Verdazzo!

Aula de jornalismo

16 de fevereiro de 2012 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Verdazzo

O atacante Hernán Barcos deu esta tarde na Academia de Futebol uma aula de jornalismo. Ao ser perguntado por um certo Leo Bianchi, da TV Globo, sobre sua semelhança com Zé Ramalho – e parece mesmo – perdeu a linha e deu um passa-moleque no repórter, discípulo de Tiago Leifert. Veja no vídeo abaixo.

Num momento em que os jornalistas esportivos se mostram cada vez mais infantis e mimados, o choque de cultura dado pelo argentino foi um tapa na cara. E sem luva de pelica.

A reação dos jornalistas foi corporativista, como não poderia deixar de ser, principalmente dos mais novinhos. Como pós-adolescentes, ainda se sentem mais seguros andando em bandos, e a solidariedade ao amiguinho é um belo gancho para abraçarem uma causa juntos, como foi no esdrúxulo caso dos narizes de palhaço.

O argumento de alguns era que Barcos estava errado por não gostar de um apelido. Cazzo, apelido é uma coisa que é dada por amigos – ou por inimigos – o que não é o caso de nenhum deles em relação ao atacante. Precisava vir um cara da Argentina para ensinar isso?

Barcos vem de uma cultura onde o futebol é encarado de outra forma. Aqui no Brasil, os jogadores adoram aparecer na Globo fazendo gracinhas, e os repórteres, principalmente os dessa emissora, acham que podem tudo e que os jogadores praticamente têm obrigação de fazer parte da palhaçada, mesmo que seja para serem ridicularizados – afinal, o Zé Ramalho é muito feio. Barcos foi profissional, e disse que estava lá para falar de futebol. Só faltou o menino da Globo perguntar “falar de futebol? como assim???”…

Como desdobramento, pudemos ver Tiago Leifert mostrando toda sua maturidade e profissionalismo ao chamar seus seguidores para a porrada no Twitter. É isso o que acontece quando se dá computador na mão de criança. Não pode. Ah, mas ele é filho do diretor da emissora. Então pode.

Que a atitude de Barcos sirva de exemplo não só para os jornalistas, mas principalmente para outros jogadores. Se os atletas pararem de aceitar esse tipo de abordagem e exigirem serem entrevistados de forma profissional, o jornalismo-piada deixará de existir. Que todos os profissionais do futebol se levem mais a sério, e deixem as piadinhas para nós, torcedores. Nós é que temos esse privilégio.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Não se mete, Seiscentinho!

8 de fevereiro de 2012 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Política, Verdazzo

A negociação para a contratação do meia Wesley, dada como certa por dez entre dez suuuper-bem-informados jornalistas, regrediu ontem. O portal Lance! publicou depoimento do diretor Piraci de Oliveira dando conta que os agentes do jogador resolveram aumentar a pedida, aproveitando-se da ampla divulgação das tratativas e da enorme expectativa causada na torcida.

No início da noite, os agentes dos jogador rebateram a acusação, dizendo que só houve um contato oficial, na segunda-feira, quando foi enviada a pedida salarial. A declaração não desmente a reclamação do diretor palmeirense. O fato de só ter havido um contato oficial não exclui a possibilidade ter havido um aumento na pedida – em relação aos contatos preliminares, não-oficiais.

O que causa estranheza é a presença do diretor jurídico nessa história toda. Afinal de contas, por que o pai da Lista Negra está se metendo nas negociações com jogadores agora? Exatamente no momento em que o presidente Tirone dá sinais que vai investir no time, com direito a uma surpreendente declaração neste sentido dada na segunda-feira, um negócio que estava plenamente encaminhado começa a fazer água a partir do momento em que Piraci entrou em cena – o diretor, todos sabem, é um servo de Mustafá Contursi, que é absolutamente contário ao investimento pesado no time de futebol.

Não podemos descartar a hipótese de que os agentes podem, de fato, estar se aproveitando da expectativa causada na torcida diante da intensa divulgação de que o negócio estava bem encaminhado. E o vazamento para a imprensa, muitas vezes, parte dos próprios agentes exatamente com esse intuito. Na era do Twitter, esses profissionais brigam entre si para ser o primeirão a dar a notícia. Ao se comportarem desta forma, os jornalistas extrapolam o papel de narradores e passam a personagens da negociação: ao aumentarem a expectativa da torcida, servem de instrumento aos agentes que assim aumentam a pedida.

O Verdazzo sempre vai bater nessa tecla: a classe jornalística precisa se conscientizar da situação e, para preservar sua ética, estabelecer que negociação em andamento não é notícia, portanto, não devem se manifestar nesse estágio. Notícia é o negócio fechado. Membros da imprensa, ao se comportarem como parte integrante do processo, dão margem inclusive a ilações sobre a possibilidade de estarem sendo remunerados para fazer esse papel.

De qualquer forma, imprensa à parte, cabe a Tirone podar Piraci do processo. Foi só ele aparecer que a coisa começou a azedar. Foi uma declaração dele que causou o primeiro conflito público entre as partes. Se a negociação falhar, já temos um responsável. Ninguém aguenta mais a dupla Seismilhão e Seiscentinho.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Palmeiras 1×0 Ajax

15 de janeiro de 2012 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Jogos, Verdazzo

Saiu melhor que a encomenda. Diante de um impressionante público de 25 mil pessoas, o Palmeiras começou a temporada de 2012 com um ótimo resultado. A vitória por 1×0 sobre o Ajax, pelas circunstâncias da partida, foi inesperada, já que o time europeu está em plena intertemporada, com um padrão tático já definido e apenas dando manutenção física a seus atletas, enquanto o Palmeiras está em início de trabalhos, com os jogadores sem ritmo e ainda fora das condições físicas ideais.

Quarto colocado no fraco campeonato holandês, o Ajax está muito longe de honrar as tradições de uma camisa tão vencedora. Foi possível perceber que são jogadores bons tecnicamente, que não perdem a posse de bola por passes bobos, mas sem a criatividade que sempre foi característica do futebol holandês. Assim, as chances criadas no primeiro tempo foram muito mais resultado da lentidão de nosso sistema defensivo do que propriamente por mérito dos atacantes. O mais perigoso deles era o uruguaio Lodeiro.

O Palmeiras, com exceção de Juninho pela lateral esquerda, foi o mesmo time que encerrou o ano. Felipão escalou Tinga na quarta vaga do meio-campo, e ele continuou apenas tingando, como em todo 2011. Luan também fez uma partida sofrível, que acabou compensada com a jogada final, que resultou no gol de Carmona. As chances de gol, como de costume, foram resultado de bolas paradas. Leandro Amaro mandou uma na trave, e Henrique obrigou o goleiro a fazer uma defesa milagrosa. Cicinho foi um dos grandes destaques do jogo, principalmente no apoio – deixou seu lado desprotegido, mas aí tinha que ter combinado melhor com o Gente Boa a função da cobertura. Coisas de jogo de pré-temporada.

