Verdazzo!

O Palmeiras está sem moral

24 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Matérias, Verdazzo

VirgílioDesde sempre, juiz de futebol é uma entidade maldita. Seja errando, seja roubando, o crápula está sempre lá, atrapalhando o futebol. A figura do árbitro foi magistralmente satirizada por Ugo Giorgetti no delicioso e obrigatório filme Boleiros, de 1998, através do personagem Virgílio, interpretado pelo palmeirense Otávio Augusto (veja o vídeo no fim do post).

Em 2007, no antigo blog Parmerista!, inventamos o Dossiê Bambi, devido à intensa ajuda das arbitragens ao clube do Jardim Leonor. Uma contabilidade simples dos pontos atribuídos ao SPFC por erros das arbitragens. Apesar da audiência modesta, o trabalho teve alguma repercussão, lançou a semente e foi repetido em 2008 por outros blogs. Infelizmente, ao se notar a tendência das arbitragens, na condição de torcedores palmeirenses, nos sentimos obrigados a bater nessa tecla suja do futebol.

E não parou por aí. Em 2010, a moda entre a juizada era roubar para o SCCP, e na décima rodada do Brasileirão o Verdazzo lançou o Dossiê Gambá, que alcançou uma enorme repercussão. Sempre apoiado por videos, para desvincular nosso claro viés clubístico de fanatismo cego, o trabalho teve entre seus detratores um argumento interessante: os erros a favor do time da Marginal podiam até ser incontestáveis, mas não se falava dos supostos erros contra. A tese ainda sustentava que os erros a favor e contra todos os clubes existiam, mas tendiam a se anular ao longo da competição.

Em 2010 o jornalista Mauro Beting tentou, informalmente, fazer uma tabela mais abrangente, contabilizando todos os erros de arbitragem em todas as rodadas, criando assim uma tabela paralela. Iniciativa louvável, mas que demandava um trabalho hercúleo de análise de todas as partidas. Como esse trabalho se mostrou humanamente impossível, a tabela de Mauro acabou tendo desvios. Mesmo assim, deu um bom parâmetro para atestar a incompetência e/ou má-fé da juizada.

Mas torcedor de futebol é um animal impressionante. Eis que em 2011 surge o site Placar Real, com o conceito da tabela paralela, apoiado por vídeos de todas as partidas – o que era uma tarefa hercúlea e humanamente impossível, os torcedores de futebol foram lá e fizeram. O site não mostra nenhum viés clubístico, e tem critérios bem definidos para considerar um erro da arbitragem suficiente ou não para contar como alteração na tabela oficial do campeonato, definindo assim a tabela paralela. Um trabalho brilhante.

E em sua temporada de estreia, até a décima-oitava rodada do Brasileirão, o clube mais prejudicado no campeonato não é nenhum outro que não o… Palmeiras, claro.

O resultado do levantamento sugere que a arbitragem no campeonato está se saindo relativamente bem, com apenas dois entre os vinte clubes tendo seus resultados sensivelmente alterados depois da análise dos lances: Palmeiras, prejudicado em SEIS pontos; e Atlético-MG, tungado em cinco. Todos os outros, inclusive os clubes tradicionalmente ajudados pelas arbitragens – SPFC, SCCP e CRF – tem variações discretas, de até três pontos (a favor, claro), ou nulas. O site curiosamente desprezou o escandaloso pênalti sobre Kleber no clássico de domingo – mais uma mostra de que não há viés, apenas critérios – caso contrário o prejuízo contabilizado pelo Palmeiras seria de estratosféricos OITO pontos em dezoito rodadas.

O Atlético está com um time ruim de doer, e ainda está sendo roubado – o resultado é a décima-oitava colocação na tabela oficial. O Palmeiras está em sexto e sem os erros estaria em segundo, a apenas dois pontos do líder, a quem enfrenta domingo – na nossa contagem, contando o citado pênalti, já seria co-líder, perdendo apenas por um gol no saldo. Isso revela a tendência já natural dos árbitros a não tratarem o Palmeiras como time grande. Na dúvida, é natural: pró-grande. Os árbitros agem assim desde sempre, por medo da repercussão na imprensa e dos poderes ocultos dos bastidores.

Essa falta de moral está sendo refletida no tratamento jocoso da imprensa, sobretudo por parte de alguns setoristas, principalmente no Twitter. A FPF colocou ninguém menos que Paulo César de Oliveira para apitar um Derby decisivo no Paulistão deste ano, e pior: o resultado do ‘sorteio’ foi antecipado por um jornalista. O roubo previsto foi confirmado, e foi vergonhoso. E agora a CBF, numa atitude que parece até gozação, escalou (após ilibado sorteio) o irmão do pilantra, Luís Flávio, para apitar o Derby do próximo domingo.

O Palmeiras está sem moral. Pode ser contra time grande ou contra pequeno; em casa ou fora: hoje não se erra a nosso favor. O único erro significativo foi verificado em Volta Redonda, quando o auxiliar anulou um gol legítimo do Fluminense, numa partida em que saímos derrotados de qualquer forma – o erro não trouxe benefício significativo a não ser no saldo de gols. Nos tratam como o Engenheiro Beltrão do Paraná, ou como o Juventus da Moóca, e já faz tempo. Pior que a gente, nem o Botafogo. Só o Galo mesmo.

A pergunta feita no post do último link, quando fomos garfados num jogo contra o Goiás, permanece: ATÉ QUANDO VÃO CONTINUAR NOS ROUBANDO?

A diretoria do Palmeiras tem a OBRIGAÇÃO de fazer o Palmeiras voltar a ser tratado como grande, seja pela imprensa, seja pela comissão de arbitragem, seja pelo STJD, seja pelos juízes. Errar contra ou a favor, faz parte. Se os erros se anulassem, como para 90% dos clubes deste campeonato, estaria tudo certo. Mas não é o que ocorre. Somos constantemente achincalhados por repórteres-torcedores, fomos roubados em seis (ou oito) pontos em apenas 18 rodadas e ainda somos avacalhados com a escalação do irmão do Paulo César para o próximo Derby. Acorda, Frizzo! Acorda, Tirone!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

SPFW 1×1 Palmeiras

21 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Num jogo extremamente previsível, o Verdão empatou com o SPFW em um gol e com isso aproximou-se apenas um ponto da liderança, e continua em sexto lugar, longe da briga. Pela quarta vez no campeonato o time foi prejudicado pela arbitragem, e já contabiliza oito pontos garfados – exatamente a distância que o separa da liderança.

O Verdão ficou sem Valdivia, suspenso. Felipão colocou Chico no time, como terceiro volante. Adilson perdeu Lucas, pelo mesmo motivo, e escalou João Filipe como terceiro zagueiro. Assim, defensivos, ambos os times decidiram jogar no erro do adversário, ou apostando numa ou outra jogada individual, ou nas bolas paradas. A preocupação primordial, dos dois lados, foi a defesa.

Mas logo aos 4 minutos, o Verdão quase abriu o placar: Marcos Assunção descolou um lançamento longo para Luan pela esquerda, ele disputou a bola com Piris, meio sem querer acabou ganhando, e bateu cruzado, forte, mas o goleiro de hóquei desta vez não se ajoelhou e defendeu. O Palmeiras bloqueava bem a armação do adversário, e conseguiu ser mais presente no ataque. Marcos Assunção bateu uma falta com força, mas saiu pelo alto. Só dava Palmeiras.

Foi quando finalmente as bailarinas tiveram seus cinco minutinhos: em duas jogadas em que a habilidade dos atacantes prevaleceram, foram criadas duas chances: na primeira, troca rápida de passes, Bibaldo tocou de calcanhar e Dagoberto bateu forte, rasteiro, e a bola chegou a raspar a rede lateral. Em seguida, Fernandinho recebeu uma bola esticada e girou em cima de Henrique, caminhou até a meia-lua e soltou um canhão. Marcos tinha dado dois passos à frente para diminuir o ângulo e defendeu magistralmente, espalmando para escanteio. Foi só, passou o trimilique bambi e elas voltaram à mediocridade habitual.

O Verdão voltou a pressionar e mandou uma sequência de cruzamento perigosos para a área adversária, sempre levando perigo; na terceira ou quarta tentativa, Luan tentou dar um voleio e se estabacou no chão. Mesmo caído, conseguiu aproveitar que a bola ainda tinha ficado para ele, e deu uma puxeta que foi mais uma vez defendida. As chances de gol do Palmeiras eram nas bolas paradas porque a criação foi confiada a ninguém menos que Marcio Araújo. O volante, que já não vem em boa fase ultimamente, mostrou por que é volante e não meia. Para completar, Patrik também não viveu uma grande tarde. Mesmo assim, ligeira vantagem para o Palmeiras no primeiro tempo, que caminhava para terminar empatado.

Por um desses rabos citados no pré-jogo, ainda deu tempo de sair mais uma jogada, e daí saiu o gol das meninas. E começou num lance de sorte: Rivaldo esticou para Dagoberto. Reparem que na matada, a bola sobe um pouco, e não era o que o atacante delas queria. No que a bola subiu, ficou mais fácil dar o toque que cortou Henrique Leandro Amaro da jogada. Marcos, como em todo lance frontal, deu dois passos à frente, mas desgraçadamente a bola ainda estava pingando. Daí foi fácil para Dagoberto dar um tapa e encobrir Marcos. Acabou até sendo bonito, mas que foi rabo, foi.

Mais uma vez saindo atrás no placar em um clássico, o Verdão teve que voltar para o segundo tempo mais ofensivo, e Felipão tirou Marcio Araújo para colocar Maikon Leite. Marcos Assunção adiantou-se um pouco, não como um meia, mas apenas o suficiente para ocupar melhor o espaço e distribuir as jogadas. A ligação estava seriamente prejudicada, e Kleber, agora com Maikon Leite lá na frente, pôde voltar mais para buscar jogo, como gosta.

A primeira boa chance foi aos dez minutos, em jogada de Kleber pela esquerda. Ele enxergou Patrik fechando no segundo pau e cruzou, Juan só olhou e Patrik testou firme, mas em cima do goleiro de hóquei, que se manteve em pé, e ficou fácil para fazer a defesa. O volume de jogo era todo do Palmeiras, o time da casa não tinha a menor articulação: pelas laterais não havia talento para isso, e pelo meio, paravam na parede de volantes armada por Felipão. E por manter muito mais a posse de bola, ia criando suas chances, até que aos 16, em mais uma falta batida por Marcos Assunção, Henrique cabeceou de costas para o gol e meteu no ângulo, sem chances, empatando o jogo. Resultado justíssimo.

Depois do gol, o Palmeiras diminuiu o ritmo e preferiu ir só na boa. O mesmo deu-se do lado de lá, para irritação das duas torcidas. Adilson tentou mudar o jogo de forma discreta, colocando Marlos no Fernandinho e depois Cícero no Bibaldo, mas nada adiantou. Felipão trocou Patrik por João Vítor – mais um volante. E tirando um chute de fora de Cicinho, o time não criou mais nenhum lance de gol.

Cleber Abade poupou os amarelos durante todo o jogo. Os lances bruscos dos jogadores do São Paulo não eram advertidos, e apesar da bronca da torcida no calor do jogo, era um fato a se comemorar, porque se ele fosse rigoroso com os cartões, faria a média depois e tiraria vários dos cinco pendurados nossos. Mas aos 28 ele resolveu mostrar um amarelo – e logo para um dos mais importantes dos nossos pendurados, Cicinho. E para completar a safadeza, deixou de assinalar um pênalti vergonhoso, escandaloso, de João Filipe em Kleber, aos 40 do segundo tempo. O lance foi claríssimo, e era para decidir o jogo àquela altura. Mais uma vez o Palmeiras foi prejudicado, e não vemos uma atitude sequer da diretoria para reverter esse quadro.

O foco agora volta para a Sulamericana. O Verdão vai receber o Vasco no Pacaembu, e precisa vencer por três gols para evitar os pênaltis. Jogo de mata-mata é diferente, jogar com o objetivo de abrir três gols é diferente de jogar pelos três pontos. O jogo tem tudo para ser emocionante, e o Verdão, com o time completo, terá uma ótima oportunidade para encerrar essa fase de má pontaria e embalar de vez para o Derby de domingo em Prudente.

