Partidazzo: Palmeiras 1×0 Cruzeiro (1998)
7 de julho de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Thiago do Amaral Biazotto
“Puta que pariu, por que o Arce não vai bater essa falta?”.
“Gol! Gol! Gol! Gol do Arce!”.
As duas frases acima foram proferidas por mim, num intervalo de menos de um minuto, naquela noite de 29 de Dezembro de 1998. Tinha 10 anos, estava em minha segunda temporada como torcedor do Palmeiras e o que mais queria na vida era aquele título da Mercosul.
1998 começou decepcionante. Em que pese a vinda de bons reforços – Paulo Nunes, Arílson e o próprio Arce – fomos eliminados nas semifinais do Rio-São Paulo e do Paulista, ambos pelo SPFW. Restou-nos a Copa do Brasil. E foi conquistada. Graças ao gol antológico de Oséas, vingando-se do Cruzeiro, que tirou-nos o título nacional dois anos antes. Naquela vitoriosa campanha, guardo carinho especial pelo empate em 2×2 com o Santos, na partida que garantiu nossa passagem à final. Quem não se lembra do gol inexplicável do horrendo Darci? Até hoje creio que todo palmeirense de bem não revê aquele jogo, como medo de que o chute do volante vá parar onde originalmente se supunha: próximo à bandeirinha de escanteio…
Mesmo com um semestre que se iniciou com infortúnios e se encerrou com um título, o que mais me cativou naquela primeira metade de 1998 foi um dos reforços pedidos por Scolari. Falo de Francisco Javier Arce Rolón. O “Chiqui” Arce. Era muito novo para lembrar o que seus cruzamentos e cobranças de falta haviam nos causado no biênio 1995/1996, quando defendia o Grêmio. Mas era velho o suficiente para saber que teria nele um ídolo.
É difícil explicar os motivos que me levaram a ter uma afeição tão abrupta pelo lateral paraguaio. Talvez fosse sua personalidade tímida e calada, como era a minha. Talvez o exotismo de ver, pela primeira vez, um estrangeiro com nossa camisa. Talvez apenas o óbvio: a precisão inexorável de seu pé direito. De todo modo, minha devoção foi tão rápida que já na Copa de 1998 torci vorazmente pelo Paraguai. Ainda não sei o que me deixou mais perplexo: a catastrófica eliminação da esquadra guarani – para a futura campeã França – ou ver Chilavert monopolizar as cobranças de falta, num arroubo quixotesco para se tornar o primeiro arqueiro a fazer um gol num Mundial. Bom, deixemos os devaneios alhures.
Chegamos à final da Copa Mercosul daquele ano com tranqüilidade. Na fase de grupos, seis vitórias em seis jogos, com direito a uma goleada por 5×0 sobre o Nacional, em pleno Centenário, mesmo com um time formado por crápulas do naipe de Tiago Silva, Juliano e Magrão (não, meus jovens, não é aquele Magrão …). Nas quartas, o terrível Boca Juniors. 3 a 1 em São Paulo e 1 a 1 na Bombonera e vaga nas semifinais. Dois triunfos sobre o Olímpia, 2 a 0 no velho Palestra e 1 a 0 no Defensores Del Chaco. De forma que chegamos invictos à decisão contra o mesmo Cruzeiro de sete meses antes. E o mesmo Cruzeiro de um mês antes…
A rivalidade entre os dois foi brutal no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Só em 1998, enfrentamos o time mineiro em nada menos que nove oportunidades. Pela ordem: as duas finais da Copa do Brasil, o jogo da primeira fase do Brasileiro, os três prélios pelas quartas de final deste mesmo campeonato e as três disputas da decisão da Mercosul. Se a história da Copa do Brasil já foi lembrada, é hora de recordar o que aconteceu no Brasileiro: Mineirão. 1×2. Palestra. 2×1. Palmeiras com melhor campanha na primeira fase. Classificação? Não! Pênaltis? Não! Como decidir? Terceiro jogo! Perdemos. 2×3. Em casa. Com direito a dois gols do odioso Marcelo Ramos e o golpe de misericórdia dado pelo repugnante Fábio Jr., aos 43 minutos do segundo tempo… De maneira que decisão do torneio Sul-americano valia, além da taça, o desempate nas contendas daquele ano. Na primeira disputa, 2×1, fora de casa, com outro gol do repugnante Fábio Jr. – agora aos 46 do segundo tempo –, num pênalti absurdo. A volta marcou uma vitória, de virada, por 3×1. Marcaram Cléber, Oséas e Paulo Nunes, com direito a duas assistências de Arce. Recuso-me a mencionar quem assinalou o tento cruzeirense. Mesmo cenário: maior saldo de gols. Campeão? Negativo: outro terceiro jogo! O desespero foi tão grande que nem deu tempo para comemorar aquele triunfo.
A decisiva seria disputada numa insólita noite de 29 de dezembro, mesma data do aniversário de um tio santista. Fomos assistí-la em sua casa. Logo me destaquei no meio daquele bando de sexagenários, tanto pela pouca idade quanto pela eloqüência quase caricata em torcer acompanhando a transmissão do SBT. Aliás, vale o aparte: a capacidade da emissora de Sílvio Santos em transmitir um jogo de futebol transbordava risível amadorismo. Para se ter uma idéia do tamanho da bizarrice, ao microfone estava o hediondo gambá Osmar de Oliveira que, além de secar – da maneira mais sórdida possível – o Palmeiras, interrompia a narração, em intervalos irritantemente curtos, para proferir uma auspiciosa mensagem: “E não perca, na próxima segunda, a estréia de Luz Clarita, uma novela que vai emocionar você e sua família!”. Àquela altura, jamais poderia imaginar que, 12 anos depois, conheceria uma outra Clarita, que mudaria minha vida…
De toda sorte, estávamos desfalcados de Cléber e Galeano, de modo que fomos a campo com Velloso, Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior. Tiago Silva, Rogério, Alex e Zinho. Paulo Nunes e Oséas. Primeiro tempo. Tensão absurda, pouquíssimas chances de gol, o Palmeiras errando passes infantis, o Cruzeiro com mais posse de bola – e mais lúcido – e, claro, Tiago distribuindo pontapés a granel. Nada animador. Nada.
A segunda etapa começou ainda pior. Com Almir no lugar de um improdutivo Alex, ficamos complemente acéfalos. Lá pelos 8 minutos, um dos lances mais inconcebíveis que acompanhei em mais de 15 anos de futebol: Valdo – que, mesmo com aproximadamente uns oitocentos e setenta e nove anos, estava jogando um futebol da mais alta classe – recebe a bola na intermediária. Dá uma paulada e acerta o travessão. O Cruzeiro pega o rebote, troca meia dúzia de passes e menos de 10 segundos depois, Valdo dá outra paulada e acerta outra vez o travessão. Inacreditável. Aquela bizarra seqüência, contudo, foi superada poucos instantes depois.
Falta na entrada da área para o Palmeiras. Penso eu: “Agora vai! O Arce vai meter essa bola no ângulo!”. Quem pegou a criança e chutou – de forma pífia – foi Zinho. Menos de um minuto depois, outra falta. Mesmo ritual: sonho com Arce e acordo com uma bomba de Júnior Baiano no travessão. Terceira tentativa. Desta vez, não agüentei. Engrossei a voz, estufei o peito a voz e bradei:
“Puta que pariu, por que o Arce não vai bater essa falta?”
Nem tive tempo e soltei a outra:
“Gol! Gol! Gol! Gol do Arce!”
[nota do Verdazzo: toda esta sequência pode ser vista a partir de 59min no vídeo abaixo]
A insanidade era tamanha que só consegui ver o que se passou no replay. Júnior Baiano chutou, Dida rebateu para o meio da área e Arce, que apareceu sabe-se lá de onde e lembrou-se de seus tempos de camisa 10 do Cerro Porteño, estufou a rede. Aí minha comemoração se juntou a dele: enquanto um abria os braços e rodava pelo gramado do Palestra Itália, outro pulava e berrava todos os palavrões possíveis – meticulosamente intercalados com gritos de gol – em Mogi Mirim. Naquele momento eu soube que teria em Arce um ídolo.
Num jogo truncado desse, quem sai na frente, usualmente, ganha. Mas, é óbvio, não me acalmei. Os minutos pareciam séculos e as atuações pouco inspiradas dos nossos homens de frente nos faziam perder a posse de bola com freqüência. A coisa só começou a melhorar com a expulsão de Marcelo Ramos – tenho vontade de rir quando lembro que comemorei mais a exclusão deste facínora do que muitos gols em finais nos anos seguintes… – e as entradas de Pedrinho e Agnaldo, que tornaram nossa defesa um autêntico ferrolho suíço.
Os minutos passaram e o suor correu frio. O apito chegou. Saí correndo e gritando. É campeão. É mais que isso. Não estava comemorando apenas um título. Comemorava o nascimento de um ídolo. Feliz ídolo novo. Feliz ano novo.
Thiago do Amaral Biazotto, 23 anos, é graduando em História pela Unicamp, palestrino de quatro costados e realmente acredita que Chiqui Arce é o maior jogador da História do futebol mundial..
29/12/1998
Palmeiras 1×0 Cruzeiro
Copa Mercosul – Final
Estádio: Palestra Itália
Público: 29.450
Árbitro: Luciano Augusto Almeida (DF)
Palmeiras: Velloso; Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; Tiago Silva, Rogério, Alex (Almir) e Zinho (Agnaldo); Paulo Nunes e Oséas (Pedrinho). Técnico: Luís Felipe Scolari
Cruzeiro: Dida; Gustavo, Marcelo Djian, João Carlos e Gilberto; Ricardinho (Caio), Marcus Paulo, Valdo e Müller (Alex Alves); Marcelo Ramos e Fábio Júnior. Técnico: Levir Culpi
Gols: Arce aos 17 do segundo tempo.
Em pé: Marcos, Neném, Velloso, Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior, Tiago Silva e Júnior;
Agachados: Agnaldo, Pedrinho, Taddei, Almir, Magrão, Oséas, Paulo Nunes, Zinho, Rogério e Alex.
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Partidazzo: Palmeiras 2×1 SPFC (2004)
26 de maio de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Mailson Fiuza
O ano de 2004 não traz lá grandes recordações ao palmeirense mas pode-se dizer que foi um ano de resultados razoáveis para o contexto em que o Verdão se encontrava. O time tinha recém saído da nefasta Série B e, como ato de seu último ano na presidência, Mustafá Contursi resolveu simplesmente manter aquela base que venceu a segundona.
O início do ano chegou a inspirar alguma esperança na torcida ao ver o time chegar às semifinais do Paulistão contra o modesto Paulista de Jundiaí. Mas, daquela forma que o Palmeiras vem se tornando especialista, uma classificação certa virou uma eliminação dramática com direito a empate palmeirense no último lance do jogo e desperdício do pênalti que levaria à decisão contra o São Caetano – que tinha um dos melhores times do país mas que era nosso freguês à época.
Na Copa do Brasil, o Palmeiras avançava até as quartas-de-final e após classificação histórica contra o Goiás, o Verdão conseguiria sucumbir num 4×4 inexplicável diante do futuro campeão Santo André. Duas eliminações para times menores do interior foram o suficiente para que Jair Picerni fosse demitido. Para seu lugar, veio Estevam Soares que, mesmo rebaixando o Gama pra Série C ganhou um voto de confiança.
O moral arrasado do time começou a se levantar na primeira partida pós-Santo André. Uma histórica surra de 4×0 no Santos de Luxemburgo com grandes atuações de Muñoz e Vágner Love – que estava prestes ter sua venda sacramentada para o CSKA a preço de banana.
