Em 1999, vitória contra o River nos levou à final da Libertadores
14 de abril de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
No começo da semana, eu havia decidido que falaria nesta coluna sobre a repercussão da derrota de 7 a 2 para o Vitória na Copa do Brasil de 2003, que iniciou a reformulação do elenco e a retomada da trajetória de sucesso para o restante do ano.
Só que com a atuação que tivemos na última terça, deixei essa ideia de lado rapidamente e fui buscar uma partida que marcou nossa trajetória na Taça Libertadores da América de 1999.
Vários jogos marcaram aquela campanha, como as partidas contra o SCCP, contra o Vasco, em São Januário, e a própria final, em casa.
Dia 26 de maio de 1999. Estádio lotado. Na partida de ida das semifinais, perdemos para o River Plate por 1 a 0.

Palmeiras vai à final da Libertadores
O Palmeiras bateu o River Plate por 3 a 0, ontem à noite, no Parque Antarctica, e vai disputar a final da Taça Libertadores da América.
Na decisão, nos dias 2 e 16 de junho, enfrenta o Deportivo Cali, da Colômbia. O primeiro jogo será em Cali e, o segundo, em São Paulo. Os dois times têm o mesmo uniforme principal: camisas verdes e calções brancos.
Ontem, o Deportivo eliminou o Cerro Porteño ao perder por 4 a 2 em Assunção, no Paraguai. O primeiro jogo havia sido 4 a 0 para a equipe colombiana.
Esta será a terceira final com o Palmeiras, derrotado em 61 e 68. O Deportivo também já disputou e perdeu uma decisão, em 1978.
Ao contrário do primeiro jogo, quando atuou fechado na defesa, procurando evitar gols e fazer o tempo passar, o Palmeiras fez pressão desde o início. O River, que entrou em campo com três zagueiros e um atacante, Angel, ficava atrás e ia devagar ao ataque.
A primeira chance foi do Palmeiras. Aos 10min, Arce cruzou uma bola da linha de fundo, Oséas, de cabeça, mandou a bola na trave. Dois minutos depois, o Palmeiras chegou pelo chão. Depois de uma tabela, Zinho recebeu livre na meia-esquerda, mas chutou para fora.
Aos 17min, o Palmeiras desfez a vantagem que o River havia construído com a vitória de 1 a 0 no jogo de ida. O meia Alex recebeu um passe longo de Zinho, livrou-se de Berizzo na matada de bola e chutou de fora da área, sem defesa.
Dois minutos depois, o Palmeiras ampliou em sua jogada tradicional, pelo alto. Arce cobrou falta da direita, a bola passou por todo mundo. Oséas recolheu na esquerda e cruzou de novo. O zagueiro Roque Júnior venceu seu marcador e fez de cabeça.
A primeira chance do River Plate aconteceu aos 27min. Marcos não segurou uma cobrança de falta, mas Agnaldo impediu que Angel finalizasse.
Aos 33min, Paulo Nunes se livrou da defesa argentina, mas chutou por cima. No restante do primeiro tempo, o River tentou atacar, mas o Palmeiras dominava.
No segundo, o River voltou com um atacante no lugar de um zagueiro, mas foi o Palmeiras, com Oséas, que perdeu a primeira chance, antes dos 2min.
Mas o Palmeiras deu espaço e o River, aos poucos, passou a dominar o meio-campo. Entre 8min e 10min, os argentinos finalizaram duas vezes, o que gerou discussões entre os palmeirenses.
Aos 14min, Gallardo cobrou falta perto da área, mas Marcos defendeu no canto. Dois minutos, nova falta e nova defesa de Marcos.
Mas o Palmeiras também perdia chances. Aos 25min, Paulo Nunes cabeceou na trave. Oséas passou da bola e perdeu o rebote.
Aos 30min, Oséas dominou mal e estragou um ataque palmeirense. No contra-ataque, Sorín chutou no ângulo, mas Marcos espalmou.
Aí, o técnico Luiz Felipe Scolari, pôs Euller e Galeano e reconquistou o domínio, perdendo chances aos 36min e 38min.
A partida foi definida aos 43min, num chute colocado de Alex, no canto direito de Bonano.
Na mesma página, a Folha também destacava:
- Alex, que detonou com o jogo – e já havia comido a bola contra o Vasco, nas oitavas, criticava o preciosismo da equipe e rebatia as críticas de que era apático em diversos jogos. Veja abaixo:

- Foi a primeira decisão do Palmeiras sob a gestão da Parmalat. E isso nunca foi escondido que era um dos principais objetivos da equipe e da patrocinadora.
- No sufoco, o Manchester United venceu o Bayern de Munique por 2 a 1 e conquistou a Liga dos Campeões da Europa, ainda chamada, na época, de Copa dos Campeões.
Está aí a memória de um jogo épico, onde vencemos com um placar tranquilo e um show de Alex. Nunca vou me esquecer.
Assim como nunca vou me esquecer do show que a torcida palmeirense deu no Pacaembu na última terça e fui um dos privilegiados a acompanhar e participar.
Como eu venho dizendo há algumas semanas: se segurem, porque estamos voltando!

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Em 1999, Palmeiras contratou Faustino Asprilla
31 de março de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Já não bastassem todas as estrelas do time do Palmeiras em 1999, foi contratado um astro de nome internacional, gerando manchetes no mundo todo.
A Parmalat trouxe o atacante colombiano Faustino Asprila, que jogava no Parma, controlado pela empresa italiana, para jogar o Brasileiro e o Mundial Interclubes no alviverde.
Vale lembrar que, nessa época, as contratações de estrangeiros no futebol brasileiro eram raras. E o Palmeiras tinha dinheiro, via Parmalat, para tais caprichos.
Vamos relembrar a matéria da Folha de S. Paulo de 07 de julho de 1999, que destacou a contratação:

Palmeiras reforça equipe com colombiano Asprilla
A Parmalat, co-gestora do Palmeiras, está contratando como reforço para o time paulista o atacante colombiano Faustino Asprilla, do Parma, da Itália.
Segundo o diretor da Parmalat para o clube, Paulo Angioni, faltam apenas “pequenos detalhes” para a concretização do negócio.
“Precisamos de reforços de peso para a disputa do Brasileiro e do Mundial Interclubes (contra o inglês Manchester United, em novembro, no Japão) e estamos ultimando as negociações para ter o Asprilla pelo período de um ano”, disse Angioni, que espera fechar a transação nos próximos dias, na cidade italiana de La Salle, local da pré-temporada palmeirense visando o torneio nacional e para onde a equipe embarcou ontem.
O negócio será, na verdade, uma transferência de dólares da Parmalat brasileira para a matriz italiana, já que o Parma é de propriedade da multinacional.
Mas Angioni, que afirmou não ter definido ainda os valores exatos da negociação, negou uma possível cessão do jogador sem ônus para o Palmeiras.
O diretor da Parmalat também descartou a inclusão de atletas palmeirenses no negócio.
O Parma tem interesse em Alex, mas Angioni garantiu que o meia, nem qualquer atleta do time brasileiro, será trocado por Asprilla.
“Não se pensa em nenhum empréstimo ou negócio envolvendo jogadores do Palmeiras. É uma operação da Parmalat junto ao Parma, definitiva e com um contrato de um ano”. Caso a contratação seja acertada nos próximos dias, como quer Angioni, Asprilla já será incorporado ao grupo que faz a pré-temporada italiana.
Asprilla, que tem a fama mundial de “jogador-problema”, será o quarto colombiano de renome a atuar no futebol brasileiro nesta década.
Os outros são o volante Rincón (hoje no SCCP, mas que atuou no Palmeiras), o atacante Aristizábal (do SPFC, emprestado ao Santos) e o meia Lozano (que defendeu por seis meses o time do Parque Antarctica).
Na mesma página, outra matéria trouxe que o atacante era tido como problemático.
Atacante é tido como problemático
O atacante Faustino Asprilla, 30, ficou conhecido mundialmente não apenas pelo vistoso futebol, mas também por ter criado confusão em todos os clubes que defendeu.
Brigas com técnicos, corte por mau comportamento da Copa do Mundo, confusões em bares. Nos último anos, Asprilla tem aparecido com mais destaque por seus problemas extracampo do que por suas jogadas.Reserva no Parma, o atacante começou jogando em apenas 2 dos 30 jogos disputados em 99 (20 pelo Italiano, 5 pela Copa da Itália e 5 pela Copa da Uefa).
Os problemas começaram quando o atacante defendia o Newcastle, da Inglaterra, em 95 Asprilla foi acusado de falta de entusiasmo pelos torcedores.
Em sete anos de Parma, o colombiano se atrasou em treinamentos, bateu quatro carros, foi multado, discutiu com técnicos e preparadores físicos, teve caso com uma conhecida “estrela pornô”, foi condenado por posse de arma e passou boa parte do tempo no departamento médico, recuperando-se de contusões no tornozelo.
Mas foi na seleção de seu país que Asprilla sacramentou sua imagem de jogador-problema.
Durante as eliminatórias para a Copa-94, foi expulso pelo técnico Francesco Maturana por não aceitar ser suplente. Mas acabou disputando o Mundial.
No Mundial da França, ele foi banido do time por ter criticado o técnico Hernán Dario Gomez.
“Alguns companheiros estão piores do que eu e nem por isso são substituídos. Na seleção, há vacas sagradas”, dissera, em entrevista a uma rádio.
Em fevereiro de 99, o atacante afirmou que não tinha mais vontade de defender a seleção.
Por fim, seu último escândalo foi em 30 de maio, quando disparou para o alto várias vezes sua arma dentro de uma discoteca no hotel Las Americas, em Cartagena, Colômbia. O jogador estava embriagado, mas não foi detido pela polícia.
Pelo Palmeiras, Asprilla foi vice do Mundial Interclubes (entrou como titular), campeão do Rio-São Paulo 2000, da Copa dos Campeões de 2000 e vice da Libertadores do mesmo ano, quando perdemos a final para o Boca, nos pênaltis.
Fez 54 jogos pelo time, marcando 12 gols. Sinceramente, não me recordo de nenhuma atuação de gala do atacante com a nossa camisa (os amigos podem indicar nos comentários), mas não comprometeu.
Na mesma página, duas notícias mostravam que nem na época da Parmalat o Palmeiras conseguia ter paz.
A primeira destacava uma rusga entre a Parmalat e Paulo Nunes:
Parmalat barra Paulo Nunes
O Palmeiras e a Parmalat cortaram o atacante Paulo Nunes da delegação que embarcou ontem para a Itália, onde realizará pré-temporada para o Campeonato Brasileiro até o dia 17 de julho.
A atitude foi uma represália às declarações dadas pelo jogador anteontem, quando ameaçou deixar o clube caso não recebesse da Parmalat US$ 1 milhão referente a uma pendência com o Benfica.
Ao se transferir para do Grêmio para o clube português, em 97, Nunes não recebeu imediatamente os 20% a que tinha direito. O Benfica pagou US$ 600 mil, mas ainda não saldou a dívida. Quando deixou o clube pelo Palmeiras, em 98, ele diz ter recebido do então diretor da Parmalat para o clube, Marcos Bagatella, a promessa de que a multinacional pagaria o atleta caso o Benfica não o fizesse.
O atual diretor da Parmalat, Paulo Angioni, garante que a empresa se comprometeu apenas a dar assessoria jurídica ao jogador.
Angioni disse que, se Paulo Nunes mantiver sua posição, pode ter o contrato suspenso. “Nos sentimos prejudicados com as declarações e resolvemos cortá-lo. A Parmalat não tem nada a ver com esse problema. Vamos tentar resolver, mas, se ele não mudar o pensamento, poderemos até suspender o contrato”.
O advogado de Paulo Nunes, Antônio Carlos Cattapreta, disse não ter visto o corte como uma punição. “Não houve problemas. O Paulo está chateado e não iria render na viagem”.
A outra, falava sobre as dispensas de Velloso e Galeano. O goleiro deixou o clube, mas Galeano continuou.
Clube despreza “símbolos”
O Palmeiras está desprezando dois “símbolos” da equipe na década de 90. Depois de dispensar o goleiro Velloso, o clube fez o mesmo ontem com o volante Galeano, que teve encerrada a sua proposta para renovação de contrato.
Velloso, 453 partidas pelo time, e Galeano, 307, são, respectivamente, o primeiro e o terceiro jogadores que mais vestiram a camisa do clube na década.
O goleiro que estreou no clube em 1988, está negociando sua transferência com três clubes: SCCP, Santos e Vasco.
Galeano, na equipe desde 89, nem sequer viajou com o grupo para a pré-temporada italiana que começa amanhã e vai até o dia 17.
O diretor de futebol do Palmeiras, Sebastião Lapolla, afirmou que o volante não interessa ao time para o segundo semestre.
“Quem não renovou está fora dos nossos planos. Disse ao Galeano que era melhor ele entrar num acordo, pois ao menos receberia salário até encontrar outro clube, mas ele não quis”.
O empresário Gilmar Veloz, procurador dos dois atletas, se disse surpreso com a posição de Lapolla. “Não fomos comunicados de nada. Estou sabendo por você que ele está fora dos planos”.
Veloz afirmou que o Palmeiras não quis reajustar o salário do jogador, segundo o empresário o mesmo há dois anos.
Vários jogadores, como Rogério, Edmílson (que renovaram seus contratos ontem) e Evair, tiveram aumento salarial.
Como sabemos, Galeano ficou no Palmeiras e foi um heróis na vitória da Libertadores de 2000 contra o SCCP. Deixou o time em 2002, voltando há algum tempo para ser um dos auxiliares de Felipão. Agora está no São Caetano – o Verdazzo abordou o tema dia desses, nem vou entrar nessa história.
Enfim, o clima não está dos melhores e o time passa, mais uma vez, por um momento de prova de fogo, bem como a diretoria, que enfrente mais uma bucha.
É o momento do Palmeiras decidir se quer virar uma Portuguesa ou voltar a ser o protagonista do futebol brasileiro. A conferir.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
A sensacional segunda quinzena de março de 1996
22 de março de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo

