Verdazzo!

Em 1976, Jorge Mendonça começava a se destacar pelo Palmeiras

13 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Na semana passada, trouxemos um perfil de Edu Manga, craque que se destacou no Palmeiras dos anos 1980, mas não conquistou títulos com a camisa do time. Hoje vamos falar de outro grande craque, Jorge Mendonça, que foi faturou o Campeonato Paulista de 1976 e só não fez chover em grandes jogos com a camisa do Palmeiras, onde ficou até 1980.

A revista Placar, então semanal, de 10 de setembro de 1976, trazia em sua capa uma foto de Jorge Mendonça comemorando um gol e o título: “O Verdão pede mais gol”.

Vamos relembrar boa parte da reportagem de José Maria de Aquino:

É o Jorginho sensação

Para Dudu, muito preocupado com o todo, com o conjunto, tentando a todo custo evitar o estrelismo no time, manhoso, tarimbado, macaco velho, conhecer profundo dessa gangorra que às vezes coloca o jogador lá nas alturas e que no dia seguinte pode afundá-lo completamente, para o velhinho ranzinza, até poucos dias seu companheiro de time, agora seu técnico, sempre aconselhando todos eles a falarem pouco e a jogadores muito, Jorge Mendonça é um jogdaor de futuro.

- Se ele continuar sendo obediente, humilde, cuidadoso como é. E se continuar treinando sério, querendo aprender todos os truques e todos os segredos da profissão, melhorando os chutes e a pontaria, subindo mais, cabeceando melhor, não se descuidando das orientações que recebe nos vestiários, gravando definitivamente que a função exercida pelo terceiro homem é uma das mais penosas e difíceis, se Jorge Mendonça continuar assim e conseguir essas coisas, acho que ele vai se tornar um bom jogador de futebol. Um grande jogador.

O BOM MENSAGEIRO

Exagero. Excesso de cuidado. Preocupação profunda de quem ainda é um pouco jogador, muito amigo, tudo isso misturado com a dedicação natural de um técnico e com o cuidado de um espírita, presidente do sindicato dos jogadores.

Para o goleiro Leão, ele é o tipo do atacante que quer ver sempre do seu lado, fazendo gols para seu time.

- Ele é do tipo traiçoeiro. Desses que a gente não percebe correndo, entrando pelo lado, longe de onde a jogada está sendo desenvolvida. Ele é do tipo que pisa macio, um tipo muito perigoso.

Para o centroavante Toninho, sem ciúme pelos gols que Jorge Mendonça vem fazendo – dez no último Campeonato, quarto colocado, atrás de Sócrates (15), Iaúca (14) e Enéias (13), sem jogar todas as partidas – ele é o próprio mensageiro da tranquilidade.

- É bom. É muito bom de bola. A gente não precisa olhar para o outro lado porque ele sempre está entrando, fazendo a minha sombra, preocupando ainda mais a defesa, aproveitando os centros que eu não consigo alcançar, ou ajeitando a bola. Durante algum tempo, aqui no Palmeiras, eu senti a falta de um companheiro mais presente, que não deixasse eu me sentir tão isolado, muito sozinho. Com ele do lado, a carga fica muito mais leve.

Ademir da Guia, amigo e identificado com Dudu, responde qualquer pergunta sobre Jorge Mendonça com um sorriso de tranquilidade. Fala das passadas largas que ele desenvolve pela direita, lembra de maneira simples e escondida que tem de correr e de entrar por qualquer dos lados e de entrar por qualquer dos lados e, por achar desnecessário, não faz comparações com seu antigo companheiro, Leivinha.

- Gosto muito do jeito dele jogar. Acho que já está quase no ponto, quase que totalmente entrosado com o time, e que poderá render ainda mais.

Para alguns torcedores, o grupinho mais fanático, frequentador de treinos, pedidos de autógrafos e criador de apelidos, ele já é o máximo. Pula tão bem quanto Leivinha, vai fazer muitos gols de cabeça, não pode ficar fora das próximas seleções, foi um dos maiores negócios que o Palmeiras já fez, é isso e é aquilo.

- Ele é ótimo e já devia estar no time há muito mais tempo. Só Dino não soube ver isso. Ele é legal. Ri e brinca com todo mundo. No Campeonato Brasileiro nós vamos chamá-lo só de Jorginho Sensação.

Para o próprio Jorge Mendonça, 23 anos (6-6-1954), 1,77 metro, 83 quilos, ponta-de-lança goleador, sorriso franco, olhar um pouco desconfiado, é apenas um principante querendo continuar no time, tentando ser definitivamente titular.

- Por enquanto, tudo vai indo bastante bem, mas não posso bobear. Eu ainda nem sou um titular absoluto. Sinto que vou bem. Sei que ainda preciso e posso melhorar, mas não vou entrar nessa de a camisa é minha e o boi não lamber. Erb está aí mesmo, esperando uma outra chance. Tem outros jogadores brigando por uma vaga no time e eu sei que Dudu não é de dar moleza a ninguém. Da mesma maneira que ele me deu uma chance e acreditou em mim, ele é capaz de me barrar, colocando outro que esteja melhor. Nada disso. Gramei um pouco no início, senti alguns problemas, perdi um pouco a confiança, esperei, recuperei e agora quero me firmar no time.

Mais uma qualidade e mais uma razão para continuar no time dirigido por Dudu. Jorge Mendonça cada dia mais está monstrando que não só tem assimilado as orientações do técnico Dudu como tem escutado e seguido os conselhos e os desejos do amigo Dudu.

- É, eu o escuto mesmo. Todo mundo diz que, se conselho fosse bom, seria vendido e não dado, mas eu ainda penso um pouquinho diferente. Não custa nada a gente ouvir o que os mais velhos e mais experientes têm a dizer. O que a gente deve fazer é seguir o que é bom, o que vale a pena, e jogar fora o que não presta. Sempre se aproveita alguma coisa, e o que vem do Dudu a gente aproveita quase tudo. Ele diz para a gente não falar muito, não ficar mascarado, não dar entrevistas a toda hora, mas eu não sou caladão assim só por esses motivos, só pelo que ele falou. Eu já era meio trancado antes mesmo de vir pra cá. Longe da imprensa, só no meio da turma, sou bem mais descontraído. Pego no pé de todo mundo.

SIMPLES E ALEGRE

E pega mesmo. Brinca muito com Alexandre, um dos administradores do clube, sempre usando o telefone de sua sala, falando e escutando os conselhos do pai, Niltro Mendonça, ainda em Silva Jardim, cidadezinha do Estado do Rio de Janeiro, onde passou sua infância e onde foi descoberto por Eusébio de Andrade, ex-presidente do Bangu. Fala constantemente com seu padrinho de casamento, no Recife, escutando mais conselhos e pedindo para que mesmo lá de longe ele dê uns puxões de orelha no amigo Vasconcelos, um pouco impaciente e desanimado com a reserva. Atende os torcedores, promete um presente para Diva, uma antiga torcedora, muito ligada aos jogadores, chama o ex-juvenil Gilvã para almoçar em sua casa. Mudou-se com mulher e filho para uma casa em Pirituba, longe do luxo da cidade, de alguns bairros procurados por outros companheiros, não fuma, não gosta de beber e no joguinho de baralho, na concentração, quase sempre ganha de todo mundo.

- Estou mais preocupado em guardar um bom dinheiro, comprar algumas propriedades (já comprei um apartamento em Niterói), em cuidar do físico para poder jogar mais uns doze anos, e depois voltar para Silva Jardim. Lá é que a vidinha é boa e tranquila. A pracinha, as mangueiras, o apito do trem, o Dinho, o Tomate, o Batata, a Pafumo, o Carlão, o Ferrugem, a turma dos tempos de pelada, que vivia pegando coco verde na roça, é disso que eu sinto saudade.

(…)

E as coisas começaram a ir bem para Jorge Mendonça quando o Palmeiras trocou Dino Sani por Dudu. Jorge não consegue, ou finge não conseguir, lembrar-se de muitos detalhes – datas, casos, fatos – relacionados com sua vida, mas esse ele não esquece. Não esquece e chega a deixar um pouco de lado os conselhos de Dudu, quando fala dele.

- Foi contra o Guarani, no primeiro turno. No tempo de Dino, eu já tinha entrado algumas vezes no time, mas nunca me sentia bem, solto, confiante. Nunca conseguia jogar os 90 minutos nem dois ou três jogos seguidos. Era sempre na base do quebra-galho, para tentar virar um jogo praticamente perdido, ou era na base do favor, pegando um jogo decidido apenas para ganhar bicho integral. E eu não gosto de nada disso. Nenhum jogador deve gostar ser escalado no meio do jogo para fazer os gols que o outro não fez, nem deve aceitar ser escalado de favor ou por proteção.

Com a simples troca de técnicos, sem que por isso o time mudasse radicalmente sua maneira de jogar, as coisas passaram a correr bem para os lados de Jorge Mendonça. O time estava concentrado, Jorge conversava tranquilamente com Samuel, seu companheiro de quarto, e Dudu não gastou mais que 2 minutos para lhe dar o aviso que estava esperando.

- Prepare-se. Você amanhã vai entrar jogando e eu não pretendo sacá-lo do time antes do final. Só se você pedir ou só se você não conseguir mostrar o futebol que tem. E, se mostrar pelo menos a metade, vai continuar no time. Tchau.

(…)

Apenas gostou e ficou esperando a hora de o jogo começar. Foi no dia 9 de maio, não marcou nenhum gol no empate de 2 a 2 contra o Guarani, mas sentiu-se tranquilo e feliz. Jogou os 90 minutos e sabia que continuaria no time. À noite, depois do jogo, pegou a mulher e saiu para jantar num restaurante da cidade.

(…)

Fez dois gols contra o Botafogo (4 a 0), no domingo seguinte, e garantiu, ainda mais, sua condição de novo dono da camisa 8, que antes era de Leivinha. Fez mais outros, sempre ajudando o time a chegar ao título, fez o gol que decidiu tudo e que antecipou a conquista, contra o XV de Novembro de Piracicaba, quando as coisas já não pareciam tão fáceis e logo depois de ele perceber que o goleiro Doná estava saindo em falso nas bolas altas centradas para a área. E fez os dois gols (2 a 1) que derrotaram o SCCP no último jogo do Campeonato Paulista, quando tudo já estava decidido mas ainda se esperava pelo carimbo na faixa de campeão. Mais que dez gols que marcou e que o fizeram artilheiro do time no Campeonato, na frente de Toninho e de Ademir da Guia (sete gols cada), Jorge Mendonça fez gols importantes, decisivos e bonitos. Gols mais ou menos raros, depois que Pelé parou.

Na reportagem, pelo menos nessa época, Jorge Mendonça parecia estar com a cabeça no lugar. Mas em 1979, por exemplo, teve uma briga com o técnico Telê Santana e, no ano seguinte, deixou o Palmeiras. Jogou em outras equipes, teve grande fase no Guarani, mas nunca mais repetiu os bons tempos alviverdes.

Ainda na matéria, é citado que o jogador não bebia. Não podemos afirmar sobre aquela época, mas Jorge Mendonça teve problemas sérios de alcoolismo, além de dificuldades financeiras, contando com a ajuda de locutores e ex-jogadores.

Faleceu, devido a problemas cardíacos, aos 51 anos, em 17 de fevereiro de 2006.

Esse foi o perfil de Jorge Mendonça, mais um grande nome que vestiu a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras.

