Vitória 1×1 Palmeiras
9 de setembro de 2010 por @parmerista
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Dez minutos de bom futebol, na volta do intervalo. Foi isso que o Palmeiras conseguiu apresentar a seu torcedor, e mais nada. Diante de um Vitória em ritmo de marcha fúnebre, o Verdão não se fez de rogado e fez mais uma daquelas exibições tétricas que têm marcado o ano de 2010. Pelo menos desta vez não saímos derrotados.
Felipão surpreendeu na escalação, sacando Valdivia e Fabricio, e saindo com Luan e Tinga. O time voltou ao 4-4-2, com três jogadores fazendo a função de volante: Pierre, Edinho e Marcos Assunção. Outros três volantes faziam funções diversas – Rivaldo e Marcio Araujo cuidavam das laterais, e Tinga fazia as vezes de meia. Prato cheio para os que gostam de fazer as críticas simplórias de que o time estava “cheio de volantes”.
Na verdade, taticamente a escalação de Felipão foi boa, mas as peças foram mal escolhidas – em parte por equívocos do treinador, em parte por falta de opção mesmo. A começar por Rivaldo. Esse rapaz é muito esforçado, e serve até para derrubar um mito: o de que a torcida do Palmeiras aceita jogador ruim, desde que se esforce. Não é verdade. Ninguém aguenta mais esse cara, mesmo com ele correndo até não poder mais. Fabricio poderia continuar fazendo a lateral-esquerda com mais eficiência, ou mesmo o Gabriel Silva.
Com Edinho e Pierre lado a lado, Marcos Assunção ficou flutuando, o que não é muito a dele, já que ele não tem o mesmo arranque e mobilidade que, por exemplo, Tinga. Assim, Evandro Seleção e Ramon conseguiram levar vantagem no duelo do meio-de-campo no primeiro tempo. E na jogada de velocidade, a zaga mais uma vez bateu cabeça, cometendo o mesmo erro de domingo, contra o Cruzeiro: marcaram a bola e deixaram o jogador passar, livre. Junior esticou para Elkeson, que bateu com muita precisão, cruzado, no canto de Deola, abrindo o placar com nove minutos.
Felipão só pode ter decidido deixar Valdivia no banco como uma forma de estabelecer a hierarquia, após a reação intempestiva do craque ao ser substituído no Pacaembu, domingo. Tinga isolado na armação, tentando servir a Luan e Kleber, foi um prato cheio para Vanderson e Bida. Kleber lutou contra o gramado, contra o rodízio de faltas sobre si, e também com mais uma noite pouco inspirada. Luan lutou contra o inimigo de sempre, a pouca intimidade com a bola. Assim, o Palmeiras só conseguiu finalizar pela primeira vez aos 37 minutos, num chute de fora de Rivaldo, a única coisa positiva produzida por ele em todo o jogo, apesar do esforço.
O Vitória esbarrava no congestionamento de jogadores promovido pelo Palmeiras, e também no baixo-astral explícito que ronda o time. Tratava-se de uma presa facílima, tanto quanto o Atlético-MG, mas o Verdão foi piedoso, não entrou pra pisar no pescoço do adversário, que sem se esforçar muito, foi pro intervalo vencendo o jogo.
Felipão enxergou bem a partida e mexeu certo: Tadeu no Luan, para afunilar um pouco mais as jogadas, e Valdivia no Pierre, puxando Marcos Assunção para trás, e dando a Tinga a função de apoiar a armação, e não a de ser responsável por ela. E Valdivia entrou endiabrado no jogo. O chileno deu velocidade ao time, com toques rápidos e precisos, deixando os atacantes, se nào em posição clara de gol, pelo menos de frente para o lance, com mais opções de jogada. E o Palmeiras criou nesses dez minutos mais do que em todo o primeiro tempo. O Vitória então intensificou a marcação naturalmente, contou com a complacência do árbitro, que deixava bater, e diminuiu o ritmo do jogo. O Palmeiras aceitou a cadência dos baianos.
Numa partida horrorosa, com erros técnicos grosseiros, principalmente do nosso lado, nada indicava que teríamos qualquer tipo de alegria. E vamos admitir: a sorte esteve do nosso lado. Num bate-cabeça entre Deola e Mauricio Ramos, pedimos pra tomar o segundo – Elkeson levou azar e bateu na trave, com pouco ângulo, mas sem goleiro. Por outro lado, mais uma vez podemos citar o árbitro, que não deu dois pênaltis claros a favor do Palmeiras, além das já citadas vistas grossas nas faltas em Valdivia e principalmente Kleber.