A tendência era que no segundo tempo o Ajax arrebentasse com o Palmeiras, pela diferença de estágio físico dos times, mas como era amistoso e o limite de substituições foi ampliado, as várias mudanças nos favoreceram: do lado deles, abaixou terrivelmente a qualidade dos jogadores, e do nosso, colocou atletas descansados. Gerley entrou no Juninho (estreia interessante, mostrou personalidade), Fernandão no Ricardo Bueno, que não fez nada; e Mauricio Ramos entrou no Leandro Amaro.

O segundo tempo foi tão fraco como o primeiro. O Ajax conseguia criar algumas chances, mesmo com os reservas. O grandalhão russo Bulykin incomodava nossa zaga. Mauricio Ramos deu emoção ao jogo ao reviver o recuo de Denys de 1986, mas a sorte é que Henrique ainda conseguiu fazer falta antes que o 23 saísse na cara do gol. Deola fez três defesas sensacionais, mostrando que a falta de ritmo do grupo não se aplica a ele. Temos um goleiro.

Valdivia deu lugar a Carmona aos 15, e Maykon Leite entrou no Tinga. O panorama do jogo não mudou. Como no ano passado, o time não tinha consistência no meio-campo, já que Luan mantém sua vaga cativa jogando aberto pela esquerda, deixando o meia-armador sem ter com quem tocar. Tanto Valdivia quanto Pedro Carmona jogaram bem, cada um a seu estilo: o chileno achando passes mágicos e enfiadas de bola improváveis, e o gaúcho tentando arrancadas com a bola dominada, mas ambos paravam na apenas correta marcação dos holandeses.

Foi um jogo ruim, mas que acabou sendo muito agradável pelo desfecho: a sensacional jogada de Luan pela esquerda, em velocidade, mesmo aos 49 do segundo tempo; ele descolou um cruzamento incrivelmente preciso no segundo pau para Pedro Carmona, que fechava pela direita e testou firme, no cantinho. A comemoração do meia foi espetacular: primeiro se jogou no canto direito imaginário, imitando a defesa de Marcos no pênalti de Marcelinho, depois fez o gesto característico do Santo Goleiro, ajoelhando-se e apontando os indicadores para cima. Após o apito final, despencou no choro, muito emocionado, e foi amparado pelos companheiros. A torcida palmeirense, que nos últimos cinco minutos corretamente deixou a  festa de lado para protestar contra a diretoria e a falta de contratações, explodiu em alegria.

Parte da imprensa deu muito mais destaque às vaias da torcida do que ao jogo em si. Alguns chegaram a dizer que as vaias eram direcionadas ao time, e que hove coros de “timinho”. Não acreditem neles. Todas as manifestações, sem exceção, foram direcionadas a B1 e B2, exigindo contratações. É claro que é cedo para avaliar, e até Tinga, Marcio Araújo e Luan merecem uma trégua, um tempo para iniciarem o ano com tranquilidade e, quem sabe, melhorarem seus rendimentos em relação a 2011. Mas nem precisava do jogo de ontem para saber que o time precisa de reforços urgentes, principalmente no ataque. Resta saber se quando (e se) chegarem atacantes, Felipão vai escalá-los em suas posições originais, e se vai abrir mão do esquema em função de Luan.

Felipão, aliás, demonstrou estar de saco cheio de B1 e B2, e ontem, com razão, abriu fogo contra a dupla nas entrevistas pós-jogo. Depois que Frizzo declarou publicamente que o atacante Barcos não viria para o Palmeiras porque Felipão havia recusado, o técnico veio a público e disse que quer, sim, o jogador, e lamentou que atletas acabem deixando de vir para o clube por causa de piadinhas, em clara referência às tentativas de fazer humor de Frizzo e Tirone ao comentar negociações. Essa entrevista pós-jogo deve ter desdobramentos, vamos acompanhar.

O jogo foi precedido pela fantástica procissão em homenagem a São Marcos. O evento, claro, terá um post todo especial, com videos e imagens exclusivas. Fiquem espertos aqui no Verdazzo.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Ajudem o UOL a elogiar o #clubediferenciado

10 de janeiro de 2012 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Verdazzo

Ontem tivemos a chance de ver uma pérola do jornalismo sãopaulino. Matéria do portal UOL tem como manchete a seguinte frase: “São Paulo se livra de ‘rejeitados’ pela torcida e rejuvenesce elenco para 2012“. Duvida? Tá aqui ó.

Quando o portal usa o termo “livrar-se”, fica claro que o jornalismo já foi pro saco logo na chamada. A expressão é usada por torcedores, parciais por definição. Depois de mais de trinta anos acompanhando futebol, jamais vi na imprensa uma expressão como essa.

Mas o mais impressionante são os argumentos usados para sustentar o tal ‘rejuvenesce‘. O gênio construiu o seguinte raciocínio: aproveite que Rivaldo, de 39 anos, foi dispensado, e tire a média das idades dos cinco dispensados pelo clube. Faça o mesmo com os cinco contratados. Uau, a diferença das médias de idades dos dois grupos é de 1,8 anos. Conclusão: a diretoria se livrou das tranqueiras, e o time rejuvenesceu! Não é mesmo um clube diferenciado?

Vamos fazer uma suposição: tiremos Rivaldo e Fabrício desses grupos. A diferença da média de idade entre os que entram e os que saem despenca para 0,25 anos. Tá bom, o “se não joga”, então vamos sem suposições: vamos tirar a média de todo o elenco antes, e de todo o elenco depois das transferências. A diferença cai para 0,30 anos. É isso que de fato ‘rejuvenesceu’ o elenco, e sabe-se lá o que isso significa no quanto o time vai correr em 2012.

Na reportagem não há nenhuma menção à qualidade dos tais reforços – dentre eles o ignóbil Paulo Miranda, de passagem tétrica por aqui há alguns anos. Não se toca no assunto do quanto foi gasto. Mas os ganhos financeiros com as vendas são bastante elogiados. O esforço para construir uma reportagem positiva para o #clubediferenciado chega a ser comovente.

Mas agora nossos amigos da imprensa estão em apuros. O time de meninos do SPFC foi eliminado na primeira fase da Copa São Paulo de Juniores ao perder por 2×1 para o Grêmio Itinerante, em Barueri, depois de ter empatado com o Sergipe na rodada anterior. Não dá pra usar nem o velho e verdadeiro “o que importa é revelar talentos e não o resultado”, porque ninguém consegue apontar nenhum jogador nos pequenos bambis que valham dez pares de chuteiras.

