Bonzinho
25 agosto, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Arbitragem, Diretoria, História, Imprensa, Matérias

Em 2006, quando Leão foi demitido, às vésperas do confronto com os bambis pelas oitavas-de-finais da Libertadores, foi alçado à condição de interino o técnico do time B, Marcelo Villar. O Verdão empatou no Palestra por 1×1, e perdeu no panetone, por 2×1, num jogo em que Wilson de Souza Mendonça nos garfou vergonhosamente. Villar sobreviveu à eliminação, mas caiu poucos jogos depois, substituído por Tite. Um dos episódios que precipitou sua queda foi quando Edmundo, em entrevista, declarou que Villar era “muito bonzinho”.
O Palmeiras, apesar de hoje contar com Felipão, que de “bonzinho” não tem nada, vem sendo o “clube bonzinho” dentre os grandes do país. Somos feitos de bobos em quase todas as esferas. A falta de habilidade nos bastidores é, ao lado do vazamento crônico de informações, o maior problema na gestão do nosso futebol.
Nossos inimigos jogam sujo contra nós. Batem sem dó. E não é choro: no futebol é assim mesmo. Vejamos:
- não temos a menor ingerência na escala de árbitros. Somos roubados vergonhosamente pela mesma meia dúzia de sempre, e eles continuam a ser escalados em nossos jogos. PC, Sálvio, Heber, Gaciba… o juiz do nosos próximo jogo é ninguém menos que Evandro Roman, aquele que nos trata como ao Engenheiro Beltrão. Só falta escalarem o Simon para o próximo jogo nosso contra os bambis. Sabemos que não existe veto formal na arbitragem brasileira. Mas o informal existe. Os bambis conseguem evitar que determinados juízes apitem seus jogos – e assim colocam pressão nos que apitam, e vivem felizes para sempre;
- o STJD faz a festa em cima do Palmeiras. Não fosse a incrível competência de nosso corpo jurídico, nosso prejuízo seria muito maior. Nos últimos anos, deitaram e rolaram principalmente em cima de Diego Souza e Kleber. Até o próprio presidente Belluzzo pegou um gancho pesado, desproporcional ao que fez. Mas o pior foi o caso das trancinhas, em que Vagner Love, em audiência no Rio, ouviu de um dos auditores que gostaria que as trancinhas que ele estava usando, verdes à época, fossem rubro-negras. É com essa absoluta desfaçatez que tratam o Palmeiras no órgão jurídico esportivo mais importante do país;
- a imprensa é um caso à parte. O problema é histórico. Já cansamos de espernear – já relatamos tantos casos de tratamento diferenciados em casos iguais, que nem cabe mais. A arma deles é dizer que somos passionais, no caso dos mais polidos – ou malucos paranóicos, no caso dos mais canalhas. E o pior é que alguns veículos não se contentam em plantar crises diárias em nossos noticiários: na outra via, pintam o mundo de cor-de-rosa ao se referirem a determinados clubes, mesmo que a situação não esteja tão boa assim;
- e o nosso pior inimigo, aquelas alas de conselheiros dentro do clube, não descansa nunca. Além de manterem relações promíscuas com certos elementos da imprensa, vazando informações que prejudicam o andamento de negociações, ultimamente se especializaram em sabotar os projetos em andamento, visto que, caso tais projetos dêem certo, resultarão em ganho político significativo a seus desafetos, o grupo que comanda o clube hoje – e no raciocínio tacanho e egoísta dessas pessoas, quanto melhor para a atual gestão, pior para eles – não importa se é bom para o Palmeiras. Assim, usam laranjas dentro e fora do clube, em órgãos da sociedade civil ou mesmo da imprensa, para atrapalharem a atual gestão. Alguém entende por que a Arena não está sendo construída a todo vapor?
E o Palmeiras apanha, calado. Enquanto nossos inimigos jogam sujo, nós jogamos limpo e mostramos a eles como é que se faz. Agimos no futebol seguindo os mesmos princípios que usamos para dar a educação básica a nossos filhos. Que bonito.
E assim, eles seguem ganhando tudo, e nós, só tentando. Sempre tem um detalhe, uma coisinha aqui ou ali que foge do controle, e mesmo fazendo tudo certinho, algo nos tira do páreo.
Os atuais dirigentes do Palmeiras são honestos demais para fazerem o que tem que ser feito. Talvez nem saibam como, já que quem ocupou o poder por tanto tempo e sabia, obviamente jamais mostrou como é que se faz. Mas eu também não sei limpar minha casa, só que sei ver se a casa está limpa ou não. Para fazer o serviço, chamo quem sabe, e a faxineira vem e deixa a casa em ordem.
Comportarem-se como virgens no prostíbulo, por mais que seja seguindo princípios de retidão moral que sonhamos para o mundo, não vai tirar o Palmeiras do mar de problemas em que se encontra. Já passou da hora de deixar de ser bonzinho e mostrar força nos bastidores. Como? Eu não sei. Mas nosso presidente, o do país, já ensinou a fórmula: basta dizer que não sabia de nada.
As cinco coroas
18 julho, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: História, Matérias
Muito buzz na Internet a respeito do primeiro detalhe da nova camisa do Palmeiras, que será lançada na próxima terça-feira, que vazou: a marca d’água com as cinco coroas. Mas o que foram essas cinco coroas, afinal?
Entre 1950 e 1951, não havia time no mundo mais poderoso do que o Palmeiras. Foram cinco títulos, em seqüência, sendo o quinto a maior glória da nossa extensa galeria de troféus: o Campeonato Mundial de Clubes de 1951, reconhecido pela FIFA através de ofício, jamais revogado. Vamos a eles:
A primeira coroa foi a Taça Cidade de São Paulo, conquistada em agosto de 1950. O título veio após uma vitória contra a Portuguesa, por 3×2, e um empate contra o São Paulo, por 2×2, num Pacaembu com mais de 60 mil pessoas – isso sem o tobogã. A Taça Cidade de São Paulo era uma competição promovida pela Prefeitura Municipal, um triangular envolvendo os três melhores times do estadual do ano anterior. À época, havia uma maldição: quem ganhasse a Taça Cidade de São Paulo, não ganhava o Paulista.
Pois o Verdão, ao vencer a segunda coroa, em janeiro de 1951, quebrou a escrita. Num campeonato onde a vitória valia dois pontos, o São Paulo buscava o tricampeonato e tinha três pontos de frente sobre o Palmeiras, a três rodadas do fim. Pensam que só acontece aqui? Lá eles também amarelam, e como. Perderam para o Santos e para o Ypiranga, enquanto o Palmeiras atropelou o XV de Piracicaba e a Portuguesa Santista. Na rodada final, a tabela marcou o confronto justamente entre Palmeiras e São Paulo, e o Verdão já havia revertido a vantagem na tabela, tinha um ponto de frente e jogou pelo empate. E num confronto histórico, que ficou conhecido como o Jogo da Lama, devido às fortes chuvas que caíram sobre a cidade e que transformaram o campo do Pacaembu num lamaçal, o Palmeiras conseguiu o empate por 1×1, com Teixeirinha abrindo o placar para o São Paulo, e Aquiles empatando, no segundo tempo.
