Verdazzo!

A volta de Valdivia: Palmeiras vai fechando reformulação durante a temporada

27 julho, 2010 por @parmerista  
Publicado na categoria: Base, Diretoria, Imprensa, Jogadores, Matérias, Torcida

Há dez semanas, o Palmeiras enfrentava o Vasco pela segunda rodada do Brasileirão. O elenco tinha acabado de perder Diego Souza, em litígio com a torcida. O time que AC Zago colocou em campo foi Marcos; Vitor, Edinho, Léo e Armero; Pierre, Marcio Araujo, Marcos Assunção e Cleiton Xavier; Everthon (Bruno Paulo) e Robert (Marquinhos). O time atingiu o fundo do poço. A pobreza técnica foi de dar desgosto, de nos remeter às profundezas da década de 80. E o time já vinha de uma reformulação, promovida por Muricy no início do ano, onde nove jogadores do time que fracassou em 2009 foram dispensados.

Mas mesmo com nove dispensas no fim do ano, ninguém previu que esse grupo voltaria para 2010 tão esbagaçado e incapaz de recomeçar dignamente uma temporada, apesar dos reforços que foram chegando, como Vítor, Lincoln, Ewerthon, entre outros menos cotados e que até já saíram.  Isso resultou numa campanha vexatória no Paulista, a demissão fora de tempo de Muricy, e uma eliminação patética na Copa do Brasil. A solução emergencial foi esta segunda grande reformulação, durante o ano.

Tivemos a Copa do Mundo, e do time que empatou com o Vasco, já deram linha na pipa, além do projeto de técnico AC Zago: Cleiton Xavier, Bruno Paulo, Robert e Marquinhos. Também já deram adeus ao Palmeiras neste intervalo Figueroa e Paulo Henrique; Souza e Ivo foram envolvidos na negociação de Tinga. E os meninos Gualberto, Anselmo, Fernando e Joãozinho foram “devolvidos” ao time B. Nada menos que doze dispensas com relação ao time que iniciou o ano, além do técnico.

Repuseram as saídas dos meninos as subidas de Mayko, Patrik, Gilsinho e Bruno Turco. Foram ainda contratados Leandro Amaro, Tinga e Tadeu. Veio então o trio de ouro, algo que nem o mais otimista palmeirense sonhava há dez semanas: Kleber, Felipão e Valdivia. Qualquer um de nós, se perguntado há dez semanas se esses três resolveriam o problema, diria: “Claro que sim, não precisa de mais nada, mas com essa diretoria, não vai vir ninguém”. Pois eles estão na Academia, treinando. Valdivia, na verdade, ainda não, mas é questão de tempo. O anúncio, feito ontem à noite através do site oficial do clube, premia o esforço da diretoria de futebol, que é muito melhor contratando que discursando. Mas a realidade é que ainda há problemas, e a diretoria, agora que resolveu a questão de Valdivia, terá como focar em arrematar essa fase de reformulações com as últimas reposições.

A tensão que envolve as contratações do Palmeiras geram um desgaste inacreditável. As razões para isso vieram numa bola de neve: o técnico que iniciou o ano e que planejou a temporada foi dispensado. O substituto foi um desastre, que gerou futebol e resultados muito ruins. Resultados ruins geraram pressão da torcida, que clamou por reforços. A diretoria, mesmo correndo atrás dos reforços em silêncio, fez declarações mal calculadas para esfriar a tensão (“o time é bom”), e piorou as coisas.

A discrição pretendida nunca é conseguida, e o vazamento de informações fez com que as negociações com os medalhões chegassem muito cedo à torcida, que, ansiosa, aumentou ainda mais a pressão. Negociações desse tamanho são demoradas por natureza – se tivessem chegado ao público apenas em sua fase final, não teriam parecido tão lentas, irritando os torcedores que, de forma inexplicável, dizem odiar as novelas – mas não perdem um capítulo. Como resultado disso, a diretoria do Palmeiras, mesmo contratando em dois meses Kleber, Felipão e Valdivia, não consegue reverter a imagem de desgaste.

O Palmeiras chega então ao final de julho com quase todo o bom elenco que fracassou em 2009 fora do clube. Além dos goleiros, só estão no Palmeiras Armero, Danilo, Mauricio Ramos, Pierre e Lenny. Uma pena que jogadores com qualidade, e que estiveram tão perto de chegar a um título brasileiro, tenham sucumbido às pressões de se jogar no Palmeiras e não tenham conseguido formar um time vencedor. Enfim, não aguentaram, foram dispensados, e contratações foram feitas. O cenário hoje não é ruim.

