Crítica: Manual de Identidade Visual da SEP
4 de maio de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
Por Gustavo Cavalheiro*
Antes de começar a falar sobre o arquivo do Manual de Identidade Visual da Sociedade Esportiva Palmeiras que foi divulgado na última semana, gostaria de deixar claro alguns pontos:
- não se trata de uma crítica pessoal aos criadores e gestores da “marca” Palmeiras;
- não se trata de uma questão subjetiva de gosto ou afinidade visual ao estilo A, B ou C;
- este texto não está baseado em uma única opinião, pois foram chamados para o debate alguns profissionais do Branding, tanto na questão do Marketing, como principalmente no tocante ao Design.
Este texto é longo, mas importante e espero que ele possa ser considerado sem melindres.
Isto posto, primeiramente devo ressaltar que estamos falando de uma marca legendária – e do tipo mais legendário que poderia haver no Brasil: uma marca de time de futebol, o sonho de todo desenvolvedor e gestor de marca.
Não se trata de um logo de margarina, uma marca de empresa aérea ou o processo de gestão da imagem de um sabão em pó. Estamos falando de elementos identitários fundantes de uma nação de mais de 18 milhões de corações que vivem e (infelizmente) alguns morrem por essa bandeira, no sentido mais tribal da cultura e da sociedade do início de novo milênio.
O que causa um tremendo espanto aos olhos acostumados a lidar com manuais de marca de clientes e com trabalhos de alunos em término de curso é o nível técnico pouco apurado na feitura deste arquivo que demonstra uma falta de investimento do clube em algo vital para sua manifestação midiática.
Confidencio que ao iniciar conversa com o diretor de criação, palmeirense, Carlos Alves Júnior, para mostrar o arquivo, ele partiu de uma constatação que dá o tom da crítica que aqui se inicia:
“em primeiro lugar uma pergunta…isso é sério? é oficial? Jesus!”
Fica evidente que a técnica para layoutar o arquivo transparece o uso (de baixa capacidade) de softwares não indicados para um trabalho deste porte e importância. Sim, já ganhei um considerável dinheiro nesta vida às custas do bom e velho Corel Draw e não é agora que vou julgá-lo, mas estamos falando de Palmeiras, meu povo! Uma marca mais valiosa (em termos de potencial de mercado) que a Vale e a Petrobrás juntas. Este uso da ferramenta como o “meio de criação” e não “como um modo de materialização” do que foi criado pode gerar impactos em elementos importantes da marca, como, por exemplo, a tipologia.
As fontes da família Myriad são padrão do sistema operacional Windows; e ao desenvolver um manual para uma grande marca, um bom designer e/ou criador evitaria de toda forma esta escolha e buscaria as referências atuais, teria uma fonte primária e uma fonte secundária para grandes fluxos de texto. Estudaria a tipologia para que ela possa atender as diferentes demandas de quantidade de texto e de mídia a ser aplicada.
A fonte utilizada na tagline Campeoníssimo (p.3) tenta trazer um grafismo mais manuscrito e pessoal como em uma assinatura, mas outra vez acaba pecando na escolha de uma fonte padrão do computador que faz com que se torne algo comum, banal e muito visto por aí. Para Carlos Alves, “parece uma tipologia digna de uma cantina decadente de alguma esquina do Bexiga.”
A escolha da fonte em si até poderia ser encarada como boa ou má, dependendo do repertório e da subjetividade do cliente, mas antes de simplesmente sair pondo uma fonte, nós devemos nos perguntar: agrega algum valor? Remete a origem do clube? Aponta o futuro para onde queremos ir? Estas perguntas geram perguntas anteriores e mais importantes, que claramente não foram feitas para a realização deste arquivo:
- Qual é a intenção da marca ao ser usada?
- Existe um conceito ou tema primário ou secundário no uso da marca?
Este é um fator que também chamou a atenção dos profissionais consultados. A marca está “fria”, faltou um pouco mais da história do clube, seus elementos tangíveis e intangíveis, a descrição da sua alma, para então transmitir a pregnância dos seus valores em termos de design com imagens que ajudassem a traduzir o que é Palmeiras e construir um “Palestrismo” e/ou “Palmeirismo” enquanto visibilidade, além de expor e divulgá-los em termos de marketing em uma missão e visão.
Hoje em dia, os estudos sobre marca indicam que o nível de relacionamento entre o antigo cliente (atual usuário) e a marca é o principal fator de valoração (que é diferente de valorização) e um Manual de Marca deve apontar, explorar e conceituar essa relação.
Continuemos com a parte técnica do arquivo ao falar do grid, Carlos Alves esgota o assunto em:
“um grid ou ´malha construtiva´ que não ajuda ninguém a construir nada pois não possui nenhuma referência. 1X (ou um quadrado do grid), equivale ao quê? Nada…”
Realmente é um grid de 14×14 , mas que na sequência (página seguinte) se mostra como uma possibilidade sem regra. Faria mais sentido ter um 10×10 ou 20×20 ou necessariamente uma definição do grid de acordo com alguma proporcionalidade dentro do logo.
Na assinatura horizontal (p.5) temos 28×9 e na vertical 19×9 (!??) que não fazem qualquer relação matemática com 14. Seria uma proporcionalidade baseada nos números de Lost 9 14 19 28?
“As assinaturas são apenas corretas, mas a tipologia escolhida nada tem a ver com o logo, seu estilo ou sua forma de design. Uma escolha no mínimo equivocada para não dizer preguiçosa.”
Carlos Alves
E ao falar de logo e logotipo, outro elemento que denuncia a falta de prática com o mercado está na página 11, onde bem apontou meu ex-aluno e designer, Ícaro Batista no uso da palavra LOGOMARCA. Termo banido até no manual da ADG por não fazer sentido (vide http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/529977_436235576392930_147422488607575_1889489_2049029359_n.jpg)
As cores são um caso à parte. Certa vez, creio que em 1992, no lançamento da primeira camisa da Parmalat, tive uma grande discussão com um amigo palmeirense sobre qual é o verde do Palmeiras. Para mim é evidente que o verde do Palmeiras é o tom conhecido como “verde bandeira”, mas qual bandeira, do Brasil ou da Itália? Segue a discussão e eu, ainda um estudante de segundo grau com desejo de ser publicitário, lá pelas tantas citei o vermelho Ferrari. Não há dúvidas que o vermelho Ferrari não é o vermelho do McDonald’s, do Mackenzie ou o vermelho do Bradesco. Anos depois descobri que a cor da Ferrari é amarela e o vermelho Ferrari é mais um produto e não sua marca, mas mesmo assim ele existe enquanto um patrimônio da marca.
Que cor é o verde do Palmeiras, se o Palmeiras pode usar o verde mais amarelado de 92, um mais escuro como nos 80 e um mais “fosco” como vem usando desde 2000? Qualquer verde colocado no Palmeiras deixa de ser o verde X e vira mais um “verde-Palmeiras“? O caso da camisa fosforescente é o dado a ser pensado. Podemos estar sendo mais realistas que o rei?
O que diz o estatuto do clube? No Título X – Dos Símbolos e Uniformes: Artigos 138 até 145 só utilizam a palavra VERDE e como um estatuto é a lei interna, tal qual o Manual de Identidade de Marca é a lei para uso da marca, estamos focados em compor em VERDE sem mais explicações.
Assim sendo, o Pantone Têxtil Verde 000 pode ser uma boa referência para definir a nossa cor, mas as traduções feitas para os demais padrões de cores mostram que foram feitas em algum programa de computador e não com as escalas de cores na mão (fato essencial) ou com a ajuda de algum produtor gráfico, visto que a escala CMYK quebra a cor em 100 – 0 – 91 – 42
Este é um erro comum, pois muitos acreditam na calibragem de telas/monitores (RGB) e scanners para definir uma cor em CMYK ou Hexacromia e Pantone. Tratam-se de lógicas de cor totalmente diferentes entre a cor por luz RGB (aditiva) é e a cor por pigmentação CMYK (decompostiva).
