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Motivação
8 de novembro de 2011 por @parmerista
A sensação é de total impotência. Os jogadores chegam à Academia totalmente desmotivados. Não estão satisfeitos com o que está acontecendo, mas também não têm a menor ideia de como sair da situação. Em campo, não conseguem nem lembrar um time de futebol profissional – muito menos um time grande, candidato a títulos. A trajetória recente os remete a uma série de acontecimentos lamentáveis, que conduziram o grupo a esse estágio. As feridas ainda estão abertas e os efeitos são devastadores.
O Palmeiras parece preso a um tanque de água que está enchendo. O time empacou no 41 e nada indica que, dos quinze que ainda há por disputar, vá ganhar um mísero pontinho que seja. Parece que só o que resta é rezar para que a água pare de subir antes do pior – ou seja, que pelo menos quatro times não cheguem nessa conta dos 41 – porque se chegarem, nos ultrapassarão pelo número de vitórias.
Depender apenas da desgraça alheia é desesperador – e além disso, não combina com o DNA do palmeirense. Somos um clube que faz seu próprio destino, sempre foi assim. Infelizmente, nas mãos dos atuais comandantes, a gloriosa Sociedade Esportiva Palmeiras perdeu até a capacidade de definir seus próprios rumos. A torcida não dorme direito, tudo por culpa desses senhores – e daqueles que os colocaram lá.
OK. Não é momento de ficar apontando dedos, e sim de encontrar soluções. Temos um elenco desmantelado, um técnico top que de forma incrível perdeu o comando técnico do time, e temos ainda cinco rodadas pela frente, todas dificílimas, onde apenas três pontos, que a esta altura parecem o Himalaia, garantem a sobrevivência. Como reverter?
Não há dúvida que a solução passa por um choque motivacional. É preciso um fato novo, algo que façam esses jogadores voltarem a acreditar que são capazes de vencer um jogo. A auto-estima dos jogadores está no chão, e os líderes naturais do elenco não parecem ter ascendência suficiente sobre os mais novos para reverter o quadro. A maioria deles é composta por meninos muito novos, abaixo dos 25 anos. E diante da atual fase, o que mais ouvem é que não prestam pra nada, que são incompetentes – o que muitas vezes é verdade – e pior, que são vagabundos e que não servem para o Palmeiras. De onde eles vão tirar força e vontade para mudar a situação?
César Sampaio, o novo gerente de futebol, por ter acabado de chegar, não tem moral com o grupo. Quase tudo do que disser vai entrar por um ouvido e sair por outro. Tem que ser Felipão. É ele quem tem que achar uma fórmula para reunir esses atletas em torno do objetivo, e livrar o Palmeiras da desgraça. Uma palestra bem encaixada, com as palavras certas, num clima mesmo que acidentalmente favorável, podem resolver.
Além de Felipão, no vestiário, a diretoria tem que agir nos bastidores. Toda a pressão possível tem que ser feita para que as arbitragens, no mínimo, não nos roubem. Premiação, caprichada. Nenhum detalhe pode faltar.
Mas nada disso vai adiantar se algo não for feito algo que atinja em cheio a cabeça dos jogadores e os motive. Não sendo especialista, tudo o que venha a ser sugerido aqui é mero palpite: poder-se-ia criar um factóide, uma causa nobre como o filho do vizinho do roupeiro que está internado em estado terminal e não quer ver o time cair. Ou quem sabe marcar um jogo-treino com o Juventus na Javari, para que eles finalmente voltem a vencer e voltem a acreditar que são capazes. Ou qualquer coisa menos estúpida que isso, mas que enfim, unisse os caras e os trouxessem de volta.
É realmente lamentável que as coisas tenham chegado a esse ponto. É inadmissível que atletas muito bem pagos, que têm a honra de vestir a gloriosa camisa do Palmeiras, precisem de artifícios para que tenham ânimo para entrar em campo e ganhar um único jogo em cinco que há pela frente. Enfim, é o que tem pra hoje.
Melhor focar em resolver. Depois, seja qual for o resultado, identificamos os erros e apontamos os dedos para os irresponsáveis, para que isso nunca mais aconteça de novo. Há que se trabalhar. Jogadores, comissão técnica e diretoria, todos juntos.
Agora, querem saber do pior?
Sabem o que foi feito ontem, segunda-feira, para já começar a reverter a situação?
Nada.
E-mail: conrado@verdazzo.com.br
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