1
X
1

19/10/2016 - 21:45

Jogando com oito reservas, o Palmeiras cedeu o empate ao Grêmio e acabou eliminado da Copa do Brasil, para frustração de quase 30 mil pagantes no Allianz Parque. Mesmo com um time alternativo, o Verdão se portou bem principalmente no primeiro tempo, chegou a ter a vantagem que precisava, mas perdeu força a partir da expulsão de Allione, permitindo a reação ao time gaúcho.

A eliminação, no entanto, não chega a ser um desastre, pois vai permitir ao Palmeiras focar exclusivamente no Brasileirão, canalizando as forças para chegar a um título que não vem há 22 anos e que estamos bem próximos de conquistar. De qualquer forma, fica a sensação desconfortável de que dava para ganhar os dois troféus, mas desperdiçamos a chance.

PRIMEIRO TEMPO

O Palmeiras entrou em campo com o terceiro uniforme, azul. Para enfrentar o Grêmio. Não pode, isso está muito errado. A Adidas precisa ter mais bom senso; não adianta forçar a barra deste jeito para tentar vender seu material – além de tudo, um uniforme reciclado do ano passado. Que feio.

Feio também estava o gramado do Allianz Parque. Não poderíamos esperar coisa muito melhor, depois de uma semana com dois shows que nos tirou de casa e que nos custou dois pontos. Mas o estado da grama estava abaixo do tolerável. Mais uma na conta da WTorre, que não consegue nem limpar direito os banheiros – mais de uma hora antes do jogo, havia muita sujeira ainda do show do Aerosmith.

Com Barrios no comando do ataque; Gabriel e Thiago Santos protegendo a zaga e Fabiano e Egídio liberados, o Verdão foi para o jogo com uma postura bastante ofensiva e dominou todo o primeiro tempo. As chances de gol se sucediam e o Grêmio não tinha pudores em se defender com 11 jogadores em seu próprio campo.

Barrios se destacou nos primeiros movimentos, fazendo o pivô com muita precisão e arredondando todas as jogadas. Cleiton Xavier e Allione, por outro lado, alternavam jogadas boas e ruins, muito irregulares. E Gabriel Jesus, com a faixa no braço – possivelmente o capitão mais jovem da História do clube – se movimentava bastante para tentar compensar a irregularidade dos companheiros.

Aos 12, a trave salvou o Grêmio: Egídio cobrou falta da direita, de muito longe; a bola veio cheia de efeito e encontrou a cabeça de Barrios, que escapou da marcação e testou firme – a bola explodiu no travessão. Aos 18, depois de boa troca de passes de todo o ataque, Gabriel pegou uma sobra de frente para o gol e experimentou, mas errou o alvo.

Aos 24, Gabriel Jesus começou a articulação; ele encontrou Cleiton Xavier entrando em diagonal e tocou; o camisa dez viu Egídio penetrando por trás de Edilson e enfiou com precisão; Egídio rolou para o meio da área e Allione chegou batendo, procurando o canto esquerdo de Bruno Grassi, que saltou – a bola provavelmente entraria mas Marcelo Oliveira salvou. O Grêmio respondeu logo na sequência e criou sua melhor chance do primeiro tempo: Pedro Rocha desceu com muita velocidade, tabelou com Douglas e saiu na cara de Jailson, mas chutou para fora, à direita.

O jogo pegou fogo e o Palmeiras prensou o Grêmio em seu campo. Aos 26, Thiago Santos suspendeu na área; Gabriel Jesus aparou com o peito e Allione bateu; Kannemann não deixou a bola chegar ao canto direito de Grassi; no rebote Barrios aparou, tirou de Ramiro e finalizou, e mais uma vez Marcelo Oliveira tirou do canto esquerdo da meta gaúcha, com o goleiro batido.

Depois desta sequência, a rotação do jogo baixou nos quinze minutos finais e o Grêmio enfim começou a catimbar, panorama que persistiu até o fim do primeiro tempo. Um domínio completo do Verdão, que derruba qualquer argumento de que não deveria ter poupado titulares. O elenco do Palmeiras deu conta do recado e bateu de frente com o que o Grêmio tem de melhor.

SEGUNDO TEMPO

Sem mudanças, o Verdão veio com tudo para o tempo final. Precisando de apenas um gol, o time se atirou à frente e passou a dar mais espaços para o Grêmio chegar. Aos 3, Douglas bateu falta na área pelo lado esquerdo; Marcelo Oliveira cabeceou na direção de Jailson que não teve problemas para mandar a escanteio – mas fez pose.