Sendo assim, vamos em socorro de nossos bravos jornalistas do UOL. Com nossa criatividade, vamos ajudá-los a sair dessa enrascada. Deixem nos comentários sugestões de manchetes e matérias que exaltem o #clubediferenciado e assim ajudem a rapaziada a não levar bronca do chefe!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Nova temporada

10 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Verdazzo

Estamos em novembro e a temporada de boatos começa a esquentar. Se o SCCP realmente tivesse contratado todos os jogadores que a imprensinha especulou nos últimos meses, teria um timaço: Seedorf, Ganso, Tévez, e agora Kleber. Judas30 está negociando com o Grêmio, único clube que realmente fez uma proposta para ter o atacante, e que já deve estar se arrependendo ao sentir o nível do jogador e de seu agente quando o assunto é dinheiro. O SCCP tenta atravessar o negócio, e Pepinho já está fazendo leilão, ao melhor estilo Assis.

Na negociação com o Grêmio, especula-se que alguns jogadores teriam sido oferecidos como contrapeso, já que o Palmeiras não aceita nenhum valor menor que 4 milhões de euros por sua parte nos direitos do traíra. Os nomes que foram ventilados: Gabriel, Miralles, Lúcio e André Lima. Tudo no campo da especulação.

Chega a ser uma brincadeira de mau gosto pensar em Lúcio. O atleta é um dos maiores símbolos de jogador odiado pela torcida – ódio esse que parece um pouco superdimensionado diante dos pecados cometidos. Mesmo ele não sendo lá grande coisa, também está longe de ser um Tinga – durante sua passagem pelo Palmeiras, havia uma série de jogadores muito piores do que ele. Caiu na burrada de dizer, numa entrevista descontraída, que acreditava ser naquele momento o quarto melhor lateral-esquerdo do mundo. Ele estava em boa fase – mas assim que voltou ao normal, a torcida não perdoou a declaração, e passou a hostilizá-lo com o famoso coro “Lúcio vagabundo, é o pior lateral do mundo“. Um exagero, embora suas descidas pela esquerda que quase sempre acabavam saindo com bola e tudo pela linha de fundo realmente esgotasse nossa paciência. O fato é que é um despropósito cogitar que um atleta com esse histórico esteja sendo cotado para entrar numa negociação. Guardem os nomes dos jornalistas que cometeram esse “engano”. São mal-intencionados.

Já André Lima declarou que não quer sair do Grêmio. Bem-quisto pela torcida, não quer entrar como contrapeso numa negociação, é uma situação que nem todos os jogadores precisam passar. E vamos combinar: pra que sair de um clube em que se está de bem com a vida e com a massa, ganhando um salário honesto e em dia, para ir para o que hoje é o Palmeiras, um caldeirão em ebulição que não sabe nem se vai permanecer na Série A, onde os jogadores vivem sob ameaça de apanhar da torcida? André Lima sabiamente não falou nada sobre as agruras do Palmeiras, só disse que queria ficar no Grêmio, mas que deve ter pensado isso, ah, deve. Afinal, a camisa do Palmeiras continua sendo a de sempre, e uma proposta nossa jamais será solenemente ignorada por nenhum jogador em atividade no Brasil – mas basta pensar um pouco para que a decisão de permanecer onde está, hoje, seja facilmente tomada.

A imprensa, claro, dá à declaração o viés que vende mais. André Lima disse que quer ficar no Grêmio não vende aqui em São Paulo. O legal é dizer que ele não quis jogar no Palmeiras. A mediocridade das editorias de esporte não tem limites, e o torcedor palmeirense vai à loucura, em parte pela raiva desse comportamento da imprensa, predatório ao Palmeiras, e em parte porque sabe que a provocação tem um fundo de verdade.

Miralles e Gabriel são outras especulações que não se sabe de onde partiram, assim como Wagner, ex-meia do Cruzeiro, que está no futebol russo. O fato é que entra gestão, sai gestão, e a fofocaiada não tem fim. Não existe negócio em segredo no Palmeiras. Os dirigentes não aprendem.

O que preocupa, no entanto, é que mesmo que desta vez façam tudo certo, que apesar dos vazamentos contratem cinco ou seis bons jogadores, se não resolverem o problema do ambiente da Academia de Futebol, não vai adiantar nada. Podem trazer os onze do Barcelona embrulhados com um lacinho que vai ser eliminado na semi do Paulista e brigar pra não cair no Brasileiro.

E o clube ainda está correndo o risco de pagar parcelinhas de rescisão de treinador top por mais alguns meses a fio, porque mais uma vez não se deu condições de trabalho. O resultado do trabalho de Scolari está sendo analisado de forma absoluta, e poucos ainda aceitam relativizar a fragilidade dos resultados do time sob seu comando – quem está de fora não consegue dimensionar, e quem está dentro e tem boa parcela de culpa empurra seu quinhão sobre os ombros do treinador.

Felipão tem uma cota de crédito ainda positiva, mas que está longe de ser aquele manancial aparentemente inesgotável. Ele mesmo tem que aprender com os erros que cometeu este ano, e corrigi-los para 2012 – e isso passa por convicções táticas e por métodos de liderança que mostraram não ser à prova de falhas. Mas mesmo que Felipão faça sua parte, vai continuar precisando de respaldo. Caso contrário, corremos o sério risco de ter um 2012 ainda pior que 2011.

Aí nos lembramos que quem tem que dar esse respaldo e agir como verdadeiros líderes são Tirone e Frizzo.

O que será do Palmeiras?

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Jornalista não é humorista

2 de novembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Verdazzo

ImprensinhaDesde que existe futebol, existe a trollagem. Praticada à exaustão por torcedores de todos os times, é algo que mantêm as rivalidades acesas, e é um dos maiores combustíveis para que o futebol, como um todo, se mantenha como uma atividade importante – e rentável.

Todo profissional de futebol – seja atleta, membro de comissão técnica, jornalista e até empresário, antes de entrarem para o mundo do futebol profissional, eram torcedores. E como tal, dependendo de suas personalidades, praticavam a trollagem em maior ou menor grau. Mas a partir do momento em que se tornaram profissionais, se quiserem ser levados a sério, devem deixar de ser torcedores – principalmente no aspecto de provocar torcedores de outros times.

Na imprensa, há determinados profissionais – e pior, departamentos inteiros em certas emissoras, principalmente as rádios FM que invadiram o futebol – que acham que futebol é local para se fazer humor de forma “neutra”. Parecem incapazes de compreender que, apesar de futebol ser entretenimento, não é palhaçada. Se querem fazer troça, serem engraçadões, devem assumir a bandeira de um time específico. Nesse momento, os torcedores dos outros times só serão trollados por eles se quiserem – o aviso estará claro: é uma rádio com um time definido.

É claro que isso não deve acontecer; as rádios não vão querer restringir suas audiências e não estão preocupadas se deixam os torcedores muito putos. Elas querem é polêmica, discussão, audiência, e não importam os meios. Na verdade, tudo isso deve ser objeto de uma discussão muito mais ampla, que passa por análises sociológicas do brasileiro médio, e muito provavelmente vai desembocar na crônica deficiência de nosso sistema educacional. Essas rádios desprezíveis e oportunistas são apenas o resultado de tudo isso.

