“O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Sampaio Corrêa 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras venceu o Sampaio Corrêa ontem à noite em São Luís, jogando com um time bem diferente daquele que vinha encantando nossa torcida. Apenas Felipe Melo saiu jogando no Castelão, e o time ficou muito abaixo do que os principais jogadores vinham apresentando.

A fraca atuação, apesar da vitória – achada no último lance num frango do goleiro – despertou a incontrolável vontade de cornetar de vários palmeirenses, forçadamente adormecida com as atuações quase perfeitas pelo Brasileirão. Às vezes parece até que gostaram da atuação fraca, para liberar essa energia corneteira represada. “O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Assim como a sanha corneteira de parte da torcida não é novidade, tampouco é surpresa a sede de sangue de parte da imprensa. Mas mesmo não sendo inéditas, impressiona a força que mostram ao ressurgir.

Alguns jogadores foram para a cruz, como é de praxe. E alguns mitos passaram a ser exaustivamente repetidos, correndo o risco de virarem verdades.

Querem dizer que nosso elenco ‘não é tão bom assim’?

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Muitas vezes a pressa em falar algo é o que causa certos exageros. A impressão, inegavelmente ruim, deixada pelo time que entrou em campo ontem precipitou algumas opiniões – e pior, algumas conclusões, rapidamente despejadas pela rede.

A mais grosseira delas é a de que o elenco do Palmeiras “não é tão bom assim”. Afinal, se o time fosse bom, não penaria para ganhar de um fraco time de Série C, como o Sampaio Corrêa, dizem. Como podem ser tão rasos?

O Palmeiras hoje tem o time mais forte do país, à custa de muito treinamento e entrosamento. O desentrosado onze que jogou ontem, a rigor, não pode nem ser considerado o time B, já que jogadores como Carlos Eduardo, Felipe Pires, Lucas Lima e Arthur Cabral sequer vinham entrando durante os jogos.

Felipe Melo e Moisés não é exatamente uma dupla veloz e com mobilidade – talvez isso explique um pouco os incomuns ataques do time do Sampaio. Mas com Thiago Santos alinhando ao lado de Moisés, esse problema se dissipa. E isso não quer dizer que Moisés é um jabuti que se arrasta pela meia cancha – outro mito que tentam fazer virar verdade. Basta rever o lance do quarto gol sobre o Santos para verificar a capacidade física de nosso camisa 10, que pode até não estar jogando o mesmo que em 2016, mas está longe de ser um inválido, como querem fazer crer.

Questiona-se a qualidade de Edu Dracena e Antônio Carlos – que formariam a dupla de zaga titular, facilmente, de pelo menos 15 times da Série A. O problema desta dupla é que o parâmetro atual é Luan e Gómez, praticamente intransponíveis. Não é fácil encontrar outra dupla deste quilate. Dracena e Antônio Carlos formam uma dupla forte; bem protegida, cumpre muito bem seu papel em jogos de menor apelo.

Os laterais estão longe de ser uma preocupação. Victor Luis e Mayke, que hoje estão abaixo de Diogo Barbosa e Marcos Rocha, já estiveram acima, depois de estarem abaixo. Essa ciranda entre eles vem sempre sendo nivelada por cima. Quem ainda tem dúvidas, basta fazer um exercício de comparação com qualquer dupla de laterais titulares de outros times.

E Fernando Prass, apesar da noite infeliz no Castelão, não deixou de ser um dos principais goleiros do país. E se precisar, ainda temos apenas o Jailson!

Fernando Prass (Jailson); Mayke, Edu Dracena, Antônio Carlos e Victor Luis; Thiago Santos e Moisés: esta base é suficiente para que uma linha ofensiva bem entrosada faça um bom papel nas partidas que for exigida. Entre Veiga, Goulart, Zé Raphael, Gustavo Scarpa, Willian e Hyoran, separe dois para jogarem com Dudu no time principal e ainda haverá três para o time alternativo. Entrose-os. Encaixe um centroavante. Não é forte?