Um elenco com:
- Marcos, Deola e Bruno;
- Vítor, Eduardo, Gabriel Silva e Armero;
- Danilo, mais um zagueiro pra ser titular; Mauricio Ramos, Leo, Leandro Amaro e Mayko;
- Edinho, Pierre, Marcos Assunção, Tinga, Marcio Araujo e Bruno Turco;
- Valdivia, Lincoln, mais um meia para brigar para ser titular, Patrik e Gilsinho;
- Kleber, um NOVE-NOVE, Ewerthon, Tadeu, Vinicius e Lenny

…ainda terá furos, toleráveis, como Eduardo, Armero, Leo, Marcio Araujo, Lenny… mas com um time titular em plenas condições de garantir uma vaga para a Libertadores, e que podem ser corrigidos na virada para 2011. Para isso, são necessários três reforços para este ano ainda.

Então:

  • que as próximas contratações não virem novela.
  • que as informações não vazem antecipadamente.
  • que os jornalistas não façam papel de agentes ativos nas negociações, jogando a favor dos vendedores.
  • que os jornalistas  não tentem desesperadamente ganhar audiência a qualquer custo – ontem mesmo, saiu uma “notícia” de que a negociação com Valdivia tinha ficado mais difícil – puro despiste, à noite o anúncio oficial foi dado.
  • e que a torcida saiba esperar, sem aumentar a mais ainda a já enorme pressão natural que se tem ao trabalhar num gigante como o Palmeiras.

Que cada um faça sua parte.

O quebra-cabeças do Verdão

16 julho, 2010 por @parmerista  
Publicado na categoria: Base, Comissão Técnica, Diretoria, Jogadores, Matérias

PuzzleOK, ter Kleber e Felipão é um sonho. Mas vamos acordar e olhar para nosso elenco. Dá medo. Com exceção dos goleiros e volantes, temos carências em todas as posições. Faltam 30 jogos pra o final do Brasileirão, mais a Sulamericana, e com a escassez de notícias, começa a ficar difícil acreditar que tenhamos contratações visando este ano. Ou nossa diretoria vai nos surpreender positivamente anunciando contratações cujas negociações finalmente não vazaram, ou a coisa vai está realmente muito feia para a conclusão deste ano. Vamos lá:

GOLEIROS: Marcos, Deola e Bruno, tudo OK. E ainda com o reforço do Pracidelli.

LATERAIS: com a saída de Figueroa, temos apenas Vítor, Eduardo, Gabriel Silva e Armero. Desses, só Vítor está num nível elevado. Gabriel tem potencial. A renovação de Armero foi por seis meses, emergencial. Que venha um melhor para 2011. Eduardo não serve nem para a reserva, a segunda opção pela direita em tese é Marcio Araujo.

ZAGUEIROS: temos problemas, já que Danilo está suspenso por mais nove jogos. Léo e Mauricio Ramos devem ser os titulares, o que dá medo, muito medo. Leandro Amaro ainda não teve chances, e está no DM. Pelo site oficial, Gualberto não aparece mais entre os profissionais, e em seu lugar está Mayko, que mostrou bom potencial nas categorias de base. E só.

VOLANTES: aqui, parece tudo certo, com Pierre, Edinho, Tinga, Marcos Assunção e Marcio Araujo. Volantes para todos os gostos: pegadores, passadores, que saem pro jogo, batedores de falta… E Edinho, que eternamente está de saída para o Fluminense, vai ficando, vai ficando… não é, imprensa? Anselmo e Fernando, da base, que já figuraram no site oficial como parte do elenco profissional, já não aparecem mais. Por outro lado, Bruno Turco já treina com os profissionais para completar o coletivo.

MEIA: é isso mesmo, no singular – só temos o Lincoln, após a saída de Ivo, Cleiton Xavier e Diego Souza. Joãozinho, ou João Arthur, também já não consta mais do site oficial.

ATACANTES: muita quantidade, com qualidade discutível. Temos Kléber, atacante de primeira qualidade. Temos Tadeu e Ewerthon, um centroavante e um velocista de nível aceitável para a reserva. E ainda Vinicius, Patrik e Lenny, para dar opções.