Pior: acredito seriamente que este arquivo não é o final, pois como apontou Carlos Alves, a escala de cores para vinil sequer foi citada. E se não foi feita, para que ela aparece no manual?
Nas regras de aplicação temos mais perguntas que respostas e em um manual de marca isto pode ser fatal entre o que estava “acertado” e o que foi “feito”. De início a área de proteção aponta o último fio branco, sem que ele apareça. A proporcionalidade da proteção e a divisão do distintivo não tem regra/motivo aparente. Em 6 partes, assim como o grid foi em múltiplo de 7 (14) e os demais números de Lost. Existe algum elemento gráfico no distintivo que possa ser a medida para quem não tem uma régua ver a proteção do logo? Use um símbolo, uma das letras, uma das estrelas ou qualquer coisa como a medida para demonstrar a reserva.
Carlos Alves aponta outros problemas:
“A página Comportamento em fundos diz ´Consulte a tabela de cores recomendadas ou entre em contato com a Sociedade Esportiva Palmeiras que poderá fornecer as informações necessárias´. Para que serve esta seção do Manual se ela não tira TODAS as dúvidas sobre a aplicação do logo em fundos coloridos? Devo ligar ou mandar e-mail para o Marketing toda vez que quiser saber como usar a marca em algum fundo colorido? E a aplicação da marca em fundos com cores múltiplas? É permitido? Proibido? Em quais circunstâncias?”
Por sinal é interessante ver na página 10 a exemplificação da exceção (e não excessão, como está escrito no manual) no fundo azul da página 9. Qual o motivo deste manual? Facilitar a compreensão do uso por parte dos fornecedores ou provar que quem manda é o departamento que o gerencia?
Depois da exceção com SS, gostaria de dizer que medidas não declinam em plurais. 1 cm, 1000 cm e nunca cms (p.11). Tomara Deus que este arquivo seja apenas um pré-pré-pré-estudo do assunto e que em algum momento algum responsável interferirá positivamente.
O fundo institucional está muito poluído de informação, vejam os fundos dos sites e papéis de parede do Milan, Barcelona e demais grandes clubes do mundo e pensem se aqueles fundos fazem sentido. Na nossa mídia palestrina temos imagens muito melhores que aquelas, que por sinal não parece em nada com um fundo, mas sim um papel de presente da lojinha do clube. Além do que, temos poucas opções de criação de fundos no manual e são apenas sugestões por que aqui também devemos entrar em contato com o departamento.
Na página Bandeira Oficial está definido que todas as proporções devem ser mantidas e respeitadas. Que proporções? Apenas esse 3×2, mas quanto é o 1? Onde estão especificadas? Qual a relação deste 1 com o distintivo?
A papelaria se restringe ao cartão de visitas, mas qual deles é o cartão correto? Não existe possibilidade de haver nove tipos diferentes de uma mesma peça. Quais as descrições de uso, acabamento gráfico, verso? Onde estão as demais peças?
Em qualquer busca mais aprofundada na rede encontra-se manuais de clubes do mundo todo, de diversas ligas e de diferentes esportes. Quando comentei na rede que até um aluno meu faria algo melhor, não estou mentindo. Este caso não foi meu aluno, mas elucida bem a diferença entre o que vergonhosamente o nosso clube apresenta como oficial e um trabalho de conclusão de faculdade: http://issuu.com/jeffsantos/docs/jefferson.santos_tcc
Sentiram a diferença? Façam essa lição de casa que os autores e gestores provavelmente não fizeram e busquem mais manuais de identidade (busquem pelas palavras: brand guidelines id) e encontrarão inúmeras marcas de eventos esportivos, federações, cidades, governos e muitas empresas que dariam a alma para ter “consumidores” tão dedicados como cada palestrino que nasce sobre o peso de ter de aguentar as ações mais simplórias do nosso grandioso clube.
*Gustavo Cavalheiro, publicitário, designer, mestre e doutorando em comunicação e semiótica, professor universitário (FMU e Uniesp), sócio remido e palestrino acima de tudo.
LINKS
Empresas de design e seus portifolios
Dicas para os autores e gestores do Palmeiras
Identidade visual
27 de abril de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
O departamento de marketing do Palmeiras desenvolveu, ainda sob a gestão de Rubens Reis, um Manual de Identidade Visual a ser adotado pelas redações mundo afora. No dia 10 de fevereiro o Verdazzo publicou o visual final do brasão do clube readequado. Como não havia sido oficializado, ainda não foi possível até agora ver em nenhum jornal, revista ou canal de televisão o brasão em sua nova versão.
O novo manual foi finalizado e finalmente disponibilizado pela assessoria de imprensa. Todos os torcedores e profissionais podem ter acesso neste link: http://assessoria.palmeiras.com.br/IMAGENS/Palmeiras_Manual-Identidade-Visual.pdf.
Parabéns a todos os responsáveis por um passo importante na modernização do clube. Na verdade, trata-se de um passo básico, já precisaríamos estar bem mais à frente. Mas é um começo.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Nova vaquinha à vista!
24 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Humor, Marketing, Verdazzo
Essa eu quero ver!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Boicote palmeirense
22 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
No início desta semana, a Rede Globo divulgou a tabela dos jogos do primeiro turno do Brasileirão a serem transmitidos ao vivo pela TV aberta e pela TV a cabo. SCCP, CRF e SPFC, respectivamente, alcançaram 13, 11 e 10 partidas transmitidas pela TV aberta. O Palmeiras ficou com apenas quatro.
Há várias teorias acerca desta quantidade ínfima destinada ao Palmeiras. Há quem diga que é represália da Globo diante de supostas baixas audiências. Há quem diga que o castigo é por ter peitado a emissora no início do processo de definição dos direitos de transmissão. E há a teoria da espanholização – a Globo estaria buscando fortalecer CRF e SCCP e assim bipolarizar os favoritos ao campeonato, transformando todos os outros em Atléticos de Madri.
Todas as teorias têm sua dose de razão e suas maluquices. Mas o que preocupa mesmo são as consequências. Ter poucos jogos transmitidos na TV aberta de fato interrompe a exposição, que é um dos fatores mais importantes para se amealhar novos torcedores – e uma torcida numericamente significativa é um dos principais trunfos na hora de se negociar bons patrocínios, além das rendas adicionais decorrentes da venda de produtos licenciados. Não ter o jogo na TV aberta significa ter menos respeito dos adversários, dos juízes e da imprensa.
O presidente Tirone já declarou que ficou indignado com a lista e que ligou na Globo. Recebi por e-mail uma das possíveis transcrições da conversa. Pode não ser a verdadeira, mas ficou bem engraçada:
- Alô, é da Globo?
- Pois não…
- Aqui é o Arnaldo, queria falar com o Marcelo, o que manda na CBF.
- É ele… mas que Arnaldo está falando?
- O Tirone. Do Palmeiras (ouve-se uma voz ao fundo: “deixa quieto, Pituca! O Palmeiras não é novela para passar na Globo todo dia!”).
- Ah, o B1? Tudo bem?
- Mais ou menos, viu… olha, vi a tabela de transmissão do primeiro turno e não gostei. Vão passar só quatro jogos nossos!
- Entendo. Faz o seguinte, manda um e-mail pro Xunda. Anota aí: x-u-n-d-a-@-globo.com.
- OK, anotei. Mas quem é esse Xunda?
… e aí caiu a linha.