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Um perfil de Edu Manga, destaque da equipe nos anos 80

6 de maio de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Na matéria de hoje, vamos relembrar o meia-esquerda Edu, conhecido como Edu Manga, que fez sucesso no Palmeiras no final dos anos 1980.

Sinceramente, não vi o jogar, mas dizem que foi um pecado não ter sido campeão pelo Palmeiras. Os amigos podem falar sobre isso nos comentários.

A revista Placar fez uma matéria de capa com o jogador em sua edição de 25 de maio de 1987. Vamos relembrar na íntegra o texto, que é curioso, inclusive, por mostrar o que os jogadores costumavam fazer naquela época em seus horários de folga, os carros que tinham, salários bem menores, etc.

Nos passos do Divino

O jovem meia do Palmeiras desponta como uma promessa brilhante, viaja com a Seleção e já é comparado a Ademir da Guia, o mais ilustre dono da camisa 10 alviverde

Um forte aroma de goleada pairava no ar. Na tarde de 14 de dezembro do ano passado, o São Paulo vencia o Palmeiras por 2 x 0, pela Copa Brasil, com certa facilidade.

Até que, aos 36 minutos do primeiro tempo, o meia-esquerda alviverde Edu disparou um míssil de canhota e diminuiu a diferença. O goleiro tricolor Gilmar disse que a bola parecia o cometa Halley – ele sabia que passou, mas jura que não viu. Embalado pelo gol, O Palmeiras conseguiu empatar no primeiro tempo.

Naquele dia, o jovem Eduardo Antônio dos Santos saiu de campo festejado – e os torcedores começaram a suspeitar de que um novo ídolo estava nascendo. “Foi o gol mais bonito que fiz até hoje”, escolheu.

Jogadas de refinada técnica e raro oportunismo como aquela foram decisivas na hora que o técnico Carlos Alberto Silva o convocou para a Seleção Brasileira que está fazendo uma excursão pela Europa e por Israel. “Senti um frio na barriga quando ouvi meu nome”, extasia-se ele, que, aos 20 anos, já é apontado como uma das maiores promessas do futebol brasileiro nos últimos tempos.

“Ele tem potencial para jogar pelo menos três Copas do Mundo”, calcula o fanático palestrino Giovanni Bruno, dono da concorridíssima cantina Il Sogno di Anarello, em São Paulo.

AUTÓGRAFOS E BEIJOS

Muitos chegam a apontar Edu como herdeiro nato da mística camisa 10 de Ademir da Guia. Entre eles, o próprio Divino: “Acredito que Edu será meu sucessor. Seu excelente desempenho me impressiona”.

Outros preferem um pouco mais de cautela. “Edu tem de melhorar muito para ser comparado a Ademir”, acredita Nélson Ferraz, membro da torcida organizada Mancha Verde.

O próprio jogador prefere abrigar-se da avalanche de confetes e reconhece algumas de suas deficiências: “Chuto mal de direita e minhas cabeçadas saem tortas”. Aos poucos, porém, procura eliminar seus defeitos com muita dedicação aos treinos, sempre na esteira do ditado italiano segundo o qual “piano, piano si va lontano”. Ou, trocando em miúdos, “devagar, se vai longe”.

A escalada meteórica de Edu, que pode ser comparada com a atual inflação, serviu para multiplicar o assédio das fãs da noite para o dia, como as taxas do overnight. O telefone de sua casa em Osasco, cidade em que nasceu, na região oeste da Grande São Paulo, toca insistentemente. Quem se desespera com isso é sua irmã, Eliana, encarregada de despachar as tietes. “Ligam até de madrugada”, queixa-se a menina.

Depois de cada partida, então, uma dezena de fãs costuma cercar o jogador em busca de autógrafos e beijinhos.

E o que diz sua namorada, Alessandra Bianca, 15 anos, diante de tanta perturbação? Bem, ela não se perturba. “Edu é muito reservado”, define. “Fica meio constrangido com todo esse tipo de coisa”.

Preocupada mesmo anda dona Ana Quitéria dos Santos, mãe de Edu. Ela teme que as manchetes em todos os noticiários esportivos mexam com a cabeça do filho mais novo, como já aconteceu com tantos outros garotos desta idade.

“A fama não me abala”, tranquiliza Edu, afagando a mãe, sua fã desde os tempos das peladas no Atlético de Osasco.

Edu, de fato, dá total atenção a todos os torcedores que o procuram e não nega favor nenhum.

DISCOS E ESFIHAS

Continua também visitando os mesmos lugares e os amigos de sempre, pilotando seu Escort XR-3 preto. Volta e meia, está se deliciando com as apetitosas esfihas da lanchonete do velho amigo Carlinhos, que fica no bairro de Presidente Altino.

Edu gosta tanto dos pequenos discos recheados de carne que não se inibe em entrar na cozinha para ajudar a prepará-las. Em seus passeios pelas ruas de Osasco, ainda desfruta de um certo anonimato. Tanto que ele mesmo é quem faz suas compras.

Antes de embarcar com a Seleção, por exemplo, Edu aventurou-se num hipermercado da região. Saiu de lá, no entanto, apenas com um LP de pagode – ritmo favorito dele e da grande maioria dos boleiros – de Lecy Brandão.

Abandonou, ao menos por enquanto, a ideia de rechear seu armário com novas calças brancas e camisas xadrezes. “Nossa, como as roupas estão caras”, espantou-se com os preços.

Edu, na verdade, evita aborrecer-se com os problemas do cotidiano. Hoje é um irrecuperável cuca-fresca. “Ele mudou bastante”, atesta seu procurador, Antônio Augusto, mais conhecido por Chaleira. “Antes, Edu era um casca-grossa”. Para se ter uma ida, na categoria júnior, foi expulso de campo cinco vezes. “Eu era mesmo enfezado”, admite.

ESPERTEZAS E TRAQUINAGENS

“Se levasse um pontapé, ficava logo irritado”. Num de seus atos intempestivos, Edu quase disse adeus ao Palmeiras, quando ainda atuava nos infantis. O técnico Zelão afastou-o da equipe sem maiores explicações.

Deixou o menino encostado durante dois meses. Um episódio que jamais ocorrera desde que Edu havia entrado pela primeira vez no Parque Antártica com 12 anos, levado pelo treinador Ettori Marchetti.

Em razão disso, Edu resolveu trocar de ares e mudou-se para a Portuguesa. Passou apenas um mês no Canindé. Foi o bastante para os dirigentes do clube, espertos como são, perceberem que se tratava de um raro talento.

“Voltei ao Palmeiras só para pegar minha liberação, mas os dirigentes se recusaram a entregá-la”, conta. Cidinho, técnico dos juvenis palmeirenses, aceitou dar-lhe uma chance. Edu arrebentou nos treinos e ganhou de cara a posição de titular.

Sempre seguindo os conselhos do irmão mais velho, Antônio Sérgio, apelidado de Tonigatto, Edu enterrou as traquinagens do passado.

“Gosto de alertá-lo sobre as falsas amizades que infestam nosso futebol”, explica Tonigatto, lateral que jogou no próprio Palmeiras em 1981 e hoje, depois de passagens pelo Blumenau, Goiás, Nacional e Novorizontino, aguarda propostas de outros clubes.

O novo ídolo do Palmeiras só não tem mesmo paciência para organizar seu minúsculo quarto, que divide com um primo.

No chão, amontoam-se camisas, bermudas, discos e até a amarrotada fantasia que vestiu no Carnaval, desfilando na escola Unidos do Peruche, ao lado de Gérson Caçapa, inseparável amigo e companheiro.

“‘Manga’ é um craque fora do comum”, analisa Caçapa. Manga, aliás, é um dos apelidos de Edu, por ter “o rosto chupado”. O outro é “Patão”, em razão dos lábios virados que mais parecem um par de bicos.

TRISTEZA E EMOÇÃO

Por pouco, o destino não separou os dois. Em março passado, Edu foi sondado por Jorge Vieira, ainda técnico do SCCP.

Sem contrato, Edu recebeu um grande número de telefonemas de Vieira dizendo que o recém-eleito presidente Vicente Matheus aguardava apenas a fixação do preço de seu passe. “Achei melhor renovar com o Palmeiras”, diz o atleta, que ganha agora 30 mil cruzados mensais.

(…)

“Seu Hélio [pai de Edu e torcedor do SCCP] não gostou nada da forma como Edu – que na infância torcia pelo São Paulo – comemorou o segundo gol na vitória contra o SCCP, no Pacaembu, dia 12 de abril passado.

Foi graças a sua enorme capacidade física (faz 100 m em 11 segundos) que ele deu um pique irresistível, marcou o gol com sua venenosa perna esquerda e, cheio de gás, saiu correndo em direção à torcida.

“Sempre jogo bem contra o SCCP”, constatou. “Mas é só coincidência”.

Trepou seu corpo de 1,85 m e 78 kg no alambrado e comemorou feito um doido. “Fiquei triste pelo meu SCCP e, ao mesmo tempo, emocionado pelo meu filhão”, jura seu Hélio.

A família Santos aposta mesmo na estrela ascendente de Edu. Ali, todos acreditam que ele vai confirmar duas previsões: será, em pouco tempo, o herdeiro de Ademir da Guia e o novo ídolo do futebol brasileiro. Já sentem até um aroma diferente pairando sobre ele. Sentem o cheiro do sucesso.

Mário Sérgio Venditti

Edu teve excelentes atuações com a camisa do Palmeiras, inclusive em 1988 e 1989, mas as previsões não se confirmaram – não virou ídolo do futebol brasileiro e muito menos foi o herdeiro de Ademir da Guia.

Em 1989, Edu foi negociado, seguindo para o México. Se tornou ídolo do América, onde é lembrado até hoje.

De acordo com o Almanaque do Palmeiras, de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Edu Manga atuou em 184 partidas com a camisa alviverde, marcando 42 gols. Foram 86 vitórias, 65 empates e 33 derrotas.

Segundo o Que Fim Levou?, do portal de Milton Neves, ele foi dono de bar e, em 2008, morava em Itu, última informação que se tem do ex-atleta.

Fica a lembrança das boas atuações de Edu com a camisa do Palmeiras e a tristeza por não ter conseguido um título, como a final do Paulistão de 1986.

Mas como nem tudo são conquistas nesta vida, pelo menos vale lembrar todos os gols que marcou e belas jogadas que fez contra os bambis e nos gambás, suas vítimas preferidas.

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Em 1989, Verdão despacha o SCCP para mais de 100 mil pagantes

29 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Vamos relembrar hoje uma partida magistral do Palmeiras no Paulistão de 1989, quando vencemos o SCCP por 2 a 0. O time era favorito, mas o título não veio. Só que a torcida parecia prever o futuro

No jejum de títulos que perdurou de 1976 a 1993, o Palmeiras teve algumas equipes que chegaram perto de conquistar um título, sendo que, pelo menos de acordo com os torcedores, algumas mereciam o caneco.

Há alguns dias, conversando com amigos na sede do Dissidenti, no lançamento da biografia de São Marcos, o pessoal estava falando do time de 1989, que foi um pecado essa equipe não ser campeã.

Eu tinha apenas cinco anos e não me lembro para discutir, mas consultei meu pai e outras pessoas e realmente todos falaram do time com um ar de decepção por não ter levado o título, mesmo com tudo a favor.

