1981

Campeonato Brasileiro 1981

Após o péssimo estadual disputado em 1980, o Palmeiras não conseguiu vaga direta na Taça de Ouro de 1981, e teve que disputar uma vaga na Segunda Fase do campeonato jogando a Taça de Prata, contra times bem menos cotados, mas que dava apenas quatro vagas. Tecnicamente, não era um rebaixamento, mas era necessário remar para disputar o título com a elite.

Após o fiasco do ano anterior, a diretoria apostou num pacotaço de contratações. O curioso é que a imprensa aplaudiu a iniciativa, elogiando a qualidade dos novos reforços: João Marcos (Noroeste); Benazzi (Comercial), Darinta (Remo), Jaime Boni (Gaúcho de Passo Fundo), Victor Hugo (Grêmio), Sena (Vitória), Osni (Botafogo-SP), Reginaldo (Marília) e Paulinho (Vasco). Além disso, meninos da base como Deda e Tonigato também ganharam algum espaço.

E foi com essa cara nova que o Verdão, sob o comando de Dudu, começou o ano empolgando, jogando contra adversários extremamente fracos. A primeira fase da Taça de Prata foi muito tranquila e a maior preocupação era não perder ninguém por lesão – os jogos eram muito mais ásperos que o habitual.

Com os bons resultados, a torcida se empolgou e a segunda fase da Taça de Prata, que era o passaporte para a Taça de Ouro, reuniu no grupo do Palmeiras mais dois clubes: Americano de Campos e Guarani, que vinha sendo uma pedra no sapato do Verdão já por três anos. Depois de jogos mais duros, a última rodada desta fase tinha o Palmeiras dependendo de uma vitória sobre os campineiros no Palestra – e num jogo catimbado e violento, o Verdão chegou ao resultado: 2 a 0, dois golaços de Sena. O Palmeiras voltava à elite sem “pular” o ano – coisas daqueles regulamentos.

Nosso time começou a dar sinais de que era muito fraco, mas os resultados seguiam iludindo a torcida, que liderava o ranking de bilheterias do ano. Mas bastou o time se juntar aos adversários da Taça de Ouro para a verdade ser escancarada. O Palmeiras bem que lutou, mantendo as chances de classificação até a terceira rodada de um quadrangular com Inter, Sport e Goiás, mas uma derrota por 3 a 1 no Recife e o massacre por 6 a 0 em Porto Alegre deixaram claro: o Palmeiras não estava pronto para peitar os melhores clubes do país.

De volta à realidade do estadual, um dos primeiros obstáculos era entender o regulamento. Basicamente: o campeonato seria decidido pelos campeões do primeiro e segundo turnos. Cada turno era decidido em minitorneios, que vinham de um octogonal, que na verdade eram dois quadrangulares. Os oito participantes dos octogonais vinham do turno regular (6) e da seletiva (2).

Por falta de calendário, os times do Brasileiro não disputaram a seletiva do primeiro turno e foram direto para a fase regular. E o Palmeiras não foi bem, mesmo com dois reforços importantes: o líder da Bolívia nas Eliminatórias, Carlos Aragonés, e o gigantesco Luís Pereira, que havia sido repatriado pelo Flamengo no início do ano mas que não teve chances no clube carioca, muito afeito a seu ídolo Rondinelli.

Apesar de vencer os clássicos contra SPFC e SCCP, o Verdão chegou a amargar um jejum de nove jogos sem vitória e terminou o turno apenas em 11° lugar – como consolo, os dois principais rivais também ficaram de fora do octogonal. Ponte e Guarani decidiram o turno, com vantagem alvinegra. Dudu caiu ainda no início do turno, assumindo Fedato em seu lugar. Durou pouco, e Jorge Vieira foi contratado ainda no fim do primeiro turno.

Enquanto o Octogonal do primeiro turno era jogado, os times que ficaram de fora já jogavam a seletiva do segundo turno. O Palmeiras venceu o grupo que também tinha Ferroviária, São Bento e XV de Jaú, e foi para o triangular final da seletiva, com SPFC e SCCP, que também venceram seus grupos. Após perder do SPFC, o Palmeiras precisava vencer o SCCP, e conseguiu – 1 a 0, gol de Freitas.

Com a vaga garantida no Octogonal do segundo turno, o Palmeiras fez um segundo turno desinteressado. Mesmo com a chegada de mais um grande reforço – o meia-atacante Enéas, da Portuguesa – foi a pior fase do time no ano. O calendário foi espremido para que o time pudesse tentar o tetracampeonato do Ramón de Carranza, na Espanha, mas a viagem foi um fiasco, com duas goleadas vergonhosas para Sevilla e CSKA. Como se não bastasse, o time foi goleado pelo SPFC por 6 a 2, num apagão típico: no segundo tempo, sofremos cinco gols em 14 minutos.

O time ainda juntou os cacos e chegou com chances na rodada decisiva do Octogonal: bastava vencer a Ponte Preta no Palestra que disputaria a final do segundo turno contra o SPFC. O time campineiro segurou o 0 a 0 e quem foi para a final do turno foi o São José. Com uma pontuação baixa no decorrer dos dois turnos, o Palmeiras terminou o campeonato apenas em décimo lugar, sendo condenado a jogar novamente a Taça de Prata em 1982. A fila aumentava mais um ano e começava a tomar corpo; e o Palmeiras virava coadjuvante no cenário nacional.

 

Jogos no ano de 1981

Jogadores no ano de 1981