Piada à parte, na verdade, nosso presidente não tem muito o que fazer agora – devia ter feito o trabalho de forma preventiva há alguns meses. A Globo/CBF, neste momento, não vai ceder a pressões de clubes insatisfeitos porque estes simplesmente não têm nenhuma carta na manga para que a pressão surta qualquer efeito.
Quem pode fazer alguma coisa somos nós, torcedores. Ainda há dois meses para o início do campeonato, e essa tabela de transmissão ainda pode ser alterada. E a única coisa que pode incomodar a Globo é a pressão de quem os sustenta: seus patrocinadores.
Assim, a ideia neste momento é estabelecer uma cadeia de pressão, sobre os patrocinadores do pacote futebol da Globo em 2012: Itaú, Vivo, Coca-Cola, Ambev, Johnson & Johnson e Volkswagen. Nada contra essas empresas – mas elas devem sentir a insatisfação da nossa torcida e saber a causa. Só assim o telefone do tal Marcelo [Campos Pinto, o maior responsável pelo horário de jogo às 22h, o linha de frente da Globo na relação com a CBF] vai tocar e ele vai atender com respeito.
Para isso, o palmeirense tem que ser duro, e recusar qualquer produto ou serviço vindo dessas empresas. Em dois meses, se suas vendas caírem cerca de 8 a 10% por causa da torcida do Palmeiras, eles não vão ficar quietos e a tabela poderá, sim, ser mudada.
O torcedor palmeirense deve fazer todo o barulho possível nas redes sociais reclamando junto a essas empresas por apoiarem financeiramente essa atitude da Globo. Eles têm que saber por que estão apanhando – e atualmente os barulhos feitos em redes sociais incomodam muito os executivos dessas grandes empresas – tanto quanto uma queda vultosa no faturamento.
Divulgue este post para todos os palmeirenses que você conhece. Vamos subir a hashtag #boicotepalmeirense. A bola está em nossos pés, vamos pra cima!
Vamos então dar uma passada em cada empresa, seus produtos/serviços e os contatos nas redes sociais, para serem devidamente bombardeados:
Vivo: tenho meu número há 13 anos, mas vou mudar – ainda não sei se para a Oi, Tim ou Claro, mas que vou mudar, vou. A portabilidade dos números tornou este processo bem fácil, basta descobrir qual das operadoras alternativas funciona melhor na sua região. [Twitter / Facebook]
Volkswagen: prestigiar a Kia Motors já seria algo natural nas atuais circunstâncias, mas se por algum motivo você não quer comprar um carro da montadora coreana, escolha qualquer outra – menos, em qualquer hipótese, um carro da VW. [Twitter / Facebook]
Itaú: se você tem uma conta neste que é um dos maiores bancos privados do país, encerre. Não importa se ela tem trocentos anos. Feche, e abra uma conta no Bradesco, Santander, Banco do Brasil, ou qualquer outro. Na pior das hipóteses, limpe a conta corrente e todos os investimentos, e coloque em outro banco. [Twitter / Facebook]
Johnson & Johnson: minha filha já tem quase cinco anos e a esta altura provavelmente só deve usar o xampu, aquele amarelinho – que já não vai mais entrar em casa. De qualquer forma, vou ficar bem atento no supermercado e na farmácia pra não levar NADA que seja produzido pela empresa. [Facebook]
Coca-Cola: eu sei, você é viciado. Deixe de ser, pelo Palmeiras. Beba Pepsi, Guaraná Antarctica, tubaína, ou a melhor bebida não-alcoólica de todas: água. [Twitter / Facebook]
Ambev: a conta é só das cervejas, e não dos refrigerantes. Vai ser complicado boicotar Brahma, Antarctica, Skol e Budweiser. Mesmo assim, ainda sobram pra beber: Heineken, Itaipava, Nova Schin, Kaiser – e daí pra baixo. Aqui vamos ver quem é palmeirense mesmo. [Twitter / Facebook]

E-mail: conrado@verdazzo.com.br
A aritmética é cruel
28 de fevereiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
O projeto de crowdfunding que visa contratar Wesley é um sucesso – pelo menos no que diz respeito à repercussão. Financeiramente, deve chegar a cerca de dez por cento – que corresponde exatamente à comissão que o site MOP – My Own Player vai ganhar pelo serviço prestado.
Isso nos leva a fazer algumas continhas.
Pela regra, se o montante não for atingido, o dinheiro dos doadores é estornado. Eu mudo meu nome para Marcelinho Carioca se a torcida juntar esses R$21 milhões. Mas é sabido que o Palmeiras vai inteirar o montante que faltar ao final dos 28 dias, pois o dinheiro existe. Assim, A MOP vai ter sua comissão de R$2,1 milhões – a não ser que o valor arrecadado não chegue nem aos 10%.
Vamos supor que a campanha perca muito o fôlego inicial – o que é a tendência natural – e o valor arrecadado seja de R$1,6 milhão, abaixo até do valor da comissão. O Palmeiras então compra o Wesley sem usar o sistema, a MOP devolve a grana e fica sem comissão, certo? ERRADO…
A MOP vai garantir sua comissão, LÓGICO, mesmo que abaixo dos R$2,1 milhões, ela mesma inteirando as cotas com R$500 mil, até chegar nos 10%. Em vez de embolsar R$2,1 milhões, ela perde o valor que precisou para inteirar essa quantia. Mas pelo menos ganha alguma coisa. Detalhe: ela não desembolsa nada, já que ela mesma é o agente arrecadador.
Ou seja: pela natureza do sistema, o esforço do torcedor só vai valer se a soma ultrapassar os 10%: R$2.137.800,00. Se o valor ficar abaixo disso, todo e qualquer centavo dado pelos torcedores do Palmeiras só terá servido para pagar a comissão à operadora.
Cruel, não? Não briguem comigo. É apenas aritmética.
Claro que jamais saberemos o quanto foi doado efetivamente por torcedores, e o quanto foi inteirado, a conta-gotas ou numa pancada só, pela MOP. Mas parece óbvio que, de forma natural, a operação não vai atingir os R$2,1 milhões. Foram arrecadados cerca de R$220 mil em 48 horas de campanha – R$110 mil/dia. É claro que essa razão vai despencar com o passar do tempo. Daqui a dez dias, se o volume diário chegar a R$20 mil, será uma vitória. Chegar aos R$2,1 milhões daqui a 26 dias parece muito difícil.
Aí voltamos a continha acima…
Ah, estou sendo pessimista? Não posso afirmar que a tendência é arrecadar menos? Então vamos para outro exercício: vamos supor que a conta chegue a extraordinários R$4,2 milhões, 20% do total. Excelente, não?
Muito bem: como já sabemos, R$2,1 mi é a comissão da MOP. Significa que metade do dinheiro arrecadado pela torcida foi para o sistema. Você doou R$100? R$50 foram para o MOP.
A você, que já fez sua doação, peço desculpas pela crueldade. São apenas números. Continuo achando que quem quer doar, deve fazê-lo. Mas precisa saber exatamente para onde está indo seu dinheiro.
Se a regra não for exatamente esta, o Verdazzo está aberto a qualquer esclarecimento que as partes envolvidas tenham a fazer.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Crowdfunding
27 de fevereiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
No clássico de domingo foi possível notar nas omoplatas dos jogadores o endereço www.wesleynoverdao.com.br. Trata-se de uma ação de crowdfunding para viabilizar financeiramente a compra do atleta junto ao Werder Bremen, da Alemanha.
Crowdfunding é o nome pomposo para a velha e conhecida vaquinha. O SCCP tentou fazer com o volante Cristian, aquele que até gravou um vídeo dizendo que era maloqueiro. O SPFC recentemente tentou fazer com Nilmar. Ambas as iniciativas fracassaram porque a negociação foi vetada pelos clubes detentores dos direitos ou pelos agentes. No caso de Wesley, todos querem que o negócio vingue.
