O significado da permanência de Dudu

Dudu e Vitor Hugo

O Palmeiras anunciou no sábado a extensão do contrato de Dudu por mais um ano – seu contrato, que ia até o final de 2022, agora vai até dezembro de 2023 – mais cinco anos, o máximo que a legislação permite.

A permanência de Dudu certamente foi a melhor notícia para a torcida do Palmeiras nesta janela de transferências. O melhor jogador do futebol brasileiro ao final de cada temporada, diante do cenário financeiro internacional, normalmente é dado como perda certa a ser reposta pelos clubes. Nessa condição, não é incorreto dizer que o Palmeiras fez a melhor ‘contratação’ entre todos os clubes do país.

Como não podia deixar de ser, a notícia deixou a torcida extremamente empolgada. Além de manter no Verdão um jogador extra-classe e com isso sustentar o status de melhor elenco do país, a condição de ídolo parece ficar cada vez mais evidente – algo perfeito num cenário onde a necessidade por adoração a personalidades é uma regra.

O anúncio, no entanto, talvez precise ser melhor compreendido.

Ele fica – até a próxima janela

Zé Roberto, Dudu e Borja comemoram gol do Palmeiras

Foi comunicado que atleta e clube encerraram todas as conversas para uma possível transferências e que Dudu jogará no Palmeiras – pelo menos até a próxima janela – ou seja,  ele poderá sair do Palmeiras no meio do ano.

As circunstâncias que envolveram sua permanência estão ligadas à mudança nas regras de contratação por que passou o futebol chinês, que agora tem mais restrições para contar com atletas estrangeiros – tal mudança facilitou, inclusive, que o Palmeiras conseguisse o empréstimo de Ricardo Goulart. Mas isso não impede que, para o replanejamento das próximas temporadas, Dudu não volte a ser alvo dos clubes orientais.

As negociações entre o Palmeiras e os agentes de Dudu caminharam para a permanência diante de uma série de fatores, que certamente envolveram ajustes financeiros – tanto em sua multa rescisória, quanto em seus salários. Mas não garantem nada em relação ao que vai acontecer depois de julho. Se desta vez houve acordo, significa que está ótimo para todos – até a próxima rodada de negociação.

Isto precisa ficar bem claro para a torcida, que parece ter esquecido que o contrato anterior já era longo e que mesmo assim Dudu poderia sair a qualquer momento. O que deve ser comemorado é que as probabilidades de saída, a cada renovação, ficam cada vez menores – à medida que a idade do craque vai avançando, ele se torna menos atrativo para outros mercados. O Palmeiras tem, hoje, o privilégio de manter no elenco um atleta espetacular no auge de sua forma física e técnica.

Ídolo ou não: isso importa?

Dudu
Divulgação

É muito comum inserir a idolatria como tema nas discussões sobre futebol. Especular se um jogador é ou não ídolo de uma torcida é um dos esportes preferidos nas mesas redondas sobre o nada que infestam as televisões – e parte das torcidas curiosamente parecem adorar o assunto, afinal, os entendidos estão lá decidindo por eles quem são seus ídolos.

A idolatria é uma relação que deveria ser mais particular. Cada um decide, muitas vezes involuntariamente, o que sente em relação a cada atleta que tem o privilégio de vestir a camisa sagrada de nosso time. Lances rápidos, ou mesmo pequenos gestos fora de campo muitas vezes tocam pontos de nosso subconsciente e fazem com que uma relação de profundo respeito e afeto passe a ser cultivada – e essa relação aumenta ou diminui de intensidade a cada partida, a cada semana, com novos gestos.

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A permanência de Dudu foi encarada por muitos como um gesto de amor ao clube. De fato, já são quatro anos completos, três títulos nacionais e uma relação muito bem construída com a torcida. No sábado, foi possível ler nas redes sociais que, com a decisão, Dudu entrava de vez para o rol de grandes ídolos do Palmeiras – como se esse rol existisse formalmente.

Como todo mundo, Dudu é, antes de tudo, uma pessoa que tem suas ambições pessoais, tem família e usa sua ocupação profissional para satisfazer suas necessidades. Neste momento, o pacote Palmeiras lhe dá as melhores condições, e foi isso que o fez tomar essa decisão. No que ficamos muito satisfeitos! Ontem, mesmo num jogo morno, Dudu foi um dos melhores jogadores do time.

Que o camisa 7, a cada ponto de tomada de decisão, sempre faça suas ponderações com a direção do clube, e que enquanto estiver valendo a pena tê-lo como jogador do Verdão, como agora, que ele decida por ficar.

A hora da despedida sempre chega, mais cedo ou mais tarde. Que o Palmeiras, os palmeirenses e o próprio Dudu aproveitem bem esta permanência e curtam muito tudo o que ela vem nos dando: um jogador que se entrega totalmente em campo, capaz de jogadas espetaculares, que incendeia a torcida no Allianz Parque, que amedronta os adversários e que é fundamental para a conquista de títulos.

