2012

BarcosAs mudanças políticas no final de 2010 colocaram uma nova diretoria no poder, e com ela veio o caos. O elenco que iniciava o ano de 2012 era infinitamente inferior ao que Felipão havia conhecido quando chegou, no meio de 2010. O grande reforço do início da temporada foi o argentino Hernán Barcos, que vinha da LDU, não sem antes uma polêmica: sentindo que o negócio não ia dar certo, o diretor de futebol Roberto Frizzo cunhou uma frase que se eternizaria: “O Palmeiras não é marinha para ter Barcos”.

Mesmo com piadinha, El Pirata chegou e se juntou a uma base que tinha Bruno, Cicinho, Henrique, Maurício Ramos, Juninho Pampers, Marcos Assunção e Valdivia. Com o chileno vivendo nas macas do Departamento Médico, Felipão tinha sérios problemas ofensivos e Barcos chegava para resolver parte deles. Outra aposta foi Daniel Carvalho, meia de relativo talento que mantinha uma relação conturbada com a balança.

E a disputa do estadual começou promissora, com o time chegando a 14 jogos invictos, até que veio o Derby, no Pacaembu. O Verdão até saiu na frente, mas tomou a virada num gol contra de Márcio Araújo e tudo desandou. A sequência no estadual foi muito ruim e o time terminou a fase preliminar apenas em quinto lugar, enquanto avançava na primeira chave da Copa do Brasil sobre Coruripe e Horizonte.

Veio o mata-mata e o adversário era o Guarani, quarto colocado, em Campinas. O Palmeiras saiu atrás no placar, tentou reagir, mas uma falha grosseira de Deola sepultou as chances do Verdão, que acabou eliminado ao perder por 3 a 2. Restava a disputa da Copa do Brasil, enquanto o Brasileirão não começava – e o time passou com surpreendente tranquilidade por Paraná e Atlético-PR, alcançando as semifinais, que seriam contra o Grêmio.

Palmeiras x GrêmioCom o foco totalmente no mata-mata, as partidas do Brasileirão ficaram em segundo plano, e o time, despreocupado, ia desperdiçando pontos irrecuperáveis. Mas os duelos contra o Grêmio, inesquecíveis diante da aplicação dos jogadores e da força da torcida, foram mágicos. Na ida, um ótimo empate ia sendo garantido até os 40 minutos do segundo tempo, quando o Palmeiras, com Mazinho e Barcos, furou a defesa gaúcha e abriu 2 a 0. Na volta, em Barueri, o Grêmio saiu na frente, mas empurrado por uma massa alviverde, o Verdão chegou ao empate em grande partida de Henrique e Valdivia, garantindo um lugar na final, contra o Coritiba.

No Brasileirão o time seguia de mal a pior, mas poucos pareciam se importar. Nem mais uma derrota num Derby, consagrando um certo Romarinho, que seria fundamental para o adversário dias depois em Buenos Aires, fazia o Palmeiras se preocupar com outra coisa que não fosse a Copa do Brasil. E veio a primeira final, em Barueri, na qual o Coritiba amassou o Palmeiras no primeiro tempo – foi quando a estrela de Bruno brilhou intensamente. O Verdão abriu o placar no fim do primeiro tempo, em pênalti cobrado por Valdivia, e no segundo tempo aumentou a vantagem numa jogada de bola parada que saiu dos pés de Marcos Assunção, que Thiago Heleno aproveitou e fez 2 a 0.

BetinhoA final foi disputada no dia 11 de julho, em Coritiba, e o ambiente era tremendamente hostil. A torcida do Palmeiras, no entanto, lotou os três pavimentos da arquibancada atrás do “gol sul” do Couto Pereira e o time paranaense era nitidamente mais técnico – mas sobrava disposição e aplicação tática aos jogadores do Palmeiras. O primeiro tempo virou 0 a 0 e o título parecia próximo, mas aos 16 do segundo tempo o lateral Ayrton abriu o placar para o time da casa, de falta.

O Coritiba precisava de mais um gol para forçar os pênaltis, mas quatro minutos depois, sempre dos pés de Marcos Assunção, saiu o gol redentor: a bola viajou até a cabeça de Betinho; com um leve desvio, o camisa 33 colocou no cantinho direito de Vanderlei. Nosso time seguiu jogando com muita raça; Luan, com lesão muscular, corria mancando e ocupava os espaços, para ajudar o time a segurar o placar. Ao apito final, o time levantou sua segunda Copa do Brasil, numa conquista tão inesquecível quanto improvável, mesmo com o torneio ainda não sendo jogada pelos times que disputavam a Libertadores.

Campeão da Copa do Brasil 2012A missão então era terminar o ano de forma digna, iniciando uma recuperação no Brasileirão. Após oito rodadas, o time tinha apenas cinco pontos conquistados e estava na antepenúltima colocação. Dois empates e uma vitória tiraram o time da zona do rebaixamento, e na rodada 11 o time estava em 14° lugar. Muitos no clube acharam que tudo estava sob controle e que o campeão da Copa do Brasil não corria nenhum risco.

Veio a Sul-Americana, e os olhos cresceram para mais uma conquista num mata-mata considerado fácil. Nos dez jogos seguintes pelo Brasileiro, foram sete derrotas, mas a classificação na Sul-Americana sobre o frágil Botafogo serviu para criar mais ilusões. O time terminou o primeiro turno do Brasileirão em 17° lugar, mas seguia achando que estava tudo sob controle.

Gilson KleinaNas cinco primeiras partidas do segundo turno o time só marcou quatro pontos e a luz vermelha acendeu. Felipão pediu demissão e Gilson Kleina veio para seu lugar. Duas vitórias, contra Figueirense e Ponte Preta, mais uma vitória sobre o Millonarios-COL na Sul-Americana, pareciam indicar que as coisas estavam se resolvendo, mas o time seguia na zona de rebaixamento.

Vieram mais três derrotas e o pânico se instalou. As vitórias contra Bahia e Cruzeiro, com direito a sal grosso no pé da trave, só mantiveram o time respirando. Veio a eliminação na Colômbia, mas ninguém se importou mais. O foco era o desespero no Brasileiro, mas o time não tinha forças. Fomos roubados no Beira-Rio, arrancamos um empate no fim, em casa, contra o Botafogo, perdemos em Prudente para o Fluminense com um gol no fim, e o rebaixamento matemático veio na rodada 36, no empate com o Flamengo, com gol de Vagner Love.

A melancolia dos dois jogos finais foi latente. Contra o CAG, no Pacaembu, o time talvez tenha escalado sua pior formação desde 1915. E a derrota final contra o Santos foi apenas a última pá de cal. O Palmeiras encerrou 2012 rebaixado, enquanto o presidente contratava o argentino Riquelme entre um e outro passeio de sunga antes de deixar o cargo.

Arnaldo Tirone

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