Para que isso aconteça, a meta estabelecida é de mais de R$21 milhões, que seriam suficientes não apenas para os direitos econômicos do jogador, mas também para o pagamento de seus salários por pelo menos três anos. No primeiro dia, foram arrecadados cerca de R$100 mil, em cotas de cem reais. Desses, cerca de R$25 mil vieram concentrados de três abastados torcedores de boa fé.
As doações são feitas através de um sistema chamado MOP – My Own Player. Pelas regras, a doação só se concretiza se a meta for atingida. Mas segundo o jornalista Paulo Vinicius Coelho, a transação já está garantida; o clube já conseguiu os recursos para o fechamento do negócio. O Palmeiras deve completar as cotas restantes ao final do prazo da ação, e ainda pagará 10% de comissão para o sistema MOP.
O crowdfunding é um conceito que já existe há algum tempo e há cases comprovando sua utilidade, principalmente em projetos ligados a ações sociais ou iniciativas de populares. Mas futebol profissional é diferente. Existem outros valores em jogo quando se envolve uma camisa sagrada. Chega a ser quase um desrespeito para com a torcida pedir-lhe dinheiro para contratar jogador. A forma de ampliar as receitas advindas do bolso dos torcedores, além da venda de ingressos e de produtos licenciados, é desenvolvendo um programa de sócio-torcedor honesto e bem-estruturado.
Uma ação de crowdfunding para trazer um jogador só poderia ser aceitável em casos de exceção, do contrário, explicita a falta de capacidade da diretoria, que assim transfere parte da responsabilidade da solução de um problema para os torcedores. Wesley é um bom jogador, mas não tem um apelo que faça com que uma ação dessa seja digna. Fosse um jogador consagrado, aí talvez a exceção se caracterizasse.
Mas o mais reprovável nessa história toda é que comunicação está sendo feita de forma que o torcedor tende a acreditar que está ajudando Wesley a ser jogador do Palmeiras, quando de fato ele só estará amortizando os juros de um fundo que já está garantido. Sem falar que se a arrecadação não atingir 10% do total (R$2.137.730,00), não paga nem a comissão do site, e a transação com vaquinha será mais cara que sem vaquinha – e nesse caso o Palmeiras não completaria as cotas e concretizaria a transação sem usar o sistema MOP – pelo menos é o que reza o bom senso.
Que o Verdazzo não seja acusado de emitir esta opinião por razões políticas. Quando circulou uma informação, felizmente falsa, de que o grupo político oposto ao atual chegou a disponibilizar uma conta no Banco Banif para repatriar Kleber, em dezembro de 2008, o pau também cantou através do blog Parmerista. O que está em questão aqui é o conceito, e não as pessoas.
Por fim, é importante deixar claro que o Verdazzo não desestimula ninguém a fazer as doações. Quem quiser fazer, que faça, será melhor para o Palmeiras. Mas o que deve ficar muito claro é que esse dinheiro não é para comprar o Wesley, e sim para que o clube gaste menos juros bancários numa operação de financiamento. Wesley está garantido. E que fique renovada a cobrança para que o clube reative urgentemente o Avanti, melhorado, de preferência depois de ouvir comissões de torcedores que já se disponibilizaram para tal.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Clube estuda a adequação do brasão
10 de fevereiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
Está sendo divulgado na internet, informalmente, algo que seria o novo brasão do Palmeiras. O novo desenho tem poucas alterações em relação ao que está consagrado pelos usos e costumes, apenas algumas correções técnicas e adequações históricas. Veja abaixo o brasão, como é conhecido atualmente, e como será caso as mudanças sejam aprovadas (clique para ver a imagem ampliada):
Á primeira vista, pouco se percebe de diferente, a não ser que o “P” e o “S” ficaram mais arredondados. Mas fazendo uma análise um pouco mais rigorosa, percebe-se que foi feito uma adequação técnica nas letras, direcionando-as ao mesmo ponto de fuga. Vejam a figura abaixo (clique para ver ampliada):
Outras mudanças, de cunho histórico, foram feitas. O número de linhas dentro do escudo suíço aumentou, de 14 (não há registro do porquê serem 14 linhas, mas pode-se especular que seja pelo ano de 1914, ano da fundação do Palestra Italia) para 26, em referência ao dia de fundação do clube. O aumento do número de linhas faz o fundo do escudo ficar mais “escuro”, realçando o grande “P” – que, aliás, foi outro objeto de reforma. Vejam abaixo:
O desenho atual, olhando-se isoladamente, parece cheio de gambiarras, com linhas tortas e sem harmonia. O redesenho, além de remeter ao “P” do antigo brasão do Palestra Italia, está muito mais simétrico.
O estatuto do clube define seus símbolos da seguinte forma:
TÍTULO X
DOS SÍMBOLOS E UNIFORMESArt. 138 – A SEP tem uma Bandeira, um Galhardete, uma Flâmula de Lapela, um Escudo e um Brasão.
Art. 139 – A bandeira da SEP é bicolor, alvi-verde; sobre o centro de um campo verde, gravam-se dois aros brancos concêntricos e circunjacentes; dentro dos quadrantes inferiores, em caracteres brancos, gótico-germânicos eqüidistantes do aro interno, escreve-se: “PALMEIRAS”; no interior de tais círculos, há outros dois menores, um de cor branca e outro de cor verde, que alcançam mais os quadrantes superiores, à volta de um campo branco nos quais se salienta um escudo suíço, de cor verde, com orla alvi-esmeraldina em cujo frontispício se desenha um “P” maiúsculo, de forma especial, já sancionada pelo uso; entre os aros maiores e os menores, em cada quadrante superior, há quatro estrelas brancas, que evocam o mês de fundação da SEP; há uma banda branca, proporcional, que entrecorta o campo verde em diagonal, da parte inferior da esquerda para a superior da direita, sem fazê-lo nos aros; na parte superior central externa dos dois grandes aros brancos concêntricos, bem acima, será colocada uma estrela na cor vermelha, alusiva à conquista da Copa Rio, e abaixo dela, geométrica e proporcionalmente, serão colocadas estrelas na cor branca, tantas, quantos forem os títulos nacionais conquistados. No reverso, há o mesmo desenho e forma geométrica.
Parágrafo Único – O pavilhão é privativo dos mastros da SEP, contudo poderá desfraldar-se em solenidades, reuniões e competições, em que se manifeste o dever ou a oportunidade de sua presença.Art. 140 – O galhardete guarda, em miniatura, as especificações previstas no artigo anterior, indicado na base do triângulo: “SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS”, em caracteres convenientes; mais abaixo do aro exterior e dele eqüidistante, um cimácio lacrimal, de branco, em um dos quais se grava: “Fundada em 26/VIII/1914” sob estes, próximo de cada extremidade, um modilhão, bordejado de branco. Mais abaixo, em caracteres brancos, escreve-se por extenso, horizontalmente, “São Paulo” e, verticalmente,“Brasil”. Todos os lados do triângulo se tarjarão de branco.
§ 1º – O galhardete poderá ter anverso e reverso, sendo dispensável a banda.
§ 2º – A flâmula é, em miniatura, a reprodução do galhardete.
Art. 141 – O brasão da SEP obedecerá à forma geométrica e ao desenho, com as cores e o “P”, referido no artigo 139.
Art. 142 – Há um escudo de lapela com esmeralda e brilhante, de uso privativo e constante do Presidente da Diretoria, e por este transmissível aos seus sucessores, como símbolo da unidade social e respeito a este Estatuto.
Art. 143 – A antiga bandeira do “PALESTRA ITALIA” deverá manterse em alfaia adequada e seu feitio e impermeável a deterioração e intempéries.
