Sorteio da Copa do Brasil é envolto em novas suspeitas; Palmeiras volta a ser removido de uma competição e precisa reagir

Cruzeiro 1x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Pela terceira vez consecutiva o Palmeiras foi removido de uma competição por situações alheias à disputa esportiva. Apesar de ter feito duas exibições que poderiam ter sido melhores, o Verdão acabou sem a chance de sequer decidir a vaga nos pênaltis graças à anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, no Allianz Parque.

Alguém pode contestar a chance do Palmeiras nos tiros livres, dado o baixo rendimento nos últimos jogos – algo que não me parece razoável, já que uma decisão por pênaltis é uma situação completamente diferente de um pênalti com o jogo rolando. Além disso, não sabemos o quanto o Palmeiras treinou para uma eventual decisão, mas parece fácil supor que treinou muito, tanto quanto o Cruzeiro.

Alguém também pode ponderar que se o gol tivesse sido validado, a segunda partida teria outras características desde seu início e que não se pode cravar que a decisão teria ido para os pênaltis. O que faz total sentido.

Mas não se pode ignorar que um gol foi subtraído do Palmeiras no último lance do jogo de ida. Isso é imutável. E isso pesa demais em qualquer confronto de mata-mata em que os times estão minimamente equilibrados, embora seja consenso até na imprensa que o Palmeiras, hoje, tem o elenco mais equilibrado e o time mais forte do futebol brasileiro.

Sorteio estranho

Não precisamos mencionar apenas nossa desclassificação. A história da Copa do Brasil de 2018 vai sendo escrita sob cenários envoltos por situações peculiares.

A despeito do folclore do futebol conter inúmeras histórias de sorteios dirigidos, tomemos como exemplo a forma com que a CBF vem conduzindo os sorteios dos mandos.

O vídeo abaixo tem apenas os segundos finais do sorteio que definiu o mando da final do torneio; mesmo o vídeo completo que circula nas redes sociais mostra a mesma situação: a auxiliar de palco gira as bolas com extrema delicadeza; a bola do meio, escolhida pela moça, não parece se misturar com as outras.

A expressão da menina, diante do anúncio, transmite um certo alívio, mesmo com um sorriso profissionalmente artificial. É um sorteio muito estranho, que dá margem a todas as especulações possíveis.

Contexto sombrio

Em 2004, fiz um estudo informal comparando os resultados das disputas eliminatórias usando a regra do gol qualificado com os resultados do chamado “jogo de 180 minutos”, sem o gol qualificado. Os jogos analisados eram válidos pelas principais competições nacionais, sul-americanas e europeias, a partir da fase de quartas-de-final, quando os clubes são fortes e os confrontos, equilibrados.

O resultado foi que, sem usar o gol qualificado, o vencedor do confronto foi 70% das vezes o time que decidiu em casa, ao passo que essa proporção caiu para 50% quando a chamada regra “do gol fora”.

Fica a sugestão a qualquer leitor para refazer esse estudo de forma científica, para corroborar ou não com o estudo informal feito há mais de dez anos, que traduz o que a matemática intuitivamente já nos sugere: a regra do gol qualificado equilibra substancialmente os confrontos.

Do nada, a premiação da Copa do Brasil saltou de R$ 6 milhões para exorbitantes R$ 50 milhões, muito mais do que o Brasileirão (R$ 18 milhões) e a própria Libertadores (R$ 40 milhões). Segundo a CBF, a medida tem como objetivo “valorizar a competição”.

Também este ano a regra da competição mudou de forma sensível: o mando do segundo jogo, definido por sorteio, passou a ter muito mais importância com o fim da regra do “gol qualificado”. É sabido que esse mecanismo equilibra muito mais as disputas, diminuindo a importância do fator campo – o que valoriza muito a esportividade da competição.

Outra forma de manter a esportividade da disputa seria relacionar o mando da segunda partida a algum mérito esportivo – no caso, o Ranking Nacional de Clubes elaborado pela própria CBF anualmente parece ser a referência mais que perfeita.