Passados os traumas, Estevam vinha de uma vitória e dois empates para, naquele 27 de Junho, encarar seu primeiro clássico. Para aquele jogo, o SPFC vinha em rota de colisão com seus simpatizantes. Em uma mesma semana, eliminação para um desconhecido Once Caldas na Libertadores e uma derrota para o Paysandu.
No Pacaembu, com mando palmeirense, a torcida cor-de-rosa resolveu assumir novas cores e levou faixas, fumaça e balões amarelos para simbolizar a pipocada na Libertadores.
O Palmeiras começou dominando as ações. O time tricolor parecia perdido em campo. O time de Estevam, mesmo com jogadores de qualidade questionável como Gabriel Santos, Magrão e Nen mostrava um entrosamento que deixava as meninas sem ação. Depois de perder algumas oportunidades, aos 36 minutos do primeiro tempo, Vagner Love, já vendido aos russos e que vinha fazendo uma temporada excelente, artilheiro do Paulista e do Brasileirão até o momento, aproveitou um bom cruzamento do competente Corrêa para, de cabeça, cumprimentar o rezador. Com 1×0 no placar, a torcida rosada esqueceu-se do jogo e passou a hostilizar seus jogadores. Luís Fabiano era uma das vítimas. Prestes a também ser negociado com o exterior, o atacante era carinhosamente chamado de Luís Pipoqueiro pela torcida do time sem ídolos.
Em campo, o Palmeiras seguiu melhor enquanto os tricolores, nervosos, distribuíam pancadas com a conivência de Sálvio Spínola – que antes já deixara de marcar uma penalidade em Love.
No final do primeiro tempo, o juizão viu pênalti quando Fábio Simplício dividiu com Sérgio e se estatelou na área. Luís Fabiano avançou sem confiança alguma e praticamente recuou para o goleiro alviverde. A tarde estava perfeita para palmeirense e terrível para tricolores. Os simpatizantes se enfureceram ainda mais.
O segundo tempo foi quase uma repetição do primeiro. O Palmeiras dominava, Vágner infernizava e os tricolores se acovardavam. Até que, com 15 minutos da segunda etapa, Pedrinho cobrou falta à meia altura, Rogério Ceni ajoelhou e largou a bola de forma bizarra no pé de Vágner Love que, esperto, cutucou pra rede. Palmeiras 2×0. A partir daí, o Verdão administrou o jogo, a torcida ensaiou gritos de olé e a bambizada tinha surtos nas arquibancadas. No finalzinho, aos 38, Cicinho ainda descontou numa bola rebatida. Mas nada que estragasse a festa palmeirense.
Um clássico que marcou pela forma como o Palmeiras se impôs sobre um SPFC inoperante. Um clássico onde jogadores de pouco potencial técnico compensaram suas deficiências com dedicação e raça. Um clássico vencido com autoridade, que deu moral ao Palmeiras – na sequência, foram mais cinco jogos sem perder. Infelizmente, Mustafá aprontou das suas no final daquele ano. Faltando cinco rodadas para o fim do torneio, o Verdão era o terceiro colocado a apenas quatro pontos do líder Atlético Paranaense. Porém, o presidente, com o campeonato em curso, resolveu começar a dar férias para alguns titulares do elenco sob o ridículo pretexto de preservar o time para a pré-temporada e a Libertadores (na verdade, Mumu minava qualquer chance de o time entrar 2005 com um título). Dos últimos cinco jogos, o Palmeiras venceu apenas um, chegou a perder para o rebaixado Guarani e pro ameaçado Flamengo em casa e viu suas chances se resumirem a uma vaguinha para a Libertadores.
Mas aquele clássico ficará marcado como o dia em que o Palmeiras derrotou com autoridade um rival e ainda assistiu de camarote os simpatizantes tricolores entoarem para o rezador: “pqp, é o pior goleiro do Brasil: Rogério!”.
Mailson Fiuza, 22 anos, mora na Bahia, e quase foi parar no hospital ao passar mal vendo a final da Libertadores de 99.
27/06/2004
Palmeiras 2×1 SPFC
Campeonato Brasileiro – primeiro turno
Estádio: Pacaembu
Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (SP)
Palmeiras: Sergio; Baiano, Nen, Gabriel Santos (Leonardo) e Lúcio; Marcinho Guerreiro, Corrêa, Magrão e Pedrinho (Adãozinho); Vagner Love e Munõz (Daniel Martins). Técnico: Estevam Soares
SPFC: Rogério Ceni; Cicinho, Fabão, Rodrigo e Lino (Fábio Santos); Renan (Gabriel), Fábio Simplício (Souza), Alexandre e Danilo; Grafite e Luis Fabiano. Técnico: Cuca
Gols: Vagner Love aos 36 do primeiro e 16 do segundo tempo; Cicinho aos 38 do segundo tempo.
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Um Partidazzo em que o placar pouco importa (1992)
19 de maio de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Renan Kalil
O meu primeiro Partidazzo foi uma derrota. Não se trata de menosprezar as vitórias ou de demonstrar uma predileção pelo sofrimento. Não, senhores. Trata-se da primeira partida em que eu me identifiquei com a Sociedade Esportiva Palmeiras por inteiro. Trata-se da partida em que a convicção alviverde se tornou absoluta.
Estávamos em 1992. Eu tinha 8 anos. Nessa época, já acompanhava futebol intensamente. Sabia de uma quantidade de dados enorme sobre os campeonatos que aconteciam. E acompanhava o Palmeiras em todos os jogos que disputava. Contudo, dos torcedores dos times grandes paulistas, o meu era o único que não tinha sido campeão até então. O SPFC tinha conquistado o Brasileiro-91 e a Libertadores-92. O SCCP, o Brasileiro-90. E o Palmeiras, até então, nada na minha curta existência.
Apesar disso, 1992 foi um ano em que eu sentia que as coisas pareciam que iriam engrenar. As notícias que eu via da parceria com a Parmalat me davam a impressão, dentro do que um garoto de 8 anos consegue apreender disso, que haveria a possibilidade de o Palmeiras ganhar um título. Era a tal da esperança que florescia em mim no time de Palestra Itália.
Pois bem. A primeira final que eu vi o Palmeiras jogar foi a do Paulista-92. Depois de passarmos pelo quadrangular, em que enfrentamos o SCCP, o Guarani e o Mogi Mirim (era o embrião do que viria a ser o Carrossel Caipira no ano seguinte), a euforia era enorme. Eu diria que incontrolável – minha mãe que o diga.
O problema é que enfrentaríamos o SPFC. Se o Palmeiras estava com um time promissor, que dava esperanças ao torcedor que via bons jogadores em ação, o SPFC havia acabado de conquistar a Libertadores e entre os dois jogos das finais venceu o Barcelona no Mundial. Ou seja, o time de Telê seria indigesto.
E de fato, foi. Perdemos o primeiro jogo. 2 a 4.
O segundo foi marcado para o fim de dezembro. Dia 20. Eu me recordo que nesse mesmo dia minha família tinha marcado a viagem de fim de ano. E lá estava eu tentando fazer os cálculos para saber se eu conseguiria ver a final. No final das contas, deu certo.
Assim que chegamos em Canela, no Rio Grande do Sul, achei uma televisão que transmitia o jogo e lá fiquei o tempo todo. Tomamos o primeiro gol no primeiro tempo. Já estava muito difícil. E, embora o SPFC tivesse sido campeão mundial alguns dias antes, o Palmeiras pressionava muito e peleava em igualdade de condições.
Entretanto, o segundo gol do SPFC me doeu na alma. No momento em que o Palmeiras tentava empatar o jogo, o SPFC arrumou um escanteio, o Cesar (nosso goleiro à época) não segurou e o Cerezo mandou em direção ao gol. O Dida, nosso lateral esquerdo, tentou tirar. Em vão. Até eu ver o lance umas dez vezes, tinha certeza que não tinha sido gol. Mas foi.
Mesmo com 0 a 2 no placar, o Palmeiras continuou brigando. E isso deixou marcas profundas em mim. Para um garoto de 8 anos, um time que, mesmo com uma desvantagem absurda (2 a 4 do primeiro jogo e 0 a 2 no segundo), continuava tentando fazer alguma coisa, criar uma jogada ou marcar um gol era algo admirável. Ali eu via algo que mais tarde eu fui conhecer com o nome de entrega. Essa foi uma das razões pelas quais eu não consegui sair da frente da televisão e, quando Zinho fez o nosso gol, me fez perguntar para o meu pai: “E falta quanto?”. Eram 45 minutos do segundo tempo.
Como todos sabem, o Palmeiras perdeu a final do Paulista-92. Apesar disso, aquela derrota foi o ato final da fila palmeirense. Dali a sete meses, naquele mesmo estádio, o time liderado por Evair daria fim à angústia do torcedor palestrino.
Aquele jogo foi marcante para mim. Ainda que a abstinência alviverde de títulos continuasse, o jogar futebol com alma daquele time foi algo que me impressionou. Mesmo sabendo que a reviravolta seria improvável, o Palmeiras não parou de jogar futebol. A maior prova disso foi o gol do Zinho.
A palestrinidade é uma herança dos meus avós, muito bem repassada pelo meu pai. Depois daquele jogo, ao ver a entrega do time, ao entender que o Palmeiras não significava simplesmente a necessidade de vencer um título, compreendi a dimensão da importância e a dignidade inerentes àquela camisa. Convicções que foram reforçadas na medida em que eu conhecia a nossa História.
O Palmeiras, ao fazer com que a minha profissão de fé ocorresse em uma derrota, acabou por me dar uma lição importantíssima: a de que, mesmo quando sucumbimos, há aprendizados relevantes a serem incorporados para que o ato seguinte possa ser maior e vitorioso.
Não tenho memória de como aquela derrota repercutiu no Palestra Italia, mas há indicativos de que foi produtiva. Os Paulistas de 93-94 e os Brasileiros 93-94 são indícios fortes disso. Lamento apenas que as diretorias dos anos 2000 em diante não tenham compreendido como os reveses possam ser aproveitados. Caso contrário, não teriam ocorrido a Segunda Divisão, o Paulista (Paulista-04), o Santo André (Copa BR-04), o Ipatinga (Copa BR-07), o Atlético-GO (Copa BR-10) e o Goiás (Sulamericana-10).
O Palmeiras precisa dos palmeirenses.
Renan Kalil é palmeirense e teimoso. Acho que valeu a pena!
20/12/1992
SPFC 2×1 Palmeiras
Campeonato Paulista – Final
Estádio: Morumbi
Público: 110.887 pagantes
Renda: CR$ 5.228.880.000,00
Árbitro: José Aparecido de Oliveira (SP)
SPFC: Zetti, Vitor (Válber), Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Pintado, Toninho Cerezo (Dinho), Raí e Cafu; Muller e Palhinha. Técnico: Telê Santana
Palmeiras: César, Mazinho, Toninho, Edinho Baiano e Dida; César Sampaio, Daniel (Maurílio), Cuca (Carlinhos) e Jean Carlo; Evair e Zinho. Técnico: Otacílio Gonçalves
Gols: Muller aos 24 do primeiro tempo; Toninho Cerezo aos 15 e Zinho aos 45 minutos do segundo tempo.

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Partidazzo: Palmeiras 5×0 Ponte Preta (2008)
5 de maio de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Conrado Cacace
Peço licença aos leitores para publicar um partidazzo. Ontem completaram-se quatro anos de nossa última conquista, o Paulistão de 2008. O Palmeiras tinha um timaço, recuperou-se de um péssimo início de campeonato e chegou à fase final voando. Nas semifinais, mesmo sendo roubado no jogo de ida no Jardim Leonor, despachou o SPFC com autoridade, conforme lembrou o leitor Guilherme Garbi na semana passada. E no dia 4 de maio, após vencer o jogo de ida em Campinas, o Verdão sagrou-se campeão paulista pela 22ª vez.