Atuações:

Marcos: Fernandinho soltou a bomba frontal e ele fez uma ótima defesa. Fez a mesma coisa no lance do gol, mas não contava que a bola ia estar pingando: sem culpa. 8
Cicinho: jogou preso para cuidar de Juan, e foi bem na defesa. No lance do amarelo, seguiu os critérios do juiz. Esse foi seu erro. 6,5
Leandro Amaro: grande temor da torcida antes do jogo, saiu-se bem, sem comprometer. Por mais que tenha sido cortado no lance do gol, não tinha chances. 6,5
Henrique: foi mal no lance de Fernandinho, que Marcos salvou. Livrou a cara com o gol. 7,5
Rivaldo: partida surpreendentemente acima da média. Errou um ou outro lance bizarro, mas se apresentou, teve personalidade e até momentos de brilho. Juro. 7,5
Chico: sua melhor partida com a camisa do Palmeiras. Vai crescendo no elenco. Um dos maiores responsáveis pela apatia do adversário. 8
Marcos Assunção: brilhante nas bolas paradas, ok com a bola rolando. 7,5
Marcio Araújo: não podemos confundir as más partidas de ultimamente com a má atuação de hoje. Ele teve que jogar na do Valdivia, que não é a dele. 5
Patrik: ter que orbitar Marcio Araújo deve ser dose. Mesmo assim, não justifica a partida fraca e omissa. A cabeçada nas mãos do goleiro no segundo tempo foi irritante. 4
Luan: apesar de ter jogado mal tecnicamente, cumpriu impecavelmente a função ‘Luan’ no esquema de Felipão, e de seus pés saíram duas das melhores chances do time. 7
Kleber: sacrificado no primeiro tempo, jogou muito bem no início do segundo tempo, até o gol. Depois, acabou acompanhando o time na postura desinteressada até o fim. 7,5
Maikon Leite: errou quase tudo o que tentou, mas foi sua entrada e seu posicionamento que possibilitou o massacre tático que culminou no gol de empate. 6
João Vítor: entrou perto do fim, fechou o meio e arriscou uma ou outra descida. 5,5
Felipão: não dá pra entender por que se conformou com o empate, quando poderia ter forçado uma vitória. 4

E-mail: conrado@verdazzo.com.br


Palmeiras 1×1 Bahia

19 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Inacreditável. Quando a fase é ruim, conseguimos não ganhar de um timinho como o Bahia, com duas bolas na trave, inúmeros gols perdidos e sendo vergonhosamente garfados, em casa – mesmo sendo só um casebre alugado. Com o empate, o Palmeiras praticamente dá adeus às chances reais de brigar pelo título. Claro que há muita coisa para acontecer e matematicamente tivemos até um exemplo recente de que isso é possível – o Flamengo em 2009. Mas na prática, mesmo que o time engrene e saia da urucubaca, a diferença já se tornou grande demais e o time não dá sinais de que vai enfileirar uma sequência matadora que seria a chave para uma reação. Seguimos apenas à espera de uma recuperação na Sulamericana para tentar salvar o ano.

Felipão enganou todo mundo ao mandar Luan a campo entre os titulares. Todos os treinamentos sugeriam que o time entraria com Kleber, Maikon Leite e Dinei, mas para surpresa geral, Maikon Leite ficou de fora. Só que tudo foi por água abaixo aos seis minutos, quando Dinei sentiu uma lesão muscular, obrigando Felipão a recompor o time com Maikon Leite. Tudo o que veio sendo treinado em função da presença de Dinei na área foi pro espaço.

Kleber não fica na área, não tem jeito. E o Palmeiras, mais uma vez sem centroavante, precisou contar com noites de muita dedicação, principalmente de Maikon Leite, em quem o banquinho de seis minutos fez um efeito fantástico. O moleque entrou voando, e o Palmeiras teve várias chances de seus pés – a primeira aos 13 minutos, quando recebeu uma bola da esquerda, na meia-lua, girou em cima do zagueiro e bateu colocado, no pé da trave direita de Marcelo Lomba. Pouco depois, na única oa jogada de Luan em toda a partida, ele cruzou bem na risca da pequena área, Kleber dividiu com Marcelo Lomba e a bola passou até o outro lado, Maikon Leite surpreendeu a todos tocando direto para o gol com pouco ângulo, Lomba se recuperou rápido e ainda tirou com o pé.

Depois desses lances, a marcação do Bahia apertou, e o Palmeiras voltou a sentir dificuldades na armação. Para piorar o cenário, os volantes não estavam numa boa noite, e Carlos Alberto tinha muita liberdade para articular com Jobson e Junior. O jogo estava perigoso. Num lançamento longo, Cicinho errou feio na interceptação  Jobson saiu na cara de Marcos, que abafou, na sequência o próprio Cicinho tratou de consertar a bobagem.

Valdivia foi entrando cada vez mais no jogo, e buscava boas enfiadas de bola nas movimentações de Kleber e Maikon Leite, mesmo muito marcado e sofrendo várias faltas – a maioria delas ignorada pelo péssimo árbitro goiano André Luiz de Freitas Castro. A defesa do Bahia cortou várias dessas metidas de bola na pontinha da chuteira, mas parecia que a qualquer momento uma iria passar. Numa jogada pela esquerda que o chileno apareceu para concluir a gol pela primeira vez: de Luan para Maikon Leite, que tocou para Kleber, aberto pela direita, Valdivia estava na trajetória, interceptou e bateu rápido, para mais uma defesa de Lomba, que àquela altura já era o melhor em campo.

O goleiro do Bahia, no entanto, não conseguiria defender a bola chutada por Kleber aos 43: de fora, o Gladiador bateu firme, com endereço, mas no último instante a bola quicou e tomou um inacreditável efeito para fora, acabou batendo na trave e correu na frente do gol. São lances como esses que nos fazem lembrar que, apesar de não acreditarmos em bruxas, elas existem.

O time voltou imprimindo o mesmo ritmo no segundo tempo. Aos 7, a primeira chance, num toque de Valdivia para Maikon Leite, que girou rápido e bateu forte, perto da trave esquerda de Lomba. No lance seguinte, finalmente o gol: numa rara boa jogada de Cicinho, ele partiu pra cima de Ávine e conseguiu jogar para a área; quem apareceu como centroavante foi Valdivia, que com muita esperteza conseguiu desviar com um toque sutil no canto direito de Marcelo Lomba. Era o fim de uma zica de mais de 300 minutos. E nada de joão-bobo: a comemoração como como homens.

O Bahia então saiu pro jogo, e numa cobrança de lateral, Carlos Alberto, no meio de três jogadores, e num vacilo incrível de Cicinho, conseguiu ainda o cruzamento no segundo pau, dentro da área – Diones Carioca, sem goleiro, perdeu o gol feito ao cabecear todo torto, para o chão. O erro custou ao rapaz o lugar no time: saiu Diones, entrou Jones. É sério.

Pouco depois, veio o lance capital do jogo e da sequência do Palmeiras no ano: falta para o Palmeiras perto da linha da área, do lado esquerdo. A barreira se posiciona muito perto. Valdivia reclama, todo chiliquento. O chileno, todos sabiam, estava pendurado, e o próximo jogo é um clássico. Havia uma porção de jogadores para exigir que a barreira fosse afastada, inclusive o cobrador da falta, Marcos Assunção. Mas parece que Valdivia fez questão de tomar o amarelo. A barreira continuou perto, Assunção teve que bater no canto do goleiro, que pegou, mas todo o estádio só pensava no cartão estúpido que Valdivia tinha levado.

O fato do time ter se desconcentrado por um instante por causa desse cartão, pensando no jogo de domingo, explica o gol tomado na sequência. Tudo começou numa falta sobre o próprio Valdivia em nosso campo de ataque, que o árbitro não marcou. O Bahia saiu rápido, e Fahel sofreu uma falta exatamente igual do lado esquerdo do ataque baiano. Na cobrança, a bola foi pra área e Titi, num impedimento grosseiro, se aproveitou do branco do time que ainda pensava no cartão e fez o gol de empate, aos 22.

O time se abateu, a torcida se abateu, até Felipão se abateu. E o Palmeiras esteve perto de tomar o segundo gol, não fosse Marcos crescer na frente de Reinaldo, em uma de suas defesas típicas, após passe de Carlos Alberto. E daí pra frente foi só desespero. Felipão colocou Chico no Marcio Araújo, que saiu reclamando, e liberou os laterais. Não adiantou muito. Depois, praticamente matou o time ao colocar Tinga no Luan, deixando Patrik no banco. O Verdão teve duas chances no final: numa falta que Marcos Assunção bateu na barreira, e numa rápida tabela em que Valdivia escorou para Maikon Leite, que teve a bola à disposição, na pequena área, mas concluiu sem firmeza, dando a chance da defesa a Marcelo Lomba. E o jogo acabou assim.

Temos que levar em consideração a falta de sorte de perder Dinei logo no início, por mais estranho que isso possa parecer. Na verdade, essa situação tinha que estar prevista, e tínhamos que ter peças para não depender do Dinei. Felipão tem boa responsabilidade nisso ao aproveitar Wellingon Paulista de forma errada, desestimulando o jogador que acabou preferindo voltar ao Cruzeiro. Nosso departamento médico andou vazio por muito tempo, o que camuflou a limitação numérica do elenco. Com a lesão de Dinei, um jogador que não tem similares no elenco (a que ponto chegamos!), essa fragilidade se expõe dramaticamente.

A nove pontos do líder, mesmo com tudo isso o time poderia estar brigando pela ponta não fossem os gritantes erros da arbitragem e a lamentável falta de pontaria verificadas nos últimos quatro jogos: Coritiba, Grêmio, Vasco e Bahia. Nesses jogos, perdemos exatos nove pontos, e poderíamos ter ganho todos. Tanto os erros de arbitragem como os erros técnicos de finalização são deficiências do departamento de futebol, da diretoria que não é eficiente nos bastidores, da comissão técnica que não apura os atletas nos fundamentos, dos jogadores, que não podem perder tantos gols feitos que até peladeiros fariam, e de todos que são responsáveis pela montagem do elenco, cujas deficiências vão ficar cada vez mais escancaradas daqui até o fim do ano, apesar do bom time titular.

Para domingo, além de Valdivia, perdemos Thiago Heleno e Gerley, suspensos. Convenhamos, o juiz fez seu trabalho de forma brilhante.

Atuações:

Marcos: podia ter saído com tudo na cabeça do Titi no lance do gol, apesar do impedimento. Mas pegou ótimas bolas durante a partida. 7
Cicinho: de bom, apenas a assistência para Valdivia. Fez uma de suas piores partidas com a camisa do Palmeiras. 4,5
Thiago Heleno: absoluto, jogando com cada vez mais personalidade. Um pecado o cartão que teve que tomar ainda no primeiro tempo. 8
Henrique: por cima, absoluto. Permanece com a mania de driblar e dar passes. 6,5
Gerley: arriscou umas subidas interessantes. Só tem que desistir de arriscar chutes a gol desastrosos. 6,5
Marcio Araújo: incrível o espaço que Carlos Alberto teve na partida. Culpado no cartão do Thiago. Pela primeira vez em dois anos demonstrou emoções: saiu nervosinho ao ser substituído. 2
Marcos Assunção: chegou atrasado na maioria das jogadas, e não conseguiu nenhuma boa batida nas bolas paradas. 4,5
Valdivia: vinha sendo um dos melhores do time até resolver reclamar com o juiz. Se não foi de propósito, foi muito burro. Anulou o efeito do belo gol que fez. 5,5
Kleber: obrigado a ser centroavante, coisa que não faz, compensou com empenho. Fez sua parte como em suas partidas típicas. O gol ainda não saiu, literalmente bateu na trave. 7,5
Luan: acertou apenas uma boa jogada em toda a partida. Tem que ir pro banco. 2
Dinei: quando uma vaga de titular cai no colo, tem que parar por 30 dias por lesão muscular. É muito azarado. S/N
Maikon Leite: foi o atacante mais efetivo do time, com várias finalizações, mesmo com pouco espaço. Mas precisa caprichar mais pra voltar a ir às redes. 8
Chico: entrou pra segurar o meio e liberar os laterais, mas sua cobertura não adiantou muito, e o Bahia poderia até ter feito o segundo em contra-ataques perigosos. 5
Tinga: parecia piada do Felipão quando ele chamou o Tinga do aquecimento. Mas não era. S/N
Felipão: deve ter sido a partida de maior pressão sobre Felipão em todas as suas passagens pelo Palmeiras. E mesmo com um empate em casa, saiu-se bem na coletiva e abafou a crise. Dentro de campo, pagou pelas más escolhas que fez na escalação, nas contratações e nas dispensas. 5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Vasco 1×0 Palmeiras

14 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Perder de seis, com o adversário dando um chocolate, deixando o time do Palmeiras tonto, é ruim. Mas não é tão indigno quanto perder de um a zero, errando pelo menos cinco gols feitos, e com o adversário tendo criado apenas duas chances no jogo inteiro. O Palmeiras deu um show de incompetência nas finalizações, e se não mereceu perder pelo volume de jogo, zombou de uma das máximas mais antigas do esporte, e tomou o castigo. Como dizer que não é merecido?

