POR Conrado Cacace 15/11/2016 - 17h37

Calendário escancara a necessidade de rompimento dos clubes com a CBF

A CBF definiu o calendário interno de 2017, já contemplando as mudanças anunciadas no calendário da Conmebol, há algumas semanas. Considerando apenas os jogos que o Palmeiras pode fazer, o Verdazzo fez um resumo gráfico, que pode ser visto na figura a seguir. Abaixo, alguns comentários.

  • Em janeiro e fevereiro, serão jogadas as fases preliminares da Copa do Brasil e da Libertadores - o Palmeiras estará dispensado;
  • Em março, a seleção roubará jogadores dos clubes nas rodadas 10, 11 e 12 do Paulistão;
  • Em abril teremos o primeiro momento intenso do ano, intercalando partidas da Libertadores com o mata-mata do Paulistão;
  • Entre março e maio, são oito datas para a fase de grupos da Libertadores. Obviamente, duas serão descartadas;
  • Em junho, teremos 2 datas Fifa mais a Copa das Confederações. Serão até 4 semanas com desfalques importantes para os clubes, afetando 7 rodadas do Brasileirão e a partida de ida das quartas-de-finais da Copa do Brasil. E no dia 5 de julho já começa o mata-mata da Libertadores;
  • No dia 5 de setembro, mais uma rodada das Eliminatórias, com a primeira final da Copa do Brasil no dia 7;
  • No dia 10 de outubro, mais uma rodada das Eliminatórias, com a finalíssima da Copa do Brasil no dia 12;
  • Em novembro, teremos data Fifa nos dias 9 e 14, afetando as rodadas 33, 34 e 35 do Brasileirão.

Caso o Palmeiras avance a todas as finais possíveis, mais o Mundial em dezembro, fechará o ano com 79 partidas, isso se não fizer amistosos na pré-temporada. Em 2015, jogamos 72 vezes; em 2012, 74. A última vez que jogamos mais de 75 jogos num ano foi no século passado, quando a exigência física dos jogadores era bem diferente do futebol atual: em 2000, jogamos 92 vezes; em 1999, foram 88 partidas. O recorde foi em 1994, quando jogamos absurdas 97 vezes: Paulistão (30 jogos), Copa do Brasil, Libertadores, Brasileirão e ainda fizemos uma estúpida excursão para a Rússia e Japão.

Fica claro, se é que alguém tinha alguma dúvida, que os campeonatos estaduais são o grande problema do futebol brasileiro. As datas encavaladas no fim do ano seriam facilmente equacionadas se houvesse espaço para puxar o início do Brasileirão para fevereiro, ou no máximo março, fazendo com que o campeonato de fato ocupasse toda a temporada.

Para extinguir os estaduais, no entanto, seria necessário romper com a CBF, cuja base de poder é calcada na existência desses torneios. E para que isso aconteça, os clubes precisam se unir e formar uma liga paralela, destruindo o poder das federações estaduais. Como bônus, seriam extintas as interferências do STJD e da Cobraf – os clubes também seriam responsáveis por administrar os casos disciplinares e as arbitragens. À CBF caberia apenas a administração das seleções.

Um embrião de rompimento foi tentado este ano, de forma apressada e desorganizada, com a fracassada Primeira Liga.

Um dia os clubes vão acordar para a vida.



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