No último domingo, o Thell de Castro relembrou uma sonora goleada imposta pelo Verdão no Santos, na Vila. No dia 24 de março de 1996, fizemos a maior festa de arromba da História de nossa casa de praia, ao enfiar 6 a 0 nos peixeiros.
Essa vitória aconteceu num contexto maiúsculo. Há dezessete anos, o palmeirense viu em campo provavelmente a maior máquina de jogar futebol de todos esses quase 99 anos de História, com todo respeito às Academias das décadas de 60 e 70. Aquele time do primeiro semestre de 1996 era mágico; a segunda quinzena de março, especialmente, foi arrebatadora.
Foram cinco jogos, cinco vitórias – todas pelo Campeonato Paulista; 28 gols marcados e apenas um sofrido. O período estava dentro de uma sequência esplendorosa, um recorde que durou 15 anos: emendando as vitórias de fevereiro a maio, foram estupendos 21 triunfos consecutivos – que por sua vez compuseram uma sequência de 29 jogos invictos. O time, como se sabe, sagrou-se campeão paulista com 27 vitórias, 2 empates e uma derrota, com 102 gols marcados em 30 jogos.
Abaixo, a lista das 21 vitórias consecutivas, nenhuma por 1 a 0, 12 goleadas. A questão não era se ia ganhar: era de quanto ia ser. Que delícia; quem viveu, viveu.
11/fev: Palmeiras 4×1 Juventus – Palestra (Paulistão)
14/fev: SPFC 0×2 Palmeiras – Teixeirão (Paulistão)
25/fev: Palmeiras 3×1 Portuguesa – Palestra (Paulistão)
28/fev: Sergipe 0×8 Palmeiras – Batistão (Copa do Brasil)
3/mar: Palmeiras 3×1 SCCP – Prudentão (Paulistão)
6/mar: Palmeiras 3×1 Guarani – Palestra (Paulistão)
9/mar: Araçatuba 1×2 Palmeiras – Adhemar de Barros (Paulistão)
16/mar: Botafogo 0×8 Palmeiras – Santa Cruz (Paulistão)
19/mar: Palmeiras 4×1 Rio Branco – Palestra (Paulistão)
21/mar: Palmeiras 6×0 América – Palestra (Paulistão)
24/mar: Santos 0×6 Palmeiras – Vila Belmiro (Paulistão)
30/mar: Palmeiras 4×0 XV de Jaú – Palestra (Paulistão)
3/abr: Atlético-MG 1×2 Palmeiras – Independência (Copa do Brasil)
7/abr: Ferroviária 1×5 Palmeiras – Fonte Luminosa (Paulistão)
10/abr: Palmeiras 4×0 Novorizontino – Palestra (Paulistão)
13/abr: Mogi Mirim 1×2 Palmeiras – Wilson de Barros (Paulistão)
16/abr: Palmeiras 5×0 Atlético-MG – Palestra (Copa do Brasil)
18/abr: Palmeiras 5×0 União São João – Palestra (Paulistão)
21/abr: Juventus 1×5 Palmeiras – Jayme Cintra (Paulistão)
28/abr: Palmeiras 3×2 SPFC – Prudentão (Paulistão)
1/mai: Portuguesa 1×2 Palmeiras – Canindé (Paulistão)
E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Em 1996, Palmeiras venceu o Santos por 6 a 0
17 de março de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
O maravilhoso time do Palmeiras de 1996 aplicou diversas goleadas. Mas uma delas marcou demais os palmeirenses (e os adversários também).
Em 25 de março de 1996, pelo primeiro turno do Campeonato Paulista, o Palmeiras foi jogar contra o Santos na Vila Belmiro. E venceu por 6 a 0. Isso mesmo, 6 a 0. O resultado deu o título antecipado do turno para o alviverde, que seria campeão da competição com larga vantagem para os demais.
Vamos relembrar a cobertura que a Folha de S. Paulo fez da partida:


Palmeiras bate Santos com três gols em cada tempo
Com três gols em cada tempo, o Palmeiras goleou um desentrosado Santos por 6 a 0, ontem, na Vila Belmiro.
A partida já estava virtualmente decidida aos 24 minutos, quando o Palmeiras marcou seu terceiro gol.
O primeiro saiu logo aos 5 minutos. Muller recebeu a bola sem marcação na ponta esquerda e cruzou. Livre, Rivaldo, cabeceou e marcou.
Um minuto depois, Velloso evitou com o pé direito que Jamelli marcasse. No contra-ataque, o centroavante palmeirense Luizão chutou no travessão.
Aos 17 minutos, Djalminha cobrou falta da meia-direita e o zagueiro Cléber aumentou a contagem. Sete minutos depois, o mesmo Cléber aproveitou de cabeça cruzamento de Júnior e fez 3 a 0.
Apesar de uma bola na trave de Baiano, aos 26 minutos, o Palmeiras continuou a dominar. Luizão perdeu duas grandes chances, e o juiz anulou gol de Júnior, impedido.
No segundo tempo, o Palmeiras chegou ao quarto gol aos 14 minutos: Djalminha entrou na área e atrasou para Cafu, que chutou forte.
Aos 37 minutos, em lance duvidoso, o árbitro Dalmo Bozzano marcou pênalti de Luiz Carlos em Djalminha. O mesmo Djalminha cobrou no minuto seguinte e fez 5 a 0.
Quatro minutos depois, Luizão driblou o reserva Gustavo pela direita. Cruzou e Rivaldo completou de cabeça na linha da pequena área: 6 a 0.
Confira a ficha técnica da partida.

Lembro desse jogo como se fosse ontem. Nessa época, não existia pay-per-view dos campeonatos e os jogos eram transmitidos aos sábados. Clássicos eram muito difíceis de serem vistos ao vivo, somente nas fases finais dos campeonatos.
Como quase todo jogo do Palmeiras nesse tempo, ouvi ao lado do meu pai, quando eu ainda morava em Matão (SP). Uma rádio de Araraquara retransmitia a Rádio Record, com narração de ninguém menos que Fiori Gigliotti. Juntou a fome com a vontade de comer.
A cada gol, eu ficava imaginando as jogadas e olhava para meu pai, que também não acreditava. Seis a zero foi pouco.
Aquele time encantava. Com essa vitória, o time chegava a 57 gols marcados no campeonato, contra 8 sofridos. Lembrando que a equipe ultrapassou a marca de 100 gols na competição justamente contra o Santos, no segundo turno, quando veio o título.
A torcida do Santos, naqueles anos sofridos, também não acreditava no que via, xingava e vaiava o time, e pedia jogadores e um novo técnico – o time era dirigido pelo interno Orlando Amarelo. Foram atiradas pilhas, rádios e até um porta-retrato no gramado da Vila.
Outro fato que marcou a partida: após marcar o quinto gol, Djalminha fez uma graça e rebolou, deixando os santistas irados, ocasionando um princípio de confusão.
O Palmeiras seguiu seu caminho nesse campeonato, com goleadas e exibições de gala, e marcou mais um título na extensa galeria de conquistas.
Quem sabe, um dia, voltaremos a jogar assim.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Em 1976, o último título antes do jejum
3 de março de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Hoje vamos relembrar o último título do Palmeiras antes do jejum que perdurou até 1993.
O Palmeiras sagrou-se campeão paulista em 1976. O campeonato, de pontos corridos, teve um surpreende equilíbrio entre as forças da capital e do interior.
Além do Palmeiras, os times do América e XV de Piracicaba chegaram à penúltima rodada com chances de título.
Aí veio uma espécie de final não prevista entre Palmeiras e XV. Foi uma coincidência da tabela, que acabou marcando o campeonato. O Palmeiras venceu o jogo por 1 a 0 e sagrou-se campeão mais uma vez.
Vamos relembrar a matéria principal da Folha de S. Paulo de 19 de agosto de 1976, que relatou a partida e o título:

