A volta de Valdivia: Palmeiras vai fechando reformulação durante a temporada
27 de julho de 2010 por @parmerista
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Há dez semanas, o Palmeiras enfrentava o Vasco pela segunda rodada do Brasileirão. O elenco tinha acabado de perder Diego Souza, em litígio com a torcida. O time que AC Zago colocou em campo foi Marcos; Vitor, Edinho, Léo e Armero; Pierre, Marcio Araujo, Marcos Assunção e Cleiton Xavier; Everthon (Bruno Paulo) e Robert (Marquinhos). O time atingiu o fundo do poço. A pobreza técnica foi de dar desgosto, de nos remeter às profundezas da década de 80. E o time já vinha de uma reformulação, promovida por Muricy no início do ano, onde nove jogadores do time que fracassou em 2009 foram dispensados.
Mas mesmo com nove dispensas no fim do ano, ninguém previu que esse grupo voltaria para 2010 tão esbagaçado e incapaz de recomeçar dignamente uma temporada, apesar dos reforços que foram chegando, como Vítor, Lincoln, Ewerthon, entre outros menos cotados e que até já saíram. Isso resultou numa campanha vexatória no Paulista, a demissão fora de tempo de Muricy, e uma eliminação patética na Copa do Brasil. A solução emergencial foi esta segunda grande reformulação, durante o ano.
Tivemos a Copa do Mundo, e do time que empatou com o Vasco, já deram linha na pipa, além do projeto de técnico AC Zago: Cleiton Xavier, Bruno Paulo, Robert e Marquinhos. Também já deram adeus ao Palmeiras neste intervalo Figueroa e Paulo Henrique; Souza e Ivo foram envolvidos na negociação de Tinga. E os meninos Gualberto, Anselmo, Fernando e Joãozinho foram “devolvidos” ao time B. Nada menos que doze dispensas com relação ao time que iniciou o ano, além do técnico.
Repuseram as saídas dos meninos as subidas de Mayko, Patrik, Gilsinho e Bruno Turco. Foram ainda contratados Leandro Amaro, Tinga e Tadeu. Veio então o trio de ouro, algo que nem o mais otimista palmeirense sonhava há dez semanas: Kleber, Felipão e Valdivia. Qualquer um de nós, se perguntado há dez semanas se esses três resolveriam o problema, diria: “Claro que sim, não precisa de mais nada, mas com essa diretoria, não vai vir ninguém”. Pois eles estão na Academia, treinando. Valdivia, na verdade, ainda não, mas é questão de tempo. O anúncio, feito ontem à noite através do site oficial do clube, premia o esforço da diretoria de futebol, que é muito melhor contratando que discursando. Mas a realidade é que ainda há problemas, e a diretoria, agora que resolveu a questão de Valdivia, terá como focar em arrematar essa fase de reformulações com as últimas reposições.
A tensão que envolve as contratações do Palmeiras geram um desgaste inacreditável. As razões para isso vieram numa bola de neve: o técnico que iniciou o ano e que planejou a temporada foi dispensado. O substituto foi um desastre, que gerou futebol e resultados muito ruins. Resultados ruins geraram pressão da torcida, que clamou por reforços. A diretoria, mesmo correndo atrás dos reforços em silêncio, fez declarações mal calculadas para esfriar a tensão (“o time é bom”), e piorou as coisas.
A discrição pretendida nunca é conseguida, e o vazamento de informações fez com que as negociações com os medalhões chegassem muito cedo à torcida, que, ansiosa, aumentou ainda mais a pressão. Negociações desse tamanho são demoradas por natureza – se tivessem chegado ao público apenas em sua fase final, não teriam parecido tão lentas, irritando os torcedores que, de forma inexplicável, dizem odiar as novelas – mas não perdem um capítulo. Como resultado disso, a diretoria do Palmeiras, mesmo contratando em dois meses Kleber, Felipão e Valdivia, não consegue reverter a imagem de desgaste.
O Palmeiras chega então ao final de julho com quase todo o bom elenco que fracassou em 2009 fora do clube. Além dos goleiros, só estão no Palmeiras Armero, Danilo, Mauricio Ramos, Pierre e Lenny. Uma pena que jogadores com qualidade, e que estiveram tão perto de chegar a um título brasileiro, tenham sucumbido às pressões de se jogar no Palmeiras e não tenham conseguido formar um time vencedor. Enfim, não aguentaram, foram dispensados, e contratações foram feitas. O cenário hoje não é ruim.
Um elenco com:
- Marcos, Deola e Bruno;
- Vítor, Eduardo, Gabriel Silva e Armero;
- Danilo, mais um zagueiro pra ser titular; Mauricio Ramos, Leo, Leandro Amaro e Mayko;
- Edinho, Pierre, Marcos Assunção, Tinga, Marcio Araujo e Bruno Turco;
- Valdivia, Lincoln, mais um meia para brigar para ser titular, Patrik e Gilsinho;
- Kleber, um NOVE-NOVE, Ewerthon, Tadeu, Vinicius e Lenny
…ainda terá furos, toleráveis, como Eduardo, Armero, Leo, Marcio Araujo, Lenny… mas com um time titular em plenas condições de garantir uma vaga para a Libertadores, e que podem ser corrigidos na virada para 2011. Para isso, são necessários três reforços para este ano ainda.
Então:
- que as próximas contratações não virem novela.
- que as informações não vazem antecipadamente.
- que os jornalistas não façam papel de agentes ativos nas negociações, jogando a favor dos vendedores.
- que os jornalistas não tentem desesperadamente ganhar audiência a qualquer custo – ontem mesmo, saiu uma “notícia” de que a negociação com Valdivia tinha ficado mais difícil – puro despiste, à noite o anúncio oficial foi dado.
- e que a torcida saiba esperar, sem aumentar a mais ainda a já enorme pressão natural que se tem ao trabalhar num gigante como o Palmeiras.
Que cada um faça sua parte.