Art. 144 – O brasão, escudo, galhardete e flâmula, em festejos ou decorações recreativas poderão combinar com o “P” referido nos artigos anteriores, com o psitáculo (Periquito), e com a palmeira.
Art. 145 – Observado o que se determina neste Título, compete à Diretoria Executiva superintender o feitio e particularidades:
I. De uniformes, faixas ornamentos ou decorações, atavios, adereços e similares;
II. De insígnias, estandartes, lábaros ou pendões, emblemas, brasões e distintivos, medalhas e figurações congêneres;
III. De correspondências, logotipos, impressos, móveis, utensílios, alfaias, troféus, galhardetes, e semelhantes;
IV. De troféus e lauréis por conferir, nas modalidades desportivas, graduando-os com a significação realce da cada competição.
V. Da posição das cores privativas da SEP, quando possam confundir com as de rival em competições em que o reclamem as leis.
O brasão é definido no artigo 141 pelo desenho que está ao centro da bandeira, por sua vez, definida no artigo 139. A forma do “P” é a “sancionada pelo uso”, ou seja, não há especificações técnicas. O tamanho exato dos círculos, bem como o número de listas dentro do escudo, não obedecem a nenhum critério objetivo. Ou seja, a mudança não fere o estatuto, a não ser pelos tais caracteres gótico-germânicos. Eu não faço ideia se os tais caracteres do escudo novo obedecem a essa orientação, alías, não sei nem se o antigo também o faz. Pesquisando na internet, o que mais se aproxima da descrição desse tipo de caracter está neste documento, na página 172. Admito que fiquei na mesma. Seria preciso o parecer de um especialista em tipografia para encerrar a polêmica.
E é exatamente por este detalhe que o símbolo proposto ainda pode depender de uma alteração estatutária. O marketing do clube alega que a mudança no símbolo é exatamente para fazer uma adequação ao estatuto. Sem conhecimento técnico, com exceção da questão dos caracteres, me parece que o atual se enquadra, assim como o novo. Resta saber se a empresa contratada para executar o serviço (que, aliás, elaborou um meticuloso manual para a nova marca, com especificações e medidas para cada detalhe) levou em conta tudo isso.
O atual brasão é maravilhoso. Suas imperfeições técnicas não tiram sua beleza e magnitude. O centenário do clube se aproxima e uma mudança no brasão, para marcar a passagem, não é má ideia. Mas nesse caso, algo a se pensar seria uma mudança radical, um brasão diferente conceitualmente, que servisse como um marco da modernização do Palmeiras, que viesse lado a lado com o surgimento da Nova Arena. Seria a marca do Palmeiras do segundo século, um tapa na cara dos velhos conselheiros, mas também na cara da tradição. Sem dúvida, uma baita polêmica, nem eu mesmo sei se sou a favor ou contra.
A atualização proposta é apenas uma correção do que já existe, é mais do mesmo. Pessoalmente, acho essa atualização desnecessária, mas também não acho ruim. De fato as linhas ficaram mais harmônicas, simétricas. Por outro lado, já não é o símbolo que aprendemos a amar desde crianças. Há prós e contras. De toda forma, há que se fazer uma rigorosa verificação com relação ao que determina o estatuto, com parecer técnico reconhecido. Ou então, que se altere o estatuto.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Futebol + MMA. É uma boa para o futebol?
2 de fevereiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
A vitória do americano Chael Sonnen sobre Michael Bisping no último final de semana o credenciou para desafiar Anderson Silva pelo cinturão dos médios do UFC. A luta deve ocorrer em São Paulo, em data a ser anunciada. O brasileiro tem o apoio oficial do SCCP, de quem é torcedor declarado.
Sonnen, um boquirroto, tem uma estratégia peculiar de auto-promoção. Ao melhor estilo Muhammad Ali, diz que vai fazer e acontecer, que vai derrubar todo mundo. Só que Ali derrubava mesmo. Sonnen é um bom lutador, mas convenhamos, Silva está muito mais próximo de poder falar um monte por aí que o americano.
Sonnen também costuma usar uma espécie de repulsa a brasileiros como forma de apimentar sua relação com o público. Como se não bastasse, o americano foi pego no antidoping exatamente na luta em que perdeu para Silva, em 2010, quando dominou a luta toda e perdeu por acabar levando um estrangulamento a poucos segundos do fim da luta, e amargou uma longa suspensão.
Como se não bastasse tudo isso, para aumentar ainda mais a expectativa sobre sua luta com o brasileiro, Chael Sonnen inventou de se declarar palmeirense. Quando mencionou isso pela primeira vez, disse que torcia pelo “Palares”. Palarense desde criancinha. O Palmeiras, através de seu departamento de marketing, fez uma espécie de apoio simbólico ao lutador, enviando-lhe uma camisa oficial, que ele usou para fazer um video promocional onde esmaga um boneco vestido com a camisa do Marcelinho Carioca. É um figuraça, disso não resta dúvida.
Outros lutadores também são apoiados por clubes de futebol. Inter, Flamengo e Vasco já adotaram atletas de MMA, buscando valorizar suas marcas. Mas a discussão precisa ser ampla. Afinal, até que ponto é positivo para os clubes de futebol o envolvimento com MMA, e mesmo com outras modalidades esportivas? E o Palmeiras, acertou em apoiar Chael Sonnen, diante de todo esse cenário?
O Verdazzo consultou três especialistas no assunto para darem seus pareceres sobre o assunto, e dar mais elementos para que você, leitor, formule seu próprio julgamento. Duas perguntas foram feitas a Erich Beting, editor do site Máquina do Esporte; Fábio Kadow, autor do site Jogo de Negócios e Luís Fernando Tredinnick, colunista do Terceira Via Verdão. Confira abaixo.
De uma coisa o Verdazzo já tem certeza: se fizerem esse evento aqui em São Paulo, envolvendo Sonnen x Silva, Palmeiras x SCCP, ou fazem um fortíssimo esquema de segurança, tanto para o lutador americano, quanto para quem for assistir ao evento no local, ou teremos sérios problemas…
1) O que vocês acham do envolvimento de clubes de futebol no apoio a lutadores famosos de MMA?
Erich Beting: Acho uma bobagem essa associação. O clube não ganha absolutamente nada com isso. Sua base de torcedores não aumenta por conta disso, muito menos a geração de receitas. No final das contas, fica com cara de um oportunismo do clube em patrocinar um atleta sem ter um projeto realmente para ter, pelo menos, uma escola de MMA a ser oferecida a seus associados.
Fábio Kadow: O que ocorreu nestes acordos assinados no ano passado foi uma tentativa de popularização de uma modalidade que já existe há muito tempo e só nos últimos meses que conseguiu um reconhecimento da população e da mídia. Esta mesma estratégia foi feita já por outras modalidades, como a natação (Flamengo com Cielo), atletismo (Maurren no SPFC), etc, etc… numa tentativa de conseguir este reconhecimento, espaço na mídia e, consequentemente, melhores contratos de patrocinio.
Então, se este apoio do clube é real para o atleta, dá suporte, tem interesse em desenvolver a modalidade, o clube tem tradição em apoiar outros esportes e não quer apenas “surfar” uma onda”, tem um plano de comunicação e marketing… acho qu epode ser interessante, seja no MMA ou qualquer outra modalidade.
O Palmeiras é reconhecido por grandes times de volei, basquete, hoquei, ou modalidades como judô e até o boxe, porém todos estes estão esquecidos e o último apoio que tinha a um grande atleta acabou com a não renovação do projeto do Flavio Saretta no tênis.