Em abril de 1951 veio a terceira coroa: o Torneio Rio-São Paulo, que na época tinha status de campeonato brasileiro, devido à suposta disparidade entre o futebol jogado nos dois maiores centros do país e as outras praças – talvez houvesse um tanto de bairrismo nessa premissa, ajudada pelo enfoque da imprensa à época. Não vem ao caso. O Palmeiras, que nas partidas de classificação chegou a enfiar 7×1 no Flamengo, precisava vencer o Vasco no Maracanã para evitar que o Corinthians conquistasse o título, e assim forçasse uma série de desempate em melhor de três partidas. Goleou: Palmeiras 4×1 Vasco, e lá foram os maiores rivais para a série decisiva. Na primeira, Palmeiras 3×2 Corinthians. E na segunda, Palmeiras 3×1. Campeão, de novo…
E lá veio a Taça Cidade de São Paulo de 1951, a quarta coroa. Reunindo os três melhores do Paulistão, o Palmeiras primeiro triturou o Santos por 6×2, para depois enfrentar na final, outra vez, o São Paulo. E a linha atacante de raça, composta por Lima, Aquiles, Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues não se fez de rogada e comandou mais uma vitória e a conquista de mais um título no Pacaembu: Palmeiras 3×2 São Paulo. Era taça que não acabava mais.
A quinta coroa foi o Campeonato Mundial de 1951, a Copa Rio, conquistada em julho daquele ano. O Brasil, com exceção da torcida palmeirense, estava um tanto de mal do futebol. A derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950 ainda ecoava na cabeça de milhões de brasileiros, quando tiveram a ideia de promover mais um campeonato mundial – desta vez, de clubes – para, quem sabe, resgatar o orgulho do brasileiro pelo futebol. E foram convidadas as maiores potências do planeta à época, entre elas o Nacional, base da Seleção Uruguaia campeã do Mundo, e a Juventus da Itália.
Na fase de grupos, o Palmeiras atropelou o Olympique de Nice, campeão francês, e o Estrela Vermelha, da Iugoslávia. Numa partida em que Oberdan Cattani caiu em desgraça e falhou várias vezes, o Palmeiras foi goleado pela Juventus por 4×0, ficou em segundo do grupo, tendo que enfrentar o Vasco em duas partidas, pelas semifinais. Ida e volta? Nada. As duas no Maracanã. No primeiro, já com Fabio Crippa como goleiro, vitória do Verdão por 2×1, num jogo em que Aquiles quebrou a perna. No segundo, 0×0, e passaporte garantido para as finais, novamente contra Juventus, em duas partidas no Maracanã. Na primeira, Palmeiras 1×0, gol de Rodrigues. E na segunda, o Palmeiras, após estar em desvantagem por duas vezes, buscou o empate por 2×2, gols de Rodrigues e Liminha, e faturou a Copa Rio, o Campeonato Mundial de Clubes. Nossa quinta coroa.
A nova camisa desenvolvida pela Adidas, a ser usada entre julho de 2010 a julho de 2011, comemora os 60 anos da conquista da maior sequência de títulos de um time brasileiro, as fabulosas cinco coroas. Para ensinar a gambás e bambis. Este time tem História. Aqui é PALMEIRAS!
Um sábado como hoje
12 junho, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: História, Matérias
Em 1993, num sábado tão gelado como este, Palmeiras e Corinthians decidiram o Campeonato Paulista no dia 12 de junho.
Há exatos dezessete anos, o Verdão saía de uma insuportável fila com autoridade, goleando impiedosamente o rival, e desafogando o grito da garganta de milhões de parmeristas.
O primeiro jogo da final, seis dias antes, foi vencido pelo Corinthians por 1×0, gol de Viola, que imitou um porquinho na comemoração. O técnico do Palmeiras, o “Luxa de pulôver”, como diz meu amigo Jota, usou a imagem para motivar nossos jogadores durante a semana, quando a imprensa, apoiada pela imensa fila e pela pressão que deveria se abater sobre o Palmeiras, já dava o Corinthians como campeão.
Não teve pressão que segurasse aquele esquadrão, e devo dizer a vocês que quando Evair se preparou para bater o pênalti e a metade verde do estádio deu as mãos formando a maior corrente humana que eu já vi, aconteceu o momento mais emocionante de toda a minha trajetória pelos estádios, mais que Euller contra o Flamengo, mais que Marcos defendendo o Marcelinho, mais que Zapata pra fora.
Relembre mais uma vez essa data inesquecível, e conte a história de como foi seu dia nos comentários. Tente lembrar o que você estava fazendo nesse exato momento há dezessete anos atrás. Agora são 1h44 da manhã, e a essa hora, em 1993, com 22 anos eu estava no Bar da Haydée, enchendo a lata de Kaiser Bock, e torcendo pro tempo passar logo…
Sábado, 12 de junho de 1993
Palmeiras 4×0 Corinthians
Renda: Cr$ 18.154.000.000,00
Público: 104.401 pagantes
Palmeiras: Sérgio; Mazinho, Antonio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair (Alexandre Rosa). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Corinthians: Ronaldo; Leandro, Marcelo, Henrique e Ricardo; Marcelinho Paulista, Ezequiel, Neto e Paulo Sérgio; Viola e Adil (Tupãzinho) (Wilson). Técnico: Nelsinho Baptista
Gols: Zinho aos 36 do primeiro tempo; Evair aos 29 e Edilson aos 38 do segundo tempo; Evair aos 10 do primeiro tempo da prorrogação.
O buraco é mais embaixo
7 maio, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: Administração, Base, Diretoria, História, Imprensa, Internas, Jogadores, Matérias, Torcida
O problema existe há muito tempo, mas sempre achamos que a camisa do Palmeiras falaria mais alto e ajudaria a superar as dificuldades, enquanto o trabalho de renovação, que é lento, de paciência, vai se desenvolvendo. Mas quem apostou nisso, e me incluo entre eles, errou.
Hoje, se o Palmeiras contratar um combinado com o que há de melhor no Barcelona, Internazionale, Bayern, Manchester United e Chelsea, fica em quinto lugar no Brasileirão, perdendo as chances da vaga no penúltimo jogo ao empatar em 1×1 com o Fluminense em casa. O problema no Palmeiras é rigorosamente estrutural.
