das traves. Você, torcedor comum, que quando era moleque gritava Leeeeeeããão!!!, Giiillmaaarrrr!!!, Velloooooooooso!!! e mais recentemente Maaaaaaaaaaaaaarcooosss!!! em suas peladas. Agora você recebe sua homenagem: envie sua foto atuando como goleiro para conrado@verdazzo.com.br, e ela será publicada aqui na próxima semana.

Abaixo, o Osmar Santos Show, time de society dos ex-alunos do interno da faculdade. Homenagem ao grande Osmar, o time marcou época entre 94 e 99. A foto é de 1998.

Parabéns, goleirada!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Que belo bigode, hein?

26 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Humor, Verdazzo

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Paraná 1×2 Palmeiras

26 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: Jogos, Verdazzo

Num campo muito pesado, o Verdão conseguiu um excelente resultado ao vencer o Paraná por 2 a 1 em Curitiba, e pode até perder por 1 a 0 no jogo da volta, daqui a duas semanas em Barueri, que estará classificado. O natural, depois de ver o potencial do time paranaense, é que o time não tome dois gols no jogo nem a pau. Mas em se tratando de Palmeiras, eu não duvido de mais nada, todo cuidado é pouco.

Felipão mandou a campo um time com duas novidades: Mazinho foi o escolhido para jogar ao lado de Barcos e fez sua estreia; e Bruno substituiu Deola, numa decisão acertada de Felipão. O time jogou num 4-4-2 disfarçado, já que Mazinho ora caía pela ponta esquerda, ora voltava para buscar jogo como um ponta-de-lança. É bem provável que isso tenha acontecido muito mais por indecisão e falta de entrosamento do estreante do que por determinação do treinador, mas o fato é que funcionou razoavelmente bem, confundindo a defesa paranista e fazendo com que o time exercesse um bom volume de jogo no primeiro tempo.

A primeira chance do jogo foi do Paraná, mas num chute de longe: Alex Alves arriscou e meteu a bola na gaveta, mas Bruno foi buscar, com alguma sobra – é a vantagem de ser muito alto e de ter uma envergadura realmente avantajada. O Verdão respondeu rápido, numa cobrança de lateral esperta de Cicinho, que achou Valdivia desmarcado na área; o chileno, que meteu um bigodaço, matou bonito e passou para Barcos, que acabou desperdiçando.

Mazinho então passou a se destacar. O atacante se alternava entre o meio e o flanco esquerdo, e por ser uma completa novidade, surpreendia o esquema defensivo de Ricardinho Trezentinho. Em sua melhor jogada, aos 19, driblou dois adversários, saiu na frente do goleiro e tocou, mas Thiago Rodrigues abafou. Mas aos 21 saiu o gol, dos pés de Kid Assunção, com script mais do que conhecido: falta da intermediária, Assunção bateu por cima da barreira; a bola quicou no gramado molhado e foi pro fundo do gol sem a menor chance de defesa.

O Paraná mal conseguia passar do meio-de-campo, e o gol do Verdão fazia justiça no placar – mas acendeu o time da casa, que passou a forçar um pouco mais. Numa chegada despretensiosa pela direita, Luisinho chegou a finalizar quase sem ângulo; a bola bateu na trave com desvio de Bruno antes de sair para escanteio. Assunção então pediu para sair, já com um gol na bagagem: sentindo duas pancadas sofridas no jogo anterior, no pé e na costela, preferiu se poupar e deu lugar a Patrik.

Como que por castigo, o time acabou sofrendo o empate logo em seguida: depois de jogada pela direita, o cruzamento veio rasteiro, para trás. A defesa estava mal posicionada e permitiu que Nilson concluísse, para defesa monstruosa de Bruno, mas no rebote Luisinho acabou empurrando para dentro. O empate mexeu com nossos jogadores, que tentaram com bastante vontade recuperar a vantagem ainda no primeiro tempo: no primeiro, Barcos fez boa jogada e finalizou forte, de esquerda, mas a bola subiu; e no segundo, Valdivia cobrou bem uma falta pela direita, Henrique chegou inteiro para o cabeceio mas mandou para fora. E ficou nisso.

Os times voltaram iguais para o segundo tempo, e o Paraná parecia bem satisfeito como empate. Com Mazinho deixando de ser uma novidade, Ricardinho trancou o setor e anulou o jogador, que não fez quase nada no segundo tempo. As jogadas então cada vez mais se focaram em Valdivia, que pelo miolo, tentava servir Barcos. O Palmeiras mandava no jogo e criava bastante, mas quando chegava na entrada da área não conseguia a sequência e acabava arriscando de fora.

