O quebra-cabeças do Verdão
16 de julho de 2010 por @parmerista
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OK, ter Kleber e Felipão é um sonho. Mas vamos acordar e olhar para nosso elenco. Dá medo. Com exceção dos goleiros e volantes, temos carências em todas as posições. Faltam 30 jogos pra o final do Brasileirão, mais a Sulamericana, e com a escassez de notícias, começa a ficar difícil acreditar que tenhamos contratações visando este ano. Ou nossa diretoria vai nos surpreender positivamente anunciando contratações cujas negociações finalmente não vazaram, ou a coisa vai está realmente muito feia para a conclusão deste ano. Vamos lá:
GOLEIROS: Marcos, Deola e Bruno, tudo OK. E ainda com o reforço do Pracidelli.
LATERAIS: com a saída de Figueroa, temos apenas Vítor, Eduardo, Gabriel Silva e Armero. Desses, só Vítor está num nível elevado. Gabriel tem potencial. A renovação de Armero foi por seis meses, emergencial. Que venha um melhor para 2011. Eduardo não serve nem para a reserva, a segunda opção pela direita em tese é Marcio Araujo.
ZAGUEIROS: temos problemas, já que Danilo está suspenso por mais nove jogos. Léo e Mauricio Ramos devem ser os titulares, o que dá medo, muito medo. Leandro Amaro ainda não teve chances, e está no DM. Pelo site oficial, Gualberto não aparece mais entre os profissionais, e em seu lugar está Mayko, que mostrou bom potencial nas categorias de base. E só.
VOLANTES: aqui, parece tudo certo, com Pierre, Edinho, Tinga, Marcos Assunção e Marcio Araujo. Volantes para todos os gostos: pegadores, passadores, que saem pro jogo, batedores de falta… E Edinho, que eternamente está de saída para o Fluminense, vai ficando, vai ficando… não é, imprensa? Anselmo e Fernando, da base, que já figuraram no site oficial como parte do elenco profissional, já não aparecem mais. Por outro lado, Bruno Turco já treina com os profissionais para completar o coletivo.
MEIA: é isso mesmo, no singular – só temos o Lincoln, após a saída de Ivo, Cleiton Xavier e Diego Souza. Joãozinho, ou João Arthur, também já não consta mais do site oficial.
ATACANTES: muita quantidade, com qualidade discutível. Temos Kléber, atacante de primeira qualidade. Temos Tadeu e Ewerthon, um centroavante e um velocista de nível aceitável para a reserva. E ainda Vinicius, Patrik e Lenny, para dar opções.
Nosso elenco está incrivelmente reduzido, com apenas 24 elementos. O calendário pós-Copa é extenuante - com as datas espremidas, teremos jogos duas vezes por semana até o fim do ano, e Lincoln não deve aguentar – vem mostrando isso desde que chegou. É absolutamente inadmissível que um clube como o Palmeiras tenha apenas um meia em seu plantel. É uma situação que nem a chegada de Valdivia resolve, afinal, ao que consta, ainda fazem parte do dia-a-dia do futebol lesões e suspensões. Felipão terá que usar e abusar de escalar volantes, por absoluta necessidade, a não ser que se resolva logo a questão de Valdivia, e de mais um ou dois jogadores de ligação.
A zaga também está com um panorama delicado, já que Leandro Amaro chegou e não estreou – estaria com problemas físicos – e Danilo teve a suspensão ratificada ontem no STJD. Mauricio Ramos dá medo, e Leo dá muito medo. Os dois juntos tendem à catástrofe. Difícil entender a troca de Gualberto, que mostrou bastante potencial, por Mayko – também promissor, mas com menos bagagem. Na pior das hipóteses, manter Gualberto diminuiria a crise de quantidade na defesa.
Para o ataque, Kleber e mais um matadorzão, com Tadeu e Ewerthon como opções, mais Patrik e Vinicius, fica bom. Seria interessane envolver o Lenny numa negociação para trazer um centroavante para ser o titular, o matador, o nosso NOVE-NOVE.
Então ficamos combinados. Precisamos, com absoluta urgência, de:
- Valdivia
- mais dois meias para compor elenco
- um zagueiro de primeira linha, de preferência canhoto
- um NOVE-NOVE matador, um fazedor de gols nato
Tem dinheiro? Não? Que coisa. Podemos pensar na base como solução: reintegrar Gualberto, ajuda pelo menos até o fim do ano no problema da zaga; Luís Felipe certamente seria mais útil que Eduardo; Gilsinho e Francinei podem ser os meias que precisamos para compor o elenco… mas como seria arriscado subir toda essa molecada, não? Uma mescla, talvez, de revelações da base com grandes contratações.
Quem sabe com auxílio de um investidor que tope colocar no clube de graça seus jogadores, a fim de valorizá-los para uma futura venda… Alguém que tope fazer um agradinho no Felipão… Alguém conhece alguém assim?
Pois é. A Traffic, que vem sendo incompreensivelmente endemoniada por parte da nossa torcida, é quem está mais próxima de exercer esse papel. É mais do que claro que a empresa mantinha relações muito estreitas com Luxemburgo – o anúncio do plano de investimento da empresa “coincidiu” com a chegada do treinador, no início de 2008, e curiosamente Diego Souza foi transferido de graça para o Atlético-MG. Com a saída de Luxa do Palmeiras, os investimentos minguaram, e seus jogadores tiveram uma notada queda no rendimento.
O que faltou na relação entre Palmeiras e Traffic foi uma correção na rota após a saída de Luxemburgo. O investidor, que estranhamente é chamado de “parceiro” até pelo diretor de futebol e pelo presidente do clube, passou a oferecer ao Palmeiras apenas reforços de nível duvidoso, como o tal de Paulo Henrique, caneludo de curta passagem pelo clube, ou Bruno Paulo, garoto de talento mas com um gosto irresistível pela vida noturna. Fora os que não vieram, que deviam ser piores.
A Traffic ainda pode lucrar no Palmeiras da mesma forma como se propôs a fazer no início de 2008, mesmo sem Luxemburgo comandando as operações. O modelo em tese continua sendo ótimo para as duas partes: a Traffic enxerta nas posições carentes do Palmeiras jogadores de alto nível, e que ainda possam ter mercado após um período no clube; o Palmeiras ganha com o desempenho desse jogador em campo e mais 20% sobre o lucro na venda. Mas por que deu errado após a saída de Luxemburgo?
Essa correção na rota é a peça que falta no quebra-cabeças do Palmeiras. E não é Felipão que tem que resolver isso.


