POR Conrado Cacace 12/12/2016 - 09h50

No ataque do Palmeiras, as pontas estão ok. Mas e o NOVE?

O Verdazzo encerra com o setor de ataque a análise do elenco do Verdão que terminou o ano, balizado pelas enquetes respondidas pelos leitores do site através do Twitter. Com a saída de Gabriel Jesus, temos ainda oito atletas para serem discutidos quanto à permanência ou não para o ano que vem.

Um dos jogadores mais completos deste elenco, destaque do Brasileirão, é Dudu. Passou de bomba-relógio a unanimidade graças ao trabalho de Cuca, que identificou que o atleta precisava de uma dose de confiança. Uma boa conversa e a providencial braçadeira de capitão fizeram toda a diferença; Dudu voltou a marcar gols e, mais importante do que isso, focou em tornar-se mais útil para o time, acompanhando o lateral adversário, jogando de cabeça erguida, distribuindo o jogo quando necessário e sendo uma espetacular válvula de escape pelos lados do campo. Foi o líder de assistências do campeonato e como prêmio por tudo isso ergueu a taça. Tem 99% de apoio dos leitores.

Do outro lado do campo quem apareceu mais foi Roger Guedes. Contratado junto ao Criciúma logo após a chegada de Cuca, o menino rapidamente conquistou a confiança do treinador e chegou a ter um momento de brilho intenso, na metade do primeiro turno – houve até quem acreditasse que quem acabaria vendido por uma fortuna para o exterior seria o alemãozinho que jogava pelo lado direito. Roger Guedes, de apenas 19 anos teve que lidar com o assédio fora de campo, oscilou e terminou o campeonato de forma discreta – mas segue com apoio maciço dos torcedores: tem 93% de aprovação.

Talvez Roger Guedes tenha permanecido por tanto tempo no time porque os substitutos não engrenaram. Pelos lados do campo, seus concorrentes foram Rafael Marques e Erik – ou Gabriel Jesus, quando Cuca optou por puxá-lo para a beirada para jogar com um centroavante de ofício. Mas quando o camisa 33 permaneceu como referência para o ataque, centralizado, a concorrência não incomodou. Rafael Marques e Erik não deram liga no esquema de Cuca, embora constantemente acionados como alternativas de jogo. Rafa Marques jogou 19 vezes no Brasileiro e marcou um gol, mas tem apenas 24% de apoio. Erik participou de 15 partidas, marcou 3 gols e custou muito caro. Com 4 anos de contrato ainda pela frente, talvez seja pelo valor do investimento que 75% dos torcedores ainda querem insistir no atacante vindo do Goiás.

Remanescentes do ano passado, Barrios e Alecsandro tiveram problemas distintos nesta trajetória: o primeiro viveu às turras com lesões – foram cinco durante o ano, o que o deixou fora de combate por 23 partidas, fora as convocações para a seleção do Paraguai. Bancado pela Crefisa, o experiente atacante, que é muito bom de bola, não está com prestígio junto ao torcedor: apenas 27% gostariam de sua permanência.

Já Alecsandro foi vítima de uma farsa inacreditável do TJD-SP, que o suspendeu covardemente por um doping que depois foi comprovado ser falso. Foram 16 partidas de fora, e se a punição de DOIS ANOS não tivesse sido revertida, o atacante poderia até ter encerrado a carreira. Alecsandro retornou ao time, mostrou-se útil e terminou a temporada como vice-artilheiro do Palmeiras com 12 gols. Extremamente profissional, poderia ter mais que o reconhecimento de 63% da torcida.

Os problemas dos dois principais centroavantes e o desejo de Cuca em contar com Gabriel Jesus mais aberto como variação tática fez com que a diretoria buscasse outra opção para o setor no meio do campeonato. Assim, Leandro Pereira retornou da Bélgica após uma temporada muito fraca. Mesmo sem ser o preferido de Cuca, ganhou algumas oportunidades, fez dois gols, mas não foi nem sombra do matador da Chapecoense de 2014. Encerrou a temporada fazendo um jogo bastante interessante em Salvador, mostrando que, bem encaixado no esquema, pode dar um bom caldo. No entanto, a enquete, realizada antes desse jogo, confere ao atacante apenas 24% de apoio.

A partida em Salvador contou ainda com uma estreia inesperada: o menino Artur, do sub-20, ganhou de presente de Cuca o título de Campeão Brasileiro no currículo, para começar bem a carreira. Ponta clássico, é mais uma aposta vinda das nossas renovadas categorias de base.

Para 2017, o time já está acertado com Keno, ponta esquerda que jogou um excelente campeonato pelo Santa Cruz. Como Dudu iniciará o ano como titular absoluto, teremos uma boa briga pelo outro lado, com Roger Guedes e Erik tentando se firmar, brigando com o novo contratado. Quem parece ter poucas chances é Rafael Marques, embora seu contrato vá até o fim do ano que vem. O miolo é o que ainda preocupa; é inegável que a maior carência do elenco neste momento é um camisa 9 de respeito – sem dúvida, pelo menos um dos três centroavantes deixará o clube.

É importante lembrar que todos estes desempenhos foram medidos num time montado por Cuca – e em 2017 estaremos sob a orientação de um novo comandante. Quem deu errado pode dar certo, e vice-versa. O encaixe, a química conseguida pelo treinador em seus modelos de jogo determinará quem serve e quem não serve – o problema é que a definição do elenco vem antes do início do desenvolvimento do sistema. Temos um potencial muito interessante para 2017, mas nenhuma garantia. Que os atletas aproveitem bem suas férias enquanto nós, torcedores, já estamos ansiosos pelas definições que nos chegarão pelo noticiário nos próximos dias.

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