Nasceu no começo de abril? Sua chance de brilhar no Palmeiras é grande!

Por Gabriel Yokota

No calendário de craques palmeirense, os dias 2 e 3 de abril são especiais. Nestas duas datas, nada menos do que cinco jogadores que fizeram História no Palmeiras comemoram mais um ano de vida.

Do Animal ao Divino, passando por dois lendários laterais-direitos e chegando até Jesus. Este é o nível de qualidade que o começo de abril proporcionou ao Verdão.

Arce

Arce

Nascido em 2 de abril de 1971, em Paraguarí-PAR, Francisco Javier Arce Rolón, mais conhecidos para os palmeirenses como “Chiqui Arce”, chegou ao Verdão a pedido de Felipão em 1998.

No Palmeiras, o lateral-direito jogou cinco temporadas, conquistou 4 títulos, marcou 57 gols e colocou seu nome na História do clube como o estrangeiro que mais vezes vestiu o manto alviverde, com 241 partidas.

Depois de 17 anos como jogador, o paraguaio agora é treinador. Começou a carreira no pequeno Club Rubio Ñu, em 2009, e desde então, esteve à frente de seis times: Cerro Porteño (duas vezes), Guaraní, Olimpia, General Díaz, Ohod e Nacional, e por duas vezes comandou a seleção paraguaia. Atualmente, o ex-lateral-direito dirige o Cerro Porteño.

Edmundo

Edmundo

Outro ídolo alviverde que completou 50 anos neste 2 de abril é o Edmundo Alves de Souza Neto. Com cinco títulos na bagagem jogando pelo Palmeiras, dentre eles o Paulista de 93 e os Brasileiros de 93 e 94, o ex-atacante está na primeira prateleira de ídolos entre muitos torcedores palmeirenses.

Por aqui, foram duas passagens (1993 a 1995 e 2006 a 2007), totalizando 223 partidas e anotando 99 gols. Além de craque, Edmundo também ficou conhecido por suas polêmicas dentro e fora de campo. 

Pendurou as chuteiras em 2008, quando atuava pelo Vasco, e logo em seguida iniciou a carreira de comentarista. Na televisão, o Animal teve passagens pela Rede TV!, TV Bandeirantes e, por último, Fox Sports. Em dezembro do ano passado, Edmundo deixou os canais Disney. Recentemente, o ex-jogador acertou com o Grupo Globo, mais precisamente a Globoplay (serviço de streaming), para participar da série “O Jogo que Mudou a História”, que ainda não tem data para estrear.

Ademir da Guia

Ademir da Guia

Maior jogador que já passou pelo Palmeiras, Ademir Ferreira da Guia nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1942. Pelo Verdão, o Divino atuou por 16 temporadas (1962 a 1977), totalizando 904 partidas e 155 gols marcados, sendo o jogador que mais vestiu o manto alviverde e o jogador com maior número de troféus.

Com ele em campo pelo Verdão, o SCCP jamais conquistou um título. Filho do craque brasileiro Domingos da Guia, Ademir comandou as duas Academias do Palmeiras, nos 60 e 70. Encerrou sua carreira em 1977, aos 35 anos.

Alguns anos depois, em 1984, Ademir vestiu pela última vez a camisa do Palmeiras, em um amistoso disputado no Canindé. Em 2001, teve sua biografia publicada, e cinco anos depois, foi lançado um documentário sobre a sua carreira, intitulado “Um craque chamado Divino”.

Já longe das quatro linhas, o ídolo palmeirense foi eleito vereador da cidade São Paulo, em 2004. Nas eleições de 2014, 2018 e 2020, concorreu às vagas de deputado estadual e vereador, respectivamente, mas sem sucesso. Fora da política atualmente, o eterno camisa 10 está sempre presente em eventos realizado pelo Palmeiras.

Eurico

Eurico

Parceiro de Ademir na segunda Academia do Palmeiras, Eurico Pedro de Faria também faz aniversário no dia 3 de abril. Nascido em 1948, vencedor de cinco títulos com o Verdão, entre eles o bicampeonato brasileiro de 72 e 73, fez parte eficientíssima defesa da Segunda Academia do Palmeiras, junto com Leão, Luís Pereira, Alfredo e Zeca.

Eurico chegou ao Palmeiras em 1968 vindo do Botafogo-SP. O ex-lateral-direito atuou pelo Verdão entre 1968 a 1975, totalizando 470 partidas pelo clube, número que o deixa em segundo lugar entre os laterais que mais jogaram com a camisa alviverde.

