Edmundo
Posição Atacante
Nome Completo Edmundo Alves de Souza Neto
Nascimento02/04/1971 - 55 anos
Estreia
27/01/1993
Último Jogo
02/12/2007
Edmundo Alves de Souza Neto nasceu em Niterói (RJ) a 2 de abril de 1971 e é um dos personagens mais impressionantes da História do futebol brasileiro. De temperamento explosivo, seu talento para se envolver em problemas e polêmicas só não é maior que o de encantar dentro de campo. Atacante letal, combinava força e talento como poucos. Não agradou em todos os lugares por onde passou, por razões diversas, mas o veredito quanto a seu futebol sempre foi unânime: jogava demais.
Começou na base do Botafogo, mas ainda juvenil se transferiu para o Vasco, onde se profissionalizou. Rapidamente formou uma dupla infernal com Bebeto, em 1992, empurrando o clube à conquista do Campeonato Carioca de maneira indiscutível. Com tal desempenho, foi um dos principais objetivos da Parmalat no final do ano, e a compra de seu passe, à época, bateu recorde no mercado doméstico: US$ 1,8 milhão.
Com 22 anos, era nitroglicerina pura e rapidamente conquistou a torcida do Verdão. Pegando carona numa gíria emergente da época, o narrador Osmar Santos o apelidou de “Animal”, o que aumentou o folclore em torno do jogador.
De fato, Edmundo dentro de campo se transformava – pelo menos, era o que diziam as pessoas de seu convívio mais próximo, que destacavam que o jogador era dócil e tranquilo no dia-a-dia. Ao mesmo tempo em que era mortal e decisivo com a bola nos pés, levando-o a formar uma dupla de ataque inesquecível com Evair, Edmundo colecionou polêmicas. Talvez isso tenha influenciado Carlos Alberto Parreira a não levá-lo para a Copa do Mudo de 1994.
Em meio a recorrentes declarações explosivas à imprensa, Edmundo era expulso de campo constantemente. Brigou com Evair em campo, num jogo contra a Portuguesa. Arrumou um sururu épico num clássico contra o São Paulo, ao dar um soco no lateral André. Mas o episódio mais surreal foi quando derrubou e chutou uma câmera de TV, na saída do campo, num jogo pela Libertadores, no Equador. O ocorrido gerou um incidente diplomático, com Edmundo tendo que permanecer preso dentro do hotel até que os países negociassem sua liberação.
Desgastado, recebeu no meio de 1995 uma oferta do Flamengo, para jogar ao lado de Sávio e Romário, o que foi alardeado pela Flapress como o “melhor ataque do mundo”. Aceitou, no que, segundo o próprio, foi o maior erro de sua carreira. Com muita badalação e pouco futebol, o jogo mais memorável desta época foi um enorme quebra-pau na Argentina, em partida contra o Vélez Sarsfield, em que levou um tremendo soco do zagueiro Zandoná e caiu desacordado. Edmundo ainda passou por um dos piores episódios de sua carreira nesse período, quando acabou perdendo o controle de seu carro na Lagoa Rodrigo de Freitas e envolveu-se num acidente, que vitimou uma pessoa.
Em 1996, mais uma decisão polêmica: aceitou convite para defender o Corinthians, que estava montando um bom time. Edmundo jogou bem, mas não teve sorte, já que teve que enfrentar nada menos que o ataque dos 102 gols do Palmeiras. Seu time não teve chances e passou o ano em branco.
Em 1997, voltou para o Vasco, onde conseguiu jogar melhor ainda do que nos anos anteriores. Edmundo foi, para muitos, o melhor jogador do mundo naquele ano. É fato que havia uma concorrência pesada, como Ronaldo, mas não era descabido considerá-lo. Carregou o Vasco à conquista do Brasileirão daquele ano, com uma performance absurda: 29 gols em 28 jogos. Frise-se que, nas finais contra o Palmeiras (dois empates em 0 a 0), houve a polêmica do cartão forçado e do efeito suspensivo, artimanha arquitetada pelo dirigente Eurico Miranda.
O incrível desempenho de Edmundo o levou a ser contratado pela Fiorentina-ITA, onde faria uma dupla impressionante com o argentino Gabriel Batistuta. Mas o treinador Alberto Malesani não concordava, e Edmundo ficou relegado à reserva em algumas partidas, o que despertou novamente a fúria do Animal. Edmundo se revoltou e esticou sua passagem pelo Rio durante o Carnaval. Era salvo, no entanto, por seu talento.
Foi convocado por Zagalo para a Copa do Mundo de 1998 e era reserva de Bebeto. Ronaldo sofreu uma convulsão na manhã da final, contra a França, e Edmundo acabou sendo escalado. Na última hora, a escalação foi alterada e Ronaldo entrou jogando; Edmundo entrou no segundo tempo mas sua participação não evitou a derrota do Brasil na final, por 3 a 0.
De volta a Firenze, seguiu em sua eterna gangorra de criar polêmicas e encantar o público com seu futebol cada vez mais impressionante. Mas outra esticadinha para pular Carnaval no Rio, em 1999, selou seu destino na equipe viola. Ele foi tolerado até o fim da temporada, e no meio do ano negociou sua terceira passagem pelo Vasco.
De volta à sua casa, Edmundo seguiu jogando bem, mas não o suficiente para disputar o título brasileiro. O Vasco então se reforçou com Romário para a disputa do Mundialito de 2000, e os dois iniciaram a disputa ensaiando grandes jogadas, mas Edmundo acabou perdendo o pênalti decisivo na final contra o Corinthians, o que fez com que a briga pelo posto de “dono do time” se aflorasse.