Quando ganhei uma coleção bem ampla de exemplares de Placar dos anos 1970 e 1980, doada por um tio, isso lá por 1995, lembro que um exemplar que mais me chamava atenção era do dia 21 de abril de 1989, que trazia a vitória do Palmeiras sobre o SCCP na capa e apontava que o título estava cada vez mais próximo.

O Palmeiras venceu por 2 a 0, deu um show de bola e o Panetone teve um público superior a 100 mil pessoas. Vamos relembrar essa reportagem.

Brilha, Verdão!

Fazia tempo que o futebol paulista não via uma cena tão impressionante. Movidas pela saudade de um grande clássico doméstico, as torcidas de Palmeiras e Corinthians coloriram as ruas da cidade e, num imenso cordão, foram chegando aos bandos ao Morumbi. O público de 102.187 pagantes acabou sendo apenas um prenúncio de que o Paulistão vai oferecer muitos momentos de emoção. Afinal, o segundo turno será pontilhado de clássicos que prometem mexer com o fanatismo da galera. E não há feriado prolongado que esvazie ou impeça esse fenômeno.

No caminho de volta, porém, o brilho era só alviverde. O resultado de 2 x 0 provou que o “Porco Mouche” – como provocaram os corintianos – não afundou em seu primeiro teste de fogo. Sinal de que o Palmeiras, independente da categoria do adversário, continua embalado no segundo turno. O oposto de um passado bem recente, quando adernava diante de alguma dificuldade. “Nem a derrota iria comprometer nosso trabalho”, acredita o volante Júnior.

Ainda não se sabe, no entanto, qual será a reação do Palmeiras após um fracasso no campeonato. Fazer o que? Invicto, o time parece ter incorporado a maturidade tão propagada pelo austero técnico Leão.

Um exemplo é o sempre controvertido Neto, que, substituído por Lino, disparou para o vestiário sem dar entrevista e com uma carranca de causar medo. “Uma atitude deselegante”, definiu o presidente do Corinthians, Vicente Matheus. Não é bem assim. Neto preferiu a mudez para evitar declarações comprometedoras de cabeça quente. “Resolvi me acalmar, antes de enfrentar os microfones”, explicou.

Autor do primeiro gol – numa jogada iniciada por Edu, que entortou Dida e cruzou na medida -, o falso ponta-esquerda reconheceu que esteve mal no primeiro tempo e culpou sua caneleira muito apertada, o que impedia de correr com desenvoltura. “Depois, eu tirei a caneleira e matei a pau. Por isso não queria sair”, choramingava.

Os resmungos do sorumbático Neto constatavam com a empolgação do vestiário repleto de torcedores, cartolas e ‘assessores’ da presidência.

Orgulhoso pela reportagem que mereceu da revista japonesa Soccer Digest, o centroavante Gaúcho cumpriu a promessa de deixar a sua marca. Mas não esperava ganhar, depois da partida, uma dolorida injeção antiinflamatória, para amenizar uma antiga e incômoda lesão nas costas. “O ideal seria Gaúcho sair do time para um tratamento intensivo”, adverte o médico André Pedrinelli. “Nem pensar”, bronqueou o atacante, que travou um duelo especial com o zagueiro Marcelo. “Você tá de palhaçada comigo”, esbravejou o zagueiro, que derrubou o inimigo depois de levar um drible e perdeu a cabeça ao ouvir um sonoro ‘olé’ da feliz torcida do Palmeiras.

O nervosismo de Marcelo refletia o estado de espírito do Corinthians, que se abateu principalmente em dois instantes: na saída de Wilson Mano – aos quinze minutos de jogo com uma contratura muscular de primeiro grau – e no gol de Neto. “Depois desse golpe, ficamos perdido em campo”, admitiu o meio-campista Barbiéri. “A contusão de Mano quebrou meu esquema”, desculpava-se o técnico Ênio Andrade. “Ele era uma peça fundamental porque iria explorar a lentidão de Neto”. No final das contas, o feitiço virou contra o feiticeiro Ênio. No segundo tempo, Neto aproveitou a demora na recuperação do substituto Ari Bazão e cruzou para Gaúcho marcar.

Vicente Matheus não quis saber de discutir frustadas táticas de seu time. Acusou o juiz José Roberto Wright por não descontar um “mísero segundo no final do jogo”. Na verdade, a arbitragem de Wright esteve beirando a perfeição desde o cara-ou-coroa. Só escorregou feio quando, acidentalmente, quase marca um gol para o Corinthians, depois que a bola resvalou em sua cabeça. Repetiria a fatalidade que envolveu José de Assis Aragão: em 1983, desviou um chute de Jorginho e assinalou gol para o Palmeiras contra o Santos, naquela mesma trave do Morumbi. Se Wright fosse o artilheiro corintiano, poderia até haver uma onda de protestos do lado contrário. E Cláudio Adão – considerado pelo próprio árbitro uma pedra em seu caminho – nem estava em campo…

A vitória do Palmeiras, que não perde para o maior arquiinimigo há seis jogos, agradou também à velha geração de craques do clube. “Gostei do sentido de marcação e aí tem, com certeza, o dedo do Leão”, elogiou José Altafini, o Mazola, comentarista da italiana Tele Montecarlo. Muito bem lembrado. Toninho e Dario Pereyra não deram moleza para o ataque corintiano e Abelardo mostrou competência no desarme, embora falhasse constantemente nos passes. “Eu avisei: contra o Corinthians, meu futebol cresce”, orgulhava-se Dario Pereyra.

Por sua vez, o lateral Édson, o mais vulnerável na zaga, não se contentou com o resultado. “Poderíamos ter conquistado três pontos”, trovejou. E insistia que derrotar seu antigo clube não tinha um sabor especial.

Esgotada a dose mínima de empolgação que o transportou de volta aos tempos de jogador, Leão brecou a precipitada sensação do título, ainda distante. “Atingimos 60% da nossa capacidade”, avalia. A sequência de vitórias, entretanto, é sinônimo de um esperançoso verde lotando os estádios. E o diretor palmeirense Márcio Papa poderá até ganhar uma caixa de uísque na aposta com Vicente Matheus de que o Palmeiras será campeão de renda. Desde já, porém, a galera alviverde está se embebedando de alegria. Brilhantemente.

Na mesma revista, destaque para o jovem goleiro Velloso, que havia subido recentemente para os profissionais e fechou o gol nessa partida, tendo o devido foco da mídia naqueles dias.

O goleiro, depois do jogo, foi chamado pelo diretor de futebol Márcio Papa e ganhou seu primeiro carro, um Fiat Uno. “Mesmo que ele tomasse um frango, receberia o prêmio, porque já provou que é o titular do time”, explicou o cartola à revista. Velloso estava invicto há 578 minutos até então.

Outra reportagem da revista foi sobre Leão, que pedia calma, mas estava confiante. Leia abaixo.

Enfim, essa foi mais uma lembrança da história do Palmeiras. Não temos vergonha de relembrar fracassos. Ao contrário. Nunca fomos time de apito amigo ou que ganhou o jogo antes mesmo da partida começar.

Agora, pra fechar com chave de ouro, um achado presente na mesma revista. A Placar tinha uma seção logo na segunda página que trazia as fotos da semana. E olha como ela foi aberta!

Ninguém estava prevendo o futuro, mas bem que poderiam encontrar esse adereço para levar aos estádios nos dias de hoje…

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Em 1979, Palmeiras humilha o Flamengo no Maracanã

15 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Dezembro de 1979. O Palmeiras, que não ganhava nada desde 1976, mas tinha chegado na final do Brasileiro de 1978, fazia excelente campanha no Campeonato Brasileiro e podia até empatar com o Flamengo, no Maracanã, para se classificar para a semifinal da competição, que era chamada de Copa Brasil.

Só que o clima na imprensa era de “já ganhou” para o Flamengo. Mas não somente na imprensa, mas, principalmente, no próprio Flamengo.

O maior exemplo disso é uma das chamadas de capa da Folha de S. Paulo do dia do jogo, 09 de dezembro de 1979. “O Palmeiras vai a campo contra a vitória certa”. Precisava falar mais alguma coisa?

Leia na íntegra a reportagem da Folha que contava tudo sobre o jogo:

Palmeiras contra um sonho carioca

O Palmeiras que não se iluda com as vantagens que tem no jogo de hoje, às 17h no Marcanã (com transmissão direta por todos os canais de televisão), vantagens que começam pelo saldo de gols (marcou nove e sofreu um, enquanto o Flamengo marcou seis, não sofrendo nenhum). Por isso, o empate basta para levá-lo às semifinais da Copa Brasil. Os dois têm quatro pontos ganhos. O Flamengo venceu ao São Bento por 4 a 0 e ao Comercial por 2 a 0; o Palmeiras fez, nas mesmas equipes, 4 a 0 e 5 a 1, respectivamente. O Palmeiras não deve se iludir porque embora a arbitragem do gaúcho Carlos Rosa Martins se antecipe como segura, há na própria tabela desta fase um indício de que o Rio de Janeiro espera que o título seja decidido pelo Flamengo, que nunca disputou a Taça Libertadores.

Simples: o jogo é no Maracanã, onde não há rival para o Mengo, tratando-se de equipes cariocas; assim, seus sonhos imediatos fora do Rio são a Taça Libertadores e a Copa Intercontinental. (Aliás, foi ontem no Rio que o Vasco enfrentou o Operário, o que significa duas decisões de vaga marcadas em campos cariocas, envolvendo equipes cariocas. No Rio, esperava-se ontem uma vitória do Vasco sobre o Operário para que a final da Copa possa ser brevemente Vasco x Flamengo).

Quem vencer hoje deverá enfrentar o Internacional, de Porto Alegre, pois o Atlético Moineiro, segundo comentários na CBF, manteve a sua posição de não jogar contra o time gaúcho, hoje no Beira-Rio, mesmo sabendo que perderá os pontos por WO e estando sujeito a punições. Se isso confirmar-se, o Inter será o vencedor do grupo R.

Na mesma página, outras reportagens sobre a partida. Em uma delas, o técnico do Palmeiras, Telê Santana, disse que era o jogo do ano. Ele temia, por exemplo, o conjunto do Flamengo.

Outra reportagen destacou que 10 mil palmeirenses iriam para o Rio de Janeiro, através das torcidas Grêmio Alviverde, TUP, Império Verde e Mancha Verde.

Já o atacante Vavá foi ao Parque Antártica desejar boa sorte aos atletas e disse que a teoria não vence, cutucando o técnico do Flamengo, Cláudio Coutinho.

O que chamou mesmo a atenção foi outra reportagem, “Para Márcio Braga, derrota será a maior zebra da Copa“.

A frase do presidente Márcio Braga afirmando que “uma vitória do Palmeiras será a maior zebra do ano”, define bem o ambiente de total otimismo e confiança existente no Flamengo para o jogo de hoje. (…) Já o técnico Cláudio Coutinho acrescenta que nem a vantagem do empate do Palmeiras assusta o Flamnego:

“O Flamengo vale pela experiência e entrosamento de seus jogadores. Estamos acostumados a jogar em condições adversas e alcançar a vitória com méritos”.

(…)

Cláudio Coutinho confirma que o Palmeiras não é mais a temível “Academia” comandada por Dudu e Ademir da Guia.

(…)

Só supervisor Domingos Bosco é que parece ver conchavos entre os paulistas:

“Estranho. O Palmeiras goleou duas equipes que tiveram um jogador expulso e isso quando os jogos estavam em 0 a 0. Assim foi contra o Comercial e depois contra o São Bento. Mas no Maracanã não haverá chance de aprontarem essa mutreta”.

