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Reformulação do elenco – 2010/2011
7 de dezembro de 2010 por @parmerista
Na semana passada, foi feita uma sondagem junto aos leitores do Verdazzo para verificar a vontade da torcida em manter ou não os jogadores que finalizaram a temporada no elenco principal. Mais de cinco mil torcedores registraram suas opiniões, o que confere às enquetes um enorme valor.
Foi solicitado que a opinião fosse emitida levando-se em conta apenas a bola jogada durante o ano. Ou seja, mesmo que a diretoria resolvesse ser democrática ao extremo e seguir a vontade dos torcedores, a rigor não poderia, já que a sondagem não levou em consideração variáveis muito importantes como o tempo de contrato, salário, multa rescisória, disponibilidade de reposição no mercado, condição clínica, e outras observações que só quem acompanha o dia-a-dia do elenco de perto pode fazer.
De toda forma, os resultados deixam claro que a torcida não vai tolerar de forma alguma jogadores como Tadeu, Dinei e Rivaldo no elenco de 2011. E na ponta de cima, fica claro que há jogadores intocáveis, com mais de 90% de aprovação, como Deola, Marcos, Gabriel, Edinho, Assunção, Tinga, Valdivia e Kleber. Aliás, oito jogadores com aprovação maciça é sinal que o time não é ruim, e que o que deixou a desejar ao time em 2010 não necessariamente esteve dentro das quatro linhas.
É óbvio: não tivemos opções ofensivas. A ligação entre a defesa e o ataque também foi pífia. O esquema que Felipão escolheu privilegiou a defesa, mas deixou o time previsível no ataque, fazendo com que Kleber muitas vezes ficasse isolado. A falta de apoio pelos flancos fez com que a solução fosse escalar Luan como volante-ponta, pela esquerda, e Marcio Araujo e Tinga fizeram um revezamento mambembe pela direita. Nenhuma das soluções funcionou, e também ficou claro que isso se deveu em muito à falta de qualidade das peças que deveriam desenvolver essas funções.
Os flancos fatalmente serão a chave para a montagem do time de 2011. Se Felipão decidir manter o time com dois zagueiros e laterais defensivos, já sugiro dispensar Vítor e até mesmo o Gabriel Silva, e contratar atletas que tendam a ser mais defensivos. Como isso seria um enorme desperdício, a leitura do elenco começa considerando que o esquema-base deve ser o 3-5-2, com o qual Felipão já flertou nas partidas finais pelo Brasileiro.
O quadro abaixo tem a porcentagem de aprovação dada pelos leitores aos jogadores; a opinião do Verdazzo sobre cada um; uma breve análise setor a setor, e sugestões de como pode ser a busca por jogadores no mercado para cada faixa do campo. Clique sobre a imagem para vê-la ampliada:

Já o quadro abaixo ilustra de forma esquemática como ficaria o elenco do Palmeiras para 2011, contando as dispensas sugeridas e guardando o lugar para as possíveis contratações:

O time sugerido claramente mantém a base de 2010. Mas pode render muito mais, se for completado com peças bem superiores às que sairiam, que puxaram o nível geral do elenco para baixo, com força. Esse elenco efetivamente vai dar mais resultado se jogar num esquema que privilegie as características dos atletas. Se formos levar em conta principalmente nossos laterais, que na verdade tendem a ser alas, o esquema com três zagueiros e dois volantes parece ser, de longe, o mais adequado.
Diante das enormes dificuldades financeiras por que o clube passa, a troca de sete peças não parece ser algo tão absurdo, dado que nos anos anteriores as reformas foram de 12, até 15 atletas. O elenco sugerido tem sete garotos recém-saídos da base, o que também alivia um pouco a folha. Os grandes salários, como Kleber, Valdivia e Felipão, são bancados na maior parte por patrocinadores. A folha do Palmeiras, a parte que efetivamente cabe ao clube, já não foi grande este ano e deve manter o patamar em 2011, ainda mais após a perda da Sulamericana, que renderia ótimos dividendos ao clube, em todos os aspectos.
Quem ganha um baita salário para comandar isso tudo é Felipão, que ainda tem a vantagem de ter estabelecidos ótimos contatos em sua longa passagem pela Europa, e isso agrada aos boleiros. Quem quiser passar um ano e meio ou dois num time grande para depois pular para o exterior – o que não são poucos – ainda vêem no Palmeiras um meio interessante de conseguir o objetivo, apesar do clube estar “fazendo força” para, cada vez mais, perder prestígio junto à boleirada.
Em 2011, o Campeonato Paulista classifica oito times para o mata-mata, o que praticamente garante os quatro grandes na chave, e até possibilita que seja feita uma pré-temporada mais longa, queimando os primeiros quatro ou cinco jogos com o time reserva, já pensando em preservar os titulares de mais um longo ano que terão pela frente. Além do Paulista, teremos a Copa do Brasil, e o maior adversário será o odiado inimigo, desta vez fora da Libertadores – e talvez o Grêmio. As finais da Copa do Brasil vão se encavalar com as rodadas iniciais do Brasileirão, que por sua vez também coincidirá com a Sulamericana, já no final do ano, com os mesmos adversários da Copa do Brasil. É preciso um elenco forte e versátil.
Esse será o desafio do Palmeiras nas próximas semanas: montar até o meio de janeiro o elenco para aguentar essa maratona. Se disputarmos o Paulista com essas sete mudanças concretizadas, poderemos ter uma boa ideia se o elenco aguenta até o fim do ano, e quais ajustes precisarão ser feitos. O que não podemos é começar a temporada com o elenco esburacado. Felipão precisa saber certinho com quem vai contar desde a volta das férias, para minimizar as correções na rota que terá que fazer e que tanto atrapalham o desenvolvimento de uma equipe.
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