Vamos começar pela Diretoria de Futebol. Gente muito decente, e competentes, mas não o suficiente. Cipullo sabe montar um time, e sabe negociar. Sustento o que sempre disse, minha opinião quanto a isso não muda com os resultados: o time é bom, o elenco é bom. Faltam duas ou três peças, claro, óbvio. Mas o que a torcida poderia entender é que a dificuldade em se conseguir fechar essas contratações vem da falta de dinheiro, e isso é consequência de uma postura agressiva tomada no ano passado para assegurar a conquista do Brasileiro. E o título não veio. E a sequência foram uma campanha desastrosa no Paulista e a eliminação pelo CAG na Copa do Brasil. Aí eu sou obrigado a rever meus conceitos.
O maior pecado da atual Diretoria de Futebol não é na formação do elenco. Não é na infra-estrutura. É na blindagem aos jogadores. A nossa camisa é pesada, mas não pode ser tanto assim. É um elenco de bons jogadores, mas com os nervos à flor da pele. Vejam como fomos eliminados pelo CAG. Lembrem-se de Obina x Mauricio. Recentemente, de Diego Souza. O Palestra é nitroglicerina.
Eles até tentam. O Gerente Administrativo de Futebol, Sergio do Prado, é praticamente persona-non-grata no clube por fazer o que pode para barrar o acesso de conselheiros insistentes, que teimam em estar presentes na Academia de Futebol para acompanhar os treinos, não só dos profissionais, mas principalmente da base. O interesse que certas figuras têm nos jovens é uma coisa comovente, como amam o esporte juvenil…
A torcida é absolutamente neurótica. E vamos falar em termos gerais, mesmo sabendo que há vários grupos distintos: bate em jogador com frequência, sempre nos melhores – não vão atrás dos ruins. Arruma confusão nos aeroportos. Jamais deixou nenhum treinador em paz nos jogos no Palestra: nem Oswaldo Brandão, nem Felipão, nem o papa tiveram sossego nos bancos de reservas do Jardim Suspenso, durante os jogos sempre tem uma dezena de imbecis fazendo o que podem para aparecerem para a numerada e então voltarem para casa orgulhosos, contando para os tios e primos que a substituição que o técnico fez foi por causa deles.
A imprensa também faz sua parte, ao achar sangue onde não existe, ao lançar factóides, e ao promover supostas negociações que não existem, às vezes a mando de agentes, às vezes sendo inocentes úteis e repetindo uma papagaiada que não tem fundo de verdade; fazendo perguntas maldosas e/ou estúpidas, muitas vezes desrespeitosas. E fazem isso não só no Palmeiras, mas em todos os clubes – a intensidade é que pode ser discutida. Os jornalistas que cobrem o futebol sofrem preconceito na própria classe, de que seriam o que há de pior dentre os que saem dos bancos da escola – e boa parte dos rapazes e moças que trabalham no meio ajudam o preconceito a se transformar num sólido conceito. Basta ver os Twitters desse pessoal e ver que há vários que não sabem nem usar essa ferramenta e acabam revelando quem relmente são quando não estão com o microfone na mão com frases comprometedoras. Pobre minoria decente, honesta e que ama o futebol.
Alguns dizem que isso é reflexo da grandeza do Palmeiras. Em parte estão certos. Mas o Palmeiras, com toda sua grandeza, tem esses graves problemas em proporção muito maior aos clubes com quem se equipara em tamanho. Essa carga é muito grande, mesmo ponderando com a importância do clube. Existem problemas inerentes ao próprio Palmeiras.
Há pouco mais de 30 anos deixou de existir uma escola de dirigentes no clube. A Sociedade Esportiva Palmeiras virou refém de um grupo de cartolas que não acompanhou a evolução do futebol. É necessário frisar que os cabeças da atual gestão também faziam parte desse grupo, mas se rebelaram em 1995, quando o rodízio e a renovação foram deixados de lado, e a ditadura foi imposta. Foi o fim de qualquer esperança, no curto prazo, de que o Palmeiras poderia reconstruir sua base, já carcomida, mas que à época ainda podia ser recuperada.
A ditadura que se instalou, acompanhada da alteração do Estatuto Social, fez do clube um feudo, repleto de vassalos facilmente corruptíveis, baratos, que serviram de sustentação para esse modelo por muito tempo, até que o soberano resolveu alçar vôos maiores e colocou um homem de sua confiança para continuar tocando o barco. Seu homem de confiança, entretanto, adorava futebol e rompeu com a política reinante de tocar o time como se toca uma padaria, visando resultado financeiro positivo ao final dos períodos.
Isso rendeu uma nova reviravolta política, mas a base, carcomida, depois de tanto tempo, já havia ruído. O Palmeiras virou terra de ninguém. Todos já foram do mesmo lado, mas poucos se mantiveram leais a ideais genuinamente alviverdes. A cultura que se arraigou, abrigada sob um estatuto forjado no fogo do inferno, fez do clube um ninho de parasitas, fortemente unidos por uma política toma-la-da-ca; com bravos e resistentes, porém quixotescos, oposicionistas – que agora têm a chance de voltar a comandar o clube, mas esbarram nessa estrutura apodrecida, a política das carteirinhas. O homem de confiança, que traiu seu mestre por amor ao futebol, hoje, por alguma razão, reconquistou sua confiança, voltou para o lado de onde saiu e hoje passeiam felizes pelo bosque.
É isso que não dá tranquilidade ao grupo que hoje tem a difícil missão de comandar o futebol do Palmeiras. Esbarra-se em todo o tipo de dificuldade política. Até a Arena os inimigos querem melar – não porque não seja boa para o clube, mas porque a placa da inauguração não terá o nome deles. A energia que se gasta para apagar os incêndios causados por essa gente mina os esforços que deveriam estar direcionados exclusivamente ao futebol. A atual diretoria tem todas essas dificuldades, e ainda têm que trabalhar para viver, pois, como foi dito, é gente honesta, decente.
E é isso que faz com que as falhas aconteçam. As atuais pessoas que lá estão, em especial Gilberto Cipullo, não tem condições para suportar a carga de uma vice-presidência, mais a Diretoria de Futebol, mas suas obrigações pessoais, diante de uma estrutura política tão pútrida e diante de pessoas tão inescrupulosas. E hoje, diante de tantos resultados ruins, tenho que admitir isso. Ele não pode continuar nessa função. Sua saída é o começo da solução para agora, pensando em 2010. Só que temos que achar uma saída maior, para resolver de vez os maiores problemas do clube.
Essa saída passa obrigatoriamente pela reforma estatutária. Extinção natural das cadeiras dos vitalícios, o símbolo da estrutura feudal. Vitalício morreu, a cadeira morre junto. Reduzindo o número de conselheiros pela metade, e fazendo com que todos tenham obrigatoriamente que concorrer a reeleições, diminui o compadrio e aumenta a necessidade de mostrar trabalho. As eleições para presidente, via voto direto do associado, desde que haja algum tipo de proteção para impedir que algum paraquedista com grande poderio econômico “compre” os votos necessários, e desde que haja uma reforma na categorização dos sócios, dando poder aos sócio-torcedor, aquele que valoriza sobretudo o futebol, é outro ponto fundamental.