Meu Deus, quanta bobagem!

Para todos os parágrafos dessa matéria, aconteceu exatamente o que eles pensavam que não seria feito, inclusive a goleada…

Veio o jogo e o Palmeiras destroçou o Flamengo, em pleno Maracanã, vencendo por 4 a 1.

Na capa da Folha de S. Paulo do dia seguinte, 10 de dezembro, a manchete resumiu o que aconteceu: “Palmeiras arrasa o tricampeão” (o Flamengo era tricampeão carioca).

Na capa do caderno de esportes, em letras garrafais, a manchete era mais dramática: “Foi o mesmo silêncio de 50”, remetendo à perda da Copa de 1950 para o Uruguai.

Palmeiras brincou com o Flamengo no Maracanã

O Palmeiras, com bom jogo de conjunto, desmanchou os riscos e traçados do Flamengo, deixou no Maracanã um grito sufocado na garganta, ontem à tarde, e goleou o time carioca, com displicência (é bom destacar), por 4 a 1, ganhando o direito de ser um dos quatro finalistas do Campeonato Brasileiro.

O Palmeiras chegou ao Rio massacrado por frases espalhafatosas de Cláudio Coutinho, Zico e Márcio Braga (este o cartola-mor dos clubes cariocas), que se entalaram com os primeiros passos do jogo. Passos e passes, que o tecnocrata Coutinho não soube como desarmar.

O Flamengo organizou apenas um jogo tático por setor. A geometria coutiniana, no entanto, não foi suficiente para sufocar o jogo de conjunto orientado pelo técnico Telê Santana – treinador mais cauteloso, experiente e eficiente.

Por isso, o Palmeiras não se assustou com as primeiras pressões do Flamengo, que necessitava da vitória porque o empate classificaria o Palmeiras. Teoricamente – imaginou Coutinho – o time paulista armaria forte bloqueio defensivo. Engano.

(…)

Muitos flamenguistas, das arquibancadas, não chegaram a ver o fim do grande show no Maracanã. Foram embora mais cedo, sem a chance de verem o time na Libertadores, como sonhavam Cláudio, Coutinho, Zico, Márcio Braga… e até Beijoca! (Nailson Gondim)

Estádio: Maracanã. Juiz: Carlos Sérgio Martins (RS). Renda: Cr$ 8,277,830,00, com público de 112.047 pagantes. Gols: Jorge Mendonça, aos 13′ do 1º tempo; Zico, aos 10′ (de pênalti), Carlos Alberto, aos 24′, Pedrinho, aos 31′, e Zé Mário aos 45′, todos na fase final.

Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão, Polozi e Pedrinho; Pires, Jorge Mendonça e Mococa; Jorginho (Carlos Alberto), César (Zé Mário) e Baroninho.
Flamengo: Cantarele; Toninho, Manguito, Dequinha e Júnior; Carpegiani, Adílio (Beijoca) e Zico; Reinaldo (Carlos Henrique), Cláudio Adão e Tita.
Ocorrência: Beijoca foi expulso, por agressão ao adversário.

Na mesma página, uma crônica de Aroldo Chiorino, com o título “Uma pergunta para Coutinho responder agora”.

Leia um trecho:

E agora, Cláudio Coutinho? Como é que ficam as suas afirmações de que o time do Palmeiras era fraco e inexperiente? E você também disse, antes do jogo, que o Palmeiras poderia tremer no Maracanã, principalmente porque tinha alguns jogadores inexperientes. Isto tudo prova, depois da goleada que o seu time sofreu ontem, em pleno Maracanã, que você, como técnico permanente da Seleção do Brasil, tinha total desconhecimento das reais possibilidades técnicas do time do Palmeiras e em especial de alguns dos seus jogadores.

Lamentável, porque você como técnico da nossa seleção, deveria ter conhecimento do que está acontecendo no País em termos de futebol e não ficar limitado ao futebol do Rio de Janeiro, que não reflete a realidade.

O desprezo que você teve para com o time do Palmeiras é uma prova do seu desconhecimento das coisas que andam acontecendo.

É isso. Jogo não se ganha de véspera.

Ainda mais jogo contra o Palmeiras.

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Heitor, o maior artilheiro da história do Palmeiras

8 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Já que estamos fazendo homenagens aos ídolos alviverdes, como na semana passada, quando destacamos Ademir da Guia e Oberdan Cattani, vamos falar hoje de ninguém menos que o maior artilheiro da história do clube.

Trata-se de Heitor Marcelino Domingues, ainda dos tempos do Palestra Italia. Heitor nasceu no dia 20 de dezembro de 1898, em São Paulo, onde faleceu em 21 de setembro de 1972, aos 73 anos.

O Lance! fez uma série de revistas especiais em 1999 e uma delas foi sobre a história do Palmeiras, já incluindo a conquista da Taça Libertadores daquele ano. E é dessa revista que resgatamos o perfil de Heitor, que você confere abaixo na íntegra:

Heitor, o maior artilheiro verde

No início do Palestra Itália, um jogador se destacou por sua habilidade, seu talento e grande oportunismo: Heitor Marcelino Domingues. Foi ele o grande herói da primeira era do Palestra Itália, nas décadas de 10, 20 e 30. Autor de 284 gols, recorde absoluto em mais de 80 anos de clube, Heitor colecionou três títulos paulistas (1920, 1926 e 1927). O gol de Forte que deu o primeiro paulista ao time saiu dos pés dele.

Foi um dos primeiros heróis do clube, ao lado de Imparato, Bianco, Ministro e Martinelli, entre outros.

Heitor começou a carreira no Colégio do Carmo, jogando no extinto SC Internacional em 1915. Chegou em 1917 ao time do Palestra, como centroavante num ataque que também tinha Caetano, Ministro, Severino e Martinelli. Já em 1919, “Ettore” (como era chamado, claro, num clube de italianos) terminava o campeonato como vice-artilheiro, perdendo para Friedenreich.

Título com Fried e com Neco

Nesse mesmo ano, Heitor conseguiu ainda um título histórico com a Seleção Brasileira: o Sul-Americano de 1919, disputado no recém-inaugurado estádio das Laranjeiras, no Rio. Ele e Bianco foram os dois jogadores do Palestra que participaram daquela campanha. Era um time cheio de paulistas: também tinha Amílcar e Neco, do Corinthians, Friedenreich e Sérgio, do Paulistano, e Arnaldo e Millon, do Santos.

Na final contra o Uruguai, o único gol da partida, de Friedenreich, saiu de uma rebatida do goleiro uruguaio após uma cabeçada de Heitor. O gol só saiu na segunda prorrogação (isso mesmo), pois os 120 minutos iniciais terminaram empatados sem gols. Com a camisa do Brasil, foram 11 jogos e cinco gols.

Só em 1926 Heitor terminou pela primeira vez o Campeonato Paulista como artilheiro, com 18 gols. Só na partida contra o Sílex (7 a 1), que valeu o título ao Palestra, foram quatro gols. Em 1928, novamente foi ele o maior goleador da competição.

Depois que parou de jogar, Heitor foi árbitro de futebol, durante muitos anos, apitando, entre outras partidas, o jogo decisivo do campeonato estadual de 1935, entre Corinthians e Santos.

Essa foi a nossa homenagem ao maior artilheiro da história do Palmeiras.

Não o vimos jogar, nem temos vídeos para mostrar, mas, pelas matérias dos jornais da época que já pesquisamos, deu para imaginar o quanto ele era fera.

Até o próximo domingo!

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

A homenagem a dois ídolos: Ademir da Guia e Oberdan Cattani

1 de abril de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Em 1999, ao conquistarmos a Taça Libertadores da América, ganhamos também o direito de disputar o Mundial Interclubes no Japão. A edição de 28 de novembro de 1999 da revista Já, do saudoso Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo, de J. Hawilla), trouxe matéria sobre a final e fez uma homenagem a dois ídolos alviverdes: Ademir da Guia e Oberdan Cattarni.

Confira abaixo os dois textos na íntegra.

Primeiro, a reportagem sobre Ademir da Guia.

Divina Lembrança

Fala mansa e uma timidez incomum. Esse senhor de 57 anos em nada lembra um ídolo do futebol e todas as suas excentricidades. Mas quem se importa? Tranquilo e discreto, Ademir da Guia deixou os campos no meio da década de 70 e virou lenda. Vestindo a camisa 10 alviverde por 16 anos, de 1961 a 1977, ele se tornou o principal craque da história do Palmeiras. Filho de Domingos da Guia, o maior zagueiro brasileiro de todos os tempos, Ademir herdou do pai o amor pelo futebol e, de sobra, o mesmo talento. Meia de técnica refinada, com ótima visão de jogo, além de uma frieza europeia nas decisões, ele recebeu da torcida o singelo apelido de Divino. “Era um time brilhante. Ficava fácil jogar no meio de tantos craques. Apenas cumpria meu papel”, revela, com a costumeira simplicidade.

Ademir nasceu no Rio de Janeiro e desembarcou no Palmeiras, no início dos anos 60, depois de uma passagem pelo Bangu. Com o manto Verde disputou 866 jogos e fazia a alegria dos colegas atacantes com passes açucarados que os deixavam na cara do gol. Mas o armador também sabia marcar. Foram 153 gols, o que lhe garante a quarta colocação entre os maiores artilheiros do clube. Títulos não faltaram, mesmo enfrentando adversários da estirpe de um Santos de Pelé ou um Botafogo de Garrincha. O Divino foi campeão paulista em 1963, 66, 72, 74 e 76; brasileiro em 72 e 73; do Roberto Gomes Pedrosa de 67 e 69; da Taça Brasil de 67; e do Rio-São Paulo de 65.

Titular indiscutível em seu clube, Ademir não deu a mesma sorte com a amarelinha. Apesar de se destacar no comando da Academia, não foi selecionado para as Copas de 66 e 70. Finalmente convocado para um Mundial, o da Alemanha, em 74, o craque participou de apenas 45 minutos do último jogo do Brasil, contra a Polônia. O motivo: excesso de humildade, diziam seus críticos. “Mesmo sem ter sido titular, considero a minha participação na Copa do Mundo um verdadeiro prêmio, que coroou toda a minha carreira”, afirma, sem mágoa.

Quando se aposentou, virou professor de futebol, ensinando a molecada em vários projetos de escolinhas. Chegou a treinar o Marília por quatro meses, em 1990. Há três anos, porém, se afastou do mundo da bola para assumir um cargo no Tribunal Regional do Trabalho, como juiz classista. “Adorei a experiência como treinador. Trabalhar com a garotada é sempre emocionante. Eu mandato está no fim e, no próximo ano, com certeza, volto para o futebol. Tá no sangue e a saudade bate forte”.

Tímido por natureza, não disfarça a alegria quando é reconhecido por um torcedor. “Fui comer numa pizzaria e havia apenas jovens no local. Com certeza, nenhum deles me viu jogar. Mesmo assim, quiseram tirar fotos, pediram autógrafos e ainda me aplaudiram na saída do restaurante. Não existe momento mais emocionante para um atleta. Mas tenho uma reclamação: aquele tempo passou rápido demais”.

Para fechar com chave de ouro, o texto sobre Oberdan Cattani.