***

Mais inadmissível ainda foi o comportamento que o empresário Marcelo Goldfarb teve na semana passada. O agente, que trabalha com jogadores como Felipe (Flamengo), Fabio Costa (ops!), Mariano (Fluminense), Pará (Santos), Chicão (SCCP), Alan Patrick (Shaktar), Douglas (Grêmio), Jadson (CBF/Shaktar), Elton (Vasco), Liedson (SCCP) e Ricardo Bueno, de família notoriamente corintiana, anunciou em seu perfil do Facebook que descartava a ida de Douglas para o Palmeiras:

Marcelo Goldfarb
Pra tristeza do Flávio Monteiro, do Felipe Nigri e dos outros 586 Palmeirenses que existem no mundo:
Empresário descarta negociação de Douglas, do Grêmio, para o Palmeiras

Alguns comentários se seguiram, inclusive um de um de seus clientes, o meia Roger Guerreiro, atualmente no AEK da Grécia e Seleção Polonesa, que é tão burro que trata seu empregado por patrão:

Roger Guerreiro: “po patrão, to achando q vc esta boicotando o palmeiras… primeiro me descartou la… e agora descartou também o douglas……”

Só lembrando, o tal Roger Guerreiro é o mesmo que jogou no SCCP em 2003, era lateral-esquerdo e se chamava apenas Roger. Tornou-se célebre na eliminação deles da Libertadores daquele ano, quando Geninho gritou “PEGA PEGA PEGA” numa jogada na lateral do campo, e ele entrou no meio do D’Alessandro, sendo expulso. Mas o pior ainda estava por vir. O próprio Goldfarb teceu o seguinte comentário na sequência:

Marcelo Goldfarb: Por partes: primeiro de tudo, longe de mim boicotar o Palmeiras. Descartei o Douglas lá, porque tenho outros projetos pra carreira dele. A idéia, por enquanto, é mantê-lo em um clube grande. Quando ele chegar aos 35, 36 anos, aí sim, começo a pensar em algo como Guarani, Palmeiras, Noroeste e etc. E quanto a você, Roger, meus planos também são outros. Já ouço a fanática torcida do Dailan nos recebendo aos gritos de “1, 2, 3, o Roger é Chinês”.
Por fim, com relação ao Ricardo Bueno, posso te garantir que ele é o menos culpado n essa crise toda, Nigri. Acontece que quando o Palmeiras me procurou, umas das condições que impus ao Ricardo pra fechar o negócio, foi que gol ele só poderia fazer nos acréscimos e quando a outra equipe estivesse ganhando por, no mínimo, 2 gols de diferença. Tudo pra não atrapalhar as derrotas do seu time.
Se ainda assim, você e o Flavinho quiserem almoçar com a gente, estão convidadíssimos. Vou confiar que não se trata de uma emboscada.

Por mais que fosse uma trollada em amigos específicos, ele falou como agente, num perfil público. É inadmissível. O Palmeiras, através de sua diretoria, tem que tomar uma atitude enérgica não só contra esse agente, como de qualquer um que, de forma profissional, se meter a fazer gracinhas com o nome do clube – a não ser que seja alguma entidade assumidamente torcedora de outro time.

Futebol é entretenimento, mas o entretenimento é proporcionado pelos atletas. Jornalistas e outros tipos de profissionais devem se ater a desempenhar seus papéis. Deixem o humor para os humoristas – ou para os torcedores.

***

Aliás, o Verdazzo, site assumidamente palmeirense e que faz da trollagem sobre outros times um dos pilares de suas atividades, está sem nenhum moral de trollar ninguém. Com o Palmeiras proporcionando vexames atrás de vexames, e passando a correr risco de rebaixamento, como é que vamos tirar sarro de alguém? Ajuda aí, Palmeiras!!!
 
 

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Repercussão

25 de outubro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Verdazzo

Os grandes portais se renderam à força da manifestação de ontem. Confira abaixo reportagens feita pelo Globo Esporte e Lance!, e também alguns links para a cobertura:

Interlocutores

5 de outubro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Matérias, Verdazzo

A jornalista Sonia Racy, do jornal O Estado de São Paulo, cunhou nesta quarta-feira um novo termo em sua coluna para legitimar fofocas sobre os bastidores de futebol: os “interlocutores“, que juntam-se aos já consagrados “membros da diretoria“, “conselheiros“, “pessoas ligadas à situação (ou oposição)“. Esses termos podem ou não vir acompanhados do adjetivo “influente“, o que nos permite concluir que em breve teremos também na coluna De Prima, no blog do Perrone, no blog do Cosme Rímoli, e em tantos outros, os “interlocutores influentes“. A conferir.

A notícia? É velha, só muda o contratado. Segundo a bem-informada jornalista, Felipão teria garantido aos tais “interlocutores” que já assinou contrato com o SPFC. Provavelmente vai fazer companhia a Valdivia, que pelo que garantiu Juca Kfouri e suas fontes desinteressadas, já assinou esse mesmo contrato há três anos.

A notícia já foi desmentida pela assessoria de imprensa de Felipão. A colunista insiste, e ainda se dá ao luxo de ser irônica. E o Estadão vai se especializando cada vez mais em dar notícias furadas.

Desculpem o trocadilho de gosto duvidoso, mas… ô racynha!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Evair: de ‘elefante branco’ a ídolo da torcida

2 de outubro de 2011 por @parmerista  
Postado em: História, Imprensa, Matérias, Verdazzo

Por Thell de Castro*

Lendo o 3VV na última sexta, vi o comentário do usuário XXX.D.G.XXX sobre a chegada de Evair ao Palmeiras, em 1991. E, coincidentemente, esse assunto estava na lista de temas que gostaria de abordar aqui na coluna. Então resolvi contar a história da chegada do ídolo ao time.

Já falamos sobre as ‘forças negativas’ que acompanhavam o time em 1992, antes da chegada da Parmalat. Voltamos um pouco mais no tempo e, ainda naquela seca de títulos e ídolos, lembramos que a situação, como agora, não era fácil.

No dia 10 de junho de 1991, a Folha de S. Paulo noticiou a chegada do artilheiro. “Palmeiras acerta a troca de Careca por Evair”. Trechos da matéria:

“O Palmeiras acertou a troca do atacante Careca [Bianchesi] por Evair, que estava na Atalanta, de Bérgamo, da Itália. O negócio foi fechado no sábado depois de uma reunião entre Franco Previtalli, dirigente do clube italiano, e o jogador palmeirense. Os clubes já tinham feito o acordo. A troca dependia do acerto dos jogadores com seus novos clubes. (…) O centroavante Evair, 25 (1,89 m e 80 kg), ficou três temporadas na Atalanta, onde formou ataque ao lado do argentino Cláudio Caniggia. Na temporada 1988/89, o ex-jogador do Guarani de Campinas jogou 25 partidas e marcou dez gols. (…) No último campeonato, o time não foi bem e a diretoria resolveu fazer mudanças. O desejo de Evair de voltar ao Brasil motivou a troca. Sua data de apresentação não está definida”.