A entidade que tem a prerrogativa de dirigir o futebol brasileiro, no entanto, decidiu que seu próprio ranking não serve para nada e entregou o destino da Copa do Brasil às bolinhas da moça com um sorriso no rosto. Algo que vai na direção oposta ao conceito de “valorizar a competição”.

Ligue os pontos

Duas mudanças tão significativas, juntas, configuram uma tremenda coincidência. Quando o destino do campeonato se torna cada vez mais direcionado para um sorteio, no mínimo, estranho, exatamente no ano em que a premiação é estranhamente turbinada, algo parece errado.

De um lado, estamos diante de uma montanha de dinheiro e de uma entidade notoriamente corrupta. De outro, temos um clube que se notabilizou pelos recentes agrados que vêm recebendo do poder público e do consórcio CBF/RGT, que envolvem estádio, arbitragens e gordas cotas de transmissão, e que mesmo assim segue com problemas financeiros que atrapalham até os pagamentos mais prosaicos, como o da empresa de marmitas.

Ao que parece, tirar da competição o competidor mais forte se encaixa muito bem como uma etapa de um elaborado projeto de transferência de recursos.

Mas tudo isso pode ser apenas uma enorme coincidência.

Investigação séria e rigorosa

Muito se tem falado sobre a falta de força do Palmeiras nos bastidores. Num meio onde a corrupção parece irreversivelmente entranhada, chegamos a desejar que o Palmeiras reduza suas chances de êxito nos campeonatos que disputa e siga seu caminho alheio a esse tipo de acordos, mesmo sendo vítima, pela terceira vez seguida, de uma eliminação escusa.

Mas ninguém gosta de apanhar calado. Um clube como o Palmeiras gira mais de R$ 500 milhões por ano, uma estrutura espetacular foi montada nos últimos cinco anos para dar suporte a todas as áreas que envolvem um time profissional de futebol, mas o sucesso esportivo está sendo constantemente afetado por agentes alheios à disputa dentro de campo. Nossa torcida não aguenta mais ser roubada.

O Palmeiras já mostrou o caminho ao reagir contra a manipulação da final do Paulistão. Ao contratar a maior empresa de investigação particular do mundo para reunir provas e se municiar para as contestações, nossa diretoria deu um importante primeiro passo para se resguardar.

Essa deve ser a direção a seguir. Em paralelo, o Ministério Público precisa ser acionado. E o clube deve usar parte de seu orçamento para continuar a ser assessorado por empresas privadas de investigação. Os suspeitos de manipulação e acordos escusos devem ser vigiados em todas as instâncias e denunciados.

Se o Palmeiras não quiser sujar as mãos (e nenhum de nós quer que isso aconteça), precisa liderar uma frente de ações para limpar o meio em que atua, e ir até as últimas consequências. A missão estará efetivamente cumprida quando dirigentes de entidades e clubes rivais que forem efetivamente flagrados em atos de corrupção forem indiciados, julgados e presos. Já passou da hora de darmos um basta em tudo isso.

CADEIA NELES!


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Alguém continua não fazendo o que deveria fazer

Copa do BrasilAmanhã teremos os dois jogos de volta das semifinais da Copa do Brasil. No Mineirão, o Palmeiras terá a difícil missão de reverter a vantagem de 1 a 0 que o Cruzeiro abriu há duas semanas, no Allianz Parque; no Itaquerão, a ORCRIM local tenta fazer valer o fator campo para vencer o Flamengo – empate levará a decisão para os penais.

Quatro dos cinco maiores vencedores históricos da competição chegaram ao funil. São camisas muito pesadas e o prêmio recorde para a competição (R$ 50 milhões para o campeão) faz com que o interesse dos clubes, torcidas e imprensa seja redobrado – e também levanta muitas suspeitas.

Mando de campo

A Copa do Brasil deste ano já está sendo marcada por uma decisão bastante questionável, mas que a imprensa bovinamente deixou passar: a definição do mando de campo, feita através de sorteio.

Com o fim da regra do gol qualificado, decidir em casa tem um peso muito grande num mata-mata. O tal do “gol fora” desagrada a muita gente, sabe-se lá por que, mas é um instrumento que tem a função de equilibrar as chances num confronto eliminatório. Descartar esse critério só faria sentido se o mando de campo fosse decidido por méritos técnicos – o Ranking Nacional de Clubes, por exemplo.