Muralha Verde

São seis décadas de Palmeiras. Oberdan Cattani, de 80 anos, faz do clube que defendeu por 14 anos, entre 1941 e 1955, seu passeio preferido e diário. Pontualmente às 10 da manhã, o ex-goleiro aporta no Parque Antártica para encontrar os velhos amigos e relembrar as proezas de uma época em que enfrentava goleadores impiedosos, como Leônidas da Silva. “Os principais times do País tinham ataques fenomenais. Por isso, ser goleiro não era fácil. Mas posso me orgulhar de ter feito partidas fantásticas”, recorda Oberdan.

Ainda garoto, ele chegou de Sorocaba, interior paulista, para fazer um teste no então Palestra Itália, em 1941. As mãos enormes chamaram a atenção desde o início e viraram a marca registrada do arqueiro. Mas não evitaram os quatro gols que levou logo no primeiro tempo da peneira. O que poderia ter sido um fracasso não influenciou na sua escolha. E logo o rapaz assumiu a meta palmeirense. No ano seguinte, já comemorava o primeiro título, o de campeão paulista.

Sempre titular, Oberdan conquistou ainda as taças dos campeonatos paulistas de 44, 47 e 50, do Torneio Rio- São Paulo de 51, além da Copa Rio no mesmo ano. “Eu sempre tive muito carinho por essa camisa. Jogava machucado, com febre, sem unha, não importava. Valia qualquer sacrifício para defender o Verdão”, lembra.

Tanto amor acabou não sendo reconhecido, justamente na principal conquista da equipe. No terceiro jogo da Copa Rio, contra a Juventus da Itália, ele foi responsabilizado pela derrota por 4×0. “Já estávamos classificados e os cartolas resolveram tirar cinco titulares do time para descansar. Por isso, não tínhamos um padrão de jogo e os italianos fizeram a festa”, explica o goleirão. No dia seguinte, sem maiores explicações, o reserva Fábio assumiu o posto. O reinado de 10 anos de Oberdan Cattani começava a chegar ao fim. “Foram desleais comigo. Sinceramente, no entanto, não guardo mágoas. Eles passaram e eu fiquei”, desabafa.

Sem ser mais o soberano da meta alviverde, Oberdan permaneceu no clube até 1955. Na temporada seguinte, se transferiu para o Juventus, quando abandonou a carreira. Na seleção brasileira, foram poucas as oportunidades. Ele atuou apenas nove vezes com a camisa do Brasil, entre 44 e 45. “Não ser carioca não ajudava muito em uma convocação”, confidencia.

Oberdan tem péssimas recordações da cartolagem de sua época, mas não esquece o carinho da torcida. Considerado o maior goleiro de todos os tempos do Verdão, acabou ganhando uma grande festa de aniversário no clube, em 12 de junho, para comemorar seus 80 anos. “Quando cheguei por aqui, não imaginava que um dia teria tamanho reconhecimento. Tenho muito o que comemorar. O Palestra é a minha casa”.

A mesma reportagem lembrou o título da Copa Rio, de 1951, e a ocasião em que o Palmeiras representou a Seleção Brasileira na inauguração do Mineirão, em 1965, entre outras glórias do Palmeiras. Postaremos esses textos em outra ocasião.

Fica a nossa homenagem a Ademir da Guia e Oberdan Cattani, que, como diz nosso hino, transformaram a lealdade em padrão e ostentaram sua fibra!

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Cala a boca, Justus!

29 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Roberto Justus, torcedor do SPFC e aspirante a cartola, resolveu falar mais besteiras. Até aí, nenhuma novidade: basta perder alguns preciosos minutos de nossas vidas assistindo aos programas de TV que ele participa para constatar que isso é uma tendência irreversível.

Só que agora ele resolveu falar do Palmeiras. Em entrevista ao repórter Renan Prates, disparou:

“O São Paulo é superavitário, o São Paulo não precisa fazer vaquinha para contratar jogador. Outros clubes fizeram e não deu certo. Espero que [o São Paulo] não tenha nunca que fazer”

O cidadão já está numa idade um tanto avançada e talvez já esteja sendo acometido por algum distúrbio na memória. Por mais que seu clube tente escamotear a História, ela está escrita, e se hoje o SPFC existe, foi graças a uma ação popular na década de 30, o famoso Jogo das Barricas, quando Palmeiras e SCCP jogaram um torneio amistoso, com participação da Portuguesa e do próprio SPFC, cuja renda foi arrecadada em barricas na porta do estádio Palestra Italia e foi toda destinada ao SPFC, às portas da falência. O recorte de jornal abaixo não deixa dúvidas.

UM APPELLO AO PÚBLICO

Como é do conhecimento público, a renda do torneio futebolístico de hoje será em benefício do SPFC. Dessa forma esse clube faz, por nosso intermédio, um appello a todos os sócios dos conjuntos que participarão do festival para contribuirem com sua ajuda, adquirindo ingressos, apesar de lhes assistir o direito de entrada franca.

A LIGA ABRIU MÃO DE SUA PERCENTAGEM

A Liga de Futebol do Estado de São Paulo, num gesto de louvável sentimento de solidariedade, abriu mão da percentagem que lhe cabia na renda do festival.

Mas nem é necessário voltar tanto no tempo para ver que o clube é useiro e vezeiro em passar o chapéu. Há pouco mais de dois meses, o clube ensaiou fazer exatamente a mesma coisa com Nilmar, mas nem chegou a lançar a campanha porque não conseguiu acordo com o jogador. Apenas dois meses depois, esse néscio tem a ousadia de provocar o Palmeiras com uma declaração dessas.

Justus, você  já havia sido demitido da minha televisão com cinco minutos de seu programa, por isso não posso demiti-lo de novo. Mas mandá-lo calar a boca, eu posso.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Alex nos deu pelo menos uma alegria em 2002

25 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Há exatamente 10 anos, como o Verdazzo enfatizou no último dia 20 de março, o meia Alex, ídolo do Palmeiras, hoje na Turquia, fez um golaço que entrou para a história do futebol brasileiro.

Pelo Torneio Rio-São Paulo, o Palmeiras venceu os bambis por 4 a 2, com direito à obra-prima de Alex, que passou pelos zagueiros, deu um chapéu em Rogério Ceni e completou para o fundo do gol.

O fato mereceu, claro, uma chamada de destaque na capa da Folha de S. Paulo do dia 21 de março de 2002, uma quinta-feira. “Alex comemora seu gol na vitória de 4 a 2 sobre o São Paulo no Morumbi, que garantiu ao Palmeiras a liderança isolada do Torneio Rio-SP; o meia passou por um zagueiro e deu um chapéu no goleiro Rogério Ceni antes de marcar”.

O feito, claro, abriu a capa do caderno de Esportes da edição. Vamos ler alguns trechos da matéria, que foi escrita por Eduardo Arruda e um jornalista ‘querido’ pelos palmeirenses, Ricardo Perrone.

Em um jogo de seis gols, belas jogadas, gol de placa de Alex, um começo surpreendente e um final dramático, o Palmeiras quebrou o encanto do São Paulo, que vinha de seis goleadas, embaladas por um futebol vistoso no Rio-SP.

O clássico mais badalado do torneio justificou ontem a expectativa que gerou. Graças a um início arrasador, os palmeirenses venceram por 4 a 2, diante de quase 50 mil pessoas, o melhor público no Morumbi neste ano.

O resultado recolocou o Palmeiras na liderança do Rio-SP, com 26 pontos, três a mais que o seu oponente de ontem, ex-líder – desde a última semana, os palmeirenses vinham mostrando ciúme do rival, que atraía a maior parte da atenção da mídia.

(…)

De tanto reclamarem que os holofotes estavam voltados para o clube do Morumbi e não para eles, os palmeirenses fizeram o rival provar de seu próprio veneno.

Acostumado a construir goleadas no primeiro tempo, a equipe de Nelsinho já perdia por 3 a 0 com 27 minutos de jogo. Considerado por sua própria torcida uma equipe eficiente, mas não brilhante, o Palmeiras enfim demonstrou um futebol empolgante.

A estratégia de Wanderley Luxemburgo, que havia prometido uma surpresa e escalou três volantes, funcionou, apesar de ser previsível. Magrão, Claudecir e Paulo Assunção impediram que as tabelinhas entre Souza, Kaká, França e Reinaldo acontecessem.

Bem marcados por Magrão e Paulo Assunção, Souza e Kaká tiveram dificuldade para se aproximar de seus atacantes. Dois volantes palmeirenses, aliás, marcaram os dois primeiros gols.

O time de Nelsinho se descontrolou e só assistiu à obra-prima de Alex, um gol em que zagueiro e goleiro foram chapelados.

Em outra matéria na mesma página, o técnico Luxemburgo pedia Alex na seleção.

O técnico do Palmeiras, Wanderley Luxemburgo, fez lobby para a convocação de Alex, melhor jogador em campo de ontem, para a seleção brasileira. Ele exaltou também o esquema de três volantes, que neutralizou o forte ataque são-paulino.

(…)

“Nós, dentro do nossos estilo, vencemos o São Paulo, um time de toque refinado, muito difícil de ser marcado. Meus jogadores estão de parabéns”, declarou Luxemburgo, voltando a admitir que a eliminação para o ASA, de Alagoas, na primeira fase da Copa do Brasil, ainda estava prejudicando a equipe.

(…)

“Eu falei para o Alex que ele é um atleta de alto nível, mas tinha de mostrar isso em campo. E o jogo de hoje era fundamental porque poderia ajuda-lo a ser convocado para a seleção. Ele teve uma atuação do Alex que eu conheço. Agora pode até confundir o Felipão”, declarou.

“Eu agradeço o Wanderley. Sei que posso atingir um nível melhor”, comentou o meia, que fez o gol mais bonito de ontem, ao aplicar dois chapéus – um no zagueiro Emerson e outro no goleiro Rogério.

Essa foi mais homenagem ao gol de placa de Alex, ainda mais em cima de quem – estamos esperando a placa no Morumbi até hoje.

Em dia de clássico, que isso sirva de incentivo para nosso jogadores. Independente do jogo valer algo ou não, já que ainda estamos na fase classificatória que não serve para muita coisa, tem que entrar para ganhar. Sempre!

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

“Um gol para enfeitar o futebol”

20 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Há exatos dez anos, Alex construiu esta obra-prima. E a narração de José Silvério é um coadjuvante bem melhor que o Itamar…

Bem que 2002 poderia ter terminado no dia 20 de março…

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Um perfil de São Marcos às vésperas da final da Libertadores

18 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Hoje vamos relembrar um perfil de Marcos publicado pouco antes da final da Taça Libertadores da América de 1999 pela revista , do saudoso Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo, de J. Hawilla), de 30 de maio de 1999. A revista vinha encartada aos domingos e eu tenho a coleção completa dos poucos anos que circulou.

A matéria ilustrava a capa da edição, com a chamada “12 na cabeça”. O subtítulo trazia: “Dono da camisa 12, o goleiro Marcos chegou ao Palmeiras em troca de uma dúzia de pares de chuteiras e agora prepara-se para disputar a finalíssima da Taça Libertadores da América”.

Vamos conferir a matéria “De Oriente ao Oriente”, de Wladimir Miranda, na íntegra:

Grandalhão e desengonçado, o goleiro Marcos faz o estilo não estou nem aí. Roupas folgadas, barba sempre por fazer, não mostra a menor preocupação com a calvície precoce, embora tenha apenas 25 anos. Titular do Palmeiras, foi um dos principais responsáveis pela classificação do clube para a finalíssima da Taça Libertadores da América, com atuações irrepreensíveis contra o Corinthians, nas quartas-de-final, e o River Plate, na Argentina, batido pelo Verdão, quarta-feira passada, por 3 a 0.