E um fantasma voltou a assombrar o time: mesmo jogando melhor e dominando o adversário, numa falta aos 18 minutos Douglas Packer mandou a bola na forquilha, ela felizmente bateu na trave e saiu. Mas o filme passou na cabeça de todos os palmeirenses: o Paraná faz 2 a 1, o Palmeiras se perde emocionalmente e toma o terceiro e o quarto. Era só a bola, em vez de ir na trave, ter entrado. Felizmente, dessa vez não entrou.

O lance parece ter acordado o Palmeiras, que voltou à carga. Mazinho conseguiu boa jogada pela esquerda e cruzou, Barcos dividiu com o zagueiro e a bola foi para o gol – Thiago Rodrigues defendeu no reflexo. O argentino correu demais e estava extenuado – Felipão então mandou Fernandão em seu lugar. Apenas dois minutos depois, saiu o pênalti: bola dominada pelo zagueiro Henrique Alemão, que deu vacilo e permitiu que Patrik a roubasse, na tentativa de recuperar o tosco zagueiro cometeu o pênalti. Valdivia em vez de pedir para bater, pediu amarelo para o adversário, e quase acabou levando um para si. Enquanto isso, Henrique pegou a bola e colocou debaixo do braço. Ajeitou e bateu, com força, alto, fazendo o gol da nossa vitória.

Com o segundo gol, Felipão mandou a campo Román. Poderia tirar outro zagueiro, ou algum volante, para resolver o confronto pelas laterais. Mas tirou exatamente um dos que poderia resolver, Cicinho – embora o lateral estivesse numa partida abaixo da média. Mesmo assim, com três zagueiros, dois laterais e dois volantes, o time ainda quase fez o terceiro, numa bola alçada por Juninho que Patrik(!!!) cabeceou no ângulo; Thiago Rodrigues espalmou de leve e a bola bateu no travessão antes de voltar para o goleiro. Ainda deu tempo de Valdivia conseguir seu amarelo por jogar uma bola para o campo enquanto o Paraná cobrava um lateral aos 47 do segundo tempo. E o juiz encerrou a partida, com 2 a 1 no placar.

O resultado foi muito bom. O futebol jogado, diante das circunstâncias, pode ser considerado até melhor que o esperado. Boas partidas de Mazinho, Valdivia e Barcos. O estreante aprovetou ser o fator surpresa e construiu ótimas jogadas, e parece não ter sentido o peso da camisa – mas vamos com calma com o rapaz. Vencer marcando dois gols fora é um resultado excelente, e o Verdão só não se classifica daqui a duas semanas se tomar dois gols em Barueri. Mas não fala muito senão é capaz de tomar.

Atuações:

Bruno: ótimas defesas, e ainda quase operou um milagre no lance do gol. 8
Cicinho: começou bem, mas foi caindo de produção ainda no primeiro tempo, principalmente após o lance do gol do Paraná, quando foi um dos que falhou. 5
Mauricio Ramos: teve uma partida fácil mas mesmo assim se complicou – para sorte de todos, sem consequências. 5,5
Henrique: cada vez mais se converte no líder do time dentro de campo, o que pode ser um diferencial num eventual ressurgimento do time. 9
Juninho: ainda tímido, mas bem melhor que o jogador que andou se borrando nas partidas anteriores. 6
Marcio Araújo: marcou bem, passou ok. Se fosse sempre assim seria medíocre, mas passava. 6,5
Marcos Assunção: vinha sendo um monstro no meio-campo, e ainda guardou mais um de falta. Aí sentiu dores e saiu. 8,5
João Vítor: discreto, nem de longe faz o papel que a posição exige, de marcar e apoiar com eficiência. Burocrático. 6
Valdivia: bastante participativo, embora quase nada efetivo. Mas só de buscar o jogo já é uma evolução. Levaria um 8, mas pelo bigode, leva um 6.
Mazinho: aumenta a estatística de estreantes que jogaram bem. Mas bastaram 45 minutos para ficar manjado. 7,5
Barcos: outro que, na medida do possível, participou bastante. A escassez de gols começa a incomodar. 7
Patrik: com exceção de duas boas participações em lances isolados, foi o Patrik de sempre. 7
Fernandão: pode não ter resolvido nada, mas que foi pé quente, isso foi. 5,5
Román: entrou para aumentar suas estatísticas, e para ganhar o bitcho, claro. S/N
Felipão: foi bem na escalação, promovendo Bruno e Mazinho. A mexida final é que não dá para entender. 7


E-mail: conrado@verdazzo.com.br

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