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Flamengo 1×1 Palmeiras
13 de outubro de 2011 por @parmerista
O clima de crise profunda era o prenúncio da derrota. A recusa dos jogadores em se concentrarem na noite anterior sugeria que Felipão já havia perdido completamente o controle do elenco. A expectativa, otimista, era de uma derrota por poucos gols, contando com uma certa benevolência do Flamengo contra um adversário entregue. Pois os jogadores que foram para o campo mostraram que tem sangue correndo naquelas veias, correram como não víamos há um bom tempo, sofreram um gol mas ainda tiveram forças para buscar o empate. Desta vez, nada a reclamar – a não ser o gol irregular do Flamengo. Pois é, se não fosse o bandeirinha, poderíamos ter até saído com a vitória.
De volta ao esquema com dois zagueiros, sem Marcio Araújo, e com a volta de Cicinho, Patrik e Luan, o Verdão começou surpreendendo o Flamengo em seu campo, fazendo uma ótima marcação, e construindo jogadas de gol, nas bolas paradas de Marcos Assunção e também com Fernandão e Luan, em chutes de fora. Até que aos quinze minutos, o Flamengo criou uma sequência impressionante, com duas cabeçadas no travessão e uma defesa de Deola à queima-roupa, tudo no mesmo lance. O estádio se animou, e o Flamengo acabou conquistando o domínio do jogo, forçando as tentativas mas parando no bloqueio do Palmeiras, que por sua vez se contentou em tentar as jogadas de contra-ataque com Maikon Leite e Luan.
Marcos Assunção caiu de mau jeito e lesionou a clavícula, dando lugar a Rivaldo. O Palmeiras perdeu as possibilidades das bolas paradas, e parou de tentar cavar faltas. O resultado foi um jogo bem mais agradável de se ver, embora prejudicado pelas conhecidas limitações técnicas de quase todos os nossos jogadores. A melhor chance foi com Maikon Leite, que aproveitou um cruzamento que Fernandão não conseguiu cabecear, mas Alex Silva, à frente de Felipe, desviou. O Flamengo só assustou no primeiro tempo em chutes de fora de Botinelli e Renato – este último desviou no meio do caminho e quase matou Deola. E o primeiro tempo ficou mesmo no 0×0.
Luxa mexeu no time, e voltou com Negueba e Jael nos lugares de Willians, amarelado, e Deivid. Ao trocar um volante por um atacante, deixou clara a intenção de ganhar o jogo – e nem poderia ser diferente. A marcação do Flamengo no setor não era exigida, já que Patrik mais uma vez não desempenhou o papel de meia criativo, e Negueba passou a dar trabalho para nosso lado esquerdo. Thiago Neves também passou a participar mais do jogo, acionando bastante Botinelli em cima de Cicinho. Felipão manteve as tentativas em cima de Maikon Leite e Luan, e o jogo era muio interessante taticamente.
Aos 10, Maikon Leite teve uma ótima chance, ao ficar no mano a mano com Alex Silva, tendo Fernandão solto pelo meio, mas tentou o drible e perdeu. Na sequência, saiu a jogada do gol do Flamengo: a bola chegou até Thiago Neves pela direita, ele bateu cruzado buscando Jael; o atacante, impedido, fez menção de cabecear, o que acabou tirando Deola da jogada. Quando ela passou pelo centroavante já era tarde, e nosso goleiro a viu morrer no cantinho.
Ricardo Bueno já estava pronto para entrar quando saiu o gol – ele acabou substituindo Fernandão. Bastava ao Flamengo continuar exercendo seu volume de jogo que as bolas esticadas para Luan e Maikon Leite dificilmente dariam em algo. Felizmente o Flamengo se retraiu após o gol, e permitiu ao Palmeiras ocupar mais espaço no campo. Cicinho subiu, e numa belíssima jogada, tocou para Maikon Leite por trás de Wellinton; o atacante chegou inteiro na jogada e bateu forte, alto, empatando o jogo.
Sem um centroavante, já que Bueno acabou jogando mais ou menos no mesmo estilo que Kleber, buscando jogo, o Palmeiras conseguia articular mais jogadas, mas sofria exatamente com a falta de referência. Mesmo assim, criou duas boas chances com Luan e Chico, em chutes da entrada da área. O Flamengo sentiu demais o golpe do gol e voltou a esbarrar na marcação do Palmeiras no meio. Rivaldo, visivelmente fora de ritmo, chegava atrasado em todas e cometia muitas faltas, o que sempre é perigoso contra um time que tem Thiago Neves, Renato Abreu e Botinelli.