No dia 12 de junho, a Folha fez uma matéria sobre a apresentação de Evair e perguntou se a contratação era um bom negócio. Vamos aos trechos de “Evair se apresenta ao Palmeiras e fará exames durante cinco dias”:

“O real estado clínico do centroavante Evair, que se apresentou ontem no Palmeiras, ainda é uma incógnita e sua contratação corre o risco de entrar para a galeria dos maus negócios do clube. O novo patrimônio do Palmeiras, avaliado em aproximadamente US$ 800 mil, veio do Atalanta (…).”

Em suma, a matéria dizia que Evair tinha problemas físicos, como uma hérnia de disco da época do Guarani que não se manifestou nas três temporadas em solo italiano. Um pouco antes, o time contratou Rubem (quem?), do Guarani, abriu mão dos exames médicos, o jogador tinha problemas no joelho, foi operado e acabou ficando meses fora dos gramados.

No dia 18 de junho, a Folha trouxe outra matéria, “Hérnia de disco de Evair aumenta os maus negócios do Palmeiras”. Tudo conspirava contra a contratação do jogador, que quase foi devolvido. Por curiosidade, vamos listar alguns trechos desta matéria de Mauro Teixeira, que cita péssimos negócios feitos pelo clube.

“A hérnia de disco detectada no atacante Evair vem coroar uma série de maus negócios feitos na gestão de Carlos Facchina Nunes na presidência do Palmeiras desde 89. (…) Evair custou US$ 1 milhão ao Palmeiras, que recebeu mais US$ 2 milhões pelo passe de Careca. Enquanto o ex-palmeirense serve à seleção brasileira que disputará a Copa América, o clube do Parque Antarctica terá de decidir o que fazer com o elefante branco que tem nas mãos.”

A Folha apurou que o minucioso exame feito em Evair, que incluiu uma tomografia computadorizada, apontou a hérnia de disco. De salvador da pátria, Evair transformou-se num ‘jogador de risco’. O seu destino só será decidido na reunião marcada para o dia 24, quando ele volta de Crisólia (MG), onde acompanha o estado de saúde de seu pai.

“A reunião contará com a presença do técnico Nelsinho e terá como pauta o relatório já entregue à diretoria pelo médico do clube, André Pedrinelli. Os dirigentes devem convocar ainda o procurador de Evair e poderão até tentar desfazer o negócio com o clube italiano. O parecer médico desaconselha a contratação do atacante e coloca a responsabilidade sobre os ombros dos dirigentes.

Caso o negócio seja desfeito, a frustração de torcedores e ‘corneteiros’ poderá colocar mais lenha na fogueira do agitado ambiente político do Palmeiras. Na tentativa de quebrar o jejum de 15 anos sem títulos, a diretoria do clube tem provocado freqüentes crises com ‘negócios da China’.”

Veja você que “agitado ambiente político do Palmeiras” está (e estará) em todas as colunas que fizermos aqui no Verdazzo, seja em 1978, 1986, 1991, 1992, 2003, entre muitas outras matérias que estou pesquisando… Confira no quadro abaixo alguns dos negócios feitos por Facchina que foram enumerados pelo jornal.

No dia 21 de junho, veio o “dia do fico” de Evair no clube. Confira trechos da matéria “Dirigentes do Palmeiras garantem a permanência de Evair no clube”:

“A cúpula do Palmeiras dedicou a tarde de ontem para os desmentidos. Ela formalizou que o futuro do centroavante Evair não está ameaçado no clube, que aproveitará o jogador no Campeonato Paulista mesmo com a constatação da hérnia de disco através de uma tomografia computadorizada. O médico André Pedrinelli negou que o atacante corre o risco de uma cirurgia.

Ele garantiu que Evair está apto a jogador futebol sem a necessidade de um tratamento especial. (…) Na verdade, não havia outra alternativa aos dirigentes senão assumir a permanência no Palmeiras. Se ele tivesse uma lesão mais grave que comprometesse sua atividade normal, dificilmente o clube conseguiria repassá-lo para outra equipe pela repercussão negativa do fato.

O triunvirato de diretores que acompanhou o ‘caso Evair’ – Adriano Beneduce, Jorge Adamo e Gilberto Cipullo – se debruça no argumento de que Evair jogou três temporadas no Atalanta, da Itália, sem nada sentir. (…) O trio desmentiu, ainda, que o zagueiro Luís Eduardo, contratado na segunda-feira, tenha um problema no púbis. “É mentira”, afirmou Adamo. Ele revelou que o departamento médico obteve informações do Grêmio, ex-clube de Luís Eduardo, dando conta que ele jamais teve essa lesão”.

No dia 25 de junho, Evair se apresentou novamente, treinou durante 40 minutos, não sentiu nada e prometeu que ficaria em forma física para a disputa do Campeonato Paulista, em julho.

Evair estreou no Palmeiras no dia 07 de julho de 1991, em amistoso contra o Mogi Mirim, quando o Verdão foi goleado por 4 a 2. “Foi a primeira derrota do técnico Nelsinho desde que assumiu a direção do time palmeirense. Demétrio (2), Givanildo e Afrânio marcaram para o Mogi, enquanto o estreante Evair e Betinho anotaram para o Palmeiras, ambos em cobrança de pênalti”, informou pequena nota da Folha de 08 de julho.

No dia 10 de julho, o Palmeiras acertou a contratação de César Sampaio junto ao Santos. Desta forma, vemos que alguns dos ídolos do esquadrão de 1993/1994 já chegaram ao clube em 1991.

E o tempo passa…

Como sempre fazemos, acabamos encontrando várias relações daqueles tempos com os atuais, seja pela crise política, pela falta de títulos, ou por algum outro motivo. Então, para finalizar, passo trechos de reportagem de 10 de novembro de 1991, “Palmeiras desafia primeiros sinais de crise”:

“O clássico de hoje é decisivo para o Palmeiras, apesar de o técnico Nelsinho afirmar o contrário. O time já começa a dar sinais de instabilidade emocional, ocasionada pela necessidade imediata de conquistar um título. A perda da liderança do grupo Verde para o Corinthians, na fase de classificação, e a precipitação do departamento médico em liberar alguns jogadores abriram feridas que não suportam uma derrota.

O problema mais grave está no ataque, o ponto fraco da equipe. Sem Evair, em recuperação de uma contusão no pé esquerdo há 50 dias, o Palmeiras não encontrou um substituto. Os médicos alteraram os métodos de tratamento, passam a adotar infiltrações de analgésicos e acreditavam que ele poderia jogar hoje. Evair chegou a pedir ao técnico para ficar pelo menos no banco de reservas. ‘É um absurdo. Você não está curado’, foi a resposta de Nelsinho”.

Pressão por títulos, instabilidade emocional, problemas no departamento médico. Lembrou de alguma coisa?

