Bonzinho
25 de agosto de 2010 por @parmerista
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Em 2006, quando Leão foi demitido, às vésperas do confronto com os bambis pelas oitavas-de-finais da Libertadores, foi alçado à condição de interino o técnico do time B, Marcelo Villar. O Verdão empatou no Palestra por 1×1, e perdeu no panetone, por 2×1, num jogo em que Wilson de Souza Mendonça nos garfou vergonhosamente. Villar sobreviveu à eliminação, mas caiu poucos jogos depois, substituído por Tite. Um dos episódios que precipitou sua queda foi quando Edmundo, em entrevista, declarou que Villar era “muito bonzinho”.
O Palmeiras, apesar de hoje contar com Felipão, que de “bonzinho” não tem nada, vem sendo o “clube bonzinho” dentre os grandes do país. Somos feitos de bobos em quase todas as esferas. A falta de habilidade nos bastidores é, ao lado do vazamento crônico de informações, o maior problema na gestão do nosso futebol.
Nossos inimigos jogam sujo contra nós. Batem sem dó. E não é choro: no futebol é assim mesmo. Vejamos:
- não temos a menor ingerência na escala de árbitros. Somos roubados vergonhosamente pela mesma meia dúzia de sempre, e eles continuam a ser escalados em nossos jogos. PC, Sálvio, Heber, Gaciba… o juiz do nosos próximo jogo é ninguém menos que Evandro Roman, aquele que nos trata como ao Engenheiro Beltrão. Só falta escalarem o Simon para o próximo jogo nosso contra os bambis. Sabemos que não existe veto formal na arbitragem brasileira. Mas o informal existe. Os bambis conseguem evitar que determinados juízes apitem seus jogos – e assim colocam pressão nos que apitam, e vivem felizes para sempre;
- o STJD faz a festa em cima do Palmeiras. Não fosse a incrível competência de nosso corpo jurídico, nosso prejuízo seria muito maior. Nos últimos anos, deitaram e rolaram principalmente em cima de Diego Souza e Kleber. Até o próprio presidente Belluzzo pegou um gancho pesado, desproporcional ao que fez. Mas o pior foi o caso das trancinhas, em que Vagner Love, em audiência no Rio, ouviu de um dos auditores que gostaria que as trancinhas que ele estava usando, verdes à época, fossem rubro-negras. É com essa absoluta desfaçatez que tratam o Palmeiras no órgão jurídico esportivo mais importante do país;
- a imprensa é um caso à parte. O problema é histórico. Já cansamos de espernear – já relatamos tantos casos de tratamento diferenciados em casos iguais, que nem cabe mais. A arma deles é dizer que somos passionais, no caso dos mais polidos – ou malucos paranóicos, no caso dos mais canalhas. E o pior é que alguns veículos não se contentam em plantar crises diárias em nossos noticiários: na outra via, pintam o mundo de cor-de-rosa ao se referirem a determinados clubes, mesmo que a situação não esteja tão boa assim;
- e o nosso pior inimigo, aquelas alas de conselheiros dentro do clube, não descansa nunca. Além de manterem relações promíscuas com certos elementos da imprensa, vazando informações que prejudicam o andamento de negociações, ultimamente se especializaram em sabotar os projetos em andamento, visto que, caso tais projetos dêem certo, resultarão em ganho político significativo a seus desafetos, o grupo que comanda o clube hoje – e no raciocínio tacanho e egoísta dessas pessoas, quanto melhor para a atual gestão, pior para eles – não importa se é bom para o Palmeiras. Assim, usam laranjas dentro e fora do clube, em órgãos da sociedade civil ou mesmo da imprensa, para atrapalharem a atual gestão. Alguém entende por que a Arena não está sendo construída a todo vapor?
E o Palmeiras apanha, calado. Enquanto nossos inimigos jogam sujo, nós jogamos limpo e mostramos a eles como é que se faz. Agimos no futebol seguindo os mesmos princípios que usamos para dar a educação básica a nossos filhos. Que bonito.
E assim, eles seguem ganhando tudo, e nós, só tentando. Sempre tem um detalhe, uma coisinha aqui ou ali que foge do controle, e mesmo fazendo tudo certinho, algo nos tira do páreo.
Os atuais dirigentes do Palmeiras são honestos demais para fazerem o que tem que ser feito. Talvez nem saibam como, já que quem ocupou o poder por tanto tempo e sabia, obviamente jamais mostrou como é que se faz. Mas eu também não sei limpar minha casa, só que sei ver se a casa está limpa ou não. Para fazer o serviço, chamo quem sabe, e a faxineira vem e deixa a casa em ordem.
Comportarem-se como virgens no prostíbulo, por mais que seja seguindo princípios de retidão moral que sonhamos para o mundo, não vai tirar o Palmeiras do mar de problemas em que se encontra. Já passou da hora de deixar de ser bonzinho e mostrar força nos bastidores. Como? Eu não sei. Mas nosso presidente, o do país, já ensinou a fórmula: basta dizer que não sabia de nada.


