Bonzinho
25 agosto, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Arbitragem, Diretoria, História, Imprensa, Matérias

Em 2006, quando Leão foi demitido, às vésperas do confronto com os bambis pelas oitavas-de-finais da Libertadores, foi alçado à condição de interino o técnico do time B, Marcelo Villar. O Verdão empatou no Palestra por 1×1, e perdeu no panetone, por 2×1, num jogo em que Wilson de Souza Mendonça nos garfou vergonhosamente. Villar sobreviveu à eliminação, mas caiu poucos jogos depois, substituído por Tite. Um dos episódios que precipitou sua queda foi quando Edmundo, em entrevista, declarou que Villar era “muito bonzinho”.
O Palmeiras, apesar de hoje contar com Felipão, que de “bonzinho” não tem nada, vem sendo o “clube bonzinho” dentre os grandes do país. Somos feitos de bobos em quase todas as esferas. A falta de habilidade nos bastidores é, ao lado do vazamento crônico de informações, o maior problema na gestão do nosso futebol.
Nossos inimigos jogam sujo contra nós. Batem sem dó. E não é choro: no futebol é assim mesmo. Vejamos:
- não temos a menor ingerência na escala de árbitros. Somos roubados vergonhosamente pela mesma meia dúzia de sempre, e eles continuam a ser escalados em nossos jogos. PC, Sálvio, Heber, Gaciba… o juiz do nosos próximo jogo é ninguém menos que Evandro Roman, aquele que nos trata como ao Engenheiro Beltrão. Só falta escalarem o Simon para o próximo jogo nosso contra os bambis. Sabemos que não existe veto formal na arbitragem brasileira. Mas o informal existe. Os bambis conseguem evitar que determinados juízes apitem seus jogos – e assim colocam pressão nos que apitam, e vivem felizes para sempre;
- o STJD faz a festa em cima do Palmeiras. Não fosse a incrível competência de nosso corpo jurídico, nosso prejuízo seria muito maior. Nos últimos anos, deitaram e rolaram principalmente em cima de Diego Souza e Kleber. Até o próprio presidente Belluzzo pegou um gancho pesado, desproporcional ao que fez. Mas o pior foi o caso das trancinhas, em que Vagner Love, em audiência no Rio, ouviu de um dos auditores que gostaria que as trancinhas que ele estava usando, verdes à época, fossem rubro-negras. É com essa absoluta desfaçatez que tratam o Palmeiras no órgão jurídico esportivo mais importante do país;
- a imprensa é um caso à parte. O problema é histórico. Já cansamos de espernear – já relatamos tantos casos de tratamento diferenciados em casos iguais, que nem cabe mais. A arma deles é dizer que somos passionais, no caso dos mais polidos – ou malucos paranóicos, no caso dos mais canalhas. E o pior é que alguns veículos não se contentam em plantar crises diárias em nossos noticiários: na outra via, pintam o mundo de cor-de-rosa ao se referirem a determinados clubes, mesmo que a situação não esteja tão boa assim;
- e o nosso pior inimigo, aquelas alas de conselheiros dentro do clube, não descansa nunca. Além de manterem relações promíscuas com certos elementos da imprensa, vazando informações que prejudicam o andamento de negociações, ultimamente se especializaram em sabotar os projetos em andamento, visto que, caso tais projetos dêem certo, resultarão em ganho político significativo a seus desafetos, o grupo que comanda o clube hoje – e no raciocínio tacanho e egoísta dessas pessoas, quanto melhor para a atual gestão, pior para eles – não importa se é bom para o Palmeiras. Assim, usam laranjas dentro e fora do clube, em órgãos da sociedade civil ou mesmo da imprensa, para atrapalharem a atual gestão. Alguém entende por que a Arena não está sendo construída a todo vapor?
E o Palmeiras apanha, calado. Enquanto nossos inimigos jogam sujo, nós jogamos limpo e mostramos a eles como é que se faz. Agimos no futebol seguindo os mesmos princípios que usamos para dar a educação básica a nossos filhos. Que bonito.
E assim, eles seguem ganhando tudo, e nós, só tentando. Sempre tem um detalhe, uma coisinha aqui ou ali que foge do controle, e mesmo fazendo tudo certinho, algo nos tira do páreo.
Os atuais dirigentes do Palmeiras são honestos demais para fazerem o que tem que ser feito. Talvez nem saibam como, já que quem ocupou o poder por tanto tempo e sabia, obviamente jamais mostrou como é que se faz. Mas eu também não sei limpar minha casa, só que sei ver se a casa está limpa ou não. Para fazer o serviço, chamo quem sabe, e a faxineira vem e deixa a casa em ordem.