Nosso elenco está incrivelmente reduzido, com apenas 24 elementos. O calendário pós-Copa é extenuante  - com as datas espremidas, teremos jogos duas vezes por semana até o fim do ano, e Lincoln não deve aguentar – vem mostrando isso desde que chegou. É absolutamente inadmissível que um clube como o Palmeiras tenha apenas um meia em seu plantel. É uma situação que nem a chegada de Valdivia resolve, afinal, ao que consta, ainda fazem parte do dia-a-dia do futebol lesões e suspensões. Felipão terá que usar e abusar de escalar volantes, por absoluta necessidade, a não ser que se resolva logo a questão de Valdivia, e de mais um ou dois jogadores de ligação.

A zaga também está com um panorama delicado, já que Leandro Amaro chegou e não estreou – estaria com problemas físicos – e Danilo teve a suspensão ratificada ontem no STJD. Mauricio Ramos dá medo, e Leo dá muito medo. Os dois juntos tendem à catástrofe. Difícil entender a troca de Gualberto, que mostrou bastante potencial, por Mayko – também promissor, mas com menos bagagem. Na pior das hipóteses, manter Gualberto diminuiria a crise de quantidade na defesa.

Para o ataque, Kleber e mais um matadorzão, com Tadeu e Ewerthon como opções, mais Patrik e Vinicius, fica bom. Seria interessane envolver o Lenny numa negociação para trazer um centroavante para ser o titular, o matador, o nosso NOVE-NOVE.

Então ficamos combinados. Precisamos, com absoluta urgência, de:

- Valdivia
- mais dois meias para compor elenco
- um zagueiro de primeira linha, de preferência canhoto
- um NOVE-NOVE matador, um fazedor de gols nato

Tem dinheiro? Não? Que coisa. Podemos pensar na base como solução: reintegrar Gualberto, ajuda pelo menos até o fim do ano no problema da zaga; Luís Felipe certamente seria mais útil que Eduardo; Gilsinho e Francinei podem ser os meias que precisamos para compor o elenco… mas como seria arriscado subir toda essa molecada, não? Uma mescla, talvez, de revelações da base com grandes contratações.

Quem sabe com auxílio de um investidor que tope colocar no clube de graça seus jogadores, a fim de valorizá-los para uma futura venda… Alguém que tope fazer um agradinho no Felipão… Alguém conhece alguém assim?

Pois é. A Traffic, que vem sendo incompreensivelmente endemoniada por parte da nossa torcida, é quem está mais próxima de exercer esse papel. É mais do que claro que a empresa mantinha relações muito estreitas com Luxemburgo – o anúncio do plano de investimento da empresa “coincidiu” com a chegada do treinador, no início de 2008, e curiosamente Diego Souza foi transferido de graça para o Atlético-MG. Com a saída de Luxa do Palmeiras, os investimentos minguaram, e seus jogadores tiveram uma notada queda no rendimento.

O que faltou na relação entre Palmeiras e Traffic foi uma correção na rota após a saída de Luxemburgo. O investidor, que estranhamente é chamado de “parceiro” até pelo diretor de futebol e pelo presidente do clube, passou a oferecer ao Palmeiras apenas reforços de nível duvidoso, como o tal de Paulo Henrique, caneludo de curta passagem pelo clube, ou Bruno Paulo, garoto de talento mas com um gosto irresistível pela vida noturna. Fora os que não vieram, que deviam ser piores.

A Traffic ainda pode lucrar no Palmeiras da mesma forma como se propôs a fazer no início de 2008, mesmo sem Luxemburgo comandando as operações. O modelo em tese continua sendo ótimo para as duas partes: a Traffic enxerta nas posições carentes do Palmeiras jogadores de alto nível, e que ainda possam ter mercado após um período no clube; o Palmeiras ganha com o desempenho desse jogador em campo e mais 20% sobre o lucro na venda. Mas por que deu errado após a saída de Luxemburgo?

Essa correção na rota é a peça que falta no quebra-cabeças do Palmeiras. E não é Felipão que tem que resolver isso.

O buraco é mais embaixo

SEPO problema existe há muito tempo, mas sempre achamos que a camisa do Palmeiras falaria mais alto e ajudaria a superar as dificuldades, enquanto o trabalho de renovação, que é lento, de paciência, vai se desenvolvendo. Mas quem apostou nisso, e me incluo entre eles, errou.

Hoje, se o Palmeiras contratar um combinado com o que há de melhor no Barcelona, Internazionale, Bayern, Manchester United e Chelsea, fica em quinto lugar no Brasileirão, perdendo as chances da vaga no penúltimo jogo ao empatar em 1×1 com o Fluminense em casa. O problema no Palmeiras é rigorosamente estrutural.