Luís Fernando Tredinnick: como acho que futebol é uma marca, associar essa marca a outros esportes não traz nenhum benefício direto ao clube. Principalmente porque as mensagens a serem passadas por outros esportes geralmente são distintas das mensagens do futebol. Por exemplo, o Hugo Hoyama representar o Palmeiras no tênis de mesa não tem o mesmo apelo que a emoção do futebol gera. Afinal, o tênis de mesa é esporte de técnica e concentração…
Pessoalmente acho que deveríamos associar o futebol com outras idéias. O jeito moleque e brincalhão do Neymar tem muito mais apelo do que dois caras de shortinho se batendo até sair sangue. O que vai durar mais, a fama do Anderson Silva ou a fama da Luísa que foi para o Canadá? Se pensarmos em montar uma marca de longo prazo, essa é uma questão importante.
2) o que vocês acharam do apoio da diretoria do Palmeiras, mesmo que distante (limitado a apenas o envio de uma camisa oficial), a Chael Sonnen?
Erich Beting: Acho que foi tão infeliz quanto o estardalhaço que o atleta quis provocar em torno disso. Não existe a menor associação do clube com o Chael e com a modalidade em geral. Lembrou muito o episódio do Atlético-MG entregando bandeira do clube a vencedores quenianos da São Silvestre em 2005. O Cruzeiro tem um grande projeto para a corrida, e o rival praticamente “atestou” sua inferioridade ao fazer essa ação. A ligação com o Sonnen é basicamente o mesmo atestado de competência que o Palmeiras passa ao Corinthians, que tem um projeto de longo prazo com o Anderson Silva. Como citado na primeira resposta, o clube só perde com isso, enquanto o lutador, pelo menos, ganha em promoção.
Fábio Kadow: achei ruim, oportunista, mesmo que “só” enviando a camisa oficial, pois este é o principal cartão de visitas que o clube tem, sua bandeira, seu escudo.
ao enviar sua camisa para um lutador que sempre fala mal do Brasil e dos brasileiros, já foi pego no dopping, é considerado hoje um “inimigo” de todos os atletas brasileiros da modalidades, simplesmente geramos um “anti-marketing” para o nosso time no mundo todo. Foi seguido o ditado “falem mal, mas falem de mim”, apenas pelo fato do rival estar com o atleta que é o principal adversário dele, ou seja, de forma gratuita e sem planejamento geramos um buzz negativo para o clube e apenas jogamos mais lenha na fogueira, o barulho foi bom para o próprio Sonnen que aproveitou a oportunidade.
O próprio Marcos já disse que numa luta do Sonnen com qualquer brasileiro ele torceria pelo Brasil. Seria como o Vasco mandar uma camisa para o Phelps para que ele ganhe do Cielo. Ou o Santos para a rival da Maurren… enfim, isso não é marketing.
O Palmeiras é muito maior que isso e tem suas próprias glórias e propriedades que deveriam ser valorizadas, tem muito atleta amador que representa o clube e nunca ganhou uma camisa da diretoria.
Luís Fernando Tredinnick: acho que além do erro de associar o clube a outro esporte, existe também o erro de execução. Ou se apóia o atleta/esporte de maneira profissional ou não se faz nada.
Existiram maneiras profissionais de se tirar proveito da situação. Por exemplo, divulgar que o Palmeiras é sempre contra a violência, mas se for para haver um confronto que seja feitos por profissionais com regras e juízes (daria para fazer uma série de comerciais e colocá-los na internet, por exemplo). Ou então, aproveitar para dizer que o Palmeiras tem todo o tipo de torcedores, até mesmo aqueles que só não gostam dos Corinthianos…. são exemplos banais mas que poderiam aproveitar para divulgar a marca e os valores do Palmeiras.
Mandar a camisa, acho que seria melhor que um torcedor tivesse feito isso e não a “diretoria”.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Verdão assina com Kia Motors por três anos
31 de janeiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
O Palmeiras fechou o patrocínio máster da camisa com a Kia Motors, empresa do ramo automotivo. Os valores divulgados extra-oficialmente dão conta que o clube receberá R$74 milhões por um contrato de três anos para estampar a marca da empresa sul-coreana no peito da camisa, onde ficava a marca da Fiat. Se confirmado, trata-se de um negócio excepcional, num momento em que o mercado sinaliza a tendência é inverter a curva de investimentos em esporte. Que o digam SCCP, SPFC e CRF, que continuam com o peito em branco.
O acordo provavelmente faz parte da estratégia da Kia Motors em combater os esforços da concorrente chinesa JAC Motors, que também busca direcionar seus recursos na busca de market share em ações ligadas ao esporte. A empresa sul-coreana, que já tem os naming rights da Copa Kia do Brasil, arrebata assim a camisa da terceira maior torcida do país e vai colher frutos inclusive no ano do centenário do clube, quando dezenas de ações importantes devem ser realizadas.
Com o acordo, a camisa do Palmeiras volta a ser a mais valiosa do país, contando os patrocínios da Adidas, Tim, Skill Idiomas e BMG. Pelo menos estes dois últimos, que poluem o visual da camisa, deveriam ser renovados ou substituídos no máximo até o final do contrato com a Kia, para que em 2015 o clube negocie uma camisa limpa, onde o patrocinador máster não terá que dividir o espaço com ninguém – e pague mais por isso.
A logomarca da Kia Motors estampou até o fim da última temporada o peito da camisa do Atlético de Madrid. A camisa alvirrubra não conflitou com as cores da empresa. Mas é de se imaginar que a estampa em nossa camisa será branca, diferentemente do estupro a que nossas mangas foram submetidas com a logo do banco BMG. Nesse caso, ponto para a Kia.
Parabéns à gestão Tirone, através da diretoria de marketing, pelo ótimo negócio. Demorou, mas saiu. O diretor Rubens Reis, que passou por momentos de muita pressão nos últimos dias por conta do buraco em nossa camisa, chegou até a dar publicamente a si mesmo um prazo para fechar o negócio – mas cumpriu. Felizmente para ele, e para todos nós.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Selo lá
26 de janeiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Humor, Marketing, Verdazzo
O SPFC, sempre inovador, lançou o celular bambi. Legal, o Palmeiras também podia lançar o seu, mas esperar iniciativas importantes da diretoria de marketing desta gestão, onde não se tem sequer um profissional para tocar o departamento, ficando o diretor dependendo apenas de dois auxiliares administrativos, é querer demais.
Só que o pessoal do Jardim Leonor exagera. Vejam a página do site oficial do clube, clicando aqui.
Além do celular ser cor-de-rosa, dois trechos chamaram atenção:
” Cada jogador recebeu um kit para poder desfilar com seu novo presente.”
“Desfilar“? Really? Será que o redator não poderia ter escolhido outro verbo, como “mostrar”, até mesmo “exibir”? Tinha que ser “desfilar”???
“Além deles, foram sorteados 15 celulares para membros da imprensa, que também ficaram satisfeitíssimos com a ação.”
Ah, que bonito!
Uma coisa é fazer um press kit incrementado, com brindes interessantes. Faz-se agradinhos honestos aos jornalistas, que inconscientemente (ou não), vão sempre ter aquela boa-vontade a mais na hora de escrever. Isso faz parte do jogo, o Palmeiras também deveria fazer. Mas distribuir presentes caros, um celular de R$300, ultrapassa, e muito, os limites da ética.
Bem, tanto uma frase, quanto outra, refletem perfeitamente a identidade do clube em questão. Para quem já distribuiu ingressos para o show da Madonna, não é surpresa para ninguém.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
15h08 – Fui informado pelo leitor @_filiperufino que o Palmeiras tem, sim, seu celular, igualzinho o do bambi – mas não é rosa, é claro. Só que ninguém fica sabendo. Pelo visto, a iniciativa é da empresa de tecnologia, e não dos clubes. Logo, a crítica à estrutura de marketing do Palmeiras permanece válida. Conheça o celular do Palmeiras aqui.
