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02/12/2015 - 22:00

Pré-Jogo

Palmeiras X Santos - Pré-jogo

É hoje. Depois de um ano intenso, com altos e baixos, finalmente o Verdão vai decidir um grande título na nova casa. O Allianz Parque viverá sua primeira de muitas voltas olímpicas esta noite, depois que Palmeiras e Santos decidirem o rumo do troféu. E o Palmeiras chega para o jogo precisando de uma vitória simples para forçar a decisão por pênaltis; dois gols para acabar com a disputa.

O jogo é em casa. É o Palmeiras, e é um clássico. Não tem a menor chance de alguém dizer que os caras são favoritos. Nunca, em hipótese alguma. Quem afirma o contrário não conhece nada de futebol.

O momento técnico do Palmeiras é muito ruim. O do Santos já foi bem melhor. Ninguém chegou à decisão no pico de sua forma, ainda mais por já estarmos entrando em dezembro. Dizem que não, mas temos bola pra ganhar deles, sim. Só que quem vai decidir, como sempre, vai ser o coração. E nessas condições, nossa gente vai fazer a diferença.

O Allianz Parque viverá mais uma noite de intensidade absurda, algo que só as finais com clássicos estaduais conseguem proporcionar. Tudo bem que não é num estádio meio a meio, tudo bem que do outro lado é apenas o Santos. Mas à beira do campo haverá um troféu. A torcidinha deles vai estar lá no cantinho, de preto e branco. Vai ser de arrebentar.

Não sabemos quem serão os heróis, mas os vilões já estão eleitos. Pisarão no gramado do Allianz Parque David Braz, ingrato, cria nossa que não se contentou em desertar, mas ainda quis dar uma de esperto na saída; Lucas Lima, protegido pelo árbitro quando deveria ter sido amarelado no jogo da ida, como foi o nosso Lucas – e que debochou dessa situação; e Ricardo Oliveira, que aos 35 anos, depois de finalmente ter tido uma temporada sem lesões na carreira e com muitos gols marcados, demonstra que a humildade que sempre aparentou não passava de embrulho. Puta que pariu, não podemos perder pra esses caras em nossa casa nunca, de jeito nenhum!

Não vamos ganhar na técnica, nem na tática. Vamos ganhar porque eles já tem pôster de campeão nas bancas. Vamos ganhar porque somos verdes e brancos. Vamos ganhar porque somos infinitamente maiores. Vamos ganhar porque Fernando Prass; João Pedro, Jackson, Vitor Hugo e Zé Roberto; Matheus Sales e Arouca; Robinho, Dudu e Gabriel Jesus; Barrios entrarão no gramado nos levando junto. Vamos ganhar, porque vamos. Vamos, porra! VAMOS PALMEIRAS!

Pós-Jogo

Palmeiras X Santos - Pós-jogoPalmeiras X Santos - Pós-jogo

Ganhamos mais uma. Foi sofrido, muito mais do que poderíamos esperar. O roteiro teve aqueles requintes de crueldade – que no final machucaram apenas os santistas, que viram a vaca indo pro brejo por duas vezes, ganharam esperança extra em ambas, para depois serem finalmente vencidos.

A atmosfera no Allianz Parque, fora e dentro, foi algo extraordinário. Em quase 37 anos frequentando estádios, posso dizer com segurança que nunca vi nada parecido, nem em nossas grandes conquistas da década de 90. Nosso novo estádio teve seu batismo de gala nesta magnífica noite de 2 de dezembro, que atravessou para o dia 3. Pensando bem, dois dias eram necessários para caber tanta grandeza. O Allianz Parque teve sua alma definitivamente forjada no momento em que Zé Roberto levantou o troféu.

Depois de perder o jogo de ida, o Palmeiras voltou a mostrar o bom futebol que trouxe o time às finais. Quando precisou, o time respondeu; foi assim contra o Cruzeiro, contra o Inter e contra o Fluminense. Três dos quatro estados mais importantes do futebol já haviam se dobrado à superioridade do Palmeiras; faltava apenas o nosso próprio. E o Palmeiras, contra todos os prognósticos, inverteu a tendência.

Nos quinze jogos anteriores, haviam sido apenas três vitórias: justamente os confrontos contra Inter e Fluminense que decidiram nosso avanço, além de um jogo contra o Avaí, com os reservas. Exigido, em condições extremas, o time jogou bem. Incontestavelmente; e ainda sendo prejudicado pelas arbitragens.

Heber Roberto Lopes apitou muito bem. Aparentemente, não houve telefonema algum do Sergio Corrêa; no máximo, um “boa sorte”. E ele mostrou que juízes como ele, do primeiro quadro, quando querem apitar direito, sabem como fazer isso.

