Palmeiras 1×1 Oeste
23 de fevereiro de 2012 por @parmerista
| Tweet |
A expectativa de todos era de uma vitória, se não por goleada, pelo menos sem sustos. Mas dessa vez o time não repetiu as boas atuações dos últimos jogos e parou no forte – e competente – esquema defensivo do Oeste de Itápolis, e ficou no empate, para decepção dos 9.478 torcedores que compareceram ao Pacaembu nesta chuvosa noite de quinta. O resultado deixa o Verdão na terceira colocação do campeonato, colado nos times da frente. O time agora direciona todo o pensamento para o jogo de domingo contra o SPFC.
A proposta defensiva de Roberto Cavalo ficou evidente desde o primeiro minuto, com o Oeste marcando a partir da intermediária do Palmeiras com muita intensidade. Jogando no erro do Verdão, o time de Itápolis acabou se beneficiando logo a dez minutos, numa saída de jogo errada do Palmeiras no meio-campo. Leandro Amaro estava fora da posição, a bola foi ligada com rapidez para Mazinho, que invadiu a área; Marcio Araújo veio na corrida e deu o tranco no meia, fazendo o pênalti. O próprio Mazinho tirou Bruno da foto e abriu o placar.
O Verdão, como já mostrou em outras partidas em que saiu atrás, não se abateu com o gol e continuou buscando o jogo. Mas ao contrário das vezes anteriores, encontrou um time que se manteve firme, sem afrouxar, e sem se cansar. É impressionante como esse time de Itápolis correu o tempo todo – e também impressionante como deram sorte de pegar um juiz do estilo “que deixa o jogo seguir”. O jogo foi cheio de jogadas fortes, mas o árbitro só assinalou 14 faltas durante o primeiro tempo – oito a nosso favor.
Barcos era o jogador que mais dava trabalho à defesa do Oeste. O argentino já mostrou que tem fome de gol. No primeiro lance após o gol, já recebeu na entrada da área e girou em cima do zagueiro, emendando um canudo que ia no ângulo, mas Zé Carlos desviou com a pontinha do dedo. E na base das jogadas de bola parada, o Palmeiras continuou criando, sem levar muito perigo. O fato é que o jogo não fluía, e o time não criava alternativas, facilitando para o trabalho de marcação do adversário.
Foi só no fim do primeiro tempo que o Palmeiras acordou. Aos 41, numa boa jogada de Barcos, que mais uma vez girou sobre o marcador e fuzilou, o goleiro deu rebote para o meio da área, e Maikon Leite, que saiu do meio de três zagueiros, chegou antes que todos e conseguiu cutucar para o gol, empatando o jogo. Na pressão da torcida, o Verdão foi pra cima do Oeste ainda nos minutos finais, e a impressão que deu é que se houvesse mais uns dois ou três minutos por jogar, a virada chegaria.
Roberto Cavalo surpreendeu na volta para o segundo tempo e colocou Wanderson, meia, no lugar do zagueiro Fabrício. E o Oeste de fato começou o segundo tempo mandando no jogo, ocupando o meio-de-campo. O time do interior, que no primeiro tempo só esperou pelos erros do Palmeiras, gostou do jogo e se aproximou cada vez mais de nossa área, conseguindo alguns arremates perigosos, tanto em bolas alçadas quanto em chutes de fora.
Felipão mandou João Vítor no lugar de Patrik, mas o time continuou sem capacidade de articular, muito em função dos erros de passe. Pressionados pela marcação, nossos jogadores não conseguiam conduzir a bola em direção à área adversária, seja para colocar a dupla de frente em condições de arremate, seja para forçar os dribles e chamar as faltas. Enquanto isso, o Oeste continuava forçando, principalmente pelo lado direito de nossa defesa, onde Cicinho deixava uma avenida.