Palmeiras campeão
O Palmeiras venceu ontem à noite no Parque Antártica o XV de Novembro de Piracicaba por 1 a 0, gol de Jorge Mendonça, aos 39 minutos do primeiro tempo, sagrando-se assim campeonato paulista, por antecipação. De qualquer maneira, bastaria o empate ao Palmeiras para a conquista do título, pois, além de três pontos de diferença, disputava a chance contra uma equipe menos experiente e, individualmente inferior.
Em lance repetido, pelo menos três vezes, falta da direita para o centro da área, o Palmeiras conseguiu aos 39 minutos do primeiro tempo estabelecer a vantagem, através de Jorge Mendonça, que colheu bem, de cabeça, uma falta-cruzamento de Edu marcando.
Anteriormente, por duas vezes, o goleiro Doná falhara em jogadas semelhantes: aos 24 minutos, Ademir da Guia, depois de falta assinalada em Valdir, bateu com efeito. Doná saiu, falhou e Jorge Mendonça não soube aproveitar, falhando igualmente. Foi a primeira chance perdida. Em seguida, aos 29, o mesmo Ademir, depois de tabelar com Toninho, deslocou-se para a direita e centrou. Novamente Mendonça falhou.
Mais uma vez este tipo de jogada seria tentada. Desta vez Edu, muito bem lançado por Pires, venceu Almeida e centrou. Doná saiu, Toninho fechou, mas Doná, desta vez, saiu bem, segurou a bola na cabeça do centroavante, evitando a finalização que seria fatal.
Minutos depois, foi a vez do XV de Novembro quase marcar. Parrela, recebendo na grande área, fechou para o meio, uma bola venenosa, picada. Pitanga pegou de primeira, forte e à meia altura, em cima de Leão que, com reflexo perfeito, desviou por cima do travessão.
O gol sairia em seguida. Ademir da Guia, como sempre, em todos os lugares do campo, forçou a jogada pela direita, lançou Valdir, que depois de vencer um adversário, tocou para Edu, pressionado por Almeida, o ponta forçou e foi derrubado. Ele mesmo cobrou, com precisão. O goleiro Doná saiu mal, adiantando-se demais. A bola passou entre suas mãos e foi acabar na cabeça de Jorge Mendonça, que, sozinho, só teve o trabalho de finalizar para as redes.
No segundo tempo, o Palmeiras, não só pela vantagem, mas também pela maior experiência e tranquilidade, dominava o XV de Novembro sem maiores problemas. Sua presença em campo adversário era constante, e o domínio absoluto. O técnico do XV de Novembro, Dema, tentou, logo no início – aos 9 minutos – aumentar o poder ofensivo de seu time, colocando Paulinho e Capitão, nos lugares de Nardela e Benê, no meio do ataque.
Não deu certo. Os dois entraram descansados, mas não conseguiram dar ao setor mais importante do time a ofensividade desejada. Não que não houvessem tentado, mas a defesa do Palmeiras estava segura demais. Mesmo o jovem Valdir, acossado permanentemente por João Paulo, a melhor opção ofensiva do XV de Novembro, conseguia não permitir que o adversário chegasse ao que mais almejava: os gols que lhe dariam a vitória, único resultado que manteria a esperança de conquistar o título de Campeão Paulista.
A grande diferença no jogo era estabelecida, sem dúvida, por um homem: Ademir da Guia. Este realmente foi o ponto de desequilíbrio do jogo. Quando o XV de Novembro mais lutava, Ademir, como sempre, estava nos lugares estratégicos, destruindo as tentativas do adversário. Nas jogadas mais importantes do seu time, ele tinha participação direta. Enfim, foi o artífice da vitória. O toque de mestre que faltou ao XV de Novembro, que lutou com muita bravura e vontade, mas sem um comandante que conduzisse o time a um resultado positivo.
Jorge Mendonça, artilheiro do Palmeiras e autor do gol da vitória, foi também um jogador de muita importância na vitória do Palmeiras. Terceiro homem de meio campo, cumpriu com Ademir da Guia e Pires, de maneira perfeita, um trabalho de desarme e ataque que acabou por dominar completamente o esquema do meio de campo quinzista e, finalmente, levar o Palmeiras à vitória.
FICHA TÉCNICA
Local: Parque Antártica
Juiz: Romualdo Arpi Filho
Renda: Cr$ 777.913,00
Público: 35.533Palmeiras: Leão, Valdir, Samuel, Arouca e Ricardo; Pires, Ademir da Guia e Jorge Mendonça; Edu, Toninho e Nei.
XV de Novembro: Doná, Volmil, Fernando, Elói e Almeida; Muri e Vagner; Pitanga, Nardela (Capitão), Benê (Paulinho) e João Paulo.
Destaque para os comentários sobre Ademir da Guia. Esse time do Palmeiras já não era a Academia do começo dos anos 1970, mas ainda mandava ver. Com o Divino no comando.
No domingo seguinte, dia 22 de agosto de 1976, na última rodada, o Palmeiras cumpriu tabela contra o SCCP, no Morumbi. Como um clássico desse não pode ser usado para cumprir tabela, foi um grande jogo, vencido pelo alviverde por 2 a 1, com a consagração final de Jorge Mendonça nesse título.

Além da matéria especial dessa edição, outra chama a atenção: o SCCP, que amargava 22 anos na fila, foi taxado como “time campeão das rendas, vaias e confusões”.
Esse foi o título do Palmeiras no Campeonato Paulista de 1976. Após essa conquista, nossa torcida, que nunca mereceu esse tipo de coisa – e não merecia o que estava acontecendo até dias atrás na administração anterior – ficou com o grito de campeão guardado até 1993 na garganta.
Mas nunca desistiu, nunca abandonou o time. A cada jogo, a cada falsa esperança de título, lá iam os palmeirenses, cantando e vibrando. E é assim que uma torcida de verdade, de um time de verdade, deve ser.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Sobre o protagonismo do Palmeiras nas competições
25 de fevereiro de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Aqui no Verdazzo, em quase todo texto nos últimos anos, bate-se na tecla de que o Palmeiras é protagonista, sempre deve entrar nos torneios para vencer, etc. e tal. E isso é a mais pura verdade.
O texto que trago hoje é simples. Não fala de conquista; o jogo em si não deu em nada; o time nem foi campeão naquele ano. Mas serve para mostrar aos mais jovens como sempre fomos respeitados – e assim deve continuar. É para isso que temos que apoiar o trabalho de reconstrução que está sendo feito pela nova diretoria.
A revista Placar de 27 de novembro de 1970 falava sobre o torneio Roberto Gomes Pedroza, o Robertão. O Campeonato Brasileiro com essa denominação que conhecemos só começaria em 1971.

Como no domingo passado, empatamos com o SCCP em 1 a 1. Mas vencemos uma guerra, já que praticamente conseguimos a classificação e o time da marginal sem número ficou no caminho (como era comum naquela época).
A matéria é de Michel Laurence, pai do repórter Bruno Laurence, da Rede Globo.