Comportarem-se como virgens no prostíbulo, por mais que seja seguindo princípios de retidão moral que sonhamos para o mundo, não vai tirar o Palmeiras do mar de problemas em que se encontra. Já passou da hora de deixar de ser bonzinho e mostrar força nos bastidores. Como? Eu não sei. Mas nosso presidente, o do país, já ensinou a fórmula: basta dizer que não sabia de nada.
Vai, Dezembro!
10 agosto, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Matérias
Ideias é o que não faltam para que o marketing do Palmeiras capitalize o clube. Não precisa ser só na bilheteria. Basta ficar atento ao que acontece no mundo.
Vejam essa do Bayern de Munique, que está fazendo sua pré-temporada. Eles colocaram um time de atletas – de esportes de inverno – para jogar contra o time profissional. Tudo isso em meio a um evento festivo, com presença de público e transmissão pela TV, onde, entre outras coisas, um novo patrocinador foi apresentado.
A exibição durou 40 minutos, e o Bayern vencia por 10×0, quando foi permitido aos “Winterstars” colocarem em campo todos os 30 jogadores. Foi então que o Bayern fez “apenas” mais um gol. Os Winterstars marcaram seu gol de honra, através de um atleta paraolímpico. Vejam algumas cenas do momento em que o Bayern enfrentou um time com 30 atletas, e neste link, uma página, em inglês, com mais detalhes e vídeos do evento.
No caso do Bayern, que não precisa recorrer a eventos assim para ficar mais rico, a renda foi revertida para o Comitê dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018. Mas os clubes brasileiros podem, e devem, usar essas ideias para reforçar seus orçamentos. Na próxima pré-temporada, por que não fazer um evento assim na apresentação de um novo patrocinador, como fez o Bayern, ou então para apresentar um novo craque para a torcida?
Basta fazer um jogo no Pacaembu. Cobra-se um ingresso de R$10,00 e/ou 1kg de alimento, além de vender o jogo para os canais de TV a cabo. Como atrativo, poderiam colocar em campo um time de celebridades palmeirenses, ou até um mistão com algumas vagas postas à venda para torcedores não-célebres, por alguns milhares de reais. O Avanti poderia contemplar por sorteio alguns de seus associados para participarem – e fica aí mais um atrativo para captar mais membros.
Isso é muito mais legal que colocar um palquinho, fazer um discursinho, e chutar umas bolinhas pra torcida.
Será que nosso marketing vai esperar que outro clube rival adapte a ideia dos alemães antes que nós?
Avanti em pauta
2 agosto, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Matérias, Torcida
Pessoal, temos recebido alguns pedidos para que façamos comentários sobre o Avanti , o plano de sócio-torcedor do Palmeiras. A maior dificuldade em falar sobre o tema com propriedade é prosaica: nem eu, nem o Cesão, somos afiliados.
Por isso, imagino que a melhor alternativa seria servir de ponte com o Departamento de Marketing, e transmitir a eles todas as dúvidas e anseios dos torcedores, afiliados ou não. Assim, gostaria de pedir aos leitores do Verdazzo que usem os comments deste post para essa finalidade. Após o período de coleta de opiniões, levaremos o resultado aos responsáveis para que seja esabelecida, mais uma vez, a comunicação entre a torcida e o clube.
OK? Então sentem a ripa nos comentários. A bola está com vocês!
O que é melhor para o Palmeiras?
6 julho, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Diretoria, Matérias, Torcida
A partida da próxima sexta-feira, entre o Palmeiras e o Boca Juniors, fomentou uma interessantíssima discussão no Twitter entre alguns palmeirenses, a respeito do preço dos ingressos. É sabido que existem correntes fortes na internet que pregam a popularização dos preços, no sentido contrário do que vem sendo praticado pelo Palmeiras e também pelos nossos adversários, sobretudo Santos e Corinthians. E o São Paulo só não elitiza também os seus preços porque tem espaço de sobra e seu estádio vive com a taxa de ocupação abaixo da linha crítica.
No mundo perfeito, o estádio viveria cheio, ao maior preço possível, e o perfil “psicótico” dos torcedores seria o oposto ao do espectador de teatro: vibrante, em pé, cantando e empurrando o tempo todo. No mundo real, isso é impossível, por enquanto. Neste primeiro momento, é preciso priorizar uma das duas vertentes: ou se mantém o estádio cheio, e sacrifica-se a bilheteria; ou mantém-se o nível elevado de arrecadação às custas de um estádio cheio de torcedores com um perfil mais elitizado, comportado, frio – um choque na cultura do futebol.
