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Invicto no Campeonato Paulista de 1972, o Palmeiras chegou à última rodada precisando de apenas um empate para conquistar mais um troféu estadual.

O Paulistão daquele ano foi disputado por pontos corridos, com turno e returno, mas esse jogo, válido pela última rodada, foi como uma final, já que tanto o Palmeiras quanto o SPFC chegaram separados por apenas um ponto, ambos invictos. Com 36 pontos ganhos em 21 jogos, o Palmeiras era o líder do campeonato e qualquer  empate bastava para alcançar mais um troféu. Já o  SPFC, com um ponto a menos, precisava de qualquer vitória.

Em uma partida incrivelmente disputada, o Verdão manteve o placar zerado e conquistou o seu 16º título Paulista.

Mesmo antes da bola rolar, o clima entre as duas equipes já estava tenso. Isto porque o presidente do Palmeiras, Paschoal Giuliano, na condição de mandante, decidiu não levar o jogo final ao Morumbi, local onde “até o gandula é sampaulino”, e escolheu o Pacaembu como o palco do prélio – houve muita pressão para que a partida fosse levada ao Morumbi.

Para explicar à torcida o motivo pelo duelo ser no Pacaembu, estádio onde caberiam menos torcedores, o mandatário alviverde fez anúncios de página inteira nos maiores jornais de São Paulo e cunhou a célebre frase: “as rendas passam; os títulos ficam”.

O Palmeiras, mesmo tendo a vantagem do empate a seu favor, começou o jogo pressionando o rival. Nos primeiros minutos, Eurico cobrou falta lateral na área e César cabeceou com perigo. Aos 6 minutos, César tocou de cabeça para Nei; o atacante ia em direção à bola, dentro da área, mas foi atropelado pelo zagueiro o adversário. O árbitro Oscar Scolfaro, no entanto, não assinalou o pênalti.

A equipe comandada por Oswaldo Brandão continuou mandando na partida e aos 33 minutos quase abriu o placar: Edu recebeu de César e acertou um bom chute; Sérgio defendeu, mas deu rebote e César chegou para finalizar – o chute do camisa 9 não saiu tão forte e, mesmo a bola passando pelo arqueiro adversário, Forlán conseguiu salvar em cima da risca.

Dois minutos depois deste lance, o Palmeiras sofreu um grande baque: por causa do jogo muito físico, Dudu acabou se lesionando e precisou ser substituído; o argentino Madurga entrou em seu lugar.

Aos 44 minutos, outra grande chance de gol para o Palmeiras: Eurico cruzou à meia altura, Madurga deixou a bola passar e ela se ofereceu a César; o camisa 9 dominou, mas chutou por cima do gol de Sérgio. Apesar de todo o controle palmeirense, o primeiro tempo terminou em 0 a 0 – resultado que interessava ao alviverde.

Na volta do intervalo, o SPFC, precisando do resultado, mudou a postura. O Palmeiras, sabendo que o rival precisava se lançar à frente, recuou e, numa jornada muito boa da linha defensiva, bloqueou todas as tentativas do SPFC, que pouco assustou Leão.

No final, o placar terminou mesmo sem abertura de contagem e o título foi conquistado pelo Palmeiras.

A conquista do Verdão, além de ser histórica por ter sido em cima do inimigo, também ficou marcada por quebrar a série de títulos Paulistas do SPFC, que havia vencido as duas últimas edições.

 

Ficha Técnica

41.812

Cr$ 352.838,00

Oscar Scolfaro

Escalação

SPFC

Sérgio
Forlán
Samuel
Arlindo
Gilberto Sorriso
Edson Cegonha
Pedro Rocha
Paulo Nani
Terto
Toninho Guerreiro
Zé Carlos
Paraná
Wilton
Alfredo Ramos
TÉCNICO