POR Conrado Cacace 06/01/2017 - 11h04

​Parmerista!/Verdazzo!, 10 anos - PARTE I

No dia 1 de janeiro, o Verdazzo! completou 10 anos de atividade, incluindo o período em que o site ainda se chamava Parmerista!

Para marcar a data, preparei um material que pretende, resumidamente, contar toda essa história, rica em episódios intensos, tanto para a euforia das conquistas quanto para a tristeza das tragédias.

A narrativa vai percorrer as trajetórias do(s) site(s) e do Palmeiras, que acabam se confundindo em certos momentos.

Diante do volume do material, o conteúdo foi dividido em cinco partes a serem publicadas diariamente a partir de hoje. Espero que gostem!

PARTE I

1. O início (2007)

No dia 1 de janeiro de 2007, despretensiosamente, comecei um bloguinho. Na verdade, a ideia era aproveitar a evolução da tecnologia para finalmente exercitar uma de minhas maiores diversões: escrever. A popularização das plataformas de blogs fez com que as comunidades do Orkut ganhassem concorrência para quem quisesse escrever seus textos, textinhos e textões sobre qualquer coisa, com a vantagem de serem bem menos infantilizadas.

Faltava só um tema. E foi aí que a paixão maior falou alto: aproveitando a condição de sócio do clube, nasceu o blog Parmerista!, sobre a plataforma Blogger, enquanto o Palmeiras montava um novo time depois de quase ser rebaixado em 2006.

Affonso Della Monica terminava seu primeiro mandato, dois anos após ser eleito com o apoio de Mustafá Contursi. Descontente com a forma como a política era conduzida, costurou um acordo com a oposição à revelia de seu padrinho político. A contagem virtual de votos apontava uma reeleição sem sustos, afastando Mustafá do poder no executivo.

A “futura nova diretoria de futebol”, capitaneada por Gilberto Cipullo, agia antes mesmo de assumir formalmente as funções. Contratou Caio Junior e meio time do Paraná, que ainda era um clube de respeito no cenário nacional. Eles se juntaram a Marcos, Edmundo e Valdivia e quase chegaram à Libertadores do ano seguinte. A primeira grande cobertura do site, no entanto, foi a confirmação da reeleição de Della Monica, ainda em janeiro, com apenas 3 semanas de existência. E a primeira grande comemoração foi o rebaixamento do SCCP.

Neste período, o site teve o importante apoio da Adidas, que forneceu material para premiação de uma das mais bem sucedidas promoções desta trajetória: os “PARPITES”.

2. O primeiro título (2008)

O ano de 2008 foi marcado pela parceria do clube com a Traffic e pelo primeiro título do século: o Paulistão, sob a batuta de Valdivia, jogando uma enormidade e sendo muito profissional. A seu lado, um timaço com Marcos, Henrique, Pierre, Kleber, Alex Mineiro e Diego Souza, cuja contratação, em dezembro de 2007, foi o primeiro grande furo do Verdazzo! em cima da imprensa.

No meio do ano ajudei a fundar o grupo político Fanfulla. Através do blog, muitos palmeirenses passavam a conhecer mais sobre os bastidores do clube e seus meandros políticos, e algumas dezenas de leitores sentiram-se estimulados a se tornarem sócios – e membros do Fanfulla, que crescia exponencialmente.

O time quase chegou à conquista do Brasileiro, mas perdeu força na reta final junto com o treinador, Vanderlei Luxemburgo. Tivemos que nos contentar com a vaga na Libertadores, mas a conquista do Paulistão foi muito saborosa e o saldo, positivo.

3. O primeiro grande baque (2009)

Em 2009 o time ficou mais forte ainda sob a presidência de Luiz Gonzaga Belluzzo – a segunda cobertura de eleição feita pelo blog, em que fui até “convidado a me retirar” do clube por pressão de conselheiros ligados a Mustafá Contursi, que apoiava o candidato Roberto Frizzo.

O Verdão foi para a disputa da Libertadores com reais chances de vencer. A classificação na primeira fase, heroica, com aquele gol do Cleiton Xavier no Chile, foi um dos pontos altos da trajetória do time e do Parmerista!. Mas uma má partida contra o Nacional em casa tornou a classificação, a ser tentada em Montevideo, mais difícil. A trave não nos permitiu o gol que manteria o sonho vivo e amargamos mais uma desclassificação, que foi seguida pela venda do controverso Keirrison e da demissão de Luxemburgo, então bastante focado em animadas disputas de pôquer madrugadas adentro.

Depois deste fracasso, o time voltou as atenções para o Brasileiro, e mais investimentos foram feitos, desta vez na manutenção do elenco que administrava uma razoável frente na liderança do campeonato e na contratação de Muricy Ramalho e Vagner Love. Mas uma série absurda de eventos que envolveram lesões importantes (Pierre e Cleiton Xavier), um roubo inacreditável (Carlos Simon, no Maracanã, para salvar o Fluminense do rebaixamento) e até uma briga em campo entre nossos jogadores, que rendeu duas expulsões (Maurício e Obina, no Olímpico) tiraram o título do Palmeiras.

Após o jogo contra o Fluminense, ainda na Dutra, no caminho de volta à capital paulista, uma enorme depressão futebolística me consumiu. Desiludido com o jogo de cartas marcadas que comanda o futebol, decidi encerrar as atividades do blog, e os jogos finais daquela temporada não tiveram cobertura – mesmo aquele contra o Atlético-MG, em que Diego Souza fez um golaço do meio do campo. Sequer fui ao Palestra. Sentindo-me um idiota – e estendendo a condição a todos os torcedores de futebol do mundo – tolamente achei que minha vida faria mais sentido sem ter o Palmeiras tão intensamente em meu dia-a-dia.

Foi quando minha caixa postal foi inundada por mensagens muito especiais, algumas realmente tocantes. Centenas de pedidos para voltar a postar, de gente de todos os cantos do país e do mundo. Os números de audiência já eram bastante expressivos, mas só depois desta experiência compreendi a dimensão que o trabalho tinha tomado. Um leitor que depois veio a se tornar um grande amigo teve então a ideia de fundir o trabalho do Parmerista! com o de outro notório personagem palmeirense na internet: Cesar Morelli, o Periquito Verde, que mantinha um blog de tiradas e sacadas humorísticas.

Os estilos se complementariam em harmonia. A chance de participar de um projeto com mais potencial ainda apenas catalisou a recaída: venceu a enorme vontade de voltar a escrever sobre uma paixão incontrolável, mesmo ciente de todo o jogo de cartas marcadas e da sujeira que envolve o futebol. Até hoje tento achar uma explicação racional para este sentimento – mas sem nenhuma vontade de descobrir a resposta. Concluí que, no fundo, sou mais feliz sendo um “corno manso” do futebol.

***

Amanhã, seguiremos com a trajetória com a PARTE II, englobando os anos de 2010, 2011 e 2012.

PARMERISTA/VERDAZZO!, 10 anos
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