Com Dinei no ataque, o Palmeiras evoluiu demais no aspecto tático. A simples presença de um centroavante de ofício, mesmo limitadíssimo tecnicamente, fez com que o time voltasse a construir jogadas com começo, meio e fim. Em relação ao time que empatou com o Grêmio e que perdeu para o mesmo Vasco pela Sulamericana nos últimos oito dias, o crescimento foi assombroso. Com Chico e principalmente Marcio Araújo fazendo uma ótima partida no meio-campo, segurando a dupla Juninho e Felipe, a posse de bola ficou muito mais com o Verdão, que criou seguidas chances de gol, algumas muito claras.

A primeira nasceu numa jogada de Kleber, que cruzou para Dinei, que foi travado; Renato Silva ficou com o rebote e tentou despachar; Luan pressionou e bloqueou o chute; a bola sobrou limpa para Valdivia, de frente para o gol, mas o chileno não teve calma suficiente e soltou uma bomba por cima, desperdiçando a chance. Logo em seguida, jogada de Luan pela esquerda, que cruzou na linha da pequena área para Dinei, que foi pressionado por Renato Silva e não conseguiu o arremate. O massacre continuava, e Valdivia fez sua única jogada magistral do jogo, acertando um lançamento perfeito para Kleber que, em posição legal, saiu por trás da zaga, deu um lençol no goleiro e na queda da bola, em vez de tocar para o gol e correr para o abraço, esperou ela pingar para ajeitar o corpo, e com isso deu tempo da recuperação da zaga. A bola espirrou e Dinei ainda veio na corrida, tentando cutucar para dentro, sem sucesso.

Depois de trinta minutos em ritmo bastante acelerado e de uma avalanche de gols perdidos, o Palmeiras diminuiu um pouco a velocidade, um tanto para se poupar para o segundo tempo, outro tanto porque o árbitro resolveu travar o jogo, apitando faltas até do vento, especialmente se fosse sobre Juninho ou Felipe. Não podia encostar nas moças. O zero a zero seguiu até o fim do primeiro tempo, mas tudo indicava que, de tanto martelar, o Palmeiras acabaria achando no mínimo um gol.

Os times voltaram iguais, e Luan parecia que estava um tanto quanto além da dose, pilhado demais. Entrou em confronto aberto com Fagner, e desviou o foco do jogo. Em vez de continuar buscando os gols, o time passou a se preocupar em se digladiar com os jogadores do Vasco, e, apesar de continuar tendo o controle do jogo, o ritmo diminuiu. A única boa chance foi numa cabeçada de Chico, após escanteio, que foi no travessão. Pouco depois, Luan foi empurrado por Anderson Martins dentro da área, quando arrancava para o gol, mas o fraco árbitro deixou seguir. O Vasco teve sua chance em surpreendente jogada de Rômulo pela direita, ele passou por Henrique, invadiu a área e faria um golaço não fosse a esplêndida defesa de Deola. Bernardo também teve uma boa chance ao ser lançado na equerda, e do bico da pequena área bateu cruzado, mas a bola preferiu bater na trave e sair. Era o aviso.

Felipão demorou um pouco mas finalmente tirou Luan. Mas em vez de colocar Patrik, optou por Maikon Leite. Até poderia funcionar, e quase deu certo, numa rápida troca de passes entre Valdivia e Cicinho, o cruzamento veio na medida para Maikon Leite, de frente, com o gol aberto, mas o atacante fechou os olhos na cabeçada e conseguiu errar o alvo. Aí os tais deuses do futebol ficaram com o saco cheio do Palmeiras. Felipão ainda colocou Patrik no Dinei antes de ver, aos 35 minutos, o Vasco abrir o placar: Bernardo teve uma falta de média distância pela esquerda e cobrou com perfeição, ao lado da trave direita de Deola, que não teve chances.

Felipão foi para o tudo ou nada e sacou Marcio Araújo para a entrada de Vinicius, tentando corrigir o fato de ter tirado o homem de referência na área. E no primeiro lance, Vinicius, que entrou para jogar como centroavante, recebeu de Patrik uma bola açucarada, e saiu na cara de Fernando Prass, mas mostrou muita grossura no domínio – de canela, adiantou demais a bola e ainda atingiu o goleiro sem necessidade, permitindo ao adversário matar quase dois minutos na cera. O Vasco conseguiu segurar o resultado e comemora a segunda vitória seguida sobre o Palmeiras, que desta vez passou de todos os limites no que diz respeito a deixar seu torcedor com raiva. A forma com que os atacantes desperdiçaram chances escancaradas de gol é para deixar até o mais calmo dos torcedores indignado.

Passado o momento do jogo, resta ao time esfriar a cabeça e continuar a caminhada. Menos mal que os adversários diretos perderam pontos fáceis na rodada, e o desastre não foi tão grande. O time cai mais uma posição na tabela, e agora está em sexto, mas a sete pontos dos líderes – uma diferença que é perfeitamente ‘tirável’. Se por um lado a pontaria dos atacantes desanima, o mais difícil, que é recuperar um padrão de jogo aceitável, o grupo demonstrou que conseguiu. Tudo o que os jogadores precisam agora é da paciência da torcida para voltarem a acertar, e o próximo jogo, contra o Bahia no Canindé, será fundamental. Teremos três jogos-chave em sequência a partir do domingo: bambi no panetone, Vasco no Pacaembu, pela Sulamericana; e gambá em Prudente. O futuro do time nas duas competições pode ser selado na semana que vem, ou podemos continuar fortes nas duas. O que mais precisamos é da recuperação da confiança, no jogo contra o Bahia. Que torcedores e jogadores façam suas partes.

Atuações:

Deola: uma defesa espetacular na jogada de Rômulo, e uma boa defesa numa falta de Bernardo, antes da outra onde saiu o gol, que foi indefensável. 8
Cicinho: teve problemas quando Bernardo entrou no lugar do Éder Luís, e chegou a levar um cartão. Mas no geral fez uma partida razoável, tendo até participado de bons apoios. 6,5
Thiago Heleno: continua sendo o maior destaque da defesa, seguro e consciente. 8
Henrique: mostrou que está recuperado da má partida de quinta. Só precisa ter a humildade de tirar de bico quando precisa em vez de achar que é o Luís Pereira e sair driblando. 6,5
Gerley: continua no nível entre Rivaldo e Gabriel Silva. Não compromete, mas está bem longe de ser a solução. 5,5
Chico: bem no preenchimento de espaços no meio, quase deixou o dele num escanteio. Precisa melhorar o passe. 6,5
Marcio Araújo: boa partida como segundo volante, no desarme foi brilhante; no apoio, deixou a desejar. Não que esperássemos que ele fosse um Mazinho… 6,5
Luan: até participou da criação de algumas jogadas de gol, e se os finalizadores não tivessem errado, seria heroi. Mas até nisso deu azar. Aí resolveu brigar e acabou com o foco do time. 2
Valdivia: errou um gol feito logo no início que mudou o rumo do jogo. Depois achou duas ou três jogadas boas no decorrer da partida. É pouco pelo que se espera dele. 5
Dinei: perdeu um gol fácil, mas sua presença foi determinante para que o time voltasse a jogar taticamente bem. 6
Kleber: outro que perdeu um gol fácílimo, mas também temos que reconhecer que foi importante na criação de outras tantas boas jogadas do time. 6
Maikon Leite: esse entrou para decidir, teve a chance e desperdiçou, depois não fez mais nada. ZERO
Patrik: boa participação, deu o gol para Vinicius empatar. Devia ter entrado desde o início. 6,5
Vinicius: tocou uma vez na bola. Com a canela. ZERO
Felipão: desta vez, foi corretíssimo, não teve culpa. Poderia ter tirado o Luan e colocado o Patrik na primeira, já resolvia o time, sem tirar o Dinei. A segunda mexida é que não foi boa. Mesmo assim, sai deste jogo com o moral totalmente recuperado, se é que alguma vez esteve ameaçado. 8

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Palmeiras 0×0 Grêmio

7 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Frustração. Não há outro termo para descrever o sentimento do torcedor ao sair do Canindé após assistir o chato empate em 0×0 entre Palmeiras e Grêmio. Foi o maior público visto no estádio este ano, e apoio não faltou ao time, mas os jogadores não conseguiram furar o bloqueio do Grêmio e deixaram escapar dois pontos irrecuperáveis. Quase todos os astros do Palmeiras deixaram a desejar: Valdivia, Kleber e Felipão. Só São Marcos mesmo arrancou aplausos neste jogo lamentável, que merece ser esquecido.

Sem poder escalar Luan, suspenso, Felipão escalou Patrik em sua função, pela esquerda, pelo menos no início do jogo. Não funcionou, E vimos as peças do ataque do Palmeiras muito distantes entre si. Não tínhamos jogada. Marcio Araújo então passou a ocupar o setor, chegou de surpresa algumas vezes, mas na hora do último passe, ele se perdia. Maikon Leite então passou a jogar pela esquerda, isso ainda aos 20 minutos, foi quem levou mais perigo, mas o cruzamento não saía pela dificuldade com o pé esquerdo – era chegar no fundo e ter que virar o corpo para conseguir o passe, e aí a defesa do Grêmio tinha aquele tempo a mais para se posicionar.

Com os avanços de Marcio Araújo, nossa retaguarda ficou surpreendentemente desprotegida, dando espaços para as tentativas de aproximação de Lucio e Douglas. Marcos Assunção foi amarelado logo no início do jogo, e teve que maneirar nas chegadas. O resultado foi um show de Henrique, uma partida que tranquiliza a todos que ficaram desconfiados com os minutos sem ritmo mal jogados em Curitiba.  Mas no ataque as coisas continuavam mal, com Valdivia, Kleber e Maikon Leite sem a menor coordenação, jogando cada um por si. Vez ou outra saía uma tabelinha, devido principalmente ao esforço de Patrik, o mais lúcido dos quatro no primeiro tempo.

Quem foi escalado para cair pelo lado esquerdo no segundo tempo foi Valdivia. E foi a melhor opção, já que ele compensou a falta do pé esquerdo com sua conhecida habilidade. Num lance genial, quando todos esperavam um passe, ele meteu a bola entre os zagueiros do Grêmio no cantinho de Victor, que teve dificuldades para defender. Em outra jogada pelo lado esquerdo, Gerley cruzou no segundo pau e Patrik fechou de voleio, quase fazendo um golaço. O Grêmio, que tinha conseguido bloquear o meio-de-campo no primeiro tempo, já era só defesa, e tentava ameaçar só nos contra-ataques. Num lance isolado, André Lima fez boa tabela com Lúcio Maldini e bateu para fora.

O árbitro Ricardo Marques Ribeiro também não agradou. Pareceu em vários momentos estar determinado a segurar o Palmeiras, dando vantagem em lances em que a falta nos favorecia, parando o lance quando a vantagem para nós era nítida, e permitindo ao Grêmio, um timinho que não honra a camisa que tem e não quis jogar bola, fazer uma sucessão de faltas sem punir com cartões. Ao todo, foram 27 faltas dos gaúchos, contra apenas 15 do Palmeiras. Mas o pior ainda estava por vir.

Victor ainda apareceu mais uma vez num chute de fora de Patrik, após um passe de calcanhar de Henrique. A bola tinha o endereço certo – a jogada aconteceu após mais uma falta de Marcos Assunção batida na área sem que assustasse a defesa do Grêmio, muito alta. As bolas aéreas definitivamente não eram a melhor opção para este jogo. Mesmo assim, Felipão mandou Dinei para o jogo, no lugar do Maikon Leite, que saiu bravinho. E não é que ele teve duas bolas muito boas para definir o jogo, em falhas da defesa do Grêmio? O centroavante conseguiu dois arremates, e nas duas os defensores do Grêmio se atiraram em direção à bola, salvando Victor, que teria sérios problemas nas duas.