Um cacho de bananas
23 de janeiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Política, Verdazzo
O vice-presidente e diretor-financeiro do clube Walter Munhoz não é afeito a aparecer na mídia. Sempre na moita, leal a Mustafá Contursi, já anunciou sua “aposentadoria do Palmeiras” ao final deste mandato. Mas estava todo contente no sábado, nas dependências do clube. Ele se gabava da diretoria ter conseguido fechar com um centroavante. Mas não dizia o nome.
Deixou a todos muito curiosos, todos queriam saber de quem se tratava. Quando ele finalmente revelou que era o Barcos, foi uma decepção geral. Mas como assim “fechou com o Barcos”? É que mesmo com o anúncio oficial, feito na quarta, o atacante ainda não havia assinado contrato, e quando percebeu que o clube anunciou ao público, chegou pedindo um troquinho a mais.
A pergunta que não quer calar é: como é que o clube anunciou a contratação do Barcos com ele ainda fora do país? Mesmo que de forma bastante improvável houvesse alguém acompanhando o atacante no Equador e a assinatura tivesse se dado lá mesmo em Quito, não era óbvio que ainda faltavam os exames médicos? Como somos inocentes…
***
Aliás, o mesmo Walter Munhoz foi bastante questionado no sábado sobre o patrocínio master na camisa, já que o diretor de marketing, Rubens Reis, de forma inacreditável anunciou à imprensa na semana passada que até o fim do mês o problema não só estaria resolvido, como seria em valor superior à base atual. O vice financeiro mostrou o quanto a diretoria está unida e todos confiam uns nos outros:
- Faz seis meses que ele fala isso…
***
Afinal de contas, o que o diretor de marketing tem a ganhar ao fazer esse tipo de declaração? Ao dar a si mesmo uma deadline, só dá mais munição ao outro lado da mesa. Cuspiu pra cima, pra quê? A única coisa que explica declaração tão infeliz é a tentativa de diminuir a pressão sobre si. Ora, além do efeito ser justamente o contrário, mostra que não aguenta a pressão que o cargo exerce.
***
O jogo contra o Bragantino não foi transmitido pela TV aberta, nem pelo SporTV, embora tenha acontecido no interior. Por algum motivo, as televisões transmitiram, inclusive para a capital, o jogo que aconteceu no Jardim Leonor. Restou ao palmeirense que não pôde ir a Bragança assistir pelo PPV.
O associado do clube está acostumado a assistir a jogos que não passam nem na TV aberta nem no SporTV no próprio Palmeiras. Pois os senhores pasmem: mudaram o plano de TV por assinatura dentro do clube, e não há mais pay-per-view disponível aos associados. Não é mais possível assistir aos jogos do Palmeiras nem dentro do próprio Palmeiras.
O que o palmeirense fez para merecer isso…?
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Break point
12 de janeiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Marketing, Política, Verdazzo
O ex-tenista profissional Flávio Saretta, medalha de ouro no Pan de 2007, que chegou a ser o número 44 no ranking da ATP, e que mantinha um convênio com o Departamento de Tênis do Palmeiras, foi comunicado que o projeto não seria renovado para 2012. Implementado em 2010, o trabalho visava o desenvolvimento de tenistas de alta performance e também os praticantes amadores.
Saretta, palmeirense de coração, a quem já tive a chance de ver nas cadeiras do Palestra por diversas vezes mesmo na época em que ele ainda atuava no circuito da ATP, atribuiu a não renovação do contrato à políticagem. Em entrevista ao portal UOL, Saretta revelou que até para romper o vínculo houve descaso e má vontade.
O projeto era um sucesso. Diferentemente da grande maioria dos departamentos esportivos do clube, era superavitário, não parasitava as receitas do futebol para se manter. O serviço oferecido era de nível altíssimo, havendo fila de espera para conseguir a matrícula.
O ex-tenista conseguiu aprovar no Ministério dos Esportes um projeto de incentivo fiscal para bancar a ampliação do trabalho. Cabia ao clube, através de sua diretoria – especialmente a de marketing, captar as empresas que aportariam seus recursos fazendo abatimento dos impostos. Mas Saretta, que não pertence a nenhuma ala política, nem associado do clube é, alegou que a diretoria não se interessou em levar o projeto adiante, e atribuiu ao fato de que o vínculo entre ele e o Palmeiras é obra da gestão anterior.
O que Saretta talvez não saiba, mesmo sendo torcedor do clube, é que o departamento de marketing é tão fraco, que nem patrocínio para a camisa do futebol do Palmeiras consegue. Existe uma pequena chance de ter sido mera incompetência – embora saibamos que a tendência de desfazer tudo o que a gestão passada fez é a mola-mestra da gestão Tirone.
Sabemos que a determinação não partiu da Diretoria do Tênis. Logo, só pode ter vindo da alta cúpula. Resta saber quem foi que deu a ordem, para ser severamente questionado sobre as razões. Saretta, frustrado, foi à imprensa e desabafou, expondo mais uma vez a forma como as decisões são tomadas no Palmeiras. A frase “A verdade é que o Palmeiras virou vitrine da desorganização, como todo mundo fala” é a síntese do desapontamento de quem tenta trabalhar com esse pessoal.
Se quem mandou foi Tirone, Mustafá ou Piraci, pouco importa. Quem tem a caneta na mão é Arnaldo Tirone, e é ele quem deve ser cobrado por mais essa medida desastrada. Mais uma vez o Palmeiras tem o saque quebrado.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Marcos ganha biografia; Palmeiras quer proibir
21 de dezembro de 2011 por @parmerista
Postado em: Marketing, Verdazzo
São Marcos ganhou uma biografia, escrita pelo jornalista Celso de Campos Junior. Prestes a encerrar a carreira, o maior ídolo do clube no século 21, que criou fama ainda no fim do século passado, será homenageado pelo clube e por torcedores, de forma oficial e não-oficial.
Campos Junior, torcedor do Palmeiras, que também já escreveu uma biografia de Adoniran Barbosa, investiu oito anos de pesquisa coletando dados, entre reportagens, fotos e depoimentos, para construir a obra. O resultado poderá ser visto sob o título “São Marcos de Palestra Italia“, publicado em 304 páginas pela editora Realejo.
O projeto do livro foi apresentado ao departamento de marketing do Palmeiras há cerca de seis meses, mas foi engavetado, com a justificativa de que outros projetos já estariam em andamento. De fato, três obras estão no forno com as bênçãos do clube: uma de fotos, de autoria de Cesar Greco, que cobre o dia-a-dia na Academia; um livro de causos, escrito por Mauro Beting; e uma biografia, a cargo de Paulo Vinicius Coelho.
Marcos ainda não se pronunciou oficialmente sobre o livro. Em princípio, não teria autorizado, mas deve verificar o conteúdo – caso não contenha nenhum trecho que o desagrade, não deve se opor. Costuma ser assim com todas as biografias não-oficiais.
A imagem de Marcos, por tudo que ele significa, deve ser preservada custe o que custar. Se Marcos achar que algum trecho não corresponde à verdade, ou se ele simplesmente não quiser que seja divulgado, pode pleitear na Justiça a supressão – como aconteceu há alguns anos com a biografia não-autorizada do cantor Roberto Carlos. Cabe ao Palmeiras dar todo o apoio jurídico a um de seus maiores ídolos nesse caso.
Mas o clube, através do diretor jurídico Piraci de Oliveira, sem ter a palavra definitiva de Marcos, já se antecipou: sem qualquer relação com o conteúdo, simplesmente por causa de royalties, decidiu abrir uma briga jurídica – que provavelmente vai perder.
A diretoria tem por obrigação zelar pelo patrimônio do clube, e isso inclui os ganhos sobre a marca Palmeiras. Mas isso envolve colocar numa balança o quanto se ganharia com royalties, de um lado, e de outro o ganho intangível, com uma obra que reforça no imaginário popular os feitos de uma grande figura palmeirense.