Por suas defesas milagrosas nas quatro partidas contra esses adversários, ganhou o apelido de São Marcos e virou celebridade da noite para o dia, mas nem por isso pensa em trocar a camisa 12, dos seus tempos de reserva, pela número 1, tradicionalmente envergada pelo dono da posição. “Não vou usar a camisa 1. O número 12 tem me dado sorte, vou continuar com ele”, afirma.

O jogador tem boas razões para pensar dessa forma, mas é preciso destacar que o alviverde de Parque Antártica também vem se dando muito bem com a bendita dúzia – e não apenas pelas recentes performances de seu goleiro. Explica-se: para ficar com o passe de Marcos, em 92, o clube precisou entregar apenas 12 pares de chuteiras ao Lençoense, de Lençóis Paulista, atualmente na quinta divisão do futebol paulista. Uma senhora pechincha que ajudou o Palmeiras a chegar à sua terceira final sul-americana (contra o Deportivo Cali, da Colômbia, em junho) e tem tudo para garantir a presença da equipe na final intercontinental, contra o Manchester United, da Inglaterra, em Tóquio.

Se isso ocorrer, será uma tremenda coincidência, uma a mais na trajetória de Marcos Roberto Silveira Reis. Isso porque o homem que agora sonha com o Oriente nasceu na pequena cidade de Oriente (SP), distante 440 quilômetros da Capital. É o caçula do casal Ladislau Silveira Reis e Antonia Silveira Ferné Reis e tem mais seis irmãos – Sueli, Ladislau Júnior, Tânia, Roseli, Luís Antônio e Sérgio Murilo. Quando menino, nas peladas de rua e nos campinhos de terra, queria mesmo era ser atacante. Bem mais parrudos, seus amigos “convenceram-no” a defender o gol. “Ele chorava, mas não podia fazer nada contra os marmanjos. Aí, ia para o gol. Depois, pegou gosto pela posição”, diz a mãe do goleiro.

E bota gosto nisso. Com 1,93 metro e 92 quilos, fechava o gol nos jogos de várzea disputados em Oriente. Acabou ingressando nos juniores da Lençoense, da vizinha Lençóis Paulista, e, em 91, teve sua primeira grande chance: foi levado pelo amigo Neno, técnico em sua cidade natal, para treinar no arquirrival do Verdão. Sim, isso mesmo, o Corinthians. “Fiquei dois meses no Parque São Jorge. Não deu certo. Era reserva do Edílson, que era reserva do Felício na equipe de juniores. Como não tive chances de mostrar serviço, arrumei as malas e voltei para casa. Fui trabalhar no bar do meu primo Paulo”, conta ele.

Não permaneceu por muito tempo atrás do balcão. No ano seguinte, novamente conduzido por Neno, desembarcou no Parque Antártica, em troca dos 12 pares de chuteiras entregues à Lençoense. “Hoje, devo estar valendo uns 24 pares”, brinca o goleiro, que durante muito tempo curtiu a reserva. Em agosto de 95, quase virou manchete dos jornais, mas de forma trágica.

Num treino na Academia de Futebol, chocou-se com Capetinha Edílson, hoje no Corinthians, e perdeu os sentidos. Não fosse a respiração boca a boca feita pelo massagista Ceará para reativar os batimentos cardíacos, talvez não estivesse hoje brilhando nos gramados. Um susto e tanto para dona Antonia, que sofreu muito quando o filho veio para o Palmeiras. “Chorei, mas não pude fazer nada. Ele disse para mim que jogar no Palmeiras era o sonho da vida dele. Acabei concordando”, diz.

A alegria da família Silveira Reis veio em outubro do ano seguinte, quando seu filho esbarrou novamente no cabalístico 12. Após uma dúzia de partidas no time titular do Verdão, Marcos foi convocado pelo técnico Zagallo para a Seleção Brasileira. Ficou na reserva de Zetti no amistoso que o time canarinho fez com a Lituânia em Teresina. Tudo indicava que sua carreira iria decolar, mas, em novembro, outro trauma. Durante um treino, fraturou o perônio direito ao pisar num buraco do gramado. Resultado: ficou três meses de molho, em tratamento médico. Desanimou e, em 97, chegou atrasado a dois treinamentos, o que levou o técnico Luiz Felipe Scolari a encostá-lo. Felipão, aliás, já vinha reclamando do excesso de gordura do goleiro. “Só comia e dormia. Tinha de engordar mesmo. Hoje, como do mesmo jeito. A diferença é que agora eu jogo”.

Santidade – Marcos começou a defender com mais frequência a meta palmeirense no início do ano, quando o contrato do então titular Velloso venceu. Como a renovação foi demorada, o reserva disputou o Torneio Rio São-Paulo, de triste memória para os torcedores do clube. Desfalcado de várias estrelas, poupadas por Felipão para a disputa da Libertadores, o time sofreu seguida derrotas, incluindo um vergonhoso 5 a 1 para o decadente Fluminense. “O time perdeu, mas quem levou os gols fui eu. Fui o mais prejudicado”, recorda ele.

Assustada, a diretoria renovou o vínculo com Velloso, mas o atleta acabou se contundindo, dando a chance ao seu reserva de disputar os campeonatos sul-americano e paulista ao lado de craques como Arce, Júnior, Zinho, César Sampaio, Paulo Nunes, Oséas e Alex. O rapaz não só aproveitou a oportunidade como ofuscou os astros. Que o digam os corintianos, ainda embasbacados com as defesas que Marcos fez no primeiro jogo das quartas-de-final da Libertadores, dominado pelo Timão, mas vencido pelo Palmeiras por 2 a 0. “Ganhamos graças ao São Marcos”, repetia Felipão, nos vestiários, após o confronto.

Na segunda partida entre as duas equipes, a estrela do goleiro voltou a brilhar. Depois da vitória do Corinthians por 2 a 0 no tempo normal, a decisão foi para os pênaltis. Talvez intimidado pelo porte e a excelente forma da nova sensação alviverde, o atacante Dinei mandou a bola no travessão. Vampeta foi mais cauteloso na cobrança e quebrou a cara: bateu a meia altura, permitindo que Marcos espalmasse a redonda. O feito – além das boas atuações nas partidas seguintes, contra o Flamengo, pela Copa do Brasil, e River Plate – levou os torcedores a santificar o atleta, que, depois de gramar muito para conseguir um lugar no time, tem o pé no chão. “Nada de São Marcos. No futebol, o jogador é santo quando está bem. Quando está mal, vira diabo. Quem decide jogo é atacante. Sempre entro em campo para fazer o melhor, tento fazer boas defesas. Quando não dá, paciência”.

Passados os tempos bicudos, o goleiro agora é alvo do assédio da galera. E não só dos palmeirenses, diga-se de passagem. “Perdi a privacidade. Não posso ir a um shopping center que sou parado pelos torcedores. Até corintianos e são-paulinos me perseguem em busca de autógrafo”, diz ele, que, como bom interiorano, mostra-se pouco afeito à badalação da grande cidade. Nos momentos de folga – raros, ultimamente, em razão da maratona de jogos enfrentada pelo Palmeiras – curte o seu cantinho. “Gosto de ficar em casa vendo televisão ou lendo jornais. Vou pouco a teatros e cinemas. O que adoro mesmo é brincar com o Lucca”, avisa, referindo-se ao bebê de quatro meses que é fruto do relacionamento coma ex-namorada Malu. “Não gosto de falar da minha vida pessoal”, disparada, no único momento da entrevista em que amarrou a cara.

O jovem herdeiro já foi devidamente apresentado aos avós e à pequena Oriente, que Marcos visita sempre que pode. Lá, mais do que santo, ele é rei. Converteu o pai e o irmão Luís Antônio, corintianos de quatro costados, ao credo alviverde, e sempre é cortejado pelos súditos locais, que o apontam como nome certo na Seleção Brasileira. Mas o goleiro é realista. “Não estou pensando em Seleção agora. O que eu quero mesmo é ajudar o Palmeiras a conseguir vitórias, quero ser campeão. Não ganhei nada ainda na minha carreira. Seleção vem depois”, diz ele, que, fiel ao seu estilo desligado, também não dá bola para aqueles que o aconselham a fazer um implante de cabelos, como seu colega Velloso. “Ele que me desculpe, mas não ficou legal. Prefiro ficar do jeito que estou”, afirma.

Aí está um perfil do nosso São Marcos pouco antes da decisão da Libertadores de 1999, quando conquistamos o título, tendo papel fundamental em praticamente todos os jogos.

Nada melhor do que mais uma homenagem para São Marcos. E outras ainda virão. Fica a esperança de conquistarmos pelo menos um título em 2012, para coroar, de vez, o Ano Santo.

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Em 1933, Palestra Italia massacra o SCCP: 8 a 0

11 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Já que estão fazendo camisas por aí com fatos históricos, remetendo a goleadas e freguesias contra rivais, cabe aqui nesse espaço lembrarmos um jogo marcante, muito falado até hoje.

No dia 05 de novembro de 1933, pelo Torneio Rio-São Paulo (chamado pelo jornal de Campeonato Brasileiro), o Palestra Italia recebeu no Parque Antarctica (reinaugurado alguns meses antes, como mostramos na semana passada) seu grande rival, o SCCP, e venceu por 8 a 0. Isso mesmo, 8 a 0.

A matéria publicada pela Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo) na terça, 7 de novembro de 1933, ilustra o que foi a partida. Lembro que a grafia original da matéria foi mantida.

O Corinthians foi derrotado fragorosamente pelo Palestra Italia

O clube do Parque São Jorge foi abatido pela elevada contagem de 8 a 0

Bem numerosa foi a assistência que compareceu ante-hontem à tarde ao estádio do Parque Antarctica, embora o tempo se mostrasse ameaçador, afim de presenciar o já tradicional encontro entre o E. C. Corinthians Paulista e o Palestra Italia, do Campeonato de Profissionaes.

Dizia-se nas rodas esportivas da nossa capital que o Corinthians vinha preparando com esmerado cuidado o seu quadro. As lutas anteriores entre os dois contendores tinham sido sempre disputadas com ardor, proporcionando phases interessantes e agradando plenamente os assistentes. Por isso, previa-se hontem um encontro que poderia satisfazer os mais exigentes apreciadores do futebol.

Na verdade, nas condições em que o conjunto do Parque São Jorge se acha actualmente, não achamos possível vencer o líder do certame. Mas, não prevíamos jamais que a sua derrota se verificasse por tão elevada contagem de pontos.

Desde os primeiros minutos, a superioridade do Palestra se fez notar. Os primeiros 17 minutos do jogo passaram-se sem que a contagem fosse aberta, no entanto, os dianteiros alvi-verdes já assediavam com insistência o posto de Onça, cuja queda se esboçava imminente. Os commentarios que se faziam ouvir eram mais ou menos nestes termos: “quando o Palestra marcar o primeiro tento vae ser aquelle desastre… O Corinthians já está sendo dominado e depois então…”.

De facto, foi o que se deu. Até os 17 minutos de jogo, os locaes não conseguiram marcar nenhum ponto. A essa hora, mais ou menos, conseguiram o primeiro e, pouco depois, os dois outros da primeira phase. O segundo tempo, então, foi pródigo em pontos. Nada menos de cinco foram marcados e, assim, o Palestra aumentou para oito a sua contagem.