Esta partida será meu partidazzo, não só pelos quatro anos completados ontem, nem porque foi nosso último título, mas também porque marca uma data bastante especial. No dia 4 de maio de 2008, tive o privilégio de batizar minha filha Cecilia na missa semanal que ocorria na sede do Palmeiras todos os domingos. O evento foi marcado com algumas semanas de antecedência, claro, mas posso garantir que não houve mera coincidência de datas. Aquele domingo teria que ser perfeito.
Depois da cerimônia, já quase onze da manhã, já tinha voltado para casa. O papai se transformou no torcedor, começou o ritual de todo domingo de jogo decisivo. Cuidado com as peças de roupa a serem usadas, não pode ter nenhuma zicada – embora eu não seja supersticioso e não creia nessas bobagens. Despedi-me de minha família e voltei à Turiaçu, onde se respira Palmeiras, principalmente em dia de jogo. O ambiente, cercado de palmeirenses, bebendo cerveja e comendo pão com calabresa, é parte desse ritual.
A confiança era enorme, afinal, só não seríamos campeões se a Ponte nos vencesse por dois gols de diferença. Diferentemente dos dias atuais, o grupo esbanjava confiança, e nem os próprios torcedores do time campineiro acreditavam de verdade numa reviravolta. E o que se viu em campo confirmou as expectativas: completo domínio do Verdão, que aos 34 minutos já tinha feito dois gols, sacramentando o título. A sequência da partida só serviu para saborear ainda mais a conquista, como que o filme não só daquele semestre passasse em nossas cabeças, mas todo o martírio vivido desde o ano 2000, e todas as humilhações que vivemos nos primeiros anos deste século. Era a porta da redenção se abrindo, um futuro de glórias era avistado no horizonte.
Com cerca de quinze minutos do segundo tempo, a torcida começou a festa, acendendo sinalizadores, pulando e cantando. Foi quando a Polícia Militar, num ato covarde e premeditado, reprimiu a celebração nas arquibancadas, com violência. Toda a ação da PM foi relatada aqui, num post do velho blog Parmerista!.
Eu estava no chamado setor Visa, as cadeiras do lado oposto às numeradas, e naquele momento não pude perceber com exatidão o que ocorria nas arquibancadas. De minha cadeira cativa, acompanhava o jogo em pé, quando, lá pelos 25, não me contive e desci para a mureta. O jogo em si já não era o principal. O que me parecia mais importante era estar o mais próximo possível de onde tudo acontecia.
Fui premiado: foi eu descer para a mureta e presenciei a poucos metros uma avalanche de gols. O terceiro, de Valdivia, foi o mais bonito, aos 28. Em seguida, aos 30 e aos 32, mais dois de Alex Mineiro. Era bom demais para ser verdade – e era. Veio o apito final, a explosão de felicidade, e o grito de É CAMPEÃO pulsou no Palestra. O troféu foi erguido por São Marcos, e curti bem de pertinho a alegria da volta olímpica, com destaque para Valdivia, extremamente emocionado, com uma bandeira do Chile sobre os ombros.
No final, tentei ir para a Turiaçu para a comemoração, mas a Polícia Militar não permitiu. A rua foi fechada, e a festa, dispersa na base da bomba de gás. Tudo por causa dos mortais sinalizadores, que eles hoje permitem tranquilamente em todos os estádios.
Mesmo com a relativa frustração por não poder festejar, voltei para casa com a sensação de ter vivido um dia completo. Minha filha, com pouco menos de um aninho, foi a primeira – e até agora única – criança a ser batizada em solo sagrado, no mesmo dia de uma conquista incontestável. Hoje, perto de fazer cinco, ela curte os jogos do Palmeiras ao lado do papai aqui, todo orgulhoso.
Não tem como esse, mesmo não sendo o jogo mais importante nem mais emocionante que eu já vivi, não ser meu Partidazzo, não é verdade?
Conrado Cacace é editor do Verdazzo
04/05/2008
PALMEIRAS 5×0 Ponte Preta
Campeonato Paulista – Final
Estádio: Palestra Italia
Público: 27.927 pagantes
Renda: R$ 1.433.350,00
Árbitro: Cleber Wellington Abade (SP)
Palmeiras: Marcos (Diego Cavalieri); Élder Granja, Gustavo, Henrique e Leandro; Pierre, Martinez, Diego Souza e Valdivia; Alex Mineiro (Lenny) e J30 (Denilson). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Ponte Preta: Aranha; Eduardo Arroz, João Paulo, César e Vicente; Ricardo Conceição, Deda, Elias (Giuliano) e Renato; Luis Ricardo e Leandro (Wanderley). Técnico: Sergio Guedes
Gols: Ricardo Conceição (contra) aos 19 e Alex Mineiro aos 34 minutos do primeiro tempo; Valdívia aos 28 e Alex Mineiro aos 30 e aos 32 minutos do segundo tempo.
Melhores momentos
Jogo completo




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Partidazzo: Palmeiras 2×0 SPFC (2008)
28 de abril de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Guilherme Garbi
Antes de contar sobre o partidazzo, quero contar um pouco da minha história. Infelizmente não tive a oportunidade de assistir ao vivo aos jogos dos nossos grandes times. Sou nascido em 92, e a primeira recordação 100% nítida de um jogo do Palmeiras que tenho é a da final da Copa do Brasil de 98, com o gol espírita do Oséas. Enfim, ter nascido nessa época acabou me privando de assistir in loco os nossos grandes times de 93, 94, 96 e 99 – desse último eu tenho recordações só pela televisão. Outro impasse foi minha mudança de São Paulo no final de 1998, o que me deixou 500 km mais longe do Palestra. Nada que me impedisse de ser doente pelo time.
No dia 20 de abril de 2008, com 16 anos, resolvi que iria ver a semi-final do paulistão. Palmeiras x Bambis, o inimigo histórico, valendo título, eu não podia perder. Convenci meu pai, sãopaulino assim como todo o resto da minha família (alguém tinha que se salvar), a me deixar ir a São Paulo pra isso. Foi fácil, e ele até quis ir junto.
Meu voo sairia da minha cidade às 11 da manhã, mas às 6h30 eu já estava acordado e nervoso, não conseguiria sossegar até que a partida acabasse, mesmo que ainda faltassem 10 horas pra que ela começasse. Assisti milhares de vídeos de nossas esquadras, decorei a narração do gol do César Sampaio contra as bibas, me arrepiei do começo ao fim assistindo o DVD da Libertadores pela centésima vez. Não via a hora de finalmente pisar no Palestra. Cheguei na capital por volta do meio dia e fui buscar os ingressos na casa de um amigo do meu pai, que tinha conseguido pra nós.
Ao chegar ao Palestra, foi como chegar em casa. A sensação de que aquele era o meu lugar, de que ali todo mundo tinha a mesma paixão que eu, que todos estavam tão nervosos quanto eu, que mesmo quem já havia estado lá outras 300 vezes tinha o mesmo frio na barriga que eu. As organizadas já faziam a festa do lado de fora com bandeiras e um caminhão de som, dando uma prévia de como seria quando passasse por aqueles portões da Turiaçu.
Já dentro do estádio, clima de guerra. A torcida gritava e cantava sem parar, a adrenalina tinha que passar para os jogadores dentro do campo, mas os primeiros minutos foram mornos. Dagobambi e Adriano Cachaça ameaçavam nossa zaga, mas nada de preocupante. Pelo nosso lado, Valdívia, Leo Lima e Diego Souza eram os que mais infernizavam a zaga colorida. E foi justo de Leo Lima o primeiro gol do Palmeiras que eu comemorei ao vivo. Pelo meio, num chute despretensioso, a bola pegou efeito e o goleiro de hóquei aceitou. O Palestra explodiu, e eu gritava feito maluco “CHUPA BAMBI” e comemorava com os torcedores que estavam à minha volta. O resto do primeiro tempo foi morno em termos de futebol, mas não paramos de cantar um só minuto.
No segundo tempo, São Marcos teve de trabalhar um pouco mais, mas podiam chutar quantas bolas quisessem, não ia passar nada. Ao vivo é nítido como São Marcos se impõe, como seus reflexos são coisa de outro planeta. E seu lance mais sensacional da partida veio justo na metade do segundo tempo, quando voltou pra buscar uma bola que parecia impossível, numa falta batida pela direita pelo Jorge Wagner. A única coisa que eu conseguia falar era “AQUI É SÃO MARCOS, PORRA”. Do nosso lado, Valdivia deitava e rolava no meio campo. E a cada drible a torcida se inflamava mais. O dia tinha que ser dele. Ele, que odeia tanto o time da Vila Sônia quanto nós da arquibancada, merecia fechar o caixão das meninas.
No fim do segundo tempo, o êxtase. Depois de um escanteio mal cobrado, o chileno recuperou a bola e tocou para Wendel, que levou e nem pensou duas vezes, tocou de lado para Valdívia que só empurrou pra dentro. Sinceramente, eu achei que já tinha comemorado um gol, mas aquela foi a prova de que não. A cena era a melhor possível. Gol do Palmeiras, contra as Bibas, com Valdivia dançando e Rogéria reclamando. Ao meu lado, um cacique da política palmeirense comemorava energicamente, pulávamos juntos e gritávamos, mas não eram palavras, era alegria pura. Gritei até não ter mais voz. Desse momento até o final do jogo, todos nós ali presente tínhamos a obrigação de fazer a maior festa possível. E conseguimos.
Voltei para casa com um sorriso de orelha a orelha, depois de um dia extenuante e duas viagens, e ainda custei a dormir. Assisti 400 vezes os melhores momentos, e mais 500 vezes o gol do Valdívia. E cada vez me arrepiava, só de lembrar o que senti na hora.
Depois disso, nunca perdi uma chance de ir ao Palestra. Então, quando me questionam o porquê de torcer pro Palmeiras, eu não preciso fazer esforço para me lembrar. Só não explico, porque isso só entende quem vive.
Guilherme Garbi é Palmeirense por opção e por herança do bisnonno, un vero parmerista. Nascido nos anos 90, descendente de italianos e criado no Bexiga, aprendeu a cantar o hino do Palmeiras antes de saber o alfabeto.
20/04/2008
PALMEIRAS 2×0 SPFC
Campeonato Paulista – Semifinais
Estádio: Palestra Italia
Público: 27.680 pagantes
Renda: R$ 1.144.355,00
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (SP)
Palmeiras: Marcos; Élder Granja, Gustavo, Henrique e Leandro; Martinez, Léo Lima, Diego Souza (Wendel) e Valdivia; J30 (Denilson) e Alex Mineiro (Lenny). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
SPFC: Rogério Ceni; Alex Silva, André Dias e Miranda; Joílson (Sérgio Mota), Hernanes, Fábio Santos, Jorge Wagner e Júnior (Hugo); Dagoberto (Borges) e Adriano. Técnico: Muricy Ramalho
Gols: Léo Lima aos 21 do primeiro tempo e Valdivia aos 38 do segundo tempo.
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Partidazzo: Colo-Colo 0×1 Palmeiras (2009)
21 de abril de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Rodrigo Astolpho
Se 2008 acabou de forma melancólica, 2009 começou de forma promissora: um bom início de campeonato paulista, a chegada do Keirrison, à época considerado um craque, seu futuro em algum grande time europeu parecia certo. Mas muito mais do que isso, um presidente eleito, carregado nos braços por uma multidão, e muitos, inclusive eu, com os olhos cheios de lágrimas. O Palmeiras parecia ter voltado a ser Palmeiras.
Na Libertadores, porém, quis o destino que as coisas fossem bem mais complicadas. Um grupo com o então campeão, a LDU; o atual campeão da Copa do Brasil, Sport e o tradicional Colo-Colo de Santiago. Reparem que além de grandes times, em todos os jogos fora o fator campo pesava demais, a altitude de Quito, a pressão de se jogar na Ilha do Retiro (os gambás tinham perdido a final da Copa do Brasil um ano antes por lá) e para fechar, pegaríamos o Colo-Colo no Estádio Monumental na última rodada da primeira fase.
