2010

Muricy RamalhoA perda do Campeonato Brasileiro do ano anterior foi um golpe duro. Dado como ganho, o título nacional do ano anterior caiu no colo do Flamengo por uma enorme convergência de fatores negativos. O choque levou o presidente Belluzzo a cometer erros por ansiedade e precipitação, na ânsia de devolver o clube à rotina de conquistas há tanto tempo perdida.

Muricy Ramalho foi prestigiado, apesar de ter sua parcela de responsabilidade no fracasso de 2009. Diante do grande investimento feito no ano anterior, o elenco não recebeu reforços importantes – entre os apresentados no começo do ano, um funcional Márcio Araújo chegou discretamente.

Os objetivos da temporada eram o estadual, a Copa do Brasil, a Sul-Americana, e claro, o Brasileirão.

A campanha no Paulista não empolgava. Uma derrota num Derby, entre tropeços contra Grêmio Barueri, Ituano, Portuguesa e Botafogo, enfraqueceram o treinador. Uma goleada sofrida em casa para o São Caetano enfim encerrou a passagem de Muricy pelo Palmeiras – para seu lugar, foi chamado o grande ex-zagueiro Antônio Carlos Zago, que iniciava sua carreira como treinador e vinha de um trabalho interessante no próprio São Caetano. Com ele, vieram alguns reforços emergenciais: os veteranos Marcos Assunção, Ewerthon e Lincoln.

Armero - ArmerationA trajetória do ex-camisa 3 no Palmeiras foi rápida e teve como ponto alto uma partida épica na Vila Belmiro, uma virada que terminou em 4 a 3 para o Palmeiras no jogo que sempre será lembrado pela torcida como o “jogo do Armeration”, com o atacante Robert em tarde inspirada. Mas o time seguiu claudicante no estadual, ficando de fora do mata-mata ao fechar a fase de classificação num embaraçoso décimo lugar, com apenas 6 vitórias em 19 jogos.

Depois de avanços contra times fraquíssimos na Copa do Brasil, o Palmeiras acabou eliminado pelo CAG nas quartas-de-final, numa disputa de pênaltis bizarra que terminou com o placar de 2 a 1 para os goianos no Serra Dourada. Na sequência, um jogo tétrico em São Januário, que terminou sem gols, determinou o fim da linha para Antônio Carlos, que foi substituído interinamente por Jorge Parraga, auxiliar técnico que dirigiu o time no último jogo oficial do velho Palestra Italia antes do início das obras da nova arena – vitória por 4 a 2 sobre o Grêmio.

FelipãoA pressão que o presidente Belluzzo se auto-inflingia o levou a dar o chamado “all-in”. Apostando tudo no Brasileirão, a diretoria, para delírio da torcida, trouxe de volta com todos os custos possíveis três figuras de enorme aceitação: Luiz Felipe Scolari, Kleber e Valdivia. O campeonato parou para a Copa do Mundo na sétima rodada e o Palmeiras estava em décimo lugar, a oito pontos do líder, quando Murtosa assumiu a equipe antes de passar o bastão a Felipão.

Na estreia do general, o Avaí conseguiu uma de suas únicas vitórias na História sobre o Verdão. Nessa partida, o lateral esquerdo do time da casa impressionou nosso treinador, que imediatamente pediu sua contratação: um certo Rivaldo, que foi apresentado dias depois ao lado do atacante Luan, que estava no futebol francês depois de um bom ano no São Caetano.

Marcos AssunçãoNo primeiro jogo de Valdivia diante de nossa torcida, quem brilhou foi Marcos Assunção, ao marcar, de falta, aos 43 do segundo tempo, o gol da classificação sobre o Vitória na primeira fase da Copa Sul-Americana – a bola entrou inapelável no ângulo direito de Viáfara. Mas foi apenas mais uma glória efêmera.

Felipão, mesmo com os reforços recebidos, não conseguiu fazer o time decolar. A efervescência política, mais uma vez, afundou o time. Belluzzo teve um problema de saúde grave e precisou se licenciar do cargo a três meses do fim do mandato. A presidência passou a ser exercida interinamente pelo inepto Salvador Hugo Palaia, cercado por figuras que estavam há anos esperando por um vácuo no poder para tentar a sorte.

Busico, PescarBusico, Pescarmona e Corcionemona e oOrcione

Enquanto o presidente convalescia, o Palmeiras, já sem qualquer chance de conquistar o nono título nacional, apostava tudo na Sul-Americana. Depois de perder por 3 a 0 para o CAG pelo Brasileiro com o time reserva, o time voltou ao mesmo estádio três dias depois para vencer o Goiás pela competição continental com outro golaço de Marcos Assunção e encaminhou a passagem à final da competição.

Mas no jogo da volta, mesmo depois de sair na frente, o time permitiu ao Goiás a virada e a classificação com um gol a menos de dez minutos para o fim, depois de uma falha grotesca de Márcio Araújo. Mesmo com Felipão no banco, o Palmeiras era um clube sem comando, vítima de sua política mesquinha. O ano acabou e Belluzzo, ainda doente, não conseguiu articular para fazer seu sucessor. Como resultado, Mustafá Contursi ressurgiu e emplacou aquele que, acreditava-se, seria o menos despreparado dentre seus correligionários: Arnaldo Tirone.

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