A repressão está de volta?
28 de novembro de 2011 por @parmerista
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A jovem oposição do Palmeiras continua se mostrando bastante atuante após a grande manifestação de 24 de outubro. No último sábado foi feito um grande protesto a favor das eleições diretas nas dependências do clube. Os sócios carregaram faixas por todos os cantos que não se encontram em obras, e receberam sonoro apoio da maioria absoluta dos associados – inclusive aqueles já com idade um pouco mais avançada. Um dos comentários mais ouvidos era “pois é, já passou o tempo desse pessoal que está aí”… Surpreendente!
Seguranças do clube foram acionados para coibir a manifestação. Sem truculência, solicitaram que as faixas, que não eram indecorosas nem desrespeitosas contra ninguém, fossem recolhidas. Era nítida a situação de desconforto dos funcionários, que deixavam claro que só estavam fazendo aquilo por temerem por seus empregos. Os manifestantes, na base do diálogo, conseguiram manter o plano de serem vistos por todo o clube para só então enrolarem as faixas, que em hipótese alguma ferem qualquer artigo do estatuto.
A repercussão foi grande. No domingo, dia da semana que os situacionistas ainda conseguem circular pelo clube sem serem hostilizados pela imensa maioria, muitos conselheiros se mostravam indignados com as faixas. O conselheiro Eugênio Reynaldo Palazzi, diretor da sindicância, chegou a dizer a altos brados que “dez palhaços” ousaram carregar as faixas e que tinham que ser expulsos do clube. Associados que participaram do manifesto ouviram a bravata e foram tirar satisfação, e teve início um grande bate-boca.
O presidente Tirone entrou na conversa, e entre muitas cobranças e acusações, defendeu os maus resultados de sua gestão até agora dizendo que é culpa da gestão passada que deixou o clube numa situação muito ruim. Pressionado, quis saber quem andou espalhando adesivos pelo clube caracterizando-o como banana, referindo-se a um episódio que ocorreu há várias semanas. E desafiou: “Estão falando que eu sou um banana? Vou mostrar a banana aqui no meio das minhas pernas”.
O cenário, como os leitores podem perceber, é abaixo da crítica. Diretores, ao serem criticados, ameaçam com sanções disciplinares. O presidente mostra absoluto despreparo, tanto nas atitudes, quanto nas declarações.
O movimento jovem de oposição vai tomando forma definitiva e está cada vez mais forte. Os associados vão se rendendo a essa condição e cada vez mais mostram apoio à causa. Há uma luz no fim do túnel. Entretanto, neste momento, diante das ameaças do conselheiro Palazzi de ressuscitar os métodos repressores tão vistos na época de Mustafá Contursi, essa luz está um tanto quanto encoberta. Vamos aguardar se realmente será aberta a sindicância contra os valorosos oposicionistas, que não fizeram nada a não ser exercer legitimamente o sagrado direito de emitir uma opinião.


E-mail: conrado@verdazzo.com.br