Posteriormente, em 1992, durante outra crise na equipe, como já falamos no primeiro texto aqui no Verdazzo, Evair foi afastado da equipe por Nelsinho, por ‘deficiência técnica’ e por problemas disciplinares, como em entreveros com o companheiro de equipe Betinho. Cogitou-se até a negociação do jogador. Com a chegada de Otacílio Gonçalves, ele foi reintegrado e, com a ajuda da equipe milionária montada pela Parmalat, fez gols decisivos, foi um dos líderes da equipe e nos deu muitas alegrias, se transformando em um grande ídolo.

Enfim, Evair Aparecido Paulino ficou no Palmeiras entre 1991 e 1994, depois voltando para a vitoriosa campanha na Libertadores de 1999. Fez 245 jogos com a camisa alviverde e marcou 127 gols, uma média superior a 0,5 por jogo.

O que seria um ‘elefante branco’, como disse a Folha, se transformou em um excelente negócio. Como sabemos, Careca Bianchesi sumiu e, provavelmente, não nos daria tantas alegrias quanto Evair. Isso mostra que, muitas vezes, é preciso arriscar – mesmo que, neste caso, como as matérias mostraram – foi mais pelo medo do ‘mico’ do que uma aposta verdadeira.

Só nos resta agradecer a Evair por tudo que fez em sua passagem pelo Palmeiras, particularmente a atuação de gala, por exemplo, na final do Paulistão de 1993 contra os gambás. Tenho esse jogo gravado e, como muitos palmeirenses, periodicamente assisto a fita novamente para relembrar esses momentos mágicos. Bons tempos…

Em pé: Odair, Toninho, Ivan, Andrei, Luís Eduardo e César Sampaio;
Agachados:  Erasmo, Betinho, Evair, Edu Marangon e Edvaldo.

* Thell de Castro é jornalista e publica todos os domingos uma coluna contando algum trecho da História do Palmeiras.

Palmeiras 1×1 América

1 de outubro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Imprensa, Jogos, Matérias, Verdazzo

Após o gol de empate do América, ouvia-se nas arquibancadas do Canindé: “inacreditável!!! inacreditável!!!”. Não é. O pior de tudo, é que empatar com o América em casa já deixou de ser algo inacreditável para ser previsível. O Verdão foi fraco, indigno, impotente, e não conseguiu, em 45 minutos, fazer o gol da vitória, e ainda dependeu da paúra do árbitro que não deu um pênalti de Deola nos descontos; o time poderia até ter perdido. Esse é o retrato do Palmeiras hoje. Comparando com o time do primeiro semestre, e que foi bem até a quinta rodada quando meteu 5 a 0 no Avaí, não parece que são os mesmos jogadores.

O primeiro tempo não foi ruim. Valdivia, mesmo meia bomba fisicamente, fazia o suficiente para desequilibrar a partida. Contando com a ajuda de Fernandão, o chileno conseguiu articular lances interessantes, que não tiveram sequência pela ruindade crônica de Luan, Maikon Leite, Gabriel Silva e Marcio Araújo. Mas no início, o América foi quem jogou melhor e finalizou três vezes contra nosso gol, em dois chutes de fora perigosos, e em uma cabeçada firme de Micão que para nossa sorte foi em cima de Deola.

Aos poucos o Palmeiras foi se soltando, se livrou da marcação dos mineiros e passou a tomar conta do jogo, mas o primeiro grande lance foi, para variar, numa falta cobrada por Marcos Assunção, que beijou a forquilha de Neneca – que já tinha entregue a Deus. De vez em quando a jogada saía certa: pelos flancos, bola centrada para Fernandão, que ou tentava girar, ou tocava para trás buscando a chegada de Valdivia, que de frente para o lance, escolhia a melhor sequência. Infelizmente não tivemos muitas jogadas assim, um tanto pela falta de ritmo do chileno, outro pela total falta de entrosamento dos atletas, que parecem que são de elencos diferentes.

O volume de jogo era alto, e o América seguia parando o Palmeiras na base da falta. De tanto dar sopa para o azar, acabou levando um gol pouco provável: a falta foi pelo flanco esquerdo, quase sem ângulo; todos esperavam o cruzamento mas Marcos Assunção bateu direto, no ângulo oposto; ele ainda contou com a ajuda de Micão que desviou e tirou Neneca da jogada, e assim abriu o placar. Vantagem justa.

O time continuou jogando bola. Quando Valdivia tinha a chance de participar, ou tentava um passe ousado, ou acabava sofrendo falta que Assunção usava para levar mais perigo ao gol mineiro. Mas no último lance do primeiro tempo, a maldição: jogada de bola parada na direita, a bola foi rolada e o cruzamento veio. A defesa do Palmeiras estava uma verdadeira zona, deixando Kempes livre no segundo pau; ele teve sorte na bola desviada, ajeitou no peito e fuzilou Deola, empatando o jogo. Vejam na figura abaixo que gracinha estava nossa defesa no momento do cruzamento.

E o América voltou para o segundo tempo com tudo: logo no primeiro lance, Deola colocou para escanteio uma bola venenosa que foi alçada mas ninguém aproveitou. Na cobrança, Fabio Junior testou firme, e Deola fez uma defesaça. Apesar do susto, a disposição do América em vir para cima dava a impressão que permitiria ao Palmeiras os espaços que precisava para desenvolver seu jogo. Deu uma breve esperança de vitória. Mas do contrário, se os mineiros se satisfizessem com o empate e se fechassem, o jogo seria uma repetição do que foi contra o Grêmio e contra o Bahia.

E foi exatamente o que aconteceu. A pequena pressão do América do início do segundo tempo foi só um suspiro, e apesar de estarem lá atrás na tabela, precisando vencer, não se atreveram a sair para o jogo. E assim o Palmeiras sofre. No lance mais agudo, Assunção bateu escanteio da esquerda, Mauricio Ramos chegou solto no segundo pau e quando se preparava para o cabeceio foi chargeado, sofrendo pênalti. Mas mesmo assim tocou na bola, que ia para o gol e obrigou Neneca a fazer um milagre. Como não levou vantagem no lance, o árbitro baiano Jailson Macedo Freitas deveria ter assinalado o pênalti, mas não o fez.

O pé de Assunção então descalibrou. O Palmeiras teve uns trezentos e quarenta e cinco escanteios e faltas no ataque, mas todos os cruzamentos foram rechaçados sem dificuldades pela defesa ou por Neneca, que é bem alto. E Felipão, que já tinha colocado Gerley no Gabriel Silva por deficiência técnica, começou a substituir no ataque: primeiro foi Ricardo Bueno no Fernandão, e já perto do fim, Vinicius no Luan. Claro, de nada adiantou. Vinicius ainda teve a bola do jogo no final, numa bola que foi cruzada rasteira, para trás, mas o arremate explodiu na zaga. Um pouco antes, Deola dividiu com Gilson na área e deu toda a impressão de pênalti. A arbitragem do juiz baiano foi muito fraca. Há também quem reclame de um pênalti sobre Maikon Leite no primeiro tempo.