Mas isso é missão para o próximo presidente. Para já, para evitar que nossos jogadores apenas lutem para fugir do rebaixamento no Brasileirão – algo que suas capacidades estão muito além – não basta afastar Cipullo e seus adjuntos, porque quem entrar no lugar deles, na mesma estrutura, vai padecer do mesmo mal. A mudança deve ser drástica, e exige acompanhamento de perto full-time, com cobranças constantes e metas a serem cumpridas – e isso só se consegue com profissionais remunerados. Aliás, podem traçar um paralelo com as diretorias financeiras e de marketing, que sofrem com o mesmo problema.
O apelo ao presidente Belluzzo é que vá por esse rumo, que altere radicalmente o comando do futebol, não só os nomes, mas a estrutura, de forma a ter mais condições de vencer os inimigos, que dormem em casa. Com profissionais remunerados, as decisões impopulares não precisam temer o ônus político. Só o Sérgio do Prado não dá conta de levar tanta bordoada sozinho, e ainda ser constantemente desautorizado. É preciso gente que acompanhe constantemente o grupo. Chefe por perto o dia todo, produtividade aumenta. Jogador fica com frescura, chama na salinha e bota o dedo na cara. Os jogadores são como crianças: no fundo, querem ser protegidos e repreendidos; precisam de alguém para impor-lhes os limites. E mais: repórter mal-intencionado vai pensar duas vezes. Conselheiro folgado vai bater com a cara na porta.
O diretor adjunto Savério Orlandi poderia perfeitamente continuar a exercer sua valiosa colaboração na elaboração e acompanhamento de contratos, sem se envolver nos outros aspectos do departamento que causam tanto desgaste. E Cipullo poderia colaborar na reconstrução da base do clube, na reforma estatutária, e na formação de novos diretores. Presidente, realoque todo mundo. Seja o senhor mesmo o Diretor de Futebol de direito, e contrate profissionais para exercerem as funções de fato, e cobre-lhes os resultados. A pouco mais de seis meses do fim do mandato, não há mais nada a perder. Seria uma tacada ousada, difícil, mas que pode dar certo e seria, de fato, um grande feito desta gestão.
E nós? o que podemos fazer? Ora, se uma reforma na base do clube é necessária, o que nós podemos fazer? Amigos, quando eu me refiro à “base”, estou falando sobre gente. A base de um clube são as pessoas que o compõem. Se precisamos renovar a base, é com pessoas novas, que amem esse clube com toda a força da alma. Sem vocês aqui dentro, o esforço será em vão. O jogo hoje tem uma regra, temos que jogá-lo: fiquem sócios, e juntem-se aos palmeirenses que estão tentando fazer a diferença, lutando contra essa porcaria de estatuto e tentando fazer o possível e o impossível.
Mais uma vez, peço que acessem o site do grupo Fanfulla, que é formado por esse tipo de palmeirenses. Entrem no site, participem do fórum, informem-se o que é preciso para ficarem sócios e engrossarem esse coro. O Palmeiras vai sobreviver, de uma forma ou outra, a essa tempestade, porque é grande demais. Ainda é. Mas a areia está caindo e precisamos reforçar a base. Não adianta só trocar o técnico e o diretor de futebol. Precisamos ter gente para ajudar a conduzir o clube com seriedade daqui a 10, 20, 30, 50 anos. O buraco, como puderam ver, e com o perdão do clichê, é bem mais embaixo.
Machucou…
4 maio, 2010 por @parmerista
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E Diego Souza começa seu adeus ao Palmeiras. Ao “sentir uma fisgada” na coxa no nesta segunda, o meia deixou o treino e já foi cortado da delegação que viaja a Goiânia para enfrentar o CAG, nesta quarta-feira, pela partida de volta das quartas-de-finais da Copa do Brasil. Como será julgado e provavelmente condenado (pena de até seis jogos) pelos gestos e xingamentos do jogo da última quinta-feira, Diego deve perder todos os jogos até o iníco da Copa do Mundo. Ou seja, só teria condições de jogo, pelo Palmeiras, em julho. Já elvis.
Resta saber o que realmente aconteceu. Afirmar categoricamente que ele não se machucou seria leviandade, claro. Mas temos o direito de pelo menos desconfiar. E, na boa: se foi o jogador, o empresário, o técnico, o diretor ou o presidente, ou até o próprio músculo, de quem quer que tenha partido essa iniciativa, foi boa para todo mundo. Para ele e para a Traffic, uma transferência causada por atritos com a torcida o desvalorizaria. Para o clube, para o técnico e para os companheiros, insistir com ele seria malhar ferro frio, já que ao que parece ele não quer ficar mesmo e atrasaria a reorganização da equipe sem ele. Ele sai de cena, e durante a Copa sua transferência é noticiada. Pouca gente nota, e todos vivem felizes para sempre.
Se o jogador não quer mais, não tem jeito. O que não pode acontecer é toda hora o craque se cansar do Palmeiras e resolver bater as asinhas – principalmente os jogadores cujos direitos não estão vinculados ao clube. E na atual conjuntura, sabemos, os clubes não têm condições de arcar com os direitos federativos dos grandes medalhões, principalmente daqueles que ainda almejam um proseseguimento na carreira em um mercado financeiramente mais desenvolvido. Só que só os do Palmeiras forçam pra sair de forma cada vez mais frequente. Tem coisa errada.
A saída iminente de Diego Souza é o fim de uma história que começou em janeiro de 2008 – notícia dada em primeira mão pelo blog Parmerista! – e a relação jamais foi morna. Diego sempre oscilou entre o oito e o oitenta, e ninguém ficou indiferente a seu rendimento. Com Luxemburgo, ao lado de Valdivia, Kleber e Alex Mineiro, foi coadjuvante na conquista do título paulista de 2008. Jogou abrindo espaços, puxando marcadores e liberando Valdivia para brilhar. E mesmo com a conquista, foi perseguido pela torcida, que não compreendeu esse papel e esperava mais do meia, que custou tão caro – para a Traffic.
Com a saída de Valdivia, Diego custou a achar seu lugar em campo, e seu desempenho no segundo semestre de 2008 foi pífio. No final do ano, quando o Palmeiras perdeu o Campeonato Brasileiro numa crise deflagrada nas rodadas finais por uma panelinha de jogadores vagabundos que boicotou o time, a torcida, mais uma vez alheia aos acontecimentos, atribuiu a ele boa parte da culpa do fracasso. Para sua sorte, havia gente mais pesada na mira, e apesar de muitos arranhões, sobreviveu.