“O que é melhor para o Palmeiras?”
Sempre que houver um dilema sobre o que fazer, é essa a pergunta que deve ser feita. Optar por A ou B, em qualquer questão, deve obrigatoriamente passar por essa pergunta. E nesse caso, a resposta não virá do sentimento primal de quem ACHA que deve priorizar a cultura popular, nem de quem ACHA que o que importa é a bilheteria bombando, mesmo que maximizando o ponto de equilíbrio da curva de oferta e demanda.
Como disse meu grande amigo Benê esses dias, temos que entrar em guerra com o verbo ACHAR. Temos é que SABER. Temos é que identificar todas as variáveis que compõem essa extremamente complexa equação. Todas as implicações de curto e longo prazo, dentro e fora do campo, de se ter ingressos baratos ou caros. Por exemplo: qual a implicação real na relação clube-torcedor, a longo prazo, de se praticar preços como o da partida de sexta-feira? E qual o efeito prático, dentro de campo, sentido pelos jogadores – pelos nossos e pelos adversários – com um perfil de torcedor mais ou menos elitizado? E quanto isso efetivamente se reverteu em vitórias para o Palmeiras? E por aí vai, há dezenas de questões relevantes que se relacionam com o preço dos ingressos.
São perguntas extremamente subjetivas, que requerem um estudo altíssimo nível. Mas se um estudo assim for feito, e seu resultado seguido à risca, os ganhos para o Palmeiras serão maximizados. Não se terá que optar entre um caminho ou outro, na base do achismo.
Marketing é uma ferramenta que deve ser usada em todo o seu potencial. Subutilizado, não vai atingir seus objetivos, e mal contextualizado, pode se virar contra seus agentes. É o que sempre aconteceu com os últimos diretores de marketing do clube, invariavelmente massacrados, independentemente da competência deste ou daquele. Marketing sempre foi um setor marginalizado no clube, e nunca houve uma estruturação no departamento. Na gestão passada, tentou-se valorizar a área, mas trapalhadas políticas acabaram por criar dois diretores que não conseguiram afinar o discurso e o resultado foi um desastre. Na atual gestão, o diretor conseguiu uma grande vitória: 1 (um) funcionário. Parece brincadeira.
Sabemos que o presidente Belluzzo adotou uma política de austeridade em todos os departamentos e exigiu cortes nos gastos em 30%. Investir na estruturação de um departamento de marketing neste momento seria complicado politicamente, geraria grande instabilidade. Mas os ganhos para o Palmeiras seriam enormes. Valerá demais a pena trabalhar as estúpidas ciumeiras internas e caminhar nessa direção, e dar à Diretoria de Marketing elementos suficientes para realizar um trabalho profundo a fim de mensurar o comportamento da torcida e seus desdobramentos dentro e fora do campo, tendo como parâmetro o preço dos ingressos.
O que está em jogo não são atitudes elitistas ou populistas. Não se trata de defender os ricos ou os pobres, de preservar ou de mudar a cultura. O que está em jogo, sempre, é o que é melhor para o Palmeiras.
O buraco é mais embaixo
7 maio, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Base, Diretoria, História, Imprensa, Internas, Jogadores, Matérias, Torcida
O problema existe há muito tempo, mas sempre achamos que a camisa do Palmeiras falaria mais alto e ajudaria a superar as dificuldades, enquanto o trabalho de renovação, que é lento, de paciência, vai se desenvolvendo. Mas quem apostou nisso, e me incluo entre eles, errou.
Hoje, se o Palmeiras contratar um combinado com o que há de melhor no Barcelona, Internazionale, Bayern, Manchester United e Chelsea, fica em quinto lugar no Brasileirão, perdendo as chances da vaga no penúltimo jogo ao empatar em 1×1 com o Fluminense em casa. O problema no Palmeiras é rigorosamente estrutural.
Vamos começar pela Diretoria de Futebol. Gente muito decente, e competentes, mas não o suficiente. Cipullo sabe montar um time, e sabe negociar. Sustento o que sempre disse, minha opinião quanto a isso não muda com os resultados: o time é bom, o elenco é bom. Faltam duas ou três peças, claro, óbvio. Mas o que a torcida poderia entender é que a dificuldade em se conseguir fechar essas contratações vem da falta de dinheiro, e isso é consequência de uma postura agressiva tomada no ano passado para assegurar a conquista do Brasileiro. E o título não veio. E a sequência foram uma campanha desastrosa no Paulista e a eliminação pelo CAG na Copa do Brasil. Aí eu sou obrigado a rever meus conceitos.