Mas não adianta reclamar do juiz, mesmo porque, se estivesse mal intencionado, teria colocado na cal o lance sobre Gilson. O Palmeiras mais uma vez esbarrou em suas limitações técnicas e emocionais. Tudo é resultado de um comando mal executado, em todos os níveis. Infelizmente somos obrigados a admitir que o empate não foi surpresa.

Não pode ficar sem registro o comportamento deplorável da imprensa após o jogo. Revanchistas, vingativos, associaram de todas as formas o mau resultado à determinação de Felipão de que os jogadores não conversassem com a imprensa. Bombardearam o treinador na coletiva de forma covarde. Velhas raposas vão ensinando seus vícios aos profissionais da nova geração, que ao que parece, estão absorvendo sem muito filtro. Ainda temos poucas boas exceções, mas no geral a imprensinha mostra que é mais fácil o Palmeiras tomar engrenar, é mais fácil o SCCP ganhar a Libertadores, do que eles fazerem um trabalho digno. Nojo.

Atuações:

Deola: duas defesaças no segundo tempo, e sem chances no gol. 9
Marcio Araújo: fraquíssimo na lateral. Aliás, onde será que ele estava na hora do gol? 3
Maurício Ramos: perdido no lance do gol, parecia um pijama em lua-de-mel. 4
Henrique: deu show na arte de marcar o vento. 2
Gabriel Silva: uma das atuações mais bizarras de um lateral com a camisa do Palmeiras nos últimos tempos. ZERO
Chico: mais uma partida ok. É um dos poucos que ainda está se salvando nessa agonia. 7
Marcos Assunção: como sempre, atuação de kicker. Foi muito bem até o meio do segundo tempo, depois descalibrou. Com a bola rolando, nulo. 6
Valdivia: pouca quantidade, muita qualidade. A falta de ritmo influencia, claro. Sentiu a falta de alguém que encostasse. 7
Luan: suas bizarrices técnicas são sempre compensadas pela aplicação tática e blablablá. Hoje, nem isso. ZERO
Maikon Leite: seu melhor lance foi um chute a gol que não passou perto no primeiro tempo. UM
Fernandão: útil como referência do ataque, mas teve dificuldades para aparecer mais para Valdivia. 6
Gerley: começa a formar com Gabriel Silva a nova dupla Nhô Ruim e Nhô Pior. 3
Ricardo Bueno: pensa num jogador nulo. S/N
Vinicius: entrou no fim e teve tempo de perder a bola do jogo. S/N
Felipão: foi bem ao colocar Valdivia desde o início. Só faltou abrir mão de Luan, para que o chileno tivesse alguém mais próximo, e deixando Maikon Leite livre para cair pelos dois lados. Mas para abrir mão de Luan, fica complicado para completar o serviço de Assunção no meio. O jogo na Vila é a chance de ver como ele vai resolver isso: Luan está suspenso. 5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

 

Mais um ataque das ratazanas

9 de setembro de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Matérias, Política, Verdazzo

A notícia estourou no início da madrugada: a negociação de Valdivia para o Catar, anunciada na quarta-feira à noite, mas desmentida pelo próprio jogador ontem ao meio-dia, só não se concretizou porque o chileno teria recebido um aumento de 30% em seus vencimentos. Arnaldo Tirone teria tomado essa atitude por medo de ameaças de torcedores, inconformados com a possível saída do ídolo. Tanto a notícia da negociação, bem como a do aumento, foram dadas pelo jornalista Daniel Batista, do outrora prestigiado jornal O Estado de S.Paulo. O jovem jornalista barrigou feio na primeira. E com a última ‘notícia’, na tentativa de consertar a bobagem, piorou sua situação.

Ambas são completos absurdos. Na verdade, segundo as últimas informações, há dúvidas até se houve proposta oficial por Valdivia ou se tudo não passou de uma sondagem. As ratazanas continuam no ataque. É impressionante a voracidade com que buscam plantar as crises. É revoltante a forma como prejudicam o Palmeiras sem a menor desfaçatez.

A justificativa dada, de que Tirone refugou a negociação e teve que dar um aumento para Valdivia ficar por medo de ameaça de torcedores é completamente absurda. Não dá para acreditar que um jornalista, por mais inexperiente que seja, caia nessa.

Mesmo absurdos, e mesmo já desmentidos, os rumores fizeram estragos no elenco, mais uma vez. É lógico que todos os jogadores se revoltaram com a possibilidade. O chileno é o que mais ganha, o que menos joga, e ainda ganha aumento? Missão cumprida.

Tirone, desta vez, foi vítima direta da armação. Se não tomar uma atitude imediatamente, no sentido de selar a entrada na Academia de Futebol a essas figuras, que ele sabe muito bem quem são, estará vestindo o pijaminha listado de azul e branco em público. Já passou da hora de iniciar o processo de desratização.

A se lamentar a postura do jornalista Daniel Batista e do jornal O Estado de S.Paulo. Mas credibilidade é assim: muito difícil de se conquistar, e ridiculamente fácil de se deteriorar. Cada um com a sua.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Boato de acerto com Carpegiani é a crise da vez

18 de agosto de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Matérias, Verdazzo

Hoje tem crise? Tem sim senhor. Uma notícia precipitada desencadeou um tornado no clube e na torcida na noite desta quarta-feira. Vamos à sequência dos fatos:

1) O portal Estadão publicou às 21h27 esta matéria. Notem a manchete: “Roberto Frizzo quer Carpegiani no lugar de Felipão no Palmeiras“. E no final do primeiro parágrafo: “Frizzo tem tudo acertado com Paulo César Carpegiani“. São frases fortes e definitivas, que não aceitam interpretações diferentes. A matéria é de autoria do jornalista Paulo Galdieri.

2) O Palmeiras divulgou nota oficial às 23h33 onde Frizzo nega categoricamente que tenha havido tal contato, e faz questão de chamar de ‘ratazanas de esgoto’ os possíveis autores do boato.

3) Nos primeiros minutos da quinta-feira Roberto Frizzo deu entrevista para o jornalista João Palomino, da rádio Estadão/ESPN – onde repetiu o termo ‘ratazanas’ e a negativa, categórica, de qualquer acerto com Carpegiani. Reconheceu que tem suas diferenças com Felipão, mas que são insuficientes para que ele sequer cogite a interrupção do trabalho do treinador.

4) À 1h04 de quinta-feira, o autor da reportagem, o repórter Paulo Galdieri, tenta consertar o estrago nesta entrevista ao mesmo João Palomino. Depois de ouvir o depoimento de Frizzo, o repórter diz, a partir de 1min53:

“As informações que chegaram pra gente é que o Frizzo falou numa roda que ‘ah, se de repente o Felipão for embora, eu consigo trazer o Carpegiani pro Palmeiras’; então, quer dizer, não foi uma coisa assim que já tá tudo certo com o Carpegiani, não é nada disso; mas o Carpegiani seria de repente ali uma alternativa caso as rusgas entre a diretoria e o Felipão não sejam resolvidas

Notem a enorme contradição entre as frases destacadas na matéria e o que o próprio repórter disse algumas horas depois. Fica clara a divergência no conteúdo das informações, dadas pelo mesmo jornalista, e não há muitas dúvidas de que houve um erro muito grave por parte do profissional.