É sempre assim, sempre o Palmeiras
É por isso que na saída um italiano se virou para o outro e disse:
- Olha, o Palmeiras deveria só disputar o Robertão. Não paga dez: entre os quatros tá sempre lá.
É a pura verdade e para isso existe uma explicação: o Palmeiras é um time muito regular, que não se desgasta em um campeonato comprido como este Robertão. Seus jogadores são de um mesmo nível, à exceção de dois ou três, um pouco acima dos demais. Por isso é difícil o Palmeiras fazer um jogo ruim. Nesse Robertão isso aconteceu uma única vez, contra o Fluminense, em três jogos.
É um time que não chega nunca a provocar o delírio nas arquibancadas. Nem mesmo no mais fanático de seus torcedores. Mas está sempre lá, numa fidelidade de irritar, para alegria dos palmeirenses.
(pulei a parte que fala do time do SCCP)
Foi isso que aconteceu entre SCCP e Palmeiras. O marcador de 1 a 1 mostra exatamente o que foi o jogo: o SCCP tentou golear de saída; conseguiu um gol (de pênalti) e parecia poder conseguir outros. Mas acabou faltando pulmão.
O Palmeiras foi o contrário: deu a impressão de que estava meio perdido, que seus jogadores nunca iriam encontrar o ritmo de outros jogos. Mas a paciência de Ademir da Guia, Dudu e Nélson mais uma vez teve êxito. Quando o SCCP parou, o Palmeiras ainda tinha fôlego e cabeça fria para chegar lá. Só chegou ao empate. Poderia ter chegado à vitória.
O Palmeiras, quando terminou o jogo, tinha grande ação e se houvesse mais 10 metros de pista (ou 10 minutos de jogo) ganharia no olho mecânico, como em corrida de cavalo.
É por aí. Digam se o relato do jogo não foi parecido com o que aconteceu no domingo passado?
A grande diferença foi a qualidade dos times do Palmeiras de 1970 e de 2013. Só que a equipe está sendo reconstruída, de cara não vai ser uma nova Academia, mas mostra que poderá nos dar glórias – voltar para a Série A, que é obrigação, e beliscar algo nos demais torneios do ano.
O Palmeiras nasceu para ser protagonista.
Existe quem queira tirá-lo desse caminho natural, mas esse mal é passageiro.
Estamos voltando ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras. Esta semana, excepcionalmente, a coluna foi publicada na segunda-feira.
2007 reloaded
5 de fevereiro de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
O ano de 2007 começou cheio de esperanças para o palmeirense. Ventos democráticos sopraram sobre o Palestra, e Affonso Della Monica foi reeleito. No complicado jogo político das alamedas, o presidente que foi eleito sob as bênçãos do conservadorismo em 2005 foi mantido no cargo por se posicionar de forma progressista, exatamente contra quem o catapultou politicamente.
Já em dezembro de 2006 Gilberto Cipullo foi alçado ao cargo de diretor de futebol e começou a arquitetar a reconstrução do futebol do clube. Arrasado pela gestão desastrosa de Salvador Hugo Palaia, o caixa palmeirense estava em frangalhos, mas com Luís Gonzaga Belluzzo no planejamento, foi traçado o roteiro da recuperação. A confirmação da vitória de Della Monica sobre Roberto Frizzo deu firmeza para que Caio Junior, trazido no risco ainda em dezembro do ano anterior, seguisse em frente.
As contratações foram muito modestas e se juntaram aos melhores do elenco do ano anterior que sobreviveram ao facão. O líder do elenco era Edmundo. O goleiro era Diego Cavalieri, em fase esplendorosa, enquanto Marcos se recuperava de mais uma grave contusão e Sergio anunciava a aposentadoria. E todas as esperanças recaíam sobre um jovem meia que havia chegado do Chile e estava concluindo sua adaptação ao Brasil. Juntaram-se a eles uma baciada vinda do Paraná Clube, ex-clube de Caio Junior: Gustavo, Edmilson, Pierre e Cristiano. Do Cruzeiro chegaram Martinez e Leandro Buxexa, trocados por Marcinho Porpeta. Do Paraguai veio um certo Florentin; do Japão, um certo Alemão. Alguns atletas do time B tiveram chance, como Michael. Durante a temporada, outros reforços modestos se juntaram ao elenco, como Caio Firula, Makelele e Rodrigão.
E Caio Junior, devagarinho, aos trancos e barrancos, foi dando cara ao time, que se sustentou durante a temporada a custos realmente baixos. O time chegou ao final do ano ainda limitado, mas redondinho; por um triz não se classificou à Libertadores, e quatro das peças trazidas no início do ano foram titulares do time que conquistou o Paulistão do ano seguinte sob o comando de Vanderlei Luxemburgo.
Na sequência de 2008 e em 2009 o time deixou de conquistar títulos por erros pontuais, cometidos tanto pelo treinador quanto pelo diretor, que deu liberdade demais a Luxemburgo. Mas pelo menos o time era forte e não nos envergonhava. O elenco do Palmeiras, que escapou por um triz do rebaixamento no fim de 2006, pouco mais de um ano depois já era forte o suficiente para bater de frente com qualquer time do país – mas foi necessário um ano de reconstrução.
É impossível não se lembrar de 2007 quando olhamos para a situação do clube em 2013. Há muitas semelhanças – mas claro, há particularidades que os distinguem. A maior delas é o fato de que em 2007 o Palmeiras iniciava o ano zerado na primeira divisão, enquanto o SCCP estava montando um time tão ruim que terminaria o ano rebaixado para a série B. Este ano todos sabemos onde está cada um dos rivais. Talvez esse seja o fator principal que faz com que a paciência praticada pela torcida em 2007 não seja vista este ano. A pressão será naturalmente maior.
Em 2007 o palmeirense, de alguma forma, abraçou aquele projeto. Sabia que o time era fraco, mas talvez assustado com o quase-rebaixamento compreendeu que era necessário arrumar a casa. O plano foi bem “vendido” para a torcida (e Brunoro quase participou dele, já que Cipullo negociou por um bom tempo sua volta ao clube, que à época não se viabilizou), e Caio Junior teve relativo sossego durante todo o ano, mesmo sem o time disputar com reais chances de conquista nenhum campeonato.
O time era fraco, todos sabiam, mas talvez outra diferença para este ano era que o palmeirense em 2007 ainda assim conseguia se iludir que, talvez sob efeito de algum raro alinhamento cósmico, aquele time ainda pudesse surpreender e levar algum caneco num mata-mata. Este ano ninguém se ilude, e talvez seja isso que faça com que a tolerância com a nova gestão seja curtíssima – situação agravada com a popularização do Twitter, que deu outra dimensão ao verbo cornetar.
Para 2007, Cipullo começou a armar o time em dezembro do ano anterior – pegou um mercado com muito mais opções. Paulo Nobre sentou-se à cadeira para começar a negociar há duas semanas e o que tem disponível é muito fraco. A sobra do elenco anterior é pior que a de 2006. E a situação financeira, que há seis anos era ruim, agora é muito pior.
Obviamente Paulo Nobre não pode declarar formalmente à torcida que esqueça de 2013, seria estúpido em todos os sentidos. Mas a torcida pode naturalmente observar os sinais e entender que este ano será, como em 2007, um ano de reconstrução – e com muito mais dificuldades. A próxima janela de contratação abre-se no meio do ano, e opções de elenco melhores que as sobras atuais devem aparecer. Até lá, esperamos que a nova gestão já tenha conseguido alongar as dívidas, restabelecendo o fluxo financeiro, e estruturado de forma consistente o departamento de marketing, para gerar novas receitas e parcerias específicas para trazer jogadores para o elenco.
Começando a verdadeira requalificação do elenco em junho, inicia-se a montagem do Palmeiras do centenário. Na janela do fim do ano, uma segunda rodada de reforços deve chegar, e realmente espero que em 2014 o Verdão entre para ganhar tudo. É amargo ter que dizer mais uma vez que o Palmeiras será o time do ano que vem. O palmeirense já está cansado disso, mas é o preço a se pagar por uma gestão como a que tivemos no último biênio. Enfim, Tirone é página virada, vamos olhar para a frente e exercitar a paciência. 2013 promete ser muito duro. A Libertadores, mesmo com duas rodadas de alterações no elenco que será inscrito na próxima terça, não é nem sonho distante: é delírio.
Quanto mais aceitarmos que neste semestre não teremos sequer o direto de sonhar com conquistas, menos sofreremos. Mas não podemos jamais nos acostumar a essa situação. Nosso DNA é de protagonista. O papel de coadjuvante é apenas um remédio amargo, temporário. Estamos doentes, vamos nos comportar como tal. Quando estivermos saudáveis de novo, e que isso seja logo, voltaremos. Exigimos isso.
E que a diretoria saiba conviver com as críticas. Nem todo palmeirense está disposto a enxergar as dificuldades e quer esquadrão já, vitórias já, títulos já. Não os condeno. Faz parte da natureza do palmeirense.
PS: sim, haverá posts sobre as eleições para o CD, para a presidência do COF e sobre a reunião de ontem à noite que aprovou o filtro de 15%. Preciso de tempo. Serão publicados assim que possível.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Em 1993, o grito de campeão que estava guardado
3 de fevereiro de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Nessa fase turbulenta, que deverá passar, mas ainda vai demorar um pouquinho, estamos em busca de boas notícias.
Dessa forma, nada melhor que relembrar uma conquista que ainda não abordamos nas colunas semanais sobre a história do Palmeiras.
Em época de Paulistão, vamos relembrar a conquista do Campeonato Paulista de 1993.
A tradicional edição dos campeões da revista Placar trouxe, em dezembro de 1993, o relato da conquista alviverde, após muitos anos na fila.

Grito para a eternidade
A bola postada na marca do pênalti saiu mansa dos pés do centroavante Evair e dirigiu-se caprichosamente para o canto direito do goleiro Wilson. Era o quarto gol de uma goleada histórica na final do Campeonato Paulista e no mesmo instante um coro emocionado espalhou-se por todo o Morumbi: “É cam-pe-ão!”, gritavam os palmeirenses, soltando do fundo do peito uma emoção contida durante dezesseis anos.
A vibração das arquibancadas rapidamente chegou ao gramado onde, logo depois do apito final do juiz José Aparecido de Oliveira, realizou-se a maior festa dos últimos tempos no futebol de São Paulo.
“Tô feliz pra caramba”, desabafava o meia E******, com um largo sorriso no rosto. Concluída a frase, ele se uniu a uma montanha de craques campeões, que pulavam uns sobre os outros. O último a chegar foi o herói Evair, o melhor em campo nos 4 x 0 contra o SCCP e autor do gol do título redentor. “Não tem pra ninguém”, berrava o centroavante, com a voz embargada. Em instantes, de mãos dadas e saltando como autênticos torcedores, cada um dos jogadores repetia o coro que vinha das arquibancadas: “É cam-pe-ão!”.
O desabafo tinha razão de ser. Durante toda a semana que antecedeu a finalíssima contra o SCCP, os craques foram alvo de insistentes cobranças. Principalmente do técnico Wanderley Luxemburgo, que fazia uma única, mas crucial exigência: “É preciso ter vergonha na cara”.
O treinador, junto com o diretor de esportes da Parmalat, José Carlos Brunoro, ainda editou uma fita de vídeo, que incluía os principais momentos da campanha e as provocações do SCCP – a comemoração de Viola depois do gol que deu a vitória por 1 x 0 no primeiro jogo da decisão estava presente. Tudo para aumentar a gana pela vitória.
O programa surtiu efeito e desde as primeiras horas da manhã do sábado da final, o Palmeiras era a imagem da determinação. Quem exibia mais fortemente essa característica era o ponta Zinho. Os ônibus dos dois times chegaram juntos ao estádio, mas os jogadores do SCCP entraram primeiro. Tinham uma fisionomia alegre e pareciam comemorar antecipadamente o título estadual. O camisa 11 palmeirense, enquanto isso, continuava sentado impassível no segundo banco dianteiro do seu ônibus, observando atentamente os movimentos dos adversários. Sério e carrancudo, esperou a entrada dos rivais no saguão do Morumbi, levantou-se e caminhou para o vestiário. Seu olhar denunciava: estava pronto para entrar em campo e destruir o SCCP.
Não por acaso, foi dele o gol que abriu o caminho do título. Zinho recebeu um passe de Evair aos 36 minutos do primeiro tempo, invadiu a área desequilibrado e chutou com o pé direito. Depois apenas acompanhou com os olhos e viu a bola entrar chorando no canto direito do goleiro Ronaldo. “Em decisão ganha quem tiver mais coração”, ensinava o craque no final do jogo.
O Palmeiras, porém, tinha mais do que coração. Possuía uma técnica bem superior, como mostrara durante toda a temporada. Foi dele, afinal, o maior número de pontos no Paulistão (59), o melhor ataque (72 gols) e a melhor defesa (30 gols sofridos). Não se deu ao luxo nem de apresentar mau futebol vez ou outra. Por isso, demitiu o técnico Otacílio Gonçalves, quando o time ocupava a liderança da tabela. Como se tudo isso não bastasse, o Palmeiras tinha Evair.
E o matador alviverde entrou em campo com fome de bola. No minuto inicial, com um leve toque de primeira, tirou o zagueiro Henrique da jogada e lançou E****** em condições de marcar. Em seguida, deu um passe genial de calcanhar para Roberto Carlos, que cruzou para Edmundo desperdiçar uma chance incrível. De quebra, marcou dois gols – incluindo o de pênalti que garantiu o troféu – e criou as jogadas para os outros dois da goleada por 4 x 0. “Aconteceu tudo certo para mim hoje”, dizia emocionado o artilheiro depois da vitória.
Com a partida terminada, os jogadores unidos ainda fizeram questão de repetir todos os coros que vinham das arquibancadas. Novamente, apenas uma coisa os tirava da condição de simples torcedores: acabavam de vestir a camisa do Palmeiras em uma final de campeonato, derrotando o arquiinimigo por 4 x 0 e devolver aos palmeirenses a alegria de gritar campeão. O suficiente para torna-los heróis eternos. Mas nenhum deles parecia se importar com a imortalidade que haviam acabado de conquistar. O zagueiro Antônio Carlos, por exemplo, dirigiu-se até as gerais com a medalha no peito, e disparou enfurecido: “É pra vocês!”. Por pouco não atirou para a torcida a lembrança da vitória.
Por isso, cada um dos palmeirenses presentes ao Morumbi esperou o último instante de festa no gramado, como se agradecesse pela identificação com o clube demonstrada por seus craques.
Só depois disso, deixaram o estádio e espalharam-se pelas principais ruas de São Paulo para pintá-las de verde e branco.
Passaram pela Avenida Paulista – o centro financeiro da cidade e tradicional local das festas depois das finais –, pelo Parque Antártica, e apenas terminaram de comemorar nas primeiras horas da manhã seguinte.
Tudo para poder soltar o mais forte possível o grito que há dezesseis ansiavam por tirar da garganta. O inesquecível grito de campeão.

Nem vale mais falar a questão de comemoração de títulos, pois fomos campeões da Copa do Brasil no ano passado.
Vale relembrar, sim, o que representa a instituição Sociedade Esportiva Palmeiras, o que representa o nosso time.
É isso que precisamos resgatar, como foi resgatado em 1993.
Claro, tínhamos o dinheiro da Parmalat, aí era muito mais fácil.
Mas não podemos ver o Palmeiras passando por todos esses problemas, sem que ninguém faça nada a respeito. A antiga diretoria detonou o time, agora há uma esperança.
Precisamos de reforços, precisamos de paz para trabalhar.
Mas vamos em frente. Vai ressurgir o alviverde imponente.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Em 1992, a primeira chegada de Brunoro ao Palmeiras
27 de janeiro de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Quanta diferença em apenas poucos dias de administração de Paulo Nobre na Sociedade Esportiva Palmeiras.
Queremos jogadores, todos estão pedindo isso, mas como é bom ver a casa sendo arrumada após a desastrosa gestão do time de bananas.
A cereja do bolo, pelo menos na parte da administração da equipe, foi o retorno de José Carlos Brunoro, tão pedida pelos torcedores nos últimos tempos.
Vamos hoje relembrar um cenário diferente. A primeira chegada de Brunoro ao Palmeiras.
A grande diferença, claro, era toda a estrutura e o dinheiro da Parmalat que estavam por trás disso.
Mas não custa relembrar.
Trago reportagem da Folha de S. Paulo de 26 de agosto de 1992, que estampa na capa do caderno de esportes: “Brunoro quer mudar o Palmeiras”.