Mas quem teve a bola do jogo mesmo foi Leandro, do Grêmio, após uma jogada irregular: André Lima fez falta claríssima em Marcos Assunção, mas o juiz, que realmente dava a impressão de estar mal intencionado, não marcou nada. Com a defesa desprevenida, a bola chegou até Leandro, de frente para Marcos, e ele tentou jogar por cima, confiando que o Santo Goleiro sairia em seus pés. Muito experiente, Marcos esperou o toque e apenas saltou, como num bloqueio de vôlei, evitando a catástrofe. Tudo graças ao péssimo árbitro.

Felipão ainda tentou colocar Vinicius no Patrik, o que deixou o time mais acéfalo ainda na frente. Infelizmente as peças de ataque do Palmeiras, de reconhecido talento, ainda não acharam o entrosamento e a coordenação ideal. O campeonato vai passando, e os pontos vão sendo perdidos. E Felipão tem uma enorme responsabilidade nisso. Certamente agora vai se abrir um debate sobre a importância de Luan para o time – o que é um erro. Luan é importante para o esquema que Felipão treina há vários meses. Não houvesse uma dependência tática tão grande desse jogador, e talvez as coisas estivessem mais fáceis. O álibi de Felipão neste caso é o pé esquerdo de Luan. Único canhoto do setor ofensivo deste elenco, Luan não teria tido as dificuldades que nossos atacantes tiveram hoje ao jogar pelo lado esquerdo, e que acabaram consagrando o volante improvisado na lateral Adilson. Que irônico.

O time volta a campo agora na quarta-feira pela Copa Sulamericana, contra o Vasco em São Januário – time que vive uma grande fase. Mas o Palmeiras antes disso ainda vai remoer os pontos perdidos esta semana, principalmente os desta noite contra o Grêmio. O Flamengo venceu mais uma, e já abriu largos seis pontos. E ainda temos que secar os rivais paulistas amanhã. O campeonato vai ficando cada vez mais difícil, mas ainda há tempo para uma reação – que está intimamente ligada a um acerto do setor ofensivo. Não é possível termos um aproveitamento tão baixo com jogadores tão qualificados.

Atuações:

Marcos: uniforme lindo, sacaneado pelo juiz no segundo tempo – mandou trocar por causa das meias do Grêmio. Ah, duas ótimas defesas. 9
Cicinho: cada vez menos presente no ataque – talvez fosse uma válvula de escape importante, como foi no Paulista. 7
Mauricio Ramos: cometeu um erro grave, como sempre, ao passar mal uma bola que rendeu um ataque perigoso ao Grêmio. Desta vez, não deu em nada. 5
Henrique: partida espetacular, um monstro na zaga, e arriscou até passe de calcanhar no ataque. Deve fazer uma dupla intransponível com Thiago Heleno. 9
Gerley: Gabriel Silva não terá dificuldades em recuperar a posição, o menino já mostrou sérias limitações. Mas bate Rivaldo, de longe. 5
Marcio Araújo: que dificuldade nos passes, hein, Gente Boa? Apesar dos erros, foi importante taticamente, aparecendo até como homem-surpresa no ataque. 6
Marcos Assunção: num jogo cheio de faltas, não bateu bem nenhuma – a melhor foi numa que só assutou porque desviou na barreira. Foi amarelado cedo, e está fora do próximo jogo. 6
Valdivia: teve seu melhor momento no segundo tempo, quando foi incumbido de cair pela esquerda. Mostra que não desaprendeu, com lances geniais. Mas coletivamente está devendo. 6,5
Patrik: o mais lúcido do ataque, correndo por todos e tentando preencher os espaços. Mas também errou passes demais. Se faz aquele gol de voleio, era para placa. 7
Maikon Leite: aberto pela esquerda, não funcionou. Pela direita, também não. A seu favor, o pouco espaço do Canindé. Não justifica. 4,5
Kleber: anulado pela defesa do Grêmio. Sai demais da área e se furta a ser a referência de ataque do time. A verdade é que Kleber parece que ainda não fez o sétimo jogo. 4
Dinei: partida interessante, dentro de suas limitações. Teve duas boas chances, foi bem nas duas. 7
Vinicius: entrou no finalzinho e não fez nada. S/N
Felipão: a coisa está feia, mestre. Nossa proposta de contrato vitalício permanece intocada, mas precisamos que esse ataque funcione. O time precisa jogar mais compactado, as peças de ataque estão muito distantes. Já era tempo disso estar sendo corrigido, de mostrar alguma evolução. 3

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Coritiba 1×1 Palmeiras

4 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Tivemos em Curitiba mais um jogo pegado, renhido. O Verdão, após perder Thiago Heleno, expulso na parte final da partida, segurou o empate, e segue no bolo. Pelas circunstâncias do jogo o resultado não foi ruim, mas as vitórias dos concorrentes diretos faz com que o Palmeiras fique um pouco para trás na tabela – nada desesperador, principalmente porque a rodada passada tinha sido muito boa.

O Palmeiras entrou em campo ligeiramente modificado em relação ao planejado: Maikon Leite, muito gripado, ficou de fora até do banco. Patrik foi para o jogo em seu lugar, e tivemos a perspectiva de um melhor rendimento de Valdivia. O Verdão começou bem o jogo, não deixando o Coxa tomar conta do campo no embalo da torcida, que compareceu em bom número ao Couto Pereira, apesar do frio de 3 graus. Mas num escanteio, aos 9 minutos, Pereira ganhou fácil de Mauricio Ramos e obrigou Marcos a fazer um milagre; Jeci chegou na corrida e aproveitou o rebote para abrir o placar. Justo o Jeci. E ele ainda comemorou como um joão-bobo. Nada podia ser pior.

O estádio se incendiou, e o Coritiba teve cinco minutos de domínio absoluto, dando a impressão que poderia aumentar a vantagem rapidamente. Marcos foi obrigado a sair nos pés de Bill para evitar o segundo gol. Um pesadelo se desenhou na mente do torcedor palmeirense, mas logo se dissipou, com o time reagindo e se recolocando no jogo. Kleber, Patrik e Valdivia jogavam bem próximos entre si, o que facilitava o toque. Aos 20, Kleber sofreu uma falta pela esquerda, que Marcos Assunção cobrou no primeiro pau, e contou com o desvio de Leo Gago que matou o goleiro Edson Bastos. O gol de empate calou o Couto Pereira.

Daí para a frente o Palmeiras tomou conta do jogo, dominando o meio-de-campo e envolvendo o Coritiba, mas não esperava que entrasse em campo o décimo-segundo jogador dos paranaenses. O árbitro Célio Amorim passou a prejudicar o Verdão em lances seguidos. Primeiro deixou de dar amarelo para Jeci numa jogada idêntica à que tinha acabado de advertir Valdivia. Na reclamação dos jogadores do Palmeiras, amarelou Kleber e Luan. Logo em seguida, de frente para o lance, não deu um pênalti claríssimo, escandaloso, de Emerson sobre Luan.

O Palmeiras ainda teve outra chance numa falta batida por Marcos Assunção que Edson Bastos defendeu, e no último lance do primeiro tempo, Valdivia escapou por trás da zaga num lançamento espetacular de Assunção; o chileno matou a bola e já se preparava para marcar, quando foi assinalado o impedimento. Num lance exatamente igual, duas horas antes, um gol foi validado no Pacaembu.

Os times voltaram iguais do intervalo, e o Palmeiras veio mais a fim de vencer o jogo. As tabelas entre Valdivia e Kleber saíam, mas sem muito brilho, nada que surpreendesse a defesa do Coxa. Luan mais uma vez participou demais do jogo, mas sempre daquela forma atrapalhada que já conhecemos. O Coxa parava na forte marcação de nossa dupla de volantes e de Cicinho, que foi um monstro no fundamento. Foi quando Marcelo Oliveira deu um passo à frente: tirou Leandro Donizete, que já estava amarelado, e colocou Anderson Aquino.

Felipão ficou com a faca e o queijo nas mãos, mas não aproveitou. Com a proteção à zaga do Coritiba enfraquecida, era hora do Palmeiras explorar a velocidade no contra-ataque, tirando Patrik e colocando Vinicius. Mas Felipão não fez nada. E o Coritiba cresceu, passando a dominar o meio-de-campo. Num passe errado de Mauricio Ramos, Rafinha cortou e enfiou a bola para Bill, que ia sair na cara de Marcos. Thiago Heleno foi obrigado a cometer a falta, e foi expulso. Com um a menos, o Palmeiras teve que abrir mão da vitória e passou a defender o ponto do empate. Henrique fez sua reestreia ao entrar no Patrik para recompor a defesa, e ainda frio, quase quebrou a espinha num corte de Rafinha dentro da área; o meia do Coxa soltou a bomba para fazer o gol da vitória, mas Marcos fez uma defesa sensacional, salvando o Verdão, e ficou nisso.

As vitórias dos concorrentes diretos deixou um gosto amargo, mas o empate, diante das circunstâncias, não vai fazer ninguém dormir de cabeça quente, a não ser pela atuação do juiz. Para o jogo contra o Grêmio, o time perdeu Thiago Heleno, expulso, e Henrique deve cobrir a vaga. Além da torcida pelo Palmeiras, segue a secação aos rivais – que nesta rodada não funcionou muito – e o bolo de cima tem agora, definitivamente, a presença do Vasco, que resolveu entrar numa ótima fase bem na semana do confronto com o Verdão pela Sulamericana. Tudo é difícil.

Atuações:

Marcos: só não leva dez porque a bola do primeiro milagre acabou entrando. E nem foi culpa dele. 9,5
Cicinho: partida muito firme na defesa, como poucas vezes. Só desceu na boa, e nessas, também teve boas participações. 8,5
Mauricio Ramos: voltou ao normal. Como não falhou no jogo passado, resolveu compensar nesta partida – e como compensou. ZERO
Thiago Heleno: não vinha mostrando nada excepcional, até a jogada do sacrifício, em que impediu o gol de Bill. Valeu. 7,5
Gerley: em sua terceira partida, já nos fez sentir saudades de Gabriel Silva. Afobado na marcação, fez faltas bobas e errou muitos passes. Saudades de Rivaldo? Ainda não. 3,5
Marcio Araújo: voltou com tudo da suspensão, foi fundamental para o domínio do meio-de-campo exercido pelo Palmeiras. Se seu passe fosse um pouco mais apurado… 7,5
Marcos Assunção: um dos melhores do time, tanto na marcação como na saída. Pena que a bola não passou tanto por ele. O Palmeiras precisa dar menos chutão. 8
Valdivia: vai melhorando, foi sua partida mais consistente desde a volta, mas sem brilho algum. E é brilho o que esperamos do chileno. Sabemos do que ele é capaz. 6
Patrik: como esperado, o time teve mais consciência com sua presença. Não foi simplesmente um cover do Maikon Leite, e o time com ele mostrou variação. 6,5
Luan: ficamos à espera de chutaços como aquele contra o Cruzeiro. Conforme desconfiávamos, aquele foi o único na vida, agora só na próxima. Erra demais. 5,5
Kleber: amarelado logo no início, perdeu a intensidade. Parece que ele joga mais quando reclama. Mesmo assim, foi o mais lúcido do ataque. 6,5
Henrique: bem-vindo de volta, xerife. Mas vamos falar de jogo só no sábado; o desta noite, deixa pra lá. S/N
João Vítor: entrou no finalzinho só pra gastar o tempo e fechar mais ainda o meio-de-campo. S/N
Felipão: teve a chance de ganhar o jogo na primeira mexida do Coritiba, mas ficou parado. Quase levou um castigo imenso. A fase não está boa. 4

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Assalto no Couto Pereira

3 de agosto de 2011 por @cesarmorelli  
Postado em: Arbitragem, Humor, Verdazzo


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Para você, o árbitro Célio Amorim é

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Palmeiras 3×2 Atlético-MG

31 de julho de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Sob chuva fina, o Verdão venceu o Atlético-MG no Canindé, aproximou-se da liderança do campeonato, e agora seca os inimigos, que jogam no domingo. O time, sem Kleber, encontrou alguma dificuldade para furar a defesa do Atlético, que surpreendeu e veio com três zagueiros. A novidade foi a reintegração de Luan, e a dispensa de Wellington Paulista, liberado para o Grêmio. A negociação de Luan teve o desfecho na manhã do sábado – uma engatilhou a outra.

João Vítor fez o papel de Marcio Araújo. Com a entrada de Luan no time, Maikon Leite voltou para o lado direito, e Dinei fez o papel de Kleber. Felipão, ao contrário do que parecia, vai montando um esquema bastante rígido, sem alternativas táticas, tornando o time bastante previsível – o que preocupa para a sequência do campeonato, principalmente para a reta final.

