Verdazzo!

Palmeiras 3×0 Coruripe

21 de março de 2012 por @parmerista  


Numa partida que evidenciou o quanto é imprescindível para o Palmeiras jogar com pelo menos um meia legítimo, o time conseguiu uma vitória por 3 a 0 sobre o Coruripe e avançou para a segunda fase da Copa do Brasil. Depois de um primeiro tempo que lembrou muito o time de 2011, sem ligação com o ataque, o time voltou do intervalo com duas alterações e conseguiu abrir a porteira.

Felipão escalou um time no mesmo esquema de 2011, com Patrik sendo responsável pela armação de jogadas. Com um estilo muito mais carregador de bola do que de articulador, o camisa 40 foi constantemente desarmado pelo sistema de marcação do time alagoano, e embora o Palmeiras tivesse muito mais a posse de bola, não conseguia construir boas chances para ameaçar o goleiro Juninho.

Diante da retranca armada pelo adversário, Maikon Leite raramente conseguia espaços para tentar as jogadas em velocidade. E quando conseguia, lembrava demais um simpático colombiano devorador de picanhas. Sem ninguém a municiá-lo, restou a Barcos sair um pouco da área para buscar jogo – o que não é exatamente a dele. Assim, a única boa chance do time foi numa jogada que Barcos pegou um rebote do goleiro e tocou atrás para Maikon Leite, que encheu o pé, quase sem ângulo, facilitando a defesa de Juninho.

Ironicamente, a melhor chance do primeiro tempo coube ao Coruripe, numa falta de longe que Clayton bateu com extrema felicidade, com muita força, na última gaveta, mas Deola fez a ponte e espalmou – a bola ainda triscou o travessão antes de sair. O juizão até então deixava o Coruripe bater à vontade, e só foi tirar o cartão do bolso quase no fim do primeiro tempo – o que deu um alento: se Felipão continuasse teimando com Patrik, pelo menos a marcação dos alagoanos iria afrouxar um pouco com o início da distribuição de cartões.

Mas Felipão mostrou que estava enxergando bem o jogo tanto quanto a torcida, e voltou não apenas com Carmona no Patrik, mas também com Ricardo Bueno no Maikon Leite. E o jogo mudou muito. Logo de cara, um bombardeio sobre o gol do Coruripe, que resistia. A bola ficou orbitando a área dos alagoanos até que aos 9, Ricardo Bueno sofreu falta na entrada da área. Não era a melhor distância para Marcos Assunção, mas ele achou um espaço sobre o mais baixo da barreira, a bola passou e Juninho só olhou – não era tão inalcançável assim, mas o que interessa é que foi pra rede e a porteira abriu.

Três minutos depois, saiu o segundo, e novamente dos pés de Marcos Assunção – mas com a bola rolando: ele recebeu pela direita e mandou a bola de trivela para a área, com uma precisão espetacular. A bola alcançou Barcos que nem precisou desviar a corrida para cumprimentar o goleiro, guardando a bola no canto oposto: 2 a 0.

Vamos admitir: até sair o primeiro, qualquer jogada na bola parada do Coruripe poderia complicar, um certo cheiro de arroz queimado rondou o Jayme Cintra. Com a vantagem construída, tudo se acalmou, e os mais de onze mil palmeirenses presentes ao estádio puderam respirar sossegados. Carmona entrou razoavelmente bem na partida, e o time voltou a jogar mais parecido com o futebol que já vimos que o time é capaz de jogar em 2012. Ricardo Bueno, apesar de brigar com a bola, quando acertava conseguia ligar bons ataques.

E foi numa dessas que Juninho, aos 39, fechou o placar, após receber passe de Ricardo Bueno e aparecer livre dentro da área; ele bateu da mesma forma que no jogo contra o Santos: rasteiro e cruzado, forte, buscando o pé de alguém – atacante ou defensor. Como no jogo contra o Santos, coube a um defensor tocar contra as próprias redes. Ricardo Bueno ainda teve uma chance claríssima no minuto final, quando foi lançado, livre, de frente para o goleiro, mas nitidamente foi para o lance com o chamado freio de mão puxado e bateu pressionado pelo zagueiro, mal, torto, ridículo. E o juiz acabou o jogo.

Esquece tudo da Copa do Brasil agora, e foco total na imundície. Não importa que o jogo não decide nada. É Derby, vale por um campeonato. E uma boa vitória pode causar sérios danos pelos lados da marginal, ajudando a desestabilizar toda a trajetória no semestre, o que inclui mais um provável vexame na Libertadores. Chega logo, domingo!