Arthur foi para o jogo aos 30, cheio de gás. Alto, foi uma das tentativas de Felipão de melhorar a condição na jogada aérea, e também para tentar acertar a marcação pelo setor. E funcionou, o time ensaiou uma nova pressão, o Oeste passou apenas a se defender, e parecia que ia dar certo. Mas aí Daniel Carvalho cansou, entrou Vinicius em seu lugar e o time ficou sem cérebro, cabendo a Marcos Assunção e João Vítor tentar articular alguma coisa. Foi quando ficou claro que seria na sorte ou na bola parada. O Verdão teve duas chances, uma com Román aos 35, num cruzamento de Assunção, e aos 38, com o próprio Kid; em ambas a bola quicou na frente do goleiro que conseguiu tirar para escanteio. E mais nada.
Felipão, que preteriu Carmona no banco, deixou o time sem criação no fim do jogo, e tem que pagar parte da conta pelo mau resultado. Mas não foi Felipão que errou quinhentos e setenta e dois passes durante o jogo, nem foi ele quem pareceu um tanto acomodado, achando que o placar viria a qualquer hora. Faltou gana ao time do Palmeiras para vencer o jogo.
O resultado não é nenhum desastre. Vínhamos de cinco vitórias, e com apenas mais um empate no clássico, domingo, atingiremos a meta de 22 pontos em dez jogos, estabelecida desde o início. O que preocupa é a oscilação. Quando parece que o time está encorpando, pegando um ritmo forte, acaba acontecendo um jogo ruim como esse. De toda forma, mantemos o crédito ao grupo. Vamos repetir o mantra que vem desde o início do campeonato: o Paulistão é um campeonato de quatro jogos, e o que importa mesmo é que o time chegue na fase final voando; não precisa ser agora. Que sejam feitos os testes. E que as lições sejam realmente aproveitadas.
Atuações:
![]() |
Bruno: errou apenas uma reposição de bola, de resto, foi bem, inclusive nas (poucas) bolas altas. Fez uma defesaça no segundo tempo, num chute cruzado. 7,5 |
![]() |
Cicinho: um dos mais acomodados, errando alguns lances até com displicência. 3 |
![]() |
Leandro Amaro: vai mostrando que está no mesmo nível dos zagueiros reservas dos outros times grandes. Nada mais que isso. 6 |
![]() |
Román: mostrou bom senso de colocação, mas com a bola no pé deu medo. Lembrou muito o Agnaldo, zagueiro reserva da primeira época de Felipão no Palmeiras. 6,5 |
![]() |
Juninho: continua prejudicado pela falta de desenvolvimento do nosso setor esquerdo. Não sabe se vai ou se fica. 6 |
![]() |
Marcio Araújo: mais uma vez abusou de errar passes. Podia ter evitado o pênalti, embora tenha ficado no fogo e chegado na corrida. 5 |
![]() |
Marcos Assunção: com o pé descalibrado, sobreviveu por conhecer os atalhos do campo. 5,5 |
![]() |
Patrik: estava indo tão bem… de repente, voltou a fazer uma partida muito abaixo da crítica, aceitando completamente a marcação do adversário. 3,5 |
![]() |
Daniel Carvalho: mais uma vez mostrou talento acima da média, em lances geniais. Também conseguiu se impor no físico, pareceu mais fino. Mas não resolveu. 7 |
![]() |
Maikon Leite: salvo pelo oportunismo do gol. Erra jogadas incríveis por falta de fundamento. A seu favor, ter que cair pela esquerda algumas vezes – aí quebra mesmo. 7 |
![]() |
Barcos: encheu o saco dos zagueiros o tempo todo, mesmo um tanto isolado conseguiu criar chances sozinho – inclusive a do gol. Se aprimorar o cabeceio, vira um monstro. 8 |
![]() |
Arthur: entrou a quinze minutos do fim e fez mais que Cicinho em 75 minutos. 6,5 |
![]() |
João Vítor: pode até ser uma boa opção de apoio enquanto marcador, mas jamais pode ser o cara da armação. 5 |
![]() |
Vinicius: entrou na parte final do jogo para dar mais trabalho à zaga e o máximo que conseguiu foi sofrer uma falta no bico da área. S/N |
![]() |
Felipão: errou na montagem do banco mais uma vez, só que hoje fez falta. Sem Valdivia, não há explicação para Carmona ficar de fora do banco, a não ser para testar João Vítor. OK, deu errado. Quero ver agora, hein Bigode? 4 |
E-mail: conrado@verdazzo.com.br

