Pendurou as chuteiras em 1982, mas não conseguiu se distanciar da bola. No meio para o final dos anos 80, fez parte da Seleção Brasileira de Masters, que reunia grandes nomes do futebol brasileiro para disputar partidas amistosas país afora. Hoje em dia, o ex-craque palmeirense vive em Ribeirão Preto, sua cidade natal; assim como Ademir, participa de alguns eventos promovidos pelo Verdão.

Gabriel Jesus

Para finalizar a galeria de craques palmeirenses que fazem aniversário neste início de abril, temos aqui uma Cria da Academia: neste sábado, o menino que cresceu no Jardim Peri, bairro da zona norte de São Paulo, completa 24 anos.

Gabriel Fernando de Jesus chegou ao Palmeiras em 2013 para jogar no Sub-17. Um ano e seis meses depois, o atacante se destacou e fez História no Estadual da categoria marcando 37 gols em 22 jogos, recorde da competição. Depois de muita badalação por conta de seu desempenho na base, Gabriel estreou no time principal do Verdão em 7 de março de 2015.

Após duas temporadas, nas quais fez 85 jogos, marcou 28 gols e conquistou dois títulos, o jovem craque rumou em direção a Manchester, onde defende o City e segue sua carreira de gols e conquistas.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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O início do Paulistão de 1993 e a chegada de Edmundo ao Palmeiras

Por Thell de Castro

Depois de fechar o contrato de cogestão com a Parmalat e passar a nadar em dinheiro para grandes contratações, o Palmeiras montou um supertime em 1993 e iniciou o ano como favorito para as competições que disputaria. Mas ainda tinha que vencer a desconfiança da mídia, em virtude de que, nem sempre, o que é um esquadrão no papel vira um campeão em campo.

Após falar em Taffarel e Renato Gaúcho, entre outros, o Palmeiras contratou Edmundo, do Vasco, e nomes como Roberto Carlos, jovem relevação do União São João; Edilson, meia-atacante do Guarani; o zagueiro Antônio Carlos, do Albacete, da Espanha, entre outros.

A Folha de S. Paulo de 24 de janeiro de 1993 trouxe um guia sobre o Campeonato Paulista de 1993. Vou retratar aqui como time do Palmeiras foi visto para a competição e também alguns dias após a estreia. A primeira matéria é “Desafio às superpotências marca início do Paulistão”. No subtítulo: “SPFC mantém time campeão do mundo e Palmeiras investe US$ 5,2 mi; SCCP enfrenta o Bragantino no principal jogo do primeiro domingo”.

De cara, o Campeonato Paulista de 93 parece ser um segundo round da luta entre as duas superpotências do futebol brasileiro, o SPFC e o Palmeiras. O primeiro, vencedor do primeiro round, em 92, manteve a equipe campeã do mundo e sonha com um título inédito: o tricampeonato paulista. O segundo, vice em 92, quer a vingança e armou um megatime de US$ 7 milhões, US$ 5,2 mi só em 93.

Diante de SPFC e Palmeiras, com seus 14 jogadores de seleção e um punhado de promessas, os outros 28 times surgem como os índios de um faroeste. Só por SPFC e Palmeiras, esta edição tem tudo para ser a melhor em anos; mas há o ‘plus’ do desafio aos coadjuvantes. Se estes resolverem lutar pelo Oscar, será um evento seguramente antológico.

Na mesma edição especial, na página 2, um acontecimento histórico para nós. A nota, sem grande destaque, é “Edmundo quer um troféu”.

Repare que, naquela época, ninguém falava muito em SCCP e Santos. O primeiro estava em uma fase ruim depois do Brasileiro de 1990; o segundo, então, vivia uma draga desde os anos 1980. O grande adversário era o SPFC. Mas, como sabemos, a final daquele ano foi entre Palmeiras e SCCP. Melhor, impossível.

Em “Telê mantém time; Otacílio vai montar nova equipe”, o duelo tático de Palmeiras e SPFC.

Os técnicos dos grandes clubes da Capital travam, a partir de hoje, uma batalha tática. Telê Santana, do SPFC, Otacílio Gonçalves, do Palmeiras, e Nelsinho, do SCCP, enfrentam desafios diversos.

Otacílio Gonçalves segue por um terreno mais desconhecido. Com o time reforçado por seis contratações, o técnico terá a missão de montar a equipe com diversas estrelas que atuam na mesma função. Disposto a tirar Mazinho da lateral e escalá-lo no meio campo, Otacílio terá que acertar a função tática de Edílson, Zinho, Edmundo e César Sampaio. Devem ir para a reserva Jean Carlo e Daniel.

O desafio do técnico palmeirense é conseguir o entrosamento ideal para que Evair não fique sozinho na frente. As melhores alternativas são as descidas pelas pontas de Zinho e Edmundo.