Atuações:

Deola: a maioria das bolas veio fácil – mas teve uma que veio quente, e se entrasse, ia dar um baita problema. 8
Cicinho: sem preocupação na defesa, pôde apoiar tranquilo, mas não conseguiu criar grandes chances com exceção da que deu na falta que o Carmona bateu bem. 7
Leandro Amaro: deu umas vaciladas, aparentemente mais por falta de concentração do que por ruindade. 6
Henrique: estilo xerifão, figura fácil em todo time campeão. Aliás, sabemos bem disso. 8,5
Juninho: deitou e rolou pelo seu flanco, e teve a ótima partida coroada com o gol no fim. 9
Marcio Araújo: não voltou a ser o Gente Boa de sempre, mas foi bastante irregular, errando muitos passes. 5,5
Marcos Assunção: compensou a má partida de Marcio Araújo, e ainda resolveu o jogo com um gol e uma assistência. DEZ
João Vítor: discreto, poderia ter aparecido mais no ataque se aproximando de Barcos. Perdeu um gol feito numa jogada de Ricardo Bueno. 6
Patrik: entrou na roubada, e, óbvio, não correspondeu. Poucas vezes uma substituição no intervalo foi tão antecipada. 2
Maikon Leite: sem espaço diante da retranca do Coruripe, teve que se virar. Não foi muito bem sucedido. 4
Barcos: isolado, como todos os centroavantes que tivemos em 2011. Mesmo assim, conseguiu algumas tabelas, e quando teve a chance, não perdoou. 7,5
Carmona: o “dois titulares” são muito bons, e aí fica complicado. Mesmo assim, foi bem, mostrou que é o terceiro meia do elenco – Felipão tem que se convencer disso. 7,5
Ricardo Bueno: alternou lances interessantes com outros bizarros. A irregularidade não lhe deverá permitir que renove o contrato. 6
Vinicius: entrou com pouco tempo pela frente, mas mesmo assim participou de algumas boas construções. 6
Felipão: escalou mal, mas mexeu de forma perfeita. Dosou bem o ritmo do time, já pensando em domingo. 6,5

E-mail: conrado@verdazzo.com.br

  • Anônimo

    É isso aí Carioca. O que a cornetalha não quer entender (sei lá por quê…) está entre outras coisas, na raíz do fato de o ambiente no Palmeiras ser excelente neste momento mesmo com um revezamento constante de cinco ou seis atletas. Vou explicar.

    O que nosso mestre de bigodes faz melhor que qualquer outro treinador no Brasil (e que com certeza poucos no mundo fazem) é tirar a pressão do elenco. Claro que é preciso que não hajam laranjas podres armando contra o próprio técnico no grupo (v.s.fdê J30), mas isso posto, por mais que tenhamos dor de barriga ao ver o Patrik ou o Tinga entrando (eu também tenho, não posso negar), dar sequência e aliviar pro lado dos boleiros é o sobrenome do Felipão e isso eu entendo totalmente. Patrik e Tinga não funcionaram por excesso de ruindade e só, porque ambiente e espaço o técnico deu a eles.

    Ele desce porrete quando um jogador erra muito, e substitui sim, mas está na cabeça dos jogadores que eles não serão preteridos e encostados por errar se jogarem pela equipe, se fizerem parte do excelente padrão tático desse time que está virando um esquadrão – pelas mãos do treinador e por mais nenhum motivo (até porque começou este mesmo ano, dois meses e pouco atrás com QUATRO peças novas que nem existiam no elenco).

    Não pode é tocar terror com empresário ou fazer pressão pra ser escalado (J30, WP, Chinelincoln etc que o digam). Por quê oras bolas, vira motim, acaba o grupo, e o ambiente vai pro saco no mesmo tanto em que aumenta a pressão sobre os outros que não desejariam jogar em um ninho de cobras. Seu Carmona deu passos nessa direção. Tomou um chá de banco (ou um chá de relação, porque passou partidas sem ser sequer relacionado), engoliu o orgulho, trabalhou e foi escalado. Teve mais uma chance anteontem, correspondeu em outro esquema com o Assunção dando suporte a ele na meia, e podem escrever aí. Daqui pra frente será usado. Agora, vão cornetar na ponte que partiu. Passar bem.

  • http://twitter.com/RafaelScalize Rafael Scalize

    Achei muito interessante a entrada do Bueno, ele mudou a cara do jogo. Participou de todos os gols (sofreu falta no 1o, começou a jogada no 2o. e lançou o Juninho no 3o), mas quando teve oportunidade de finalizar – e não foram poucas – foi péssimo.

    Me parece um jogador mal-escalado. Acho que ele não é 9, mas sim um atacante para orbitar o 9.

    E a chegada do Barcos parece ter criado nova motivação nele.

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