Vamos começar pela Diretoria de Futebol. Gente muito decente, e competentes, mas não o suficiente. Cipullo sabe montar um time, e sabe negociar. Sustento o que sempre disse, minha opinião quanto a isso não muda com os resultados: o time é bom, o elenco é bom. Faltam duas ou três peças, claro, óbvio. Mas o que a torcida poderia entender é que a dificuldade em se conseguir fechar essas contratações vem da falta de dinheiro, e isso é consequência de uma postura agressiva tomada no ano passado para assegurar a conquista do Brasileiro. E o título não veio. E a sequência foram uma campanha desastrosa no Paulista e a eliminação pelo CAG na Copa do Brasil. Aí eu sou obrigado a rever meus conceitos.

O maior pecado da atual Diretoria de Futebol não é na formação do elenco. Não é na infra-estrutura. É na blindagem aos jogadores. A nossa camisa é pesada, mas não pode ser tanto assim. É um elenco de bons jogadores, mas com os nervos à flor da pele. Vejam como fomos eliminados pelo CAG. Lembrem-se de Obina x Mauricio. Recentemente, de Diego Souza. O Palestra é nitroglicerina.

Eles até tentam. O Gerente Administrativo de Futebol, Sergio do Prado, é praticamente persona-non-grata no clube por fazer o que pode para barrar o acesso de conselheiros insistentes, que teimam em estar presentes na Academia de Futebol para acompanhar os treinos, não só dos profissionais, mas principalmente da base. O interesse que certas figuras têm nos jovens é uma coisa comovente, como amam o esporte juvenil…

A torcida é absolutamente neurótica. E vamos falar em termos gerais, mesmo sabendo que há vários grupos distintos: bate em jogador com frequência, sempre nos melhores – não vão atrás dos ruins. Arruma confusão nos aeroportos. Jamais deixou nenhum treinador em paz  nos jogos no Palestra: nem Oswaldo Brandão, nem Felipão, nem o papa tiveram sossego nos bancos de reservas do Jardim Suspenso, durante os jogos sempre tem uma dezena de imbecis fazendo o que podem para aparecerem para a numerada e então voltarem para casa orgulhosos, contando para os tios e primos que a substituição que o técnico fez foi por causa deles.

A imprensa também faz sua parte, ao achar sangue onde não existe, ao lançar factóides, e ao promover supostas negociações que não existem, às vezes a mando de agentes, às vezes sendo inocentes úteis e repetindo uma papagaiada que não tem fundo de verdade; fazendo perguntas maldosas e/ou estúpidas, muitas vezes desrespeitosas. E fazem isso não só no Palmeiras, mas em todos os clubes – a intensidade é que pode ser discutida. Os jornalistas que cobrem o futebol sofrem preconceito na própria classe, de que seriam o que há de pior dentre os que saem dos bancos da escola – e boa parte dos rapazes e moças que trabalham no meio ajudam o preconceito a se transformar num sólido conceito. Basta ver os Twitters desse pessoal e ver que há vários que não sabem nem usar essa ferramenta e acabam revelando quem relmente são quando não estão com o microfone na mão com frases comprometedoras. Pobre minoria decente, honesta e que ama o futebol.

Alguns dizem que isso é reflexo da grandeza do Palmeiras. Em parte estão certos. Mas o Palmeiras, com toda sua grandeza, tem esses graves problemas em proporção muito maior aos clubes com quem se equipara em tamanho. Essa carga é  muito grande, mesmo ponderando com a importância do clube. Existem problemas inerentes ao próprio Palmeiras.

Há pouco mais de 30 anos deixou de existir uma escola de dirigentes no clube. A Sociedade Esportiva Palmeiras virou refém de um grupo de cartolas que não acompanhou a evolução do futebol. É necessário frisar que os cabeças da atual gestão também faziam parte desse grupo, mas se rebelaram em 1995, quando o rodízio e a renovação foram deixados de lado, e a ditadura foi imposta. Foi o fim de qualquer esperança, no curto prazo, de que o Palmeiras poderia reconstruir sua base, já carcomida, mas que à época ainda podia ser recuperada.

A ditadura que se instalou, acompanhada da alteração do Estatuto Social, fez do clube um feudo, repleto de vassalos facilmente corruptíveis, baratos, que serviram de sustentação para esse modelo por muito tempo, até que o soberano resolveu alçar vôos maiores e colocou um homem de sua confiança para continuar tocando o barco. Seu homem de confiança, entretanto, adorava futebol e rompeu com a política reinante de tocar o time como se toca uma padaria, visando resultado financeiro positivo ao final dos períodos.