Sorteio Copa do BrasilA CBF, no entanto, decidiu entregar a vantagem do mando às bolinhas que rodam em seus globos. Isso faz com que o fator “sorte”, partindo do princípio que os sorteios não são manipulados, tenha um peso muito maior para se chegar a um campeão, o que por si só já desvaloriza o campeonato.

E como estamos falando de uma entidade que não goza da menor credibilidade junto a ninguém, tal decisão, exatamente num ano em que o volume de dinheiro a ser distribuído subiu de forma assustadora, deixa um pulguedo atrás de nossas orelhas.

Intimidade

A proximidade da diretoria do SCCP com a CBF é assustadora. Desde que Andrés Sanchez implodiu o Clube dos 13, há quase 8 anos, a ORCRIM de Itaquera passou a receber presentes de todos as maneiras: em forma de estádio, de verbas da TV desiguais, e de arbitragens que decidem campeonatos. Parece que agora recebe também mandos de campo, com o bônus do fim do gol qualificado. É muita intimidade.

Juízes e bandeirinhas que erram contra o SCCP são imediatamente punidos – às vésperas de uma decisão de vaga na final, que já renderá R$ 20 milhões aos classificados, o auxiliar Christian Passos Sorence não assinalou impedimento de Leandro Damião no último domingo, quando o Inter abriu o placar em Itaquera, e foi “rebaixado” para a Série B, onde os pagamentos por partida são menores. Melhor recado não poderia existir.

A lembrança do choro do árbitro Thiago Duarte Peixoto logo após o Derby do Paulistão 2017 em Itaquera, quando expulsou erradamente o volante Gabriel, é aterradora. Os juízes já sabem quem é o protegido, quem não pode jamais ser prejudicado.

O SCCP já ganhou um campeonato do Palmeiras este ano na mão grande – o 8 de abril jamais poderá ser esquecido, mesmo que nossa diretoria tenha considerado a “missão cumprida” ao ter o pedido de impugnação negado pelo STJD. Já havia roubado um Brasileirão em 2017 na operação casada de Heber Roberto Lopes e Anderson Daronco, e será algo delicado fazer o mesmo pela terceira vez seguida. Por isso, a ordem parece ser evitar um Derby na final da Copa do Brasil a qualquer custo.

VAR não é problema

Wagner Reway anula gol legítimo de Antônio CarlosDe início, o consórcio formado por RGT e a ORCRIM refutaram o uso do VAR. Enquanto a votação dos clubes da Série A, liderada pelo SCCP, barrava o uso da tecnologia para dificultar a manipulação de resultados pelas arbitragens, os profissionais da emissora, capitaneados por Galvão Bueno, colocaram mil e um defeitos no sistema. Até que perceberam que, com um pouco de treino, dá para burlar o sistema.

A anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, que deixaria o placar igualado no Allianz parque, é a prova cabal que o VAR é uma ferramenta que só vai funcionar nas mãos de gente que não esteja disposta a manipular resultado nenhum. Havendo determinação, o VAR é como uma flor nas mãos da vítima diante do ladrão armado.

Não adianta protestar

Mauricio GaliotteDiante de mais um assalto, o Palmeiras fez o de sempre, pela milésima vez: juntou o material e fez um protesto formal na CBF. Tudo isso, depois de reunir um dossiê mais que completo com ajuda da Kroll para evidenciar que houve interferência externa na final do Paulista. Nada adianta.

Sem força nos bastidores, o Palmeiras vai continuar sendo assaltado, na mão grande. Nenhum de nós, mortais, sabe o que acontece por trás daquelas cortinas, mas um presidente de clube tem que saber.

Alguém continua não fazendo o que deveria fazer.


Semifinais da Copa do Brasil


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Sabe bem o que vem pela frente: a hora do filet mignon

Delegação registra a viagem entre Recife e BH.O Palmeiras venceu o Sport no Recife e colou no SPFC, ficando a apenas um ponto de assumir a liderança do Brasileirão 2018 pela primeira vez. O equilíbrio do campeonato fez com que vários tropeços imperdoáveis fossem perdoados; o Verdão, a 12 rodadas do fim, chega forte para a reta final, que terá mais três clubes brigando pelo caneco: Inter, Flamengo e Grêmio também sustentaram campanhas que os credenciam para a disputa.