O maior pecado da atual Diretoria de Futebol não é na formação do elenco. Não é na infra-estrutura. É na blindagem aos jogadores. A nossa camisa é pesada, mas não pode ser tanto assim. É um elenco de bons jogadores, mas com os nervos à flor da pele. Vejam como fomos eliminados pelo CAG. Lembrem-se de Obina x Mauricio. Recentemente, de Diego Souza. O Palestra é nitroglicerina.
Eles até tentam. O Gerente Administrativo de Futebol, Sergio do Prado, é praticamente persona-non-grata no clube por fazer o que pode para barrar o acesso de conselheiros insistentes, que teimam em estar presentes na Academia de Futebol para acompanhar os treinos, não só dos profissionais, mas principalmente da base. O interesse que certas figuras têm nos jovens é uma coisa comovente, como amam o esporte juvenil…
A torcida é absolutamente neurótica. E vamos falar em termos gerais, mesmo sabendo que há vários grupos distintos: bate em jogador com frequência, sempre nos melhores – não vão atrás dos ruins. Arruma confusão nos aeroportos. Jamais deixou nenhum treinador em paz nos jogos no Palestra: nem Oswaldo Brandão, nem Felipão, nem o papa tiveram sossego nos bancos de reservas do Jardim Suspenso, durante os jogos sempre tem uma dezena de imbecis fazendo o que podem para aparecerem para a numerada e então voltarem para casa orgulhosos, contando para os tios e primos que a substituição que o técnico fez foi por causa deles.
A imprensa também faz sua parte, ao achar sangue onde não existe, ao lançar factóides, e ao promover supostas negociações que não existem, às vezes a mando de agentes, às vezes sendo inocentes úteis e repetindo uma papagaiada que não tem fundo de verdade; fazendo perguntas maldosas e/ou estúpidas, muitas vezes desrespeitosas. E fazem isso não só no Palmeiras, mas em todos os clubes – a intensidade é que pode ser discutida. Os jornalistas que cobrem o futebol sofrem preconceito na própria classe, de que seriam o que há de pior dentre os que saem dos bancos da escola – e boa parte dos rapazes e moças que trabalham no meio ajudam o preconceito a se transformar num sólido conceito. Basta ver os Twitters desse pessoal e ver que há vários que não sabem nem usar essa ferramenta e acabam revelando quem relmente são quando não estão com o microfone na mão com frases comprometedoras. Pobre minoria decente, honesta e que ama o futebol.
Alguns dizem que isso é reflexo da grandeza do Palmeiras. Em parte estão certos. Mas o Palmeiras, com toda sua grandeza, tem esses graves problemas em proporção muito maior aos clubes com quem se equipara em tamanho. Essa carga é muito grande, mesmo ponderando com a importância do clube. Existem problemas inerentes ao próprio Palmeiras.
Há pouco mais de 30 anos deixou de existir uma escola de dirigentes no clube. A Sociedade Esportiva Palmeiras virou refém de um grupo de cartolas que não acompanhou a evolução do futebol. É necessário frisar que os cabeças da atual gestão também faziam parte desse grupo, mas se rebelaram em 1995, quando o rodízio e a renovação foram deixados de lado, e a ditadura foi imposta. Foi o fim de qualquer esperança, no curto prazo, de que o Palmeiras poderia reconstruir sua base, já carcomida, mas que à época ainda podia ser recuperada.
A ditadura que se instalou, acompanhada da alteração do Estatuto Social, fez do clube um feudo, repleto de vassalos facilmente corruptíveis, baratos, que serviram de sustentação para esse modelo por muito tempo, até que o soberano resolveu alçar vôos maiores e colocou um homem de sua confiança para continuar tocando o barco. Seu homem de confiança, entretanto, adorava futebol e rompeu com a política reinante de tocar o time como se toca uma padaria, visando resultado financeiro positivo ao final dos períodos.
Isso rendeu uma nova reviravolta política, mas a base, carcomida, depois de tanto tempo, já havia ruído. O Palmeiras virou terra de ninguém. Todos já foram do mesmo lado, mas poucos se mantiveram leais a ideais genuinamente alviverdes. A cultura que se arraigou, abrigada sob um estatuto forjado no fogo do inferno, fez do clube um ninho de parasitas, fortemente unidos por uma política toma-la-da-ca; com bravos e resistentes, porém quixotescos, oposicionistas – que agora têm a chance de voltar a comandar o clube, mas esbarram nessa estrutura apodrecida, a política das carteirinhas. O homem de confiança, que traiu seu mestre por amor ao futebol, hoje, por alguma razão, reconquistou sua confiança, voltou para o lado de onde saiu e hoje passeiam felizes pelo bosque.
