Venda casada
29 de julho de 2010 por @parmerista
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O Palmeiras acabou de acertar a contratação do volante Rivaldo, do Avaí, e está próximo de acertar com o zagueiro Fabrício, do Flamengo. Num primeiro momento as notícias parecem triviais. Mas olhando bem, elas podem conter uma boa dose de entrelinhas que merecem ser esmiuçadas.
Rivaldo foi observado em Florianópolis por Felipão, que o indicou. A Traffic adquiriu os direitos do jogador, de 25 anos – não tão dentro do chamado “perfil Traffic”- e o repassou ao Palmeiras. Aqui, o único “senão” é que a posição em questão é exatamente a que estamos mais bem servidos. Mas há informações de que o jogador adapta-se bem à meia, posição na qual ainda temos carência na quantidade – e mesmo na qualidade, dependendo da característica, já que não temos um meia carregador de bola. E mesmo que essa informação de que ele também joga na meia não se confirme, a chegada de Rivaldo pode ser um sinal que Felipão não foi muito com a cara do Marcio Araujo, talvez não o tenha achado tão gente boa assim. Só de ter partido de Felipão, já ficamos mais tranquilos.
Já o segundo caso tem mais entrelinhas ainda. Fabrício é jovem, tem 20 anos. É pouco provável que Felipão de fato o tenha visto jogar, já que Rogério Lourenço não o vinha aproveitando na Gávea. O negócio certamente partiu da Traffic, que já detinha boa parte dos direitos sobre o jogador. Se é reserva do reserva em seu clube, tem 20 anos, e o negócio não começou por uma indicação técnica, é pouco provável que o jogador tenha grandes qualidades. Por que Felipão aceitou, então? Deve estar rezando para Nossa Senhora do Caravaggio para que o xará de seu filho não seja tão ruim.
Fico imaginando o seguinte diálogo:
- Alô Hawilla? Aqui é o Luís Felipe. Tudo bem?
- Faaala Felipão! O que me conta de novo?
- Ah, vi um jogador muito bom no Avaí…
- Humm, sei. Quantos anos tem o garoto?
- Não é tão garoto assim, tem 25. Mas eu faço ele jogar bola aqui, e em um ano, um ano e meio, tu consegues repassá-lo para o Japão, ou para a Ucrânia, ou para o mundo árabe. Quem sabe até eu dou uma força pra ele ir pro Uzbequistão.
- Sei não, Felipe. Meio velhinho já, não acho muito interessante.
- Bah, tô precisando…
- Você tá precisando é de zagueiro, que eu sei.
- Isto é verdade, tchê. Mas tá difícil, né?
- Vamos fazer o seguinte? Eu tenho um menino lá no Flamengo, zagueiro, 20 anos, uma jóia. Aquele imbecil do Lourenço não coloca ele pra jogar.
- Sei… sei…
- Pô, você sabe como tá difícil arrumar zagueiro. O que você tem a perder com o Fabrício?
- Fabrício? Hmmm, belo nome, gostei, tchê. E tu me trazes o Rivaldo?
- Rivaldo? Pô, gostei do nome também! Fechado! Vê se dá uma chance pro menino jogar, hein?
- Vamos ver… Mas tu vais ganhar dinheiro mesmo é com o Rivaldo, tchê…
Fabrício ainda não está fechado, mas as negociações acontecendo ao mesmo tempo, tendo a Traffic envolvida em ambas, dão toda a pinta que o diálogo acima, talvez sem as piadinhas, tenha de fato acontecido. E se foi assim, Felipão terá mostrado uma qualidade que faltou em Muricy: jogo de cintura. Tomara que tenha sido assim.
A Traffic não é nem será a encarnação de Satanás na terra. É um investidor que continua tendo interesses próprios, e cabe ao Palmeiras aproveitar os interesses da empresa para conseguir os seus. Nem que o preço para se ter um bom jogador – segundo a avaliação de Felipão – seja carregar outro mala. A chamada venda casada, tão praticada em tantos setores do comércio. E vai que o mala vira um bom jogador na mão do gaúcho?
A empresa, chamada de “parceira” até pelo diretor de futebol e pelo presidente do clube, mas que não é parceira coisa nenhuma, não empurra nada goela abaixo do Palmeiras. É um negócio, como outro qualquer, e cabe a nosso atual comandante avaliar se vale a pena fazer o negócio, e aceitar um ou outro Fabrício da vida, para ter um Rivaldo. Assim como cabia a Luxa (e ao Muricy, que era intransigente e não aceitava nada). A diferença entre Felipão e Luxa, no entanto, todos sabemos. A chance de dar certo agora é muito maior.
Nota necessária: Todo este texto é baseado numa suposição, diante das pistas. Se tiver algum fundo de verdade, ninguém estaria cometendo crime nenhum, nem lesando o Palmeiras, por isso, supor tudo isso não é leviandade nem desonraria a ninguém.