Pela actuação desenvolvida pelos corinthianos, tivemos mais uma vez confirmação do que vimos afirmando em nossas chronicas: a falta quase que absoluta de linha dianteira. Ora, é fácil imaginar-se a situação de um quadro cujo quinteto atacante não consegue transpor a linha média contraria. A defesa aplicou-se com todas as suas forças para evitar a derrota pela grande contagem que se verificou. Mas os seus esforços foram baldados. Os seus atacantes, perdendo todas as bolas que apanhavam, permittiam aos adversários conservar-se em contínuo ataque.

O Corinthians teve em Rossi, Zazani, Carlos, Jango e, no segundo tempo, Nascimento, os seus principaes homens. Onça, cujas actuações anteriores têm sido de moldo a colloca-lo em destaque entre os guardiões de S. Paulo, iniciou bem a partida, porém, depois de deixar passar as primeiras bolas, enervou-se de maneira incrível. Depois do 2º ponto do Palestra, o guardião corinthiano perdeu quasi todas as bolas que o transpuseram foram collocadas de perto.

(…)

Quanto ao Palestra, senhor da situação inteiramente, pôde fazer optima exhibição, combinando bem seus jogadores e não perdendo opportunidades quando se viam em condições de chutar à meta.

Nascimento pouco fez. Deve ter apanhado, quando muito, umas quatro bolas, durante todo o jogo. Não teve occasião para evidenciar as suas condições, no momento.

Carnera e Junqueira, também, pouco precisaram fazer visto os dianteiros contrários quasi nunca passarem a linha média. As poucas avançadas que rechassaram foram sempre com proveito, entregando bem a bola aos seus companheiros de ataque.

A linha média jogou bem. Inutilizou, com vantagem sempre, os ataques contrários. Tunga, Dula e Tuffy são três elementos cuja foram actual é esplendida. Calmos, oportunos, distribuindo bem as bolas que apanham, não a chutando a esmo.

O quinteto atacante assediou constantemente o posto de Onça. Apoiado pela linha média, punha em constante perigo a cidadela corinthiana. Romeu e Imparato, foram os heroes dos tentos. O primeiro marcou quatro e o segundo, três, cabendo a Gabardo marcar o outro. A ofensiva alvi-verde combinou com grande precisão.

Dos atacantes, foi Avelino o mais fraco. Não possue boa visão da rede. Chutou nada menos de quatro bolas, de poucas jardas, tendo todas ellas passado próximo à trave. Mesmo assim, não prejudicou o ataque. Gabardo, Romeu e Lara entenderam-se perfeitamente. Lara perdeu algumas opportunidades, chutando fora. Imparato effectuou bons centros e marcou três tentos todos eles de entradas opportunas.

Arbitrou a pugna o sr. Haroldo Dias da Motta, cuja actuação foi boa. Se alguma coisa lhe escapou, não deixou, todavia, de agir bem. Foi, sobretudo, imparcial. Assim, muito contribuiu para a ordem verificada em todo o desenrolar da partida, facto esse que merece menção especial, em se considerando os já tão comuns incidentes lamentáveis que se têm verificado em nossos campos.

Vale lembrar que a preliminar, entre os ‘segundos quadros’, como eram chamados, também foi vencida pelo Palestra Italia, e por 4 a 0. Ou seja, naquele dia, enfiamos 12 a 0 nos rivais.

Confira como os times jogaram:

Palestra Italia: Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu, Lara e Imparato.

SCCP: Onça; Rossi e Zazani (depois Nascimento); Jango, Bancracio e Carlos; Carlinhos, Bahianinho, Zuza, Chola e Galé.

Após a partida, a diretoria do SCCP demitiu-se coletivamente, envergonhada.

Alguns protestos aconteceram em São Paulo, mais ou menos como quando eles são eliminados da Libertadores em todas as participações. Houve tentativa de empastelamento da sede, na rua José Bonifácio, sem sucesso.

Além disso, no mesmo jornal, uma notícia que nos remete a outro time, que possivelmente se borrou diante da goleada imposta ao SCCP.

“Affirma-se que o S. Paulo F.C. não enfrentará o Palestra Italia, no próximo domingo, caso a APEA não resolva até lá sua pendência com o S. Bento”.

Enfim, não tive paciência de ler a matéria completa e descobrir o que o Palestra Italia tinha a ver com São Bento e afins… De qualquer forma, o jogo veio, o Palestra ganhou por 1 a 0 e encaminhou a conquista do título daquele ano.

Relembramos, assim, a histórica vitória do Palestra Italia sobre o SCCP por 8 a 0.

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Em 1933, Palestra detona Bangu na reinauguração do Parque Antarctica

5 de março de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Em 1920, o Palestra Italia, com apoio da Companhia Matarazzo, comprou o Parque Antarctica pelo valor de 500 contos de réis. Durante 13 anos, foram feitas diversas reformas no campo, como a construção de arquibancadas de concreto armado, pois ainda eram de madeira; uma tribuna de honra, para associados e convidados ilustres; entre muitas outras.

O estádio ficou pronto e foi reinaugurado em 13 de agosto de 1933, em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo. O Palestra enfrentou o Bangu e a notícia do jogo foi manchete da Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo) daquele dia.

Ressalto que a grafia original da matéria foi mantida.

Palestra e Bangu enfrentam-se, hoje à tarde, no Parque Antarctica

As attenções dos aficionados cariocas e paulistas de futebol concentram-se na partida de hoje, entre os fortes conjuntos do Palestra Italia e Bangu. E o interesse se justifica plenamente, pois é sabido que o jogo constitui-se uma das disputas mais importantes do certame de profissionais Rio vs. São Paulo.

Estamos na penúltima rodada do primeiro turno. O Palestra vae disputar o seu ultimo jogo do turno e quiz a sorte que o seu adversário fosse exactamente um conjunto mais forte do campeonato carioca. O Bangu jogará a sua penúltima partida, pois no domingo próximo ainda terá que enfrentar o Corinthians, num jogo que se realizará no Rio de Janeiro.

O Palestra, que se manteve na vanguarda do certame, empatado com o seu adversário de hoje, até o dia 25 de junho p. passado, teve o seu prestígio, naquela data, seriamente abalado pela Portuguesa, que lhe infligiu a primeira derrota no campeonato. No campeonato seguinte, o Palestra soffreu um novo abalo, em jogo realizado nesta capital, não conseguindo derrotar o conjunto do Bom Sucesso. E no dia 23 do mez passado, no Rio de Janeiro, o campeão paulista do ano passado soffreu nova derrota, frente ao quadro do America.

A peleja de hoje apresenta ainda o interessante de constituir o primeiro jogo que se effectua no grandioso estádio que o Palestra está construindo no Parque Antarctica.

Os quadros prováveis para o jogo de hoje são os seguintes:

Bangu – Euclydes; Mario e Sá Pinto; Paulista, Sant’Anna e Medio; Sobral, Ladislau, Tipão, Placido e Dininho.

Palestra – Nascimento; Junqueira e Carnera; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu, Lara e Armando.

Na edição de terça, 15 de agosto de 1933 (o jornal não circulava nas segundas), o jornal trouxe a notícia da espetacular vitória do Palestra Italia sobre o forte Bangu por 6 a 0, afastando qualquer crise existente (olha que estamos falando de 1933…).

Constituiu o maior acontecimento esportivo de domingo a inauguração do grandioso estádio do Palestra Italia, a que esteva presente uma enorme multidão calculada em 40 mil pessoas.

O pujante quadro de Junqueira foi feliz, pois conseguiu derrotar um dos mais fortes conjuntos que ora disputam o campeonato profissional de futebol.

Por volta das 15,30 horas, chegou ao campo o capitão Carlos Gomes, prefeito da capital, que se achava acompanhado do seu ajudante de ordens e demais personalidades officiaes. Acompanhado de vários directores palestrinos, fez uma visita ao pavilhão dos chronistas esportivos, dirigindo-se logo mais para o campo, onde esteve presente à inauguração official do Estádio.

Os quadros estavam assim constituídos:

Palestra – Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu, Lara e Armandinho (no 2º tempo, Tunga substituiu Dula e o Zica entra no lugar deste).

Bangu – Euclydes; Mario e Sá Pinto; Paulista, Sant’Anna e Médio; Sobral, Ladislau, Tião, Placido e Dininho.

(…)

O Palestra teve uma jornada admirável, não tendo falhado elemento algum, quer da defesa quer do ataque. Iniciando um primeiro tempo trabalhoso e difícil logo que viu cahir a cidadela contraria num lance feliz de Gabardo, o quadro todo passou a agir com grande efficiencia de acção, envolvendo os visitantes numa poderosa ofensiva.

Nascimento, embora tendo feito poucas defesas, agiu com raro brilho. Carnera e Junqueira formaram uma parelha de zagueiros bastante potente e ante a qual vinham morrer os esforços dos atacantes banguenses. O ponto alto da defesa palestrina residiu na linha média, que teve uma actuação soberba do princípio ao fim.

Tanto Dula como Tunga e Tuffy cortavam todas as investidas operadas pelos ataques cariocas. Da linha de ataque, não há nomes a destacar, porquanto os cinco homens, sob o comando de Romeu, agiram de maneira a enthusiasmar a assistência, quer nas escaldas e no controle do balão, quer nos tiros à meta.

Lembramos, então, a vitória do Palestra por 6 a 0 contra o Bangu em 1933, quando foi reinaugurado o Parque Antarctica.

O estádio passou novamente por grandes reformas nos anos 1960, como já mostramos em outra coluna, e, agora, dará lugar à Nova Arena, que será a nossa nova morada.

Só mais uma coisa… Procurei bem para ver se em 1933 já não tínhamos algumas figuras, que parecem eternas, reclamando de alguma coisa, mas não encontrei. Deviam existir, claro, mas o jornal, pelo menos, só destacou o bom futebol apresentado pelo líder daquele campeonato. Na maioria dos casos, assim que deveria ser…

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

A Copa do Brasil de 1998 abriu caminho para a Libertadores de 1999

19 de fevereiro de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

A conquista da Taça Libertadores da América de 1999 começou em 1998, quando o Palmeiras venceu a Copa do Brasil. Vamos relembrar a campanha do Verdão nesse campeonato e, principalmente, o jogo final, emocionante, que nos deu o título.

Confira os jogos do Palmeiras até chegar à final:

Fase Preliminar
27/01 – CSA 0 x 1 Palmeiras
01/02 – Palmeiras 3 x 0 CSA

Primeira Fase
10/02 – Ceará 1 x 1 Palmeiras
18/02 – Palmeiras 6 x 0 Ceará

Segunda Fase
10/03 – Botafogo 2 x 1 Palmeiras
24/03 – Palmeiras 1 x 0 Botafogo

Quartas-de-Finais
07/05 – Sport 0 x 2 Palmeiras
12/05 – Palmeiras 1 x 1 Sport

Semifinais
19/05 – Palmeiras 1 x 1 Santos
23/05 – Santos 2 x 2 Palmeiras

O adversário da final era o Cruzeiro, que havia nos derrotado na decisão de 1996, em pleno Palestra Itália. Era a hora da revanche.

O primeiro jogo foi em Belo Horizonte, no Mineirão, no dia 26 de maio. O Cruzeiro venceu por 1 a 0, gol de Fábio Júnior aos 26 do primeiro tempo. O resultado era ruim, pois obrigava o Palmeiras a vencer por 2 a 0 no jogo de volta.