Brunoro quer mudar o Palmeiras
Um diretor de futebol com funções executivas e bem remunerado.
Um estádio exemplar.
Um jogador capaz de mudar o time.
Este é o Palmeiras desenhado por José Carlos Brunoro, diretor de esportes da Parmalat – um clube organizado segundo o modelo do Parma italiano; um clube vencedor, segundo ele. Hoje, porém, o quadro é outro: Brunoro fala em desorganização e amadorismo. A Parmalat se dá três anos para transformar o Palmeiras – esta é a duração do contrato de ambos.
Setembro é o mês decisivo para a associação da empresa com o clube. Dentro de uma ou duas semanas, Brunoro apresenta ao presidente do Palmeiras e ao seu presidente da Parmalat no Brasil seu diagnóstico da situação e seu plano de trabalho. Se for aprovado, o relatório é anexado ao contrato e sua execução passa a ser obrigação dividida pelas duas partes.
O pedido de demissão do técnico Nelsinho foi o primeiro obstáculo sério à associação.
Os dirigentes da Parmalat na Itália ficaram surpresos e pediram explicações. Por azar, Nelsinho caiu às vésperas da viagem de cortesia do Palmeiras a Parma, quando um amistoso serviu de pretexto para a celebração do contrato. “Eles não entenderam que ele saiu por causa da torcida”, diz Brunoro.
O dirigente já terminou o relatório. Sabe-se que o diretor de futebol remunerado, profissional oposto aos tradicionais dirigentes “amadores” do futebol brasileiro, é uma peça-chave da estrutura que a Parmalat pretende implantar no Palmeiras. Ele cuidaria da organização do futebol, seria o supervisor do elenco e do técnico e teria a função política de porta-voz.
Sobre jogadores, o diretor de esportes diz que a empresa não tem a obrigação contratual de adquirir atletas. Mas no relatório Brunoro aponta que o elenco é um dos problemas do Palmeiras, ao lado da falta de organização. O texto vai falar em três jogadores, sem os quais o clube não pode virar uma esquadra vencedora. Um deles deve ser contratado imediatamente. “Podemos dar um jogador de presente”, fala Brunoro. “Mas o time vencedor é um projeto para os três anos do contrato”.
O contrato Palmeiras/Parmalat não se resume a um patrocínio tradicional. Ele inclui a transferência de know-how de organização e gerência em cogestão. Ao futebol (US$ 500 mil por ano, sem incluir “presentes”) se somam o basquete (US$ 240 mil) e o hóquei (US$ 20 mil).
Leiam bem o que diz Brunoro sobre o Palmeiras.
Coincidência ou não, estamos dessa mesma forma 20 anos depois.
Brunoro é um homem de visão, ninguém pode negar isso. Ele falava em estádio moderno, muitos anos antes da construção da Arena.
A parceria entre Palmeiras e Parmalat foi muito bem-sucedida, nem preciso falar sobre isso.
Agora não temos a verba da empresa italiana, mas temos um nome a zelar. Temos nossa tradição de Campeão do Século XX. Temos nossa torcida maravilhosa, apaixonada, que já sofreu o bastante.
Chegou a hora.
Estamos voltando!

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Em 1969, depois do começo difícil, veio o título do Robertão
13 de janeiro de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Como faltam poucos dias para o término da desastrosa gestão de Arnaldo Tirone no Palmeiras, trago hoje um tema pertinente.
Muitos dos problemas do Palmeiras começaram em 1978, quando um sujeito iniciou sua ‘carreira’ como diretor de futebol do time. Isso é fato.
Mas não pensem que a Sociedade Esportiva Palmeiras, mesmo na época da Academia, não teve problemas. Pelo contrário.
A edição de 9 de dezembro de 1969 de O Estado de S. Paulo era especial. O Palmeiras, no saldo de gols, na última rodada (venceu o Botafogo no Morumbi por 3 a 1, enquanto o Cruzeiro venceu o SCCP por 2 a 1 em Belo Horizonte), foi campeão do Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, que equivalia ao Campeonato Brasileiro naquela época.

A caminhada para o título não foi fácil. O início foi ruim e o time chegou a ficar em penúltimo. Mas reagiu e conquistou mais um caneco.
Após a conquista, o então diretor de futebol do Palmeiras, José Gimenez Lopes, fez um desabafo e não poupou as palavras. Confira a reportagem:

A grande vitória de um dirigente
De junho de 1968 até há poucas semanas atrás, quando o quadro só perdia no “Robertão”, o diretor do departamento profissional do Palmeiras enfrentou todo tipo de crítica da imprensa, torcida e até de alguns conselheiros. E, de uma forma ou de outra, soube resistir a todas elas, terminando o “Robertão” em uma situação privilegiadíssima apontado como um dos principais responsáveis pela conquista do título e recebendo até um abaixo-assinado dos jogadores, que pedem a sua permanência no cargo que ele queria entregar.
Agora, o diretor está em dúvida e, sem modéstia, dá a entender que é o elemento indicado para continuar mandando no departamento. “mas isto eu vou resolver durante as férias dos jogadores, numa conversa que terei com o presidente Delfino Facchina”.
Apesar de não dizer claramente, ele se sente um diretor realizado e não esconde o que é preciso fazer para ter êxito.
– Acho que, em primeiro lugar, um homem tem que ser honesto consigo mesmo. Tem que fazer o que pensa, não ligar para o que os outros dizem e tomar suas decisões de acordo com o seu pensamento. Não pode fazer média com muita gente, que procurando agradar alguns, desagrada outros. Um diretor de futebol, principalmente, tem que ser assim, pois, em clubes grandes, é um cargo quase público. Tem que tomar decisões firmes e nunca voltar atrás.
E, para isto, tem que ter muita coragem.
Ele acha que provou ter muita coragem, logo que assumiu a direção do departamento. Na ocasião, havia descontentamento entre jogadores e falta de segurança dos diretores, pois o Palmeiras estava ameaçado de rebaixamento, ao mesmo tempo que disputava a Libertadores. Para ele a culpa foi dos diretores Leonardo Lotufo e Orlando Ferri:
- Foi aí que se observou a irresponsabilidade dos diretores do departamento. O Palmeiras não tinha jogadores para a reserva, pois negociaram muitos dos inscritos. O técnico Gonzales não foi prestigiado pelos dois que queriam contratar o Alfredinho. Quando o campeonato terminou, Gimenez resolveu mudar o elenco.
Para ele, um jogador não pode ficar mais do que 4 anos num clube, “a não ser jogadores como Dudu e Ademir”. Por isto dispensou muita gente famosa e foi criticado. Agora, como campeão do torneio mais importante do Brasil, o diretor faz comparações:
- Muitos me criticaram por que troquei o Tupãzinho pelo Zeca. Pergunto: onde está o Tupã? O Zeca vai ser convocado para a seleção paulista. Troquei jogadores considerados imprescindíveis por elementos desconhecidos. Como o Eurico, Cardoso, Leão, Jaime, Nelson, só para citar os que estão como titulares atualmente. Com esse elenco, conseguimos fazer grandes campanhas. Segundo lugar no campeonato, segundo no Robertão, Campeão do Ramon de Carranza e campeão do Robertão. Acho que está bom, não está?
Ele diz que não foi o responsável pela contratação de Filpo, “só concordei para não dar despesas ao clube”, explica. No começo, até que ele elogiou o técnico, mas no final do Robertão quando o Palmeiras perdeu o título para o Santos, ele não gostou do procedimento.
- Primeiro, acusou Nelson e Dé de terem se vendido ao Santos. Depois, foi a churrascaria de um amigo meu e, depois de beber muito, disse coisas desagradáveis. No dia seguinte, disse que não havia mais lugar para ele no Palmeiras.
O diretor também desmente que tenha 600 mil cruzeiros novos no clube. “Se tivesse tanto dinheiro, iria jogar roleta em Monte Carlo” e responde brincando porque ele é o único palmeirense de uma família que torce para o SCCP, “ora, por que sou mais inteligente do que eles”. Carioca, começou torcendo para o Fluminense, mas em 1934, ao ver um jogo do Palmeiras, mudou de time, “o quadro jogava por música, aos poucos fui me apaixonando por ele”.
Na mesma página, outra matéria interessante, com o então técnico Rubens Minelli, que contou os percalços que passou para chegar ao título:
Agora Minelli já pode descansar
Depois de prometer à diretoria do clube que continuará dirigindo o time do julho do ano que vem, o técnico Rubens Minelli foi visitar sua família em Rio Preto e aproveitou o dia de ontem para pescar “mandis” no Rio Grande. Ele queria descansar e esquecer dos dias de preocupação e trabalho que passou, para fazer o Palmeiras campeão do torneio Roberto Gomes Pedrosa.
Minelli explica como conseguiu esse títulos, dizendo que foram dias horríveis, com cansaço, problemas de contratos e médicos, obrigando-o, no meio do torneio, a armar quase uma equipe diferente.
- O Palmeiras voltava de uma excursão de 60 dias pela Europa e África e ainda tinham uma tabela ingrata para cumprir. Chegamos numa segunda-feira, na quarta perdemos para o Flamengo e no domingo para o Internacional. Em cinco jogos, tínhamos um ponto ganho. Aí os cornetas afinaram as trombetas e veio aquela onda toda.
O técnico continua dizendo que “Ademir da Guia não podia jogar, porque estava sem contrato e poucos dias depois foi a vez de Cesar Cardoso ficar contundido, Serginho e Copeu caíram de produção e a estrutura do time foi por água abaixo”.
- Tive de montar outro time. Agora, o Palmeiras tem falhas no meio de campo, no ataque mas tem um conjunto que supera tudo isso.
Economista
Minelli formou-se em economia em 1956 e exerceu essa profissão durante dois anos. Em 1959 foi ser técnico do juvenil do Palmeiras, onde ficou até 63, quando foi chamado para dirigir o América, de Rio Preto, levando-o para a Divisão Especial. Depois, Minelli foi para o Botafogo, de Ribeirão Preto, voltou ao América, treinou o Esporte Clube Recife, a Francana e o Guarani. No dia primeiro de julho voltava ao Palmeiras, para dirigir seu time principal. E em todos esses clubes, o contrato de Minelli foi verbal.
- Sempre trabalho assim. É melhor para mim e para o clube. Se alguma das partes não estiver satisfeita, desfaz o acordo e pronto.
Minelli acha que a mentalidade dos dirigentes de clubes está mudando. Ele explica que eles estão entendendo, que um time demora a ser montado e que até isso acontecer, naturalmente haverá derrotas.
- Os técnicos da nova geração, mesmo com seus times perdendo, têm sido prestigiados, porque os dirigentes sabem que, com o tempo, a equipe vai entrosar e conseguir bons resultados. Eu bati o recorde de permanência no Palmeiras. Depois de cinco jogos e apenas um ponto ganho, consegui permanecer lá. Deram-me tranquilidade para trabalhar e com o tempo consegui fazer alguma coisa. O título está aí.
Ah… As cornetas! Estão lá desde a fundação do Palestra Italia (risos).
Enfim, é interessante verificar que mesmo em uma estrutura vitoriosa, a Academia, existiam problemas, cobranças, críticas e tentativas de puxar os tapetes.
Na verdade, isso está na raiz do Palmeiras, e dificilmente ficaremos livres disso um dia.
O caminho para isso é a profissionalização. O período que tivemos com a Parmalat deixou isso mais que claro.
Resta, nas eleições que ocorrerão daqui alguns dias, que o candidato vencedor coloque esse plano em prática, separe o clube social do futebol e comece a arrumar a casa.
Problemas nós sempre teremos. Quem não tem?
Mas essa letargia que estamos atravessando tem que acabar, para que possamos recuperar o nosso espaço no futebol brasileiro (e mundial).