Felipão chegou em julho e conseguiu, de forma incrível, dar a liga que faltava ao time que Roger Machado montou. O sistema é o mesmo, as peças usadas são as mesmas, mas o estilo de jogo tem toques pessoais do velho general que tornaram este grupo do Verdão muito mais que um ótimo time.

Usando técnicas que não víamos em sua última passagem pelo Palmeiras – aliás, sequer foram vistas no Grêmio, após a Copa do Mundo – Felipão está aliando seu já conhecido talento de vestiário com o uso das informações da comissão técnica para administrar o elenco, que mesmo com suas falhas de montagem, oferece ao treinador peças que podem ser colocadas em campo em nível bem acima do satisfatório contra adversários e partidas com características bem distintas.

Praticamente todos os atletas estão sendo usados nas campanhas e seguem motivados; Felipão mede a dificuldade de cada partida, dosa bem o nível de exigência sobre cada jogador e o resultado são partidas no limite: os resultados, à base de muita superação, estão vindo. Mas o time não ganhou nada ainda; a temporada tem potencial para ser épica, mas ainda falta o arremate. Chegamos ao filet mignon. Agora é a hora.

Sabe bem o que vem pela frente

São 20 jogos até o final da temporada, que podem se tornar dezoito caso o Palmeiras não consiga vencer o Cruzeiro no Mineirão. O jogo promete ser uma batalha memorável; os dois clubes têm um histórico de embates muito fortes pela Copa do Brasil e o vencedor, em qualquer fase, costuma levantar a taça.

Quem passar neste confronto chegará como favorito à final – Flamengo e SCCP, os outros semifinalistas, dão sinais de esgotamento físico e principalmente técnico. O Verdão chega embalado para o jogo no Mineirão e qualquer resultado é possível. Se sair de Belo Horizonte classificado, ficará a apenas dois jogos de um título no ano; caso seja eliminado, terá duas datas importantes para se fortalecer ainda mais para as disputas do Brasileirão e da Libertadores – especialmente para os fundamentais jogos contra SPFC e Grêmio.

Reta final - 2018

Neste momento nossa torcida sonha como nunca, não apenas com a conquista da Tríplice Coroa, mas até com a eventual disputa de mais dois jogos, nos dias 18 e 22 de dezembro. E as maiores alegrias, bem como as maiores frustrações, vêm dos maiores sonhos.

A torcida pode sonhar; os jogadores, mais do que nunca, precisam dar um passo por vez. O sonho é perfeitamente alcançável, mas temos que ter em mente que o objetivo do ano é conquistar pelo menos uma taça. Uma possível eliminação na quarta-feira não pode nos desviar do foco nas disputas seguintes. A Copa do Brasil é um dos grandes objetivos, pela taça e pela enorme premiação, mas não é o maior deles.

Protagonista

Comemoração - Recife
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras, ao final de 2012, era um clube em ruínas; em quatro anos, se reconstruiu em todas as frentes e hoje é o grande protagonista do futebol brasileiro e talvez sul-americano.

A única hipótese de fecharmos o ano frustrados será se nosso time fracassar nas três competições. De toda forma, o elenco é forte e o mundo não acaba em dezembro. Caso aconteça essa hecatombe, temos que lamber nossas feridas e repetir o trabalho no ano que vem, aprimorando as falhas detectadas este ano; assim, seguiremos fortes e as conquistas tendem a vir naturalmente, em 2019, 2020 e nos anos seguintes.

Mas elas podem vir já este ano. O sonho, hoje, é real. Chegamos ao filet mignon da temporada muito, muito fortes. Que nosso clube não deixe os bastidores, desta vez, estragarem este sonho; que General Scolari e nossos soldados possam lutar esportivamente, dentro de campo, e assim arrematem a brilhante campanha com conquistas, apoiados por uma imensa nação alviverde ao redor do mundo. VAMOS PALMEIRAS!


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