A grama do vizinho

Felipe Pires e Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A boa fase de Erik no Botafogo traz à tona aquele ditado da grama do vizinho. Até os jogos regulares de Artur no Bahia estão arrancando suspiros. Isso porque Felipe Pires e Carlos Eduardo não correspondem.

Hoje fica fácil de cravar que as escolhas foram erradas. Mas poucos se lembram que tanto Artur quanto Erik tiveram chance de passar boa impressão a Felipão em janeiro, na pré-temporada, e por alguma razão não conseguiram.

Fica mais fácil ainda bancar o engenheiro de obra pronta sabendo que nenhum dos dois poderá vestir nossa camisa este ano. Assim, não poderão decepcionar de novo, como o fizeram em todas as chances que já tiveram.

O ponto é que tanto Artur quanto Erik até poderiam estar rendendo bastante neste atual elenco, servindo como opções para os jogos alternativos. Mas não deveriam suscitar críticas tão amargas, sobretudo pelo momento que o time vive. Talvez o volume de dinheiro empregado em Carlos Eduardo, desde o anúncio da transação nitidamente desproporcional, influencie nessa insatisfação. Mas mesmo assim é um exagero. Já foi.

Lucas Lima e Borja, desmotivados

Já Lucas Lima realmente preocupa. Existem algumas razões táticas para seu baixo rendimento. Suas fases excelentes no Sport e principalmente no Santos nos levaram a criar altas expectativas. E ele até teve fases interessantes no Palmeiras, sobretudo sob o comando de Roger Machado. Mas seu estilo não casa com o esquema de Felipão.

Assim como Lucas Lima, Borja parece estar atravessando uma fase de extrema desmotivação. E isso é normal num elenco com tanta qualidade: quem acaba preterido e sabe do potencial que tem já começa a se imaginar em outro clube, onde teria mais destaque. E esses dois, pela qualidade que possuem, certamente terão.

Talvez seja a deixa para Mattos começar a pensar em soluções para encaixá-los no mercado da melhor forma possível.

A lacuna que Borja deixaria no elenco precisa ser preenchida com um atleta de qualidade inquestionável. Já a de Lucas Lima comporta até um bom valor da base – Alan, por exemplo. Seria bom para Lucas Lima, para o menino da base e para a saúde financeira do clube, que verificaria uma substancial redução na folha de pagamento.

Estamos nos aproximando da janela de meio do ano e ajustes podem ser feitos. É para isso que essas janelas existem. E é para isso que mantemos o melhor profissional da área comandando nosso departamento de futebol.


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O Palmeiras é favorito, sim, mas com responsabilidade

Zé Rafael
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As vitórias contra Atlético e Santos, nas rodadas 4 e 5 do Brasileirão, alçaram o Palmeiras a favorito destacado para mais um título. Uma série de fatores, entre números e observações, inegavelmente reforçam este prognóstico.

O Palmeiras lidera a classificação de forma isolada, com 13 pontos em 15 possíveis. Nesta trajetória, o Verdão já enfrentou três dos quatro perseguidores mais próximos na tabela. Os pontos perdidos foram num jogo plenamente ganhável, contra o CSA, onde o time escolhido por Felipão foi bastante alternativo e, mesmo saindo na frente, deixou a vitória escapar numa jogada de bola parada.

Ainda nesta largada, o Palmeiras já marcou 12 gols e sofreu apenas um, o que sugere um time bastante equilibrado, que consegue ser muito efetivo no ataque sem abrir mão de um sistema defensivo consistente. Os números traduzem a impressão passada na observação das partidas: sólido na defesa, o Palmeiras sai rápido para o ataque de forma muito organizada e mata os adversários com a rapidez e a precisão de um espadachim.

O que vemos nos adversários, neste momento, são times que têm problemas para marcar gols quando encaixam uma boa defesa, ou que se escancaram na retaguarda para conseguir um bom volume de gols. Todos ainda buscam chegar ao equilíbrio que o Palmeiras já alcançou. Nossa enorme eficiência tanto na defesa, quanto no ataque, inevitavelmente, faz o torcedor sonhar alto. Mas é preciso ter calma.