Isso rendeu uma nova reviravolta política, mas a base, carcomida, depois de tanto tempo, já havia ruído. O Palmeiras virou terra de ninguém. Todos já foram do mesmo lado, mas poucos se mantiveram leais a ideais genuinamente alviverdes. A cultura que se arraigou, abrigada sob um estatuto forjado no fogo do inferno, fez do clube um ninho de parasitas, fortemente unidos por uma política toma-la-da-ca; com bravos e resistentes, porém quixotescos, oposicionistas – que agora têm a chance de voltar a comandar o clube, mas esbarram nessa estrutura apodrecida, a política das carteirinhas. O homem de confiança, que traiu seu mestre por amor ao futebol, hoje, por alguma razão, reconquistou sua confiança, voltou para o lado de onde saiu e hoje passeiam felizes pelo bosque.

É isso que não dá tranquilidade ao grupo que hoje tem a difícil missão de comandar o futebol do Palmeiras. Esbarra-se em todo o tipo de dificuldade política. Até a Arena os inimigos querem melar – não porque não seja boa para o clube, mas porque a placa da inauguração não terá o nome deles. A energia que se gasta para apagar os incêndios causados por essa gente mina os esforços que deveriam estar direcionados exclusivamente ao futebol. A atual diretoria tem todas essas dificuldades, e ainda têm que trabalhar para viver, pois, como foi dito, é gente honesta, decente.

E é isso que faz com que as falhas aconteçam. As atuais pessoas que lá estão, em especial Gilberto Cipullo, não tem condições para suportar a carga de uma vice-presidência, mais a Diretoria de Futebol, mas suas obrigações pessoais, diante de uma estrutura política tão pútrida e diante de pessoas tão inescrupulosas. E hoje, diante de tantos resultados ruins, tenho que admitir isso. Ele não pode continuar nessa função. Sua saída é o começo da solução para agora, pensando em 2010. Só que temos que achar uma saída maior, para resolver de vez os maiores problemas do clube.

Essa saída passa obrigatoriamente pela reforma estatutária. Extinção natural das cadeiras dos vitalícios, o símbolo da estrutura feudal. Vitalício morreu, a cadeira morre junto. Reduzindo o número de conselheiros pela metade, e fazendo com que todos tenham obrigatoriamente que concorrer a reeleições, diminui o compadrio e aumenta a necessidade de mostrar trabalho. As eleições para presidente, via voto direto do associado, desde que haja algum tipo de proteção para impedir que algum paraquedista com grande  poderio econômico “compre” os votos necessários, e desde que haja uma reforma na categorização dos sócios, dando poder aos sócio-torcedor, aquele que valoriza sobretudo o futebol, é outro ponto fundamental.

Mas isso é missão para o próximo presidente. Para já, para evitar que nossos jogadores apenas lutem para fugir do rebaixamento no Brasileirão – algo que suas capacidades estão muito além – não basta afastar Cipullo e seus adjuntos, porque quem entrar no lugar deles, na mesma estrutura, vai padecer do mesmo mal. A  mudança deve ser drástica, e exige acompanhamento de perto full-time, com cobranças constantes e metas a serem cumpridas – e isso só se consegue com profissionais remunerados. Aliás, podem traçar um paralelo com as diretorias financeiras e de marketing, que sofrem com o mesmo problema.

O apelo ao presidente Belluzzo é que vá por esse rumo, que altere radicalmente o comando do futebol, não só os nomes, mas a estrutura, de forma a ter mais condições de vencer os inimigos, que dormem em casa. Com profissionais remunerados, as decisões impopulares não precisam temer o ônus político. Só o Sérgio do Prado não dá conta de levar tanta bordoada sozinho, e ainda ser constantemente desautorizado. É preciso gente que acompanhe constantemente o grupo. Chefe por perto o dia todo, produtividade aumenta. Jogador fica com frescura, chama na salinha e bota o dedo na cara. Os jogadores são como crianças: no fundo, querem ser protegidos e repreendidos; precisam de alguém para impor-lhes os limites. E mais: repórter mal-intencionado vai pensar duas vezes. Conselheiro folgado vai bater com a cara na porta.