Começamos mal, perdemos pontos importantíssimos em casa e tivemos que buscar a classificação na bacia das almas. Na primeira batalha da Ilha do Retiro, tivemos a atuação brilhante do Diego Souza e a participação de muitos dos nossos, que foram até Recife fazer um bate-volta e garantiram nossa sobrevida. Estavamos no páreo, mas a classificação ainda era duvidosa, precisaríamos vencer a LDU em casa e em seguida pegaríamos o Colo-Colo em Santiago. Garantimos os 3 pontos no saudoso Palestra e ainda assim fomos para Santiago precisando da vitória para nos classificar.
O bilhete aéreo, reserva no hostel, endereço do hotel do Palmeiras e o telefone de um outro palestrino que lá estaria, à época desconhecido, o Beto Douek, que veio a se transformar em um grande amigo e parceiro de arquibancada, era tudo que eu tinha quando cheguei em Santiago as 13h30 do dia 29 de abril de 2009. O ingresso era duvida, mas de fora eu não ficaria, disso eu tinha certeza. O Belluzzo estava lá e era um dos nossos, não hesitaria em pedir um ingresso, se necessário.
Desembarquei em Santiago com a camisa esmeraldina. A Mancha/TUP tinham recebido a Garra Blanca (organizada do Colo-Colo) em SP, e seria recepcionada em Santiago. Mas por não achar que esse clima amistoso se estenderia aos torcedores “comuns”, achei mais prudente sair à paisana. Uma rápida volta pelo centro de Santiago para almoçar, e a ansiedade aumentava cada vez mais. Não me lembro ao certo, mas no horário chileno o jogo era cedo, 19h30, salvo engano. Por volta das 16h, fui para o hotel Intercontinental, onde o Palmeiras estava hospedado e onde tinha combinado de encontrar o então desconhecido, Beto Douek.
Alguns muitos pisco souers e cervejas com os palestrinos que lá estavam, e a delegação passou pelo lobby. Marcos e Belluzzo incansavelmente saudados por cerca de 30 palestrinos que lá estavam. Pegamos um táxi, enfrentamos uma corrida interminável, na hora do rush em Santiago, e então de longe, avistei pela primeira vez o belíssimo estádio Monumental. O clima com os locais era tranquilo, uma rápida cerveja na porta e entramos.
Ficamos em um local com uma visão excelente do campo (imaginem a laranja do Pacaembu). Vou passar os comentários sobre o jogo: a bola parecia caprichosamente não querer entrar; a trave por duas vezes salvou os caciques ainda no primeiro tempo. No segundo tempo o Marcão foi expulso, e parecia que não iria dar, quando aos 40 e pouco do segundo tempo, da intermediária e com a torcida palmeirense gritando “não chuta, não chuta”, Cleiton Xavier acerta aquele golaço. Lembro desse momento em câmera lenta, a bola viajando, a rede balançando, e meio de forma incrédula, eu olhei para o juiz, que apontava para o meio campo. Acho que os cerca de mil palmeirenses que estavam lá fizeram o mesmo, pois foi só então que a torcida explodiu. Lágrimas, gritos, celular tocando, abraços com desconhecidos, mais lágrimas. Alguns minutos de apreensão e fim de jogo, a vaga era nossa. Abraços, mais lágrimas e um princípio de confusão com os torcedores de uma numerada que ficavam ao lado da nossa torcida, sem nenhum tipo de proteção.
Não lembro ao certo quanto tempo se passou, ou onde os amigos tinham ido parar quando saí do estádio, e para minha surpresa na minha frente o ônibus do Palmeiras. O motorista me falou algo que não compreendi, confirmei e entrei com outro palestrino. Pouco depois, um a um os jogadores começaram a entrar, o plano era ficar quieto e voltar junto com o grupo para o hotel. Mas quando o Cleiton Xavier entrou, não aguentei: pulei do lugar e fui cumprimentá-lo, confesso que ele ficou assustado com a forma que fui em sua direção, deve ter pensado que era alguém amoitado para lhe dar uma surra, mas logo ele percebeu que era um dos nossos. Pouco depois um segurança do Palmeiras pediu para eu me retirar do ônibus. Expliquei que tinha me perdido dos amigos e que seria perigoso eu voltar sozinho, uma vez que não fazia ideia de onde estava, e os locais não estavam lá em seu melhor humor. O sujeito entendeu a situação, e gentilmente me levou até o ônibus da diretoria/remidos. Uma pena ter esquecido o nome desse segurança, pois ele está em todas as viagens e é bem gente boa. Dessa forma eu voltei para o hotel, onde a festa dos cerca de trinta torcedores era total.
Muitas vezes me perguntam se o que faço pelo Palmeiras vale a pena, a resposta vem em momentos como esse. Eu posso passar um ano viajando, conhecer os principais pontos turísticos do mundo, mas nada, absolutamente nada, chega perto da emoção que um momento como esse nos proporciona. É por isso que não vejo exagero em dizer que eu posso fazer o que for pelo Palmeiras, mas ainda assim serei seu eterno devedor. Jamais conseguirei retribuir a alegria e o orgulho que essas cores me proporcionam.
Rodrigo Astolpho tem como toque do celular “O Amor É Verde”, é presidente do fã-clube oficial do Moacyr Franco.
29/04/2009
COLO-COLO 0×1 PALMEIRAS
Libertadores da América – Primeira Fase
Estádio: Monumental (Santiago, Chile)
Árbitro: Carlos Torres (PAR)
Colo-Colo: Muñoz; Figueroa, Mena, Riffo e Salcedo; Sanhueza, Meléndez (Jara), Rodrigo Millar e Macnelly Torres (Caroca); Carranza (González) e Lucas Barrios. Técnico: Gualberto Jara
Palmeiras: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Marcão; Wendel (Willians), Pierre (Evandro), Souza, Cleiton Xavier e Armero; Diego Souza (Ortigoza) e Keirrison. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Gol: Cleiton Xavier aos 42 do segundo tempo..

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Partidazzo: Palmeiras 3×2 Fluminense (2005)
13 de abril de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de George de Barros
Sempre costumo ir aos jogos do Palmeiras sozinho. Talvez por não ter nenhum amigo palmeirense ou simpatizante, ou por alguns deles nem se interessar por futebol, ou por superstição, mesmo. Já me acostumei a ir sozinho aos jogos do Palmeiras deste os tempos da Série B, onde não havia coisa mais estranha e solitária (para os outros) que assistir jogo da segunda divisão sozinho, aos sábados à tarde. Bom, meu jogo inesquecível aconteceu no dia 4 de dezembro de 2005 (2 dias depois de completar 30 anos), Palmeiras e Fluminense no saudoso Estádio Palestra Itália, pela última rodada do Brasileiro daquele ano.
O Palmeiras precisava ganhar de qualquer jeito para tomar a vaga do Fluminense na Libertadores de 2006. Um Fluminense que estava 10 pontos à frente do Verdão algumas rodadas antes, mas que havia perdido os últimos 4 jogos, fazendo a diferença cair para apenas 2 pontos. Naquela semana montei um esquema com o meu irmão para conseguir o ingresso, pois trabalho a semana toda no Rio de Janeiro.
Bola rolando, 27 mil pessoas pulando e cantando, empurrando o time. O Palmeiras começa atacando, atacando, e nada da bola entrar. Num ataque do Flu, o sérvio Petkovic passa por 3 marcadores e toca para um tal de Beto chutar. Marcos rebate e Tuta (aquele) empurra pro gol. Fluminense 1 a 0. O Palmeiras sentiu o golpe e ficou atordoado. Não acertava mais passes, era só chutão da defesa para o ataque.
Na volta para o segundo tempo, o time voltou melhor, mais articulado, mas a bola não entrava. Já tinha chutado 3 bolas na trave. Foi quando um pai falou para o filho que estava na minha frente:
- Agora vai entrar, filho.
- Quem vai entrar, papai?
- A bola, meu filho. A bola.
E não é que a bola entrou? São Marcos acertou um lançamento de mais de 40 metros para o Gioino, que deve ser o pior atacante que a Argentina já produziu. O cara correu com a bola, sozinho, por uns 15 metros e cruzou para o centroavante Washington (Dumbo) na entrada da área, no meio de dois zagueiros. O Dumbo conseguiu dominar, girar e bater de canhota no canto! Golaço! O Palestra delira! Todo mundo pulando e cantando!
Depois de 4 minutos, o tal de Arouca, do Fluminense, acerta um chute que nunca mais ninguém vai acertar na vida, quase do meio do campo. O Marcos só esticou a mão por reflexo. A bola bateu no travessão, dentro do gol e saiu.
Silêncio no estádio.
Todo mundo pensou: – Não dá mais! Já era 22 do segundo tempo! Depois de se recuperar do gol, o Palmeiras voltou a atacar mas nada da bola entrar.
Então, aos 28, o Palmeiras tem um “mini-escanteio” pela esquerda. Uma falta perto da linha de fundo. Juninho Paulista cobrou e o Pet desviou. Gol! Novamente o estádio todo delira! Eu grito feito um louco, xingando não sei o quê, não sei quem! 2 x 2. O Palmeiras ainda precisava de um gol para tomar a vaga do Fluminense na Libertadores.
A torcida começa a cantar:- Ô, ô, ô ô, O Palmeiras é o time da virada, o Palmeiras é o time do amor!!! Faltando 10 minutos para o fim, nova falta para o Verdão, desta vez na intermediária do ataque. Correa arruma a bola. Vai cruzar na área. A bola sobe, sobe, cai, cai, passa por todo mundo, e entra! Gol do Palmeiras!!!!! Todo mundo pula, todo mundo grita! O cara que está ao meu lado, que eu nunca vi na vida, me abraça e começamos a pular juntos! Nós não! O estádio todo!
Depois disso, o jogo foi mais tenso ainda! Os 10 minutos finais todo mundo no estádio assistiu de pé! Ninguém sentava. E o tempo não passava! O Palmeiras era só chutão pra frente.
Numa bola lançada, Juninho Paulista corre e sente a virilha! Não poderia ser trocado, pois o Palmeiras já havia feito as 3 alterações. Resolveu continuar no jogo, correndo, mancando, com a cara de dor, prendendo a bola e enchendo a torcida de alegria, que gritava: – Juninho! Juninho! Juninho!
Quando o juiz apitou o fim do jogo, todos os jogadores se abraçaram, os torcedores gritaram, pularam, cantaram! Ninguém saía do estádio.Olhei para as tribunas e o presidente e o diretor do Palmeiras também pulavam e gritavam. O então diretor Palaia, com seus mais de 70 anos, pulava feito criança. Depois, na mesma tribuna, apareceu o José Serra. Não estava pulando, mas a alegria estava estampada no sorrriso de canto a canto da careca!
Aí foi só alegria, voltar para a casa, totalmente sem voz, e feliz!
George de Barros mora no Rio de Janeiro, e segundo sua própria definição, é geornalista: geólogo e jornalista.
4/12/2005
PALMEIRAS 3×2 FLUMINENSE
Campeonato Brasileiro – 42ª rodada
Estádio: Palestra Italia
Público: 26.669
Renda: R$370.074,00
Árbitro: Heber Roberto Lopes (PR)
Palmeiras: Marcos; André Cunha (Christian), Daniel, Gamarra e Lúcio; Marcinho Guerreiro, Correa, Juninho e Diego Souza (Gioino); Marcinho e Washington (Claudio). Técnico: Leão
Fluminense: Kléber; Gabriel, Gabriel Santos, Igor e Juan; Marcão, Arouca, Romeu (Juliano) e Petkovic; Beto (Rodrigo Tiuí) e Tuta (Adriano Magrão). Técnico: Abel Braga
Gols: Tuta aos 21 do primeiro tempo; Washington aos 16, Arouca aos 22, Juninho aos 27 e Correa aos 34 do segundo tempo.