Dorival Junior, por sua vez, surpreendeu ao escalar Lima como terceiro zagueiro, e Eron na lateral-esquerda. Cicinho teve bastante dificuldades no primeiro tempo, já que o garoto tendia a avançar bastante, e o Verdão demorou um pouco para acertar a marcação pelo setor. Lá na frente, Dinei continuava esbarrando em suas limitações naturais, e Valdivia tinha um certo espaço sobrando, que não era bem aproveitado.

O jogo deu uma balançada com os dois gols seguidos. O Verdão abriu o placar numa falta sofrida por Dinei pelo lado esquerdo, perto da lateral. Assunção tentou jogar na risca da pequena área, colocou força demais e acabou encobrindo o goleiro Giovanni, que falhou no lance. Um minuto depois, Luan errou um passe no meio e deu o contra-ataque para o Galo. Magno Alves recebeu e girou em cima de Cicinho, que foi ingênuo na jogada. A batida não foi muito forte, mas desviou e Mauricio Ramos e tirou Deola da jogada: 1×1.

Com o empate, o Atlético se retraiu, como que num vício de time pequeno que que vem para empatar. O Palmeiras cresceu, e articulou várias jogadas. Pelo menos três delas morreram nos pés de Maikon Leite, que entrou em campo calçando sapatilhas de balé, o que o fez escorregar e se estabacar pateticamente no chão em todos elas.

Cicinho e Valdivia cresceram bastante no jogo a partir da segunda metade do primeiro tempo. O lateral se apresentou mais ao ataque, e passou a cruzar bolas interessantes para a área do Galo, que renderam finalizações. O chileno, por sua vez, chamou o jogo para si, e não só articulou jogadas, tabelinhas e enfiadas de bola, como também arriscou jogadas individuais, finalizando para o gol. Ao final do primeiro tempo, o placar de 1×1 não era tão justo, embora o Atlético tenha tido uma excelente chance com Leonardo Silva, que aproveitou um cruzamento de Eron numa falta pela esquerda e cabeceou forte, para excelente defesa de Deola.

Sem alterações para o segundo tempo, o Verdão veio decidido a alcançar a vitória. Imprimindo um volume de jogo bastante alto, fez o segundo numa jogada de pressão: Marcos Assunção levantou para a área, a zaga rebateu mal, para o meio, e Luan chegou batendo de direita, forte, fazendo o segundo, aos 16 minutos. Aí vieram as mexidas: Maikon Leite, que voltou com travas altas, mas ainda de sapatilhas e ainda escorregando, foi sacado, para a entrada de Patrik. Embora ele tenha se posicionado aberto pela direita, sua tendência natural de se aproximar do meio deu mais agilidade a Valdivia, e foi o melhor momento do Verdão no jogo.

Dorival Junior mostrou que é um treinador de alto nível, ao fazer uma mexida tripla, e alterando o esquema para um 3-4-3, tirando Serginho, que não foi expulso pelo péssimo Sandro Meira Ricci num lance de segundo amarelo, e colocando Wesley, e trocando Jonatas Obina e Magno Alves por André e Neto Berola. Com um ataque veloz e descansado, o Atlético passou a ser muito perigoso, e o Palmeiras manteve o jogo sob controle ao segurar a posse da bola, sem rifar desnecessariamente. E assim chegou ao terceiro: belo passe de Gerley para Luan, que invadiu e cruzou, Valdivia foi travado na hora do chute, e a bola chegou em Patrik, que deu um toquinho sutil no canto de Giovanni, aos 34 minutos.

Parecia a definição do jogo, mas o Galo rapidamente deu o troco. E não é força de expressão: o maldito Neto Berola, numa corrida incrível, evitou a saída da bola pela linha de fundo, e no domínio já tirou Gerley, que ficou vendido da jogada. Com a bola pingando, apenas serviu a Wesley, que fechava pelo meio e cumprimentou de cabeça para o gol vazio, fazendo o Atlético voltar a ficar colado no placar.

O Verdão passou um certo sufoco no final, mas o Galo não teve forças para chegar ao empate. No final, o placar foi justo pelo que fizeram as duas equipes, e as cerca de dez mil pessoas que foram ao Canindé saíram satisfeitas do estádio, a não ser pela sucessão de odores a que foram submetidos: o vento que vinha da marginal trazia o cheiro podre do rio Tietê, que se misturava com a fumaça da churrascaria que fica entre o rio e o campo da Portuguesa. Calculem só o resultado.

O destaque negativo foi o árbitro Sando Meira Ricci, que conseguiu desagradar aos dois times. Dorival Junior reclamou bastante da arbitragem numa suposta falta no lance do segundo gol do Palmeiras. E Felipão foi expulso por reclamar, com razão, de diversas faltas não marcadas a favor do Palmeiras, e da não-expulsão de Serginho, num lance claro de cartão amarelo – seria o segundo. O Verdão chegou a 25 pontos, apenas 3 atrás do líder, que tem dois jogos a menos. A secação será forte na tarde deste domingo. Ao Atlético, resta lutar contra o rebaixamento. Com o reforço de André, a volta de Guilherme e o trabalho do ótimo Dorival Júnior, devem conseguir se manter na primeira divisão.

Atuações:

Deola: ótima defesa no primeiro tempo, numa cabeçada de Leonardo Silva. Não tinha o que fazer nos gols. 8,5
Cicinho: começou confuso, podia ter marcado melhor no lance do primeiro gol. Mas subiu bastante de produção na sequência. 7,5
Mauricio Ramos: vinha numa fase terrível, acobertada pelos gols marcados lá na frente. Desta vez, não marcou, mas como zagueiro (ora, vejam!) foi perfeito, partida memorável. 9
Thiago Heleno: partida discreta. Teve dificuldades quando o Atlético veio pra cima com três atacantes. 6,5
Gerley: continua mostrando personalidade. Marcou e apoiou bastante, correndo muito. No final, perdeu na velocidade para Neto Berola. Não dá para condenar. 7
João Vítor: jogou bem abaixo do que Marcio Araújo vinha mostrando. Mas também não comprometeu. 6
Marcos Assunção: parece numa fase física muito boa, aguentando o tranco e correndo o quanto precisa, aproveitando os atalhos do campo. Na bola parada, mais uma vez, decisivo. 8
Valdivia: demorou para aproveitar o espaço dado pelo Atlético, mas quando o fez, chegou a ter repentes geniais. Se voltar a fazer partidas inteiras como nesses momentos, estamos bem. 7,5
Luan: foi o personagem do jogo. Muito mal tecnicamente na maioria dos lances, mas participa demais do jogo. Entre tantos erros, acertos fundamentais para a vitória. 8
Maikon Leite: partida bisonha, marcada apenas por escorregões. 4
Dinei: só serviu para preencher os espaços e ocupar parte da defesa do Atlético. Pouco. 5
Patrik: entrou muito bem, dando mais dinamismo ao time e encurtando o toque de bola. Bem colocado, fez o gol que definiu o vitória do time. 8
Felipão: de repente deixa claro que o esquema nunca mais vai mudar, com jogadores fazendo sempre os mesmos papéis dos substituídos. Pode ser eficiente, mas quando o bicho pegar lá na frente, o time vai ficar manjado e previsível. 5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Figueirense 0×1 Palmeiras

28 de julho de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Numa partida camuflada pelos jogos cheios de gols na Vila Belmiro e no Couto Pereira, o Verdão venceu o Figueirense por 1×0, e quebrou duas escritas ao mesmo tempo: ao conseguir a primeira vitória fora de casa, foi também o primeiro time a bater o Figueirense no Scarpelli. O time se ressentiu mais uma vez de lucidez ofensiva, e o resultado, assim como no jogo passado, veio num detalhe. Com a vitória, o time subiu para o quarto lugar, e segue no comboio.

O gramado molhado atrapalhou muito as duas equipes no início do jogo. Mas o Verdão já teve uma chance logo com um minuto: Valdivia roubou a bola e esticou, Kleber saiu na cara de Wilson e tocou por baixo, mas o goleiro do Figueira foi muito feliz e desviou o suficiente para a bola sair. Com Wellington Paulista aberto pela direita, Maikon Leite pela esquerda, e Kleber fazendo um ponta-de-lança, Valdivia tinha muitas opções de jogada, e o domínio do Palmeiras era evidente. Até que numa falta batida pela esquerda, Mauricio Ramos cabeceou no pé da trave, e na volta Kleber dominou e fez o gol, mas o bandeirinha erradamente marcou impedimento.

Jorginho, percebendo a situação, atrasou a marcação do Figueirense, matando assim as tentativas de jogada de enfiada de bola do Palmeiras, e reequilibrando o jogo. O Palmeiras não se adaptou à falta de espaço entre a linha de defesa do Figueirense e a linha de fundo, quando deveria buscar mais os chutes de fora da área, e avançou perigosamente a linha de apoio, dando espaço para o contra-ataque do time da casa. Deola teve que se virar numa bola dividida com Aloisio.

O árbitro Alício Pena Junior é um dos piores, se não o pior, de todo o quadro que apita a Série A. Confuso, preguiçoso, não apitou o jogo. Parecia que estava lá de favor. E embora tenha prejudicado bastante o Palmeiras principalmente nas faltas sobre Kleber que deixou de marcar, podia ter mandado Thiago Heleno para o chuveiro ainda no primeiro tempo.

Felipão não mexeu no intervalo, esperando alguma atitude de Jorginho para então fazer algum movimento. O time da casa voltou com Elias, aquele que era do CAG nos 3×0 do Pacaembu, no lugar de Heber, e o time ficou com mais consistência na armação. Wellington Paulista fez o papel que normalmente é de Luan, só que do lado direito, cobrindo até as descidas do Cicinho – daí o posicionamento invertido de Maikon Leite, pela esquerda. Mas Wellington não tem nem de longe a força na arrancada que tem Luan, e seu desempenho mais uma vez ficou muito abaixo do desejado. Felipão não o escala como centroavante nem a pau, e o time ainda busca o melhor ajuste.

O jogo estava comendo solto, e Maikon Leite fez a jogada pela esquerda, tocando para Kleber e correndo para o meio. Kleber fez o breque e devolveu; Maikon Leite entrou driblando e tocou na saída de Wilson, mas a bola tocou a trave esquerda. Felipão então resolveu mexer no time, e tirou Valdivia para colocar João Vítor. Foi um desastre. O chileno não fazia lá uma grande partida, mas seu talento sempre dá a perspectiva de sair um lance genial a qualquer momento. A entrada de João Vítor emperrou o time, que passou a viver das bolas paradas.

Mesmo com a entrada de Luan no Wellington, Marcos Assunção passou a ser o personagem do jogo. Primeiro, bateu uma falta que obrigou Wilson a jogar para escanteio. Depois, com a bola rolando, arriscou um tiro de longe, e o goleiro mais uma vez defendeu com alguma dificuldade. Mas aos 37, numa falta pela lateral, não teve jeito: bola batida por Kid em cima de Wilson, que não conseguiu segurar; a bola espirrou, bateu na barriga de Mauricio Ramos que fechava, e foi para o gol.

Felipão colocou Chico no Maikon Leite, para fechar o time e resistir à pressão final. E foi um sufoco.Elias cobrou falta na área, Fernandes cabeceou de costas e a bola saiu raspando o pé da trave. Aloisio entrou driblando pela esquerda e cruzou, mas Fernandes chegou tarde e a bola passou. Mostrando nervosismo, o time rifou a bola várias vezes em vez de segurar perto da lateral e fazer o relógio passar. No final, deu tudo certo, e o Verdão trouxe os três pontos para casa, quebrando a já incômoda série de jogos sem vitórias fora de casa. Para o jogo contra o Atlético, sábado no Canindé, o time perdeu Marcio Araújo e Kleber com o terceiro cartão. Com as vitórias dos adversários diretos, a obrigação de vitória ficou maior ainda.