Edmundo, Zinho e EvairNa página 5, uma matéria somente para os investimentos palmeirenses: “Parmalat investe para enfrentar SPFC”.

Entre os vários objetivos traçados pela Parmalat para este ano, um se destaca: a conquista do campeonato paulista pelo Palmeiras. Para atingir o objetivo, o time tem como principal rival o SPFC, campeão paulista, sul-americano e mundial interclubes.

A equipe investiu cerca de US$ 5,2 milhões nesta temporada em contratações. Somados aos US$ 1,8 milhão injetado no ano passado, a Parmalat gastou o que pretendia investir na contratação de Diego Maradona. Enquanto o título não é conquistado, a empresa apresentou um crescimento de 20% nas vendas, depois de assinar o acordo com o Palmeiras.

“O SPFC compete contra uma grande empresa”, analisou o presidente do clube, José Eduardo Mesquita Pimenta. No final do ano passado, antes de o Palmeiras perder o título para o SPFC, a Parmalat acertou a contratação do zagueiro Antônio Carlos, do Albacete espanhol, por US$ 1,5 milhão, e o lateral esquerdo Roberto Carlos, do União São João, por US$ 500 mil.

Enquanto o SPFC acertava a permanência de Raí por mais seis meses, a Parmalat investia em mais contratações. Depois de dois insucessos (Ricardo Rocha e Gerônimo), a empresa partiu para mais uma contratação de impacto: o meia Edmundo, do Vasco.

Com a demora do acerto, a Parmalat acertou outros três negócios. Contratou por empréstimo os pontas Marquinhos e Naná, do Andradina, por US$ 30 mil cada, e o meia Edílson, do Guarani, por US$ 1,3 milhão. Edmundo foi oficialmente contratado na sexta passada, por US$ 1,85 milhão. “Com ele, paramos durante um tempo de fazer negócios”, disse José Carlos Brunoro, diretor de esportes da empresa.

Edmundo é o sexto jogador da equipe que faz parte das convocações da seleção brasileira – os outros são Antônio Carlos, Roberto Carlos, César Sampaio, Evair e Zinho.

Na segunda, dia 25 de janeiro de 1993, além da derrota do SCCP na estreia para o Bragantino por 1 a 0, a Folha destacava na capa do caderno de esportes a contratação de Edmundo.

O meia Edmundo, 21, apresentou-se ao Palmeiras decidido a impressionar. O jogador despertou também a maior recepção entre os novos contratados: cerca de 100 pessoas esperaram por ele na tarde de sábado.

Inicialmente impressionado, Edmundo logo tentou desfazer dois conceitos que acompanham sua carreira: a fama de jogador temperamental e uma certa arrogância ao seu declarar sempre vencedor em todo time em que joga. Mas, à medida em que procurava derrubar a fama, Edmundo só conseguiu fortalecê-la, para alegria dos torcedores que o cercavam.

Destaque para a resposta para a pergunta “você acredita que o Palmeiras já consegue atingir o mesmo nível técnico do SPFC?”

– “É difícil ainda dizer isso. Na teoria, sim. Boa parte da seleção brasileira está agora no Palmeiras e no SPFC. Mas sei que vamos chegar na frente do São Paulo nesse ano. A equipe é excelente e já podemos nos preocupar com a comemoração na avenida Paulista”. Dito e feito!

Na quarta, dia 27 de janeiro, o Palmeiras estrearia contra o Marília, às 20h30, no Palestra Itália.

O time não decepcionou. Para 27.516 pagantes, com renda de Cr$ 1.506.465.000,00, e Edmundo Lima Filho como árbitro, o time saiu perdendo, mas buscou a virada ainda no primeiro tempo e venceu por 2 a 1 jogando com Veloso, João Luís (Maurílio), Antônio Carlos, Edinho Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio, Mazinho, Edmundo (Jean Carlo) e Zinho; Edílson e Evair. O Marília perdeu com Júlio César; Amauri, Miranda (que foi expulso aos quatro minutos do primeiro tempo), Cavalcanti e Ailton; Tozin, Edilson, Guilherme e Nei (Cássio); Catatau e Vladimir (Paulo César), técnico José Carlos Serrão. Catatau fez aos 2 minutos, enquanto Evair marcou aos 23 e César Sampaio fez o segundo aos 26.

Dessa forma, iniciamos nossa trajetória vitoriosa no Campeonato Paulista de 1993, que culminou no jogo de 12 de junho, quando vencemos o SCCP por 4 a 0 e fomos campeões após 16 anos sem conquistas.


Thell de Castro é palmeirense, jornalista e editor do site TV História