POR Conrado Cacace 02/12/2016 - 14h03

Palmeiras dá o pontapé inicial na temporada de 2017

O núcleo da comissão técnica do Palmeiras será completamente dissolvido com a confirmação do pedido de desligamento de Cuca após a última rodada do Brasileirão. Além do treinador, deixam o clube os auxiliares Cuquinha e Eudes Pedro. A diretoria já deu o pontapé inicial na temporada de 2017 e se movimenta para definir o substituto, algo que desapontou Alberto Valentim, que deseja iniciar sua carreira de treinador, e assim também pediu desligamento do clube.

A efetivação de Valentim tinha prós e contras. Seu conhecimento extremo das características do atual elenco e seu afinamento com o departamento de análise de desempenho eram seus maiores trunfos. Por outro lado, sofreria sempre com a desconfiança pelo noviciado. O fantasma de Cuca, que certamente vai assombrar qualquer um que se sente no banco de reservas no próximo ano, seria muito mais presente no caso de Valentim ser promovido; sempre haveria a perspectiva de que ele estaria apenas guardando o lugar para a volta do técnico campeão brasileiro. Pessoalmente, acho que a escolha por virar a página foi acertada e previne muitas turbulências na trajetória.

O profissional com quem a diretoria tem quase tudo acertado é Eduardo Baptista, que teve boas passagens pela Ponte Preta e Sport – e uma não tão feliz no Fluminense. Não se sabe ainda se Alexandre Mattos participou da decisão; em caso afirmativo, é um indicativo de que o gerente de futebol tende a renovar seu vínculo no clube. Caso Mattos deixe o Palmeiras, será mais um golpe a ser absorvido pelo departamento de futebol, que vive profunda reformulação: Paulo Nobre, cujo mandato termina no próximo dia 15, já abriu mão de todo o poder de decisão, deixando Maurício Galiotte completamente à vontade para comandar o processo de ajustes do time para o ano que vem.

A escolha de Eduardo Baptista para ser o técnico em 2017 esbarrou logo de cara, junto à torcida, numa grande resistência – sobretudo dos mais velhos, que não conseguem dissociá-lo da imagem de seu pai, Nelsinho, que teve uma passagem muito infeliz pelo Palmeiras, embora seus resultados não tenham sido ruins. Pesou muito contra Nelsinho o episódio com Evair e mais 3 jogadores, afastados por alegada indisciplina. A forma como saiu do Sport para assumir o Fluminense, no ano passado, também pegou muito mal.

Eduardo parece ter herdado do pai um tom confrontador que não costuma fazer muito sucesso no futebol. Seu trabalho mais contestado, no Fluminense, foi marcado por desavenças com Fred, então “dono do time”. Resta saber se Eduardo poderia ter contornado os problemas com jogo de cintura ou se realmente era o caso de permanecer firme na tentativa de segurar o vestiário. Temos todos que admitir que a tarefa não era fácil. E convenhamos: Cuca também não era nem um pouco quietinho.

No Sport e na Ponte Preta colheu ótimos resultados, levando os times a posições na tabela bem acima do que seus orçamentos sugerem, o que demonstra uma capacidade notável de identificar as qualidades dos atletas e extrair deles seus melhores desempenhos. Tanto em Recife quanto em Campinas conseguiu, mesmo com a limitação técnica dos elencos, montar equipes com equilíbrio entre ataque e defesa.

Iniciar um ciclo com um novo técnico sempre envolve um risco grande. Por mais experiente e capacitado que seja um treinador, há um enorme risco de não conseguir dar liga com o elenco, a tal “química” que Cuca conseguiu tão bem. E o contrário também é verdadeiro: muitas vezes vimos técnicos com capacidade bastante limitada encaixar de forma perfeita num determinado trabalho.

A diretoria do Palmeiras que montou o grupo campeão brasileiro de 2016 já deu mostra que é do ramo, que tem critérios e que eles parecem bem ajustados à realidade. Por outro lado, não sabemos até que ponto esta escolha seguiu o padrão dos processos anteriores, dados o processo de passagem de bastão e a indefinição no posto-chave.

Eduardo Baptista não seria minha primeira opção, nem a segunda, mas estava longe de ser a última; a partir do momento que for realmente anunciado, merece total voto de confiança da torcida. O que não significa que, internamente, não possamos ficar com aquela pulguinha atrás da orelha. Nada mais natural.

O importante neste momento é não tumultuar.

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O que o Internacional está fazendo para tentar permanecer na Série A chegou ao “nível Fluminense” de desprezo. Time grande cai, sim. E sobe na bola.

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Na timeline do Twitter do Verdazzo, foi feita uma enquete para cada jogador, a fim de medir a vontade da torcida quanto à permanência ou saída para 2017. Acesse www.twitter.com/verdazzo, vote e verifique os resultados!



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