Partidazzo: Sport 1(1)x(3)0 Palmeiras (2009)
25 de fevereiro de 2012 por @parmerista
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Partidazzo de Marisa Aziliero
Escolher uma partida inesquecível para falar é difícil, existem tantas e tantas, que nos orgulham a cada dia mais torcer por esse time. Eu poderia falar da partida que consagrou nosso Santo, o qual é o meu maior ídolo, ou aquela final de libertadores de 99, a copa do Brasil daqueles 4×2 pra cima do Flamengo, ou até mesmo o mais recente 3×0 em cima do vitória pela sul-americana de 2010, ou ainda os jogos que eu presenciei em estádio mesmo não tendo algo mágico, épico, só o fato de estar presente.
Mas, pra mim essa partida do dia 12 de maio de 2009, pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América, tem um gostinho especial.
Era de manhã, o jogo não seria transmitido em canal aberto, foi uma correria ligando para todos os lugares da cidade para conseguir reservar um lugar para a hora do jogo, ligando para mais 4 ou 5 amigos, para ir junto como futuramente iríamos fazer na classificação na sul-americana em 2010.
A ansiedade e o nervosismo eram grandes, se não bastasse, todos nos declaravam como eliminados, e as horas, ah, elas não passavam.
Uma hora antes do jogo, os moleques passaram aqui, e a gente foi para o restaurante que iria passar o jogo. Com camisa vestida, bandeiras nas mãos, cada um com suas manias, mas todos com a mesma esperança. Chegando lá, éramos acostumados a pegar os lugares mais próximos da TV, porém já estavam lotados, o que nos sobrou um lugar aos fundos, de onde era horrível para ver o jogo. Poucos minutos antes do jogo começar, o dono resolveu colocar um telão, parece que ele já adivinhava o que iria acontecer, e queria garantir que todos vissem bem, aquela partida.
Começa o jogo, e o primeiro tempo inteiro só deu Sport, o nervosismo aumentava, cada vez que eles se aproximavam do gol, dava medo, e o Palmeiras, para piorar, estava todo recuado. Terminado o primeiro tempo, notava-se o nervosismo presente ali no restaurante, e a ansiedade para ver o que aconteceria, até mesmo por quem não era palmeirense. Na nossa mesa, tinha gente orando, beijando escudo, impaciente, xingando, de todos os jeitos que se pode imaginar, menos calma. Eu permanecia sentada na cadeira, com os olhos focando o telão que estava bem a nossa frente, ao lado melhor dizendo, se alguém falou comigo, eu não escutei, a única coisa que eu queria escutar era o jogo, e o gol.
Depois de uma eternidade que aqueles 15 minutos de intervalo representaram, começou o segundo tempo. O Palmeiras voltou melhor, ou será que foi o Sport que voltou pior?, enfim.. o Palmeiras conseguiu controlar melhor o jogo, porém, se não fosse aquele eterno camisa 12 no gol, novamente teríamos levado uma bela de uma goleada já. Mais uma vez, Marcos, jogou por ele e pelos outros.
Luxemburgo resolve fazer mudanças no time, tira Keirrison e Diego Souza e coloca Willians e Ortigoza para dar velocidade ao time, até que não parecia ser uma má ideia. Tudo permanecia normal, até a saída de Souza para entrar o experiente volante que veio da Russia, Mozart, mas que foi juvenil ao cometer uma falta dura e desnecessária e levar um amarelo logo na primeira vez que pegara na bola.
Aí, o Sport começou a melhorar em campo, foi chegando, foi apertando, foi criando, até que aos 36 minutos, Luciano Henrique passou como quis pela esquerda e deu para Wilson abrir o placar. 1×0 para o Sport.
O nervosismo, que já era grande, tornou-se maior, ainda mais quando ao 48 minutos, Ciro acertou a bola na trave. Acabou o segundo
tempo, a partida iria para os pênaltis. O Palmeiras não tinha Diego Souza, Keirrison, e Lenny, os cobradores que fizeram gols em 2009, e Mozart bateu para a defesa do Magrão.