É isso que não dá tranquilidade ao grupo que hoje tem a difícil missão de comandar o futebol do Palmeiras. Esbarra-se em todo o tipo de dificuldade política. Até a Arena os inimigos querem melar – não porque não seja boa para o clube, mas porque a placa da inauguração não terá o nome deles. A energia que se gasta para apagar os incêndios causados por essa gente mina os esforços que deveriam estar direcionados exclusivamente ao futebol. A atual diretoria tem todas essas dificuldades, e ainda têm que trabalhar para viver, pois, como foi dito, é gente honesta, decente.
E é isso que faz com que as falhas aconteçam. As atuais pessoas que lá estão, em especial Gilberto Cipullo, não tem condições para suportar a carga de uma vice-presidência, mais a Diretoria de Futebol, mas suas obrigações pessoais, diante de uma estrutura política tão pútrida e diante de pessoas tão inescrupulosas. E hoje, diante de tantos resultados ruins, tenho que admitir isso. Ele não pode continuar nessa função. Sua saída é o começo da solução para agora, pensando em 2010. Só que temos que achar uma saída maior, para resolver de vez os maiores problemas do clube.
Essa saída passa obrigatoriamente pela reforma estatutária. Extinção natural das cadeiras dos vitalícios, o símbolo da estrutura feudal. Vitalício morreu, a cadeira morre junto. Reduzindo o número de conselheiros pela metade, e fazendo com que todos tenham obrigatoriamente que concorrer a reeleições, diminui o compadrio e aumenta a necessidade de mostrar trabalho. As eleições para presidente, via voto direto do associado, desde que haja algum tipo de proteção para impedir que algum paraquedista com grande poderio econômico “compre” os votos necessários, e desde que haja uma reforma na categorização dos sócios, dando poder aos sócio-torcedor, aquele que valoriza sobretudo o futebol, é outro ponto fundamental.
Mas isso é missão para o próximo presidente. Para já, para evitar que nossos jogadores apenas lutem para fugir do rebaixamento no Brasileirão – algo que suas capacidades estão muito além – não basta afastar Cipullo e seus adjuntos, porque quem entrar no lugar deles, na mesma estrutura, vai padecer do mesmo mal. A mudança deve ser drástica, e exige acompanhamento de perto full-time, com cobranças constantes e metas a serem cumpridas – e isso só se consegue com profissionais remunerados. Aliás, podem traçar um paralelo com as diretorias financeiras e de marketing, que sofrem com o mesmo problema.
O apelo ao presidente Belluzzo é que vá por esse rumo, que altere radicalmente o comando do futebol, não só os nomes, mas a estrutura, de forma a ter mais condições de vencer os inimigos, que dormem em casa. Com profissionais remunerados, as decisões impopulares não precisam temer o ônus político. Só o Sérgio do Prado não dá conta de levar tanta bordoada sozinho, e ainda ser constantemente desautorizado. É preciso gente que acompanhe constantemente o grupo. Chefe por perto o dia todo, produtividade aumenta. Jogador fica com frescura, chama na salinha e bota o dedo na cara. Os jogadores são como crianças: no fundo, querem ser protegidos e repreendidos; precisam de alguém para impor-lhes os limites. E mais: repórter mal-intencionado vai pensar duas vezes. Conselheiro folgado vai bater com a cara na porta.
O diretor adjunto Savério Orlandi poderia perfeitamente continuar a exercer sua valiosa colaboração na elaboração e acompanhamento de contratos, sem se envolver nos outros aspectos do departamento que causam tanto desgaste. E Cipullo poderia colaborar na reconstrução da base do clube, na reforma estatutária, e na formação de novos diretores. Presidente, realoque todo mundo. Seja o senhor mesmo o Diretor de Futebol de direito, e contrate profissionais para exercerem as funções de fato, e cobre-lhes os resultados. A pouco mais de seis meses do fim do mandato, não há mais nada a perder. Seria uma tacada ousada, difícil, mas que pode dar certo e seria, de fato, um grande feito desta gestão.
E nós? o que podemos fazer? Ora, se uma reforma na base do clube é necessária, o que nós podemos fazer? Amigos, quando eu me refiro à “base”, estou falando sobre gente. A base de um clube são as pessoas que o compõem. Se precisamos renovar a base, é com pessoas novas, que amem esse clube com toda a força da alma. Sem vocês aqui dentro, o esforço será em vão. O jogo hoje tem uma regra, temos que jogá-lo: fiquem sócios, e juntem-se aos palmeirenses que estão tentando fazer a diferença, lutando contra essa porcaria de estatuto e tentando fazer o possível e o impossível.