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Partidazzo: Palmeiras 4×0 SCCP (1993)
7 de abril de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Luiz De Martino
Para os palmeirenses que tem mais ou menos a minha idade, não dá para não lembrar da final do Campeonato Paulista de 1993. Apesar de chover no molhado, ou seja, todo mundo lembra desse jogo e todos nós já sabemos da história, quero comentar os aspectos de um torcedor como eu a caminho desse jogo e depois na comemoração.
Lembro que a semana que antecedeu a segunda partida e a grande final foi muito tensa, pois aguentamos gozações de todas as partes, bambis, gambás enchendo o saco da gente e falando que iríamos continuar na fila.
Era uma manhã fria de sábado, acordei muito cedo tal a ansiedade para assistir ao jogo. Para mim, mesmo tendo perdido o primeiro jogo, tinha certeza que tinha chegado a hora de acabar com aquela palhaçada.
Sai de casa rumo a La Bambineira ao meio-dia junto com meus amigos de guerra, apesar de não sermos sócios oficiais da Mancha Verde, sempre íamos trajados de Mancha, com bermuda, boné e camisa. Eu, Chiba e Campana fomos com o Monza do Chiba, um carrão na época, parávamos sempre no mesmo lugar, perto de uma guarita de segurança próxima ao estádio.
Chegamos à La Bambineira e o negócio já fervia, não éramos só nós que tínhamos aquela confiança toda, todos os Palmeirenses tinham dentro do coração algo que dizia “É hoje porra”. Tomamos muitas cervejas antes de entrar no estádio, sempre deixamos para entrar pouco antes de começar o jogo, mas aquele dia era diferente, entramos mais cedo para ver a guerra das torcidas, no bom sentido, pois eram desde os gritos de guerra, para ver quem gritava mais alto, passando pelos bandeirões até quem completava os gomos do Morumbi primeiro – para quem não sabe, naquela época a polícia ia liberando os espaços conforme as torcidas os ocupavam.
Para se ter uma ideia da confiança que a torcida do Palmeiras tinha naquela conquista, lotamos todos os espaços destinados à nossa torcida rapidamente, com certeza naquele dia dividimos o estádio com os Gambás, não que esse fato fosse novidade, mas era na verdade sintomático, todos sabiam o que ia acontecer!!
Começou o jogo e todos já sabem o chocolate que foi!!
Quando o juiz apitou o final do jogo, foi uma alegria coletiva poucas vezes presenciada por este que vos escreve; abraços nos irmãos que foram comigo e em todos que passavam pela frente. Parecia que eu era velho conhecido de todos que ali estavam. O detalhe é que naquela hora, além do frio, garoava em São Paulo. Acho que eram as lágrimas de nossos fregueses eternos que caíam sobre a cidade, misturada com o choro de felicidade da nação palmeirense.
Quando não restava mais ninguém no estádio após toda a comemoração, volta olímpica etc., saímos da La Bambineira e fomos direto para o Palestra Itália comemorar mais um pouco. Fomos no salão de festas, subimos nas mesas, gritamos, festejamos, cantamos o hino umas 400 vezes sem parar. Depois ficamos sabendo que liberaram as dependências do estádio, subimos no gramado, beijamos o chão.
Mas isso ainda não era suficiente, pois quantas e quantas vezes vimos nossos rivais comemorarem na avenida Paulista e eu nunca tinha tido esse prazer. Fomos para lá subindo pela avenida Sumaré e Dr. Arnaldo. Encontrei muitos amigos, nos abraçávamos e gritávamos como se a comemoração estivessem começando naquela hora
Tivemos outras tantas glórias de lá até hoje, mas a emoção que senti nesse dia foi algo fora do comum. Só voltei a sentir uma emoção como aquela novamente quando do nascimento do meu filho Enzo. Claro que são emoções diferentes, mas falo de coração não consigo saber qual emoção foi maior, acho que elas são apenas diferentes.
Luiz De Martino é palmeirense e pai dos pequenos Enzo e Luquinha.
12/06/1993
PALMEIRAS 4×0 SCCP
Campeonato Paulista – Final
Estádio: Morumbi
Público: 104.401
Árbitro: José Aparecido de Oliveira (SP)
Palmeiras: Sérgio; Mazinho, Antonio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair (Alexandre Rosa). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
SCCP: Ronaldo; Leandro, Marcelo, Henrique e Ricardo; Marcelinho Paulista, Ezequiel, Neto e Paulo Sérgio; Viola e Adil (Tupãzinho) (Wilson). Técnico: Nelsinho Batista
Gols: Zinho aos 36 do primeiro tempo; Evair aos 29 e Edílson aos 38 do segundo tempo; Evair aos 10 do primeiro tempo da prorrogação.
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Partidazzo: Colo-Colo 0×1 Palmeiras (2009)
31 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Cleber Zerrenner
A Libertadores de 2009 começou decepcionante e terminou frustrante para nós, palmeirenses. Mas confesso que foi um dos recentes campeonatos que eu mais gostei de assistir, pois durante a competição o Palmeiras gravou momentos que ficarão pra sempre na minha memória, como o Partidazzo em que o São Marcos defendeu três pênaltis contra o Sport.
Aquele ano prometia muito. Luxemburgo recém Campeão Paulista, apesar do quase-fracasso no Brasileirão, nos botou na Libertadores, melhorou o CT do clube e conseguiu aquela parceria com a Traffic que parecia o paraíso. Investimos pesado naquele traidor do Keirrison, que chegou mostrando muito faro de gol no Paulistão. Até o Lenny deitou e rolou naquele começo de ano.
Porém, na primeira fase da Libertadores, as coisas não foram como esperávamos. Após perder as duas primeiras partidas, uma delas ridiculamente por 3×1 para o Colo-Colo em pleno Palestra, o Verdão ficou na corda bamba até o último jogo da primeira fase, justamente a volta contra o Colo-Colo lá no Chile. E graças a resultados alheios, o universo conspirou e deixou nosso time a uma vitória simples da classificação.
Eu, meu primo e minha namorada decidimos assistir ao jogo em um bar onde sabíamos que ia ter telão com o jogo do Palmeiras. Chegando ao bar tivemos uma surpresa desagradável: o espaço estava dividido com um telão exibindo Colo-Colo x Palmeiras e outro telão exibindo Atlético-PR X SCCP pelas oitavas-de-finais da Copa do Brasil, ambos sem o som da narração, o que deixou muita gente sem saber o que estava acontecendo nos jogos. Era um ambiente tenso, cheio de palmeirenses e gambás, cada um torcendo pelo seu time e torcendo contra o rival.
O Colo-Colo começou o jogo com a mesma cara que terminou a primeira partida do Palestra Italia: gastando tempo e catimbando muito. Estava na cara que enquanto eles não precisassem marcar, eles só iriam defender e enrolar. E o Luxemburgo mandou o Palmeiras pra tentar resolver logo. Uma surpresa muito grande foi a escalação do menino Souza, aquele volante ruivo com sardas, que jogou muuuuuuita bola nessa partida e dava toda a pinta de que seria nosso novo Pierre, esse que aliás fez uma de suas melhores partidas nesse dia. Com o time jogando pra cima, foi uma sequência impressionante de ataques velozes e chutes perigosos. Em dois deles o Judas9 meteu na trave. O Colo-Colo jogava na base do contra-ataque e bolas aéreas e não assustou muito. Enquanto aguardávamos o detalhe da bola entrar na rede, pudemos lá no bar comemorar três gols do Atlético-PR, que ia deixando o SCCP longe da Libertadores 2010.
A bola voltou a rolar no segundo tempo e o palmeirense sentiu na pele o que é ser palmeirense. Pierre que estava em partida monstra sentiu uma pancada e foi atendido. Voltou mancando pro jogo e milagrosamente salvou com o peito uma bola na pequena área que já tinha deixado São Marcos batido. Era um lance pra vibrar muito, mas ele caiu e pediu pra sair. Guerreiro demais, como foi nos bons tempos. Marcão, o zagueiro perna de pau, de forma infantil levou 2 cartões em 5 minutos e ficamos com um a menos. Diego Souza também deixou o time, depois de se sentir mal.
Pra piorar tudo, o SCCP, que tinha começado o jogo minutos antes do nosso, havia marcado dois gols após os 40 minutos do segundo tempo, diminuindo para 3 a 2 a diferença e levando aquela vantagem dos gols fora de casa para o segundo confronto. A gambazada explodiu lá no bar e com o fim do jogo deles, metade do bar virou uma torcida do Colo-Colo, com muitas provocações por verem o Palmeiras deixar a Libertadores de forma lenta e dolorosa. Esse momento foi tensão máxima com princípios de brigas. Tinha tudo pra dar errado.
A narração do José Silvério no fone de ouvido só deixava tudo mais dramático, porque a TV tinha um delay que mostrava a imagem uns 20 segundos depois do que ouvíamos no rádio do meu primo.
O Palmeiras continuou no “Deus nos acuda” até o finzinho. Até que aos 42 minutos do segundo tempo do rádio meu primo gritou gol, e começou a pular feito louco. Como eu já sabia que ele tava ouvindo o jogo com segundos antes da TV entrei na comemoração com muito desabafo! Palmeirenses e gambás no bar não sabiam o que estava acontecendo, rolou muita expectativa e poucos segundos depois no telão, Cleiton Xavier recebeu uma bola na intermediária; ameaçou um chute, brecou, foi pra lá, pra cá, tirou o marcador da jogada e mandou um petardo que fez muito palmeirense pensar em uma fração de segundo “nããão, trabalha a bola”. Mas o petardo foi com endereço certo, na gaveta do goleiro chileno que se esforçou muito mas não conseguiu evitar o golaço. Nesse momento eu já estava em cima da cadeira quebrando tudo e mandando todos os gambás praquele lugar. O bar veio abaixo.
Com muita secação gambá, ainda passamos um sufoco nos minutos finais e aí nosso Santo Goleiro, que não tinha trabalhado muito durante o jogo, mostrou que se garante mesmo debaixo de muita pressão. Tirou uma bola com a pontinha dos dedos que foi seguida pelo apito final e a vaga garantida pra enfrentar o Sport naquele jogo de oitavas-de-finais mágico que já foi retratado aqui no Partidazzo.
Que pena que faltou raça e força ao Palmeiras nas partidas contra o Nacional (URU), que nos eliminaram nas quartas-de-finais, pois aquele time prometia muito. E ficou só na promessa mesmo, tanto no Paulista, quanto na Libertadores, quanto no Brasileirão. Uma pena.
Ainda sim, na minha cabeça guardarei memórias mágicas daquela Libertadores, que teve momentos inacreditáveis, como esse gol espírita do Cleiton-X.
Cleber Zerrener é palmeirense e lutador de MMA na categoria peso-pesado, e pleiteia um lugar junto a Dana White no UFC.
29/04/2009
COLO-COLO 0×1 PALMEIRAS
Libertadores da América – Primeira Fase
Estádio: Monumental (Santiago, Chile)
Árbitro: Carlos Torres (PAR)
Colo-Colo: Muñoz; Figueroa, Mena, Riffo e Salcedo; Sanhueza, Meléndez (Jara), Rodrigo Millar e Macnelly Torres (Caroca); Carranza (González) e Lucas Barrios. Técnico: Gualberto Jara
Palmeiras: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Marcão; Wendel (Willians), Pierre (Evandro), Souza, Cleiton Xavier e Armero; Diego Souza (Ortigoza) e Keirrison. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Gol: Cleiton Xavier aos 42 do segundo tempo..
