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Fluminense 1×1 Palmeiras
2 de setembro de 2010 por @parmerista

Do jeito que foi, beleza. O Verdão foi ao Maracanã e, depois de jogar como se fosse mandante contra o líder do campeonato, depois de ter um gol injustamente anulado, e de ser prejudicado sistematicamente pelo árbitro durante todo o jogo, conseguiu o empate aos 47 do segundo tempo, calando uma das torcidas mais infames do futebol brasileiro. Não existe nada mais vergonhoso para um carioca do que torcer pelo Fluminense – que, aliás, não tem time para estar tão desgarrado na frente do campeonato, o que só demonstra o quanto os times deste campeonato estão nivelados. Quando o campeonato é assim, são os detalhes de cada jogo que definem o campeão. Por isso, olho na arbitragem!
O Palmeiras começou bem armado lá atrás e preparando o contra-ataque. Kleber jogava isolado na frente, esperando por uma bola enfiada por Valdivia a qualquer momento. Quando precisava de apoio, a coisa complicava, já que ele vinha de jogadores pouco qualificados para isso, como Rivaldo e até Edinho. Mesmo assim, o Palmeiras criou uma ótima oportunidade numa bola levantada por Marcos Assunção que Rivaldo cabeceou no chão, Fernando Henrique rebateu, Kleber preparou e Valdivia tentou de novo, mandando por cima.
O Fluminense baseava seu jogo nos quatro da frente: Conca, Deco, Emerson e Washington, e o resto do time só se preocupava em marcar. Mas curiosamente, foi de um volante o passe para a jogada que abriu o placar: Fernando Bob achou outro volante, Diogo, inexplicavelmente livre pela esquerda, num vacilo incrível da marcação. Com três jogadores acompanhando a jogada, virou pelada dentro da área, e Fabricio quase conseguiu salvar, mas a bola, viva, sobrou no pé de Emerson que abriu o placar, aos 15.
Após tomar o gol, o Palmeiras passou a tomar a iniciativa do jogo, mas esbarrava na noite ruim de Valdivia – que mesmo assim sempre pode resolver num lance isolado. Além disso, ele tocava redonda, o gramado molhado e cheio de areia desviava, e quando recebia, vinha mais quadrada ainda, já que a troca de passes era sempre com Rivaldo, Fabricio, Marcio Araujo, Edinho, Pierre… E assim, sem conseguir dar sequência às jogadas, as tentativas do Palmeiras só levavam algum perigo quando a bola esticada achava Kleber de alguma maneira. Ele brigava com o gramado, com o zagueiro – sobretudo Gum – e com a arbitragem, que o deixou apanhar sem dó. E mesmo assim conseguiu empatar a partida, mas o juizão anulou alegando impedimento. Na verdade, a bola foi recuada por Diogo e o gol foi legal.
O Palmeiras continuou insistindo, mas com pouca objetividade, e deu o contra-ataque ao Fluminense, que duas vezes, com Conca e Emerson, chegou perto de fazer o segundo. Mesmo cheio de volantes e bem posicionados, o Verdão não conseguia parar todas as jogadas dos cariocas – méritos deles, principalmente de Deco e Conca, um craque de bola.
Para o segundo tempo, Felipão voltou com Tinga no Pierre, que já estava amarelado, pra tentar melhorar o toque de bola no meio. Melhorou um pouco. O que de fato ajudou o Palmeiras foi a recuada que Muricy deu em seu time. Com mais espaço, e com Marcos Assunção e Tinga se aproximando mais, o toque de bola começou a aparecer, e as chances do Palmeiras surgiram. Com Luan no Fabricio, abrindo Rivaldo na esquerda, o time ficou mais ofensivo ainda, e Kleber virou definitivamente um centroavante.