Avanti!

Digna de todos os elogios a forma com que Alexandre Mattos comunicou a torcida da extensão de contrato de Dudu. No vídeo, o dirigente deixa claro que os ajustes financeiros que propiciaram a conclusão do acordo só aconteceram graças aos recursos do Avanti.

Nosso programa de sócio torcedor sempre deve ser a fonte de receita mais valorizada pelo clube. Todos sabemos como as receitas vindas dos contratos com a TV e com patrocinadores são importantes no modelo econômico do clube, mas a fonte mais pulverizada, e por isso mais segura, é a que vem da torcida.

Essa retomada à valorização do Avanti, deixado um pouco de lado nas últimas temporadas em detrimento à excessiva valorização da relação com a patrocinadora, é um excelente sinal. As coisas podem caminhar em paralelo, de forma equilibrada.

O clube precisa agora voltar a fazer do sócio Avanti um apoiador satisfeito. Os serviços seguem confusos e pouco eficientes. A propaganda feita por Mattos tem um significado muito grande, mas o torcedor, sobretudo aquele que deixou de apoiar mensalmente nos últimos anos, precisa se sentir recompensado em todos os sentidos para reativar a relação.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.verdazzo.com.br/padrinho

Enésima pane no Avanti põe amor do palmeirense à prova

AvantiEsta manhã o sistema do Avanti sofreu uma pane que prejudicou a compra dos ingressos de centenas de palmeirenses para o jogo contra o América, possível partida da conquista do título do Brasileirão.

Em comunicado oficial, o clube explicou que foi um erro no sistema da Futebol Card, que abriu as vendas uma hora antes – possivelmente uma falha por causa do horário de verão, erro grosseiro para uma empresa de TI. Na nota, o clube ainda informa que quem comprou o ingresso e atendia aos requisitos de prioridade terá a compra confirmada.

Mesmo que isso seja revertido, o stress que isso causa gera um dano irreparável ao clube. A cada problema no sistema de venda de ingressos, muitos palmeirenses acabam tendo a deixa que precisam para cancelar o serviço. E o Palmeiras assim perde receita recorrente por culpa de um serviço ruim de uma empresa terceira.

Esta não é uma falha isolada. Nossa torcida tem sofrido com os erros da Futebol Card seguidamente. No final das contas, o estádio acaba sempre cheio e o foco se volta para o jogo. Mas por trás da bela imagem das cadeiras preenchidas na televisão, há milhares de pessoas que acabaram sem ingresso de forma injusta, frustradas, com raiva, enquanto outros acabam conseguindo o ingresso beneficiados pelo erro no sistema.

Amor inesgotável

O bem mais precioso do Palmeiras é sua torcida. E a forma mais concreta do torcedor palmeirense demonstrar seu amor pelo clube é sendo sócio Avanti. É através desse programa que o clube aufere receitas extraordinárias e mantém as fontes balanceadas – o ganho direto das mensalidades, mais o ganho indireto das bilheterias dependem de um Avanti com produtos bem desenvolvidos e com a operação redonda.

Não vemos nem uma coisa, nem outra. O Avanti, hoje, é um mero programa de milhagem; os benefícios para quem não mora na capital paulista até existem, mas não atraem ninguém que esteja realmente em busca de vantagens.

Pessoalmente, pagaria o Avanti mesmo que não tivesse uma mísera contrapartida. O Avanti me parece mais uma forma de retribuir ao Palmeiras a alegria que ele me dá simplesmente por existir. Não é um serviço. É a materialização de um amor – e um amor diferente de tudo. Até o amor entre pessoas exige contrapartidas, porque a fila pode andar. Mas o amor por um clube, a não ser que você seja o Clóvis Rossi, esse não acaba nunca, não importa o que aconteça.

Compreendo, porém, que exista quem encare o Avanti como uma via de duas mãos e que exigem um serviço bem prestado, sob pena de cancelamento. Para punir uma empresa que presta um mau serviço, para punir uma diretoria que não zela pelo bom funcionamento do programa e que dá a sensação de completo descaso ao torcedor, punem o Palmeiras. O que é, literalmente, uma pena!

Outro caminho

Para não prejudicar o Palmeiras, para não dar o gosto aos torcedores rivais de verem o Verdão mais uma vez ruindo por suas próprias incompetências, para não satisfazer empresas que terão ganhos comerciais ou políticos com o enfraquecimento do programa, é que o torcedor palmeirense precisa resistir.

Queremos muito que o Avanti melhore, mas tentar fazer isso “mostrando pra eles” com o cancelamento é como matar a galinha dos ovos de ouro. É decidir com o fígado. O pequeno prazer de dar-lhes um pequeno golpe de volta não compensará o enfraquecimento do clube. Você mesmo sofrerá as consequências em sua vida, quando voltarmos frequentar o miolo da tabela, ou mesmo fazer contas para os 46 pontos.