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
A chegada de Leivinha ao Palmeiras
6 de janeiro de 2013 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Leivinha chegou ao Palmeiras em 1971.
Revelado pela Linense, foi para a Portuguesa em 1968. Mas, segundo ele mesmo disse, se acomodou e viu que não chegaria muito longe no clube, que revelava grandes valores na época e logo os vendia.
Veja matéria de O Estado de S. Paulo de 19 de dezembro de 1969 onde a Lusa negava que iria vender o jogador – havia recebido uma proposta do Fluminense.

Depois de toda essa confusão e de uma cirurgia, ficou seis meses sem jogar e foi comprado pelo Palmeiras. Segundo ele, além de jogar no Verdão, ficaria mais perto da Seleção Brasileira.
O jogador assinou contrato com o Palmeiras no dia 25 de fevereiro de 1971, conforme matéria de O Estado de S. Paulo que observamos abaixo:

Para completar, vamos relembrar hoje matéria da revista Placar de 12 de março de 1971 que relata a chegada do atacante ao Palmeiras:

Eu agora sou feliz
Não fiquei preocupado não. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, a Portuguesa teria que vender meu passe. Para eles era melhor vender logo, antes que eu caísse no esquecimento, ficasse desvalorizado. Por isso, tudo se resumiu a uma questão de espera.
Revelado pela Portuguesa de Desportos, Leivinha lutou seis meses para deixar o clube, que considera “bom” e que “vai ficar muito melhor daqui a dois anos”. Só que, no seu tempo, “a Portuguesa não servia”.
- No começo, a Portuguesa valeu. Mas de um ano para cá eu senti que estava acomodado. Já não dava mais. Eu tinha que sair de qualquer jeito.
Leivinha realizou seu sonho menor: saiu da Portuguesa. Agora ele vai partir para seu sonho maior: ser convocado para a Seleção. Leivinha acha que agora tudo está mais fácil para ele.
- Sair da Portuguesa para a Seleção é um milagre. Sei que alguns já saíram, eu mesmo consegui isso. Mas mesmo assim é muito difícil. Agora, do Palmeiras para a Seleção é um passo.
Muitos afirmam que Leivinha perdeu dinheiro para ficar mais perto da Seleção, que tudo o que recebeu não ultrapassou os CR$ 240.000,00 oferecidos a ele pela Portuguesa de Desportos.
Leivinha não diz quanto recebeu do Palmeiras, mas garante que não perdeu dinheiro, até ganhou.
- E tem outra coisa: ganhei projeção, que não tem preço.
Num tempo em que todos os técnicos afirmam que “o jogo se ganha pelas pontas”, Leivinha sabe como poucos encontrar o caminho das redes pelo meio. Ele acha que os técnicos têm razão, mas explica que tem seu estilo próprio de jogar.
- Eu me movimento bastante para nunca estar marcado. Talvez por isso crie oportunidades de gol pelo meio.
Foi no time de futebol de salão do Ginásio Estadual de Lins que Leivinha que Leivinha aprendeu a se mexer em campo, a criar espaços, a passar o pé por cima da bola em plena corrida, tirando o adversário da jogada.
- Engraçado, todos pensam que é esta a minha jogada preferida. Não é não. A jogada de que mais gosto é fazer gol de cabeça. Levei muito tempo aprendendo a cabecear e agora, toda vez que meto uma bola, sinto uma alegria sem tamanho.
Devido ao tempo que ficou parado e logo que o Palmeiras demonstrou interesse no seu passe, Leivinha foi acusado por alguns de estar com um grave problema de meniscos.
Mas tudo não passava de boato.
O que aconteceu realmente é que, no seu último jogo pela Portuguesa, Leivinha sofreu um corte no joelho, que acabou inflamando. Teve que se submeter a uma pequena cirurgia – levou dois pontos no local.
- É por isso que estou com uma atrofia de meio centímetro na coxa direita. Mas já estou fazendo exercícios com peso e, logo, logo, estou na ponta dos cascos. Quero recuperar o tempo que perdi, quero jogar tudo que sei. Afinal, quero voltar à Seleção.

Exímio cabeceador, fez 263 jogos com a camisa alviverde, marcando 105 gols.
Um dos episódios mais marcantes de sua passagem pelo Palmeiras foi o gol que teve anulado contra o SPFC, na final do Paulistão, acusado pelo juiz Armando Marques de marcar com um soco, ao invés da precisa cabeçada que deu. Mais uma para a conta de milhares de vezes que fomos garfados em nossa história.
Esteve na Copa de 1974, mas não obteve destaque. Teve uma contusão, inclusive, na partida contra o Zaire.
Em 1975, já marcado na história do Palmeiras e ídolo da torcida, foi o Atlético de Madrid, da Espanha, ao lado de Luís Pereira.
Relembramos hoje a história da chegada de Leivinha ao Palmeiras.
Não minto, terminei o ano desanimado com o nosso time. E quem não está assim?
Mas, nesta primeira coluna de 2013, vamos pensar que temos eleições pela frente agora em janeiro e mais um ano inteiro para, quem sabe, sermos surpreendidos.
Porque, sinceramente, pior do que está, com essa administração, fica difícil.
Feliz 2013 para todos nós!
* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
A importância da espinha dorsal do time
23 de dezembro de 2012 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Um bom elenco (quase) sempre é sinônimo de bons resultados.
E uma espinha dorsal para um time é essencial.
Nos anos 1980, quando o Palmeiras passava por momentos tão ruins como esses de agora, os técnicos procuravam uma espinha dorsal, jogadores que se identificassem com a equipe e revivessem algo parecido com o que aconteceu nos anos 1960 e 1970.
Pesquisando nos meus arquivos, encontrei uma Placar de 10 de setembro de 1982, quando estávamos há seis anos na fila e tínhamos passado por maus bocados com os times de 1980 e, principalmente, 1981.

O técnico Rubens Minelli estava crente que havia encontrado uma espinha dorsal para aquele time. Vamos relembrar.

A feliz redescoberta de um segredo: a espinha dorsal
Nos anos 70, o poderio palmeirense era a sua estrutura central. Uma década depois, o técnico Minelli encontra uma base semelhante que o faz ter fé no futuro da equipe
Uma das máximas do futebol enfatiza que “sem uma espinha dorsal forte e entrosada, nenhum time tem muito tempo de vida útil”. Comentaristas e técnicos definem esta “espinha dorsal” como eixo central, aquela linha que começa no goleiro, passa pelos zagueiros de área, atravessa o meio-campo e termina no centroavante. E lembram, para confirmar a tese, que os grandes times do mundo, a começar principalmente pela famosa Seleção Húngara de 1954, fizeram repousar nessa estrutura a base de sua força e sua fama.
No futebol brasileiro, apontam, saudosos, os grandes momentos do Santos, que se concentrava no goleiro Gilmar, no zagueiro Mauro, no volante Zito e nos atacantes Pelé e Coutinho. E o Palmeiras da primeira metade dos anos 70, que ia de Leão a César, de Luís Pereira a Dudu e de Leivinha a Ademir da Guia.
O futebol sofreu inúmeras transformações táticas de lá para cá, mas a ideia da “espinha dorsal” permanece intacta. Principalmente para os palmeirenses, cujo sofrimento nos anos recentes remete à inevitável recordação dos tempos da academia.
E é justamente o Palmeiras – agora sob o comando do mesmo Rubens Minelli que ajudou a formar o grande time do início da década passada – quem tem, atualmente, condições de reviver, no futebol paulista, a teoria da “estrutura central”.
A contratação de Baltazar completou a espinha da equipe, que no gol já tinha Gilmar – um aplicado discípulo de Leão –, o mesmo Luís Pereira no miolo da zaga, o combativo Rocha e o habilidoso Jorginho no meio-campo. Por isso, já há, no Parque Antártica, quem enxergue em Rocha a voluntariedade de Dudu, e anteveja, na bravura de Baltazar, a mesma predestinação para o gol que transformou o guerrilheiro César em ídolo. Jorginho faria as vezes do coadjuvante Leivinha, e só (só?!) faltaria o cérebro de Ademir da Guia. Mas espera-se pela ressurreição de Enéas, ou pelo reencontro do boliviano Aragonés com o futebol que o fez respeitado no Brasil.
É lícito, entretanto, que se pergunte: ainda haverá lugar, no futebol moderno, para tal concepção tática, a partir do miolo de um time? Afinal, outra máxima muito difundida apregoa que “futebol se ganha pelas pontas”…
Minelli, reconhecidamente um adepto do futebol moderno, prefere conciliar as duas alternativas:
- Hoje em dia, com a evolução das jogadas pelas laterais e pontas, o conceito de espinha dorsal perdeu um pouco a importância. Acho até, pelo que pude observar neste início de trabalho, que o Palmeiras está um pouco viciado em jogar só pelo meio. Mas não há dúvidas de que, após as lições da Holanda, em 1974, a tendência foi concentrar um número maior de craques pelo meio e, a partir daí, distribuir a criatividade para os outros setores. Se eu pudesse descrever graficamente, diria que a espinha dorsal, hoje em dia, não tem o formato de uma espinha de peixe, e sim de uma antena de televisão, com um centro sólido e propagações pelas extremidades, na frente e atrás. Vista assim, é importante, e penso que o Palmeiras tem jogadores capacitados a desenvolvê-la bem.
O veterano Luís Pereira, porém, permanece um fervoroso defensor do sistema:
- O miolo é a parte essencial de uma equipe. O goleiro, pela visão de campo que tem, canta o jogo; o central e o volante devem sair jogando, atentos à movimentação geral, principalmente dos laterais e pontas; e um centroavante e um meia que se entendam bem e se desloquem sempre, semeiam o pânico entre os adversários. E tem mais: não há sequer uma jogada, no futebol dito “moderno”, que não dependa, ou não se apoie na estrutura central.
Luisão arrisca um prognóstico sobre o futuro do atual time palmeirense:
- Já estamos sentindo as mudanças. O Baltazar se mexe bem e o Jorginho, embora não seja um bom cabeceador como era o Leivinha, toca melhor a bola e chuta muito bem de fora da área. Encostando mais no Baltazar, o entrosamento será rápido. Com esta espinha dorsal, este time poderá jogar com eficiência por muitos anos e, quando o Aragonés estiver jogando tudo o que sabe, não vai ser mole aguentar o nosso ritmo.
Em todos os comentários – com exceção, naturalmente, do técnico Minelli –, percebe-se que ninguém discute o eventual aproveitamento de Enéas na meia direita, com a fixação de Jorginho na ponta. Vendo de fora, o ex-centroavante César, artilheiro da velha academia, dá sua contribuição ao debate:
- O Enéas parece meio sem vontade de jogar, o que é uma pena. Ele seria um Leivinha perfeito, se quisesse, pois o Jorginho, apesar dos toques bonitos, é um tanto tímido na hora de dividir uma jogada.
Prosseguindo sua análise da atual “espinha dorsal” do Verdão, o antigo goleador acaba por concordar com o ex-companheiro, Luís Pereira:
- Gilmar é excelente, me lembra muito o Leão; o Rocha é como o Dudu: não se preocupa com a beleza, só com a eficiência; o Luisão é macaco velho; e o Baltazar é disposto e combativo, pois veio de um futebol – o gaúcho – altamente competitivo. Tem tudo para ser um novo César, modéstia à parte. Enfim, quando essa coluna central estiver acertada, o centroavante vai enjoar de fazer gols.
Baltazar concorda:
- Conheço o Jorginho desde o torneio mundial juvenil de Toulon, em 1980, e acho que vou me dar bem com ele. O bom funcionamento da estrutura central é, realmente, um dos segredos para um centroavante se tornar artilheiro.
Até os laterais e os pontas do Verdão admitem que seu rendimento será facilitado pela consolidação da “espinha dorsal”. E Rocha e Baltazar lembram que os melhores momentos que viveram no Botafogo e Grêmio, respectivamente, devera-se à existência, nesses times, de esquemas semelhantes.
- O Botafogo viveu sua melhor fase em 1981, quando chegou às finais da Taça de Ouro – sustenta Rocha. – E tinha uma linha central formada pelo Paulo Sérgio no Gol, Zé Eduardo na zaga central, eu e o Mendonça no meio-campo, e o Mirandinha de centroavante.
Baltazar diz que o Grêmio foi assim este ano, “quando pôde contar com um goleiro como Leão, um zagueiro como De León, o Batista pelo meio e eu e o Paulo Isidoro lá na frente.” E acha que o Palmeiras, com entrosamento, vai chegar lá.
O goleiro Gilmar observa:
- O Palmeiras já está deixando de jogar “torto”, com as entradas de Rocha e Baltazar, que deram tranquilidade à defesa e movimentação ao ataque.
Talvez essa estrutura permita a Minelli armar um time ideal, inclusive de materializar sua ideia de deixar Luís Pereira como líbero. Com todas as peças ajustadas através de um eixo central, é possível que o torcedor palmeirense já possa erguer a cabeça e caminhar pelas ruas vestido de orgulho – não apenas de saudade.
Como sabemos, não deu certo.
Poucos se lembram do time de 1982, que não teve nenhum feito.
Mas é importante trazer essa realidade para os dias de hoje e perguntar: temos uma espinha dorsal? É importante termos uma espinha dorsal?
Creio que essa importância do elenco e da espinha dorsal nem é preciso discutir.
E, com certeza, não temos, ainda, uma espinha dorsal para 2013.
Contratamos um goleiro, Fernando Prass. Temos nomes de qualidade, como Henrique e Barcos. Temos promessas da base, que já estão vingando, como João Denoni e Patrick Vieira.
Só que ainda faltam alguns nomes.
Enquanto nossos adversários e rivais fazem planejamento e contratam grandes nomes, montando ou reforçando suas espinhas dorsais, nos perguntamos como será o ano de 2013.
Chega logo, janeiro…