Querer que a atual diretoria jurídica do Palmeiras tenha esse tipo de visão além de um palmo à frente de seus narizes é exigir demais.
Aliás, em vez de se preocupar com as migalhas que possíveis royalties sobre a marca renderão, deviam estar fechando o maior contrato de patrocínio em camisas da História do futebol brasileiro. Mas pelo jeito, vamos romper 2012 com o espaço mais nobre da camisa vazio.
Aguardemos o veredito que realmente importa: o do biografado.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
Destruindo o valor da marca
Decidi dar uma pesquisada em dados elaborados por profissionais de marketing para atestar o que efetivamente os ilustres senhores que comandam a SEP andam fazendo com o tamanho do Palmeiras, com a nossa marca e a conclusão é assustadora. Vamos aos números sem rodeios:
1. ESTUDO GFK CUSTON RESEARCH BRAZIL (uma das maiores do mundo em pesquisa de mercado) – Estudo de mercado realizado este ano que associa a marca dos clubes a uma lista de 13 atributos da marca (inteligente/autêntica/confiável/educada/honesta/sofisticada/chamosa/alegre/ impetuosa/animada/ama liberdade/corajosa/austera). Nesse estudo, pasmem, o Palmeiras se sobressaiu negativamente por ter se distanciado da associação com todos os atributos. Ou seja: os resultados da pesquisa mostram que os entrevistados em todo país não associam o Palmeiras a NENHUM destes atributos. Somente o Vasco teve resultado similar. TODOS os outros times grandes foram associados a alguns atributos. E o pior! O atributo em que mais nos distanciamos foi “honesta”. SCCP foi associado fortemente a 6 atributos, o SPFC a 3. Isso mostra que o Palmeiras não explora sua história de forma positiva e tem uma imagem negativa, pouco simpática para a população. Obviamente que esse tipo de estudo é direcionado a atender potenciais parceiros e anunciantes. Dentre todas as opções de clube para estampar a camisa, porque uma grande empresa procuraria justamente aquele que não é associado pelo público a NENHUM atributo positivo?
2. ESTUDO ANUAL DA BDO/RCS – valor das marcas dos clubes. São consideradas 18 variáveis, dentre elas balanço, pesquisas de torcida, dados de marketing, hábitos do torcedores, dados financeiros, etc. Esse estudo é realizado desde 2004 e desde então a marca Palmeiras se mantém constantemente na quarta posição, estimada hoje em R$ 452,9 milhões. Boa notícia, dado o cenário? Nem tanto…olhando com cuidado percebe-se que em 2011 a marca Palmeiras foi uma das que menos valorizou, embora tenha mantido a quarta posição. Valorizou apenas 2%, enquanto Santos cresceu 49%, Fluminense 30%, SCCP 16%, Vasco 8%, etc. A titulo de comparação, a marca Vasco vale R$ 162,5 milhões ou 35% do valor da marca Palmeiras, e mesmo assim se estruturou de forma a montar um time mais valioso (adiante).
3. ESTUDO DA PLURICONSULTORIA – valor de mercado dos elencos antes e depois do Brasileirão. Esse é acachapante! Dentre os times que permaneceram na elite, o Palmeiras foi o que menos se valorizou. O valor do elenco palmeirense é estimado em 44 milhões de euros, valendo apenas 200 mil a mais do que antes do torneio. A maior valorização foi o Vasco, cujo elenco valorizou 12,4 milhões, cotado hoje em 65,6 milhões de euros. SCCP valorizou 10,1 milhões, chegando a 70,4 milhões e SPFC valorizou 3,8 milhões, atingindo 92,1 milhões. O elenco do Santos está cotado em 141,2 milhões de euros, o que representa mais de 3 vezes o valor do elenco palmeirense. Como pode o Santos, com menos receita e muito menos torcida, ter um elenco 3 vezes mais valioso que o Palmeiras? Muitos vão dizer que é uma distorção pelo Neymar mas isso não invalida qualquer conclusão, pois eles sempre “acham” um Neymar e nós nunca.
4. ESTUDO DA BDO/RCS – receita dos clubes em 2010. A título de referência, a receita do Palmeiras em 2010 foi R$ 148 milhões, a quarta maior do Brasil.
Comparando Palmeiras e Vasco, 2 times com torcidas parecidas em termos numéricos, ambos nascidos em colônias, ambos rebaixados recentemente, ambos no eixo RJ-SP, constatamos: o Vasco teve R$ 83 milhões de receita em 2010. Ou seja, a receita alviverde foi 79% maior que a receita vascaína, a marca alviverde vale 178% a mais que a vascaína e mesmo assim o Vasco conseguiu montar um elenco que vale 49% a mais que o palmeirense e que foi campeão da Copa do Brasil, vice campeão brasileiro e que disputará a Libertadores, enquanto o Palmeiras nada conseguiu. O que o Vasco tem de diferente do Palmeiras? Um gestor profissional no futebol, chamado Rodrigo Caetano. Nenhum gênio iluminado. Apenas um profissional. Quanto custa um gestor profissional versus essa diferença de performance?
Enquanto isso o Palmeiras segue com seus gestores amadores e fazendo seus cortes de migalhas e achando que isso será a salvação da lavoura. Só em 2011, que eu me lembre fizemos “saneamentos importantes” como cortar a nutricionista da concentração, cortamos a impressão colorida, a ração do cachorro que toma conta dos troféus, a Libero Comunicação, o André Sica, entre outros. Fizemos todos esses “cortes” mai aí alguém esquece de pagar em dia o acordo trabalhista do Ewerthon e a multa fez o valor do acordo subir R$ 600 mil… puxa vida! Toda essa grande economia feita foi diretamente pro bolso do Ewerthon, a nossa marca está definhando e mesmo assim tem gente achando que está “saneando” o clube.
A verdade é que fica muito fácil constatar, de forma embasada, que o Palmeiras passa claramente por um processo de destruição de valor da marca. O Palmeiras estagnou, enquanto os concorrentes seguem se valorizando, conquistando, se modernizando, crescendo. Quem já estava à nossa frente, está abrindo vantagem. Quem está atrás, está tirando a diferença. O Palmeiras hoje não é uma marca atrativa para patrocinadores, muito menos uma vitrine interessante para os jogadores. Em comum, patrocinadores e jogadores estão categoricamente fugindo do Palmeiras, pois existem opções melhores e os números em toda a sua frieza, mostram isso. O Palmeiras perde jogadores que deseja para concorrentes com muito menos poder econômico. Não conseguimos contratar jogadores de ponta.
Patrocinadores? A FIAT optou por não renovar a cota máster e não existem propostas na mesa. Estamos batendo de porta em porta para “oferecer a camisa”, o que obviamente depreciará o valor recebido, sendo que dificilmente conseguiremos sequer igualar o valor pago pela FIAT. Isso sem contar que esse valor foi uma canetada do presidente da FIAT para agradar o então candidato a presidente do Brasil, José Serra. A única medida positiva foi manterem o Felipão, e mesmo assim motivados pelo escudo que ele oferece e não pela competitividade esportiva.
Esse desastre administrativo resultará em menos receita, com isso times mais medíocres, nenhuma conquista, diminuição de torcida e todo um espiral negativo que só pode ser interrompido com um choque de gestão a curto prazo, algo que, infelizmente, duvido que vá acontecer. Para 2012, vamos de Rafael Cruz, Ricardo Bueno, Juninho e, quem sabe, Willian Batoré.
Agora vamos agarrar o terço, secar o SCCP na Libertadores, rezar para não cair e aguentar os vexames de mais um ano longo que se avizinha no horizonte cada vez menos verde.