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Partidazzo: Cruzeiro 2 (3)x(4) 2 Palmeiras (2001)
24 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Rodrigo Barneschi
O jogo que valeu ao Palmeiras a classificação para a semifinal da Libertadores pelo terceiro ano seguido (1999, 2000 e 2001) é menos lembrado do que deveria. Provavelmente porque eclipsado pela eliminação em casa contra o Boca na fase seguinte, outro tanto porque disputado longe de nossos domínios, talvez até mesmo porque aquele time não era assim dos mais memoráveis. Mas foi um jogo e tanto, repleto de detalhes que só ganharam ainda mais relevância com o passar dos anos. Vejamos:
A partida aconteceu em um 30 de maio, exatos três anos depois de termos batido o Cruzeiro na final da Copa do Brasil. Cruzeiro este que, diga-se de passagem, foi um adversário dos mais insuportáveis desde a segunda metade da década de 1990. A data do jogo decisivo (30 de maio) era sintomática do que estava por vir. Querem mais? Lembro então que o técnico do outro lado era logo Luiz Felipe Scolari, o homem que nos levou à conquista da América dois anos antes e que havia deixado o clube no anterior. No nosso banco, um técnico dos mais contestados, Celso Roth, uma tentativa pouco inspirada de substituir Felipão.
Aquele Palmeiras começou o ano desacreditado. Eliminado da Copa João Havelange de 2000 pelo São Caetano e tendo perdido para o Vasco a final da Copa Mercosul naquela incrível virada no Palestra, o time fracassou de maneira retumbante no Rio-SP e capengou também no Paulistão, escapando do rebaixamento apenas algumas rodadas antes do final. Descontente com o desempenho de Marco Aurélio, a diretoria alviverde o demitiu e trouxe Roth no começo de março. Ele foi ajeitando o time aos poucos e o Palmeiras cumpriu uma campanha invejável na fase de grupos da Libertadores: cinco vitórias e um empate, tendo como adversários Cerro Porteño/PAR, Universidad de Chile/CHI e Sport Boys/PER.
Nas oitavas, veio o São Caetano, forte à época – vice-campeão nacional em 2000, repetiria a dose em 2001. Primeiro jogo, no ABC, em uma quarta-feira fria: derrota por 1 a 0. Na volta, no Palestra completamente tomado, uma ‘noite felipônica’: vitória por 1 a 0, gol do talismã Muñoz há oito minutos do apito final, e vaga garantida nos pênaltis: 5 a 3, com 100% de aproveitamento do nosso lado e um chute para fora do time do ABC.
Foi aí que surgiu o Cruzeiro no nosso caminho. Não apenas Felipão estava do outro lado, mas também Oséas, herói dos títulos de 1998 e 1999, era o centroavante dos caras. Para completar, outros três jogadores com passagem pelo alviverde no ano anterior tinham seguido junto com o antigo treinador: Neném, Jackson e Marcelo Ramos. Suspenso (por, vejam só, ofensas a Carlos Eugenio Simon), Scolari não pôde dirigir o clube mineiro no jogo da volta, em BH. Melhor para o Palmeiras.
2001, peço que lembrem, foi aquele ano do apagão e do racionamento de energia. Partidas noturnas foram proibidas pelo Governo, e o palmeirense se acostumou a ir ao estádio no bizarro horário das 14h45 (inclusive no meio de semana). Ciente da necessidade de contar com o Palestra cheio (e com a torcida habitual), a direção do Palmeiras alugou um gerador, de tal forma que o jogo pôde acontecer à noite (não no horário desejado, mas às 19h30, por exigência da emissora de TV, a extinta PSN).
Casa cheia, mais de 30 mil pagantes, confusão na entrada, jogo tenso. Lopes, o Tigrão, abriu o placar aos 17’ do primeiro tempo. Mas aí o juiz resolveu aprontar: expulsou Magrão aos 34’. Foi o bastante para que o Cruzeiro avançasse e chegasse à virada: Oséas (40’) e Geovanni (43’), este em evidente posição de impedimento, silenciaram o Palestra. Com um a menos, a reação parecia improvável. Mas Lopes, de novo, empatou aos 17’ do segundo tempo. O 2 a 2 parecia o resultado final, até que Jorge Wagner, aos 35’, colocou os mineiros mais uma vez em vantagem. O Palestra veio abaixo quando, já nos descontos, Lopes acertou um chute indefensável de fora da área e decretou o empate em 3 a 3.
Igualdade em casa por três gols não é bom resultado em lugar algum, mas, se serve de consolo, o regulamento daquele ano ainda não fazia referência ao critério do gol marcado fora de casa. Ou seja: novo empate no Mineirão levaria a disputa para os pênaltis. Apostando nisso, quase 20 ônibus com torcedores organizados deixaram a capital paulista na madrugada de 30 de maio de 2001 em direção à capital mineira. Foram 12 longas horas de viagem, muito sufoco, histórias para toda a vida. Coisas que só uma caravana de torcida organizada proporciona.
Chegamos ao Mineirão bem cedo, ainda com o dia claro, e a PM local logo tratou de nos colocar para dentro, na geral atrás de um dos gols. Todos com fome, um dia inteiro sem comer, e o que nos esperava lá dentro não podia ser melhor: o incomparável “tropeiro do Mineirão”. Hoje extinto (coisas do futebol moderno…), o prato vinha com arroz, feijão, calabresa, ovo, bacon e farinha de mandioca, tudo muito bem temperado. O marmitex que alimentava uma pessoa custava módicos R$ 3. Não podia haver nada melhor para aquele bando de pouco mais de mil torcedores.
Alimentados, restavam ainda umas quatro horas para o encontro decisivo. Alguns dormiam no cimento da geral, outros ficavam arrumando as faixas, uns percorriam as alamedas do Mineirão à espera de algum confronto, por menor que fosse. Os quase 70 mil torcedores da casa começaram a chegar por volta de 19h. Do nosso lado, um bom público: quase quatro mil pessoas, boa parte de atleticanos que chegavam de todos os lados para empurrar o Palmeiras.
Eis aqui nossos representantes em campo: Marcos; Arce, Leonardo, Alexandre e Felipe; Fernando, Galeano, Alex (Muñoz) e Lopes; Juninho (Basílio) e Fábio Jr. (Tuta). O Cruzeiro tinha mais time. E tinha mais técnico. Mas só o Palmeiras é Palestra.
Primeiro tempo, 5 minutos: bola cruzada para a área e Alessandro, aquele do Santos, abre o placar de cabeça. O Palmeiras não se abate, segue lutando e tem um pênalti marcado em jogada de Alex logo a seguir. O camisa 10 vai para a bola. Trave. O Cruzeiro segue em vantagem, e vamos assim para o intervalo. O empate veio aos 8’ do segundo tempo: a cobrança de falta de Arce cruza toda a grande área e vai morrer na rede do goleiro André. Pouco depois é a vez de Cris, o zagueiro revelado pelos gambás, colocar o time da casa novamente em vantagem. Mas nós tínhamos Arce na lateral-direita. Falta aos 40’ da etapa final. O paraguaio levanta para a área, Alexandre sobe mais que a zaga do Cruzeiro e cabeceia na diagonal. André não alcança. Gol! A decisão vai para os pênaltis.
Vieram os pênaltis, de novo eles. E aí nós tínhamos São Marcos, que pegou três cobranças em uma série das mais emocionantes:
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Marcelo Ramos
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1×0
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Alex (trave) |
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Luisão (defesa)
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1×1
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Lopes |
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Cris
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2×1
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Galeano (trave) |
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Ricardinho (defesa)
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2×1
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Felipe (defesa) |
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Jackson (fora)
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2×2
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Arce |
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Marcus Vinicius
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3×3
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Fernando |
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Marcos Paulo (defesa)
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3×4
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Muñoz |
Das muitas imagens que eu guardo daquela noite histórica longe de casa, fico com a da nossa saída do Mineirão, quase uma hora depois do jogo. Os torcedores locais nos esperavam no estacionamento em frente, dispostos a brigar. Mas éramos tantos, e estávamos tão embriagados pelo doce sabor da vitória, que eles apenas ficaram olhando, à espreita, enquanto a multidão verde caminhava em direção aos ônibus com bandeiras tremulando e instrumentos acima da cabeça. Ali era Palmeiras. Um jogo para sempre…
Rodrigo Barneschi é o responsável pelo magnífico Forza Palestra, e estaremos juntos amanhã no Pacaembu em mais uma guerra.
22/10/1999
CRUZEIRO 2 (3)x(4) 2 PALMEIRAS
Libertadores da América – Quartas-de-finais – volta
Estádio: Mineirão
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS)
Cruzeiro: André; Neném (Marcos Paulo), Cris, Luísão e Alex; Marcus Vinícius, Ricardinho, Cléber Monteiro e Jorge Wagner (Jackson); Oséas e Alessandro (Marcelo Ramos). Técnico: Luiz Felipe Scolari .
Palmeiras: Marcos; Arce, Alexandre, Leonardo e Felipe; Galeano, Fernando, Alex e Lopes; Juninho (Basílio) e Fabio Junior (Tuta) (Muñoz). Técnico: Celso Roth.
Gols: Alessandro aos 5 do primeiro; Arce aos 8, Cris aos 15 e Alexandre aos 40 do segundo tempo..
Envie seu texto para a seção Partidazzo pelo e-mail conrado@verdazzo.com.br
Partidazzo: Palmeiras 7×3 Cruzeiro (1999)
17 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Jorge Camilo
No final dos anos 90 e início dos anos 2000, Palmeiras e Cruzeiro travaram grandes duelos, muitos deles decisões históricas na Copa do Brasil, onde perdemos uma e ganhamos outra ; Copa Mercosul e até mesmo na Taça Libertadores, onde São Marcos, para variar, nos salvou pegando pênaltis.
O meu partidazzo trata-se especificamente da primeira partida das quartas-de-finais da Copa Mercosul de 1999, que foi realizada no ainda chamado Parque Antarctica no dia 22 de outubro, quando faltavam apenas 39 dias para a decisão do Mundial no Japão contra o Manchester.
A equipe cruzeirense era muito forte, com vários jogadores consagrados como o zagueiro Cris, o meia Ricardinho e os atacantes Müller e Marcelo Ramos – este último sempre aprontava contra a gente. E nossa equipe recém-campeã da Libertadores daquele ano tinha, além de Felipão como treinador, Roque Junior, Galeano, César Sampaio, Alex, Zinho, Paulo Nunes, Oséas, e no banco de reservas Euller e Evair, que foi com certeza o nome da partida.
Eu, na época com 12 anos de idade, assistia ao jogos sozinho em casa, e fui gritando gol logo no primeiro minuto de jogo, gol de Paulo Nunes. O jogo começou quente, aos 17 o Cruzeiro empatou e aos 27 após cobrança de falta ensaiada, virou o placar. Se isso acontecesse em meados de 2010/2011, seria um prato cheio para o desânimo tomar conta de mim; mas não, aquele time fazia coisas que era difícil de acreditar.
Com o fim do primeiro tempo ouvia-se a clássica: “o Palmeiras é o time da virada, o Palmeiras é o time do amor…” Houve também a expulsão de Felipão após fazer gestos insinuando que o árbitro carioca Cláudio Vinícius Cerdeira estava roubando nosso time. Isso foi suficiente para o Palestra ferver ainda mais e empurrar o time para virada, na época coisa fácil de realizar.
Após um primeiro tempo ruim, com dez minutos do segundo tempo, Felipão sacou Oséas e colocou ele, o craque Evair, que aos 13 do segundo tempo cobrou falta e o goleiro André (que na metade do segundo tempo daria lugar ao reserva Maisena) engoliu um frango. Estava empatada a partida.
