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Senhor Arnaldo Tirone: a torcida quer explicações!
9 de julho de 2012 por @parmerista
A torcida do Palmeiras vive um drama desde que o time se classificou para as finais da Copa do Brasil: conseguir ingressos para assistir aos confrontos contra o Coritiba.
Para o jogo de ida, a diretoria de Arnaldo Tirone acelerou o relançamento do Avanti, e praticou sem nenhum pudor a venda casada. Pelo Twitter, através de um já conhecido diretor, alardeou que quem não fosse do Avanti não conseguiria ingressos, já que esperavam cerca de 10 mil associações, liberando a venda de 3 ingressos por associado.

A atitude beira a picaretagem. A estimativa foi feita no chute, mas serviu para que torcedores, no desespero de não ficar de fora de uma final após quatro anos, aceitassem a venda casada. Os ingressos se esgotaram no fim de semana, e a venda em bilheterias, suspensa, o que nos faz crer que realmente os 26 mil ingressos destinados à nossa torcida se esgotaram pelo programa de sócio-torcedor.
Mas o pior seria revelado mais tarde. O borderô da CBF revelou que apenas 12.240 ingressos foram vendidos antecipadamente pelo Avanti, o que significa que 16.317 ingressos foram vendidos de outra forma – mas não pelas bilheterias.
A diretoria, em matéria veiculada no jornal Diário de S.Paulo assinada pelo jornalista Jorge Nicola, afirmou: “Vendemos os ingressos para conselheiros, diretores, patrocinadores… Também aproveitamos a oportunidade para fazer relacionamento, vendendo para possíveis futuros parceiros”.
O torcedor palmeirense é fanático, mas não é cego nem burro como essa diretoria parece acreditar. Como é que uma quantidade tão grande de ingressos acaba sendo desviada do torcedor real desta forma, apenas para conselheiros, diretores e patrocinadores? Que critério é esse?
A versão fica menos crível ainda quando deparamos com cambistas virtuais, gente fazendo a festa na internet vendendo ingressos a R$200 usando programas que criam contas falsas no Twitter. Isso sem falar nos cambistas tradicionais.
Pensaram que acabou? A vergonha ficou maior ainda quando, à 0h desta segunda-feira, foram abertas as vendas pela internet dos supostos 4 mil ingressos reservados à nossa torcida para a finalíssima no Couto Pereira. Imediatamente a mensagem que nossos torcedores receberam é que o setor já estava esgotado. Não houve venda. Tudo já estava direcionado.
Considerando que a Futebol Card vende a carga de ingressos que sobra depois que a diretoria pega seu quinhão, que redistribui para honrar compromissos com conselheiros e parceiros (como a agência de viagens Palmeiras Tour), e que essa sobra foi de ZERO INGRESSOS, podemos concluir que mais uma vez a diretoria abusou do poder de distribuir ingressos, e quem se frustrou com isso, para variar, foi o torcedor comum, que não teve sequer a chance de disputar um ingresso nos canais devidos. Quem não é amigo de patrocinador, ou não comprou na Palmeiras Tour, ou não é amigo de conselheiro, ou sabe-se lá mais o que (4 mil é muito ingresso), vai ter que procurar cambista.
O mínimo que se espera da diretoria, se quiser mostrar transparência, é que divulgue uma lista detalhada sobre o destino dos ingressos, tanto nos jogos da ida como os da volta. Quantos foram para os conselheiros e diretores? E para a Palmeiras Tour? E para a Kia? E para “futuros parceiros” – e quem seriam eles? Contando os dois jogos, vinte mil ingressos foram pra essa turma? Que critério é esse? E o tal rastreamento de cambistas? E a torcida, como fica???
A gestão de Arnaldo Tirone, que envergonha os palmeirenses a cada vez que se expõe na imprensa, que mesmo sendo presidente do clube se envolve em episódio de troca de tapas com conselheiro (mesmo sendo o Gilto Avallone), agora tem que responder sobre as razões da torcida do Palmeiras não ter acesso a ingresso em bilheterias – sejam físicas ou virtuais, sem ter que ser obrigado a adquiri-los via venda casada, ou por pacotes em agências credenciadas, ou por cambistas. A torcida quer explicações!

E-mail: conrado@verdazzo.com.br
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