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Partidazzo: Vasco 2×4 Palmeiras (1999)
18 de fevereiro de 2012 por @parmerista
Partidazzo de Jonas Gonçalves
Em sua história, o Palmeiras coleciona uma série de partidas memoráveis, “partidazzos” que terminaram com um final feliz para nós, palmeirenses. Como tive de escolher uma delas para esta coluna, busquei na minha memória alguma que tenha sido uma clara demonstração da força do Alviverde Imponente em momentos decisivos.
Copa Libertadores da América, 21 de abril de 1999, Estádio São Januário, Rio de Janeiro. O Palmeiras foi enfrentar o Vasco da Gama, o dito “Gigante da Colina”, no confronto de volta das oitavas-de-final. No primeiro jogo, uma semana antes, no Palestra Itália, um difícil e tenso empate em 1 a 1 (gols de Oséas, para o Palmeiras, e Guilherme para o Vasco) contra o então detentor do título continental, o que nos impôs diversos prognósticos sombrios de derrota, vindos até mesmo de integrantes da nossa torcida, que sabiam da força do time vascaíno, ainda mais jogando em casa.
Porém, mesmo aqueles que estavam com receio confiavam que o Palmeiras poderia desbancar o favorito, que foi a campo inteiramente de branco com a seguinte formação: Márcio, Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Alex Oliveira; Nasa, Paulo Miranda, Juninho e Ramon; Donizete e Luizão. O técnico era Antônio Lopes, o famoso “Delegado”. Do outro lado, todo de verde, estava o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari com Marcos, Arce, Júnior Baiano, Cléber e Júnior; Galeano, César Sampaio, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas.
Logo aos três minutos, os cruzmaltinos foram para cima e abriram o placar, com Luizão, o mesmo que fez parte daquele nosso inesquecível time do Paulistão de 1996. Tomar um gol no início de uma partida tão decisiva só poderia nos deixar à beira de um ataque de nervos. O Palmeiras tentava responder, mas esbarrava na marcação do Vasco, que controlava a posse de bola e continuava atacando, querendo definir a partida rapidamente.
Depois dos 25 minutos, o Palmeiras colocou a bola no chão e cadenciou a partida, ditando o ritmo a partir do toque de bola, principalmente entre Alex, Zinho e Paulo Nunes. Como o time era experiente, soube também se utilizar da malandragem indispensável para uma Libertadores. O providencial empate chegou aos 29 minutos, quando após falta de Zé Maria em Paulo Nunes por jogo perigoso, a cobrança de falta deveria ser feita em dois lances. Enquanto o posicionamento da barreira era discutido por Zinho com o árbitro Wilson de Souza Mendonça, César Sampaio rolou para Júnior, que cruzou da esquerda para Paulo Nunes completar. O “Diabo Loiro” nos trouxe o alívio.
Dois minutos depois, o contragolpe mortal que se transformou em um gol antológico: Zinho interceptou um passe ainda no campo de defesa e lançou Alex. O maestro do time correu para se livrar da marcação e mandou a bola para Paulo Nunes, já no campo do Vasco. De calcanhar, o autor do primeiro gol devolveu para o camisa 10, que com outro toque, fez o famoso “um-dois” com o mesmo Paulo Nunes. Recebendo de volta, não deu a mínima para a defesa inteira dos cariocas em seu encalço. Ajeitou e mandou a bomba de pé esquerdo: 2 a 1, de virada, em cima do campeão da Libertadores de 1998. São Januário tremeu com o coro de “Palmeiras é o time da virada!”.
Mas a alegria durou pouco: após uma cobrança de escanteio de Ramon, o Vasco empatou aos 35 minutos. A bola bateu na cabeça de Galeano e enganou Marcos. Para a história, ficou como um gol olímpico do camisa 10 vascaíno.
Em 135 minutos, o empate persistiu. Restava somente mais um tempo para que a batalha fosse resolvida no tempo normal. Com dois minutos, o Palmeiras devolveu a “gentileza” do primeiro tempo e já começou marcando: Alex completou de pé esquerdo um cruzamento certeiro de Rogério, que entrou no lugar de Galeano. Mais uma vez, o Palmeiras ficou na frente e, dessa vez, para não sair mais. E isso ficou ainda mais claro bem rápido: Arce fez o quarto gol aos cinco minutos, em cobrança de falta, com uma ajuda do goleiro Márcio. Veio a redenção e a certeza de que o verdadeiro “Gigante da Colina” era verde e despertou com toda a sua força.
Inutilmente, o Vasco tentava diminuir a enorme vantagem palmeirense. Quando não era impedido pela marcação dos jogadores de linha, encontrava um então candidato a santo vestido de azul debaixo das traves. Era Marcos, que já havia feito importantes defesas, especialmente no primeiro jogo. Uma ou outra jogada nos causava frio na espinha, mas nada que tirasse a certeza de que havíamos vencido aquela batalha e estávamos prontos para a próxima, contra o nosso maior rival, que nos glorificaria em definitivo rumo ao título.
Aos 41 minutos, após linda jogada de Evair (substituto de Oséas), o Palmeiras teve a chance de ampliar com Paulo Nunes, que desperdiçou a chance, chutando para fora. Mesmo assim, nada tirou o brilho da vitória, nem mesmo a expulsão de Júnior, que nos conferiu um importante desfalque no jogo seguinte. Entretanto, nenhum obstáculo foi maior do que a nossa determinação em buscar a taça mais importante da América, que conquistamos com todos os méritos.
Jonas Gonçalves é jornalista.
21/04/1999
VASCO 2 x 4 PALMEIRAS
Estádio: São Januário
Público: 15.215 pagantes
Árbitro: Wilson de Souza Mendonça (PE)
Vasco: Márcio, Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão, Alex Oliveira, Nasa, Paulo Miranda (Luís Cláudio), Juninho, Ramón (Vágner), Donizete (Zezinho) e Luizão. Técnico: Antonio Lopes
Palmeiras: Marcos, Arce, Júnior Baiano, Cléber, Júnior, Galeano (Rogério), César Sampaio, Alex (Roque Júnior), Zinho, Paulo Nunes e Oséas (Evair). Técnico: Luiz Felipe Scolari
Gols: Luizão aos 3 , Paulo Nunes aos 29, Alex aos 32 e Ramón aos 35 do primeiro tempo; Alex aos 2 e Arce aos 5 do segundo tempo.
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