POR Conrado Cacace 08/12/2016 - 11h32

Titulares das laterais vão bem, mas setores ainda requerem atenção

Enquanto esperamos pela renovação de Alexandre Mattos e pelo anúncio oficial de Eduardo Baptista, seguimos traçando o panorama geral do elenco que encerrou o ano de 2016, tendo como parâmetro principal o julgamento dos leitores do Verdazzo em enquetes promovidas via Twitter. Hoje é o dia dos laterais.

Jean chegou ao clube no início do ano para reforçar a linha de volantes, que tinha em Gabriel e Arouca a melhor dupla do país e Matheus Sales despontando como revelação. Tinha a vantagem de também atuar na lateral direita, cujo titular indiscutível era Lucas. Mas as fracas atuações do então dono da posição no Paulista e na Libertadores levaram Cuca a efetivar Jean na lateral, liberando o antigo titular para o Cruzeiro. O camisa 17 tomou conta do setor e, com a chegada de Tchê Tchê e a recuperação física de Moisés, foi um dos pilares do time eneacampeão brasileiro. Com indiscutível liderança e autoridade nas bolas paradas, Jean marcou gols importantes e foi o quarto maior artilheiro do ano, atrás apenas de Gabriel Jesus, Alecsandro e Dudu. Não é à toa que, no arredondamento, conseguiu a façanha de atingir 100% de aprovação, com mais de 1600 votos registrados.

Fabiano chegou para a disputa do Brasileiro e permaneceu como alternativa a Jean. Teve sua primeira chance quando o titular sofreu uma lesão muscular leve, contra o América, no primeiro turno. No jogo seguinte, contra o Cruzeiro, foi muito mal e deixou uma péssima impressão na torcida e provavelmente em Cuca, que escalou João Pedro já no jogo seguinte. Foram necessárias 16 partidas até que Fabiano ganhasse nova oportunidade, quando Cuca promoveu uma de suas mudanças táticas no time, usando Jean como volante. Apesar dos protestos da torcida, Fabiano se recuperou, teve boas atuações e se converteu numa boa alternativa na reta final da temporada, sendo recompensado com o gol que será lembrado como o do título. Foram 7 jogos nesta parte final que amenizaram a bronca da torcida e lhe deram 54% de aprovação.

João Pedro, depois de ter se destacado no time ruim de 2014, tinha tudo para deslanchar em 2015, mas perdeu a concorrência para Lucas, que fazia um ano muito bom. Nas poucas oportunidades que teve, mostrou-se inseguro e com problemas na parte defensiva, mas seguia sendo reconhecido, servindo à seleção brasileira sub-20. Em 2016, teve algumas chances no Paulista – na sequência inicial de 4 derrotas de Cuca, jogou em duas delas. Talvez tenha sido a deixa para que Jean fosse efetivado. João Pedro só teve uma oportunidade no Brasileiro, contra o Figueirense, e passou boa parte do segundo turno lesionado. Mesmo assim, segue com 53% de apoio.

A troca por empréstimo com o Cruzeiro, de Fabiano com Lucas, se encerra no dia 31 de dezembro e é pouco provável que o time mineiro queira prorrogar o negócio. Com João Pedro seguindo seu (longo) processo de evolução e diante do fraquíssimo futebol demonstrado em 2016, Lucas não parece ser o cara que vai substituir Jean a contento, seja em lesões/suspensões ou em variações táticas. Será preciso ir ao mercado para repor esta lacuna.

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No lado esquerdo, Zé Roberto segue sendo a referência. Aos 42 anos, o veteraníssimo recebe um acompanhamento especial do departamento de fisiologia e por vezes acaba sendo poupado. Enquanto estiver com disposição para seguir jogando bola e seu corpo suportar as exigências extremas do futebol contemporâneo, tem vaga, apoiado por 95% dos leitores que responderam à enquete.

Nas ausências de Zé Roberto, Egídio tem sido a alternativa. Com bom poder ofensivo, o lateral teve um ótimo aproveitamento em 2015, com muitos passes para gol e por vezes deixando Zé Roberto no banco. Em 2016 não teve um desempenho tão positivo, sobretudo por suas deficiências defensivas e sua irritante mania de fazer quase sempre as escolhas erradas do que fazer com a bola. Mesmo assim, segue com apoio de 73% dos torcedores.

O negócio com o Cruzeiro ainda envolveu Fabrício, trocado por Robinho por dois anos. Com cinco jogos disputados em 2016, o atleta não mostrou condições para ser o reserva imediato nem na lateral, nem na meia, mas como terceira opção, pode contribuir nas duas funções. Sendo assim, ir ao mercado para a lateral esquerda envolve duas decisões: confiar mais um ano na longevidade de Zé Roberto, e conviver com as decisões erráticas de Egídio. Vitor Luís fez um campeonato muito bom no Botafogo e está voltando de empréstimo – talvez não seja suficiente para ser o titular absoluto, mas provavelmente não vai fazer feio. São todas decisões que precisam ser tomadas o mais rápido possível.

Diante de tudo isso, parece ser uma boa ideia Zé Roberto seguir sendo o titular, com Vitor Luís sendo o reserva imediato e Fabrício como opção. Também parece ser interessante manter um lateral esquerdo de nível de seleção no radar, sob conversas, para chegar ao grupo assim que o veterano der sinais que não vai mais corresponder - se é que isso vai acontecer algum dia.

Amanhã daremos sequência ao trabalho falando sobre os zagueiros.

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