Amor à camisa e Twitter 2
23 de agosto de 2011 por @parmerista
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A organizada dos imundos divulgou através do Twitter um scan de uma suposta ficha de Kleber nos quadros associativos da entidade. Tecnicamente, tudo leva a crer que é legítimo, apesar de alguns desesperados fãs do jogador começarem a levantar hipóteses conspiratórias para tentar desqualificar a veracidade da informação.
A verdade é que Kleber é, sim, torcedor do time da Marginal. Ou melhor, foi. Todo moleque escolhe um time para torcer, e influenciado pelo pai, Kleber, que nasceu e cresceu em Osasco, fez uma de suas muitas escolhas erradas na vida. Filiou-se à organizada em 2001, com dezoito anos. Ao mesmo tempo, buscava espaço nas escolinhas de futebol dos clubes da Grande São Paulo. Deu certo na do Jardim Leonor, e por esse clube, se profissionalizou. Com apenas 21 anos foi negociado com a Ucrânia, onde ficou por quatro anos. Ralou e aprendeu a ser atleta profissional – com todas as coisas boas e ruins que isso signifique. O resto da história é bem conhecido por todos.
Uma rápida história corrobora com a ‘revelação’: em sua segunda apresentação no Palmeiras, em 2010, tive a chance de conversar com seus pais. Depois de algumas perguntinhas triviais, indaguei ao sr. Freitas se o Kleber era realmente palmeirense quando criança. Ele ficou visivelmente constrangido, e acabou respondendo que “a mãe dele era”, apontando para a esposa que estava a seu lado. Diante do notório desprezo que o jogador nutre pelos vizinhos de muro, e pela cidade de origem, tudo ficou claro: era gambá. Uma informação que o Verdazzo se furtou a repartir com a torcida, para não gerar tumultos desnecessários. Não somos jornalistas; somos torcedores.
Boa parte dos jornalistas, quando finalmente passam a cobrir o dia-a-dia dos clubes, dizem que a convivência com o meio profissional faz com que a paixão de infância pelo clube desapareça – ou não seja a mesma. O encanto, de alguma maneira, desaparece quando se enxerga esse mundo de outro ângulo, de dentro para fora. Com os jogadores, que são praticamente obrigados a mudar de time várias vezes na carreira por exigência do ofício, esse sentimento evapora muito, mas muito rápido – e com Kleber provavelmente isso não foi diferente. Se alguém afirmar que em 2008, quando foi repatriado, qualquer sentimento do jogador pelos mulambentos já tivesse sido varrido de sua personalidade, tem poucas chances de errar. Hoje, Kleber não é palmeirense, nem gambá, nem nada. É fato: jogador gosta só de três coisas, não necessariamente na ordem: jogar bola, farra com a mulherada, e grana; clube e camisa são absolutamente irrelevantes. Quem ama a camisa somos nós, torcedores. Claro, toda regra tem exceções, e Marcos, por todas as provas que já deu na carreira é uma delas – talvez a única.
Uma vez divulgado – com uma surpreendente esperteza – pela organizada deles, na semana do Derby, o ‘segredo’ de Kleber veio à tona, e causou um pequeno rebuliço na torcida. O que impressionou mesmo foi o destaque dado pela imprensa, avassalador. O agente do jogador, irritado, declarou no tuiter que nem ele nem o atleta se pronunciariam sobre o caso, praticamente confirmando tudo. Mesmo assim, a torcida do Verdão, em sua maioria, ao que parece não se importou muito, e o estrago foi menor do que se imaginava. É bem provável que a sábia postura já seja um reflexo da recente novela Flamengo. O torcedor acordou
Que esta revelação faça com que os poucos torcedores que ainda teimam em idealizar essa relação – por amor, idolatria, ou necessidade de sei lá o que – entendam de uma vez por todas que os jogadores objetos de suas devoções não amam o seu clube, e que eles têm que ser admirados apenas por seus desempenhos em campo, não pelos supostos sentimentos que mostram. O que mais precisa acontecer para que não haja mais dúvidas?
Kleber não deve ter sua relação com a torcida do Palmeiras alterada por isso. Ao contrário, o episódio deve servir de motivação para que ele entre em campo no domingo com mais gana ainda, jogue muito e cale a todos que venham levantar qualquer dúvida por causa da infeliz filiação do então menino.
Aí um leitor me perguntou agora há pouco pelo e-mail se eu não achava que, apesar da decepção (dele, não minha) com Kleber, se eu não achava que pelo menos o Valdivia tinha essa identificação, esse amor à camisa. Afinal, ele beijou o distintivo do clube no gol que marcou contra o Bahia.
É, tem gente que nasceu pra ser corno mesmo.
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