A pressão aumenta
8 de maio de 2011 por @parmerista
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Depois da hecatombe de quinta-feira em Curitiba, e da enxurrada de e-mails e comentários compreensivelmente irracionais da sexta, sábado foi um dia diferente na História do clube. No bar do tênis, único lugar socialmente ativo das alamedas devido à obra da Arena, uma ostensiva e constante pressão foi verificada sobre os membros da situação, sobretudo os principais nomes que estão notoriamente à frente da ofensiva contra a WTorre.
A nova oposição do clube, formada por torcedores de arquibancada, juntou-se à velha oposição e tivemos um sábado de confrontamento no clube, coisa inimaginável na gestão anterior de Mustafá Contursi, que primava por reprimir as manifestações contrárias de forma truculenta, com uso de seguranças. Na verdade, nem era possível àquela época termos esse tipo de manifestações, porque não era permitido aos torcedores sequer se associarem, devido à asquerosa Lista Negra que continha nomes dos potenciais revolucionários agitadores que se manifestavam pela Internet.
Hoje, com a invasão de torcedores proporcionada nas gestões Della Monica e Belluzzo, não há seguranças suficientes para reprimir mais de uma centena de sócios revoltados. Até tentaram posicionar um ou outro segurança ao lado das mesas mais exaltadas, mas não surtiu qualquer efeito, como antes.
O conselheiro Gilto Avallone chegou cedo, mas foi surpreendido com um ensurdecedor coro de vaias e xingamentos das mesas que ficam à frente da escada do bar. Correu para dentro, e ficou escondidinho numa mesa lá no fundão o tempo todo. As mesas dos oposicionistas foram ficando cada vez maiores. Alguns conselheiros recém-eleitos, todos oriundos de arquibancada, foram atrás de Avallone e meteram o dedo no nariz dele. Ouviu poucas e boas.
Sem a coordenação de Mustafá, os conselheiros situacionistas, todos muito idosos, tentaram contra-atacar, e aí mostraram todo o seu desconhecimento e despreparo. Os argumentos com relação à não-assinatura ainda passam por absurdos “entregar o clube por 30 anos”, ou insistem na tese de que o performance bond tem que cobrir 100% da obra.
Pouco depois, chegam Piraci de Oliveira e Roberto Frizzo. Este, que vem fazendo uma gestão discreta no futebol, mostra-se totalmente alinhado com a situação na questão da Arena, embora Mustafá demonstre estar “de mal” com seu Diretor de Futebol e não o cumprimente em público. Aliás, o chefe chegou um pouco depois, e perto da manifestação sobre ele, a vaia anterior sobre Gilto ficou parecendo aquelas do auditório do Silvio Santos. Ele desavergonhadamente sorriu e acenou.
Alguns diálogos vistos:
- conselheiros da situação avaliando de quanto seria a indenização de Felipão;
- Frizzo tentando explicar as decisões de Paulo César Oliveira no Derby, defendendo-o;
- vários sócios e conselheiros jovens, de oposição, dizendo “vocês são a vergonha do Palmeiras” a todo momento a todos os situacionistas anti-Felipão e anti-Arena;
- o vice-presidente Munhoz inconformado que o seguro é de “apenas 38 milhões”, enquanto um sócio do grupo Fanfulla tenta inutilmente explicar que na verdade é de 38%, e que o valor padrão de mercado é entre 10% e 15%, ou seja, o seguro é muito superior do que se poderia esperar.
Roberto Frizzo é um sujeito tão corajoso quanto liso. Mesmo depois de um 6×0, ele apareceu no clube, deu a cara a tapa e sentou-se à mesa dos oposicionistas – aliás, é o único que tem postura para tal. Tentou, explicou, enrolou, mas se manteve firme. Mesmo que não tenha convencido a ninguém, nem a si mesmo, do que disse. Ele sabe, por exemplo, que essa história de interesse do Botafogo em Valdivia é só espuma, mas a alimenta, para tentar desviar o foco.
A pressão durou desde as 9 da manhã, até as 4 da tarde. As mesas da oposição, recheada de vários grupos como Fanfulla, Pró-Palmeiras, Verdes Escuros, Famiglia Palestra, entre outros, foram ficando cada vez maiores, enquanto que os seguidores de Mustafá, cada vez menos numerosos, tiveram que ouvir a de um grupo de fanfullistas que, às gargalhadas, exibiam um pedaço de papel qualquer:
- Olha, já que vocês dizem que o clube está entregue para a WTorre, aqui tem uma autorização do Walter pra gente pegar essa mesa vazia que vocês não estão usando mais, beleza?
Essa pressão, isoladamente, parece apenas bullying sem consequência, mas de fato consiste num reforço moral muito importante às ações realmente sérias que estão sendo tomadas nos bastidores. Funciona como pressão, e funciona bem. Depois dos resultados trágicos da semana passada, e do prolongamento da tensão entre clube e WTorre, os conselheiros da oposição estão trabalhando com muita força para, dentro das possibilidades, acalmar os rumores que envolvem o futebol e pacificar a relação com a parceira na obra da Arena. É o que se pode fazer – além disso, só com métodos não ortodoxos e sujeitos às penalidades previstas em lei. As coisas tendem a ficar menos difíceis à medida que o lado situacionista ficar menos numeroso, e a facção jovem crescer. Ajude nesse processo, e fique sócio do Palmeiras!