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Na semana da despedida, mais uma homenagem a São Marcos
9 de dezembro de 2012 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
Está chegando o difícil momento do jogo de despedida de São Marcos.
Um momento que não queríamos que chegasse, mas, como o tempo não para, foi inevitável.
Vamos fazer mais uma justa homenagem ao Santo hoje, com a publicação de uma matéria de capa que a Placar fez com ele em novembro de 2003, quando o Palmeiras jogava o calvário da Série B pela primeira vez.

Na reportagem, Marcos explica os motivos de ter ficado no Palmeiras mesmo após a queda; conta porque não foi para o Arsenal; detona Nenê, do time de 2002; e fala sobre a expectativa para o futuro, como se iria ou não terminar a carreira no alviverde.

Santo forte
Ele surgiu no momento mais importante da história do Palmeiras. Decisivo na Libertadores-99, Marcos sobreviveu – nunca calado – à saída da Parmalat, à política do bom e barato, ao vexame do rebaixamento e às exigências feitas a um pentacampeão do mundo. Seus fãs são, também, devotos – embora o milagreiro renegue a santidade
Por Daniel Tozzi
“Ele vai ter que engolir”, diz um palmeirense sobre Zagallo ter digerido o retorno de Marcos à Seleção Brasileira após um imbróglio entre os dois num amistoso contra o México. Mas a frase que caberia na boca de qualquer fanático é a proferida, na realidade, pelo maior mito da história do Palmeiras. Ademir da Guia abre mão de sua angustiante discrição para cutucar o técnico que o deixou no banco na Copa de 1974 e advogar pelo goleiro que, segundo ele, já subiu todos os degraus necessários para figurar ao seu lado e de outros poucos como um dos maiores ídolos do clube em todos os tempos.
Mas, além dessa condição, as conquistas dentro de campo deram a Marcos boa dose da autonomia necessária para falar o que bem entender; onde, quando e a quem desejar, o que contraria o habitual estilo do Divino. “Dentro do plantel (do Palmeiras), a última voz é a dele”, diz o zagueiro Argel, ex-Palmeiras e hoje no Benfica. E justamente a autencidade e franqueza cortantes, aliadas ao seu talento, mantiveram Marcos, mesmo com o Palmeiras fora da elite, no centro das atenções do futebol. “Eu sou honesto. Falo aquilo que acho que é e pronto, acabou. Não me preocupo com o exemplo que estou dando. Se quiser beber uma cerveja, vou beber, não fico me medindo para certas coisas”, afirma o goleiro, que não poupa nem mesmo seu apelido celestial. “É legal para o ego, mas dá uma responsabilidade muito grande, e não gosto disso. Tem gol que todo mundo toma, mas eu tenho que pegar, porque sou pentacampão, porque sou São Marcos… sou goleiro, não sou santo porra nenhuma”. E se o leitor pensa que o goleiro quer fazer média, Placar sente na pele que não se trata disso. Embora dono de atuações memoráveis, o pentacampeão jamais foi eleito o melhor de sua posição no Brasileirão. “Até larguei essa Bola de Prata. Já liderei umas duas vezes seguida, mas o Palmeiras caía fora e ganhavam de mim”.
Mas, mesmo que não lhe agrade, Marcos vê o Palmeiras girar em torno de si nos triunfos e frustações dos últimos anos. Personagem comum nas vitórias sobre o arqui-rival SCCP na Libertadores, na perda do Mundial Interclubes para o Manchester United e no rebaixamento para a segunda divisão, Marcos selou sua canonização para os devotos alviverdes ao abrir mão de jogar pelo Arsenal após a Copa do Mundo. “Não me sinto um remanescente, um último dos moicanos. O Palmeiras vive um processo natural de renovação. Já está preparando o terceiro e quarto goleiros (Diego, da seleção sub-20, e Fernando, respectivamente). Daqui a dois ou três anos, eles estarão preparados para substituir a mim e ao Sérgio”, diz.
E quando a tão falada autenticidade encontra o coração que, garante Marcos, sempre foi verde, o resultado quase sempre abala as estruturas do clube. “Nunca critiquei o time publicamente”, afirma Marcos. “O que sempre faço é explicar uma vitória, um empate ou uma derrota”. E quem venceu pelo Verdão ao lado de Marcos garante que a língua afiada reflete a essência do goleiro: muita, mas muita vontade de vencer. “Às vezes, ele exagera, mas eu gosto desse tipo de jogador. Quem quer vencer, supera essas coisas. Os problemas surgem com aqueles que não querem nada com nada”, afirma o técnico Luiz Felipe Scolari.
“O Marcos respira o Palmeiras e, por isso, com ele não existem melindres. Ele é assim com qualquer um, até com o presidente da República”, diz o meia Alex, hoje no Cruzeiro. Apesar do crédito, Marcos julga que ainda não perpetuou seu nome. “Não estou na história do Palmeiras porque minha carreira aqui ainda não terminou. E a história muda. Hoje, sou ídolo. Talvez o ano que vem a torcida não goste tanto de mim”.
A precaução de Marcos se explica. Ele parece saber, como poucos, o que são os altos e baixos do futebol. “Ele é um jogador que conhece os dois lados”, afirma o técnico Jair Picerni. E o próprio meio do futebol faz o goleiro se prevenir. “Talvez você possa ter feito um grande benefício no passado, algo estrondoso, mas você pode fazer algo tão ridículo que será isso que ficará guardado”, diz Marcos. “E eu já fui boleirão (segundo a definição de Marcos, jogador com poucas pretensões e que abusa das baladas), mas aí você chega à Seleção, tem um bom salário, independência financeira, como se faz para manter isso aí? Tem que se cuidar, senão você cai. Aí, virei profissional”.
Vida de “Segunda”
No Brasileirão do ano passado, de triste memória para o palmeirense, a indignação do goleiro crescia em progressão geométrica em relação ao tamanho do vexame que se desenhava. “Os caras (jogadores) dentro do avião agindo como se tivessem ganhado, dando risada. E eu f… E, se desse uma dura em alguém, era aquela história de ‘Marcos critica elenco’. E no fim, eu parecia errado. Aí todo mundo foi embora, e o reclamão, que sabia que isso ia acontecer, ficou”, afirma.
O êxodo pós-queda aconteceu, mas Marcos dispara mesmo contra apenas um jogador. “O Nenê (atacante, hoje no Mallorca, que chamou o Palmeiras de ‘time perdedor’) se deu bem, né? Foi para o Santos… e ganhou o que no Santos?”, diz Marcos, irritado. “Nem Palmeiras nem Santos são times perdedores, o perdedor é ele, que não tem título na carrreira. Aquele time, e não o Palmeiras em si, é que foi o perdedor no ano passado. E isso porque passou jogador do nível dele por aqui”, diz o goleiro.
E para o jogador que, quando criança, resistia às tentativas de suborno do seu pai, então SCCP, para trocar de Parque, gostar um pouquinho do clube em que trabalha parece fazer toda a diferença. “Na boa, foi azar, não caímos por falta de estrutura”, afirma. “Talvez se fosse esse time, formado no clube, que tivesse jogado no ano passado, não teríamos caído. Porque o Edmílson foi feito aqui, o Alceu foi feito aqui, o Vágner, os caras gostam do Palmeiras porque cresceram aqui”.
A atual equipe, dona de outra postrua, desfruta da reclusão verbal do pentacampeão. “Isso porque o time está ganhando, deixa perder que a gente arruma uma polêmica rapidinho”, diz o goleiro, em tom de brincadeira. “O astral dele é muito bom, só passa coisas positivas para o grupo”, afirma o técnico Jair Picerni, que, assim como Scolari, absolve o seu camisa 1 dos exageros que comete. “É o jeito dele, e não quer dizer que isso (críticas ao time) seja algo negativo”.
Mas se o clima mudou com os novatos, Marcos ainda sente o peso de uma cruz própria no calvário palmeirense. “Me atormenta estar na Série B. Por isso só penso em subir para a primeira divisão. Até para me desconcentrar um pouco, porque isso tudo está me remoendo por dentro. E o torcedor do Palmeiras não pode falar nada na rua, que já ouve um ‘cala a boca, segunda divisão’”.
Só que a queda, na opinião de Marcos, serviu para algumas correções no clube. “A diretoria aprendeu um pouco de planejamento. No ano passado, o Palmeiras foi contratar jogador na 10ª rodada”. Uma prova da mudança, para o goleiro, foi a manutenção de Jair Picerni à frente do time. “Quando tínhamos um mau resultado, chegavam falando ‘ah, tem que mudar de técnico’. E mudavam. Este ano, a diretoria deu segurança para ele trabalhar”.
Mas Marcos teme que o atual grupo, sem culpa no cartório, possa continuar pagando pelos erros do ano passado. “Na Libertadores, por exemplo, você tem uma segunda chance. Se tiver a infelicidade de perder a final, pode tentar de novo no ano seguinte. Nada além disso vai acontecer. Conosco, não. Não há segunda chance, até porque o ano que vem jogar a Série B pode não ser tão agrádavel assim”, afirma o jogador, preocupado com o fim da compreensão e apoio da torcida caso o Palmeiras não confirme seu retorno à Série A.