A partida decisiva foi realizada num sábado, dia 30 de maio, no Morumbi. A Folha de S. Paulo do dia registrou na última página do caderno de esportes: “Faltas podem decidir Copa do Brasil”.

Se depender do retrospecto recente dos principais torneios brasileiros, a final da Copa do Brasil, hoje, às 16h, entre Palmeiras e Cruzeiro, no Morumbi, pode ser decidida nas faltas.

A Folha realizou levantamento de números contabilizados pelo Datafolha de 17 decisões de torneios nos anos 90, entre Campeonatos Brasileiros, Paulistas e Torneios Rio-São Paulo.

Dessas, ficaram com o título 12 times (70,5%) que pararam mais o jogo por meio de faltas.

Veio o jogo! E ele foi decidido com uma cobrança de falta…

O Palmeiras venceu e sagrou-se campeão da Copa do Brasil de 1998. Vamos ler trechos da resenha da partida que a Folha de S. Paulo publicou no dia seguinte, domingo, 31 de maio, na matéria “Palmeiras venceu Copa do Brasil inédita”.

O Palmeiras conquistou pela primeira vez a Copa do Brasil ao vencer o Cruzeiro por 2 a 0, ontem à tarde, no Morumbi, com gols de Oséas e Paulo Nunes.

No primeiro jogo, em Belo Horizonte, o Cruzeiro havia vencido o time paulista por 1 a 0.

O título credencia o Palmeiras a disputar a Taça Libertadores da América em 1999.

Com a conquista, o time vingou 1996, quando, no Parque Antarctica, o Cruzeiro ganhou por 2 a 1 e foi o vencedor da competição.

Infelizmente a reprodução da edição está prejudicada e não conseguimos postar o texto na íntegra. Mas dá para fazer um resumo do jogo, já que boa parte dos lances ainda está em nossas memórias.

O Palmeiras fez o primeiro gol logo no começo do jogo, aos 12 minutos do primeiro tempo, com Paulo Nunes. Parecia que seria fácil, mas não foi. O Cruzeiro estava bem fechado e oferecia perigo em alguns ataques, além de se garantir na defesa.

No segundo tempo, o Palmeiras continuou tentando, mas não conseguia furar o bloqueio azul. Só que no finalzinho do jogo, aos 43 minutos do segundo tempo, quando a torcida já se preparava para os pênaltis, pois o Palmeiras repetia o mesmo placar do primeiro jogo, veio uma falta que Zinho cobrou.

A bola veio baixa, o experiente goleiro Paulo César bateu roupa e soltou a bola, molhada, pois havia chovido. Oséas, centroavante oportunista, chegou na corrida e chutou pro lado que deu. O gol pode ser considerado daqueles ‘espíritas’, porque vendo o lance não dá para entender como entrou… Na transmissão, Cléber Machado definiu o chute como “mágico”, “gol meio sem ângulo, na vontade e na força de Oséas”. Os jogadores do Cruzeiro não acreditavam, enquanto Oséas foi comemorar com a torcida.

O que importa é que entrou e, dessa forma, fazendo 2 a 0, o Palmeiras sagrava-se campeão da Copa do Brasil. Festa no Morumbi, festa dos palmeirenses de todo o Brasil, mais um título no currículo e vaga na Libertadores de 1999 garantida – naquela época não era tão fácil como hoje, pois apenas o campeão da Copa do Brasil e o campeão do Brasileiro se classificavam.

O Palmeiras de Luiz Felipe Scolari jogou com Velloso, Neném, Cléber, Roque Júnior e Júnior; Galeano, Rogério, Alex (Arílson) e Zinho; Paulo Nunes (Almir) e Oséas (Pedrinho).

Já o Cruzeiro jogou com Paulo César, Gustavo, Marcelo Djian, Wilson Gottardo e Gilberto; Valdir, Ricardinho, Marcos Paulo e Elivélton (Giovanne); Bentinho (Caio) e Marcelo Ramos. O técnico era Levir Culpi…

Essa foi a história do Palmeiras na Copa do Brasil de 1998. Mais um título da época de ouro da Parmalat e o início da caminhada para a conquista da América de 1999.

Como não poderia deixar de ser, ainda mais com Felipão no comando, o título veio sofrido, com gol nos acréscimos. Mas assim, dizem, é mais gostoso. E, não importa se com gol no começo do jogo ou nos acréscimos, um gol de placa, ou de canela, ser campeão é bom demais!

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Em 1981, Placar destaca o crescimento da torcida do Palmeiras

12 de fevereiro de 2012 por @parmerista  
Postado em: História, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Em 1976, após uma série de memoráveis conquistas nas décadas anteriores, o Palmeiras venceu o Campeonato Paulista. Viria, em seguida, um longo jejum, que seria quebrado apenas em 1993, justamente contra seu maior rival, para alegria da nação alviverde.

A revista Placar de 20 de março de 1981 (naquela época era semanal) trouxe como chamada de capa uma foto de dois torcedores do Palmeiras comemorando um gol no alambrado e a chamada: Mania de Verdão.

O texto explicava que, apesar do jejum de títulos, que já durava cinco anos, o time estava levando mais gente ao campo do que o SCCP, por exemplo, e a torcida crescia a passos largos, inclusive fora da colônia italiana.

Leia a matéria de Maurício Cardoso na íntegra:

Há algo de verde no futebol de São Paulo além da grama dos estádios. Primeiro foi no Parque Antártica, depois no Pacaembu, logo, será no Morumbi. Não há recorde que resista. Tudo vai ficando verde, como a camisa do Palmeiras, como as bandeiras de sua torcida.

Apesar da Taça de Prata, o Palmeiras é hoje um dos líderes em arrecadação da Copa Brasil. Ainda perde para o Flamengo, é verdade: 37 contra 35 milhões. Seus jogos realizados em São Paulo, contudo, têm média de público superior aos do Flamengo no Rio: 26 mil contra 23. E a plateia do jogo contra o Internacional, quarta-feira à noite, no Pacaembu – 46 425 pagantes – é uma das três maiores do Campeonato.

A torcida do Verdão está com tudo. Sua presença nos estádios supera a da outrora fiel corintiana e a de outros clubes ditos populares, como Atlético Mineiro e Internacional. E não se diga que a diferença está no desempenho das respectivas equipes. O Santos tem obtido bons resultados, o São Paulo montou verdadeira máquina – e nem por isso atraíram mais torcedores.

Pois é. A turma do Verdão está com tudo e não está prosa. Perplexa, isso sim, e como todo mundo se perguntando: afinal o que anda acontecendo com a torcida do Palmeiras?

Simplesmente, o palmeirense começou a se liberar. Nos últimos tempos, ele viveu situações extremas e, de certa forma, anormais. Em 1974, dizia-se que havia se enfastiado pelo excesso de conquistas e nem demonstrava mais entusiasmo para novas comemorações.

Mal sabia ele que aquilo marcava o fim de uma época. Em 1980, então, o palmeirense acabou por se entediar outra vez. Agora por motivos opostos, com a sequência interminável de crises e fracassos que levou seu time ao vexame de um 16º lugar no Campeonato Paulista e à sofrida humilhação do rebaixamento para a Taça de Prata.

Antes orgulhoso, algoz dos adversários por causa de seu sentimento de superioridade, ele acabou se tornando o alvo preferido da gozação dos concorrentes. Jamais uma torcida de time grande passou por provação semelhante.

O ano de 1981, contudo, marca o renascimento do Palmeiras. Com trabalho sério, foi montado um time modesto, mas lutador e eficiente. E o palmeirense resolveu apoiar esse time, empurrá-lo para cima da Taça de Prata e se possível transformar essa travessia num acontecimento.

Consciente, ele sabe que o time não é nenhuma seleção. Vê defeitos na defesa e meio-campo, sonha e espera reforços. Mas aceita a situação. Aplaude o jovem Osni, o experiente Vítor Hugo, o discreto Darinta, o irrequieto Romeu, o esforçado Baroninho com entusiasmo igual ao que em outros tempos incentivou craques como Romeu Peliciari, Jair da Rosa Pinta, como a inesquecível Academia, ou a sagrada dupla Dudu-Ademir da Guia. Não importa que o time atual seja até mesmo frágil. Importa apenas aquela camisa verde e aqueles homens que indiscutivelmente estão lutando por ela.

Hoje o palmeirense está aplaudindo mais uma intenção do que uma realidade. Como a intenção dos que se propuseram a reerguer o Palmeiras lhe parece boa, só tem aplausos, mesmo se os fatos não correspondem à expectativa.

Acredita tanto em tal intenção que chega a confundi-la com a realidade, criando suaves ilusões que morrem depois de um resultado negativo para ressurgir à véspera do próximo jogo. Por isso o palmeirense não vaia. Porque não se vaia uma boa intenção. E também porque tudo que tinha de ser vaiado já foi devidamente execrado nos dias negros de 1980. O sofrimento e a humilhação estimularam a solidariedade entre eles e, enfim, arrefeceu sua agressividade contra os adversários. Talvez nem seja por gentileza, mas por puro egoísmo. Ao palmeirense hoje só interessa o Palmeiras e seu rico mundo.

E aí – em sua busca de identidade – está mais um segredo da verdemania. Corintiano é povão, são-paulino é elite, santista é garotada, e palmeirense o que é? Errou quem disse que é italiano, pois o ex-Palestra cresceu demais para ser apenas time de uma colônia. Basta comparar sua torcida com a da Portuguesa para sentir a diferença.

O Palmeiras é o time dos italianos, mas, como o Santos, é também o time das novas gerações, dos que nasceram ou chegaram a São Paulo nos anos 60 e 70, época de grandes glórias e grandes times palmeirenses a cativar simpatias. Essa nova composição da torcida fica bem definida na sua distribuição pelo estádio. Nas sociais, la buona gente; nas arquibancadas e gerais, o novo palmeirense: migrantes nordestinos, garotos de até 20 anos e o novíssimo torcedor de origem nipônica.

Para estes, a história do Palmeiras começa agora. Com luta e heroísmo, como convém aos primeiros dias. E eles não querem perder a oportunidade de participar.

Como sabemos, esse time simples, mas cheio de boas intenções, como disse Placar, não conquistou nada, ao contrário, é lembrado até hoje pelas decepções. A década de 1980 foi uma dura provação para os palmeirenses, sejam das antigas ou das novas gerações. Os verdadeiros palmeirenses passaram por tudo isso e colheram as glórias nos anos 1990, bem como aturam os acontecimentos dos últimos anos e esperam por tempos melhores já em 2012.

Isso demonstra que nossa torcida que canta e vibra tem muito valor, porque nunca fomos os famosos ‘modinhas’. Não acompanhamos o time em virtude de modismos ou determinados jogadores, mas, sim, acompanhamos a Sociedade Esportiva Palmeiras. Não abandonamos o time nas situações difíceis e nas inúmeras crises – muitas vezes temos essa vontade, mas logo passa e estamos prontos para o próximo jogo.

Com força e união, estamos participando de movimentos importantes, como as Diretas Já, fazendo de tudo para inibir a ação daqueles que pensam em si próprios antes de qualquer coisa ligada ao bem do time.

Um brinde e uma saudação especial à torcida do Palmeiras, da qual, com muito orgulho, eu faço parte.

É isso aí, galera verde!

* Thell de Castro é jornalista e publica todas as semanas uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

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