POR Conrado Cacace 23/11/2016 - 11h24

2016, o ano de Jailsão da Massa

César Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação

Jailson está sendo um dos pilares da campanha do Palmeiras este ano que, ao que tudo indica, deve ser consagrada com o título brasileiro. O camisa 49 fechou contra o Botafogo um turno como titular, invicto – a única partida que o Verdão perdeu nas últimas 19 rodadas foi na Vila Belmiro, com Vinicius no gol – Jailson estava suspenso.

Sua ascensão começou de forma dramática: mais uma lesão grave de Fernando Prass, desta vez defendendo a seleção, com previsão de volta aos gramados somente em março. O substituto foi escolhido entre Vagner, Jailson e Vinicius.

Mesmo com menos tempo de clube, Vagner assumiu nossa meta. Com boas campanhas nos últimos anos defendendo o Ituano, onde foi campeão paulista, e o Avaí, o paranaense de 26 anos e bom potencial foi contratado para ser lapidado e se converter no sucessor de Fernando Prass após sua aposentadoria, talvez em 2018. Mas a lesão do titular pegou o camisa 25 de surpresa e seus nervos não reagiram bem à repentina responsabilidade. Com falhas seguidas, foi o responsável por alguns pontos perdidos entre as rodadas 16 e 18. A partida contra a Chapecoense foi decisiva para que o rumo do arco palmeirense fosse mudado.

A titularidade caiu no colo de Jailson, de 35 anos, que havia sido contratado na bacia das almas em outubro de 2014, após uma sequência desesperadora de falhas de Fábio e Deola que pareciam conduzir o Palmeiras ao inferno da série B pela terceira vez. Mesmo sendo pouco utilizado, Jailson foi ficando no clube. Nem mesmo o fato de ser preterido como primeiro reserva o abalou. Realizando o sonho de cumprir um contrato com o clube pelo qual torcia na infância, treinou como se fosse o titular.

E se não tivesse trabalhado forte, talvez não tivesse se saído tão bem. Ao contrário de Vagner, Jailson não tinha uma carreira toda pela frente. Aos 35 anos, sabendo que com a volta de Prass voltará para o banco de reservas (talvez para se aposentar nele), desfrutou da oportunidade que a vida lhe deu. Jogou leve, curtindo cada momento. E brilhou intensamente, a despeito da desconfiança absoluta da torcida.

Não havia palmeirense vivo que confiasse em Jailson, sobretudo nas primeira partidas. Com o time vindo de três resultados ruins e perdendo a liderança para o SCCP e depois para o Santos, o fantasma de 2009 assombrava a todos e não parecia ser nosso terceiro goleiro, que veio da reserva do Ceará, que iria trazer a confiança de volta.

Mas trouxe. Com defesas espetaculares e uma frieza impressionante, Jailson devolveu a serenidade ao restante de sistema defensivo, que passou três jogos rendendo menos que o normal pela preocupação de não poder cometer nenhuma falha, por não confiar no goleiro, visivelmente nervoso.

Seu inesperado carisma inflama a torcida em momentos difíceis das partidas. É difícil explicar a intensidade do alarido vindo das arquibancadas após mais uma de suas defesas.

Sua trajetória profissional foi toda em times pequenos – os clubes mais cotados que defendeu foram Ituano e Juventude, além do Ceará. Isso lhe deu uma característica que não estamos acostumados a ver em goleiros palmeirenses: uma excelência absurda na arte da cera. Além de catar muito, Jailson faz o relógio andar e esfria o ataque adversário com maestria.

Tudo isso foi fundamental para recompor, a partir da rodada 19, o time cascudo que reassumiu a ponta do campeonato e não soltou mais.

Com tudo isso, dada a importância de nosso atual titular na mais que provável conquista deste ano, fica a pergunta: por que raios esse rapaz ficou rodando por times pequenos por tanto tempo?

Talvez os tais deuses do futebol realmente existam e tenham planejado para Jailson este fim de carreira espetacular.



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