Aos 31 minutos da etapa final Alex, após passe de Evair, virou o placar!!! 3×2. Quando comemorávamos o terceiro gol, o quarto veio logo em seguida, após cobrança de escanteio de Zinho, César Sampaio desviou e Evair colocou para dentro, 4×2 Verdão.
Quando tudo parecia terminado, faltando cinco minutos para terminar a partida, Marcelo Ramos, sempre ele, descontou para a equipe mineira, 4×3. De nada adiantou, no minuto seguinte após bela assistência de César Sampaio, Euller chutou forte e fez 5×3.
Acabara? Não, nos acréscimos Paulo Nunes entortou o zagueiro Espínola e faz um belo gol, 6×3. E para lacrar de vez o caixão azul celeste, Euller, o homem dos gols nos minutos finais das partidas, ainda fez mais um após tabela com Evair. Terminava de forma heróica e histórica mais uma partida do nosso querido Palmeiras, partida esta que teve como peça fundamental Evair, que após entrar na partida, mudou totalmente a postura do nosso time, aliado à genialidade do meia Alex.
Nas entrevistas, nosso São Marcos dizia-se espantado com o placar elástico e Paulo Nunes manteve a cautela, dizendo que nada estava definido.
Esta partida torna-se meu partidazzo, pois com 12 anos de idade vibrei feito um louco – se bem que em 1999 isso aconteceu muitas vezes. Mas esta partida foi especial, marcada por muitos gols, seis só na segunda etapa, e mais uma vez, nossa equipe me fez ficar mais orgulhoso de poder dizer: IO SO PARMERISTA, CAPISCE?
Jorge Camilo é palmeirense de Bebedouro-SP, e esteve no último domingo em Ribeirão Preto assistindo à goleada do Verdão por 6×2.
22/10/1999
PALMEIRAS 7×3 CRUZEIRO
Copa Mercosul – Quartas-de-finais – ida
Estádio: Palestra Italia
Árbitro: Claudio Vinicius Cerdeira (RJ)
Palmeiras: Marcos; Zé Maria, Roque Junior, Galeano e Júnior; Rogério, César Sampaio, Zinho (Euller) e Alex (Tiago Silva); Paulo Nunes e Oséas (Evair). Técnico: Luís Felipe Scolari.
Cruzeiro: André (Maizena); Cris, Espínola, Isaías e Gustavo; Marcos Paulo, D.Amorim (Djair), Ricardinho (Valdo) e André Luiz; Müller e Marcelo Ramos. Técnico: Levir Culpi.
Gols: Paulo Nunes aos 16 segundos, Isaías aos 17 e Ricardinho aos 28 do primeiro tempo; Evair aos 13, Alex aos 31, Evair aos 33, Marcelo Ramos aos 40, Euller aos 41, Paulo Nunes aos 47 e Euller aos 49 do segundo tempo.
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Partidazzo: SCCP 1×5 Palmeiras (1986)
10 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Marcelo Santa Vicca
Para falar do meu “Partidazzo”, decidi deixar de lado aqueles que nos valeram títulos e taças ou jogos que já habitam a memória coletiva da nação alvi-verde. Embora inesquecíveis, são jogos contados e recontados frequentemente, de modo que não me arrisco a querer acrescentar algo relevante a relatos tão interessantes já existentes. A década de 90 nos proporcionou uma infinidade de Partidazzos com títulos brasileiros, paulistas, RJ-SP, Libertadores, Mercosul, Copa-BR; tive a felicidade de estar presente em quase todos estes mas resolvi voltar um pouco mais no tempo para a “década perdida” e homenagear alguns heróis que embora não tenham nos dado nenhum título, certamente marcaram a nossa história. Craques como Jorginho, Bacharel, Éder, Edu Manga, Lino, marcaram a minha infância.
Isso posto, voltemos ao dia 3 de agosto de 1986, um domingo ensolarado em São Paulo. Eu com 15 anos visto minha camisa da TUP clássica com o símbolo da TUP “bordado” nas costas e subo no ônibus com destino a rua Dr. Arnaldo de onde pegaria o segundo coletivo chamado Jardim Colombo, este sim com destino final no estádio Cícero Pompeu de Toledo, vulgo Morumbi. Não havia qualquer tipo de fiscalização ou preocupação como hoje, de modo que a lotação me fez ir pendurado para fora, com apenas um pé apoiado na escada do busão e a mão segurando na janela por fora. O calor era infernal e as camisas eram de algodão grosso fazendo suar uma barbaridade. Mas tudo bem, valeria a pena! Era dia de Derby….
Na semana anterior o Palmeiras havia sido goleado pelo time do Jardim Leonor (5×1); depois ganhamos do Moleque Travesso por 2×0 e chegou o Derby. A desconfiança era grande, a torcida ressabiada mas mesmo assim 55.641 pessoas pagaram ingresso, sendo ao menos 50% de palmeirenses. Naquela época era normal públicos acima de 70 mil pessoas para qualquer clássico de turno e ao contrário de hoje, a torcida que canta e vibra era muito presente na gaiola das loucas. Nesse dia, 55 mil não era considerado um grande público. Acesso tranquilo pela rampa C e me posiciono onde hoje fica a bancada vermelha para empurrar o Verdão, acompanhando a tradicional “entrada das bandeiras” e nesse quesito a Mancha era um show a parte. Dezenas de bandeiras brancas entrando juntas por um dos “Fardos” atrás do gol, desfilam em fila indiana até o centro do gramado, aguardando o início do Derby. Era um ritual lindo, todos ficavam na expectativa pela entrada das bandeiras, de ambos os lados, todas as torcidas em ordem. Era como um desafio de guerra, cada um mostrando suas “armas”, espetáculo que infelizmente não existe mais.
Mal deu tempo da gambazada abrir a boca para entoar o que ainda era uma provocação (chamar-nos de Porcos…) e o saudoso quarto zagueiro Vagner Bacharel coloca o Verdão na frente com apenas 1 minuto de jogo numa cabeçada fulminante. Era o prenúncio de uma tarde inesquecível para a torcida que canta e vibra. Trinta minutos depois, Edu Manga escapa em velocidade pelo meio e dá um tapa com categoria para ampliar. No intervalo as provocações beiravam o insuportável para a gambazada, enquanto o sol torrava o Morumbi. Na volta pro segundo tempo, com clima mais ameno o Palmeiras acelerou o ritmo e aos 11 minutos Edmar fez o terceiro. A gambazada acusa o golpe, se cala e lentamente vai deixando o Morumbi, facilitando o nosso trabalho nas arquibancadas para que Mirandinha fizesse o quarto aos 31 minutos e novamente Edmar fechasse o caixão aos 44. Ainda sobrou tempo para desatenção que permitiu o gol de honra do Casagrande; mas depois não havia tempo para mais nada, Dulcídio Wanderley Boschilia apita o final do jogo: Palmeiras 5×1 SCCP.
A esta altura a imensa maioria dos gambás já estava longe, enquanto nós deixávamos o Morumbi com o sol se pondo, sem um pingo de pressa, cantando e vibrando com mais um Partidazzo histórico da Sociedade Esportiva Palmeiras. A volta para casa seria tranquila, feliz, pouco ligando em ter que novamente enfrentar o Jardim Colombo lotado. Afinal de contas, que incômodo existe em um busão lotado de palmeirenses comemorando uma goleada no Derby?
Marcelo Santa Vicca é o criador do Tsunami Verde, que terá sua sétima edição em 2012.
03/08/1986
SCCP 1×5 PALMEIRAS
Campeonato Paulista 1986 – Segundo Turno
Estádio: Morumbi
Público: 55.641 pagantes
Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia (SP)
SCCP: Carlos; Édson, Paulo, Edivaldo e Jacenir; Wilson Mano, Luís Fernando, Cristóvão (Pinella) e Casagrande; Lima (Cacau) e João Paulo. Técnico: Rubens Minelli
Palmeiras: Martorelli; Diogo, Vágner, Marcio Alcântara (Amarildo) e Denys; Lino, Mendonça e Edu Manga (Mirandinha); Jorginho, Edmar e Éder. Técnico: Carbone
Gols: Vágner a 1 e Edu Manga aos 31 do primeiro tempo; Edmar aos 11 e aos 44, Mirandinha aos 31 e Casagrande aos 45 do segundo tempo.
Edmar fecha a tampa do caixão aos 44 do segundo tempo. Casagrande ainda diminuiria, mas não aliviou o massacre.
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Partidazzo: Palmeiras 3×0 SCCP (1986)
3 de março de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Pepe Reale
Eu tinha apenas 9 anos na data deste jogo, 27 de Agosto de 1986. Um dia antes, o Palmeiras completou 72 anos e vinha pro jogo tendo que vencer o SCCP para forçar a prorrogação, já que no primeiro jogo das semifinais, o SCCP venceu por 1 x 0, gol do Cristóvão (atual técnico do Vasco), numa atuação vergonhosa do árbitro Ulisses Tavares da Silva Filho que expulsou o meia Edu e os reservas Zetti e Amarildo, além de anular um gol legítimo do xerifão Vagner Bacharel e não marcar penalti claro do corintiano Edivaldo que desviou com o braço chute certeiro de Mirandinha. Mas árbitro beneficiar o SCCP não é novidade, né? rsrs
Por que escolhi esta partida como o meu “Partidazzo” ?
Como já disse, tinha 9 anos na época. Meu pai não é um grande entusiasta do futebol, pelo contrário. Mas meu falecido avô era um palestrino fanático e sempre me chamava para acompanhar junto com ele as partidas pelo radinho. E neste dia eu sentia que meu avô estava diferente. Não estava alegre como de costume com os jogos do “Parmera“. Estava apreensivo, com razão, e só vim a entender anos depois, conhecendo um pouco mais sobre futebol.
A cada lance mais agudo meu avô colava o radinho no ouvido e eu, é claro, ficava quase sem ouvir o que acontecia. Na inocência futebolística dos meus 9 anos, até achava as caretas e xingamentos engraçados.
O jogo foi rolando, a angústia do meu avô aumentando e eu ao lado dele, compartilhando desses momentos. Final do primeiro tempo, 0 x 0, com o Palmeiras pressionando o tempo todo e fazendo o goleiro Carlos (o mesmo que no começo dos anos 90 veio jogar no Palmeiras) trabalhar bastante.
Começou o segundo tempo da maneira que terminou o primeiro: Palmeiras em cima, tentando o gol e meu avô cada vez mais angustiado. As caretas e xingamentos eram mais frequentes e eu passei a prestar mais atenção na narração.
Naquele ano tínhamos uma boa equipe. Os goleiros eram Leão (que meses antes disputou a Copa de 1986), Martorelli, Ivan Izzo e o menino Zetti, os laterais Ditinho, o uruguaio Diogo e o Denys. Na zaga tinhamos o xerife Vágner Bacharel, Márcio Alcântara, Amarildo e o jovem Toninho Cecílio. Do meio pra frente, diversos bons jogadores Lino, Gerson Caçapa, Mendonça, Edu, Jorginho Putinatti, Mirandinha, Barbosa, Edmar, Éder…
Como não cabiam todos em campo era normal haver um revezamento entre os atletas e neste jogo o técnico Carbone optou por começar com o Edmar de centroavante, deixando o Mirandinha no banco. Logo no ínicio do segundo tempo, Carbone tirou o Edmar e colocou o Mirandinha.
Meu avô quase morreu do coração, quando aos 33 minutos, Éder acertou uma bomba no travessão. O Morumbi recebeu quase 100.000 pessoas naquela noite, e a grande maioria, com certeza, era de palmeirenses.