Mais uma vez, peço que acessem o site do grupo Fanfulla, que é formado por esse tipo de palmeirenses. Entrem no site, participem do fórum, informem-se o que é preciso para ficarem sócios e engrossarem esse coro. O Palmeiras vai sobreviver, de uma forma ou outra, a essa tempestade, porque é grande demais. Ainda é. Mas a areia está caindo e precisamos reforçar a base. Não adianta só trocar o técnico e o diretor de futebol. Precisamos ter gente para ajudar a conduzir o clube com seriedade daqui a 10, 20, 30, 50 anos. O buraco, como puderam ver, e com o perdão do clichê, é bem mais embaixo.
Perdemos mais uma, para nós mesmos
30 abril, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Internas, Matérias
A reunião do COF na noite da última quarta-feira reprovou as contas da gestão Belluzzo do mês de abril por 10 a 7. Chovem mensagens apocalípticas na internet. Dizem até que a Arena corre risco por causa disso. É desinformação em cima de desinformação.
A aprovação das contas deve ter por objeto a licitude das operações. Ou seja, examinar os documentos e atestar a legitimidade das entradas e saídas de dinheiro. Auditar, verificar se não houve fraude. Ao rejeitar as contas, os conselheiros do COF deveriam ter provas concretas de alguma transação irregular, de desvio de dinheiro.
Ao que parece, nenhum dos diletos conselheiros apresentou qualquer evidência de irregularidade, o que nos permite concluir que a ignorância aliada à má vontade fez com que os mesmos usassem seus postos como instrumento de pressão política. É o Palmeiras, mais uma vez, perdendo para o Palmeiras. Em público.
Uma coisa é julgar a eficiência da gestão. Isso resolve-se nas urnas, não é competência do COF. Outra coisa, é julgar a lisura da gestão. Os nobres conselheiros do COF usaram o resultado financeiro para misturar alhos com bugalhos, e ao rejeitar as contas, mais uma vez lesam o Palmeiras. Uma gestão com as contas rejeitadas em seus órgãos internos perde credibilidade em todos os aspectos: para negociar créditos, pagamentos, patrocínios. Para contratar novos jogadores. Qualquer coisa.
Os conselheiros do COF tem a obrigação de justificar esse parecer para a coletividade palmeirense, de forma transparente. Têm que explicar por que chamaram o Palmeiras de clube de desonestos na presença do mercado. Talvez o estatuto especifique algo, mas desconheço qualquer tipo de represália a quem lesa o Palmeiras no exercício dessa função: fazem isso porque estão blindados.
É por isso que sempre chamamos os verdadeiros palmeirenses para que fiquem sócios do clube, e engrossem as fileiras de torcedores de verdade lá dentro. Batam na mesa, façam a parte de vocês, fiquem sócios juntem-se a bons grupos – recomendo, vocês sabem, o Fanfulla – e ajudem com seus votos a limpar o clube.
Jogadores no divã
15 abril, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Comissão Técnica, Diretoria, Matérias
A diretoria está se mexendo. Atenta à fragilidade emocional do elenco, e por indicação do técnico AC Zago, o Palmeiras passará a contar com os serviços da psicóloga Melissa Voltarelli, que já trabalhou com nosso atual treinador no São Caetano. A profissional ficará disponível para o elenco em tempo integral, ao contrário de Regina Brandão, um dos maiores nomes do mercado, mas que prestava seus serviços de forma ocasional, como consultora; e de Cristina Miguel, que dividia as atividades no profissional com o das categorias de base, formatos que evidentemente não vinham funcionando.
Particularmente, tenho dúvidas quanto à eficiência do trabalho proposto, devido à natureza dos boleiros, que tendem preconceituosamente a ter resistência quanto a esse tipo de atividade. Costuma ser mais efetiva uma abordagem mais direta, o papo motivador dos técnicos. Algo como fazem, por exemplo, Tite e Luxemburgo. O problema é que junto com o papo do técnico vem o próprio técnico, e nos casos dos citados, não, obrigado. O ideal seria que o Palmeiras tivesse um líder natural que fizesse esse papel no dia-a-dia, que ajudasse o grupo a recuperar o moral, ou melhor, que não deixasse que o abatimento geral progredisse e chegasse ao nível que podemos constatar hoje. A nova contratada, quando perceber o que tem em mãos para trabalhar, vai coçar a cabeça.