Felipão ainda tentou colocar Tinga no Patrik, e aconteceu aquilo que qualquer palmeirense já sabia: nada. O Flamengo, também limitado pela ruindade de seus jogadores, especialmente o tal de Jael, não correspondeu aos mais de 22 mil torcedores, e acabou tendo que torcer no último lance do jogo para a bola não entrar e não acabar saindo derrotado. A bola foi para a área, mas Ricardo Bueno, que estava impedido, chegou um pouco tarde e cabeceou só de raspão. E acabou, mais uma vez, empatado – mas dessa vez podemos considerar o resultado como bom, diante da expectativa.
O grupo pode até ter discordado de Felipão devido ao momento. A imagem de João Vítor com a camisa rasgada, mais a influência negativa de Kleber, induziram o grupo a se recolher, mas nem de longe se confirma a hipótese de que o treinador perdeu o comando do time. Se existe um racha, é entre Kleber e todo mundo – talvez só Valdivia ainda tenha alguma simpatia pelo J30, o Judas do Palestra. O jogador encerrou sua carreira no Palmeiras e imortalizou a camisa 30 – ninguém nunca mais vai querer vestir essa porcaria de número.
A se ressaltar também a boa movimentação do time sem usar a muleta de Marcos Assunção. Obrigado a buscar outras alternativas ofensivas, o futebol do Palmeiras ficou um pouco mais vistoso, e só não foi melhor porque Maikon Leite e Luan têm o péssimo costume de correr enquanto pensam, e aí se atrapalham. É claro que é muito pouco, que não dá para criar maiores expetativas de nada para este ano, mas a disposição dos jogadores foi o mais importante, e nos permite imaginar que Felipão pode continuar pensando em comandar o planejamento do projeto de 2012. Só esperamos que ele seja mais feliz do que foi no de 2011. Esse é pra esquecer.
Atuações:
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Deola: duas defesas monstruosas, uma na cabeçada à queima-roupa de Thiago Neves, e outra num giro de Jael. Foi muito bem também nas bolas aéreas. Nada a fazer no gol. 9 |
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Cicinho: ótima volta, se garantindo na defesa principalmente em cima de Botinelli, e ainda fez uma ótima jogada no gol. 9 |
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Thiago Heleno: discreto, fez bem sua parte, principalmente em cima de Deivid no primeiro tempo. 7 |
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Henrique: bem dentro e fora de campo, parece que começa a ocupar a lacuna de liderança deixada por J30. 8 |
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Gabriel Silva: finalmente uma partida razoável, sem erros grosseiros. Que continue assim. 7,5 |
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Chico: mais uma vez comandou o bloqueio à armação do Flamengo, e ainda foi bem na saída de bola. 8,5 |
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Marcos Assunção: fazia uma partida razoável até sentir a lesão. 7 |
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Patrik: jogou muito mais como marcador do que como armador. 5 |
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Luan: mantendo a regularidade: correu muito, fez bons desarmes, e se atrapalhou bastante com a bola nos pés. 5,5 |
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Maikon Leite: vinha sendo o pior do Palmeiras disparado até fazer o gol. Depois, sumiu do jogo. 6 |
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Fernandão: continua fazendo boas partidas taticamente, mas desta vez se perdeu na técnica, judiando bastante da bola. 5 |
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Rivaldo: na falta do Gente Boa e do João Vítor, tivemos que recorrer a ele. Apesar de chegar atrasado em várias jogadas, fazendo muitas faltas, não nos levou ao desespero desta vez. 5 |
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Ricardo Bueno: partida razoável, parece que começa a se soltar. 6,5 |
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Tinga: entrou no fim e ficou ali tingando pelo meio-campo, como sempre. S/N |
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Felipão: o gaúcho enverga mas não quebra. Quando parecia que o fim da linha estava chegando, ele mostrou que continua firme e com o grupo sob um certo controle. A tendência é que ele consiga conduzir bem a situação, com o afastamento da liderança negativa. Em campo, foi obrigado a conviver com a ausência de Assunção, e não se saiu mal. 7 |
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
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