A confusão durou menos de quatro horas, mas deu tempo de Felipão ficar sabendo e ficar muito irritado. Ele teria chegado a comentar que vai colocar um cartaz em sua sala dando as boas-vindas a Carpegiani. Uma das poucas verdades nessa história toda é que a relação entre Frizzo e Felipão de fato não é das melhores – mas nunca deixou de ser cordial e respeitosa. Há bico de parte a parte, principalmente pelas últimas quedas-de-braço envolvendo Luan, “vencida” por Felipão, e Pierre/Ricardo Bueno, “vencida” por Frizzo.

O que sabemos é que, na verdade, se alguém “venceu” nesses episódios todos, foram os inimigos do Palmeiras. A facilidade com que crises e mais crises explodem no ambiente do Departamento de Futebol é assustadora. E isso vai minando o trabalho desenvolvido pelos atletas e pela comissão técnica. Os resquícios desta crise-relâmpago podem influenciar para pior na resolução da próxima.

Desta vez, quem cometeu um erro, e grave, foi o jornalista, que deve ser confrontado pelo clube e todas as possíveis providências contra ele devem ser tomadas. Mas o ambiente do Palmeiras não poderia jamais estar tão vulnerável a esse tipo de erro.

A saída passa pela profissionalização imediata do Departamento de Futebol. Mas em se tratando de Palmeiras, esqueçamos essa possibilidade. Aguardemos a próxima crise.

Enquanto isso, o presidente Tirone permanece alheio, distante. Ausente.

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

Insistentemente parcial

29 de abril de 2011 por @parmerista  
Postado em: Imprensa, Matérias, Verdazzo

Ontem o lateral Cicinho concedeu entrevista coletiva na Academia de Futebol. Falou de sua condição física, sobre a expectativa para o clássico, sobre a polêmica com a arbitragem, e até sobre um possível interesse do bambi em seu futebol.

A coletiva abordou vários assuntos. Sobre o interesse do inimigo, perguntado se veria problemas em jogar no São Paulo, respondeu:

- Não vejo problema, mas não estou pensando nisso agora não. Quero ficar aqui no Palmeiras. Isso é fruto do trabalho, o reconhecimento de outros clubes. Fiquei sabendo dessa notícia, mas estou tranquilo, estou feliz aqui, não estou pensando nisso. O Palmeiras me recebeu muito bem. Espero que eles me comprem.

A pergunta, de um repórter que não conseguimos identificar, já soa enviezada. Em vez de “o que você acha do interesse do São Paulo?”, o perguntador já induz o entrevistado a dizer uma frase que, transcrita isoladamente, pode soar inadequada.

Pois foi exatamente o que fez o portal UOL, aquele que, há  duas semanas, flagramos puxando descaradamente a brasa para a sardinha bambi. Pensando bem, dá pra desconfiar de que veículo é o repórter que fez a pergunta sacana. Vejam como cada grande portal de esportes manchetou a coletiva de Cicinho:

Reparem bem na manchete do UOL. De tantos assuntos tratados, o que o parcial portal resolveu destacar? Que Cicinho não vê problemas em ir para o São Paulo – respondendo a uma pergunta já direcionada para essa frase. Numa resposta onde ele diz três vezes que quer ficar, o mancheteiro destaca que o jogador não se importaria em mudar de clube. Parece que torcem até na hora de fazer a manchete: “se diz feliz”, como se Cicinho estivesse escondendo um desejo secreto de desmunhecar do outro lado do muro. E fazem isso ainda numa semana de clássico.

O Lance!, que também não é flor que se cheire – apesar do setorista do Palmeiras, Tiago Salata, ser um profissional correto – também preferiu manchetar a coletiva com esse tema, mas mesmo assim destaca a vontade do jogador em reforçar o vínculo com o clube; deixa claro que o interesse parte do São Paulo. Já os outros portais, bem mais sérios, valorizaram outros aspectos da entrevista, de fato bem mais relevantes diante do contexto da semana.

O portal UOL não se esforça nem um pouco para esconder sua parcialidade. É nesse portal que podemos encontrar os blogs dos jornalistas da decadente Lusa das rádios, a ex-grande e atual quinta força. É nesse portal que habita o blog do Perrone, especialista em dar voz anônima aos cartolas do Palmeiras cujas formas de fazer política é nociva ao clube. O portal UOL é sãopaulino, e ponto final. Que todos os torcedores palmeirenses tenham absoluta ciência disso, que evitem o UOL, e que prefiram os sites e blogs palmeirenses para se informar, ou então outros portais, como o iG, que tem como setorista o ótimo e imparcial Danilo Lavieri.

Se gritar pega ladrão 2 – a missão

27 de abril de 2011 por @parmerista  
Postado em: Arbitragem, Imprensa, Matérias, Verdazzo

Em julho do ano passado, após ter sido divulgado que o árbitro do Derby válido pelo primeiro turno do Brasileirão seria Paulo César de Oliveira, o Verdazzo publicou este post, enumerando os perigos de se ter um jogo apitado por ele. Ainda mais contra seu time do coração.

Pois ele apitou, nos roubou de novo, validando um gol do gambá em impedimento e não dando um pênalti de Jucilei em Ewerthon (conforme relatado no Dossiê Gambá), e seguiu sua carreira, lépido e faceiro.

Mas eis que na manhã desta quarta-feira o jornalista Luiz Antônio Prósperi, do Jornal da Tarde, bancou nesta matéria que Paulo César de Oliveira, após acordo entre as diretorias dos dois clubes, não só entrará no sorteio desta tarde que define a arbitragem do jogo, como será o árbitro  apontado pelo mecanismo. Hein???

Peraí! Como é que um jornalista aponta sem a menor disfaçatez o resultado de um sorteio que ainda está por se realizar? O que a Federação Paulista de Futebol tem a dizer diante dessa grave acusação?

Aguardemos o sorteio de logo mais – se é que, depois da sujeira ter sido jogada toda no ventilador, não vão tirar o sacripanta do sorteio.

Se a diretoria do Palmeiras, naquelas teorias pra lá de conspiratórias, fez o pré-acordo com a do gambá, trocando o tobogã pelo Paulo César, e depois vazou para a imprensa para forçar que ele saia do sorteio, foi a jogada de bastidor mais espetacular dos últimos tempos. Mas se simplesmente topou Paulo César, e ele entrar no sorteio – e pior, se for o apontado – aí joga-se no lixo todo o esforço de conseguir manter o Pacaembu e colocar o tobogã à nossa disposição. Neste caso, esqueçamos o Campeonato Paulista…

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