O meia Lincoln, por exemplo, um dos jogadores aparentemente mais esclarecidos do grupo, foi diplomático. Deixou claro que não deposita muita fé nesse tipo de trabalho, embora “respeite”. Como ele, provavelmente muitos jogadores devem se entreolhar meio desacorçoados quando se sentam numa sala para uma palestra desse tipo. Afinal – devem pensar – o que uma psicóloga entende de futebol profissional, do dia-a-dia de jogadores, de vitórias, derrotas, concentrações, pressão de torcida, armadilhas da imprensa, e tudo o mais?
É claro que não se trata de uma profissional novata, recém-saída dos bancos da faculdade. Acredito que deva ter especializações em esporte, e deve conhecer muito mais do que imaginam os jogadores sobre como funciona a mente humana em situações de estresses causados por competições de alto nível, de como melhorar a condição psicológica coletiva e não apenas individualmente, e tudo o mais. Na verdade, o sucesso ou fracasso desse trabalho está diretamente ligado aos atletas quererem ou não esse tipo de auxílio. Se os próprios jogadores estiverem conscientes que precisam de apoio psicológico, e assistirem às palestras e às consultas individuais receptivamente, sabendo que podem extrair muito mais do que imaginam e sair fortalecidos das mesmas, pode dar certo. Mas honestamente, tenho muitas dúvidas quanto a isso.
Enfim, só nos resta desejar muito boa sorte à nova profissional, e que ela consiga sucesso na abordagem com os jogadores. A diretoria mostra que não está dormindo, e age, faz o que deve ser feito e corre atrás de profissionais conceituados no mercado para solucionar os problemas, e é isso o que a torcida espera. Mas não só isso, claro. Que ninguém ache que simplesmente contratar profissionais e deixar tudo a cargo deles vai acabar com nossas deficiências. É preciso acompanhamento de perto, de muito perto, e constantemente. A presença dos diretores e do próprio presidente em treinos e nas viagens, como vem acontecendo recentemente, é muito importante. Que os jogadores sintam a presença de seus superiores e saibam que não estão batendo cartão em seus empregos, treinando, concentrando, viajando e jogando. Que eles sintam que onde eles trabalham tem chefe, tem diretoria, que estão num clube grandíssimo, representando uma coletividade imensa, que tem muita gente em vários cantos do planeta que perde até o sono dependendo do que eles fizerem no campo, e que por isso deixem de frescura e joguem bola. Cazzo.
Um ídolo a menos?
25 março, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Diretoria, Internas, Matérias
César Sampaio, ex-volante do Palmeiras, de 1991 a 1994 e depois de 1999 a 2000, atual diretor do Rio Claro, deve ser confirmado nos próximos quinze dias, ou antes, como novo gerente de futebol do Palmeiras, assumindo a vaga de Toninho Cecilio – com quem jogou aqui mesmo por 2 anos.
Multicampeão pelo Palmeiras – além de ter levantado a Taça Libertadores como capitão do time, ganhou duas vezes o Brasileiro, o Rio-São Paulo e o Paulista, foi autor de um gol antológico contra os bambis no Brasileiro de 93. Apesar de ter jogado nos outros três grandes paulistas, Sampaio ainda tem sua imagem indelevelmente ligada ao Verdão. Completará 42 anos na próxima semana, e sempre foi tido como um homem de caráter ilibado. Um grande líder.
Mas César Sampaio é dono da C2P Sports. Hoje seu portfolio tem perto de 40 jogadores. Um deles é o nosso grande George Preah, de triste lembrança para a torcida da Lusa, mas principalmente para a nossa.
César Sampaio, se realmente fechar com o Palmeiras, desempenhará uma função incompatível moralmente com sua atividade empresarial, assim como já o faz em Rio Claro. Mesmo que haja mecanismos que impeçam que o Palmeiras contrate jogadores ligados a seu portfolio, sempre há meios de burlar isso, e por isso, mesmo que ele não o faça, sempre pairará sobre si uma nuvem de desconfiança. Ele nunca terá paz.
Se ainda há tempo para reverter esse processo, gostaria que de alguma forma este apelo chegasse a César Sampaio: que ele não aceite a oferta. Seu gigantesco prestígio com a torcida do Palmeiras já foi manchado com a simples indicação de um cabeça de bagre como George Preah para o Verdão. Imaginem quando sua primeira contratação der errado. Imaginem o quanto sua competência será posta à prova. Pior: seu caráter. O ditado popular aqui se encaixa perfeitamente, e de forma irônica: “À mulher de César, não basta ser honesta. Tem que parecer honesta”. Para César Sampaio, no Palmeiras, também vale. Como dono da C2P Sports, isso é impossível.