Naquela época o placar do estádio mostrava o tempo de jogo e quando o cronometro passou dos 40 do segundo tempo, os corintianos começaram a cantar “Tá chegando a hora“. Alguns palmeirenses começam a deixar o estádio, quando aos 42 minutos, o Palmeiras tem uma falta ao seu favor pelo lado direito do campo. Jorginho levanta a bola na área, o uruguaio Diogo cabeceia, Carlos rebate e Mirandinha na base da raça, de joelho, canela, sei lá como, empurrou a bola pro fundo das redes.
A torcida alviverde explodiu no Morumbi e meu avô quase explodiu em casa. Minha avó reclamava dos berros dele (já era quase meia noite) e eu, entusiasmado com tudo aquilo, gritando junto com ele. Até o final do segundo tempo fizemos festa. Esperávamos a prorrogação, e o Palmeiras voltava a ter a vantagem de jogar por um empate para estar na final do Paulistão daquele ano.
Começou a prorrogação e a Rede Globo abriu o sinal para São Paulo. Passamos a assistir o jogo pela TV, abandonando o radinho. Não deu nem tempo de ver meu avô nervoso com a prorrogação: logo no início, aos 3 minutos, o zagueiro Edivaldo furou, a bola sobrou para Mirandinha que driblou o zagueiro Paulo e bateu na saída de Carlos, fazendo o segundo gol do Palmeiras.
A festa no Morumbi estava linda. A TV mostrava as bandeiras (que imbecilmente são proibidas hoje), a torcida cantando. Que vontade de estar lá!!!
Para fechar com chave de ouro, Éder marcou um GOL OLÍMPICO. Sim, um gol olímpico com letras maiúsculas porque não foi igual vemos hoje em dia, bolas meio que rasteiras que entram por acaso no gol. O chute do Éder foi impressionante, a bola alta fez uma curva monstruosa, passou por cima do goleiro Carlos bateu na trave e entrou no gol. UM GOLAÇO OLÍMPICO !
Palmeiras 3 x 0 SCCP, um jogaço, na maior acepção da palavra, com muita emoção e direito a gol olímpico e prorrogação. Meu avô estava em êxtase e eu acabei embarcando nessa também. Vibrava junto com ele, mesmo sem saber ao certo o que significava aquele momento. Anos depois fui entender que se tratava de uma vitória em cima do nosso maior rival e que tinha mesmo que ser comemorada da forma como meu avô comemorava e da forma que eu vi pela TV os palmeirenses presentes ao estádio comemorando.
Acho que a partir desse jogo, o amor pelo Palmeiras passou a me acompanhar de forma mais efetiva e mais apaixonada. Graças ao meu avô, que insistia para que eu ficasse junto com ele, ouvindo o jogo pelo radinho. Mania que eu herdei dele, e até hoje, durmo ouvindo a programação das emissoras AM, principalmente o “Bandeirantes a caminho do sol“.
Por todos estes motivos, este é o meu PARTIDAZZO.
Grande abraço!
Pepe Reale é papa e é a favor das Diretas Já no Palmeiras, e estará neste domingo na Festa da Gaveta.
27/08/1986
PALMEIRAS 3×0 SCCP
Campeonato Paulista 1886 – semifinais
Estádio: Morumbi
Público: 92.982 pagantes
Árbitro: José de Assis Aragão (SP)
Palmeiras: Martorelli; Ditinho, Vágner, Marcio Alcântara e Diogo; Lino, Gerson Caçapa e Mendonça (Barbosa); Jorginho, Edmar (Mirandinha) e Éder. Técnico: Carbone
SCCP: Carlos; Édson, Paulo, Edivaldo e Jacenir; Wilson Mano, Biro-Biro, Cristóvão e Casagrande; Cacau (Dicão) e Lima (Ricardo). Técnico: Rubens Minelli
Gols: Mirandinha aos 42 do segundo tempo; Mirandinha aos 4 e Éder aos 13 do primeiro tempo da prorrogação.
Titulares e alguns reservas na foto – em pé: Ivan, Amarildo, Martorelli, Márcio Alcântara, Diogo, Lino e Denys; agachados: Toninho Cecílio, Gerson Caçapa, Mirandinha, Edmar, Éder e Jorginho.Envie seu texto para a seção Partidazzo pelo e-mail conrado@verdazzo.com.br
Partidazzo: Sport 1(1)x(3)0 Palmeiras (2009)
25 de fevereiro de 2012 por @parmerista
Postado em: Partidazzo, Verdazzo
Partidazzo de Marisa Aziliero
Escolher uma partida inesquecível para falar é difícil, existem tantas e tantas, que nos orgulham a cada dia mais torcer por esse time. Eu poderia falar da partida que consagrou nosso Santo, o qual é o meu maior ídolo, ou aquela final de libertadores de 99, a copa do Brasil daqueles 4×2 pra cima do Flamengo, ou até mesmo o mais recente 3×0 em cima do vitória pela sul-americana de 2010, ou ainda os jogos que eu presenciei em estádio mesmo não tendo algo mágico, épico, só o fato de estar presente.
Mas, pra mim essa partida do dia 12 de maio de 2009, pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América, tem um gostinho especial.
Era de manhã, o jogo não seria transmitido em canal aberto, foi uma correria ligando para todos os lugares da cidade para conseguir reservar um lugar para a hora do jogo, ligando para mais 4 ou 5 amigos, para ir junto como futuramente iríamos fazer na classificação na sul-americana em 2010.
A ansiedade e o nervosismo eram grandes, se não bastasse, todos nos declaravam como eliminados, e as horas, ah, elas não passavam.
Uma hora antes do jogo, os moleques passaram aqui, e a gente foi para o restaurante que iria passar o jogo. Com camisa vestida, bandeiras nas mãos, cada um com suas manias, mas todos com a mesma esperança. Chegando lá, éramos acostumados a pegar os lugares mais próximos da TV, porém já estavam lotados, o que nos sobrou um lugar aos fundos, de onde era horrível para ver o jogo. Poucos minutos antes do jogo começar, o dono resolveu colocar um telão, parece que ele já adivinhava o que iria acontecer, e queria garantir que todos vissem bem, aquela partida.
Começa o jogo, e o primeiro tempo inteiro só deu Sport, o nervosismo aumentava, cada vez que eles se aproximavam do gol, dava medo, e o Palmeiras, para piorar, estava todo recuado. Terminado o primeiro tempo, notava-se o nervosismo presente ali no restaurante, e a ansiedade para ver o que aconteceria, até mesmo por quem não era palmeirense. Na nossa mesa, tinha gente orando, beijando escudo, impaciente, xingando, de todos os jeitos que se pode imaginar, menos calma. Eu permanecia sentada na cadeira, com os olhos focando o telão que estava bem a nossa frente, ao lado melhor dizendo, se alguém falou comigo, eu não escutei, a única coisa que eu queria escutar era o jogo, e o gol.
Depois de uma eternidade que aqueles 15 minutos de intervalo representaram, começou o segundo tempo. O Palmeiras voltou melhor, ou será que foi o Sport que voltou pior?, enfim.. o Palmeiras conseguiu controlar melhor o jogo, porém, se não fosse aquele eterno camisa 12 no gol, novamente teríamos levado uma bela de uma goleada já. Mais uma vez, Marcos, jogou por ele e pelos outros.
Luxemburgo resolve fazer mudanças no time, tira Keirrison e Diego Souza e coloca Willians e Ortigoza para dar velocidade ao time, até que não parecia ser uma má ideia. Tudo permanecia normal, até a saída de Souza para entrar o experiente volante que veio da Russia, Mozart, mas que foi juvenil ao cometer uma falta dura e desnecessária e levar um amarelo logo na primeira vez que pegara na bola.
Aí, o Sport começou a melhorar em campo, foi chegando, foi apertando, foi criando, até que aos 36 minutos, Luciano Henrique passou como quis pela esquerda e deu para Wilson abrir o placar. 1×0 para o Sport.
O nervosismo, que já era grande, tornou-se maior, ainda mais quando ao 48 minutos, Ciro acertou a bola na trave. Acabou o segundo
tempo, a partida iria para os pênaltis. O Palmeiras não tinha Diego Souza, Keirrison, e Lenny, os cobradores que fizeram gols em 2009, e Mozart bateu para a defesa do Magrão.
Mas se do lado de lá, eles tinham um grande Magrão para defendê-los, aqui, a rima é uma solução. É de seleção. É a salvação. Luciano Henrique bateu mal, e a bola não entrou. Igor empatou, Danilo bateu rasteiro e virou o placar, 2×1, do mesmo modo que há dez anos atrás o Palmeiras havia virado a decisão contra o Deportivo Cali.
Fumagalli desperdiçou mais um para o Sport, Armero mandou no ângulo direito, na melhor cobrança da série. 3×1 Palmeiras. O Sport não poderia perder, tinha que fazer o gol. Tensão dos dois lados, no restaurante o povo da nossa mesa estava ajoelhado em frente ao telão, todos falavam VAI QUE É TUA MARCOS, o silêncio surgiu, estavam todos confiantes, e tinham razão. Quando se tem uma muralha, santificada, a seu favor, não há muito o que temer. Dutra era o escolhido da vez, arrumou a bola, bateu no canto direito, aquele mesmo canto onde Marcelinho batera o pênalti de 2000, no mesmo canto onde o Zapata chutou para fora o pênalti de 1999, no canto onde a bola passou por cima da meta, interceptada por aquela pessoa iluminada.
Palmeiras 3×1, classificado para as quartas de final da Libertadores de 2009.
Marcos corre para a bandeirinha do escanteio, se ajoelha, todos vão atrás, é felicidade, é choro, as lágrimas não davam para conter, era a nossa resposta, para todos aqueles que nos davam como eliminados, para quem não acreditou. Eu tremia, chorava, abraçada em um amigo, a bandeira nos cobria, e agora era a hora de sair, comemorar.
Na rua, cantando o hino, entre lágrimas, abraços, buzinas, foguetes, mas o melhor de tudo, pela primeira vez entre tanta gente que estava sentindo a mesma coisa, ou pelo menos parecida. Não, não era um título, mas era um “partidazzo”, o qual só ocorreu graças a uma única pessoa, a qual não precisa citar, todo Palmeirense sabe. Por 20 anos ele iluminou a meta verde, por 20 anos ele é o objetivo final, inicial e total da academia. Ele é um marco histórico, singular, marcante. Um nome que não precisa ser repetido por mais que ele repita e reitere o monstro que é. Um nome que não é preciso escrever, até porque ele é indescritível.
E há exatamente 12 anos atrás, nessa mesma data, havia começado a canonização desse Santo, pelas defesas que todos nós sabemos, que todos nós nos orgulhamos, e lembramos com os olhos cheio de lágrimas.
Marisa Aziliero tem 17 anos, mora em Coronel Vivida, Paraná, tem como um de seus sonhos e metas formar-se em psicologia esportiva e atuar no Palmeiras. É autora do livro Infinitamente Amor, uma declaração de amor ao Palmeiras.
12/05/2009
SPORT 1 x 0 PALMEIRAS – Pênaltis: 1×3
Libertadores da América – Oitavas-de-finais
Estádio: Ilha do Retiro
Público: 28.487 pagantes
Árbitro: Carlos Chandia (Chile)
Sport: Magrão; César, Igor, Durval e Dutra; Andrade (Moacir), Daniel Paulista (Sandro Goiano), Paulo Baier (Fumagalli) e Luciano Henrique; Ciro e Wilson. Técnico: Nelsinho Baptista
Palmeiras: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Marcão; Wendel, Pierre, Souza (Mozart), Cleiton Xavier e Armero; Diego Souza (Willians) e Keirrison (Ortigoza). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Gol: Wilson aos 37 do segundo tempo.
Pênaltis: Magrão defendeu Mozart, Marcos defendeu Luciano Henrique; Marcão marcou, Igor marcou; Danilo marcou, Marcos defendeu Fumagalli; Armero marcou, Marcos defendeu Dutra.

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