Atuações:

Deola: muito bem em todas as bolas que foi exigido. A condição do gramado valoriza mais ainda sua atuação. 9
Cicinho: deixou um buraco nas costas, mas nem assim conseguiu aparecer de forma consistente no apoio. 5,5
Mauricio Ramos: jogou muito mal, perdendo a maioria das disputas. Mas pela terceira vez no campeonato, deixa um gol, sendo o da vitória pela segunda vez. Ganha pontos. 7
Thiago Heleno: estava um tom acima do normal, chegando forte demais e contando com a complacência do árbitro. 6
Gerley: tradição no Verdão mantida: ótima partida para uma estreia. Não sentiu o peso da camisa, apoiou, marcou, com muita personalidade. Adeus Rivaldo? 7,5
Marcio Araujo: partida inferior à sua média habitual nos últimos meses, se perdendo na cobertura de Cicinho e eerrando muitos passes. 5,5
Marcos Assunção: chegou tarde na maioria dos lances, mas foi fundamental na parte final do jogo. 7,5
Valdivia: começou muito bem, mas seu jogo caiu quando o Figueirense mudou a marcação. Não estava bem, mas não era para ter sido substituído. 6
Wellington Paulista: nosso centroavante está cobrindo as descidas do lateral direito. Não há como ele jogar bem. 5
Maikon Leite: deslocado pela esquerda, era muito perigoso, embora não muito acionado. 7
Kleber: fez seu melhor jogo depois de sua volta, inclusive deixando o seu, mal anulado. Acabou levando o terceiro cartão no finalzinho. 7,5
João Vítor: com exceção de uma bola que conduziu pelo meio, mas bateu mal, não apareceu em campo. 5
Luan: tentativa de felipão de reorganizar o time, mas esbarrou na linha de marcação do Figueirense. 5
Chico: entrou só pra segurar a pressão final. Que desespero! S/N
Felipão: admito total incompetência para entender o que se passa na cabeça do mestre. Que fase. 3

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Fluminense 1×0 Palmeiras

24 de julho de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Em mais um jogo de muita marcação e muito mal conduzido pelo trio de arbitragem, o Verdão não teve forças para marcar gols, e acabou não resistindo no segundo tempo, ao tomar um gol do infame Marquinho, que acabou determinando o resultado do jogo. A defesa do Palmeiras começa a se mostrar insegura, principalmente pelo lado direito, e o ataque já há dois jogos não justifica a grande expectativa da torcida.

O Fluminense começou melhor, e logo no início Deco bateu uma falta na direção de Fred, que cabeceou firme, à queima-roupa, e obrigou Marcos a fazer uma defesa sensacional. Bem marcado, sem conseguir articular as jogadas com consciência, o time da casa ainda teve chances num chute de longe de Edinho, que Marcos desviou com a ponta do dedo, e numa improvável tabelinha onde Diguinho saiu na cara do gol mas não dominou. O Palmeiras deu o troco, com Maikon Leite conseguindo duas jogadas de velocidade e saindo de frente com Diego Cavalieri, mas as conclusões não foram boas. Conforme o tempo passava, o Palmeiras acalmava o ímpeto do adversário e pouco a pouco ia tomando conta do jogo.

O campo de jogo, além de parecer muito curto, estava em péssimas condições, indigno para um jogo entre profissionais, com placas inteiras de algo que lembrava grama se descolando do chão a todo momento. Além de prejudicar o toque de bola dos dois times, foi ruim para a estratégia palmeirense, de explorar a velocidade de Maikon Leite e eventualmente de Luan, que já tem dificuldades num campo perfeito, quanto mais num pasto como o de Volta Redonda. Kleber jogou mais perto de Valdivia do que de seu parceiro de ataque, o que também explica o baixo aproveitamento de nosso setor ofensivo. Já o Fluminense tinha em Deco seu melhor jogador, mas Fred estava enfiado no meio de nossos dois zagueiros, isolado, e não tinha a aproximação de Marquinhos nem de Souza. Aí a explicação do primeiro tempo ter sido tão travado.

Para o segundo tempo, Abel voltou com Ciro no lugar de Souza, empurrando o time para cima do Verdão. Com mais um atacante para atrair a atenção da zaga, Fred ganhou mais espaço, e teve três chances: na primeira, logo a 15 segundos, o cruzamento estava em sua direção, mas Marcio Araújo desviou; na segunda, tentou fazer o gol dando um sem-pulo cheio de estilo, mas bateu mal; e na terceira estava com a jogada para si mas não teve arranque para chegar antes de Marcos, que saiu em seus pés.

Assim como no primeiro tempo, o Palmeiras foi acalmando o jogo, e voltou a assumir o controle das ações. Abel então mandou Rafael Sóbis a campo, tirando Deco, e deixando o time com apenas o fraco Marquinho na armação, e três atacantes. Era hora do Verdão tomar conta de vez do meio-campo. O time começou a ocupar mais o campo do Fluminense, quando houve o lance capital do jogo: Valdivia sofreu falta clara de Edinho na meia-lua, e seria o seu segundo cartão amarelo. Heber Roberto Lopes mandou seguir. Pouco depois, num cruzamento da esquerda de Carlinhos, Marquinho entrou livre e fez o gol, mas o bandeira anulou erradamente.

Cria de nossa base como lateral-esquerdo, Marquinho é um jogador arrogante que não joga nem 10% do que acha, e foi dispensado do Palmeiras em 2007 quando deu chilique exigindo aumento de salário. O erro do bandeirinha foi um enorme alívio, que compensava o erro anterior de Heber – mas o alívio durou pouco, e cinco minutos depois Marquinho abriu para Mariano na direita e correu para área; nossa defesa só assistiu e o cruzamento veio na medida para o meia do Fluminense, que testou forte para o gol. Marcos ainda espalmou, mas a bola morreu no cantinho, ao lado da trave. Tomar gol do Fluminense dá muita raiva, e desse Marquinho, então, dá muito mais.

Felipão tentou ocupar melhor o meio-de-campo colocando Patrik no Maikon Leite, mas o jogo não era para toque de bola nem para jogadas pelo chão. A melhor opção do Palmeiras seria pelas faltas laterais, mas Heber só marcava as faltas distantes, frontais, e deixava a barreira do Fluminense andar em todas. A sensação de impotência do time era agravada pela canalhice do árbitro. Felipão então tirou Valdivia, que voltou ainda em primeira marcha, e colocou Dinei pra ver se saía alguma coisa num bololô. Mas como, se o Palmeiras não conseguia nem colocar a bola na área? No final, o 1×0 foi merecido para o Fluminense, que conseguiu aproveitar sua chance num jogo que, estava claro, seria decidido nos detalhes.

O Verdão caiu uma posição na tabela, e ocupa o quinto lugar. Menos mal que o Cruzeiro venceu no Pacaembu e a distância para o líder permanece a mesma. Outros concorrentes diretos também tropeçaram, e em casa, contra times fracos. O resultado em Volta Redonda foi péssimo, mas é fato que dano na rodada poderia ter sido muito maior. O próximo compromisso será na quarta, em Florianópolis, contra o Figueirense, e Felipão terá apenas dois dias para adaptar o time à presença de Valdivia, Maikon Leite e Kleber, um trio tem um potencial enorme, mas que precisa de entrosamento.

Atuações:

Marcos: duas grandes defesas no primeiro tempo. Talvez há dez ou doze anos pegasse a cabeçada do gol. 9
Cicinho: confuso no ataque e péssimo na marcação. 3
Mauricio Ramos: já havia amarelado para Ronaldinho na quarta, e hoje Fred o fez borrar o calção. Os dois gols de Marquinho foram em cima dele. Ainda bem que Henrique chegou. ZERO
Thiago Heleno: apesar de bem mais jovem que seu parceiro, encarou Fred e não deu mole. Foi um dos poucos que se salvou. 6,5.
Rivaldo: com ritmo de jogo já é complicado, sem ritmo nem dá pra comentar. 5
Marcio Araujo: incansável, se desdobrou para anular a armação do Fluminense, principalmente quando havia três meias para ele e para o Kid. 7,5
Marcos Assunção: fez o que pôde ao lado de Marcio Araújo, e não teve a ajuda de Heber para manter as barreiras na distância certa. 6
Valdivia: desentrosado, abusou das jogadas individuais, tentando vários chutes de fora, nenhum forte, nem na direção do gol. 5
Luan: era uma das opções de ataque interessantes para o desenho do jogo, mas parou em sua limitação e também no estado do gramado, desfavorável a seu estilo de conduzir a bola. 5
Maikon Leite: mesmo isolado e pouco acionado, foi o jogador mais perigoso do time. Errou nas execuções. 6
Kleber: apesar da luta, tecnicamente vai deixando a desejar, não sendo nem de longe merecedor do aumento que reivindicou e que tanta confusão causou. 4
Patrik: entrou para dar mais consistência ao meio-campo, mas esbarrou nas substituições de Abel, que fechou o outro lado e não deu brechas. 5
Dinei: entrou no desespero. Para nosso desespero. S/N
Felipão: quando os detalhes favoreceram Abel, ficou vendido. Tentou o que seria possível, mas foi facilmente neutralizado. Vai ter bastante trabalho para reorganizar o ataque e o lado direito da defesa. 4,5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Palmeiras 0×0 Flamengo

21 de julho de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Ficou para o segundo turno. Apesar da presença maciça da torcida, cheia de sangue nos olhos, o Palmeiras não teve forças para abrir a defesa do Flamengo e ficou no empate sem gols. O resultado é muito ruim, e o time começa a se distanciar da liderança. É preciso reagir imediatamente, antes que a missão fique impossível.

A postura das equipes desde o início foi muito cautelosa. Pilhados pelos acontecimentos extra-campo, os jogadores entraram com uma preocupação enorme em primeiro não deixar jogar, para depois entrar resolver algo lá na frente na base do talento. E o Flamengo foi mais bem-sucedido nessa tática nos primeiros vinte minutos. Enquanto o Palmeiras não conseguia articular uma jogada sequer por nenhum setor, o Flamengo, com Thiago Neves e Ronaldinho bem abertos conseguiam ao menos chegar perto da área. Numa dessas Thiago Neves armou um chute cruzado, da lateral da área, que Marcos espalmou sem dificuldades. No mais, nossa defesa levou vantagem nítida. Intuitivamente, a percepção é que nesse período a posse de bola ficou muito mais para eles.

Aos poucos o Palmeiras foi equilibrando as ações, à medida que Maikon Leite passou a ser mais acionado. Ainda sem qualquer entrosamento com Kleber, e com menos ajuda de Cicinho que gostaria, nosso ponteiro fez o possível por seu setor, com bastante velocidade, mas errando bastante nos passes. Na jogada mais aguda do jogo, ele foi pra cima do marcador e cruzou rasteiro para Luan que fechava na segunda trave, mas não alcançou. A segunda metade do primeiro tempo acabou sendo toda do Palmeiras, que ainda teve chances nas bolas paradas, com Marcos Assunção e Thiago Heleno.

Felipão tentou deixar o time mais solto no segundo tempo, reposicionando os volantes para que Gabriel Silva auxiliasse Luan pelo lado esquerdo, e o lateral quase deixou o seu num belo chute de fora, com a perna direita. Thiago Neves, nitidamente cansado, parou de incomodar e nosso lado esquerdo realmente cresceu, embora não conseguisse dar sequência nas jogadas. Patrik não tinha um meia como referência para servir de apoio, e acabou fazendo uma partida abaixo da crítica. Em seu lugar, Felipão colocou Tinga – pior não ia ficar.

A falta de um armador também sobrecarregou Kleber, que jogou com a disposição de sempre, encerrando – pelo menos até dezembro – a novela mais chata de 2011. Felipão então colocou Dinei no Maikon Leite, exausto, e aí que Kleber teve que voltar mesmo para buscar a bola. Mas o time não encaixou as jogadas, e teve que se contentar com dois chutinhos bem meia -boca de fora da área, um de Tinga, outro de Marcio Araújo. O Flamengo também viveu apenas de conclusões de fora, duas de Ronaldinho, sendo uma de falta que fez Marcos trabalhar.

No final, o lance que justificou, pelo menos em parte, toda a expectativa pelo jogo: num suposto lance em que o tal do fair-play deveria ter sido observado – pelo menos na opinião dos flamenguistas, Kleber arrancou com a bola surpreendendo a defesa, mas concluiu mal, para fora. Imediatamente formou-se o bolo, mas infelizmente não tivemos nem um mísero safanão. OK, uma briga poderia desfalcar seriamente o time nas próximas rodadas e não teria sido uma boa para o Verdão, mas que eles estavam merecendo, estavam.

O árbitro Leandro Vuaden deixou de marcar um pênalti em Kleber ainda no primeiro tempo. Como sempre, deixou o jogo correr, para os dois lados, e não teria influenciado no resultado do jogo não fosse o penal não marcado. No final, o 0×0 ficou bem adequado para a proposta dos dois times. Um resultado muito decepcionante, principalmente pela expectativa que cercou a partida.