Quem está ficando sem ingresso deve estar muito revoltado, com razão. Pois que essa energia seja redirecionada para algo outro caminho, concreto e positivo: melhorar o Avanti. Criem tags, façam movimentos nas ruas, cerquem o CT, qualquer coisa. Usem as redes sociais. Façam o diabo – dentro da lei, claro.

De nossa parte, segue um texto escrito pelo Bruno Lauria, padrinho do Verdazzo. Será encaminhado ao presidente do clube. Leitores, padrinhos ou não, sintam-se à vontade para subscrever a carta na área de comentários.


À

Sociedade Esportiva Palmeiras

A/C: de quem puder resolver os recorrentes problemas do Avanti

Prezados,

Há tempos estou adiando o envio desta mensagem. Não foram poucas as vezes em que nós, torcedores do Palmeiras (adimplentes com seus planos do Avanti e titulares orgulhosos de suas várias estrelas no sistema de rating), fomos negligenciados e desrespeitados pelo sistema de compra de ingressos.

O sistema já foi pior? Sim. É melhor do que enfrentar fila, cambista e seguranças do próprio clube para comprar na bilheteria? Também é. Mas a verdade é que ainda somos, reiterada e vergonhosamente, lesados pelo sistema de compra de ingressos do Avanti. As dificuldades e problemas são diversos e recorrentes. Basta um jogo importante para nos depararmos com uma verdadeira carnificina para conseguir reservar nossos lugares.

Assim, e já me antevendo a uma possível resposta “protocolar” por parte do clube (se é que virá), já queria deixar registrado desde logo que: (1) Não, hoje não foi uma situação atípica (mas talvez apenas a famigerada gota d’água) e (2) Sim, sabemos que o número de ingressos atualmente foi reduzido por conta da arbitragem com a WTorre.

Porém, o que hoje vivenciamos foi mais uma aberração (que, repito, já aconteceu em outros jogos). Não que vocês não saibam, mas vale a pena resumir: (1) muitas pessoas (que sequer 5 estrelas são) conseguiram comprar os ingressos antes mesmo das 10h da manhã (horário estabelecido para a abertura da pré-venda exclusiva aos 5 estrelas), e (2) o sistema falhou infinitas vezes, seja no processo de seleção de cadeiras, seja no processo de pagamento. Eu mesmo tentei efetuar o pagamento em diversas oportunidades, e diversas recusadas (com o mesmo cartão de crédito, ativo e sem restrições, que uso há bastante tempo). Liguei para a operadora do cartão e o problema não era lá, o que de fato ficou comprovado posteriormente.

No caso particular de boa parte dos que subscrevem esse documento, pagamos o plano Ouro (que nem esse nome tinha quando comecei a pagar), que custa R$ 120,00 por mês. No meu caso, ainda, tenho 2 dependentes, o que significa a quantia de R$ 240,00 por mês nos cofres do clube. Como contrapartida, e conforme regras estipuladas pelo próprio clube, tenho direito a adquirir (sem custos adicionais) minhas cadeiras de GOL NORTE ou de SUPERIOR NORTE (como sócio 5 estrelas que sou).

Acontece que hoje, ao entrar no sistema (pontual e religiosamente às 10h), não foi possível reservar nem gol norte, nem superior norte. Após 45 minutos de bastante nervoso e stress (e tendo falado com operadora do cartão, tentado ligar para o telefone disponibilizado no site do Avanti por dezenas de vezes, tentando logar no chat disponibilizado no site etc.), finalmente consegui adquirir meus ingressos para o GOL SUL.

Sim, depois de tudo, ainda sou obrigado a adquirir os ingressos, e num setor que não é do meu agrado, por conta da irresponsabilidade reiterada do Palmeiras e do seu sistema de venda aos torcedores. Mas, como disse, já deveríamos estar acostumados. Não é a primeira vez (e, confesso, acho que não será a última) que o torcedor do clube é desrespeitado, especialmente em jogos “grandes”. Logo esse torcedor que vem carregando esse clube nas costas, jogo após jogo, ano após ano (inclusive nos anos das trevas, dos quais nem é bom lembrar).

A vontade que dá é simplesmente cancelar o Avanti, comprar as malditas cadeiras da WTorre e, de quebra, processar o clube (é, inclusive, o que seria correto, não fosse o Palmeiras do outro lado e o amor incondicional que temos por ele). Eu sei, e vocês também, isso não vai acontecer. Somos, como já disse, apaixonados por esse clube, e amanhã mesmo estarei lá no Allianz, dessa vez de superior norte (já que, também misteriosamente, não consegui pegar meu gol norte mesmo estando logado no sistema às 10h em ponto).

Porém, Senhores, fica aqui registrado o desabafo. Com a esperança de que alguém se sensibilize e lembre-se que a torcida do Palmeiras é o que faz esse clube ser gigantesco do jeito que é. Somos fortes, resilientes, apaixonados e pacientes. Mas paciência tem limites. Até a nossa.

Atenciosamente,

Bruno Maschietto Lauria