Além de tudo, veio 2009, e com ele, Kerlington e CleitonX, mais Willians fechando o ataque. E o time do Paulista-09 parecia uma máquina, enchendo os adversários de gols. No entanto, na Libertadores, o desempenho do time não era tão bom, e aí apareceu a estrela de Diego Souza, sendo destaque nos confrontos contra o Sport, na Ilha, inflamando a nossa torcida, batendo no peito, transformando-se ao lado de Marcos no símbolo da raça do Verdão. O time caiu no Paulista, Diego foi um dos maiores culpados ao perder a cabeça e partir para cima de Domingos, mas seu temperamento forte, sua reação de “ser humano” livrou sua cara. Enquanto isso, Luxemburgo e Kerlington davam adeus ao Palmeiras pela porta dos fundos: o prestígio de Diego atingiu patamares nunca vistos no clube. Ninguém mais se lembrava do final de 2008. No Brasileirão, arrebentou. Muitos gols, máquina de chapéus, show, e a camisa 7 vendendo como nunca. Foi comparado a Edmundo, o de 93-94.
Com Jorginho, e depois com Muricy, Diego manteve a pegada, e a virtual conquista do Brasileirão pelo Palmeiras já o credenciava como o craque do campeonato e o melhor jogador do país. A própria imprensa, tamanha a vantagem construída, já começava a tratar o campeonato como favas contadas, e deu-se início a um oba-oba perigoso. No mesmo momento em que Diego acabava convocado para uma rodada dupla das Eliminatórias pela seleção da CBF, aclamado nacionalmente.
Foi o início do fim. Diego Souza entrou em campo pela Seleção na altitude de La Paz, contra a Bolívia, jogou os primeiros 45 minutos, foi muito mal, e Dunga o encostou. Não jogou mais, nem convocado novamente foi. E isso parece ter abaldo o jogador, seu futebol sumiu também no Palmeiras. A convocação de Diego foi um dos fatores que, combinados com as contusões de Pierre e CleitonX, com o roubo no Maracanã, com os desastres em Santo André e no Olímpico, tiraram do Palmeiras o título mais ganho da história dos Campeonatos Brasileiros. E a torcida não o perdoou, mais uma vez.
Em 2009, ele controlou a fúria da torcida pelo final do ano anterior jogando muita bola. Mas em 2010, isso não aconteceu. O esquema de Muricy não encaixou muito bem, o Palmeiras naufragou vergonhosamente no Paulista. Ele perdeu a cabeça de novo, mas dessa vez a reação não foi entendida como de “ser humano”. A paciência da torcida com Diego atingiu o chamado point-of-no-return, ou seja, sem volta. E o fim da linha está sendo este a que estamos assistindo: melancólico, com fisgada na coxa.
É mais um craque que deixa o Palmeiras. De novo: tem alguma coisa errada. Para substituí-lo, o clube conta com Lincoln, contratado para fortalecer o elenco e que já conquistou a confiança de torcedores, companheiros e diretores para assumir a titularidade. Seu futebol é bem diferente do de Diego, e o time terá que se reorganizar. E mais uma vez, abre-se um buraco no elenco, que só conta com Ivo como suplente na posição, já que Joãozinho, além de muito jovem e leve, não é exatamente um meia-armador pra chegar de trás, nem um meia clássico metedor de bolas.
O que começa a inquietar a torcida agora é: quem vem para o seu lugar? Provavelmente ninguém. O Palmeiras não tem dinheiro, os recursos foram comprometidos ano passado e não houve retorno com a perda do Brasileiro. A Traffic não está nem aí para o Palmeiras, e só vai “repor” a peça se achar alguém no mercado que tenha o tal perfil que ela tanto gosta. Esqueçam de grandes nomes, pelo menos através dessa “parceira”. O que pode acontecer é uma jogada casada com algum outro patrocinador/investidor, que queira aproveitar a imagem de um grande atleta e expô-lo no Palmeiras – resta saber o quanto isso seria bom para o elenco. Portanto, esqueçam alguma reposição. Provavelmente perdemos Diego, e agora é com isso aí que vamos.
As características da torcida do Palmeiras são essas, e é complicado mudar. Talvez o choque geográfico da reforma do Palestra dê uma ajuda no sentido de quebrar esse comportamento. Mas é difícil, não deve influenciar muito. A perda de um valor como Diego Souza passa pela responsabilidade de todos: do próprio atleta, de quem o orienta, dos técnicos, dos companheiros – e da torcida, que é o mais difícil de corrigir. Em multidões, as pessoas se comportam de maneira diferente do que individualmente. E assim fazemos a nossa parte para tornar cada vez mais difícil que um grande craque venha para o Palmeiras de peito aberto.
Para reverter isso, só um título. Um grande título, pra jogar água nessa fervura. A Copa do Brasil está aí. São só cinco jogos.
O Pacaembu é nosso
28 abril, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: História, Matérias
O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho completa hoje 70 anos de sua inauguração. Em sua vasta história, jamais houve um time tão vencedor quanto o Palmeiras. Mesmo sendo proprietário do Estádio Palestra Italia, o alviverde disputou muitos jogos no Pacaembu. Provavelmente nem tantos quanto seu arquirrival, que não tem estádio próprio e sempre precisou recorrer ao Municipal. Mas mesmo assim, não existe equipe mais vencedora no estádio.
De vinte anos para cá, o Palmeiras decidiu mandar seus jogos quase que exclusivamente no Palestra Italia. O arquirrival, que continua sem estádio próprio, teve então mais “liberdade” para alugar o Municipal. Daí a errônea impressão que se tem hoje de que o estádio é “a casa deles”. Casa deles o escambau. O Pacaembu é da cidade de São Paulo, e o maior vencedor do estádio é a gloriosa Sociedade Esportiva Palmeiras, conforme levantamento feito pelo Departamento de Acervo Histórico e Memória da SEP, que pode ser visto logo abaixo.
Com o início das obras da Arena Palestra Italia marcado para o mês de junho, o septuagenário estádio voltará a abrigar o Palmeiras como antes. Palmeirense: sinta-se em casa!
PACAEMBU 70 ANOS
PALESTRA ITALIA FEZ O PRIMEIRO JOGO, PRIMEIRA VITÓRIA E PRIMEIRO TITULO.
O primeiro jogo da história do Pacaembu foi disputado entre o então Palestra Italia e o Coritiba, em 28 de abril de 1940, vitória palestrina por 6 a 2. Em seguida jogaram as equipes do Corinthians e do Atlético Mineiro, em partidas válidas pela Taça Cidade de São Paulo, fazendo com que o Derby decidisse o primeiro título da história do estádio; e o primeiro campeão da era Pacaembu também foi o Palmeiras, na época Palestra Italia, que venceu a o torneio ao derrotar o Corinthians por 2 a 1, em 4 de maio de 1940, finalizando as festividades de inauguração do Estádio Municipal.
De acordo com dados do Almanaque do Palmeiras, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho é o segundo em que o Verdão mais atuou em toda a sua história – em primeiro lugar está o Estádio Palestra Italia – foram 983 jogos, com 497 vitórias, 265 empates e 221 derrotas. A equipe marcou 1837 gols e sofreu 1197.