O diretor adjunto Savério Orlandi poderia perfeitamente continuar a exercer sua valiosa colaboração na elaboração e acompanhamento de contratos, sem se envolver nos outros aspectos do departamento que causam tanto desgaste. E Cipullo poderia colaborar na reconstrução da base do clube, na reforma estatutária, e na formação de novos diretores.  Presidente, realoque todo mundo. Seja o senhor mesmo o Diretor de Futebol de direito, e contrate profissionais para exercerem as funções de fato, e cobre-lhes os resultados. A pouco mais de seis meses do fim do mandato, não há mais nada a perder. Seria uma tacada ousada, difícil, mas que pode dar certo e seria, de fato, um grande feito desta gestão.

E nós? o que podemos fazer? Ora, se uma reforma na base do clube é necessária, o que nós podemos fazer? Amigos, quando eu me refiro à “base”, estou falando sobre gente. A base de um clube são as pessoas que o compõem. Se precisamos renovar a base, é com pessoas novas, que amem esse clube com toda a força da alma. Sem vocês aqui dentro, o esforço será em vão. O jogo hoje tem uma regra, temos que jogá-lo: fiquem sócios, e juntem-se aos palmeirenses que estão tentando fazer a diferença, lutando contra essa porcaria de estatuto e tentando fazer o possível e o impossível.

Mais uma vez, peço que acessem o site do grupo Fanfulla, que é formado por esse tipo de palmeirenses. Entrem no site, participem do fórum, informem-se o que é preciso para ficarem sócios e engrossarem esse  coro. O Palmeiras vai sobreviver, de uma forma ou outra, a essa tempestade, porque é grande demais. Ainda é. Mas a areia está caindo e precisamos reforçar a base. Não adianta só trocar o técnico e o diretor de futebol. Precisamos ter gente para ajudar a conduzir o clube com seriedade daqui a 10, 20, 30, 50 anos. O buraco, como puderam ver, e com o perdão do clichê, é bem mais embaixo.

Exemplo que vem de baixo

6 maio, 2010 por @parmerista  
Publicado na categoria: Base, Matérias

O Palmeiras B disputou nesse início de 2010 a série A3 do Campeonato Paulista. Classificou-se à fase final e diputa um dos dois quadrangulares decisivos – o primeiro e o segundo colocados de cada quadrangular conquistam o acesso.

O Palmeiras precisava vencer o Juventus na Rua Javari para conquistar o acesso com uma rodada de antecedência. O Juventus, por outro lado, caso vencesse a partida poderia voltar a disputar a vaga na última rodada.

No primeiro tempo, Juventus 2×0. No segundo tempo, com dois gols de Diogo, o Palmeiras empatou, e esse resultado deixava o time com boas chances de classificação no domingo, bastando vencer a Penapolense no Palestra, domingo. Ao Juventus, só a vitória interessava.

O goleiro Borges, do Palmeiras, o mesmo que jogou a Copa São Paulo de Juniores, recebeu cartão vermelho em determinado momento da partida. Sem substituições a fazer, o time teve que recorrer ao artilheiro do jogo, Diogo, para defender o arco nos minutos finais.

Aos 49 minutos do segundo tempo, o Juventus foi para o abafa: escanteio, e lá foi o goleirão pra área tentar o cabeceio. O resto da jogada vocês vêem no video abaixo – gravação do programa Bate-bola, da ESPN Brasil.

Categorias de base em alta

15 março, 2010 por @parmerista  
Publicado na categoria: Base, Comissão Técnica, Matérias

Trabalho, quando é bem feito, dá resultado – mesmo em terrenos que não primam exatamente pela meritocracia. Jogadores palmeirenses das divisões de base tiveram seus trabalhos reconhecidos e integrarão as seleções brasileiras sub-18 e sub-19, após as convocações anunciadas neste fim-de-semana.

No sub-18, o meia Patrick, que nem atuou tanto como titular, teve uma merecida convocação. O centrovante Miguel também foi chamado – e convenhamos, apesar de algumas qualidades, parece estar sendo um pouco supervalorizado. Os atletas embarcam para a África do Sul, onde disputarão o Torneio Quatro Nações, com a equipe da casa, mais Nigéria e Gana.

A equipe sub-19 contará com  o futebol do volante Fernando, que já foi promovido ao time principal do Palmeiras e cujo potencial é indiscutível. Outro palmeirense a reforçar a Seleção é o goleiro Borges. Os dois disputarão a Copa Internacional do Mediterrâneo, em Barcelona, e depois embarcam para disputar um torneio em Dubai.

A comissão técnica, mas do time principal, também está valorizada. O fisioterapeuta José Rosan Junior acompanhará o time sub-18, e o preparador físico Anselmo Sbragia, a equipe sub-19.

Parabéns a todos.