Aos 6, Cleiton Xavier cobrou escanteio, Thiago Santos escorou e Thiago Martins testou com muito estilo, ganhando da zaga gaúcha e mandando no ângulo de Bruno Grassi, abrindo o placar e dando ao Palmeiras a vantagem necessária para avançar na competição. O Allianz Parque se encheu de confiança e se divertia mais ainda com os anúncios do SCCP levando gols do Cruzeiro.

O Grêmio foi obrigado a sair para o jogo. Aos 12, Edilson fez fila e quando se preparava para bater foi desarmado parcialmente por Thiago Martins; Walace pegou a sobra e emendou para o gol, buscando o canto esquerdo de Jailson, que se esticou para defender. Aos 15, Renato Gaúcho mandou Everton a campo, no lugar de Pedro Rocha, para jogar pela esquerda. Cuca respondeu 3 minutos depois, colocando Jean, descansado e mais veloz que Fabiano, para tentar contê-lo.

Um minuto depois, o estrago: numa jogada sem maior perigo, perto da lateral, Allione entrou com vontade demais em Everton e levou o cartão vermelho, direto – e não há o que contestar na decisão do árbitro. O Grêmio se animou e o Palmeiras sentiu o golpe; recuando e chamando o adversário para seu campo. Assim, nosso time se propôs a suportar quase 30 minutos de pressão fortíssima.

Cuca tentou melhorar o panorama mandando Erik no lugar de Cleiton Xavier. A flecha estava em campo, mas entrou exatamente no lugar do arco; e manteve Barrios em campo, a esta altura, sem função. Foi um erro estratégico de nosso treinador, mantendo o time com praticamente dois a menos por alguns minutos. Nesse ínterim, aos 22, Douglas bateu mais uma falta em direção a nossa área; a bola desviou no meio do caminho para a direita; Luan fez ótimo corta-luz e a bola se ofereceu para Ramiro, que fechou pela direita e bateu forte – Jailson fez ótima defesa.

Cuca consertou a bobagem pouco tempo depois, colocando Zé Roberto para fazer a ligação no lugar de Barrios. O time, em tese, ficou no 4-4-1, com Erik na frente e Zé Roberto tentando ligar a correria com o apoio de Gabriel Jesus. Renato respondeu mandando Bolaños a campo no lugar de Ramiro.

O Grêmio chegou ao gol da classificação aos 30: Douglas tocou para Everton, aberto pela esquerda. Jean estava bem posicionado, fazendo a parede. O atacante gremista buscava o espaço, enquanto Thiago Santos se aproximava para fazer a dobra. Everton puxou para dentro e bateu forte; a bola entrou no canto de Jailson, que tinha dado um passo à esquerda contando com o bloqueio de Jean, mas a bola passou entre as pernas de nosso lateral.

O Grêmio começou a catimbar e o Palmeiras demorou para assimilar o golpe. Passaram-se cerca de 7 ou 8 minutos até o time voltar a si para armar um novo ataque – mas a desvantagem numérica dificultava demais as coisas contra um Grêmio que apenas fez o básico, mas com muita aplicação, para cercar nossa movimentação de bola. Seguiu-se uma pressão na base de chuveirinhos, a torcida empurrou, mas a forma como os fatos se sucederam gelaram o estádio, que desta vez não foi o caldeirão que talvez fizesse a diferença.

FIM DE JOGO

O Palmeiras foi eliminado de uma competição pela primeira vez no Allianz Parque. O foco agora volta-se totalmente para o Brasileirão. Allione cometeu um erro tolo, mas seria muita estupidez da torcida e das cornetas que rodeiam a Pompeia pedir a cabeça do menino neste momento, entrando na onda da imprensa de que o jogo “foi vestibular” para o ano que vem.

Nosso momento é de união absoluta e apoio incondicional. Estamos a sete partidas – ou menos – de conquistar o troféu mais importante do país e as palmas que foram ouvidas ao apito final do juiz devem continuar até o fim da temporada. Deixem o Halloween para a imprensa, eles que cacem as bruxinhas deles; nós continuaremos defendendo nossos jogadores para que eles se sintam fortes e calem a todos os que querem nos tirar dos trilhos. Esta eliminação foi educadora, para moldar o caráter dos mais jovens que estão aprendendo agora a acompanhar futebol. Doeu, mas passa rápido, porque aqui é Palmeiras. VAMOS!

Ficha Técnica

Escalação

Grêmio

Bruno Grassi
Léo
Edílson
Pedro Geromel
Kannemann
Marcelo Oliveira
Walace
Maicon
Ramiro
Bolaños
Douglas
Pedro Rocha
Éverton
Luan
Renato Portaluppi
TÉCNICO