Foi num lance onde não parecia que sairia grande coisa que o Palmeiras empatou: Edinho conduziu e bateu, de longe. A bola deu a famosa “descaída” na frente de Viáfara, que não conseguiu segurar; ela bateu em seu braço e depois na coxa, e voltou para o meio da área, onde Tadeu estava bem colocado e conferiu o empate.
Admito: estava tão desmotivado com a partida que me limitei a murmurar um tímido “golporra” no sofá de casa. Minha esposa tomou um susto quando passou pela sala e viu que tinha um gol no placar do Palmeiras. “Ué! Nem ouvi você comemorar”… Pois é.
Nos minutos finais, o Vitória, mais abaixo que nós na tabela de classificação, e que precisava do resultado positivo mais ainda que nós, tentou sem muita força, transparecendo todo o desânimo que era possível notar até pela televisão. E o Palmeiras tratou o empate como um resultado magnífico, tamanha a cautela que Felipão pedia desesperado à beira do gramado aos jogadores. O empate foi longe de ser um resultado magnífico, pelo menos para quem tem alguma ambição no Brasileiro.
O que parece é que Felipão está apostando tudo na Sulamericana; que depois da derrota para o Cruzeiro, ele jogou a toalha no que diz respeito a chegar em sexto no Brasileiro, mesmo com sete pontos de desvantagem para serem tirados em dezenove rodadas. Isso significa resignação com a qualidade do elenco. Deve ter concluído que com limões, só pode fazer limonada, principalmente quando o calendário está espremido e não há tempo para ajustes. Ainda mais num campeonato de pontos corridos, onde não pode usar a velha arma, a motivação, em todos os jogos, sob pena de banalizá-la. Então está guardando pra quando realmente precisar, daqui a quatro semanas, contra provavelmente o Cerro Porteño. Se bem que daqui a dez dias, contra as meninas, já podia ensaiar uma daquelas partidas… felipônicas…
Atuações:
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Deola: nada a fazer no gol, pegou boas bolas pelo alto, uma boa falta do Ramon… mas a pixotada com o Mauricio Ramos foi de doer. 5,5 |
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Marcio Araujo: discretão… talvez, com tanta gente fazendo bobagem, as suas fiquem imperceptíveis. 6,5 |
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Mauricio Ramos: errou no gol do Vitória, junto com o Danilo. Pela segunda vez seguida. Mas o esquema mudou de novo, atenua. 4 |
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Danilo: mostrou ter jogo de cintura ao dançar um twist com o Elkeson. Tomou um baile. 3,5 |
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Rivaldo: de jogador vagabundo, que não corre, a gente tem raiva. Jogador ruim, mas esforçado, a gente respeita. E pede pra tirarem com educação. Retire-se, por favor, Rivaldo. E obrigado. 2 |
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Edinho: o esquema de proteção mudou de novo, e ficou vendido. Chegou atrasado muitas vezes, fazendo faltas bobas. O chutaço que Viáfara rebateu e Tadeu aproveitou quebrou seu galho. 6,5 |
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Pierre: é uma pena testemunhar um declínio tão grande de um jogador que, já vimos, teve uma longa fase de aproveitamento muito bom, com regularidade. Será que tem volta? 4,5 |
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Marcos Assunção: ficou como uma barata tonta no meio de nossos volantes e dos meias do Vitória. Bateu uns escanteios e umas faltas que não dá pra entender. Ou dá? 3,5 |
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Tinga: vai acabar se queimando se for sempre escalado como meia principal. Mas mesmo quando Valdivia entrou, continuou de mal da bola. 4,5 |
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Luan: a bola chegava pouco. Quando chegava, em vez dele acariciá-la pra ela voltar mais vezes, ele descontava sua frustração e a maltratava. Tudo errado. 2 |
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Kleber: fez sua segunda partida ruim seguida, fato raríssimo. Pode ser bom, porque indica grande chance da próxima ser ótima. Ou pode ser ruim: até ele caiu na mediocridade? 3 |
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Valdivia: dez minutos esplendorosos, depois passou a errar como todos, e teve até momentos em que até se escondeu da bola. 5,5 |
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Tadeu: jogar com centroavante, mesmo que seja o Tadeu, aumenta as chances de gol. Ele errou todas, a maioria de forma bisonha. Mas UMA, ele acertou. Gol. 7 |
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Vítor: partida idêntica à que fez contra o CAG: aproveitamento de 100% – tocou na bola, errou. Ainda bem que foram só quinze minutos. ZERO |
| Felipão: escalou mal, substituiu bem, e deixou claro o que espera do time. Pela honestidade, 5 | |
