Outro dado extremamente relevante é que o Palmeiras é o clube que mais vezes levantou canecos no Pacaembu – ver relação abaixo – último em 1994, no empate em 1 a 1 com o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro. De lá para cá, aliás, a equipe fez uma partida de ‘destaque’ no Pacaembu, no jogo das “faixas” contra o XV de Jaú, pelo Paulistão de 1996.
O Palmeiras também está na história do Pacaembu por outros motivos. É o único time que tem vantagem sobre todos os outros rivais da capital (Corinthians, São Paulo e Portuguesa) e também sobre o Santos, em confrontos diretos no estádio.
Outro detalhe importantíssimo, se não um dos principais da História de 95 anos do Verdão, aconteceu em setembro de 1942: no Pacaembu e com a bandeira do Brasil sendo carregada pelos atletas palmeirenses, o Palestra Italia virou Palmeiras e foi campeão no jogo decisivo contra o São Paulo, pelo Campeonato Paulista, na vitória por 3 a 1.
>>> Todos os títulos do Palmeiras conquistados no Pacaembu >>>
| Ano | Título | Adversário |
|---|---|---|
| 1940 | Taça Cidade de SP | Corinthians |
| 1940 | Campeonato Paulista | São Paulo |
| 1942 | Torneio Início | Santos |
| 1942 | Campeonato Paulista | São Paulo |
| 1943 | Taça Campeões Rio-SP | Flamengo |
| 1946 | Taça Cidade de SP | São Paulo |
| 1946 | Torneio Início | São Paulo |
| 1948 | Taça Campeões Rio-SP | Vasco |
| 1950 | Taça Cidade de SP | São Paulo |
| 1950 | Campeonato Paulista | São Paulo |
| 1951 | Torneio Rio-SP | Corinthians |
| 1951 | Taça Cidade de SP | São Paulo |
| 1959 | Campeonato Paulista | Santos |
| 1959 | Torneio Roberto Ugolini | |
| 1960 | Taça Brasil | Fortaleza |
| 1960 | Torneio Roberto Ugolini | |
| 1963 | Campeonato Paulista | São Paulo |
| 1965 | Torneio Rio-SP | São Paulo |
| 1966 | Campeonato Paulista | São Paulo |
| 1967 | Torneio Roberto Gomes Pedrosa | Grêmio |
| 1972 | Torneio Laudo Natel | Portuguesa |
| 1972 | Campeonato Paulista | São Paulo |
| 1993 | Torneio Rio-SP | Corinthians |
| 1994 | Campeonato Brasileiro | Corinthians |
DEPARTAMENTO DE ACERVO HISTÓRICO E MEMÓRIA DA S.E.PALMEIRAS
A Lei Pelé e as aberrações do futebol
11 abril, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: História, Matérias, Outros Clubes

O fim do vínculo dos atletas com os clubes, determinado pela Lei Zico, que depois virou Lei Pelé, e que teve seu texto original bastante modificado, alterou radicalmente o panorama do futebol brasileiro. A principal mudança foi a liberdade que os atletas ganharam para, ao final de seus contratos, negociarem com qualquer clube as sequências de suas carreiras.
Na teoria: lindo, maravilhoso. Atletas como Marcos, do Palmeiras, e Ricardinho, hoje no Atlético-MG, são os responsáveis por seus contratos e pelo seguimento de suas carreiras. Mas na prática, as brechas deixadas pela redação da Lei permitem que surjam verdadeiras aberrações no futebol. Agressões à cultura nacional. A atividade de agente de jogadores passou a ser não apenas extremamente lucrativa, como muito poderosa, capaz de decidir os rumos de times inteiros.
O efeito pretendido na redação inicial da lei, a de dar liberdade aos jogadores e extinguir o vínculo com os clubes, não funcionou na prática. Os atletas, que não se sentem seguros ao serem responsáveis por negociar seus próprios contratos, assinam procurações com empresários “do ramo”. A maioria deles usam empresas que quase sempre se chamam alguma coisa Sports.
Temos desde grandes tubarões, como Traffic (J. Hawilla), Juan Figger e Wagner Ribeiro, até novatos como Pepinho e Marcio Rivellino, determinando o rumo do futebol brasileiro. Hoje, eles tomaram o lugar dos clubes no tripé de comando, que também conta com a CBF e federações estaduais, e com as televisões. Os clubes hoje são meros CNPJs, necessários para que o negócio prospere, mas absolutamente substituíveis – principalmente os pequenos.
E o futebol no Brasil, desde o tempo do amadorismo, passando pela profissionalização, na década de 30, atravessou todo o século 20 baseado em uma dúzia de camisas de times das capitais que moveram multidões – coadjuvadas por times menores, principalmente no âmbito estadual, que representavam suas cidades. Temos times seculares, importantíssimos. Só para citar alguns no estado de São Paulo: Ponte Preta e Guarani, de Campinas; Botafogo e Comercial, de Ribeirão Preto; América, de Rio Preto; São Bento, de Sorocaba; Noroeste, de Bauru; Ferroviária, de Araraquara; Marília; os XVs de Piracicaba e de Jaú; entre outros. Todos apoiados pelas comunidades locais, com sedes e estádios próprios, e muita tradição. Uma camisa em campo faz parte de uma fotografia, povoa os sonho das crianças, que crescem e continuam apaixonados por futebol. Claro, sempre movidos pela paixão por seus times, alimentados pelas rivalidades com os outros times grandes, mas temperados pelas pequenas rivalidades com os tradicionais pequenos.
As cidades do interior hoje não se preocupam mais em manter um clube de futebol, na essência da expressão. Para uma cidade ter um time, hoje, basta se associar a um agente de futebol em ascensão. Os jogadores da Ferroviária, por exemplo, não são mais jovens revelações de Araraquara e das cidades vizinhas. São ativos de algum agente, que usa a tradicionalíssima camisa grená como vitrine, para tentar conseguir algum grande contrato para os destaques do time. Foi o que restou aos clubes pequenos, já que não terão mais a receita da venda dos jogadores aos grandes, como há algumas décadas. Os clubes do interior não têm como sustentar uma estrutura permanente e todos os encargos decorrentes, que dure ano após ano. Só lhes resta a opção de alugar a camisa a algum agente ao início do campeonato, e desmontar a estrutura ao final dele.
Os clubes grandes, como são obrigados a manter a estrutura permanente porque jogam o ano todo, ainda se preocupam em manter suas categorias de base, exatamente para não terem que recorrer exclusivamente ao relacionamento com os agentes para montar seus times. Mesmo assim, todos fecham acordos com esses agentes mais poderosos, que detêm os direitos dos jogadores mais importantes, que fornecem majoritariamente seus atletas a determinados clubes. É o caso do Palmeiras com a Traffic; do Inter com o Grupo Sonda, do Corinthians com Carlos Leite, do São Paulo com Juan Figger, e assim por diante.
