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A comédia Carlos Alberto
8 de janeiro de 2012 por @parmerista
Segundo informações vindas do clube no início da tarde do domingo, houve uma reviravolta no caso Carlos Alberto. O jogador, que até já havia feito exames médicos, não deve mais vestir a camisa do Palmeiras. Segundo Arnaldo Tirone, “não houve acordo entre as partes”.
A negociação com o polêmico jogador teve início após uma conversa informal entre o diretor das categorias de base, Jair Jussio, e um amigo, o pastor Gilson da Igreja Bola de Neve, amigo do jogador. Jussio levou a sugestão a Roberto Frizzo, que gostou, e foi atrás do agente do jogador.
À imprensa, Frizzo não apenas revelou como o interesse do clube pelo atleta começou, como enfatizou que, para ter certeza que o negócio era bom, ligou para seu filho, Bruno, diretor de marketing do clube. Como Bruno “vibrou”, Frizzo pai não teve dúvidas em tocar a negociação. Felipão sequer foi avisado, quanto mais consultado.
Desde que toda a imprensa passou a dar como certa a contratação, assim como no caso Richarlyson, os telefones e caixas de e-mails de Frizzo e Tirone foram bombardeados por conselheiros, associados do clube e torcedores, inconformados com o nível dos reforços para o elenco em 2012. Segundo os boatos, o jogador viria sem custo, e com um contrato de risco – formato correto diante do perfil do atleta. Mesmo assim, a torcida, que prefere não ter outro jogador com esse perfil atormentando o ambiente da Academia, não aliviou na cornetagem.
Carlos Alberto é um jogador tecnicamente magnífico – e acabam aí suas qualidades. De temperamento difícil, tem uma tendência crônica a conturbar os ambientes por onde passa. Depois de uma trajetória que contabiliza seis clubes de camisa importante, além do Porto, onde conquistou a Champions League, sua carreira enfim chegou ao declínio, com a passagem pelo Bahia. A tendência agora é jogar em clubes como Atlético-PR, Sport, Goiás, e daí para baixo. Deve fazer cerca de 20 jogos por ano até encerrar a carreira com 32 anos. Uma contratação pelo Palmeiras seria algo fora de lugar em sua trajetória, e a chance de dar errado era de 99%. Ainda bem que melou – embora, se viesse, fosse merecedor de nosso apoio, pelo menos até o momento em que provasse o contrário.
O que mais assusta nessa história toda é como as decisões estão sendo tomadas no clube. Não há crime em se contratar jogador vindo de uma indicação de um amigo do diretor da base, desde que seja uma revelação, um jogador até então obscuro. Não era necessária indicação de um jogador notório como Carlos Alberto. Atletas de 27 anos obrigatoriamente devem estar num mapa do mercado, e devidamente classificados dentro da linha de prioridades do clube. A inexistência de qualquer metodologia de contratação fica mais do que evidente depois do episódio.
Tão alarmante quanto isso é a forma como o negócio, de praticamente fechado, repentinamente foi desfeito. A justificativa de “falta de acordo” não faz sentido, já que o jogador chegou a fazer exames médicos. Tudo leva a crer que B1 e B2 recuaram mais uma vez diante da pressão dos torcedores, o que seria pior que o próprio erro no processo de escolha do atleta a ser contratado. O menos vexatório dos cenários seria que a reversão do processo tenha sido resultado de uma pressão contrária de Felipão. O treinador chegou a dar entrevistas dizendo que pretendia recuperar o jogador – mas nada garante que nos bastidores ele não estivesse fazendo o impossível para reverter o negócio.
A comédia Carlos Alberto, que durou ao todo quatro dias, é mais um triste episódio na gestão de Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo. Será que é tão impossível assim deixar chegar na imprensa uma negociação apenas quando o contrato estiver assinado? Será que é tão impossível assim conseguir montar um elenco digno de representar o Palmeiras? Será que é tão impossível não enlouquecer e não envergonhar mais a torcida?
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
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