Calendário traiçoeiro

Felipão e Paulo Turra
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As 18 primeiras rodadas estão acontecendo num espaço de 19 semanas, entre 27 de abril e 8 de setembro, intercaladas com as partidas da Libertadores e da Copa do Brasil, e ainda com uma parada forçada de um mês.

Já as 20 rodadas finais terão ritmo intenso de disputa, com apenas 3 datas dedicadas às semifinais e à final da Libertadores, sendo disputadas em apenas 13 semanas, entre 15 de setembro e 8 de dezembro. Um panorama amplo da marcha de jogos pode ser visualizado no post com a projeção de pontos sugerida pelo Verdazzo em abril.

O primeiro recorte, que é quase metade do campeonato, é claramente mais espaçado e possibilita aos times fazerem correções de rota que podem ser decisivas para suas pretensões, caso não fiquem muito para trás. Equipes desequilibradas, mas com bom potencial, ainda podem encontrar a melhor química, sobretudo se aproveitarem bem a intertemporada causada pela irritante Copa América.

Já o segundo período, espremido pelo calendário, é muito mais perigoso para times que depararem com uma oscilação de desempenho grave. Uma lesão de jogador-chave, ou uma turbulência no ambiente – qualquer problema que dure algo em torno de 15 dias é suficiente para comprometer até cinco rodadas e jogar uma campanha inteira no lixo. Não é preciso puxar muito pela memória para termos um exemplo: uma rápida convergência de problemas em 2009 destruiu um campeonato que nos parecia ganho.

Temos força

O Palmeiras de 2019 mostra muita força para superar eventuais turbulências. O equilíbrio técnico atingido entre os setores defensivo e ofensivo não é fácil de ser destruído apenas pela perda de uma ou duas peças por lesão. Nosso elenco tem mostrado eficiência para fazer essas reposições – neste momento, estamos “apenas” sem Willian, Gustavo Scarpa e Ricardo Goulart, e o time segue rendendo.

Esses três desfalques, que devem estar recuperados após a parada, serão vitais para que o Palmeiras ative o rodízio mais uma vez, quando teremos até 10 rodadas seguidas com jogos de mata-mata nos meios de semanas e Brasileirão aos sábados e domingos.

Com o encaixe extremamente satisfatório conseguido com Raphael Veiga e Zé Rafael, Felipão tem armas para montar duas linhas de frente bastante competitivas. Se quiser manter o time titular que destroçou o Santos como o principal, o time alternativo pode ter, do meio para a frente: Thiago Santos e Moisés; Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian; Arthur Cabral. Ainda existem as opções de usar Hyoran, Lucas Lima, Guerra e Borja, além dos próprios titulares, em eventualidades. Ou de fazer outras dezenas de combinações, a escolher.

Todas essas animadoras suposições, contudo, pressupõem que o time não sofrerá baixas na janela do meio do ano. O Palmeiras, como todos os times brasileiros, corre riscos de perder atletas na movimentação do mercado, embora tenha muito mais condições que qualquer adversário de fazer as reposições. São vantagens potenciais.

Favoritismo com responsabilidade

Bruno Henrique e Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante das perspectivas, soaria como falsa modéstia recusar o rótulo de favorito destacado ao título deste Brasileirão. É óbvio que, diante do panorama atual e de todas as variáveis, as probabilidades apontam para o Verdão. Mas sabemos que podemos virar o fio, ou que um adversário realmente forte pode emergir.

Temos que saber lidar com nossa própria força; trabalhar as possibilidades favoráveis sabendo que o cenário pode mudar; jogar cada jogo como se fosse o do título para não lamentar no futuro, em caso de reviravolta.

Não precisamos repelir o favoritismo, e sim a acomodação. É tentador, diante dos números atuais e do nível de jogo apresentado em campo, deixar a soberba tomar conta das atitudes, mesmo antes de fazer o necessário para colher os louros. É um erro clássico que, confiamos, Felipão não deixará que nosso elenco cometa.

Nossa torcida, se também souber lidar com essa condição, vai ajudar mais ainda nosso treinador nessa missão de carregar o favoritismo, com toda a responsabilidade. Pés no chão, apoio incondicional, xô salto alto e VAMOS PALMEIRAS!


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