Paulo Serdan, líder da Manche Alviverde, não prevê que o ‘day after’ de uma nova frustração seja tão tenebroso assim. “Se o time mostrar disposição, não vamos pegar pesado. Até agora, não temos o que reclamar”.
Só que, ainda antes da estréia na Série B, Marcos descobriu que há algo bem pior que se aventurar num jogo em Sobral (local da partida contra o Ceará). “Talvez, até agora, o jogo contra o Vitória tenha sido o pior momento da minha carreira. Pior que contra o Manchester”, afirma, sobre a goleada por 7 x 2 sofrida em pleno Palestra Itália, pela Copa do Brasil, numa semana na qual o goleiro também se envolveu numa discussão pública com Parreira e Zagallo.
“Meu maior erro naquele jogo foi ter desistido assim”, diz Marcos. O “assim”, para quem não se lembra, foi a displicência do goleiro ao furar o chute numa saída do gol e propiciar o sétimo gol do Vitória. “Eu não tinha a experiência de ter tomado seis gols na minha vida. Até cinco, eu acho aceitável, pode acontecer. Mas agora, se estou tomando sete, vou brigar para não tomar oito”, afirma ele, que admite ter falhado em três gols naquela partida. “Mas a gente tomou sete, pô! E os outros quatro? Os outros quatro eu errei também? A zaga do Palmeiras foi mal, mas a zaga não tem um nome, certo?”, diz.
Marcos teve a chance de não viver tal tragéida. Foi a Londres e teve uma proposta do Arsernal à sua frente. Bastava assinar. Mas o que faz um pentacampeão do mundo escolher atuar na Boca do Jacaré, campo do Brasiliense, e não no Highbury (estádio do Arsenal) ou no Old Trafford (casa do Manchester United)? “Talvez, se o Palmeiras estivesse na primeira divisão, eu saísse também. Todo mundo que saiu daqui, o Roberto Carlos, o Djalminha, deixou o Palmeiras na elite”, afirma o goleiro. “Por isso, achei justo disputar a segunda divisão esse ano. E, em primeiro lugar, eu não estava a fim de ir. E quando você não está muito interessado, vai arrumando 75 pretextos”.
E, além disso, o goleiro diz se sentir em casa no Palestra Itália. Garante torcer pelo time desde sua infância em Oriente, no interior do estado, e não esconde que, se possível, encerra sua carreira no Palmeiras. O fato de atuar num dos únicos clubes que pagam em dia no Brasil, claro, também pesa nos planos. Mas o goleiro diz que não é só por isso. “Ganho bem para fazer o que eu gosto e onde eu gosto. E, se não pagassem, eu ia dar um jeito de fazzer a mesma coisa (risos)”.
Sempre Palmeiras?
Alguns amigos, Como Felipão, consideram que está na hora do goleiro partir. “Se o Palmeiras subir no final do ano, é a hora do Marcos sair. Seria bom para todo mundo. Na medida do possível, vou ajudá-lo nesse sentido”, afirma o técnico, que diz ter sido consultado por um clube europeu, cujo nome não revela, a respeito do pupilo.
Agora, sobre ratificar sua permanência no Parque Antárctica, Marcos, com contrato até junho de 2004, passa a bola para Mustafá Contursi e para as torcidas organizadas. O que Marcos não quer é, no caso do Palmeiras não subir, ser escorraçado do clube. “Quando acabar o ano, vou ter uma reunião com os caras da Mancha, da TUP, para ver se eles acham que eu tenho condições de ficar mais um tempo aqui, independente de subir ou não. Quero ver o que eles acham melhor, não para mim, mas para eles”, afirma.
Segundo Serdan, a hipótese de o pentacampeão se queimar é improvável. “Nossa posição, não precisa nem falar: o Sérgio (goleiro reserva) e ele encerram a carreira no Palmeiras. Será legal se tivermos que sentar e dizer isso pra ele”, afirma. E Mustafá diz que já começou a conversar com Marcos “para renovar por quanto tempo for possível”. “Agora estamos empenhados numa missão importante, mas sem dúvida é prioridade garantir a permanência não só dele, mas de todo o grupo do Palmeiras”, diz o cartola. Claudio Guadagno, procurador de Marcos, diz que o cliente não pensa em sair do clube. “O que eu sei é o amor dele pelo Palmeiras. Ele quer ser reconhecido, eternizado. E acho que merece, até por não abandonar o clube neste momento”.
E, se tem uma decisão que Marcos garante não estar arrependido, foi a de encarar os esburacados campos da Série B. “Se um dia alguém chegar em mim e dizer ‘pô, você saiu errado do gol e perdeu o título mundial’, vou responder que fui importante quando o Palmeiras ganhou a Libertadores. Tenho uma defesa. Se falaram ‘você caiu para a segunda divisão’, quero falar ‘mas subi no ano seguinte. É essa a nossa vida, tem que correr atrás sempre”, afirma o goleiro. A linha de chegada da Série A está logo ali, São Marcos.
Na mesma edição, Placar publicou a Oração de São Marcos, para os torcedores recortarem e levarem como ‘santinho’ aos jogos.
Está aí uma boa ideia. Leve a oração contigo na partida de despedida.

E agradeça, em nome dos milhões de palmeirenses que não vão, por tudo de bom que Marcos nos fez.
Obrigado, São Marcos.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.
Uma das notícias que mais queremos ler atualmente
26 de novembro de 2012 por @parmerista
Postado em: História, Verdazzo
Por Thell de Castro*
No dia 22 de novembro de 2003, o Palmeiras venceu o Sport por 2 a 1, em Pernambuco, e garantiu o acesso à Série A em 2004. No jogo seguinte, contra o Botafogo, nova vitória, um show de bola, e o título da competição.

Vamos relembrar como foi a cobertura do jornal O Estado de S. Paulo aos acontecimentos.
Palmeiras faz festa digna dos grandes títulos
A festa do Palmeiras pelo título da Série B e o retorno à divisão principal do futebol brasileiro foi digna de uma grande conquista. A comemoração, que começou no gramado do Estádio Gigante do Agreste, em Garanhuns, no sábado à noite, ficou ainda maior na manhã de ontem, com a volta dos jogadores a São Paulo.
No desembarque no aeroporto de Cumbica, os jogadores foram tratados como heróis pelos cerca de 200 torcedores que foram recebê-los. O trajeto até a Academia de Futebol transformou-se em carreata e a maioria dos jogadores, depois, foi até a sede da Mancha Alviverde participar da festa que começou ao final do jogo com o Sport, se estendeu por toda a madrugada e “invadiu” a manhã do domingo.
A concentração no aeroporto começou cedo. Às 8 horas, os torcedores – homens, mulheres, crianças e até bebês, todos uniformizados – já se reuniam no local. Esperavam a delegação cantando músicas em comemoração à conquista do título e o hino do Palmeiras. E também desabafam, com palavões, contra a rival torcida corintiana.
Quando os primeiros jogadores foram avistados, houve a invasão da área de desembarque, para desespero dos atônitos e despreparados funcionários da segurança do aeroporto. O meia Pedrinho e o atacante Vágner chegaram no saguão carregados nos braços pelos torcedores. Magrão e Marcos quase sumiram no meio da “onda formada pelos palmeirenses.
A palavra que os jogadores mais ouviram dos torcedores foi “obrigado”. “Eu sei que você é profissional e talvez tenha de sair do clube, mas eu nunca vou esquecer do que você fez pela gente. Muito obrigado”, disse um deles ao lateral-esquerdo Lúcio.
A festa continuou no ônibus que levou a delegeação à Academia. Na Marginal do Tietê, a torcida organizada interrompeu a pista expressa para festejar com os jogadores, o que resultou num grande congestionamento. Eufóricos, alguns atletas – Vágner, Munõz e Thiago Gentil entre eles – tomaram uma atitude arriscada e imprudente: surfaram no teto do ônibus em que estavam.
Pouco depois, os jogadores pararam na sede da Mancha Alviverde para confraternizar com as centenas de torcedores que os esperavam. Alguns deles, haviam passado durante a madrugada pela Avenida Paulista, onde também aconteceu uma animada comemoração.
Mesmo com sono – os campeões festejaram no hotel em que se concentraram, em Maceió, e também durante o vôo até São Paulo e muitos sequer dormiram – os jogadores não se deixaram vencer pelo cansaço.
Ainda no aeroporto o técnico Jair Picerni, bastante festejado, ganhou dos torcedores diversas faixas de campeão.
Feliz e querendo manter o grupo para 2004, ele, no entanto, lembrou que na Série A as dificuldades serão maiores. “A equipe pode até fazer boa campanha, mas ainda precisa evoluir”, disse.
Na mesma página, o jornal falou sobre o planejamento que a diretoria começava para 2004.

Essa é a uma das notícias que mais queremos ler na atualidade.
Também existem outras, como a saída da pior diretoria da história do clube, a melhora do clima entre as várias correntes políticas, a inauguração da Arena, entre outras.
Mas o retorno ao nosso lugar na série A é um dos maiores desejos da atualidade.
Entre hoje e – esperamos – novembro de 2013, será apenas uma contagem regressiva. O gigante vai voltar ao seu lugar. E o nosso amor, sem divisão, vai continuar.

* Thell de Castro é jornalista e publica aos domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras. Esta semana, excepcionalmente, publicado na segunda. ÓBVIO que não tem sacanagem nenhuma nisto!