Mas se do lado de lá, eles tinham um grande Magrão para defendê-los, aqui, a rima é uma solução. É de seleção. É a salvação. Luciano Henrique bateu mal, e a bola não entrou. Igor empatou, Danilo bateu rasteiro e virou o placar, 2×1, do mesmo modo que há dez anos atrás o Palmeiras havia virado a decisão contra o Deportivo Cali.
Fumagalli desperdiçou mais um para o Sport, Armero mandou no ângulo direito, na melhor cobrança da série. 3×1 Palmeiras. O Sport não poderia perder, tinha que fazer o gol. Tensão dos dois lados, no restaurante o povo da nossa mesa estava ajoelhado em frente ao telão, todos falavam VAI QUE É TUA MARCOS, o silêncio surgiu, estavam todos confiantes, e tinham razão. Quando se tem uma muralha, santificada, a seu favor, não há muito o que temer. Dutra era o escolhido da vez, arrumou a bola, bateu no canto direito, aquele mesmo canto onde Marcelinho batera o pênalti de 2000, no mesmo canto onde o Zapata chutou para fora o pênalti de 1999, no canto onde a bola passou por cima da meta, interceptada por aquela pessoa iluminada.
Palmeiras 3×1, classificado para as quartas de final da Libertadores de 2009.
Marcos corre para a bandeirinha do escanteio, se ajoelha, todos vão atrás, é felicidade, é choro, as lágrimas não davam para conter, era a nossa resposta, para todos aqueles que nos davam como eliminados, para quem não acreditou. Eu tremia, chorava, abraçada em um amigo, a bandeira nos cobria, e agora era a hora de sair, comemorar.
Na rua, cantando o hino, entre lágrimas, abraços, buzinas, foguetes, mas o melhor de tudo, pela primeira vez entre tanta gente que estava sentindo a mesma coisa, ou pelo menos parecida. Não, não era um título, mas era um “partidazzo”, o qual só ocorreu graças a uma única pessoa, a qual não precisa citar, todo Palmeirense sabe. Por 20 anos ele iluminou a meta verde, por 20 anos ele é o objetivo final, inicial e total da academia. Ele é um marco histórico, singular, marcante. Um nome que não precisa ser repetido por mais que ele repita e reitere o monstro que é. Um nome que não é preciso escrever, até porque ele é indescritível.
E há exatamente 12 anos atrás, nessa mesma data, havia começado a canonização desse Santo, pelas defesas que todos nós sabemos, que todos nós nos orgulhamos, e lembramos com os olhos cheio de lágrimas.
Marisa Aziliero tem 17 anos, mora em Coronel Vivida, Paraná, tem como um de seus sonhos e metas formar-se em psicologia esportiva e atuar no Palmeiras. É autora do livro Infinitamente Amor, uma declaração de amor ao Palmeiras.
12/05/2009
SPORT 1 x 0 PALMEIRAS – Pênaltis: 1×3
Libertadores da América – Oitavas-de-finais
Estádio: Ilha do Retiro
Público: 28.487 pagantes
Árbitro: Carlos Chandia (Chile)
Sport: Magrão; César, Igor, Durval e Dutra; Andrade (Moacir), Daniel Paulista (Sandro Goiano), Paulo Baier (Fumagalli) e Luciano Henrique; Ciro e Wilson. Técnico: Nelsinho Baptista
Palmeiras: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Marcão; Wendel, Pierre, Souza (Mozart), Cleiton Xavier e Armero; Diego Souza (Willians) e Keirrison (Ortigoza). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Gol: Wilson aos 37 do segundo tempo.
Pênaltis: Magrão defendeu Mozart, Marcos defendeu Luciano Henrique; Marcão marcou, Igor marcou; Danilo marcou, Marcos defendeu Fumagalli; Armero marcou, Marcos defendeu Dutra.

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