O Rio Claro, clube do interior paulista fundado em 1909, mas que nunca teve a competência de se estabelecer entre os interioranos porque nunca teve uma estrutura de formação de destaque, neste novo cenário conseguiu acertar o modelo, e associou-se a agentes que o alçaram à Série A. Em 2010, associado a César Sampaio, sucumbiu e volta à Série B. Mas o ciclo segue.
O pior é o surgimento de times artificiais. O sucesso temporário desses times é o começo de uma tendência muito perigosa, e que precisa ser revertida com ajustes na legislação que surgiu para proteger os atletas de abusos na relação com os clubes. O Ipatinga até 1998 era um time amador da cidade. Com a nova lei, associou-se a empresários, montou bons times, e foram apoiados pela prefeitura local que construiu um estádio de grandes proporções. Ganhou um Campeonato Mineiro, chegou às semifinais da Copa do Brasil e disputou até a Série A do Brasileiro.
O Barueri foi fundado em 1989 com o nome de Roma, sempre apoiado pela Prefeitura local, que ainda vai construindo um estádio moderno, e bancado por um grupo de empresários, trilhou uma trajetória semelhante ao Ipatinga, mas no mercado paulista, bem mais disputado que o mineiro – e teve sucesso: ganhou uma Copa São Paulo de Juniores, e conquistou em 2008 uma vaga na Série A do Brasileiro. Num determinado ponto da história, surgiram dificuldades no relacionamento com a prefeitura da cidade. Nada que uma prosaica mudança para a longínqua Presidente Prudente não resolvesse. Outra cidade, mas também com um estádio grande. E o Roma/Barueri passou a se chamar Grêmio Prudente da noite para o dia. Manteve o CNPJ – e a vaga na Série A. Teremos em 2010 na primeira divisão do campeonato brasileiro o clássico Grêmio Prudente x Grêmio-RS.
Outra aberração é o Votoraty, de Votorantim, cidade colada em Sorocaba. Fundado em 2005 por empresários, a “estrutura” já visava exclusivamente ser uma vitrine. Foi subindo da Série B do Paulista até chegar à Série A2. O CNPJ foi “comprado” pelo Grupo Olé Brasil, junto com ele, a vaga na Série A2 e na Copa do Brasil. Em 2009, conseguiu uma vaga na Copa do Brasil deste ano e chegou à segunda fase, sendo eliminado pelo Grêmio (o legítimo, gaúcho), ao mesmo tempo que não chegou à fase final do Paulista A2 para tentar o acesso à A1. Terminada a expectativa de resultados este ano, o CNPJ fez as malas e foi para a cidade-sede de seus proprietários, Ribeirão Preto, que agora conta com três times. E o pessoal de Votorantim, que começava a achar que tinha um time na cidade, volta a ter que torcer por São Bento ou por outra aberração, o Atlético Sorocaba – ou contra eles, pela rivalidade entre as cidades.
Quando os clubes eram, antes de tudo, escolas de futebol, as camisas tinham identidade. O Palmeiras, refinado, equilíbrio entre força, tática e técnica – a Academia. O Corinthians, sempre na raça, liderado por um ou dois ídolos carismáticos. O São Paulo, correria. Os gaúchos, força. Os cariocas, extremamente técnicos. Hoje, todos os times jogam praticamente igual, e as camisas são de aluguel. Não só a dos pequenos, mas de certa forma, a dos grandes também.
Esse desvirtuamento não se reflete só dentro de campo. Na torcida, temos a geração PlayStation. Os clubes grandes de hoje, por terem tão menos apelo que tinham antes, competem com times europeus pela preferência das crianças. Os Chelseas da vida, além de serem os principais times nos videogames, podem ser vistos na TV quase tanto quanto os grandes do Brasil, e têm ídolos de apelo muito maior. Quando se chega para uma criança e lhe pergunta para que time ela torce, a resposta poderá ser “Txelsi”, “Real”, “Milan”, “Barcelona”, tanto quanto Palmeiras, São Paulo ou Corinthians. É um absurdo. Uma aberração.
Nem tanto pela tradição das camisas, que é um componente especial, mas muito mais pela volta dos pólos de surgimento de jogadores, que faz com que o nível técnico dos campeonatos sejam maiores: os clubes grandes têm que lutar fazer ajustes na chamada Lei Pelé. Em tempos de eleição para o Clube dos 13, a politicagem deveria ser a última das prioridades. Os clubes deveriam fechar com quem terá reais compromissos com o futebol brasileiro. Mas nem Fabio Koff, nem Kleber Leite parecem ter uma pauta nesse sentido. Eles estão muito mais preocupados em fechar alianças com grupos de televisão concorrentes, e medir forças no final.
Enquanto não forem feitos ajustes na Lei Pelé, de forma que os clubes voltem a dar as cartas no futebol, dado que são os agentes mais importantes do espetáculo depois dos jogadores, que via de regra abriram mão do direito que lhes foi dado de escolherem seus futuros; enquanto não regulamentarem o direito de disputar um campeonato e a lei permitir o surgimento de aberrações na cultura do futebol brasileiro como esses times intinerantes, essas camisas multi-coloridas e mudernas que não têm a menor identificação com nenhuma torcida e só satisfazem a meia dúzia de bolsos; enquanto não voltar a existir um ambiente onde os clubes do interior tenham que se preocupar em ser novamente celeiros de craques, não sei não… Não quero ser nenhum profeta do apocalipse, mas que o caminho está esquisito, isso está.
Grandes nomes do esporte palmeirense
6 abril, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: História, Internas, Matérias
OK, a fase do futebol não é das melhores. Felizmente dois grandes personagens do esporte amador, do passado e do presente, foram notícia neste início de semana, e resgatam o orgulho palmeirense.
Ubiratan
Ubiratan Pereira Maciel foi nominado para o Hall da Fama do basquete norte-americano na turma de 2010. Junto dele, figuraças como Karl Malone e Scottie Pippen, inesquecíveis para quem viveu a febre da NBA na década de 90. Antes dele, apenas Hortência representava o Brasil nesse seleto grupo. Ubiratan já fazia parte do Hall da Fama da FIBA, junto com o técnico Kanela e com a própria Hortência.
Estamos falando de um monstro no basquete entre as décadas de 60 e 80. Nascido em São José dos Campos, Ubiratan começou a carreira no Espéria. Foi campeão mundial em 1963, pela Seleção Brasileira, com apenas 19 anos. Bira, o “Cavalo de Aço”, chegou ao Palmeiras em 1975 e jogou pelo alviverde durante três anos. Nesse período, conquistou um bicampeonato paulista (75-76) e um campeonato brasileiro (77).