PRIMEIRO TEMPO

Com a bola rolando, o Palmeiras dominou o Santos. Não chegou a ser uma partida brilhante, um baile de bola, mas foi suficiente para sobrepujar o badalado time santista, tido como “superior” por dez entre dez cronistas esportivos.

O jogo começou com Gabriel Jesus aproveitando um corte de Arouca que foi desviado por Barrios; em velocidade, bateu na saída de Vanderlei que desviou pelo rabo a escanteio. Tudo isso com alucinantes dez segundos de jogo.

O Santos respondeu aos sete minutos: Zeca fez grande jogada pela esquerda e a bola ficou com Marquinhos Gabriel, que cortou Jackson e bateu com pouco ângulo; Prass defendeu parcialmente e a bola sobrou para Vitor Ferraz no lado oposto; ele ajeitou o corpo e bateu na trave esquerda, do lado interno, de Fernando Prass, que já estava recomposto para o lance e fechou bem o ângulo. Um sustaço.

Aí o jogo diminuiu um pouco de intensidade – mas nossa torcida, de forma exemplar, não parava um minuto sequer; de maneira uniforme, o estádio todo em uníssono. Não tínhamos como perder.

O Palmeiras apresentava os mesmos defeitos ofensivos de todo o semestre, mas compensava com uma vontade dos jogadores dentro de campo. O Santos explorava as deficiências na marcação de João Pedro e tinha seus momentos.

Aos 19, após lateral, Dudu recebeu passe de Barrios de costas para o gol dentro da área, conseguiu girar em cima de Gustavo Henrique e teve a chance de concluir, mas pegou mal na bola. Aos 27, Prass saiu jogando rápido com Dudu no meio do campo, o toque foi de primeira para Robinho na direita; ele deu três passos e levantou para Barrios na área, muito rápido. O paraguaio esperou a bola bater no gramado e cabeceou com estilo, no ângulo, exigindo boa defesa de Vanderlei.

Aos 41, Gabriel Jesus não suportou as dores e foi substituído por Rafael Marques. O Palmeiras perdia assim a capacidade de fazer jogadas mais agressivas pela esquerda, mas o Santos não conseguia aproveitar esse espaço. O time de Dorival Junior foi anulado na ligação por dois monstros: Arouca e Matheus Sales, que não deveu em nada a Gabriel. Lucas Lima terá pesadelos com o menino. E depois de cinco minutos de descontos, devido à patética cera feita pelo time do Santos em todo o primeiro tempo, Heber finalizou o primeiro tempo. Santos, nada pode ser menor.

SEGUNDO TEMPO

Nos primeiros minutos, o panorama não se alterou: o Palmeiras dominava, ocupava o meio-campo, trocava passes tentando achar uma brecha, e eventualmente sofria quando o Santos descia pela esquerda. E o time visitante teve seu melhor momento no jogo entre 8 e 11 minutos, quando forçou vários ataques, a defesa palmeirense rebatia e a sobra ficava com o Santos em todas as vezes, sempre proporcionando uma nova descida.

E quando parecia que o panorama do jogo ia azedar, o Verdão conseguiu abrir o placar: linda descida de Robinho pela direita, veio a tabela precisa com Barrios que o colocou na frente de Vanderlei; ele percebeu Dudu livre fechando na esquerda e apenas rolou para o camisa sete abrir o placar. Foi o maior grito de gol que eu já vi na vida, comparável talvez apenas ao gol de Zinho na final de 93. A tensão de nossa torcida foi liberada num urro de alguns megatons de potência, magnificados pela fantástica acústica de nosso estádio – coisa impossível no Morumbi.

Com o gol, o Palmeiras zerava o placar e os dois times voltaram à igualdade – a diferença a nosso favor era, claro, o mando de jogo: com mais de meia hora ainda por jogar, tínhamos a situação amplamente favorável para fechar a conta a nosso favor.

Com Geuvânio no lugar do ridículo Gabriel, a coisa complicou para João Pedro. Ele acabou sendo amarelado por falta em Lucas Lima e pouco depois Marcelo colocou, de forma corajosa, Taylor em seu lugar, logo depois de trocar Barrios por Cristaldo. E o Santos tomou coragem e voltou a criar volume de jogo. As defesas seguiam levando a melhor sobre os ataques.

A partida entrou em seu ato final. Com dez minutos para o fim, quem fizesse o gol praticamente selava o destino da taça. E aos 39, Robinho cobrou falta da esquerda; Vitor Hugo surgiu do nada no segundo pau e escorou para o meio; a bola passou pela zaga do Santos e Dudu, quase em cima da risca de gol, escorou pra dentro; vibrou como se não houvesse amanhã e o título tinha ficado muito, mas muito perto. Que sensação alucinante!