Mais experiente, o Baixinho ganhou a queda-de-braço; Edmundo, mais ingênuo, acabou sendo expurgado do time e rumou por empréstimo para o Santos. Dentro de campo, seu desempenho continuava muito bom, marcando muitos gols, mas um desentendimento por conta de salários atrasados precipitou sua saída do time após apenas 6 meses, quando aceitou uma proposta do Napoli-ITA.
Pela primeira vez em muito tempo, o desempenho de Edmundo dentro de campo não foi bom. Infeliz, não conseguiu jogar bem e virou reserva num time que lutava contra o rebaixamento – algo que se concretizou ao final da temporada 2000-2001. Seu empréstimo foi encerrado. Conseguiu na Justiça se desvincular do Vasco e, com o passe na mão, acertou com o Cruzeiro.
Em sua apresentação em Minas, deu uma declaração desastrada, inferindo que o clube celeste não seria exatamente sua primeira opção de carreira. Mesmo jogando bem, sua relação com a torcida só piorava e azedou de vez quando, antes de uma partida contra o Vasco, disse que desejava não fazer gol e que não comemoraria caso acontecesse. O sincericídio foi sacramentado quando o placar apontava 3 a 0 para o Vasco e Edmundo desperdiçou um pênalti. Foi demitido no vestiário.
Com tantas polêmicas, Edmundo partiu para uma fase mais pacífica em sua carreira e fez o que todo jogador brasileiro que quer tranquilidade faz: um bom contrato no Japão. Não que não tenha arrumado confusão, afinal, o Carnaval acontecia todo ano. Mas seu desempenho absurdo no futebol japonês lhe dava alguns privilégios.
Depois de uma rapidíssima passagem pelo Urawa Reds, acertou sua quarta passagem pelo Vasco, no começo de 2003. Mas decepcionou-se com a má qualidade do elenco e com mais atrasos no pagamento dos salários. No início de 2004, acertou sua ida para o Fluminense, onde voltou a fazer dupla com Romário, com quem havia feito as pazes. Com um desempenho físico inferior, Edmundo não justificou a expectativa e ao final do ano decidiu fazer uma pausa em sua carreira, algo que muitos receberam como o anúncio velado de uma aposentadoria.
Entre maio e julho, acertou com o Nova Iguaçu, time gerido por Zinho, muito mais para participar de programas sociais. Fez apenas duas partidas, o suficiente para reacender no jogador a vontade de jogar bola. Conseguiu a confiança do Figueirense, que apostou no já veterano jogador, que disputou o Brasileirão de 2005 pelo clube catarinense. Numa partida contra o Palmeiras, no Palestra, foi ovacionado e seduzido por nossa torcida, que pediu por sua volta.
No final de 2005, prestes a completar 35 anos, Edmundo era novamente anunciado pelo Palmeiras.
Foram mais dois anos em bom nível com a camisa do Verdão, considerando que nossos times à época estavam longe de nossas maiores tradições. Bem amadurecido, Edmundo era o líder técnico do Palmeiras, condição que passou a dividir com um jovem jogador recém-chegado do Chile, Jorge Valdivia. Durante uma enorme briga num jogo contra o Cerro Porteño, no Palestra, Edmundo ficou calmamente observando, esperando a confusão passar. Ao final de 2007, foi dispensado, mas a sensação geral era a de dever cumprido.
Fez então seu último contrato com o Vasco, em 2008, para aposentar-se com 37 anos. Após parar de jogar, tornou-se comentarista, permanecendo por muito tempo na Fox Sports, onde o temperamento habitual se fez presente. Nas discussões na mesa, Edmundo tinha dificuldades para domar o Animal dentro de si, até que um dia explodiu com o colega Paulo Vinicius Coelho.
Segue vivendo no Rio de Janeiro, onde joga seu futevôlei e curte, todos os anos, o Carnaval.
Resumo das partidas
| J | V | E | D | Gols | % |
| 223 | 125 | 50 | 48 | 99 | 63,5 |
| Ano | J | G | % | ![]() | ![]() |
| 1993 | 71 | 27 | 69 | 14 | 6 |
| 1994 | 45 | 22 | 71.1 | 7 | 2 |
| 1995 | 18 | 15 | 72.2 | 5 | 1 |
| 2006 | 55 | 19 | 52.1 | 14 | 0 |
| 2007 | 34 | 16 | 53.9 | 7 | 0 |
| Total | 223 | 99 | 63.5 | 47 | 9 |
| Data | Jogo | Campeonato | ||
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11/04/1995
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1995 |
Copa do Brasil |
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08/04/1995
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1995 |
Campeonato Paulista | |||
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06/04/1995
06/04
1995 |
Campeonato Paulista |
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04/04/1995
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1995 |
Libertadores |
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02/04/1995
02/04
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Campeonato Paulista |
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28/03/1995
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1995 |
Libertadores |
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24/03/1995
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Copa do Brasil |
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22/03/1995
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Libertadores |
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18/03/1995
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Campeonato Paulista |
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07/03/1995
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Libertadores | |||
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04/03/1995
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Campeonato Paulista |
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24/02/1995
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21/02/1995
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Libertadores |
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17/02/1995
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11/02/1995
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Campeonato Paulista |
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08/02/1995
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29/01/1995
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Brasileirão |
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Brasileirão |
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15/10/1994
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24/09/1994
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