O Verdão agora vai ao Rio enfrentar os bambis-RJ, e mesmo uma vitória não necessariamente significa que recuperaremos os pontos perdidos esta noite. Pagamos pela incapacidade de nos livrarmos da marcação do Flamengo, pela falta de um meia como Valdivia, e pela má partida de quase todo o time. Se ainda tivermos alguma aspiração em relação ao título, a hora de engatar uma boa sequência de vitórias é agora.

Atuações:

Marcos: não trabalhou muito, apenas duas defesas muito fáceis para alguém com sua categoria. 7,5
Cicinho: ficou preso pela presenção de Ronaldinho, aberto por seu setor. Travou um bom duelo, sem amarelar. 6,5
Mauricio Ramos: uma saída de bola que deu calafrios no Pacaembu, e no resto foi OK. 6
Thiago Heleno: como sempre, jogando o feijão com arroz, mostrando muita eficiência. De quebra, uma bela cobrança de falta. 7,5
Gabriel Silva: fez um péssimo primeiro tempo, com um aproveitamento muito baixo nos passes. Melhorou um pouco no segundo tempo. 5,5
Marcio Araujo: preocupado com Renato Abreu no primeiro tempo, desceu mais no segundo e até arriscou um tiro de fora. 6,5
Marcos Assunção: parecia com o pé calibrado, mas não teve a colaboração dos companheiros – nem do juiz – para ter mais faltas à disposição. Formou a parede de proteção sem sustos. 6,5
Patrik: ressentiu-se de um meia para orbitar. Sem a referência de um camisa dez, seu futebol cai muito. 4
Luan: bem marcado por Leo Moura, destacou-se no fim do segundo tempo, quando passou mal, vomitou em campo, mas interrompeu a golfada quando a bola veio em sua direção. 6,5
Maikon Leite: correu como um maluco, conseguiu uma ou duas jogadas que tiveram sequência, mas na maioria das vezes ficou preso. Já os vimos jogar bem melhor. 7
Kleber: voltou a ser o Gladiador de sempre, como se nada tivesse acontecido. Não brilhou, mas de forma alguma ficou abaixo da média dos companheiros. 7
Tinga: quando entrou no Patrik, a única certeza era que pior não ficaria. Não ficou. O que não quer dizer que melhorou. 5
Dinei: entrou na parte final do jogo, tentando aproveitar jogadas de bola parada, que quase não aconteceram. S/N
Felipão: o tanto que foi bem na defesa, deixou a desejar na frente. Mas os joadores também não ajudaram. 6

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

América-MG 1×1 Palmeiras

8 de julho de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

Num dos jogos mais fracos do Palmeiras na temporada, o time ficou no empate contra o América, e pelo que produziu, não pode reclamar do resultado. Apesar de um árbitro muito ruim, que permitiu o rodízio de faltas sem advertir com cartões, travou o jogo como pôde e irritou as duas equipes, o Verdão se ressentiu demais da falta de Kleber e de um meia articulador. Assim, após levar o primeiro gol, o time contou com a sorte para achar o empate, e se livrou de um resultado negativo que poderia abalar a confiança do time. Se é que esta partidinha já não o fez.

Felipão optou por Chico no lugar de Rivaldo, já sabendo que o América tem uma jogada forte nas bolas paradas. Com o camisa 3 atuando quase como um zagueiro pela esquerda, o time ficou torto, com Cicinho liberado para descer, e Luan puxando alguma coisa pela esquerda. Mas as jogadas de fundo não saíam, e Wellington Paulista não era a referência pelo meio para as jogadas de pivô. Maikon Leite quase não pegou na bola. O resultado foi que o Palmeiras não criou nada no primeiro tempo, a não ser num chute de fora de Luan, já aos 35 minutos.

O América, por sua vez, também não conseguia passar pela forte marcação do Palmeiras, e tanto Fabio Junior como Alessandro foram figuras decorativas em campo. Se o Palmeiras tinha sérias dificuldades na articulação, o time mineiro tinha mais ainda.

A esperança é que o Palmeiras voltasse para o segundo tempo mais disposto a acionar Maikon Leite, mas para isso era preciso que Lincoln participasse mais do jogo. Wellington Paulista parecia mais preocupado em cavar faltas e se atirava ao chão pateticamente a cada jogada. Felipão perdeu a paciência com ambos e mandou a campo Patrik e Dinei, e o time melhorou um pouco.

Dinei rapidamente se converteu numa referência para a armação. O problema é que Patrik também não é exatamente um armador, acabou se posicionando na risca da área sem incomodar; e a função, quem diria, acabou caindo no colo de Luan. Foi quando Mauro Fernandes fez suas alterações, e foi muito feliz: ao trocar Fabrício por Netinho, e principalmente ao colocar o veloz Kempes, ex-Lusa, no lugar de Fabio Junior, a marcação do Palmeiras acabou sendo pega desprevenida no primeiro contra-ataque. Aos 20 minutos, Kempes iniciou a jogada, tabelou com Rodriguinho, passou em diagonal e recebeu de volta, enquanto Mauricio Ramos e Marcio Araújo apenas cercavam. Ele acertou um ótimo passe para Alessandro, que recebeu livre e fuzilou: 1×0.

O Palmeiras então se lançou à frente com quase nenhuma organização, e podia ter levado mais. Maikon Leite passou a ser acionado, mas errou quase todas as jogadas; tanto ele quanto Cicinho abusaram do individualismo, e tentaram fazer sozinhos o que o time todo não tinha conseguido em mais de 70 minutos.

A sorte sorriu para o Verdão aos 30, numa falta em que o time levava vantagem. O irritante árbitro capixaba Pablo dos Santos Alves parou a jogada, para desespero da nossa torcida. Marcos Assunção, que deixou de bater vários escanteios e faltas durante a partida, desta vez bateu bem, a bola ficou viva após a tentativa de Chico, e Mauricio Ramos se esticou para empatar o jogo. Se o Palmeiras não merecia a vitória, o América também não tinha feito lá grade coisa parta estar na frente. O mais justo era mesmo o 0×0.

Os minutos finais foram marcados por mais tentativas desorganizadas do Palmeiras, e o time da casa tentando se armar para encaixar outro contra-ataque. O sistema defensivo do Verdão, entretanto, já havia lido o novo posicionamento do América, e não ofereceu mais a chance. Mas continuou inofensivo na frente, e com um juiz que estava louco pelo empate e travava o jogo sempre que podia, o resultado final estava na cara. A falta de ataque que o juiz deu no escanteio que era o último lance do jogo foi o retrato de sua odiosa arbitragem. Mas o resultado, no final, foi merecido para os dois times – pior para o Palmeiras, que deixou escapar dois pontos que a maioria de seus concorrentes vai conquistar.

A partida nada inspirada do Verdão pode precipitar o fim da novela Kleber. Fica claro que o time não tem dependência só de Valdivia, nem só de Kleber, muito menos só de Luan. O time depende do conjunto que Felipão vem armando desde o início do ano, e que não tem peças de reposição à altura. Lincoln, por sua característica de toques curtos, poderia render muito mais com Patrik a seu lado, e o menino também se ressente de alguém para fazer o 1-2, mas Felipão se recusa a proporcioná-los essa chance em favor de Luan. Com esse deserto criativo, e sem Kleber para voltar para buscar o jogo e arrumar a casa, bem como com a insegurança que a presença de Mauricio Ramos causa, teremos muitas dificuldades neste longo campeonato. Kleber precisa voltar logo, e esse edema na coxa já passou da hora de ser resolvido.

Atuações:

Deola: uma falta muito forte de longe que encaixou bem, e mais nada. Não tinha o que fazer no gol. 7,5
Cicinho: apareceu bem, buscou jogo, mas foi muito fominha em vários lances. Errou todos os chutes de fora, precisa treinar mais. 6
Mauricio Ramos: bastante inseguro, cometeu erros bizarros, inclusive ao cercar mal no lance do gol. Mas compensou um pouco ao deixar o seu lá na frente. 6,5
Thiago Heleno: uma rebatida para o meio, fora isso, manteve o nível, apesar do cartão esdrúxulo que levou no intervalo. Resta saber se o juiz não estava premeditado. Na dúvida, é inocente. 6,5
Chico: apesar de não ter construído nada, tem todo o desconto de estar improvisado. E mesmo assim, na cobertura, não comprometeu. 6,5
Marcio Araujo: partida correta, com cada vez mais iniciativa na saída de bola, mas pecou no lance do gol. 5
Marcos Assunção: se escondeu, inclusive nas bolas paradas. Estranho, será que está sentindo? Errou um domínio onde o América só não fez o gol porque os atacantes se estranharam. 4
Lincoln: partida horrorosa, tem a desculpa de sempre de não ter com quem tocar curto, mas hoje foi bem pior. Omisso, displiscente. É por causa do salário dele que temos a novela Kleber? 1,5
Luan: a mesma conversa de sempre: ele é esforçado, corre, marca, mas é impressionante como o Tico e o Teco não se entendem. 5
Maikon Leite: e lá se foi a lua-de-mel com a torcida. Pouco acionado, pouco participativo, quando resolveu entrar no jogo, também foi fominha demais. E finalizou mal nas chances que teve. 5,5
Wellington Paulista: tem em sua defesa o fato do juiz não marcar as faltas que sofreu. Parte disso foi sua própria culpa ao tentar cavar toda hora. Irritante. 2
Patrik: entrou perdidinho em campo, se enfiou na linha da grande área e quase ninguém viu. 4
Dinei: no primeiro lance fez mais que Wellington no jogo todo, ao cabecear uma bola cruzada que foi invalidada erradamente por impedimento. Depois tentou uma ou outra jogada de pivô. 5
João Vítor: entrou faltando pouco no Cicinho, e não é bem a dele a lateral-direita. S/N
Felipão: perdeu a chance de testar Luan pela esquerda, como ala, ou então de encostar o Patrik no Lincoln. Não dá pra entender por que ele não repete essa formação que estava funcionando no Paulista até a contusão de Patrik. 3

A história de um juiz

2 de maio de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Matérias, Verdazzo

A história a seguir é absolutamente verídica – o “eu” do texto sou eu mesmo. Foi publicada pela primeira vez no dia 9 de novembro de 2009, no blog Parmerista!, que foi desativado pelo surgimento do Verdazzo. A motivação para escrevê-la foi a partida entre Fluminense x Palmeiras, no Maracanã, em que Carlos Simon nos roubou vergonhosamente.

O tempo passa, mas certas coisas continuam iguaizinhas.

***

Eu era “cunhado” do sujeito. Namorava com sua irmã. Ele não gostava muito da idéia, mesmo eu sendo um cara legal. A menina era um tanto quanto sentimental, e tinha momentos de instabilidades emocionais agudas por pouca coisa. Mas para o irmão protetor, isso era apenas um detalhe. O fato é que provavelmente eu era o causador de todo o sofrimento por que a garota passava nesta e por que passaria na próxima encarnação. Embora não houvesse um grama de verdade nessa conclusão, não o condeno por pensar assim.

Humilde, embora já estivesse na faixa dos 30, 32 anos, ainda morava com os pais, na edícola da casa, para ter o mínimo de privacidade que um sujeito nessa faixa de idade precisa. Formado em Educação Física, palmeirense, amante do futebol, ele inventou sabe-se lá por que motivo abraçar a carreira de árbitro. Nunca consegui perguntar a razão, até pela própria distância que ele procurava manter.

Era um árbitro bastante promissor. Isto significa dizer que tecnicamente o cara era bom, bom demais. Errava muito pouco. Mesmo sendo lacônico comigo por causa da irmã, passei a nutrir uma admiração pelo cara. Apitava jogos da série A3 do Paulista. Eu chegava a assistir às peladas na Rede Vida só para vê-lo apitando. Apitar bem uma partida de A3 requer a mesma capacidade de apitar bem uma final de Copa. E ele era bom mesmo.

Tão bom que chegou a apitar jogos da primeira divisão. Mas não durou muito. Cometeu dois pecados em sua curta passagem pela Série A1: expulsou Marcelinho Carioca numa partida do Corinthians, e numa partida do São Paulo foi violentamente criticado por Rogério Ceni ao final do jogo por sua arbitragem tê-lo desagradado de alguma forma. E olha que eu vi as fitas dos jogos em questão. Não por ser palmeirense, a arbitragem nas duas partidas foi perfeita. Chegou a apitar jogos do Palmeiras também. O time ganhou, empatou e perdeu mais ou menos na mesma proporção histórica.