Mas não podia, por algum motivo, ser simples assim. No primeiro ataque, o Santos quase diminuiu, numa bola que chegou a Marquinhos Gabriel pela esquerda; o meia bateu forte mas a bola desviou em Taylor, indo a escanteio. Na batida, Werley conseguiu um improvável desvio de calcanhar, encontrando Ricardo Oliveira com imperdoável liberdade; e aí ficou difícil pro nosso lado. O Santos chegava ao empate aos 41 minutos de forma inacreditável.

Heber deu apenas um minuto de acréscimo e livrou sua cara o quanto antes. E assim fomos para os penais. Que agonia, senhoras e senhores!

PÊNALTIS

Nosso estádio foi demais; e nosso gramado também: o rodo em Marquinhos Gabriel bem na hora do primeiro chute foi espetacular. A bola encobriu o travessão e abrimos vantagem com o penal de Zé Roberto, que deu um medo danado.

Prass pegou a péssima cobrança de Gustavo Henrique, e parecia que tudo iria se definir rápido. Mas aí Rafael Marques bateu seu pênalti mal: forte, mas muito dentro da área de alcance de Vanderlei, que teve a sorte de acertar o canto. Hoje não, hoje não, hoje sim. Hoje sim?

Hoje não, pô. Caveirinha converteu a terceira para o Santos; Jackson recolocou o Verdão à frente com maestria. Lucas Lima bateu muito bem a quarta cobrança e empatou, mas Cristaldo também fez o seu eo Verdão ficava com 3 a 2 no placar. Veio o grande duelo: Ricardo Oliveira contra Fernando Prass; e a chance de encerrar a disputa. O atacante-falsiane estava nitidamente perturbado, tremendo. A batida foi horrível; no meio do gol, fraca; Prass pulou para o lado direito e por muito pouco não defendeu com os pés. O placar estava novamente igual, mas tínhamos nossa última cobrança, que ficou a cargo justamente de Fernando Prass, que havia treinado muito nas últimas semanas. Ele bateu forte e selou mais um título nacional para o Palmeiras, o décimo-segundo; decidindo quem é o maior de todos. Ninguém tem mais taças que o Verdão.

ACABOU!

Muita emoção no Allianz Parque. A loucura, a festa, a vibração da torcida alviverde. Gente sorrindo, gente chorando, gente desmaiando, gente cantando, torcida brasileira. Fiori Gigliotti, lá do céu, sorriu.

O Palmeiras, com as sagradas e infalíveis meias brancas, mais uma vez foi Palmeiras. De forma incompreensível, havia sido reduzido ao patinho feio da disputa, e mais uma vez provou que jamais pode ser relegado a essa condição. Os mais velhos, contemporâneos do seu Fiori, sabiam muito bem disso. Quem sabe, agora, esta geração de jornalistas aprenda.

A festa foi ensurdecedora, varreu as ruas da zona oeste e se estendeu por toda a capital paulista com um buzinaço que varou a madrugada, compondo uma deliciosa sinfonia junto com o foguetório. O título é nosso. E quem quisesse tentar dormir, melhor apelar pro remedinho que a noite era verde e branca, e longa.

Parabéns, palmeirenses. Nós merecemos. Passamos por poucas e boas nos últimos tempos, mas estamos de volta ao protagonismo. Em 2012, ameaçamos fazer isso, mas caímos na real poucos meses depois – e que real dolorida. Mas agora, tudo indica, o crescimento parece que foi muito bem sustentado e que as duas finais deste ano foram apenas o início de uma doce rotina que se avizinha.

OBRIGADO, PALMEIRAS!





Disputa de Pênaltis

Santos

Palmeiras

Marquinhos Gabriel
Zé Roberto
Gustavo Henrique
Rafael Marques
Geuvânio
Jackson
Lucas Lima
Cristaldo
Ricardo Oliveira
Fernando Prass

Ficha Técnica

Santos

GOL
Vanderlei
LAD
Vítor Ferraz
ZAG
Gustavo Henrique
ZAE
David Braz
ZAG
Werley
LAE
Zeca
VOL
Thiago Maia
VOL
Paulo Ricardo
VOL
Renato
MEI
Gabriel
MEI
Geuvânio
MEI
Lucas Lima
MEI
Marquinhos Gabriel
ATA
Ricardo Oliveira
TÉCNICO
Dorival Júnior

Notas


Jogador
Descrição
Nota
Fernando Prass
10
João Pedro
10
Lucas Taylor
10
Jackson
10
Vitor Hugo
10
Zé Roberto
0
Matheus Sales
10
Arouca
10
Dudu
10
Robinho
10
Gabriel Jesus
10
Rafael Marques
10
Barrios
10
Cristaldo
10
Marcelo Oliveira
Marcelo Oliveira
10