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O que é melhor para o Palmeiras?
6 de julho de 2010 por @parmerista
A partida da próxima sexta-feira, entre o Palmeiras e o Boca Juniors, fomentou uma interessantíssima discussão no Twitter entre alguns palmeirenses, a respeito do preço dos ingressos. É sabido que existem correntes fortes na internet que pregam a popularização dos preços, no sentido contrário do que vem sendo praticado pelo Palmeiras e também pelos nossos adversários, sobretudo Santos e Corinthians. E o São Paulo só não elitiza também os seus preços porque tem espaço de sobra e seu estádio vive com a taxa de ocupação abaixo da linha crítica.
No mundo perfeito, o estádio viveria cheio, ao maior preço possível, e o perfil “psicótico” dos torcedores seria o oposto ao do espectador de teatro: vibrante, em pé, cantando e empurrando o tempo todo. No mundo real, isso é impossível, por enquanto. Neste primeiro momento, é preciso priorizar uma das duas vertentes: ou se mantém o estádio cheio, e sacrifica-se a bilheteria; ou mantém-se o nível elevado de arrecadação às custas de um estádio cheio de torcedores com um perfil mais elitizado, comportado, frio – um choque na cultura do futebol.
“O que é melhor para o Palmeiras?”
Sempre que houver um dilema sobre o que fazer, é essa a pergunta que deve ser feita. Optar por A ou B, em qualquer questão, deve obrigatoriamente passar por essa pergunta. E nesse caso, a resposta não virá do sentimento primal de quem ACHA que deve priorizar a cultura popular, nem de quem ACHA que o que importa é a bilheteria bombando, mesmo que maximizando o ponto de equilíbrio da curva de oferta e demanda.
Como disse meu grande amigo Benê esses dias, temos que entrar em guerra com o verbo ACHAR. Temos é que SABER. Temos é que identificar todas as variáveis que compõem essa extremamente complexa equação. Todas as implicações de curto e longo prazo, dentro e fora do campo, de se ter ingressos baratos ou caros. Por exemplo: qual a implicação real na relação clube-torcedor, a longo prazo, de se praticar preços como o da partida de sexta-feira? E qual o efeito prático, dentro de campo, sentido pelos jogadores – pelos nossos e pelos adversários – com um perfil de torcedor mais ou menos elitizado? E quanto isso efetivamente se reverteu em vitórias para o Palmeiras? E por aí vai, há dezenas de questões relevantes que se relacionam com o preço dos ingressos.
São perguntas extremamente subjetivas, que requerem um estudo altíssimo nível. Mas se um estudo assim for feito, e seu resultado seguido à risca, os ganhos para o Palmeiras serão maximizados. Não se terá que optar entre um caminho ou outro, na base do achismo.
Marketing é uma ferramenta que deve ser usada em todo o seu potencial. Subutilizado, não vai atingir seus objetivos, e mal contextualizado, pode se virar contra seus agentes. É o que sempre aconteceu com os últimos diretores de marketing do clube, invariavelmente massacrados, independentemente da competência deste ou daquele. Marketing sempre foi um setor marginalizado no clube, e nunca houve uma estruturação no departamento. Na gestão passada, tentou-se valorizar a área, mas trapalhadas políticas acabaram por criar dois diretores que não conseguiram afinar o discurso e o resultado foi um desastre. Na atual gestão, o diretor conseguiu uma grande vitória: 1 (um) funcionário. Parece brincadeira.
Sabemos que o presidente Belluzzo adotou uma política de austeridade em todos os departamentos e exigiu cortes nos gastos em 30%. Investir na estruturação de um departamento de marketing neste momento seria complicado politicamente, geraria grande instabilidade. Mas os ganhos para o Palmeiras seriam enormes. Valerá demais a pena trabalhar as estúpidas ciumeiras internas e caminhar nessa direção, e dar à Diretoria de Marketing elementos suficientes para realizar um trabalho profundo a fim de mensurar o comportamento da torcida e seus desdobramentos dentro e fora do campo, tendo como parâmetro o preço dos ingressos.
O que está em jogo não são atitudes elitistas ou populistas. Não se trata de defender os ricos ou os pobres, de preservar ou de mudar a cultura. O que está em jogo, sempre, é o que é melhor para o Palmeiras.
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