POR Conrado Cacace 08/01/2017 - 11h37

​Parmerista!/Verdazzo!, 10 anos - PARTE III

Chegamos à terceira parte da série que conta estes dez anos de atividade. Hoje, abordaremos os anos de 2013, e 2014.

PARTE III

7. “Chapa branca” (2013)

Por estar bastante envolvido no processo eleitoral, a cobertura da eleição de Paulo Nobre não foi feita como nos anos anteriores. A gestão começou de forma tumultuada. Ainda sob os efeitos da eleição mais tensa da História do clube, a negociação de Barcos com o Grêmio deflagrou uma onda de rejeição dentro do clube maior ainda à gestão e, por extensão, ao Verdazzo! , visto como uma espécie de cúmplice. Isto porque sites mantidos por partidários da oposição tachavam o site de “chapa branca” – expressão que designa quem faz apologia incondicional a um governo. A maioria esmagadora dos leitores, no entanto, se manteve leal ao Verdazzo!, afinal, já havia um sólido trabalho desenvolvido por mais de seis anos.

Um episódio bizarro aconteceu naquele outono: fui vítima de uma armadilha no clube; acabei suspenso pela sindicância por reagir ao achaque de dois conselheiros oposicionistas quando passeava com minha filha, então com cinco anos. O voto decisivo pela suspensão foi de um diretor da Comissão de Sindicância, que se dizia meu amigo, mas que preferiu se manter leal ao padrinho político – exatamente um dos conselheiros que me achacou. Uma enorme decepção, que praticamente selou a decisão de deixar o quadro de sócios do clube, concretizada alguns meses depois.

Naquele ano, o Verdazzo! embarcou numa aventura tecnológica, ao tentar implementar uma plataforma própria com a proposta de gamificar o site. O projeto, no entanto, foi subdimensionado. A falta de recursos para manter uma estrutura tão ambiciosa fez com que o a execução tivesse uma série de problemas, sobretudo de adaptação aos dispositivos mobile, cada vez mais populares.

Em campo, sob o comando de Gilson Kleina, o Palmeiras fez o básico: venceu a Série B com folga e chegou ao mata-mata da Libertadores, sendo superado pelo Tijuana num frangaço de Bruno. Jamais conquistaríamos aquele campeonato, de qualquer forma, com ou sem o frango. 2013 foi marcado também pelo início de uma revolução dentro do clube, de cunho administrativo, invisível aos olhos do público. O trabalho informativo do Verdazzo!, inevitavelmente elogioso a esta atuação fora das quatro linhas seguia implacavelmente perseguido pela oposição. Por isso, decidi deixar o Fanfulla a fim de não prejudicar a atuação do grupo.

8. Enverga, mas não quebra (2014)

De volta à elite do futebol, o Palmeiras ensaiou montar um time forte para as disputas de 2014, na reta final da construção do Allianz Parque. A espinha dorsal da equipe era formada por Fernando Prass, Lúcio, Henrique, Wesley, Valdivia e Alan Kardec – jogadores de qualidade indiscutível, mas que não conseguiram se tornar um time pelos erros de Kleina à beira do campo e de Paulo Nobre fora dele: as intransigências nas negociações com Henrique e Alan Kardec fizeram com que os dois atletas deixassem o clube, minando a base técnica.

Paulo Nobre já estava rompido com as organizadas havia mais de um ano, mas deu um passo maior ainda nessa direção ao decidir tirar da bilheteria física os ingressos para um jogo na Vila Belmiro, válido pelo turno do Paulistão. Visando valorizar o Avanti, apenas os associados com maior rating teriam acesso aos bilhetes para acompanhar o jogo. O posto do Avanti que realizava a revenda foi então invadido e boa parte da carga de cerca de 700 ingressos que estava à disposição desses associados foram roubados. Eu já havia retirado o meu.

Durante a semana, o Verdazzo! havia criticado a postura de Paulo Nobre e condenado o alijamento da organizada do jogo, por entender que num território hostil como o estádio de Santos a presença de uma organizada é fundamental em todos os aspectos. Mesmo assim, diante da covarde associação promovida pelos oposicionistas, talvez não fosse prudente aparecer num ambiente totalmente contrário a Paulo Nobre. Bem, tente falar de prudência a um torcedor que passa por cima de todos os aspectos racionais em nome da paixão pelo clube num momento de afunilamento do campeonato.

Confiante, não quis acreditar que correria riscos reais dentro de nossa própria torcida. Subestimei as tensões e, encarnando involuntariamente a imagem de Paulo Nobre no meio de seus inimigos, acabei sendo emboscado na saída do jogo por cinco bandidos, pelas costas. Além das agressões, fui roubado. A recuperação física demorou algumas semanas. Mas o golpe moral foi mais forte ainda.

Ainda tento entender como fiz o pós-jogo da partida seguinte, contra o Bragantino, pelas quartas-de-finais, ainda no quarto do hospital. A decepção de ter sido alvo de nossa própria “torcida” mesmo em território inimigo doía muito mais que as lesões físicas. E tudo isso brigava com a velha paixão pelo Palmeiras e pela atividade do blog – que no fim das contas, sempre fala mais alto. Ainda do hospital, fiz também o pós-jogo da eliminação para o Ituano, em grande partida do goleiro Vagner.

Nas mãos de Ricardo Gareca e depois de Dorival Júnior, o Palmeiras foi muito mal no Brasileirão e nem a inauguração do Allianz Parque deu qualidade àquele time, que se salvou na bacia das almas, na última rodada, graças à incompetência do Vitória. O moral de Paulo Nobre, o grande responsável pelo retumbante fracasso dentro de campo, era nulo perante à torcida, mas a reconstrução administrativo-financeira do clube, invisível, seguia muito bem. Diante da concorrência – Nobre partiu para a reeleição contra a patética candidatura de Wlademir Pescarmona – o Verdazzo! seguiu o apoiando, com severas restrições à gestão do futebol.

Durante todo o ano, a plataforma customizada do site seguia apresentando problemas e uma nova tentativa de reestruturação foi iniciada, visando adaptação aos dispositivos mobile mantendo todos os features de gamificação idealizados dois anos antes – e incorrendo em mais custos. Ainda em 2014, aceitei o convite para participar do projeto ESPN FC – em princípio, de forma paralela ao Verdazzo!; assim nasceu o blog Resistência 1942.

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Amanhã, seguiremos a trajetória com a PARTE IV, que vai relembrar o ano de 2015.

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