Vi Bira jogar o Mundial das Filipinas em 1978, quando o Brasil sagrou-se terceiro colocado. Lembro de pouca coisa, mas a imagem que eu tenho guardada na retina é a de um guerreiro dentro do garrafão, um jogador vibrante e muito respeitado pelos companheiros. Ubiratan morreu em 2002, com apenas 58 anos, mas o mundo não esqueceu seus feitos e o homenageia de forma muito justa.
Hugo Hoyama
Hugo Hoyama é o maior nome do tênis de mesa da história do esporte no Brasil. Aos 40 anos, acaba de assinar contrato com o Palmeiras, clube de seu coração, e defenderá o verde e branco na Copa Brasil que acontece neste mês de abril. O vínculo vai até o final deste ano, mas pode ser prorrogado.
Hugo, declaradamente palmeirense, disputou quatro olimpíadas (1992, 1996, 2000 e 2004), e trocentos jogos pan-americanos. É o atleta brasileiro com maior número de medalhas de ouro nessa competição: nove de suas treze medalhas pan-americanas são douradas. Em Atenas, em 2004, revelou um segredo ao repórter da Globo que cobriu a partida que rendeu-lhe a classificação à fase seguinte. Ele estava usando um amuleto: uma cueca do Palmeiras.
Hugo Hoyama declarou ao site oficial do Verdão que, após encerrar a carreira, gostaria de permanecer no Palmeiras ajudando a fortalecer a modalidade no clube. Só falta não se interessarem…
A vitaliciedade no Conselho do Palmeiras
30 março, 2010 por @parmerista
Publicado na categoria: História, Internas, Matérias
Em reunião ordinária do Conselho Deliberativo da Sociedade Esportiva Palmeiras, dois membros foram eleitos como vitalícios, ocupando cadeiras vagas. Mario Benedito de Souza e Reginaldo Alves Ramos foram consagrados vitalícios, abrindo seus lugares de conselheiros ordinários. Elas serão ocupadas pelos suplentes Ricardo José Arcediacono e Vicente Carlos da Silva Centro.
Todos concorreram à eleição pela chapa Palestra, encabeçada pelo então presidente Della Monica. Nenhum tem em seu histórico nenhum feito de relevância política. São apenas amigos, ou amigos dos amigos. Mas isso pouco importa.
A vitaliciedade é um dos maiores cânceres do clube. Dos 300 conselheiros, 148 são vitalícios. E para serem vitalícios, precisam ter cumprido uma série de exigências, como um número mínimo de mandatos (que não é tão mínimo assim) e terem sido diretores por várias vezes. Isso implica que, para ser candidato a vitalício, tem que ter rodeado o poder por muito tempo.
Então tem-se hoje um enorme cordão de conselheiros que ganharam carteirinhas de diretores por muito tempo, em troca da lealdade a quem os indicou para os “cargos”. O que fizeram, pouco importa, já que por muito tempo as decisões nos departamentos não eram tomadas pelos diretores, mas pelo poder central. Bastava distribuir as carteirinhas que todos ficavam felizes. A recompensa, no final, era a cadeira de vitalício. E manter boa parte desses 148 sob controle era uma fórmula quase infalível de se eternizar no poder.
Quase infalível. Falhou porque não previu uma traição. O que aconteceu de 2005 para cá está fresco em nossas memórias. Hoje um grupo oposto ocupa o comando do clube. Mas tem que enfrentar um Conselho composto por gente que se beneficiou, e ainda se beneficia dessas carteirinhas. E que trocam de lado sem a menor desfaçatez conforme a conveniência política, e não conforme os interesses do Palmeiras. É por isso que vemos, hoje, traído e traidor, criador e criatura, novamente se congraçando e partilhando a mesma pizza, e formando uma perigosa aliança para a próxima eleição – isso se não houver mais alguma traição de última hora.
Tudo isso só acontece porque para se eternizar no poder, alguém, um dia, moldou a configuração do Conselho através do estatuto, e deu-lhe essa forma anômala. O que acontece no Palmeiras hoje é fruto desse crime de lesa-Palmeiras praticado há alguns anos.
Governar o clube tendo contra si a maioria do Conselho é uma tarefa inglória. Ao mesmo tempo em que é preciso tomar atitudes urgentes de saneamento, e assim romper com usos e costumes arraigados no dia-a-dia do clube, é preciso fazê-lo de forma a não conquistar mais um inimigo a cada dia no Conselho. E para isso, é preciso distribuir carteirinhas – tudo o que o clube não precisa.
É por isso que sempre pregamos que a solução para o Palmeiras está no longo prazo. Apenas a renovação gradual das cadeiras do Conselho é que vai libertar o clube desse círculo vicioso. E isso só se vai conseguir quando os torcedores de arquibancada derem um murro na mesa e decidirem se tornar sócios do clube, e participarem de movimentos com seus pares. Quem entra no clube movido pela paixão pelo time, nunca vai perder esse sentimento, e sempre vai se movimentar a favor do que é melhor para o time, e não para este ou aquele grupo se manter no poder, não para a manutenção de carteirinhas deste ou daquele amigo.
No curto prazo, para acelerar o processo, a extinção gradual dos vitalícios é a grande jogada. É claro que os atuais vitalícios, quase 50% do Conselho, não votarão contra seu próprio direito adquirido. Mas seria necessário extinguir as cadeiras assim que seus donos proporcionarem mais um minuto de silêncio no Palestra. Morreu? Leva a cadeira junto. Daqui 20 ou 30 anos os vitalícios seriam uma porção insignificante do Conselho. Urge uma reforma estatutária, e creio este ser o maior desafio da gestão Belluzzo.
É claro que outra via seria diminuir o poder do Conselho, instituindo as eleições diretas para presidente. Em teoria, lindo. Mas enquanto o perfil do associado com direito a voto não for predominantemente o de torcedor de arquibancada – ou mesmo de sofá, mas torcedor – isso pode ser um tremendo tiro no pé. E o perfil do associado, hoje, não é exatamente este. Tanto que a campanha pelas eleições diretas estacionou nas 1300 assinaturas, pelas últimas informações que obtive.
O resumo de tudo isto é: dê o seu murro na mesa, fique sócio do Palmeiras, e junte-se ao grupo com que você mais se identifica. Informe-se, politize-se. Faça a sua parte de verdade para ajudar o Palmeiras. Enquanto você não fizer isso, continuaremos divulgando o resultado das eleições para vitalícios. E segue o enterro.
Claro que eu já tenho a minha opção, mas prefiro confirmá-la num espaço à parte do texto principal. Muitos dos leitores do Parmerista! e agora do Verdazzo já sabem que venho militando há algum tempo no grupo Fanfulla, do qual fui um dos fundadores. Entre no site, informe-se sobre a atuação do grupo e sobre as propostas apresentadas. Se você já é sócio do clube e se interessou em apoiar esta causa, e em ajudar a torná-la melhor ainda, associe-se ao grupo. E se ainda não é sócio do Palmeiras, é a hora de dar o murro na mesa.







