Cadê os R$600 mil?
2 de janeiro de 2012 por @parmerista
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Há cerca de três semanas, veio à tona o incrível caso da multa do Ewerthon. O Palmeiras, por simplesmente ter esquecido de pagar as parcelas da rescisão, teve que arcar com mais R$600 mil a serem pagos ao jogador.
Por mais que as cifras que envolvam um clube de futebol sejam sempre grandes, não dá para dizer que R$ 600 mil sejam um valor irrisório que acaba esquecido no meio de tantas operações, como se fosse a conta do gás – o que já seria uma tremenda incompetência de qualquer forma.
Imagine que você é um ex-jogador em atividade, está na sua casa de praia descansando, e de repente toca seu celular. Do outro lado da linha, alguém lhe diz: “olha, eu sei de um jeito que você pode ganhar R$600 mil, dentro da lei, é só você me dar uma parte e ficar calado“. Se foi isso o que realmente aconteceu, ninguém sabe, mas não dá para descartar a hipótese.
O caso tem que ser investigado com rigor, mas parece que a diretoria do clube, estranhamente, se resignou com a perda e vai varrer a sujeira pra baixo do tapete. A mesma diretoria que criou caso por causa de diária de nutricionista no hotel, que cortou o toner colorido nas impressoras, que demitiu profissionais competentes, sempre sob a justificativa de cortar gastos – ou migalhas. Se somarmos todas essas “economias” não se chega a esses R$600 mil.
Há duas semanas o grupo Fanfulla promoveu uma confraternização de fim de ano, como é tradicional, na Academia de Futebol. Já quase no fim, depois que vários associados já tinham deixado o local, Tirone chegou para prestigiar o evento. Além de ter sido cobrado severamente durante cerca de uma hora e meia sobre diversos assuntos, desde contratação de atletas, passando por gestão, marketing, política, bastidores, e tudo o mais que os leitores possam imaginar, foi questionado sobre esse caso. Sua resposta foi preocupante.
- O Piraci [de Oliveira] perdeu nessa, mas já ganhou bastante em outros assuntos. O saldo é positivo.
Isso foi dito na frente de cerca de 50 associados. De maneira inacreditável, o presidente do clube justificou a queima de seiscentos mil reais com outros supostos ganhos para o clube por parte do departamento jurídico. Claro, gerou muita indignação, e mais cobranças. Tirone manteve-se minimizando o caso.
A responsabilidade pelo rombo tem que ser apurada e punida em todas as esferas. E o próprio Tirone, voluntariamente ou não, já se encarregou de revelar o departamento onde o imbroglio começou: o jurídico, comandado por Piraci de Oliveira. Só falta formalizar a investigação: deve apurar-se se houve má-fé em algum ponto do trajeto ou se foi “apenas incompetência”. Em ambos os casos, não é necessário esperar nada para afastar o diretor jurídico do cargo. Tá esperando o que, presidente?
E-mail: conrado@verdazzo.com.br