No final, Felipão foi pro tudo ou nada e colocou Ewerthon no Valdivia, dando a função de armador ao Marcos Assunção, e escancarando tudo lá atrás. Funcionou. O Palmeiras promoveu uma verdadeira blitz em cima do líder do campeonato que, assustado, recorria às faltas, que o árbitro só marcava quando se caracterizava uma tentativa de assassinato. E foi numa delas que ele foi obrigado a expulsar Leandro Euzébio, que só não matou nosso atleta porque era o Gladiador. A expulsão desestabilizou a retranca de Muricy, que já tinha colocado André Luís no Emerson pra fechar tudo de uma vez.
Assim, Tinga tentou um lançamento pra área, Edinho conseguiu escorar de cabeça para o meio, e achou Ewerthon totalmente livre, na pequena área. O atacante, que levou uma carcada do Felipão durante a semana, só teve o trabalho de tirar do goleiro e correr pro abraço, e a partida estava empatada. Poucos segundos depois, o árbitro, um desconhecido que busca fazer seu nome nos corredores da CBF, encerrou o jogo. Anotem esse nome: Marcio Chagas da Silva, do Rio Grande do Sul.
Valeu pela disposição, pela coragem, pela entrega, e pela forma que se conseguiu o empate. Mas fica claro que em gramados ruins, o time vai sofrer demais se insistir com jogadores de pouca técnica. Kleber é um monstro, mas precisa da aproximação de pelo menos mais um companheiro para dividir as atenções dos zagueiros – no Maracanã, foi acompanhado de perto por Gum, em quem já deu bailes históricos nos tempos que o zagueiro defendia a Ponte Preta, e por Leandro Euzébio. E vamos deixar claro que se o Fluminense de Muricy não tivesse dado tanto espaço, dificilmente teríamos criado chances de gol – seria quase impossível chegar ao empate. Valeu, Muricy!
Atuações:
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Marcos: uma boa defesa no primeiro tempo, no chute de Conca, e duas ótimas no segundo, na cabeçada de Leandro Euzébio e no chute cruzado de Deco. Jogou bem com os pés também. 9 |
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Marcio Araujo: no geral, não teve trabalho na marcação, e fechou bem o meio. Mas o gol saiu em seu setor. Onde ele estava? 6 |
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Mauricio Ramos: partida tranquila, foi pouco visto em campo. 7 |
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Danilo: ao contrário do que disseram os comentaristas da TV, não falhou no gol. Também fez uma partida serena. 7 |
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Fabricio: pode não ser lateral de ofício, mas vai quebrando o galho direitinho. E tem a mesma idade do Gabriel Silva. 7 |
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Edinho: se fosse habilidoso, seria meia e não volante. Mas nas eventualidades, fez o papel de meia muito bem – além da atuação sempre regular na proteção à zaga. Marcar o Conca não é fácil. 8,5 |
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Pierre: pareceu pouco à vontade no gramado pesado do Maracanã. Chegou atrasado, errou passes e mais uma vez foi amarelado. 5 |
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Marcos Assunção: chamou a responsa no segundo tempo e comandou o time. Valdivia que abra o olho. 8,5 |
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Rivaldo: esse não serve. Não há um lance em que ele participe que se possa ter alguma esperança que existe algum potencial a ser desenvolvido. O que o Felipão viu nele? 4 |
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Valdivia: sofreu com o gramado, com a marcação, com a pouca qualidade dos companheiros, e principalmente com sua falta de inspiração. 5 |
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Kleber: a maior contratação do Palmeiras na gestão Cipullo, melhor até que a dele mesmo, quando veio da Ucrânia. Que jogador fantástico. 9 |
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Tinga: sua entrada melhorou demais o toque de bola no meio, e ajudou o Palmeiras a dominar o setor. 7 |
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Luan: passou a preocupar Belletti, e assim abriu mais espaços para o time. Com a bola no pé, pouco produtivo. 6,5 |
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Ewerthon: correu, né? 7,5 |
| Felipão: deu um baile no Muricy – falta ainda pegar a mão do time desde o início. Mas isso vem com o tempo. 8 | |
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