Mas depois de ter sido criticado por Ceni, pegou uma geladeira. E nunca mais o tiraram de lá. Voltou para a A3, e foi sumindo, sumindo, sumiu.

***

Este é um exemplo perfeito do que acontece com um juiz de futebol de acordo com suas posturas técnicas e morais no futebol brasileiro.

Existem postulantes à carreira que são bons tecnicamente, e os ruins. Como em toda carreira, a maioria que vingou foi devido à competência, e sabe o que e como fazer dentro das normas técnicas. E como em toda carreira, existem as exceções que por alguma outra razão acabam ingressando no ramo mesmo sem estarem capacitados.

A maioria absoluta dos árbitros, quando quer, apita uma partida direitinho. Vai cometer um ou outro erro sem importância. Vez ou outra, vai cometer um erro grave. Mas isso é perfeitamente normal. Antes do início da era das transmissões com 10, 12 câmeras, os árbitros não eram tão crucificados exatamente porque, a olho nu, sem replay, era impossível cravar se houve erro ou não. Com esse monte de câmera, o juiz passou a ser o grande vilão. Com o passar do tempo os consumidores de futebol passaram a tolerar os erros milimétricos, entendendo que o recurso eletrônico é uma covardia contra os juízes em muitos lances. O que no fundo só aumentou o valor do árbitro que erra pouco. Lembrando sempre do grifo: erra pouco, quando quer.

Existem as exceções, como Djalma Beltrame, que erra sempre porque é ruim, não sabe apitar. Mas a grande maioria sabe apitar, e muito bem. Carlos Simon, Marcio Rezende, Wilson Mendonça, Leonardo Gaciba, Paulo Cesar Oliveira, Heber Lopes, Salvio Spinola Fagundes, Wilson Seneme, Alicio Pena, Cleber Abade, entre tantos outros, sabem exatamente como conduzir uma partida de futebol. São ótimos árbitros. Até o Edilson, que virou sinônimo de ladrão, sabia apitar um jogo muito bem. Quando queria.

Mas para ser árbitro, e continuar sendo, além de ser bom, é preciso fazer parte do establishment. É preciso obedecer vez ou outra a algumas determinações.

E nosso personagem da história se recusou a isso. Preferiu entrar em casa, olhar o pai e a mãe nos olhos e não decepcioná-los. E seguir em frente, em direção à edícola, enquanto seus colegas da escola de árbitros já ostentavam carrões do mesmo quilate dos que os jogadores desfilam, e moravam em casas bastante confortáveis.

Concluam como quiserem. A minha conclusão, mesmo fechando os olhos durante tanto tempo e tentando me enganar, finalmente tirei.

Só não sei como vou lidar com ela.

Palmeiras 1×1 gambá

1 de maio de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Jogos, Matérias, Verdazzo

A semifinal do Campeonato Paulista de 2011 foi decidida em uma série de detalhes. Um, apenas um mísero desses detalhes que tivesse acontecido diferente, e provavelmente estaríamos comemorando a classificação para a final contra o Santos.

O primeiro e mais importante ponto-chave para esta derrota aconteceu na segunda-feira, e não foi nenhum detalhe. Em reunião com Andrés Sanchez, nosso presidente Arnaldo Tirone, à revelia da comissão técnica e da diretoria de futebol, fechou acordo para que a partida fosse no Pacaembu e que o juiz fosse Paulo César de Oliveira. O sorteio realizado na quarta-feira foi antecipado pelo jornalista Luiz Antônio Prósperi, do Jornal da Tarde. Só isso já seria suficiente para uma diretoria séria vetar a presença do árbitro no sorteio.

Paulo César de Oliveira é profissional. Ele prejudicou o Palmeiras nesta decisão de forma cirúrgica. A arbitragem desta tarde vai virar case. Pressionado, entrou em campo sob uma vaia descomunal de nossa torcida. Nem se abalou. No primeiro lance, amarelou Kleber. E deu carta branca pra defesa do gambá bater no Gladiador. Em cima de Kleber, nada era falta. O Palmeiras mandava no jogo, e encurralava o adversário em seu campo. O gol era questão de tempo. Mas a fatalidade, o detalhe, nos prejudicou com a lesão de Valdivia, após um chute no vácuo que rendeu uma ótima chance de gol ao Verdão – o chileno sentiu a coxa e pediu substituição.

Logo em seguida, Paulo César aproveitou a brecha num lance duro entre Danilo e Liedson. O choque foi forte, feio, e ouviu-se um estalo bastante preocupante – os dois atletas ficaram estendidos no chão. Nenhum dos dois se feriu com gravidade, mas o juiz expulsou Danilo direto, sem sequer advertir Liedson. Foi o suficiente para que nossa torcida, nossos jogadores e comissão técnica, já indignados com toda a sequência que precedeu a escalação do árbitro, explodissem. Felipão se manifestou ostensivamente, e foi expulso. Nossa  figura mais matreira , que conhece todas as ratarias de um jogo, e que ficaria não só de olho, mas mantendo o respeito pelo Palmeiras, estava excluído. O Verdão estava sem seu craque e sem seu comandante.

Mesmo assim, o adversário não conseguiu tomar as rédeas do jogo. Com Leandro Amaro no lugar de Valdivia, o Palmeiras ficou sem a genialidade na armação, mas continuava com a garra de dez monstros em campo. O Palmeiras continuava dominando o jogo. Até que outro detalhe nos castigou: Cicinho sentiu a virilha e não conseguia nem andar. Aqui vemos um exemplo de nossa inocência e falta de malandragem, ainda mais sem Felipão no banco: em vez de Cicinho cair no chão e obrigar a parada do jogo, ele insistiu em continuar marcando Jorge Henrique, mesmo incapaz de dar dois passos. A agonia durou quase dois minutos, até que a bola saiu e finalmente João Vitor pudesse entrar. E mesmo assim o gambá não conseguiu criar uma maledetta chance de gol.

Quando Paulo César apitou o fim do primeiro tempo, ninguém do Palmeiras foi encher o saco do juiz. Tinham que ter feito bolinho em volta dele. Pressionado, xingado, ameaçado. Lá embaixo, tinham que ter chutado a porta do vestiário dele. Mais gritos, xingamentos e ameaças. Nada disso foi feito. Ele voltou para o segundo tempo, já com o serviço feito, e sem pressão para compensar os erros que cometeu a favor do gambá.

Ele então começou um teatro, uma distribuição de cartões amarelos para os gambás que todo mundo sabia que não ia dar em nada, ele não daria o segundo amarelo pra ninguém, nem a pau. Mas assim diminuiu a pressão: “vejam, estou advertindo os jogadores corintianos!”. Um mestre. Sua arbitragem será vista e revista por seus pares por muitas vezes.

O Palmeiras, mesmo com um a menos, abriu o placar numa cobrança de escanteio de Marcos Assunção no primeiro pau, que Leandro Amaro testou firme, no chão, e abriu o placar. O que parecia mais difícil, o Palmeiras conseguiu: fez 1×0 com um a menos. O gambá não criava nada, e dificilmente chegaria ao empate. Aí vimos mais uma vez a inocência do nosso time. Era hora de não ter mais jogo, de amarrar, de deixar eles nervosos. Mas o Palmeiras jogava bola, inclusive tentando o segundo.

Quatro detalhes acabaram por determinar o gol de empate: 1) Deola bateu mal o tiro de meta, a bola foi fraquinha no pé do jogador do gambá, que puxou o contra-ataque; 2) João Vítor chegou na marcação, mas na hora de afastar, se precipitou e colocou para escanteio em vez de isolar para a lateral; 3) a batida no segundo pau passou por cima de Rivaldo; e 4) a bola chegou em William que cabeceou fraquinho, mas mesmo assim venceu Deola e Leandro Amaro. Entrou por milímetros. É muito detalhe.

O jogo seguiu, e quem imaginou que o Palmeiras fosse sofrer alguma pressão por estar com um a menos, se enganou. Foi o Verdão quem criou pelo menos três ótimas chances de gol, a melhor delas com Luan escorando uma bola levantada por Marcos Assunção, livre, era só escolher o canto, mas ele finalizou em cima do goleiro. Assunção continuava assustando Julio Cesar nas faltas, uma no ângulo, e outra que triscou o travessão. Mas o jogo foi mesmo para os pênaltis. Paulo César tinha cumprido sua missão? Ainda não: na hora de escolher em qual trave seriam batidas as cobranças, ele levou para o lado da torcida gambá. E ninguém do Pameiras serviu para já preventivamente pressionar Paulo César para que mandasse as cobranças para o gol de entrada, por mais que a torcida se esgoelasse nesse sentido das arquibancadas.

O Pacaembu foi totalmente verde, é impossível que eles tenham se sentido em casa. A torcida fez sua parte, o Municipal virou um caldeirão, e o gambá não jogou nada. Uma sucessão de detalhes fez com que a decisão fosse para os tiros livres. E todos bateram muito bem, dos dois lados. Até que na sexta cobrança, João Vítor, que tinha treinado com um aproveitamento muito bom, sentiu a pressão e bateu ao alcance de Julio Cesar, que se adiantou vergonhosamente. Mas àquela altura, só um maluco acharia que ele mandaria voltar a cobrança. Fim de Paulistão para o Palmeiras.

Os jogadores estão de parabéns. Devem levantar a cabeça, e focar apenas no Coritiba. Mas nossa presidência precisa jogar a favor. Já na quarta-feira, com o tal sorteio, não era para fazer apenas um protesto informal. Era pra mandar avisar: com esse juiz a gente nem entra em campo. Era pra respeitar a diretoria de futebol, que não queria Paulo César desde o início. Mais uma vez, a política do clube interferiu negativamente no resultado: Tirone fechou com Andrés, para enfraquecer Frizzo, que está na mira de Mustafá. Tirone jogou contra o Palmeiras. Em última instância, é o maior responsável por tudo o que aconteceu.

Atuações:

Deola: quase não teve trabalho. Um tiro de meta mal batido e teve início toda a jogada do gol do adversário. 7
Cicinho: vinha bem tinha criado um lance d emuitoperigo, até que sentiu uma lesão. Foi muito inocente ao permanecer em pé sem ter condição de sequer andar. 7
Danilo: a entrada foi dura, mas não foi desleal. Não era pra vermelho NEM A PAU. S/N
Thiago Heleno: firme, parecia um veterano. E ainda bateu o pênalti muito bem. 8,5
Rivaldo: falhou no gol do adversário, embora tenha jogado bem. 5
Marcio Araujo: outra partida monstruosa de Marcio Araújo, se desdobrando para ocupar os espaços de um time com um a menos. Defendeu, passou, driblou, fez tudo. DEZ.
Marcos Assunção: nas circunstâncias da partida, foi o jogador mais efetivo na criação de jogadas de perigo – e foi muito bem. O seu foi o pênalti menos bem batido, mas entrou. 9
Tinga: até ele jogou bem, fechando bem pela direita e mantendo o fraco setor gambá sempre preocupado. 7,5
Valdivia: criou o participou de pelo menos três chances de gol antes de sair, após mais um chute no vácuo e mais uma dor na coxa. 8,5
Kleber: jogou marcado pelo juiz o tempo todo, e mesmo assim, foi perigoso – e o mais malandro em campo. Um autêntico líder. 9
Luan: ajudou bastante na construção das jogadas, mas perdeu dois gols feitos, mais uma vez. Assim fica impossível não ficar marcado pela torcida. 6
Leandro Amaro: deu conta perfeitamente do seu setor, e ainda deixou o seu na jogada ensaiada. 8,5
João Vítor: em seu primeiro jogo de fogo na carreira, segurou bem a direita, arriscou ótimas jogadas entrando na diagonal, mas teve a infelicidade de desperdiçar o seu pênalti. 5
Patrik: discreto, sem ter em quem encostar, foi exatamente o Patrik do ano passado. Sem Valdivia ou Lincoln, Patrik não serve para nada. S/N
Felipão: podia ter tentado o Lincoln em vez do Patrik, seu único erro. Sua presença no banco, pressioanndo tudo o que fosse preciso, foi tesourada pelo pilantra de amarelo. 7,5
Arnaldo Tirone: podem colocar essa derrota na conta dele. É o maior responsável, junto com seu mentor, claro. Aceitar Paulo César de Oliveira, mesmo depois do acordo ter vazado, foi de uma irresponsabilidade descomunal. ZERO

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