Mesmo que sua passagem seja bem-sucedida e o Palmeiras conquiste alguns títulos, numa eventual época de vacas magras César será execrado. Sabemos como é nossa torcida.
Não se pode ver com bons olhos a contratação de ídolos palmeirenses para cargos ou funções-chave no futebol do clube. Inevitavelmente, de ídolos, passarão a ex-ídolos. O maior exemplo disso é Leão, tido como o maior goleiro da História do clube por uma importante corrente de historiadores, mas que conseguiu queimar sua imagem como bastião palmeirense em sua carreira de técnico, em suas duas polêmicas passagens pelo Verdão. O mesmo aconteceria com Evair, tão pedido por parte de nossa torcida para que assuma o cargo de treinador. Que nunca se concretize. Detestaria ter que me debruçar na mureta do Palestra e xingar até a quinta geração de Evair.
É assim que o Palmeiras vai queimar seus ídolos. Estamos numa fase de carência de títulos. Temos que nos apegar ao passado, vasto e glorioso, que é o que está nos restando ultimamente – e ainda acabamos por queimar nossos heróis? Deixem nossos ídolos no lugar que merecem: em pedestais, em molduras, em nossos corações. Não atirados aos leões.
É pelas duas situações – pela incompatibilidade de funções, e pela preservação de um ídolo – que torço fervorosamente para que aconteça alguma reviravolta no processo e que César Sampaio prossiga sua carreira longe do Palestra, ou, caso venha a colaborar com o Palmeiras, que seja numa função que não o comprometa nem de uma forma, nem de outra.
Avanti Palmeiras
24 março, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Internas, Matérias, Torcida
Que o programa Avanti anda muito abaixo do que esperávamos em termos dos formatos propostos, bem como nos resultados – uma coisa leva a outra, claro – todos sabemos.
Uma comissão de torcedores resolveu então ajudar o clube a corrigir a rota, da forma mais simples e democrática possível: usando a tecnologia disponível para OUVIR O TORCEDOR.
Assim, foi desenvolvida uma pesquisa, que pode ser acessada por qualquer torcedor, e assim colher dados que podem ser relevantes para a reformulação do programa.
Acesse o documento clicando neste link. Responda a pesquisa, e assim você estará ajudando diretamente o clube a estreitar o relacionamento com o torcedor, e também a aumentar suas receitas e a manter o estádio o mais cheio possível.
É isso que esperamos de um verdadeiro projeto de relacionamento com o torcedor. AVANTI, PALMEIRAS.
Fanfulla apresenta seus projetos à diretoria
19 março, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Internas, Matérias
O grupo Fanfulla de sócios do Palmeiras foi recebido na última quinta-feira pela diretoria do clube na Academia de Futebol, onde pôde expor detalhadamente todos os projetos desenvolvidos pelo grupo desde sua fundação, em maio de 2008. Assistiram à apresentação os diretores e conselheiros Seraphim Del Grande, Genaro Marino, Valeriano Vicari, José Cyrillo Junior, Tarso Gouveia e Enrique Guglien, além do vice-presidente Gilberto Cipullo.
O Fanfulla hoje tem três representantes no Conselho do clube: Luis Henrique Fronterotta, Alexandre Zanotta e José Roberto Christianini. Estes dois últimos, além dos coordenadores do grupo Luiz Mousinho, José Cyrillo Neto, Junior Gottardi e Marcio D’Andrea (via teleconferência, de Detroit), apresentaram todo o portfolio de projetos, desenvolvidos em colaboração com toda a base do grupo, hoje com mais de 200 sócios do clube, além dos torcedores do Verdão que apóiam o movimento. A expectativa agora é que os projetos sejam adotados, na medida do possível pela atual gestão, e pelas próximas.
Foram apresentados os seguintes projetos:
- Plano de Gestão (global, para todo o clube)
- Lei de Incentivo ao Esporte
- Arena Palestra Italia
- Branding
- Reforma Estatutária
- Reforma no Departamento de Futebol
Para conhecer os projetos que o Fanfulla desenvolveu para o clube, acesse a página de Atuação no site do grupo. Para conhecer mais sobre o grupo, cadastre-se no site, e participe do fórum. E a melhor forma de colaborar é sendo sócio do Palmeiras. Como sócio do clube e membro do Fanfulla, você vai ajudar no movimento mais importante dentro da política do clube, que é a renovação do Conselho. O Palmeiras precisa de novas cabeças, de sangue novo em suas fileiras. O Fanfulla caminha em direção a essa renovação. Mas o trabalho está apenas no começo, há muito o que ser feito.







